quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Caso Luisão III

Logo a seguir ao incidente escrevi que não compreendia que, num jogo a feijões, Luisão (um atleta que muito prezo e cuja carreira se tem sempre pautado por uma grande correcção) tivesse aquela reacção intempestiva, arriscando um castigo.

Na altura, tomei porém como boas as "informações" da imprensa (nomeadamente "A Bola" e o "Correio da Manhã"), de acordo com a qual Luisão com toda a probabilidade não seria castigado, uma vez que não teria havido relatório do jogo e que a Federação Alemã declinava qualquer prosseguimento do caso.

Acontece que não é assim. Acontece que a FIFA já pediu à Federação Portuguesa para acompanhar o caso e que Luisão arrisca realmente um castigo que o impeça de actuar, por um número de jogos a definir, na Liga dos Campeões e mesmo na Liga Portuguesa.

Esta situação é lamentável a todos os títulos e - tenho que insistir - foi mal gerida pelos dirigentes do Benfica. Isto nada tem que ver com criar divisionismos ou fazer crítica fácil - tem que ver com a exigência, que todos os benfiquistas devem colocar aos dirigentes que comandam os destinos do Benfica, de que todas as situações sejam resolvidas com o maior rigor e profissionalismo.

Onde errámos?

Na forma como, desde o início, não foi estabelecido um diálogo com o clube alemão e, através deste, com o próprio árbitro, no sentido de uma situação desagradável não se tornar num problema grave.
Os Benfiquistas têm que perceber que criticar o árbitro - e eu já o fiz - não resolve o problema. Se é compreensível que os adeptos o façam, já não é admissível que essa possa ser a estratégia da direcção. É verdade que o comportamento do árbitro foi teatral, lamentável. Mas não é menos verdade que, independentemente disso, estamos perante um cenário muito complicado e que a maior preocupação tem que ser resolvê-lo.

Neste momento, as consequências negativas deste caso são a meu ver as seguintes:

- possibilidade de Luisão ser castigado e estar um número indefinido de jogos afastado da competição;
- desestabilização da equipa a dias do início do campeonato;
- péssima publicidade para a imagem do Benfica, nacional e internacionalmente;
- possibilidade dos árbitros aproveitarem este incidente para nos penalizarem, ainda mais, disciplinarmente;
- o Benfica ficar dependente da actuação do Conselho de Disciplina da Federação.

Este último ponto merece ser sublinhado: depois das decisões altamente lesivas que este órgão vem tomando contra o Benfica, ficamos completamente nas suas mãos, de alguma forma dependentes da sua boa (ou má) vontade na apreciação do caso. De igual modo, o Benfica fica numa posição de menoridade perante a própria Federação, justamente quando precisávamos de a afrontar no sentido dela ser mais isenta e imparcial na direcção do futebol português.

Ou seja, este caso consegue fazer quase o pleno do que não precisávamos neste início de época. E mais uma vez faltou liderança. Eu compreendo que Jorge Jesus queira fomentar a competitividade desde o início mas será que não há capacidade emocional para perceber que estamos perante um jogo a feijões? O Real perdeu 5-1 com o Benfica e não é por isso que fará uma época melhor ou pior este ano. Portugal perdeu com a Turquia antes do Europeu e não foi por isso que deixou de fazer um Europeu extraordinário.

Feito o mal, impunha-se fazer o controlo dos estragos, para o que era necessário, sem ruído e com muita calma, contar com a boa vontade dos alemães, a começar pelo Fortuna de Dusseldorf. Afinal de contas, presume-se que, para o Benfica alí ir disputar o jogo de apresentação, existiria uma boa relação entre as duas direcções. Afinal verifica-se que o Dusseldorf faz declarações inflamadas, exige castigos e a devolução da verba que pagara ao Benfica. Esteve bem? A meu ver, não, esteve muito mal. Mas é à direcção do Benfica e não à do Dusseldorf que os Benfiquistas têm o direito de exigir a defesa dos seus interesses.

Mais uma vez digo, é um caso caricato, insólito e desnecessário. Ameaça agora tornar-se (muito) lesivo dos interesses do Benfica. Não aprendemos.

Adenda: o Presidente Luis Filipe Vieira esteve hoje na Alemanha e anunciou, com o seu homólogo do Dusseldorf, um "acordo" que esclarece os mal entendidos. É o passo certo mas parece-me que ele surge tardiamente, pois neste momento o assunto não está nas mãos do clube alemão.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Quando o ridículo se torna grotesco

A queda ridícula do árbitro alemão no triste Fortuna-Benfica do passado sábado, continua a fazer notícias. Não contente com o triste espectáculo que deu com aquela queda teatral e ainda com o terminar prematuro do jogo, defraudando atletas e espectadores, o árbitro apresentou agora uma queixa crime (!) contra Luisão no Ministério Público alemão.
Enfim, se dúvidas existiam acerca da falta de estrutura mental deste árbitro, elas ficaram dissipadas. Num mundo hoje existem tantas injustiças, tanto crime e tantas situações que requerem as energias de todos, o árbitro decide levar um "caso" tão insignificante quanto este aos tribunais. Mais do que patético é grotesco.

Hoje já é terça...

E Witsel ainda não saiu. Pelo contrário, questionado no estágio da sua selecção sobre o interesse do Real Madrid, afirmou que se sente bem no Benfica. Esperemos portanto que não se confirme a manchete d' "A Bola" da passada semana que garantia que por esta altura Witsel estaria já em Madrid.

Em sentido um pouco inverso ao de Witsel parecem estar Hulk e o próprio Moutinho. Witsel sente-se bem e por sua vontade continua no Benfica, apesar do interesse de alguns grandes clubes. A sua cláusula de rescisão nem sequer é proibitiva. Já Hulk e Moutinho, em graus diferentes, manifestaram já vontade de sair mas não parecem existir interessados.
O campeonato está aí mesmo à porta. É já sábado às 20.15 h que recebemos o Braga na Luz.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Londres 2012 - balanço e contagem final de medalhas


Terminaram ontem, com a pompa e o estadão inglês, os Jogos Olímpicos de 2012.
O sucesso foi completo para os organizadores e penso que todos os amantes do desporto terão ficado satisfeitos com a competição e os espectáculos. Houve poucos casos de doping, nenhum incidente verdadeiramente grave, um grande espírito de desportivismo e algumas provas verdadeiramente sensacionais.
É evidente que as figuras maiores dos Jogos foram Usain Bolt e Michael Phelps. Dois atletas extraordinários que provaram ser de longe os melhores nas respetivas modalidades, cintilam o brilho dos predestinados e deram aos espectadores momentos únicos. Nas pistas ou na piscina, Bolt e Phelps foram e são os mais rápidos de sempre.
Mas para além deles, os Jogos tiveram outros momentos memoráveis de dedicação ao desporto, de esforço, de abnegação e de fé que devem constituir um modelo para os jovens. Foi o caso dos 400 m barreiras masculinos, os 5.000 m femininos, evidentemente os 100m masculinos e os 400 m estafetas, entre muitas outras provas.
Mas os jogos são também um veículo de promoção global do desporto, nomeadamente de modalidades que noutras circunstâncias pouca ou nenhuma visibilidade têm. Lembro-me de assistir até à prova de marcha e a um jogo de ping-pong...
No "campeonato" das medalhas, os EUA venceram, depois de terem estado muito tempo atrás da China. A ultrapassagem deu-se aquando da entrada do atletismo em força nos jogos: face às 29 medalhas dos EUA (9 de ouro), a China conseguiu apenas 6 (1 de ouro). Isto fez toda a diferença na contabilidade total: os EUA tiveram 104 medalhas, 46 das quais de ouro, a China 88 (menos 16), 38 de ouro (menos 8). Outra modalidade que os EUA dominaram foi a natação, com 31 medalhas contra 10 da China.
Em 3º lugar (bronze no "campeonato" das medalhas), o último do pódio, ficou a Grã-Bretanha, com um total de 65 medalhas (perto das 70 "prometidas", algo que nos primeiros dias pareceu uma miragem), 29 das quais de ouro. A Rússia teve mais medalhas (82) mas menos de ouro (24), o que explica, de acordo com os critérios do Comité Olímpico, a classificação. O país mais "prejudicado" por esta forma de contabilidade é o Japão (38 medalhas) que fica em 11º lugar, quando num sistema de contabilidade simples ficaria em 6º. Os mais beneficiados foram a Coreia (que com apenas 28 medalhas ficou em 5º) e a Hungria (que com apenas 17 medalhas alcançou o 9º lugar). Em 6º, 7º e 8º ficaram os europeus Alemanha, França e Itália e em 10º a Austrália.

Em relação à participação de Portugal (69º classificado, juntamente com Botswana, Gabão, Guatemala, Chipre e Montenegro), já escrevi o que penso, nomeadamente acerca da ausência de desporto escolar e de um grande desinteresse da sociedade portuguesa, que só se lembra das modalidades quando existem Jogos Olímpicos, altura em que todos os ódios, frustrações e azedume são descarregados nos atletas.
Penso que todos os atletas portugueses deram o seu melhor; o problema é que isso não chega porque basicamente não há desporto e muito menos alta competição em Portugal, excepção feita ao futebol. A nossa participação saldou-se assim por uma medalha, o que é fraquíssimo. Pior mesmo (em países comparáveis) só a Áustria, que não conseguiu nenhuma.

Por fim, uma palavra para o Brasil, que nos últimos dias perdeu três finais, conquistando assim medalhas de prata que poderiam - e nalguns casos deveriam - ter sido de ouro. O Brasil perdeu a final de voleibol masculinos (vencendo a de femininos), a de voleibol de praia e a de futebol. Esta última é a mais inexplicável e de mais difícil aceitação pois era óbvio que o Brasil era, de longe, a melhor selecção e talvez aquela que mais se aproximava do que será a sua equipa em 2014. Com Neymar, Thiago Silva, Rafael, Juan, Pato, Hulk e tantos outros, não se compreende que o Brasil perca com a equipa do México, que não tem nem de perto o mesmo talento.
Venha o Rio, mas entretanto, volte o futebol o sério.

Insólito e desnecessário

A cena lamentável do passado sábado aparentemente não terá consequências sérias para a época que se inicia no próximo fim-de-semana.
É evidente que a forma como o árbitro caiu é despropositada e até caricata. Nem discuto que a arbitragem possa ter sido má e que a expulsão de Javi fosse desnecessária. Mas será que isso, mesmo a ser verdade, justifica que Luisão corra de uma forma tão abrupta para o árbitro? Será que aquele jogo, que para nada interessava, justificava que um dos jogadores mais importantes da nossa equipa arriscasse um pesado castigo?
Para além disso, esta situação vem dar munições aos adversários que a aproveitarão para tentar de novo branquear o que se passa com a arbitragem em Portugal, afirmando que o Benfica é que tem sempre um problema com as arbitragens, como se "prova" em jogos internacionais. As queixas que - com toda a razão - fizemos contra as arbitragens, nomeadamente no ano passado, vão agora ser relativizadas e alguns árbitros poderão até entrar para os nossos jogos predispostos a interpretar qualquer gesto dos nossos jogadores como manifestações de indisciplina e a dar-nos (ainda) mais cartões. Isto enquanto os mesmos de sempre se vão rindo.
Naturalmente que não tinhamos como adivinhar o que vinha a caminho, mas a verdade é que a posteriori a deslocação a Dusseldorf parece ter sido uma má decisão. Digo isto sobretudo pela forma inexplicável como os alemães reagiram, ao ameaçar queixas à UEFA e a "exigir" a devolução do cachet. Quando se esperava que o clube procurasse minorar o incidente (afinal de contas o Benfica era seu convidado), os dirigentes alemães deitaram ainda mais achas para a fogueira. Se o Benfica se tivesse recusado a continuar o jogo, compreendia-se. Mas quem o fez foi o árbitro, o que é inexplicável, especialmente considerando que nada de realmente grave se passou, a não ser talvez o ridículo do seu teatro. Ao árbitro cabia expulsar Luisão e continuar o jogo.
Entretanto a Federação alemã, citada pel' "A Bola" de hoje, diz que não abirá nenhum inquérito e que não remeterá o caso à UEFA, considerando que é a FPF que tem competência para tal. Inclusivamente o árbitro não terá feito relatório do jogo (de acordo com mesma notícia).
Do mal o menos.