sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Golo de Di Maria - cá era anulado



Foto de thumblr.com

O golo marcado ontem por Di Maria ao Barcelona, se acontecesse em Portugal - E fosse a favor do Benfica - seria anulado por falta do avançado. Isto é tão certo como Pinto de Sousa ter sido presidente do Conselho de Arbitragem e Adriano Pinto advogado de Pinto da Costa.

Os árbitros têm dentro de campo uma latitude tremenda para influenciar e até decidir o desfecho dos jogos.

Neste lance, há uma mão de Di Maria nas costas de Valdez e há um pé que toca na perna do guarda-redes do Barcelona. Para mim e creio que para a esmagadora dos adeptos de futebol isso não é suficiente para ser considerado falta. Mas eu vos garanto aqui que com Proenças, Soares Dias, Jorges de Sousa, Capelas, Benquerenças, Hugos Miguéis e outros, o lance seria interrompido. Isto claro, no caso do mesmo ser a favor do Benfica. Já se fosse o Porto era um lance normal de futebol e nada passava. Exemplos: o "corte" de Polga a varrer as pernas de Gaitan o ano passado em Alvalade. Decisão do árbitro? Canto. Toque de Luisão no pescoço de Wolfswinkel? Penalty e amarelo. Agarrão de Ismailov à camisola de Luisão? Nada. Outro exemplo: pontapeamento de Aimar em Coimbra por trás. Decisão? Falta contra o Benfica. Outro: atropelamento de Saviola dentro da área que roçou o jogo violento contra o Rio Ave. Decisão? Nada, já não ser falta contra o Benfica foi uma sorte.

Mas o melhor exemplo é mesmo o do golo anulado no passado sábado ao Benfica por Soares Dias, que aliás mostrou "muita personalidade" (é um facto, o problema é que a personalidade em causa é má). Qual a razão da anulação? Objetivamente nenhuma, pois Cardozo não tocou no guarda-redes. Deu aparência de falta? De alguma forma, pode-se responder que sim, uma vez que Cardozo salta com aparato. Então que se marque falta! Já está justificado.

Agora a de Gaitan em Alvalade no ano passado: teve aparência de falta? Sim. Foi realmente falta? Sem dúvida. Mas pode-se alegar que o árbitro não teve a certeza absoluta de que foi falta? Lá isso, pode-se de facto... Então não se marque!

Isto acontece por razões que já expliquei e continuará até aos adeptos do Benfica dizerem basta. Até um destes senhores entrar em campo e sentir nos ouvidos e no ambiente o que pensam os benfiquistas acerca desta falsificação. Não estou a falar de violência, que isso é contrário a todos os princípios do desporto, da vida em civilização e aos valores que este blog defende. Nem sequer de "apertões" à moda do Porto. Estou a falar de assobiadelas como antigamente eu ouvia na Luz quando um árbitro fazia um quarto do que estes senhores fazem hoje com total impunidade e complacência dos adeptos.

Uma semana para o fecho de mercado

O campeonato já começou e este Domingo o Benfica tem novo compromisso difícil em Setúbal.
Melgarejo está com amigdalite, pelo que penso que Jesus apostará em Luisinho. Este jogador, vindo do Passos de Ferreira, foi também adaptado por Henrique Calisto da posição de extremo a defesa esquerdo.

O mercado está a fechar (falta uma semana) e o campeonato já começou. Há portanto que resolver as várias situações pendentes, a começar pelo problema do defesa esquerdo. Diz a imprensa que Eliseu estará prestes a assinar, o que me parece uma boa solução. Depois temos muitos jogadores que seria desejável vender, desde Sidney e Emerson até (com pena minha, mas realismo) Saviola. Há ainda o caso Gaitan (que parece dos poucos jogadores, com excepção de Witsel, que poderá render uma quantia considerável) e mesmo, para muita pena minha e da maioria dos benfiquistas, a possibilidade de Nolito sair, em princípio por empréstimo. Se, sem Melgarejo, Perez e Sálvio, Nolito muitas vezes não foi titular na época passada, este ano, com estes reforços, a sua situação só poderá piorar. A prazo ela pode tornar-se insustentável.

Uma nota também para a venda de Álvaro Pereira pelo Porto. Famoso pelos seus negócios, o clube do Porto desta vez espalhou-se ao comprido. Se a proposta do Chelsea do ano passado de 22 milhões foi "rejeitada em segundos", não se percebe como 7,5 milhões do Inter já são agora aceites. Diz-se que a transferência pode chegar a 15 milhões mas isso é deitar areia para os olhos do povo, porque só se o Inter conquistasse os 4 troféus em que está envolvido é que isso se concretizava. Os valores subirão com toda a probabilidade (a não ser que Pereira não se afirme como titular) mas deverão ficar por metade do que o Chelsea ofereceu há um ano. Este negócio junta-se ao de Cebola e de Fucile. Que continuem assim.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Castigos e despenalizações - o sistema continua a gozar na cara do Benfica



No ano passado, depois da derrota com o Porto na Luz, o campenato parecia perdido. No entanto, um empate do Porto logo na jornada seguinte com a Académica voltou a reabrir a discussão, tanto mais que aquele clube tinha ainda que visitar Braga. Vem então a deslocação do Benfica a Olhão - habitualmente difícil. E entra em campo um "habilidoso", chamado João Capela.
Na primeira volta, este árbitro, certamente muito bem instruído, tinha cometido a espantosa proeza de expulsar Cardozo, num jogo importantíssimo na Luz contra o Sporting, sem que aquele nosso jogador tivesse cometido qualquer falta. Como? Exactamente: Cardozo viu um amarelo num canto em que apenas se viu Wolfswinkel a empurrar o jogador do Benfica e um segundo amarelo por bater com a mão na relva.
Ora este mesmo árbitro em Olhão, depois de uma entrada de sola de Toy à virilha de Javi Garcia que não mereceu qualquer punição, consegue ver numa disputa de bola mais ríspida entre Aimar e um adversário não apenas uma falta de Aimar mas uma agressão e expulsar o nosso jogador. Mãos na cabeça e incredulidade por parte dos benfiquistas, os próprios olhanenses meio espantados e um campeonato que definitivamente se ia embora. (Eu pergunto-me como é que estes senhores árbitros dormem à noite com a consciência tão pesada).
Na altura, pensei que Aimar seria com toda a certeza despenalizado, pois foi por demais óbvio que não houve qualquer razão para o vermelho e que o árbitro tinha (na mais benevolente das hipóteses) cometido um erro de análise.
O que aconteceu é sabido: não apenas Aimar não foi despenalizado como levou o maior castigo de toda a Liga Portuguesa, época 2011/2012: 2 jogos de suspensão.
Não há duas formas de olhar para isto: tratou-se de uma acção deliberada, tomada por um orgão que deveria ser independente, para prejudicar o Benfica. Aimar não jogaria com o Braga na Luz e com o Sporting em Alvalade, jogo que perdemos graças a um penalty não existente, a não ter sido assinalado um penalty escandaloso sobre Gaitan, a João Pereira não ter sido expulso como devia e que ainda acabámos com 10 graças a uma expulsão ridícula de Luisão.
Este ano, ainda só vamos na primeira jornada e já temos novo caso: Douglão, expulso com o segundo amarelo por falta que não cometeu, é despenalizado pela Liga. A decisão, tomada isoladamente, é correcta.
O problema é que esta decisão não pode ser analisada isoladamente. Tem que ser analisada à luz de outras que a mesma comissão tem tomado. Ora eu não me recordo de nenhuma decisão de despenalização.
Dito de outra forma, para que fique claro, estou convencido de que esta decisão visa apenas uma coisa: sugerir, de forma ínvia, que o Benfica foi beneficiado. Isto num jogo em que vimos um golo ser anulado sem qualquer razão objectiva. Eu gostaria de saber se a Liga também vai "despenalizar" Cardozo pela falta que não cometeu e dar a vitória ao Benfica nesse jogo.

Assim vai o futebol português. E ainda só vamos na primeira jornada...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Para variar, algo diferente: André Villas-Boas



Algumas pessoas espantam-se de Hulk ainda não ter saído do Porto - eu não.
Hulk beneficia do sistema de protecção de que o clube do Porto usufrui no nosso país. Um sistema que se faz sentir nas arbitragens, nas decisões dos Conselhos de disciplina e até na imprensa, televisão incluída. Quem acompanha este blog sabe do que estou falando e quem não acompanha pode aqui pesquisar a palavra "sistema" e ler os posts que sobre o assunto venho escrevendo.
Acrescentaria apenas, sobre a imprensa, que ao passo que os jornalistas afectos ao Benfica e ao Sporting procuram (nem sempre é certo) manter alguma isenção, já no Porto não existe essa preocupação. A defesa do Porto (como se vê até nos programas de "painel") é muito mais intransigente e unida do que a dos clubes de Lisboa.
Voltando a Hulk, os clubes europeus que a imprensa diz interessados (e que até poderão estar mas não pelos valores que o clube do Porto quer embolsar) não deixarão de franzir o sobrolho face a este "fenómeno" quando se lembram de casos como Secretário, Vitor Baía e... André Villas-Boas.
Este outro "fenómeno", aureolado de invencível e génio, adulado pela imprensa nortenha, pleno de confiança e expressões altísonantes, como a "cadeira de sonho", tem feito desde que saiu do Porto uma carreira confrangedora.
Aliás, antes de ingressar no Porto, a sua carreira era inexistente, a tal ponto que até Mourinho, de quem anteriormente não se haviam ouvido críticas ao seu ex-clube, se manifestou estupefacto com a sua contratação. Villas-Boas tinha feito meia dúzia de jogos com a Académica e antes disso limitara-se a fazer relatórios dos adversários para Mourinho.
Na pré-época que antece o ano "de sonho", o Porto fizera exibições sofríveis e não marcara golos. O jogo que altera tudo é a final da Supertaça que (mais uma vez) o Benfica perde para o clube do Porto. Entrando em campo de forma sobranceira e pouco empenhada, convencido da sua superioridade, o Benfica (Roberto) sofre a frio um golo esquisito e não mais se recomporia.
Esse jogo daria o mote para uma época humilhante do Benfica, que fez rapidamente fez esquecer a brilhante época anterior. Muito prejudicado pelas arbitragens nas primeiras jornadas, nas quais foi sôfrego e ansioso, o Benfica permitiu ao Porto uma vantagem que nunca mais recuperaria apesar de uma impressionante série de vitórias.
Já o Porto de Villas-Boas, protegido nas primeiras jornadas, em que alcançou vitórias tangenciais, derrotaria o Benfica por 5-0 (David Luiz a lateral esquerdo...), embalando depois, muito graças ao grande jogador (esse sim) que é Falcao, e a uma confiança tremenda nas suas capacidades, para uma época sem derrotas. Todos nos recordamos disso (infelizmente).
A capacidade de Villas-Boas para motivar os seus atletas, aliada à percepção dos mesmos de que o Benfica era afinal um tigre de papel (JJ ficou aparvalhado e sem reacção após declarações iniciais de Villas-Boas irónicas a desconsiderá-lo), levaram o Porto a superiorizar-se ao Benfica e a vencer 4 títulos nesse ano. JJ parecia bloqueado e impotente face ao "benjamim". "Aluno dá lição ao Mestre da táctica" diziam os jornais. Tenho para mim que JJ nunca mais recuperou do trauma que certamente sofreu e que isso explica algumas das suas decisões mais incompreensíveis desde então.
Estava criado o "fenómeno" Villas-Boas.
Mas não durou muito. A ambição ou a ganância levaram-no a deixar o Porto e em Londres foi o que se viu. Com a agravante de que que Di Matteo, recuperando uma eliminatória praticamente perdida por Villas-Boas (entretanto despedido) contra o Nápoles, viria a fazer o impensável e a vencer a Champions. Foi uma estocada ainda mais dura para Villas-Boas do que propriamente a demissão, tanto mais que Matteo desfez tudo o que o seu antecessor fizera e apostou de novo em Lampard, Drogba e outros veteranos para arrecadar o prémio máximo do futebol europeu. À italiana.
Este ano, nova aposta - o Tottenham. E as coisas já começaram a correr mal. Com uma herança pesada (Harry Rednap, também chamado Harry Potter, por alegadamente ser capaz de fazer "magia" com as suas equipas) e o objectivo declarado de fazer melhor do que no ano passado (4º lugar), Villas-Boas começou a época com uma derrata e um futebol desgarrado, inconsequente e inseguro. Perdeu por 1-2 com o seu Newcastle e o seu golo (em possível fora-de-jogo), que na altura empatou o jogo, veio de uma jogada fortuita, tendo pouco depois sofrido o golo da derrota.
Villas-Boas entrou no futebol "a matar" e beneficiou da estrutura de protecção (a legítima e a ilegítima) de que o futebol do Porto beneficia em Portugal. Agora está só e por si. Mourinho triunfou, mostrando o seu valor inerente, Villas-Boas está perto do insucesso. Nova época decepcionante seria um rude golpe na sua curta e meteórica carreira.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O caso da jornada

Não falei muito sobre isto, porque penso que o Benfica tinha obrigação de ganhar em casa ao Braga e porque considero quase impensável permitir que uma equipa pouco mais do que mediana dê a volta ao resultado, já na segunda parte e, sublinho, em pleno Estádio da Luz.
No entanto, há que dizer, de forma clara, que o golo anulado por pretensa falta de Cardozo é mais uma habilidade de Soares Dias que prejudica gravemente o Benfica.
É certo que se tivessemos feito o que deveríamos, com o plantel de luxo que temos, a vitória teria sido confortável. Mas não é menos verdade que aquele golo limpo nos daria muito provavelmente os 3 pontos desejados.
O que se passa é que nos vamos habituando a ser prejudicados, de tal forma que o nosso treinador no fim do jogo até considera a arbitragem "excelente".
Assim, ao fim de uma jornada Benfica e Porto, os únicos candidatos ao título, estão empatados com um ponto, sendo que o Porto já se declarou prejudicado (bloqueios?) e o Benfica satisfeito com as arbitragens. Ou seja, pois sabemos como as coisas funcionam por aqui, o Porto tem direito a ser "compensado" e o Benfica provavelmente deverá ser novamente prejudicado no futuro próximo.



Cuidado JJ, Domingo vamos ao Bonfim, um campo onde costumamos ter dificuldades. Com outra arbitragem "excelente" habilitamo-nos a nova desilusão. E aí as coisas podem-se complicar muito...

Assim vai o futebol português, assim vai o futebol do Benfica.

ADENDA: Cruz dos Santos, escreve hoje n' "A Bola" que "ficaram por assinalar dois penalties contra o Gil Vicente" (que jogou contra o Porto) e que as televisões não mostram se Cardozo "tocou" (sic) ou não no guarda-redes. Ora as leis do futebol dizem isto (lei 12):

"Faltas cometidas sobre o guarda-redes

  • Há falta quando um jogador impede o guarda-redes de soltar a bola das mãos.
  • Um jogador deve ser penalizado por jogo perigoso se pontapeia ou tenta pontapear a bola quando o guarda-redes a vai repor em jogo.
  • Há falta quando um jogador impede os movimentos do guarda-redes, por exemplo, durante um pontapé de canto".
Não é preciso dizer mais nada.

Pai de Witsel diz que atleta fica

"A comunicação social é que se agita com uma transferência. Juro que não recebemos nada. Vai ficar." Desta forma taxativa, o pai de Witsel desmente a saída do jogador para o Real Madrid, que aliás já devia ter acontecido na passada semana. Assim o garantia "A Bola" há 15 dias.
Sempre liguei o alegado interesse do Real Madrid em Witsel às negociações em curso por Modric. Seria natural que o Real quisesse ter uma alternativa a uma contratação que se revelou tão difícil e que chegou a parecer poder não se concretizar.
A 10 dias do fecho do período de transferências e considerando como o mercado tem estado calmo, exceptuando o PSG e a recente contratação de Van Persie pelo Manchester United, parece-me pouco provável que algum clube avance com 40 milhões de euros e por isso Witsel deverá mesmo continuar no Benfica pelo menos mais esta época. São boas notícias.
Claro que deixa de se realizar a tão falada receita extraordinária necessária para equilibrar as finanças do clube, sobretudo se considerarmos que ao já considerável esforço financeiro da época passada se acrescentaram as entradas de Sálvio e Ola John, que acarretam não apenas os valores da transferência mas igualmente dos salários. Fala-se assim da saída de Saviola, um jogador bem pago e que pouco tem jogado, nomeadamente por troca com Eliseu. Veremos.
O que é certo é que Rodrigo Mora já saiu, do que aliás tenho pena. Em diferentes jogos, mas sobretudo no jogo contra o Gil Vicente, em que fez um hat trick, Mora impressionou-me pela positiva. Nélson Oliveira, idem. Se sair Saviola, ficamos ainda com Kardec (se continuar) para substituir Cardozo e com Mitchel e Hugo Vieira (e ainda Djaló) talvez para substituir Rodrigo. São ainda muitos jogadores.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Futebol "B"

Numa era em que o futebol se torna cada vez mais uma indústria, uma máquina de fazer dinheiro, na qual os jogadores são "ativos" e raramente chegam a sentir como verdadeiramente sua a camisola que vestem, é uma boa notícia a criação das equipas "B".
No caso do Benfica, onde na equipa titular não entram portugueses, a equipa B tem esse valor acrescentado: permite-nos ver atletas portuguesas representar o nosso símbolo.

O futebol "B" "arrisca-se" a tornar-se um refúgio de um clubismo mais genuíno, relativamente alheado das grandes jogadas financeiras e das massas adeptas, cada vez mais manipuláveis por interesses particulares alheios ao verdadeiro benfiquismo.

De facto, a instrumentalização do sentimento de benfiquismo, para propósitos meramente comerciais é uma das coisas que mais me incomoda no futebol moderno. Obviamente entendo que as receitas dos diversos produtos associados ao Benfica são fundamentais para manter as finanças equilibradas. Mas a comercialização do nosso símbolo, a manipulação dos sentimentos dos adeptos com o mero propósito de alimentar uma indústria gigantesca, onde ainda por cima se vêm figuras de "empresários" realizar fortunas colossais à custa de transferências e jogadores de 19 e 20 anos apresentar-se como milionários é algo que, não me considerando eu invejoso, não posso porém aceitar como normal. Sobretudo porque quem alimenta isto são os adeptos, que muitas vezes se sacrificam enormemente e raramente têm a devida compensação.

Os anúncios nas rádios e televisões incentivando os adeptos a comprar os "redpasses" e as "boxes", com coreografias ridículas e slogans bélicos, a apelar à emotividade mais primária, foi para mim a gota de água que motivou o divórcio em relação ao futebol-indústria.

Por outro lado, paralelamente a este grande aparente profissionalismo, continua a grassar uma enorme incompetência, em primeiro lugar na arbitragem, da qual a qualidade e a isenção estão completamente ausentes, e em segundo no dirigismo, como se vê nas decisões da Liga e do CD da Federação. Mais uma vez, quem sofre e se sacrifica é o adepto, ao passo que nos bastidores alguns valores bem subterrâneos fazem sentir o seu peso para manipular decisões.

Neste contexto, o futebol B, apesar de padecer de alguns destes males, pois os dirigentes são parcialmente os mesmos, está um pouco mais protegido na medida em que à partida não justifica e não compensa gastar ali "cartuchos", ou seja favores e influências, quando o prémio é tão insignificante.

As equipas B são uma forma de rentabilizar jogadores menos utilizados, mantendo o seu nível forma e hábitos de competição e de dar oportunidade aos mais jovens.

Gostei muito dos dois golos do Benfica B na primeira jornada (dois "tiros" de fora da área) e esta semana alcançámos uma vitória muito moralizadora frente ao Feirense, com a impressionante marca de 4 golos marcados. Veremos o que trazem as próximas jornadas mas creio que esta iniciativa tem méritos e deve ser apoiada. É bom ver jovens jogadores portugueses representarem as cores do Benfica - ainda que, por agora, o façam apenas na equipa B.

JJ - a paciência está à beira de se esgotar

Se eu, que sou um mero observador e apaixonado da bola, fui capaz, como tantos e tantos outros, de ver e escrever isto, que é muito simples - é impensável que uma equipa com ambições de topo não tenha dois laterais de raiz de cada lado - como é que há um iluminado que se permite contratar extremos atrás de extremos e ter apenas um lateral (já de si uma adaptação, embora excelente) em todo o plantel? (Sim, porque não é demais recordar que Maxi Pereira veio para o Benfica como médio).
Como é possível lançar Melgarejo às feras daquela maneira? Como se sentirá agora o jogador, ainda por cima jovem, vindo de um clube menor e oriundo de um país tão longínquo como o Paraguai, com todas as dificuldades de adaptação que tal acarreta?

Tudo isto cheira demasiado a leviandade, irreponsabilidade e até insanidade.

JJ começa-me a cansar - e ainda só estamos na primeira jornada.

Depois de uma excelente época (com Ramirez, David Luiz - que ganharam no ano passado a Champions - Coentrão, Di Maria, Saviola, Aimar e Cardozo em grande), JJ trouxe no ano seguinte ao Benfica das maiores humilhações de que me lembro:
  1. 5-0 nas Antas, com o estádio das antas a cantar insultos em coro;
  2. 3-1 em casa para as meias finais da Taça (e chegou a estar 3-0), depois de ganhar a primeira mão por 2-0 nas antas;
  3. campeonato perdido em casa com derrota com o Porto, com golo na própria baliza de Roberto;
  4. derrota nas meias finais da Liga Europa com o Braga, que só me deu vontade de chorar.

No ano passado, JJ "consegue" perder o campeonato depois de ter 5 pontos de vantagem: em 3 jogos (Guimarães, que na altura jogava miseravelmente, Académica e de novo derrota em casa com o Porto) faz 1 ponto e não contente ainda perde com um dos piores sportings dos últimos anos (embora com mão do árbitro).

Este ano começa da forma que já descrevi (deixando ainda Carlos Martins, que vinha sendo o nosso melhor jogador, de fora) e no fim vem elogiar o árbitro (que nos anulara um golo sem razão objectiva), por sinal o mesmo do ano passado em Alvalade, onde tinha deixado por marcar um penalty do tamanho do mundo a nosso favor e marcado um contra num lance em que o vento fez cair Wolksvinkel).

JJ: tanto disparate e prepotência já esticou a minha paciência aos limites. A continuar assim (e este já é o terceiro ano seguido a asneirar), é uma questão de tempo - pouco tempo - até que a maioria esmagadora dos benfiquistas sinta o mesmo.

domingo, 19 de agosto de 2012

Mais do mesmo...

JJ está neste momento a entrar na quarta época como treinador do Benfica. O que não aprendeu até agora já não vai aprender.
No primeiro ano em que nos treinou jogámos realmente um futebol entusiasmante, vibrante, frenético. Mas já lá vão três anos.
Custa-me ver uma equipa onde existe o talento de Nolito, Gaitan, Aimar, Rodrigo, Witsel, Sálvio, Enzo Peres e tantos outros não ser capaz de vencer, em casa e com todo o apoio dos seus adeptos, uma equipa mediana como o Braga.
É um desperdício de talento porque quem os comanda - neste momento estou convencido disto - é incompetente.
Ser incompetente não significa ser desprovido de qualidades. Jorge Jesus, como todos, tem qualidades e tem defeitos. O que acontece é que não tem capacidade para ser treinador do Benfica. Isso para mim está neste momento provado.
Há dois anos houve Roberto e o ano passado houve Emerson.
Este ano há Melgarejo, que é um caso diferente mas com consequências idênticas - deitar tudo a perder e desperdiçar de forma inglória, um plantel de qualidade extraordinária. Não há nada a fazer. Neste momento estou convencido de que estamos perante um caso que só a psicologia poderá explicar.
Como é possível ter Gaitan, Nolito, Aimar, Rodrigo, Saviola, Enzo Peres, Bruno César, Ola John, Carlos Martins, Sálvio e Djaló (11 jogadores) para 3 posições? Isto é um absurdo. Não acontece em clubes como Manchester United ou Real Madrid, como pode acontecer num clube com posses financeiras muito menores como o Benfica. E estou a deixar um de fora: Melgarejo. Com ele seriam 12 jogadores para 3 lugares (dois nas alas e um atrás de Cardozo).
Mas não, o nosso treinador insiste em que Melgarejo será um novo Coentrão e coloca-o a jogar como defesa esquerdo. As consequências estão à vista: um golo na própria baliza, um passe desastroso que criou o 2º golo do Braga, dois pontos perdidos e um jogador provavelmente destroçado do ponto de vista psicológico.
Como é possível dispensar dois laterais esquerdos sem ter nenhum no plantel? (E ter os 12 jogadores de que falei para 3 posições?). Como muitos outros, alertei atempadamente para este problema. Na realidade fi-lo a... 28 de Maio! E no entanto o nosso treinador não conseguiu ver este problema.
Eu sei que foi apenas a primeira jornada, mas para mim está tudo visto. É mais do mesmo. Quase um déjà vu.