quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Eleições disputadas - questão dos direitos televisivos.

É muito positivo o facto do juíz Rui Rangel se estar a preparar para apresentar uma lista alternativa à de Luis Filipe Vieira.
Assente a poeira e acalmados os ânimos depois dos excessos, alguns dos quais inadmissíveis, da última Assembleia Geral, a apresentação desta lista permitirá um debate e troca de ideias entre os benfiquistas e servirá para fomentar maior exigência por parte de todos na defesa do Benfica.

Acresce que ambos os candidatos estão a tentar atrair para as respetivas listas figuras conceituadas, tendo sido referido os nomes de José Eduardo Moniz, para número 2 e Presidente da SAD na lista de Vieira, e de Bagão Felix, Manuel Boto e Camilo Lourenço na lista de Rangel. Confesso que tenho algumas dúvidas que pelo menos alguns destes nomes venham realmente a integrar as listas, mas só facto de serem chamados à vida do Benfica neste momento importante da sua existência, é em si mesmo positivo.

Acima de tudo, é importante que ambos os projectos dêm garantias de estabilidade e de um rumo para o Benfica, o que parece acontecer. Por muitas críticas que se façam a Luis Filipe Vieira - e eu fiz bastantes ao longo do tempo - ninguém deixará de reconhecer que o Benfica tem hoje uma estabilidade que não pode ser comparada com os tempos (não tão longínquos e dramáticos) de irresponsabilidade e semi-caos em que a própria existência do clube tal como o conhecemos chegou a estar ameaçada. Que voltou a vencer no futebol (embora ainda aquém do esperado e do necessário) e que nas modalidades começa a ser novamente o Benfica que todos conhecemos. O Benfica tem para além disso hoje uma marca muito valiosa, um estádio de topo e um canal de TV.

Por outro lado, nomes como os de Bagão Felix, Manuel Boto e até Tavares, que conhecem bem o Benfica e já deram múltiplas provas da sua competência e capacidade de gestão, são também garantias de que o que foi construído não seria deitado borda fora.

Estão portanto reunidas as condições para um debate sério, para olhar para os problemas e desafios que se apresentam para o futuro com diferentes caminhos e propostas de solução entre as quais os benfiquistas poderão serenamente escolher as que lhes derem mais garantias.

Entre as várias questões, as mais importantes são a da sustentatibilidade financeira (mantendo a competitividade desportiva) num contexto global de crise e escassez financeira que afecta toda a Europa e a questão dos direitos televisivos.

Em relação a esta questão, é preciso compreender que a Olivedesportos é uma peça muito importante do sistema que o Benfica tem que combater e erradicar para que a competição volte a ser limpa em Portugal.

Ao longo de décadas, a Olivedesportos criou uma teia de interesses e compadrios em Portugal, beneficiando de uma posição de monopólio, que permitiou ao Porto ser o clube dominante em termos de poder nas estruturas dirigentes e manter uma liquidez financeira superior ao Benfica, quando nós somos o clube com maior capacidade geradora de receita.

Ou seja, a Olivedesportos, pelo que faz e pelo que (num país pequeno em que muitos se sentem inclinados a bajular o poder) insinua, desequilibrou artificalmente a competição em Portugal. Porque é dela que tem vindo o dinheiro que permite a muitos clubes manterem-se à tona de água. Porque as próprias estruturas dirigentes do futebol sabem que são dela dependentes. Porque uma parte do próprio poder político tem sido mantido sob a sua dependência. São jogos de favores, são trocas de influências que se reflectem mais que não sejam no subconsciente dos agentes desportivos (para já não falar dos mal formados, que conscientemente alteram e adulteram a verdade das competições).

A Olivedesportos tem dominado as federações e as ligas, sendo um dos principais instrumentos do sistema. Tem, em termos de puro mercado, injectado no Porto mais dinheiro do que deveria e menos no Benfica. E tem igualmente, através da questão das imagens televisivas, condicionado as arbitragens e as classificações dos árbitros. Sendo que estes dependem de boas classificações para terem carreiras bem remuneradas, tudo fica desvirtuado. As arbitragens de Pedro Proença, recompensadas com finais ao mais alto nível e homenagens que chegam ao caricato, ou de Jorge de Sousa são o resultado deste sistema iníquo. Acredito que hoje já não exista "fruta para dormir", "café com leite", "quinhentinhos" ou viagens ao Brasil, mas existem classificações como árbitros internacionais, arbitragens de jogos da Champions League e finais de grandes competições.

Por tudo isto, a questão dos direitos televisivos é, para mim, a par da questão da sustentabilidade financeira do Benfica, a mais importante destas eleições. Esperemos que ela seja discutida convenientemente no pouco tempo disponível de campanha eleitoral. Cabe ao benfiquistas mantê-la na agenda.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sistema - a demissão de Hermínio Loureiro

Já anteriormente aqui considerei que Hermínio Loureiro foi um dos poucos dirigentes limpos que o futebol português conheceu. Que tentou aplicar a lei sem favorecimentos e sem que os agentes do futebol se sentissem coagidos a adulterar a verdade desportiva. Que primou pela valorização da competição e do espectáculo, sem factores externos a condicionarem os resultados.

A história da sua saída e a forma como Pinto da Costa o combateu podem ser encontradas no artigo que, com a devida vénia, reproduzo textualmente do site Magalhães SAD. Não são histórias de há 15 ou 20 anos. São coisas que aconteceram já depois do Apito Dourado. Vale a pena ler.

Actualizado (com o agradecimento ao leitor que deixou o comentário): consulte a entrevista completa aqui.

Hermínio Loureiro e o FCP

Em entrevista ao Sol, o antigo presidente da Liga de Clubes, Hermínio Loureiro, denuncia pressões do FC Porto para “correr” com Ricardo Costa da Comissão Disciplinar. Uma entrevista imperdível...

Hermínio Loureiro deixou a Liga e concedeu uma entrevista ao Semanário Sol. As palavras do ex-presidente da Liga de Clubes tiveram pouco eco, o que não condiz com a gravidade de algumas afirmações. O Mentira Desportiva dá eco dessas palavras, que ficam assim eternizadas no espaço que eterniza a corrupção do FC Porto, as pressões e os agentes fiéis que agem em nome do clube.

A pergunta do jornalista Luís Rosa: “Valentim Loureiro ou Pinto da Costa nunca lhe disseram para controlar o que Ricardo Costa (presidente da Comissão Disciplinar da Liga) andava a fazer?”
A resposta: “A única pessoa que me falou do Ricardo Costa foi o Adelino Caldeira, vice-presidente do FC Porto, a 3 de Setembro de 2008, num almoço no restaurante Lusíadas, em Matosinhos. Ele foi clarinho e apreciei a frontalidade. Disse-me: Meu caro, ou você corre com o Ricardo Costa e tem a vida facilitada ou vamos fazer-lhe a vida negra‟.
Certo é que não mudei a orientação de total autonomia que dei desde o início à Comissão Disciplinar. Desde esse dia que percebi que me iam fazer a vida negra e fizeram.

E porque quereria o FC Porto afastar Ricardo Costa? [a pergunta parece inocente, mas terá de ser feita para se obter o testemunho de Hermínio]. “Tem a ver com as decisões disciplinares do Apito Dourado, como é evidente”, respondeu. Hermínio Loureiro contou que Filipe Soares Franco, ex-presidente do Sporting, “também várias vezes sugeriu” que o presidente da Liga “substituísse o Vítor Pereira”.
Mas o episódio com Adelino Caldeira teve repercussões. Hermínio Loureiro manteve-se inflexível e gerou ódio no FC Porto. “A partir desse momento, aconteceram coisas absolutamente artificiais como a novela da entrega do troféu de campeão que levou o Porto a escrever uma carta ao secretário de Estado do Desporto a fazer queixa da Liga. O barulho que fizeram!”, conta Hermínio Loureiro.

O ex-dirigente da Liga lamenta que tenha passado a imagem de que a Liga não queria entregar o troféu ao FC Porto e fala de indisponibilidade do clube: “Esteve marcada a cerimónia e essa entrega não foi feita porque Pinto da Costa tinha casamento marcado com a senhora Filomena. Obviamente, se o presidente do Porto não estava presente, a Liga não ia fazer essa entrega. E Tiago Craveiro, secretário-geral da Liga, várias vezes falou com Antero Henriques (director do FC Porto) para tentar marcar uma data para a entrega do troféu, mas nunca havia disponibilidade. Criou-se a ideia de que a Liga não queria entregar o troféu ao Porto – isto cabe na cabeça de alguém?”

A entrega da taça acabou por acontecer, com episódios surreais... “Lembro-me também que, quando saí da sala para entregar o troféu, ouvi um diligente funcionário do Porto a dizer: Desliguem a música! Desliguem a música!‟. Era para se ouvirem melhor os assobios. Nunca vi entregar um troféu sem música. Foi original. Foi claramente uma história montada para criar problemas e desgaste, para fazer com que eu não fosse entregar o troféu. Para depois me acusarem de lá não ter ido. As pessoas conheciam-me mal.”

O Conselho de Justiça da Federação decide reduzir a suspensão aplicada pela Liga a Hulk e a Sapunaru e Loureiro demitiu-se: “Assumi as minhas responsabilidades. Não sendo jurista, entendi como uma enormidade a desproporção dos castigos aplicados aos jogadores Hulk e Sapunaru pela Comissão Disciplinar e pelo Conselho de Justiça. Não podemos confundir três jogos com quatro meses”, justifica.

Esta demissão “foi um grito de revolta”, mas também ela assenta em histórias estranhas. Foi Pinto da Costa quem deu conhecimento a Hermínio Loureiro da decisão do Conselho de Justiça, muito antes da mesma ser tornada pública...

“Sabe quem é que me ligou a dar nota da decisão do Conselho de Justiça? Não imagina. Foi Jorge Nuno Pinto da Costa. Fez questão de ligar-me para dizer qual tinha sido a decisão do Conselho de Justiça. Esta é a parte que posso contar desse telefonema”, revela Hermínio.

O então presidente da Liga garante que não sabia de nada... “Não estou com isto a dizer que o presidente do Porto tivesse tido acesso a inside information. Estava dentro do carro, e recebi um telefonema de um número que não tinha gravado. Atendi e ouvi: „Daqui fala Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto‟. E transmitiu-me a decisão do Conselho de Justiça e depois disse-me um conjunto de coisas que não posso tornar públicas”.

“Porquê? Não são reproduzíveis?”, questiona o jornalista do Sol. “Não posso, não devo. Sei o que é publicável e transmissível, e o que não é. A partir desse momento, procurei confirmar a informação, pois havia muita contra-informação a circular – a RTP chegou a noticiar uma coisa à hora de almoço que não se veio a confirmar. Mais tarde, o secretário-geral da Liga de Clubes confirmou-me a decisão. Perante esta situação, ponderei sozinho algumas horas e decidi renunciar ao cargo de presidente da Liga de Clubes. Informei os meus colaboradores e solicitei a todos os titulares de cargos nos órgãos da Liga que se mantivessem em funções para manter a normalidade”.

Mais uma história para não cair no esquecimento.

Guilherme Aguiar - apelo à violência/vandalismo?

Nós já conhecemos os métodos do Porto.
Quando alguém não se verga ao sistema e ameaça dizer o que sabe ou tomar medidas prejudiciais à sua iníqua sobrevivência, parte-se para a violência. Aparece então o braço armado do Porto e de Pinto da Costa, a sua guarda pretoriana, que ao murro e à paulada "resolve" os assuntos.

Neste sentido penso que é preciso dar muita atenção ao que disse ontem Guilherme Aguiar.

Que no mínimo foi uma ameaça velada a uma figura que nos últimos dias se tornou conhecida - o ex-árbitro assistente (vulgo fiscal de linha) Devesa Neto.
A história conta-se em 4 linhas: aparentemente, Luis Filipe Vieira terá jantado no restaurante de que Devesa Neto é proprietário em Paços de Ferreira, aquando da deslocação do Benfica àquela cidade. Guilherme Aguiar sentiu necessidade de revelar esse facto, insinuando que algo de errado haveria nisso.

Devesa Neto não se amedrontou e disse com todas as letras "aqui não alternamos" e "se for preciso dizer mais cá estarei".

Pois bem, este senhor não se acocorou perante o Porto como é habitual neste país e Guilherme Aguiar começou com uma conversa estranha. Seria apenas isso ou outra coisa?

É que por várias vezes, Aguiar explicou e repetiu à exaustão onde era o restaurante, com indicações precisas. Na praça central de Paços de Ferreira, tem por baixo isto e ao lado aquilo, etc.

Ora, porque o fez Guilherme Aguiar? (Tenho aliás pena que ninguém o tenha logo na hora confrontado.)

Seria isso um recado para alguém? Irá o estabelecimento ser visitado por alguns superdragons?

Porquê tantas explicações tão detalhadas? Porquê dar a morada completa do restaurante? Era isso importante para os espectadores perceberem o caso?

Já vimos muita coisa e esperamos quase tudo de quem acha que tudo vale. Casas do Benfica vandalizadas e apedrejadas por esse país fora e outras coisas semelhantes que pensávamos impossíveis num Estado europeu civilizado.

O que Guilherme Aguiar ontem fez não é mais nem menos do que o Porto faz há 30 anos. Intimidar, ameaçar, coagir. Não podemos, um Estado democrático não pode continuar impávido e sereno a assistir a este tipo de comportamentos.

Já chegou a este ponto. Já se ameaça, de forma velada e com recados, em público, em directo, na TV. Este o estado do país.

Sportinguismo e esquizofrenia

Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.

No futebol português há 30 anos que o pão é muito insuficiente para Benfica e Sporting: o sistema banqueteia-se e para aqueles só as sobras ficam.

Nos últimos anos, mesmo as migalhas de que o Sporting ia sobrevivendo escasseiam, ao passo que o Benfica para ter apenas uma refeição frugal tem lutar em campo até à exaustão.

Naturalmente que a fome é má conselheira e portanto assiste-se quer no Benfica, quer no Sporting a decisões erráticas e erróneas. Mas pior conselheiros ainda são a estultícia e o desespero.

Vem isto a propósito do descontrole de Dias Ferreira no "Dia seguinte" do dia de ontem.
São muitos dias, Dias Ferreira, a passar fome e muitas noites a sonhar com o Benfica.
É um fenómeno de que padecem alguns sportinguistas, que no passado já caracterizei como esquizofrenia paranóica.

Então não é que ontem, quando Rui Gomes da Silva dizia com todas as letras o que se tinha passado no estádio do Porto, denunciando a vergonha, e portanto defendendo o Sporting, Dias Ferreira se atira a ele?
É o cúmulo do surrealismo. Dias Ferreira indignou-se por Gomes da Silva defender o Sporting do roubo à mão desarmada do passado Domingo.

E então lá veio a Taça da Liga de há 4 anos atrás. Esse mesmo troféu que "nada importa", a "taça da cerveja" afinal é o que impede os sportinguistas de dormir há anos. Isso é que é gravíssimo. 30 anos de sistema, com o Porto a ganhar tri, tetra e pentacampeonatos "comprados no supermercado" (Alex Fergusson), com batota (Platini, Santiago Segurola), fruta e café com leite não incomodam Dias Ferreira.

Mas um erro do árbitro num jogo de uma competição que "nada vale" e que aconteceu há 4 anos, isso sim é gravíssimo e incomparavelmente mais importante do que erros grosseiros num jogo do campeonato deste fim-de-semana que afastam o Sporting da luta pelo título e ameaçam tornar esta época num longo suplício. O ex-candidato sportinguista já aliás tinha dito que a arbitragem não tivera influência no resultado.

Dias Ferreira ficou de tal forma indignado por Gomes da Silva denunciar o que se passou nas antas que, depois de, exaltado e indignado, falar no "roubo" de Lucílio Batista, já chamava a Gomes da Silva "um gajo".

É a isto que o Sporting chegou. Esquizofrenia no seu estado puro.

Dr. Dias Ferreia, cure-se. O Sporting está a morrer e acredite que não é por culpa do Benfica.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Benfica-Beira Mar - ainda bem que o campeonato pausou

Exibição desastrosa do Benfica contra o Beira-Mar. Fez lembrar os piores jogos de Quique Flores: contra um adversário fraquíssimo passámos os últimos minutos do jogo em aflição, sem saber o que fazer à bola. Com uma arbitragem mais abilidosa teríamos perdido pontos.

É óbvio que há muitas baixas e que elas se fazem sentir: Luisão, a situação no meio-campo, a própria ausência do Cardozo a limitar as opções de ataque. A isto junta-se um Maxi em menor rendimento (apesar do grande golo e do espírito combativo), um Rodrigo perdulário, um Artur a falhar e muitos jogadores com mazelas do jogo com o Barcelona, que deixou marcas como era expectável.

Tudo isto é compreensível mas não há coisas que não são:

Artur não pode estar constantemente a socar bolas, muito menos na pequena área. Artur tem que agarrar bolas daquele tipo (embora se o lance fosse a nosso favor todos - comentadeiros e especialistas - ali certamente vissem uma falta sobre o guarda-redes...). Andou a dar entrevistas a falar da selecção brasileira quando deveria (vê-se agora) estar mais concentrado no seu trabalho. Deu intranquilidade à equipa com maus passes com os pés, situação em que é recorrente. Artur é um ótimo guarda-redes que tem que estar mais concentrado e pensar apenas nos jogos.

Não se admite a intranquilidade da equipa. A jogar em casa contra o último! Uma equipa que levou 4 golos do Porto e nada fez durante esse jogo. Até por esse facto os jogadores do Benfica deveriam ter entrado em campo para dar 5 ou 6. Ao invés pareceram nervosos, temerosos. De quê??

JJ não pode entrar em parafuso e intranquilizar ainda mais a equipa, ademais criticando em público os jogadores (neste caso foi Lima). A responsabilidade pela péssima exibição é tanto dos jogadores quanto dele.

Continua-se a falhar golos. A resposta de que "a bola há de entrar" não me parece a melhor. Aliás já me foi dito que JJ não acredita que se treine a concretização, o que pode explicar muita coisa. A verdade é que Cristiano Ronaldo é um super-atleta e tem condições físicas que naturalmente 99% dos outros não têm mas para além disso treina mais do que todos os outros. Treina constantemente o remate e a finalização. Com Eusébio acontecia o mesmo. Talvez JJ devesse pensar nisso.

Mas acima de tudo o que me pareceu é que faltou tremendamente consistência, fio de jogo e sentido de equipa ao Benfica de sábado contra o Beira Mar. O jogo estava desligado. Ora Gaitan fazia algumas corridas, ora Sálvio tentava o 1 para 1 ora era Rodrigo a tentar ir sozinho... Penso que o futebol colectivo tem que ser mais interiorizado pelos jogadores para que possamos ter uma verdadeira equipa. Em Glasgow, pareceu-me que o exibimos nalguma medida (faltou depois profundidade e acutilância ofensiva) mas desde então tem sido sempre a piorar.

Para concluir, percebo o que Jorge Jesus disse acerca do apoio dos adeptos mas não concordo. Eu não sou dos que acham que o papel dos adeptos é estar 90 minutos a apoiar por muito mal que a equipa jogue. Isso é o papel da claque. Obviamente não defendo que se passe o jogo a assobiar e muito menos aceito que se assobie um jogador do Benfica. Isso acho desastroso. No entanto há momentos em que os jogadores precisam de ouvir da bancada o desagrado por aquilo que (não) estão a fazer. Para perceberem que há exigência. Para ACORDAREM porque às vezes parecem estar a dormir.

Eu lembro-me de ver o Benfica sistematicamente golear os seus adversários  nos jogos em casa (há muitos anos) e, caso se começasse a jogar demasiado para trás e para os lados, as bancadas desde logo tornarem claro com assobios que isso não era o Benfica.

Em suma, os adeptos podem - e a meu ver devem - em certos momentos do jogo e preferencialmente no fim da primeira parte, expressar a sua insatisfação quando a equipa não está a render.

O que não se pode é, quando a equipa joga como jogou no sábado (como é possível falhar tantos passes?), ignorar os problemas e pretender que tudo está bem.

Espero que estas duas semanas de paragem no campeonato sirvam para Jesus e os jogadores identificarem os problemas e solidificarem processos para que sejamos mais equipa. E já agora para alguns jogadores recuperarem fisicamente pois é patente que bem precisam.

Um ladrão será sempre um ladrão...

Quem corrompe uma vez para vencer corromperá as que forem preciso ou as que o deixarem.
No nosso país já se ultrapassou tudo, não restando mesmo a mais elementar decência, decoro ou até um mínimo de cuidado em manter as aparência.
Não: tudo é feito  às claras e sob os nossos narizes.
Se há 15 dias, Xistra teve boa nota depois de assinar dois penalties fantasma, porque não havia Jorge de Sousa fazer o mesmo, ainda por cima no estádio do patrão do sistema?

E toda a nossa imprensa-de-faz-de-conta continua alegremente a assobiar para o ar como se nada se passasse. Há um ou outro que vão pondo o dedo na ferida, mas tal são cócegas para o sistema. Eles (Pinto da Costa, Fernando Gomes, Antero, Reinaldo Teles) não precisam de mim, nem do leitor, nem da generalidade da opinião pública.
Eles têm adeptos que são iguais a eles, muitos jornalistas que lhes fazem todos os fretes e ferozes comentadores plantados nas TVs e rádios. Que se regozijam semanalmente com vitórias que claramente são ajudadas ou oferecidas pelos árbitros. Que não se importam que o seu clube seja sistematicamente beneficiado e os outros sistematicamente prejudicados. Que tentam branquear essa realidade semana após semana, berrando para evitar que os outros se façam ouvir, mentindo descaradamente acerca do "clube do regime", denegrindo árbitros que há muito morreram (e na miséria, sem nunca terem ido ao Brasil ou comido "fruta para dormir"), confundindo e mascarando o que se passa no futebol português. Quando é preciso (quando estes métodos não são suficientes) vem a agressão, a pedrada, o espancamento encomendado.

Esta gente miserável, sem carácter, alguns dos quais (dirigentes) deveriam estar na prisão se houvesse justiça neste país, continua e continuará a fazer o que quer, a viver à margem da lei, a rir alarvemente e a ter nos árbitros a muleta que os fará ganhar sempre.

Nem podemos esperar da imprensa qualquer denúncia, qualquer indignação. Para eles (com muito poucas excepções) ganha sempre o melhor...
Depois do que se passou o ano passado, do que já aconteceu nestas 6 jornadas, o que mais será preciso para percebam? Se nem com escutas entendem... Não contemos com eles, pois não vale mesmo a pena.

Quanto aos outros clubes, o regionalista, o divisionista Pinto da Costa conseguiu virar parte do Norte contra o Benfica e manter sob a sua influência o Sporting. Hoje o Sporting começa a perceber quão grande foi esse erro. Em grande parte graças a tal estratégia, a existência mesma do Sporting está hoje ameaçada. Mas também deste clube nada temos a esperar. Os sportinguistas preferem acabar como clube a alguma vez se aliarem ao Benfica mesmo que o propósito único fosse limpar o futebol português. O mais natural é que isso venha mesmo a acontecer.

Tudo somado, o Benfica está só. E nesta medida, começo a convencer-me de forma definitiva que só nos resta a "bomba atómica": a recusa em participar destas competições falsificadas enquanto não existirem garantias de isenção, isto é enquanto o sistema não for cortado pela raiz.

Até lá, espero que o Presidente do Benfica não deixe de lembrar o que disse há uns meses: um ladrão será sempre um ladrão e que aqueles ao lado de quem se sentam deputados e ministros ainda há pouco tempo estavam fugindo para Espanha para escapar à prisão.

Um ladrão será sempre um ladrão, um corruptor sempre um corruptor.

Adenda: quem se senta ao lado de um ladrão não se pode surpreender por ser roubado.

Isto é Palermo e nós somos todos palermas

Continua-se, alegremente, a destruir o que resta de credibilidade no futebol português.
Nomeia-se um árbitro do Porto para arbitrar o clássico Porto-Sporting. O resto é história. Cartões, penalties... É o que se queira.
Continuem...

Rebobine-se o filme. Sábado, na Luz, o Beira Mar beneficia de um livre discutível junto à lateral. Transforma-o em golo, graças a uma fífia do guarda-redes do Benfica. A regra de que o guarda-redes não pode ser incomodado na pequena área, como é óbvio, não se aplica à pequena área do Benfica e ao seu guarda-redes. O braço do jogador do Beira-Mar em frente de Artur não é portanto falta. Falta é Cardozo, contra o Braga, saltar na pequena área sem tocar no guarda-redes adversário. Tudo normal.
Depois de estar a perder, o Benfica tentou recuperar. Não jogou bem - e disso falarei posteriormente. Beneficiou de um penalty que não converteu. Um penalty algo discutível mas que as repetições indicam existir. O Benfica falha e viria na segunda parte a dar a volta com dois golos sem quaisquer mácula. No fim do jogo, vem o treinador do Beira-Mar falar da arbitragem que aparentemente o teria impedido de pontuar.
Isto é o futebol português.
Palermo, como uma vez Rui Moreira caracterizou Lisboa?
Não sei, mas uma coisa posso dizer: nós somos os palermas desta farsa.