sábado, 27 de outubro de 2012

Parabéns aos vencedores, dignidade aos vencidos

Luis Filipe Vieira foi eleito com uma enorme maioria (83,02% contra 13,72% de Rangel). A vitória de Vieira nunca me pareceu em causa, pois Rui Rangel não conseguiu a onda de vitória que seria necessária para desalojar um Presidente que, apesar das duas más épocas desportivas passadas, tem objectivamente uma obra feita no Benfica. O anúncio do fim da relação com a Olivedesportos deu à vitória a expressão que teve.

É hora de união, é hora de cerrar fileiras. Vêm tempos difíceis a caminho, com os constrangimentos económicos do país e - não tenho dúvidas - uma última ofensiva do sistema, que fica, a partir do fim do monopólio da Sporttv, com um dos seus alicerces muito fragilizado. Temos, independentemente das arbitragens, um adversário muito forte no Porto e só um Benfica muito determinado e unido pode ser vencedor a nível nacional.

É pois hora de união, de aceitar os resultados e de saber respeitar os vencidos. Rangel mostrou o seu benfiquismo e teve a coragem de avançar, com algum risco para a sua imagem pública e credibilidade. Acompanharam-no benfiquistas verdadeiros, animados de esperança, que merecem ser felicitados pela sua coragem em dar a cara e avançar. Têm todo o meu respeito. Muitos acreditaram num projecto diferente para o Benfica, que certamente esperavam que seria mais vencedor do que o de Vieira.

Mas os sócios expressaram-se de forma inequívoca e mostraram o seu apoio e a sua crença em Luis Filipe Vieira. É nele que confiam para levar o Benfica à posição cimeira em que merece estar. Saibamos pois todos celebrar a democracia benfiquista e aceitar os resultados. Saibamos ultrapassar diferenças em nome do nosso lema. O Presidente e a sua direcção devem também dar passos para esta união, para que todos se sintam em casa no Benfica.

Somos todos benfiquistas pelo que a partir de amanhã só uma coisa importa: apoiar o nosso clube do coração.

Quanto aos que receberam o resultado com insultos e petardos, que dizem que os sócios são estúpidos por ter votado como votaram e que isto não é o Benfica, têm bom remédio: vão-se embora e não voltem a aparecer. Nós, os benfiquistas cujo clubismo e paixão não depende de quem é o Presidente nem de projectos de poder, não sentiremos falta nenhuma.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Dia de votar, de contar e de respeitar

Há muita agitação pelos blogs, com alegados problemas relacionados com o voto electrónico e pretensas ameaças e condicionamentos.
Em todas as eleições há sempre qualquer coisa que corre menos bem. Nos EUA, país que é um modelo de eleições, houve há 16 anos umas eleições que foram contestadas e em última análise decididas pelo Supremo Tribunal. Em todas, mas todas as eleições, há problemas aqui e ali, porque nem as pessoas nem as próprias máquinas são infalíveis. Se há problemas eles devem ser registados e depois analisados pelas comissões eleitorais, nas quais as duas candidaturas têm uma palavra a dizer.
Acima de tudo há que manter a cabeça fria e deixar o acto decorrer com normalidade. Ninguém será certamente impedido de votar em quem quer.
Lembrem-se: nem Vale e Azevedo, o homem que enganou meio mundo- e continua a enganar os ingleses! - conseguiu fugir à decisão dos benfiquistas expressa em eleições!
Por isso, vamos manter a calma e deixar os sócios falar. Às 23.00h já se conhecerão os resultados. E depois disso, o Benfica terá um Presidente. Um só, que convém que todos respeitem.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A campanha das equipas portuguesas na Champions

Terminada a primeira "volta" da fase de grupos da Champions League, a situação das 3 equipas portuguesas é muito diferente e infelizmente a do Benfica é sem dúvida a pior. Um ponto em três jogos, num grupo em que, além do Barcelona, temos duas segundas linhas, é bastante mau.
Acrescem duas agravantes. Em primeiro lugar, o Spartak vinha de 3 derrotas seguidas quando defrontou o Benfica! Em segundo, o Barcelona teve mais dificuldades nos jogos contra o Spartak e Celtic (em Camp Nou) do que no jogo da Luz. E podia ainda acrescentar um outro aspecto, que é o facto do Benfica ter apenas 1 golo marcado em 3 jogos e ter em dois deles sofrido um golo logo nos primeiros minutos. Ao terceiro ano consecutivo a jogar a este nível e depois da muito boa campanha do ano passado esperava-se mais.
Mais qualidade e mais ambição.
Veja-se o que fez o Braga em Manchester. Jogou com personalidade e podia ter causado uma surpresa com um orçamento muito menor do que o do Benfica. Mas ainda assim, no fim do jogo o discurso que se ouviu foi de inconformismo. O seu presidente mesmo deu um raspanete à equipa, dizendo que não se podiam cometer erros a este nível. No Benfica, pelo contrário, depois de perder bem contra uma equipa mediana, veio JJ dizer que merecíamos pelo menos o empate. Algo tem que ser repensado.
Já quanto ao Porto, tem 9 pontos em 3 jogos. O seu grupo é o mais fácil dos 3 mas ainda assim a equipa não facilitou. Há duas coisas que resultam desta 1ª volta do Porto e em que o Benfica deve meditar. Em primeiro lugar as estatísticas do jogo com o Dinamo de Kiev: o Porto fez 4 remates, 3 deles à baliza; marcou 3 golos. Isto demonstra eficácia e também que a finalização se treina, ao contrário do que parece acontecer com JJ. Demonstra ainda que jogar bem não equivale a atacar desalmadamente e a desproteger totalmente a defesa. O outro aspecto a meditar é este: mais uma vez, tal como com  Falcão, o Porto acertou na contratação de Jackson. Hulk não fará falta à equipa. A única atenuante é que o Benfica conseguiu "resgatar" Lima, que é neste momento o nosso melhor avançado, ao Porto.
Em suma, uma campanha muito abaixo das expectativas do Benfica na Champions, que só por acaso ainda não está totalmente comprometida. Mas acima de tudo um aviso muito forte para a competição interna: ou melhoramos muito ou no fim do ano estamos novamente a ver os outros festejar. E insisto: é impreterível contratar um médio defensivo em Dezembro.

Fim da Sporttv - análise preliminar

É a notícia mais importante da actualidade benfiquista e uma das mais aguardadas.

O tema das transmissões televisivas é importante por três motivos: a valorização da imagem (agora diz-se "marca") do Benfica inclusivamente fora de Portugal, o aumento da receita financeira (fundamental face à austeridade e à diminuição do consumo em Portugal) e finalmente o que eu chamo o combate ao sistema.

Se as duas primeiras razões são autoexplicativas, já sobre a terceira convirá dizer alguma coisa.

Quem acompanha este blog sabe como tenho falado acerca do sistema. Abri inclusivamente um separador que concentra os artigos sobre o tema e permite ao leitor uma fácil consulta dos mesmos.

O sistema tem uma cúpula que é ocupada por Pinto da Costa, que é o líder quase mítico dos adeptos e jogadores e o "papa" do sistema, quer dizer a sua "autoridade" (i)moral. Mas vivemos hoje no tempo do dinheiro. Este é que realmente comanda quem não tem fidelidades a valores ou à sua consciência - condição de grande parte da gente que anda no mundo do futebol. Nessa medida era necessário que a "autoridade" tivesse uma fonte de poder, o que equivale a dizer uma fonte de dinheiro.

Como pode o Porto, com uma base de adeptos relativamente limitada, com assistências médias no seu estádio de 35.000 espectadores (embora mesmo estes números oficiais do Porto me suscitem dúvidas porque poderão estar inflacionados - ver a este propósito o excelente trabalho do site ser benfiquista), ter um orçamento tão elevado e constantemente ter mais capacidade financeira do que o Benfica para contratar jogadores? A resposta passa em parte pelo papel da Olivedesportos.

Joaquim Oliveira é dono de um grupo de comunicação que domina há anos o futebol português, através de vários "esquemas" que envolvem governantes e a RTP. Nele Pinto da Costa muito se apoiou, lícita e ilicitamente.

Convém não esquecer que o escandaloso caso das viagens pagas a árbitros foi agenciado pela "Cosmos", operador turístico que é aliás o agente oficial da UEFA na península ibérica e que evidentemente pertence a Joaquim Oliveira. Como chegou a ser agente UEFA uma organização que participou num esquema criminoso é algo que custa a entender, sobretudo dadas as invectivas de Platini contra a batota. Mas sabe-se que o Porto sempre teve boas relações no organismo que gere o futebol europeu, onde Guilherme Aguiar soube cultivar boas relações.

Oliveira conquistou um império que abrange a TSF, o Jogo, o DN e o JN e que tem na Sporttv a joia da coroa. E o posicionamento desta é bem conhecido, apesar da sua linha editorial e opinativa ter sido algo disfarçada nos últimos anos face à indignação dos benfiquistas que, como maioria dos adeptos de futebol em Portugal, constituem fatia de mercado que não se pode alienar completamente.

Pinto da Costa, o "papa", e Oliveira, o "guru" dos negócios amparam-se assim mutuamente e constituem as duas faces do poder futebolístico em Portugal: um através da sua autoridade "moral", o outro através do poder económico. Todos os agentes do futebol sabem que dependem economicamente e desportivamente destes dois homens. Os árbitros, condicionados pela necessidade de obter boas classificações para conseguir apitar jogos internacionais, que garantem altas remunerações, são os que mais dependentes estão desta estrutura e portanto pautam as suas carreiras pela subserviência a tais poderes. Mas os próprios clubes e a Federação conhecem esta realidade e agem de forma a proteger os seus interesses.

Octávio Machado disse-o mais do que uma vez com todas as letras - a Olivedesportos põe e dispõe, inclusivamente dos nomes para seleccionador nacional. António Oliveira, irmão desavindo de Joaquim, também já o afirmou e usou mesmo a expressão "sistema".

O sistema está aliás montado de tal forma que a própria Sporttv, controlando as transmissões e a colocação de cameras nos estádios sempre saberá que imagens seleccionar para oferecer os ângulos mais "convenientes" dos lances e criar uma narrativa das arbitragens que permita ao sistema ir subsistindo. Só não o vê quem não quer.

Face a esta realidade, a quebra do monopólio da Sporttv é fundamental para começar a desmantelar o sistema e começar a tornar limpo o futebol português. A própria Liga já o compreendeu e está a tentar concentrar em si os direitos televisivos. Veremos como esta intenção, a concretizar-se

Percebo que para os apoiantes do juiz Rui Rangel, que ainda ontem davam conta de que tinham informações de que Vieira estaria secretamente a negociar com a Olivedesportos, a notícia da não renovação de contrato surja na pior altura. Penso porém que, independentemente das eleições, esta é uma notícia muito importante para os benfiquistas que tem reprecussões mais vastas e que pode marcar um momento de viragem no futebol português.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Eis a bomba das eleições - fim da SPORTTV

Mais cedo tivesse eu escrito sobre a falta de interesse e de novidade desta campanha...
Aí está a bomba: Vieira anuncia que o Benfica não renova contrato com a Olivedesportos. Assim, para o ano não haverá jogos do Benfica na SPORT TV. Os jogos serão transmitidos na Benfica TV.
O anúncio foi feito em entrevista à SIC que passará durante o Jornal da Noite que está agora a dar. Aguardam-se pormenores.

A dois dias das eleições...

Não houve (nem haverá) nenhum debate, não se discutiram verdadeiramente ideias e propostas, não se apontaram (nem se reconheceram) erros de gestão, não se apresentaram rumos de futuro para o Benfica.
Ficaram-se até agora os candidatos pelas generalidades, por acusações mais ou menos veladas, mais ou menos diretas, por questões florais sem relevância.
Falou-se de sportinguistas na equipa de Vieira (quando dá toda a ideia que Soares de Oliveira é dos mais competentes quadros que possuímos), de anos de sócio (ridícula questão motivada por igualmente ridículos estatutos), de vendas milionárias de direitos televisivos a entidades desconhecidas, de auditorias, de Vale e Azevedo...
Uns ameaçam com o "depois de mim o caos", os outros com "o Benfica aos benfiquistas".
Muito pouco, num quadro interno e externo em que enormes desafios se apresentam: a quebra generalizada da riqueza e do consumo na Europa e em Portugal muito em particular, face a passivos monstruosos por parte de todos os clubes e SAD's deixam antever o pior.
Não há nenhuma proposta, não nenhuma ideia inovadora sobre o que fazer, nenhuma liderança verdadeiramente convincente.
Generalidades e declarações de intenções todos podemos expressar.
Todos queremos vitórias, títulos, mais mística e mais benfiquismo.
Mas não concretizando esses objectivos gerais em propostas concretas, numa dinâmica envolvente e embuída de verdadeiro benfiquismo, torna-se difícil sermos convencidos, sermos mobilizados.

Lembro-me de outros tempos com vários debates entre candidatos não apenas à Presidência da Direção mas até entre os directores para o futebol das diferentes listas. Quão longínquos parecem esses tempos...

Vieira demitiu-se até de fazer campanha, limitando-se a umas visitas às Casas do Benfica. Não assume um papel de liderança, não expressa preocupação pela possibilidade de não vencer, nem sequer demonstra grande desejo em continuar. A falta de energia e entusiasmo é confrangedora.
Mas Rangel não é melhor. Não tem também capacidade de mobilização, não tem carisma e parece mal preparado para os assuntos a que tem que responder. A sua candidatura parece uma amálagama de várias figuras que não se identificam com a gestão de Luis Filipe Vieira mas a que quase mais nada une. Falta-lhe organização, o que não deixa antever nada de bom no caso de eleição.
Assim estamos mal, muito mal.

Spartak-Benfica - voltou-se aos piores vícios

Estive para escrever no anterior post e passou-me: era importante parar com a tendência dos últimos jogos de sofrer golos, sobretudo sofrer primeiro, logo no início do jogo (Barcelona, Beira Mar, Paços de Ferreira). NÃO SE PODE SOFRER UM GOLO AOS 3 MINUTOS na Liga dos Campeões! Depois andamos a correr para remediar o mal feito, ao passo que a equipa adversária gere o jogo, sai em contra-ataques rápidos e em ataques organizados apenas pela certa.
Não pode ser. É um déjà vu do jogo de Portugal com a Rússia.

Mas infelizmente não foi esse sequer o principal pecado do jogo desta tarde. Jogo que se pode classificar como um dos piores do Benfica dos últimos anos, ao nível do que de vimos a equipa (não) fazer nos tempos de Quique Flores (já o jogo com o Beira Mar me tinha trazido estas más memórias...).

Comecemos pelo princípio - a organização táctica da equipa.

Ponto 1: antendendo ao que eu disse acerca das limitações que o meio campo do Benfica começava a patentear (há coisas que se disfarçam num ou dois jogos e que só se começam a tornar evidentes ao fim de uma sequência mais prolongada), tendo em consideração, já agora, o que aconteceu em São Petesburgo no no ano passado contra o Zénite (Javi não pôde jogar e foi Matic quem fez, sozinho, a posição de trinco tendo ficado Witsel no banco por opção), num jogo que convinha ganhar mas que importava sobretudo não perder, é para mim inexplicável que Jorge Jesus jogue com dois pontas de lança e dois extremos.

Ponto 2: Em relação ao 11, há uma perplexidade: porque insiste Jesus em Bruno César? É verdade que Bruno César gosta de jogar pelo meio e pode, em teoria, dar ali algum apoio. Mas as suas últimas exibições já tinham servido de prova da sua má forma e total inutilidade nesta fase da época. Ainda poderia entender a sua inclusão no 11 no caso de jogar atrás de um único ponta de lança, com a intenção de reforçar o meio campo com mais um elemento. Assim não.

Ponto 3: como é possível nada corrigir depois do golo inicial do Spartak ou, pelo menos, depois de empatarmos o jogo? Continuámos a cometer os mesmos erros! Como é possível nada alterar da 1ª para a 2ª parte?

Ponto 4: voltamos a sofrer golos resultantes de perdas de bola no meio campo ofensivo, com as equipas adversárias a atravessar qual passadeira todo o nosso meio-campo até marcar. Ninguém corta, ninguém faz falta. O golo de James na Luz o ano passado (que deu o 2-2 quando parecíamos ter o jogo - e o campeonato - ganhos) não serviu para JJ aprender nada.

Em Moscovo a nossa equipa andou sempre a correr atrás da bola, sempre chegando atrasada, sempre desposicionada, sem qualquer agressividade, passiva e sem pressionar o adversário.

Já falei também da má entrada da equipa nos jogos, que se repetiu.

Falta apenas um ponto: a entrada de Ola John a um minuto do fim. Isto é brincadeira? Puro desnorte?

O futebol é um jogo muito volúvel. A uma derrota se seguindo outro mau resultado, num clube da grandeza do Benfica, gera-se desde logo uma crise. Os heróis de ontem são vilões amanhã.

Eu não entrarei por esses caminhos, mas também gostava que o nosso treinador não entrasse, à primeira contrariedade, em aparente desnorte para não dizer delírio. E no fim do jogo ainda veio dizer que "merecíamos pelo menos um ponto". No máximo merecíamos o quê?

Há carências no plantel de que JJ não é culpado. Sabemos como Javi e Witsel sairam nas vésperas de fecho do mercado. Ao treinador do Benfica exige-se porém que exiba realismo e cabeça fria. Aquele que teve em Glasgow (quando a equipa foi curta mas conseguiu um ponto que se calhar é o máximo que com as presentes limitações é possível) e que não teve hoje. (No lance do primeiro golo do Spartak há apenas dois jogadores do Benfica atrás do meio campo...).

Ao contrário de Jesus, eu penso que, com um Spartak eficaz, tínhamos hoje saído de Moscovo com uma mão cheia de golos. Tal como aconteceu a Quique na Grécia há uns anos.

Felizmente o Barcelona marcou, no último minuto dos descontos, o 2-1 ao Celtic e continuamos com hipóteses de apuramento. Mas algo terá que mudar. E, como eu disse, comecem a trabalhar para em Dezembro contratar um trinco.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Spartak de Moscovo-Benfica - 11 inicial - actualização e resultado

É já daqui a menos de uma hora (17.00H) o jogo que pode recolocar o Benfica numa boa posição no Grupo G. Uma vitória dá-nos boas perspectivas, um empate mantém-nos na luta, uma derrota tornaria as contas complicadas.

A nossa equipa deverá alinhar da seguinte forma:

BENFICA: Artur; Maxi Pereira, Jardel, Garay e Melgarejo; Matic e Enzo Pérez; Salvio e Bruno César; Rodrigo e Lima.

Actualização: Spartak 2 - Benfica 1 (Lima) ao intervalo.
Primeira parte desastrosa do Benfica, mais uma vez surpreendido logo nos primeiros minutos (1º golo aos 3m), completamente apático e desequilibrado em campo. O golo do Benfica surgiu contra a corrente do jogo e depois disso foi um constante "ai Jesus", com as oportunidades do Spartak a sucederem-se (e Artur a fazer grandes defesas) até ao golo finalmente aparecer.

Como eu defendi num anterior post, o plantel é escasso, sobretudo ao nível das soluções do meio-campo, embora a ausência de Luisão se note também nestes jogos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Benfica tem que ir ao mercado em Dezembro

Tenho elogiado as prestações de Enzo Peres no centro do meio campo. Admiro as suas qualidades de futebolista, a forma como trata a bola e lê o jogo. Tem-se esforçado e suado a camisola em prole da equipa como deve ser. Temos ali um jogador valioso que a adaptação forçada pôs em evidência.
Matic também tem feito o que pode. É um jogador com capacidade técnica e física, que se esforça e faz por cumprir as indicações do treinador acerca dos posicionamentos.
Penso, não obstante, que, mesmo contando com os contributos valiosos dos jovens da equipa B, que fico feliz por ver aproveitados, e com Carlos Martins e Aimar (que se têm debatido ainda com mais problemas físicos do que é habitual), penso, dizia, que teremos que reforçar o meio campo com um "trinco" no mercado de Dezembro/Janeiro. Esta deverá ser a prioridade da direcção, mais ainda do que a questão da lateral esquerda, onde, se não se encontrar uma solução barata e indiscutível, Melgarejo e Luisinho (boas indicações contra o Freamunde) deverão chegar para as encomendas.
Vejamos: Enzo Peres é um excelente jogador mas com vocação sobretudo ofensiva, que, um pouco contranatura, está a dar equilíbrio defensivo ao meio campo; Matic não é um trinco de raiz, jogando normalmente na posição que era de Witsel ou até a 10 na sua seleção. Por outro lado, Matic não tem neste momento nenhum suplente no plantel. Se se lesiona a quem pode Jesus recorrer? A soluções ainda mais de recurso. Ora no Benfica isso não pode acontecer.
Nesta medida espero que os dirigentes do Benfica estejam já a trabalhar numa solução. Não desgosto de Airton (não sei qual é a situação actual) que faz parte do quadro dos nossos emprestados, que poderia ser uma solução, mas Jesus não parece partilhar a minha opinião.
Mantendo uma performance elevada no campeonato (a 9 de Dezembro vamos a Alvalade e a 13 de Janeiro recebemos o Porto), como todos esperamos e "aguentando" a Champions, cujas contas passam por não perder com o Spartak fora e vencer os dois jogos em casa, com a introdução de um jogador sólido e rodado, pronto a entrar na equipa em Dezembro, como foi Lucho o ano passado para o Porto, penso que poderemos ser campeões este ano e fazer (caso passemos esta fase) boa figura na Champions (onde chegar aos quartos-de-final seria um bom resultado), não esquecendo a Taça de Portugal e, por fim e apenas caso tenhamos plantel suficiente para rodar sem prejudicar as outras competições, a Taça da Liga.

A agonia do Sporting

A 3 de Outubro, na antevisão da 6ª jornada (em que o Benfica recebeu o Beira Mar e o Sporting foi ao Porto), escrevi o seguinte:

Para Sá Pinto é uma jornada dramática, que pode significar o seu adeus ao Sporting. Uma derrota deixaria o Sporting a 8 pontos do primeiro lugar, fora dos lugares europeus e apenas dois pontos acima da linha de água... Uma derrota expressiva tornaria a sua continuidade insustentável. E quem treinaria o Sporting depois disso? Oceano?

O que eu não imaginava na altura era que o Sporting pudesse, ainda antes dessa jornada, perder por 3-0 com o ... Videoton, o que precipitaria a saída de Sá Pinto ainda antes do jogo com o Porto.

Pois bem, desde então o Sporting perdeu com o Porto, hipotecando as suas (remotas) hipóteses de ser apurado para a Champions e ontem foi eliminado da Taça à primeira eliminatória em que participou.

Tenho sido muito duro neste blog para com um certo sporting e os representantes de uma mentalidade anti-benfiquista e esquizofrénica. Aqueles que constantemente insultam e desmerecem o Benfica, continuando a falar na "Taça Lucílio Baptista" de há 5 anos mas calando, escondendo ou branqueando o que todos os anos o clube do Porto faz nos campeonatos. Aqueles que depois do acontecimento mais grave do futebol em Portugal dos últimos anos (o incêndio do Estádio da Luz) vieram dizer que "não se reviam" nos atos que deveriam ter condenado inequivocamente, falando de "jaulas" e condições pré-históricas. Em suma, todos aqueles que exibem em público uma postura de arrogância e irresponsabilidade, em total desprezo pelos valores do desporto.

Nada me move porém contra os verdadeiros sportinguistas, que querem o bem do seu clube e desejam vencer de forma limpa, sem cegueira anti-benfiquista. São poucos mas existem. Como benfiquista e como desportista, a situação do Sporting preocupa-me portanto. Seria trágico para o futebol português (que mais lhe irá acontecer?) que o Sporting desaparecesse, o que está mais perto de acontecer do que nunca.

É isto que justifica que eu tenha já por diversas vezes escrito sobre o nosso tradicional rival, aproveitando aliás para dizer que nenhum jogo em Portugal é tão expressivo de uma rivalidade e tão "clássico" na sua natureza como um Benfica-Sporting.

Dito isto, o que se passou ontem foi demais. Depois de ser humilhado pelo Videoton e de quase afastado da discussão do acesso à Champions, o Sporting ainda em pleno Outubro é eliminado da Taça de Portugal pelo Moreirense. É o descalabro completo, quase inimaginável. Se a tudo isto juntarmos a instabilidade diretiva e de gestão e a insustentabilidade das contas do Sporting (para além dos casos de Pereira Cristovão e da indeminização que terá necessariamente que pagar ao Benfica pelos danos no nosso Estádio, fora sanções adicionais que, num país normal, teriam que acontecer) o Sporting está mesmo à beira do abismo.

De entre as várias pessoas que não mereciam esta sorte, há uma que gostaria de destacar: Oceano. Foi um desportista exemplar, um homem que, para além do seu clube, deu tudo à selecção (onde aliás inscreveu um registo muito interessante de presenças e golos) e que neste momento está a ser "queimado" numa fogueira que parece impossível de apagar. É uma pessoa séria e trabalhadora que merecia melhor sorte.
Mas saibamos nós retirar ilações do que se passa no Sporting, um clube que:

  • perdeu a sua identidade por via da má gestão, do afastamento dos seus princípios e por uma fixação esquizofrénica num rival (o Benfica) que não tem capacidade de acompanhar;

  • se fez subalterno do Porto, cujo presidente corrupto volta e meia é elogiado e apontado como exemplo;
  • não tem rumo, mudando de ano para ano de política desportiva (da aposta na formação para a aposta em contratações às dezenas, do "rigor" da gestão para o desperdício de milhões, da aposta em treinadores de sucesso noutros clubes, alheios à cultura sportinguista para homens da "casa" em virtude do seu sportinguismo); 
  • onde todos falam em público, cada um proferindo a sua sentença;
  • onde demasiados mandam ou desmandam (Godinho, Duque, Carlos Freitas, Sá Pinto a dada altura); 
  • vive na instabilidade constante com mudanças de treinadores e, agora de presidentes (a demissão de Godinho Lopes não está distante); 
  • deixou as claques mandarem no clube, dando-lhes o direito de estar presentes no processo de decisão interno do clube e até escolherem treinadores.
 Olhemos e saibamos retirar ilações. É assim que não se faz.