sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ainda o Sporting-Benfica: análise a frio

Crónica

Alvalade, 10 de Dezembro de 2012
Wolksvinkel 29; Cardozo 57', 80' e 85'.


Em primeiro lugar devo dizer que a 1ª parte do Sporting-Benfica, sobretudo a partir dos 10 m de jogo, me enervou tremendamente e me fez dizer o que não queria.
Temi uma repetição do jogo do ano passado (ainda que desta vez sem casos).
Praticamente nem festejei o golo do empate, tendo reservado as celebrações para o segundo e terceiro golos.
Acima de tudo pareceu-me que a dada altura faltou atitude à equipa, faltou querer, faltou poder de choque.
Temi que fossemos passar o resto do jogo a embater contra uma parede defensiva e a falhar golos, expondo-nos cada vez mais a contra-ataques e acreditando cada vez menos nas nossas próprias possibilidades.

Mas mais a frio, penso que não terei feito uma leitura totalmente correcta, parcialmente em virtude do momento desastroso do nosso adversário e da "obrigação" que eu considerava que tínhamos em vencer o jogo sem espinhas.

Se é verdade que na 1ª parte faltou um pouco daquilo que acima referi, por outro também devemos ser capazes de compreender o quadro mais geral.

Que era este: para o Sporting (adeptos, dirigentes e jogadores) este era o jogo mais importante da época, aquele em que dariam tudo. Eliminados da Taça e das competições europeias, sem hipóteses de discutir os primeiros lugares do campeonato, restava aos sportinguistas tentar vencer aquele jogo e encetar uma recuperação que lhes permitisse enfrentar o resto da época com alguma esperança e uma réstia de espírito competitivo.

Já o Benfica tem um quadro de competições e de ambições mais vasto. Se ganhar este jogo era muito importante, a verdade é que os mesmos 3 pontos ali disputados estariam em jogo logo contra o Marítimo e em todos os restantes jogos do campeonato. Não se podia portanto tratar de um tudo ou nada para nós.

Por outro lado, há que perceber que é diferente o Sporting jogar contra o Videoton, o Estoril ou o Moreirense e jogar contra o Benfica em Alvalade.

Para além dos factores motivacionais, em jogos com os "pequenos" o Sporting é obrigado a atacar e fazer as despesas do jogo, ao passo que aqui ninguém esperava isso dele. Podia-se "sentar" na defesa e depois lançar contra-ataques.

Nessa medida, os seus jogadores mais importantes e com mais qualidade são precisamente aqueles que teriam mais intervenção no jogo e mais hipóteses de brilhar: Capel, Carrilho e Wolfsvinkel. Este último, por exemplo, quando joga golos contra os "pequenos", corre o risco de falhar e ser criticado. Ao jogar contra o Benfica quererá pelo contrário demonstrar que tem qualidade - e qualquer golo que marcasse seria a prova disso. Acresce que o holandês tem velocidade e, tal como os outros dois citados, podia aproveitar bem os espaços nas costas dos centro campistas e laterais do Benfica - como realmente fez.

Por outro lado, o meio-campo que actuou pelo Sporting foi composto de 3 jogadores, todos preocupados sobretudo em defender: Rinaudo, Elias e Pranjic. Ora, excluindo este último, de quem pouco se conhece, os outros dois são jogadores de qualidade, que poderiam até ter lugar no plantel do Benfica. Elias não tem sido minimamente aproveitado no Sporting, mas no Benfica poderia em teoria fazer o papel de Ramirez (ora jogando pelo flanco, ora apoiando o médio mais recuado, neste caso Matic), como aconteceu no primeiro ano de Jesus na Luz.

Este meio campo sportinguista tinha vantagem numérica perante Matic e André Gomes. Aliás, Matic andou muitas vezes (e bem) cobrindo Carrilho o que aumentava o desequilíbrio face ao trio adversário.

Do que resulta que o Sporting apostou num Wolfswinkel sozinho no eixo do ataque, tentando aproveitar a sua velocidade e capacidade de desmarcação, apoiado por jogadores muitíssimo velozes e capazes de levar a bola muitos metros, como são Capel (por vezes parece imparável) e Carrilho.

Essa estratégia era algo perigosa para nós e deu mesmo resultados na primeira parte. Para além do golo, Maxi e Matic foram amarelados (e bem) e o primeiro andou muitas vezes perdido.

A postura e o posicionamento defensivos (os extremos e juntarem-se aos laterais quando a equipa não tinha a bola e os meio campistas a jogarem à frente da defesa) evitaram que o Benfica explorasse as fragilidades defensivas do Sporting, sobretudo dos centrais e do lateral direito, muito verde para estas andanças. Já Insúa não apenas cobria bem como ainda se chegava à frente de ataque.

O Benfica conseguiu contrariar isto em certa medida quando teve serenidade com a bola e não teve medo de enfrentar muitas vezes o 1 para 1, mas alguns passes errados e perdas de bola em passes em número exagerado levaram à intranquilização da equipa e à superioridade do Sporting entre os 10 e os 35 minutos.

Tudo o que digo atrás, não servindo para desresponsabilizar a nossa equipa de alguns erros, ajuda porém a explicar o menor rendimento no período que já identifiquei.

Mas se na primeira parte estivemos mal, na segunda estivemos muito bem. Ola John foi infernal pondo a cabeça em água ao inglês, Lima foi um mouro de trabalho, correndo muito, fazendo a vida muito difícil para a defesa adversária e abrindo espaços para os companheiros, Cardozo foi o matador que precisávamos, Sálvio, que tinha estado muito mal na 1ª parte, foi decisivo e o nosso meio campo manietou completamente qualquer veleidade do Sporting em sair para o ataque, positivamente ocupando o meio-campo sportinguista. Gaitan entrou para colocar o "ferro" final e acabar com o jogo.

A estratégia mas também a classe, o esforço e a crença dos nossos atletas construiram uma vitória totalmente justa. Uma grande vitória com um hat trick de Cardozo.

As notas


Melhores em campo

Ouro: Cardozo, 17 valores. 3 golos, dois remates que poderiam tê-lo sido e um cabeceamento a razar o poste. Acho que isto diz tudo.

Prata: Lima, 16 valores. Na nossa pior fase, nas nossas fases intermédias, esteve sempre presente no jogo, sempre incisivo, sempre objectivo e perigoso. Correu kilometros - e bem.

Bronze: Ola John, 16 valores. Também nunca perdeu a noção do que se precisava e de como criar perigo. Sempre activo, sempre rápido, centrou para o golo que virou o jogo. E deu sempre água pela barba ao seu marcador directo.

Outros destaques


Desta vez os nossos defesas não estiveram a um nível tão alto e portanto não surgem aqui. Mas Melga esteve certinho e Maxi ainda deu uma ajuda considerável ao ataque na 2ª parte. Garay não foi feliz da forma como abordou o lance do golo do Sporting mas de resto esteve bem e podia mesmo ter virado o jogo mais cedo, com um cabeceamento ao poste. Gaitan entrou para partir de vez a defesa do Sporting. Matic foi um gigante que empurrou o Benfica para a frente e não deu hipóteses ao Sporting de sair para a frente, sobretudo na 2ª parte quando a nossa pressão se tornou asfixiante. Merece 16 valores.

O árbitro


Muito bem. Sem excessos, sem protagonismos, deixando o jogo fluir. Podia ter dado mais um ou outro amarelo aqui ou ali mas não o fez e a meu ver bem. Esteve também bem na decisão capital do jogo. Merece 16 valores.


Momento de humor


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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Boa resposta e passo importante para meias finais

Olhanense-Benfica, crónica do jogo

Taça da Liga, 19/12/2012.
1-2: Evandro Brandão 47', Rodrigo 69', Lima 87'.

O Benfica apresentou-se com muitas alterações, como era esperado.
Não jogaram Cancelo, como se chegou a admitir, nem Lima (de início).

Na defesa alinharam André Almeida, Jardel, Sidney e Luisinho, no meio campo estiveram André Gomes e Enzo Perez, nas alas Nolito e Bruno César e na frente Gaitan e Rodrigo.

O Benfica dominou amplamente a 1ª parte mas praticamente não criou oportunidades de perigo.
Na 2ª parte viu-se desde logo uma intenção mais atacante mas acabou por ser o Olhanense a marcar, numa jogada de contra-ataque na qual Paulo Lopes se vê obrigado a sair da área para servir de último defesa mas o pontapé saiu mal, diretamente para os pés de um adversário que só teve que chutar para a baliza deserta.

Entraram então Sálvio (para o lugar de Bruno César) e Lima (para a saída de André Gomes), tendo Gaitan derivado para o meio, para jogar ao lado de Enzo. Mais tarde entraria Ola John para o lugar de Nolito.

A partir daqui o Benfica começou a criar boas jogadas de ataque e a pressionar o Olhanense logo à saída da sua área, praticamente não deixando os algarvios jogar. O primeiro golo surgiu de uma bola parada (um cruzamento ao segundo poste que Jardel devolveu ao centro da área onde apareceu Rodrigo a finalizar) e o segundo de uma boa iniciativa de Sálvio que foi finalizada por Lima, completamente isolado e à boca da baliza.

O resultado é justo e dá ao Benfica já boas perspectivas de apuramento para as meias finais, face ao empate (2-2) entre Moreirense e Académica. Na próxima jornada o Benfica vai a Moreira de Cónegos (30 de Dezembro às 16h na TVI24), terminando a fase de grupos com a recepção à Académica (9 de Janeiro).

Negativo: a excessiva agressividade dos jogadores do Olhanense. A permissividade completa do árbitro perante isso (Jardel foi uma das vítimas predilectas, parecia mesmo um alvo dos olhanenses) e o inexplicável rigor com que pelo contrário amarelou os nossos jogadores, não perdoando quase nada. Digo quase, porque Rodrigo arriscou a expulsão que o árbitro não concretizou. Um penalty por marcar por falta sobre Enzo. A exibição indescritível de Bruno César. A fraca prestação do nosso ataque na 1ª parte. Um jogo menos conseguido de Luisinho, que este ano já fez muito melhor. A narração de Fernando Correia - com tantos anos disto devia ser capaz de disfarçar um bocadinho melhor o seu sportinguismo. Aliás não conheço outro caso de um narrador ou relatador que simultaneamente faz comentários numa perspectiva clubística.

Positivo: o regresso aos golos de Lima e o segundo golo consecutivo de Rodrigo. A exibição de Paulo Lopes que deu uma enorme segurança à equipa e não ficou manchada pelo golo do Olhanense (fez o que tinha a fazer, simplesmente não tendo sido feliz no local onde a bola foi cair). A parede Jardel. A exibição esforçada de Nolito (apesar das coisas nem sempre lhe terem saído bem) e a subida de rendimento de Gaitan quando jogou no meio. A boa exibição e intensidade de André Almeida. A boa entrada em jogo de Sálvio. A entrega dos jogadores, a capacidade de virar o resultado e de vencer com uma equipa praticamente sem os titulares habituais. Uma assistência bastante razoável no estádio, especialmente considerando ser um dia de semana e o jogo ter transmissão em direto em sinal aberto.

Em Olhão valha-nos Nolito e Gaitan

O Benfica joga hoje muito desfalcado em Olhão a 1ª jornada da Taça da Liga. Veja-se que todo o quarteto defensivo e o próprio guarda-redes serão segundas escolhas (com a excepção, até certo ponto, de Jardel), recaindo a minha principal dúvida na inclusão de Sidney, que no pouco que vi da equipa B me parece dar neste momento poucas garantias. Oxalá esteja enganado. O "miolo" do meio campo será também "novo".

Por outro lado, não sei se Kardec estará lesionado mas se não é o caso parece-me que poderia ser opção até para descansar Lima (que precisa pelo extremo brio com que tem desempenhado as suas funções e toda a carga física que acarreta a sua enorme mobilidade no ataque). Não sei se Gaitan poderá ou não ser opção para a posição de segundo ponta de lança, o que permitiria a Lima descansar.

Por outro lado, fico satisfeito por poder ver o já referido Gaitan e Nolito, dois jogadores extremamente talentosos que têm estado "tapados" pelo momento de forma de Ola John e pela categoria e fiabilidade que Sálvio oferece à equipa.

Nota positiva igualmente para a presença de vários portugueses, na sua maioria jovens, na equipa (em princípio 5).

Boa sorte para os nossos jogadores. Esta Taça é, também e mais uma vez, para ganhar.

Joaquim sindicalista - quando o silêncio é de ouro

Permitiu-se hoje o sindicalista dos jogadores, Joaquim Evangelista, fazer afirmações desrespeitosas para com Jorge Jesus.
É engraçado que este senhor em vez de estar preocupado com os salários em atraso em vários clubes e a situação de pré-falência de vários emblemas venha atacar completamente a despropósito o treinador do Benfica. "Jorge Jesus fala muito", disse.
Pois é precisamente Evangelista que devia estar caladinho que o seu papel não é o de comentar declarações de treinadores, muito menos quando elas vão no sentido de defender a aposta em jogadores portugueses. Aliás, incluindo-se as declarações de JJ no contexto de uma pretensa polémica a propósito da contratação de um mexicano por vários milhões de euros, as palavras de Evangelista são ainda mais despropositadas e estapafúrdias. Nada que nos espante...

Espero porém que o Benfica não lhe dê troco. Ele não merece.
Uma "resposta" nos blogs é tudo o que esta figura em busca de protagonismo justifica.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Os "desvios" e as maçãs podres

Sobre o Sporting já praticamente todos dissemos o que havia a dizer: vive um momento demencial, não tem rumo e cada vez acelera mais a fundo sem saber para onde.
O problema é que cada dia que passa aquilo que dissemos ou escrevemos é ultrapassado pelos acontecimentos e o fim parece estar mesmo ao virar da esquina. Quando em Maio escrevi que o Sporting poderia estar em perigo de falência a curto prazo não imaginava porém que ainda antes do ano civil acabar essa fosse uma possibilidade admitida pelos próprios dirigentes do clube.

Na entrevista de Domingo, Godinho disse esta coisa espantosa: que o Sporting precisa até ao final da época de 45 milhões de euros, o que dá 5 por mês.

Onde os vão buscar? Desconheço em absoluto e estou mesmo quase seguro de que não conseguirão reunir essas verbas, estando a época desportiva arruinada e praticamente finalizada, depois da recepção ao Benfica.

Há outro factor, que sabemos desde ontem: o Sporting tem que comprar até 19 de Janeiro umas tais de VMOC's (num total de 12 milhões de euros) sob pena dos bancos ficarem donos da SAD.

O que me leva à única questão que verdadeiramente aqui interessa: estando o Sporting em liquidação total, parece que o Porto vai lá buscar mais umas maçãs, podres ou não.

Fala-se de Izmailov mas também de Ínsua e talvez outros. Elias, por exemplo, seria útil para um meio-campo do Porto com opções insuficientes (como aliás se viu no jogo para a Taça em Braga, em que Moutinho e Lucho tiveram que entrar para tentar mudar o jogo).

Isto também encaixa bem nos objectivos de muitos sportinguistas: tendo percebido que o clube praticamente acabou, trata-se agora de reforçar o Porto de modo a evitar a todo o custo um Benfica campeão.

Entretanto vão-se inventando histórias de novos "desvios" feitos ao Benfica para nos deixar muito tristes. O último deles seria Reys (penso que é assim que se escreve). Realmente, o clube do Porto assemelha-se em vários aspectos a uma central de propaganda, tal a dose de contra-informação que constantemente fornece a acólitos e imprensa. O espantoso é que alguma (não muita, felizmente) blogosfera ainda vai neste engodo. 

Parece que o Porto pagou vários milhões (fala-se em 6) por um jogador mexicano de 20 anos que só terá daqui a 7 meses.
Duvido que estejamos perante (mais) um novo Messi, até porque se trata de um central. Diz-se que "pode também jogar a trinco e a lateral direito". Não conheço nenhum grande central que também seja um grande lateral e um grande trinco mas talvez este novo fenómeno seja uma novidade sob este aspecto.

Em segundo lugar não precisamos de centrais - temos dois centrais de renome e classe internacional mais Jardel que quase sempre desempenha com enorme competência quando é chamado.

Em terceiro lugar não estamos em fase de gastar milhões, muito menos em jogadores que até podem vir a ser bons mas que neste momento são ainda uma grande incógnita. A aposta tem que ser em formar jogadores e em aproveitar devidamente os que se tem.

Em quarto lugar, com a excepção de Jardel ou Falcão (por sinal dois pontas de lança), não me lembro de nenhum jogador que o Porto tenha "roubado" ao Benfica (talvez James, mas está por provar) que tenha feito furor no dragon. Lembro-me, isso sim, de Jankauskas, Sokota, Panduro, Kennedy, Cebola e de um Sandro que joga com as mãos e não me parece melhor do que tantos outros, ou de um Danilo que custou 18 milhões.

Já os saldos de alvalade podem ser melhores negócios. Mas contra isso nada podemos fazer. A não ser fazer o nosso trabalho, com muita seriedade e competência e sem esperar favores de ninguém. Algo a que estamos habituados.

Porque não jogou o Porto em Setúbal?

Portugal é a vários títulos um País singular. Onde se passam coisas por vezes quase surreais. Onde ninharias merecem páginas e páginas de jornais, dias e dias de debates encarniçados, mas outras bem mais graves são quase ignoradas.

Não digo que o adiamento do Setúbal-Porto seja grave, longe disso. Mas que é estranho, é.

É uma decisão que não se percebe e que não foi explicada.

As imagens do árbitro Proença a deitar a bola para umas poças de água para provar (?) a impraticabilidade do terreno são caricatas. A justificação de que não se viam as linhas do campo são pura e simplesmente falsas porque as imagens mostraram-nas claramente.

Estava a chover? Estava um vento forte? Bom, mas isso não são razões para adiar um jogo.

O Benfica ganhou 6-3 em Alvalade sob fortíssima chuva.

Claro que no reino das coisas mal explicadas que é o nosso futebol, situações destas geram suspeitas. Nomeadamente a de que o jogo foi adiado porque o Porto assim o quis e a própria SportTV terá tido uma palavra a dizer. O que gera novas suspeitas de que há aí uma troca de favores e de que mais uma vez a integridade da competição é posta em causa.

Seja o que fôr, há também que dizer que - mais uma vez - Proença terá feito um favor ao Porto (ou a Joaquim Oliveira). Como árbitro só lhe competia uma coisa: dar início ao jogo e deixar-se de fitas. Se com o decorrer do mesmo o relvado se tornasse verdadeiramente impraticável, então sim interrompia o jogo. Se não procedeu desta maneira é porque alguém lhe disse que não era conveniente que o jogo se disputasse.

Proença até sentiu a necessidade de vir no dia seguinte a público explicar a decisão na televisão, não tendo porém sido nada convincente. Ao ouvi-lo fiquei a pensar: ou realmente este homem é de uma ingenuidade a toda a prova ou então é a nós que nos querem fazer de parvos.

De qualquer modo e para encerrar esta questão, parece-me estranho que o Porto tenha desejado adiar um jogo e colocar-se na posição de estar 3 pontos atrás do Benfica nesta fase do campeonato e apenas com uma jornada de permeio antes do clássico. À partida não me parece a melhor decisão. A não ser que algo me esteja a escapar.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sporting a brincar ao Manager

Dizia-se há uns tempos, não sei se a sério se a brincar, que os responsáveis do Sporting contratavam jogadores através do célebre jogo de computador Championship Manager. De acordo com essas más línguas, responsáveis do Sporting andavam à procura de jogadores no CM (como era carinhosamente conhecido pelos aficionados), que tinha uma boa base de dados, após o que faziam uma shortlist, observavam depois uns vídeos e avançavam para as decisões.

Ouvi ontem a entrevista de Godinho Lopes e sinceramente já nem sei o que dizer.
Espanta-me que os sportinguistas mais destacados não chamem o seu presidente à realidade e lhe expliquem que tem que sair pois não sabe o que está a fazer.

Godinho repete e repete chavões sem qualquer significado, parecendo umas vezes alheado da realidade, outras  realmente que está a omitir ou mascarar, para não dizer que está a mentir descaradamente.

Godinho passou o programa a dizer que fazia um "discurso de verdade" e falava "claro" aos sportinguistas.
Porém nada, mas mesmo nada, foi claro - tudo foi confuso e pouco esclarecido, muitas coisas foram simplesmente ridículas, quase inconcebíveis.

Disse que tinha telefonado a Vieira mas afinal enviou apenas um SMS, porque não queria "levar uma nega". Mas voltámos à escola primária?

Apresenta um "organigrama" e o nome de Jesualdo Ferreira como "manager" e acha sinceramente que são estas "soluções" que vão resolver o Sporting? Contratar mais gente? Gastar mais dinheiro?

Adopta um "sistema presidencialista" e diz que vai assumir o futebol depois contrata uma figura para "ser o chefe de todo o futebol do Sporting"?

E como fica a situação de Verkauteren? Isto é inconcebível! Ter dois treinadores contratados ao mesmo tempo! Deve ser uma situação inédita: contratar o substituto antes de despedir o treinador actual actual! Isto para já não falar de Oceano... Ridículo e lamentável.

Quando pensamos que aquele clube já deu todos os tiros possíveis nos pés, eis que vem mais um.

Continuem que estão no bom caminho... para a extinção.

Barcelona A+C goleia Atlético de Madrid

O Barcelona goleou o Atlético de Madrid por 4-1 com 3 golos de jogadores da equipa C.

Recorde-se que o Benfica jogou há cerca de 2 semanas com o Barcelona C (como disseram vários comentadores) e - incrível e inaceitavelmente - foi na altura incapaz de ganhar. (Alguns indignaram-se mesmo por não ter goleado).

Pois bem, 6 dos jogadores que então alinharam pela "equipa C" também jogaram ontem. Não se percebe como é que Thiago Alcântara, Messi, Villa, Adriano, Puyol e Piqué, todos eles tendo actuado contra o Benfica, podem ter jogado neste jogo. É uma vergonha para a Liga Espanhola e para a integridade da competição. Do banco não saíram Pinto, Tello e Song, que jogaram contra o Benfica e são portanto também da equipa C do Barcelona.

Para completar este quadro, Adriano, jogador da equipa C titular contra o Benfica, marcou ainda por cima um golo de bandeira, que iniciou a reviravolta catalã.

Já antes tinha dito, não se percebe como Tito Vilanova pode ter feito uma coisa destas...

Na liderança e no bom caminho

O Benfica alcançou no sábado uma boa vitória, com uma boa exibição frente ao Marítimo.
Não foi um jogo perfeito (nem tinha que ser), por três razões. Em primeiro lugar, a assistência nas bancadas ficou aquém do desejável. Crise e chuva ajudam a explicar mas não justificam. Em segundo, porque o Benfica sofre um golo no primeiro remate do Marítimo à baliza. Claro que a jogada é de sorte (um ressalto que deixa a bola à mercê do adversário e este remata quase por instinto, sem hipóteses para Artur) e claro que é irregular, porque o jogador está fora-de-jogo. Mas ainda assim deve-se trabalhar para que isto não aconteça. Em terceiro lugar, porque o penalty que marca a reviravolta (que parecia absolutamente inevitável face ao domínio avassalador do Benfica) é, no mínimo, duvidoso e resulta na expulsão de um jogador do Marítimo, o que deixa o jogo quase resolvido.

Penso que isto, com o hat-trick de Cardozo, a grande exibição de Matic e a segurança de Garay e Jardel, para além de exibições bem conseguidas de Maxi e Melga e dos extremos, praticamente resumem o que se passou no sábado.

Ainda em relação à arbitragem, para mim, insisto, o penalty é muito duvidoso. A bola cai muito em cima do jogador do Marítimo, que aliás está numa luta corpo a corpo com um jogador do Benfica pela posição. Claro que o jogador podia ter saltado e tentado jogar a bola de cabeça, o que realmente não fez, "deixando" a bola bater-lhe no braço. Ainda assim eu não marcaria porque penso que era quase impossível face à trajectória da bola evitar o referido toque.

Mas atenção: este penalty marca a viragem no marcador porque o Marítimo se tinha colocado em vantagem de forma irregular - aí sim objectivamente e sem margem para dúvidas. Por outro lado, segundo JJ, foi o fiscal de linha (o mesmo que não viu o fora-de-jogo) que terá visto a mão e assinalado essa situação ao árbitro. Nessa medida, não se pode falar de uma intenção em beneficiar uma equipa e prejudicar outra, como tantas vezes vemos acontecer em Portugal. Aliás o fora-de-jogo não é fácil de ver uma vez que o jogador que o está efetivamente mistura-se numa amálagama de jogadores quando a bola parte, tornando difícil ao fiscal de linha perceber quem é quem. São problemas resultantes da nova lei do fora de jogo que não pune o posicional mas que por vezes dá nisto.

Para terminar a análise à arbitragem, diria que nem o fora-de-jogo por assinalar pode ser comparado ao de Maicon na Luz o ano passado (pois aí o jogador do Porto está sempre adiantado em relação à linha defensiva do Benfica e aqui há um movimento contrário do jogador madeirense) nem o penalty é comparável às defesas de Alex Sandro nos últimos jogos, essas sim, penalties claros que ficaram por marcar.

Em termos de jogo jogado, o domínio do Benfica foi avassalador (o Marítimo fez 1 remate à baliza e dois ao lado...), tendo tido uma constância na sua pressão e futebol ofensivo que se deveram aos jogadores que atrás referi. Matic dominou tudo e deixou a bola sempre jogável, tendo feito alguns passes notáveis. Sálvio voltou a ser "motor" e Maxi também esteve muito bem, apesar de um ou outro erro ou entrada mais intempestiva. No lance do amarelo que o impede de jogar na próxima jornada foi exactamente isso que se passou, apesar da teatralização e aproveitamento da situação por parte do jogador maritimista. Jardel voltou às boas exibições, depois de algumas hesitações contra o Sporting.

Quanto a Cardozo, será que basta dizer que chegou aos 100 golos? Depois de uma grande ocasião em que o gurda-redes do Marítimo defendeu com os pés, iniciou um hat-trick que foi complementado com o regresso aos golos de Rodrigo.

O Benfica está na liderança e no bom caminho para o que todos desejamos para a época. Temos que consolidar esta caminhada e reforçar a liderança. O Campeonato regressa em Janeiro com uma visita ao difícil campo do Estoril e seguidamente vem o jogo com o Porto em que é da maior importância abrir um fosso pontual grande que nos permita ganhar balanço.

Entretanto vem agora a Taça da Liga e uma oportunidade para rodar os menos utilizados. Espero que JJ deixe descansar Ola John, Sálvio, Matic, Cardozo e Lima. Gostava de ver Nolito, Gaitan, bem como Miguel Vítor e o próprio Kardec terem tempo de jogo. Jornais falam da possibilidade de Nolito ser emprestado a um clube espanhol e referem o Granada. Tenho as maiores dúvidas de que isso tenha fundamento e espero sinceramente que Nolito não apenas fique mas que tenha mais tempo de jogo, pois considero-o um jogador de qualidade excepcional.