sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carnaval de Torres II - Pinto e o demónio

Sempre que examino melhor fotos dos portistas encontro algo de curioso. Primeiro foi quando recebemos o clube do Porto na Luz. Agora foi a escultura do Carnaval de Torres Vedras.

Olhando melhor para uma segunda foto que tirei, esclareceu-se quem é o demónio que Pinto da Costa cavalga. Há anos, acrescento.



O demónio do apito.


Parabéns a Torres Vedras! Um bom Carnaval para todos.

Carnaval de Torres Vedras

A Águia vai bicar o Pinto
Esta é a "escultura" que ocupa lugar central do Carnaval de Torres Novas, um dos mais importantes do País. Para além de Paços Coelho, Paulo Portas, Barroso e Obama, são as figuras do futebol que surgem no lugar de destaque. Pinto monta-se sobre o que parece um demónio alado, Vieira sobre um cavalo de pau. Acima de ambos está a Águia, que parece ir bicar Pinto.

Mais abaixo está o leão, muito deitado a baixo, coitado.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Regresso de Proença à Choupana - eu explico

Proença distinguiu-se o ano passado por ter dado o campeonato ao Porto. Aliás se há coisa de que os cozinheiros dessa "conquista" não podem ser acusados é de terem tentado esconder o que fizeram. Pelo contrário: tudo foi feito às claras. Tão às claras que no jogo da "consagração" (de uma farsa), Proença foi o escolhido, brindando o adversário do Porto nesse jogo com ... um penalty e duas expulsões. Pois claro! E houve abraços e beijinhos para celebrar condignadamente.
Como deu Proença o campeonato ao Porto?
Simples: não marcando uma falta que existiu e que deu um contra-ataque do Porto que resultou no 2-2 (na altura o Benfica estava a dominar o jogo e adivinhava-se o 3-1 a qualquer momento) e, vendo aí uma janela de oportunidade, expulsando poucos minutos depois Emerson por duas faltas absolutamente insignificantes (uma delas nem é claro que exista). Claro que na nossa terra de gente ignara, ninguém analisou condignadamente estes lances de amarelos (num jogo em que aliás houve entradas muito feias, sobretudo de jogadores do Porto) e expôs com clareza e coragem a injustiça da expulsão. Aliás, como o expulso foi Emerson (o patinho feio), colocou-se a culpa no jogador, apresentando-o como o elo mais fraco (ele que nos lances em causa nada tinha feito para merecer nem sequer um cartão amarelo, quanto mais dois). Para coroar a sua exibição de "melhor do mundo", Proença, aqui numa decisão do seu auxiliar que ele sancionou, deixa passar um fora de jogo claríssimo, de mais de um metro, que resultou na derrota do Benfica a minutos do fim e na vantagem do Porto no campeonato, quer em pontos, quer no confronto directo.
Já antes Proença fizera das suas: na primeira volta, na nossa visita a Braga, sancionara uma cotovelada ostensiva e evidente Djamal na cara de Gaitan com apenas cartão amarelo, deixara passar em claro um penalty sobre Luisão e ainda inventara um penalty contra o Benfica num lance em que novamente Emerson (certamente escolhido não por acaso) de costas para o lance leva com a bola, cruzada a dois metros, no cotovelo. Tudo normal. Se o "melhor do mundo" apitou está bem apitado.

Mas o que tem isto a ver com a Choupana?

Uma só coisa: Proença.

Muitos já não se recordarão das circunstâncias em que o Sporting chegou o ano passado ao Jamor. Mas a Justiça Benfiquista vai recordar.

Então foi assim: na 1ª mão, o Nacional ganhava em Alvalade por 2-0 ao intervalo. Mas logo aos 56 minutos, o jogo começa a mudar de feição: Márcio Madeira, que entrara para substituir o lateral esquerdo do Nacional, "amarelado" na 1ª parte, vê também o mesmo cartão. E apenas 9 minutos depois, surge o 2º e a respetiva expulsão. O Sporting marca então o 1-2 e 6 minutos depois da hora (seis), num livre duvidoso e num lance esquisito em que há um fora de jogo posicional que parece interferir com a jogada, surge o empate. O árbitro foi Paulo Baptista.

Mas o melhor estava ainda para vir. No jogo da 2ª mão, com o Sporting a vencer por uma bola, aos 55 minutos Proença tem uma das suas decisões: expulsa um jogador do Nacional. Mas atenção: num lance em que o jogador do Nacional só joga a bola. Incrivelmente, o Nacional empata aos 62 a jogar 10 contra 11 (ou 14). Não contente, aos 75 Proença marca um penalty dos seus , PURA E SIMPLESMENTE INVENTADO do seu cardápio e... expulsa mais um do Nacional. Que passa a jogar com 9 e ainda tem oportunidade de fazer o 2-2. Aos 90+4 minutos, o Sporting faz o 3-1. Proença estava de parabéns.


De acordo com o Presidente do Nacional, quem viajou e esteve em em amena cavaqueira com Proença no voo para o Funchal?

Ainda não estão a ver?

Esse mesmo...

Paulo Pereira Cristovão.

Pois é.

As curiosidades com Proença não ficam porém por aqui.

É que já este ano, é chamado a arbitrar um jogo importante para o Sporting: o jogo em Alvalade com o Braga. Com o Sporting a vencer por 1-0, o Braga lança-se para o ataque e encosta o adversário às cordas. Adivinhava-se um golo a qualquer momento. E finalmente ele surge, através de Alan que se eleva mais alto e cabeceia bem na área. Golo.

Golo? Não!

A bola passou realmente Patrício, que parecia intransponível nessa partida. Mas não ultrapassou Proença. Ele estava lá e anulou o golo. Anulou porque sim. O que se passou? Joaquim Rita, comentando, lança a hipótese: talvez Proença tenha visto alguma coisa no meio campo...

É o melhor árbitro do mundo e está tudo dito.

Agora reparem nesta última curiosidade.

No Braga-Benfica da época passada, Proença prejudica o Benfica e beneficia o Braga.
No Benfica-Porto da época passada, Proença prejudica o Benfica e beneficia o Porto.
No Nacional-Sporting da época passada, Proença prejudica o Nacional e beneficia o Sporting.
No Porto-Sporting da época passada, Proença prejudica o Sporting e beneficia o Porto.
E no Sporting-Braga desta época, Proença prejudica o Braga e beneficia o Sporting.
As constantes: em todos os jogos houve penalties, expulsões ou ambos. Com uma excepção, no Sporting-Braga houve "apenas" um golo anulado porque sim. Uma equipa foi sempre beneficiada: o Porto. Uma sempre prejudicada: o Benfica. Braga e Sporting foram prejudicados ou beneficiados de acordo com as conveniências. O Nacional também sai prejudicado deste balanço. Veremos como no fim do jogo de Domingo estará este balanço.

Isto para falar só da época passada e da presente.

Já agora, Proença recentemente também esteve em Setúbal para apitar o Setúbal-Porto. Foi uma farsa em dois actos: primeiro as poças de água "impediram-no" de realizar o jogo. Depois, umas semanas depois, lá se jogou. O que se passou? Nada de especial. Só duas expulsões e um penalty...

No fim chamou "energúmenos" aos adeptos do Setúbal.

Proença é mesmo o melhor.

A ditadura das transmissões televisivas (e o speaker)

E outros temas "logísticos" - o speaker da Luz


Esta semana o Benfica vai à Choupana, como sabemos, mas na próxima semana volta à Luz (dia 17 contra a Académica).
Para esse jogo, o Benfica lançou uma nova campanha, desta vez para o Dia de São Valentim, vulgo DIa dos Namorados, com preços muito económicos.
Como tenho assinalado, é muito importante, por todas as razões, ter grandes assistências na Luz daqui até ao fim do Campeonato.
A iniciativa é portanto muito meritória, tal como outras, por exmplo a do bilhete de família. Até aqui só tenho a elogiar esta política da direção.
O que já não se compreende é que o jogo com a Académica seja novamente num Domingo às 20.15h.
O assunto nem é novo. Jogo após jogo na Luz, os sócios e adeptos se queixam do horário.
Não há dúvida nenhuma que num horário diferente (ou apenas num dia diferente, por exemplo sábado), estes jogos teriam assistências ainda maiores. Com o Setúbal estiveram na passada semana quase 40.000 espectadores. Se o jogo tivesse sido à tarde teriam porém estado seguramente muitos mais. Talvez 45 ou mesmo 50 mil.
Para aqueles que vivem fora de Lisboa, ou mesmo nos arredores de Lisboa, assistir a um jogo num Domingo à noite é quase impraticável. As pessoas não podem chegar a casa à meia noite ou ainda mais tarde quando trabalham e/ou os seus filhos têm que ir para a escola no dia seguinte.
É impossível que a direção não esteja consciente disto.

O que nos leva à questão das transmissões televisivas. São os operadores que determinam estes horários. Porquê? Porque ao sábado à noite têm os jogos do Real Madrid ou do Barcelona para transmitir.
Mesmo assim não entendo porque não podemos jogar à tarde? Será que o regulamento interno o impede? Ou é porque a essa hora são transmitidos os jogos da Liga Inglesa?

Esta é uma questão para a qual a Liga tem que olhar e em relação à qual é preciso fazer alguma coisa. Se se querem mais pessoas nos Estádios, se isso é mesmo imperativo para a saúde financeira dos clubes e a emotividade da competição, então esta situação tem que ser rapidamente resolvida.

Por outro lado queria também lançar aqui uma outra questão e pedir aos blogs benfiquistas com quem temos parcerias que lhe dêm alguma atenção também, se estiverem de acordo com o que vou dizer.
Prende-se ela com os famosos speakers dos estádios, em particular o do nosso Estádio, que é o que me interessa.


A ideia das intervenções do speaker da Luz será certamente entusiasmar o público e puxar pelas bancadas. Mas o efeito é exactamente o contrário! Não está em causa a pessoa, a sua boa vontade ou sequer a sua voz. Está em causa que o apoio à equipa tem que ser espontâneo, tem que ser sentido. E isso é impossível quando é um speaker a forçar as bancadas a fazer coro. Mesmo os cânticos perdem muitas vezes a sua força não apenas por serem repetidos a toda a hora e a despropósito pelo speaker mas inclusivé pelo simples facto de ganharem uma dimensão oficial através do sistema de som do Estádio. Os cânticos pertencem às claques e às bancadas e entoá-los a partir de um microfone é desvirtuante.

Para além disso, a passagem contínua de música americana nos altifalantes até quase ao início da partida em nada contribui para o ambiente que se pretende que exista na Luz. Contribui apenas para esfriar as bancadas (que se vêm impedidas de sentir a vibração autêntica e o palpitar do jogo) e para não deixar ouvir o som genuíno das bancadas (para já não falar do das claques). Claro que quando o jogo começa todas as vozes estão frias e não se criou um ambiente conducente ao apoio à equipa e à pressão ao adversário.
Aliás, neste último capítulo, se desde o momento da entrada das equipas para o aquecimento os altifalantes fossem silenciados, certamente que essa pressão sobre o adversário cresceria, o nervoso miudinho se começaria de imediato a sentir e o se perceberia o que é o ambiente da Luz.

(Nem nos golos o senhor se cala, gritando como se estivesse num relato. Se eu quiser um relato ou fico em casa ou levo auscultadores. Eu vou ao Estádio para sentir o ambiente e não para ouvir microfones!)

Num clube altamente profissional todos estes factores devem ser considerados. Também neles se começam a ganhar os jogos.

Por favor, ajudem-me a fazer passar esta mensagem à nossa direcção. Com um speaker que silencia as bancadas e torna todo aquele ambiente numa espécie de discoteca estamos a prejudicar-nos a nós próprios e a facilitar a vida aos adversários. Isto é tanto mais verdade quanto mais importante é o jogo e maior a rivalidade com o adversário do mesmo.

Cardozo e Lima no ataque à Choupana

Mais uma jornada, mais 3 pontos em disputa. Desta vez vamos à Madeira, à chamada Choupana, para defrontar o Nacional. É uma equipa diferente, este Nacional, longe da qualidade que alardeou em anos anteriores, em que chegou a ser uma equipa muito difícil de bater, sobretudo em sua casa e que lutava pelos lugares europeus. Hoje o Nacional está apenas 4 pontos acima da linha de água. Há uma crise evidente das equipas da Madeira, talvez também ligada à situação financeira e ao resgate de que o arquipélago é alvo. Ainda assim, não se podem menosprezar as dificuldades do jogo, tanto mais que o treinador do Nacional Manuel Machado é, como se costuma dizer, um "velho conhecedor" do futebol português. É experiente e percebe o jogo. Por estas razões há que ter uma atitude competitiva forte e procurar aproveitar as oportunidades de que dispusermos.
Para tal contaremos com a nossa dupla mais forte de avançados: Cardozo e Lima. De Cardozo já muito foi dito, sobretudo quando, antes da sua lesão, facturou golos em catadupa, incluindo hat tricks. Depois de se lesionar, foi a vez de Lima entrar numa sensacional senda goleadora, que desejamos que continue até ao fim da época e nas próximas. Lima é um jogador à Benfica que espero que fique por várias épocas e que certamente não se deixará distrair por aliciamentos russos. Os dois juntos - Lima e Cardozo - fazem uma dupla de matadores. Com diferentes estilos e aptidões, são dois jogadores que dá gosto ver, porque o futebol vive dos golos e ambos o têm nos pés e cabeça. Espero que Domingo, a partir das 18.00h na Choupana, ambos possam facturar. Mas espero sobretudo que O Benfica vença e continue a sua caminhada para o título.

O Carnaval das eleições do Porto

Nas Câmaras do Porto e Gaia as coisas estão animadas. Depois da tentativa frustrada de lançar a candidatura de Guilherme Aguiar, avança Carlos Abreu Amorim, deputado que começou como independente eleito pelas listas do PSD e que agora concorre pelo partido, apadrinhado por Luis Filipe Menezes, actual presidente e que concorre, como se sabe ao Porto. Aguiar ainda é candidato, mas agora para a Presidência da Assembleia Municipal. Ainda que a política e o futebol sejam coisas diferentes, para mim seria completamente incompreensível que qualquer benfiquista do Porto pudesse votar em Guilherme Aguiar. Mas a animação carnavalesca naquelas bandas não se fica por aí. Também na Câmara do Porto, o clube de futebol continua a pesar e muito na eleição. Ainda que Menezes seja um nome bem visto por Pinto da Costa (que odeia o actual Presidente Rui Rio por este não confundir futebol e política e nunca ter feito da Câmara um instrumento do clube de futebol do Porto), Rui Moreira - esse mesmo - também quer ser candidato e deverá mesmo avançar como independente (eventualmente apoiado pelo CDS). As posições de Rui Moreira são bem conhecidas. Acha que Lisboa equivale a "Palermo". O que vale é que estamos no Carnaval. Mas também se não estivessemos era o mesmo. O Carnaval ali é um estado de espírito. Quase permanente aliás.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Frieza e endurance decidirão campeonato

Ponto prévio: o Benfica tem todas as condições para ser campeão este ano. O Benfica tem qualidade, tem consistência tem várias opções para os diversos sectores e está muito bem gerido tactica e tecnicamente. Jesus tem aprendido muito nos últimos anos e Vieira também. O Benfica tem uma massa adepta muito grande e muito dedicada capaz de, se rumarmos todos para o mesmo lado, catapultar a equipa para a época que todos desejamos. Dito isto, o campeonato está muito longe de estar decidido. Isto é uma evidência absoluta, tanto mais que neste momento o Porto está em vantagem, mesmo que apenas em matéria de diferença de golos, resultante de menor número de golos sofridos. Aliás não temos que recuar muito, basta olhar para a época passada, para perceber como qualquer quebra de rendimento pode ser aproveitada por alguns habilidosos para deixar a nossa equipa em muito maus lençóis. Aconteceu em Coimbra, aconteceu em menor grau em Guimarães (aí houve mesmo sobretudo culpas da nossa parte, treinador e jogadores) e aconteceu na Luz contra o Porto, quando ficámos a jogar com 10 sem nenhuma justificação plausível (uma expulsão resultante de um roubo descarado de Proença) e viríamos a sofrer um golo em fora de jogo escandaloso. Mas mesmo assim foi preciso afundarem-nos ainda mais em Olhão (com a expulsão de Aimar e o castigo de dois jogos), em Alvalade (penalties, pelo menos um, descarados a nosso favor não marcados e um inventado contra e "critérios" disciplinares para rir em relação a João Pereira por um lado e Luisão por outro) e ainda em Vila do Conde (penso que foi aí que se deram os abalroamentos que Olegário fingiu não ver). Nos campos onde jogava o Porto, eram penalties atrás de penalties a favor desse clube, com Hulk e James a atirarem-se positivamente para o chão, foras de jogo e expulsões mal assinalados aos seus adverários. Valeu tudo e tudo acabou numa "linda" comemoração/consagração com Proença a apadrinhar mais expulsões e penalties no jogo contra o Sporting. Um autêntico festival. Temos portanto que nos manter sempre no máximo da nossa concentração e não nos desvir dos nossos objectivos - AINDA QUE ISSO IMPLIQUE UMA GESTÃO CRITERIOSA DO ESFORÇO QUE POSSA PREJUDICAR AS NOSSAS HIPÓTESES NA LIGA EUROPA. O calendário está aí. Também já fiz a respetiva análise. Na próxima jornada o Benfica vai à Madeira para enfrentar um adversário menos forte do que em anos anteriores. No entanto, como fica bem claro do que escrevi atrás, nenhumas facilidades poderão ser concedidas, para podermos trazer a vitória que é imperativa nesta altura. Neste momento, quer Benfica quer Porto jogam sem margem de erro. Qualquer ponto concedido pode ser fatal. O Porto tem nesta jornada teoricamente um jogo fácil, mas as perdas de pontos de qualquer um dos candidatos serão sempre surpresas pelo que elas poderão acontecer em qualquer jornada. Dada a superioridade de ambos sobre os restantes adversários, exceptuando as deslocações do Porto a Alvalade, a recepção ao Braga, ou na última jornada, a visita a Paços, ou, do lado do Benfica, a visita a Guimarães ou a recepção ao Sporting, qualquer deslize seria sempre uma enorme surpresa. Mesmo nestes jogos singularizados (que são em teoria dos mais difíceis de ambos até ao fim do Campeonato) não é de antever (pelo menos no actual momento das equipas) um desfecho diferente da vitória dos candidatos. E no entanto, com grande dose de probabilidade, esses desfechos acontecerão. Nessa medida, a dimensão psicológica, a capacidade mental e moral das equipas será determinante. A respetiva capacidade, para além do aspeto físico, de manter índices de concentração, determinação e vontade de vitória em cada um dos desafios daqui até ao fim, será determinante. Teremos que ter muita força mental, muita endurance, para jornada após jornada alcançarmos os nossos objectivos, nunca nos deixando abater pelas contrariedades. Estão os do Porto convencidos de que o Benfica quebrará a determinado ponto animicamente, que se deixará abater à menor contrariedade. Sabemos que eles contam com isso, e que sabem bem que a dada altura surgirão armadilhas no nosso caminho. Este campeonato, tal como a guerra, é antes de mais um combate de vontades. As grandes vitórias do Benfica foram sempre conquistadas através da grande raça benfiquista, um querer, uma vontade e uma crença inquebrantáveis. É altura de novamente as pôr em acção, de reavivar os valores do Benfiquismo. Se o conseguirmos fazer não tenho qualquer dúvida de que seremos campeões.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Air Jordan do dragão

Estamos de novo perante um fenómeno para os lados das antas (ou dragon): desta vez é Mangala, um jovem central que, tal como fazia Michael Jordan na NBA (considerado justamente um dos maiores atletas de todos os tempos), voa sobre os adversários. A imagem é absolutamente impressionante e fala por si. Já sei, são todos óptimos, são todos os melhores, têm o melhor departamento médico do mundo, os jogadores estão mais motivados do que em qualquer outro momento da sua carreira, querem bater os mouros, etc, etc, etc. Mas o que é que eu hei-de fazer?
Diz o "Record" sob o título da galeria "Mangala voador em Guimarães": "Autor de um golo de cabeça no triunfo sobre o Vitória, o francês Mangala mostrou um poder de impulsão incrível...". Não quero tirar valor a quem o tem. Isso não está em causa. Mas também não acredito que uns descobriram a pólvora e os outros são todos estúpidos (vide mais o caso Ismaylov que, através do "Jornal de Notícias" ficámos a saber que está a fazer um grande trabalho no ginásio, o que explica que os problemas de 2 ou 3 anos em Alvalade tenham sido subitamente debelados). Aliás sei, como sabemos todos, porque felizmente as escutas e as denúncias foram tornadas públicas, que a batota é vista pelos dirigentes do Porto como um meio que justifica o fim de ganhar. Alí quer-se ganhar a todo custo, atropelando-se o que ou quem se atravesse no caminho. Com um tal historial, a proliferação de fenómenos , de incríveis e super-heróis deixa-me um pouco de pé atrás. O que é que eu hei-de fazer? Tenho muitas dificuldades em acreditar no super-homem... Mas para ser justo (como não obstante o meu benfiquismo tento sempre ser), se nada houver de anormal neste rendimento tão impressionante de uma série de jogadores (que cai abruptamente quando mudam de camisola, algo que já provei), se eu estiver a levantar uma questão inexistente, então farei o mea culpa e darei sinceros parabéns a quem contrata, a quem treina e a quem trata do físico destes atletas. Nesse caso todos estarão de parabéns e estaríamos realmente perante uma equipa quase única na história do futebol mundial. O problema é que há um historial ... Qualquer adepto sério tem que admitir que o Porto comprovadamente fez batota durante muitos anos, comprando árbitros inclusivamente de jogos do Benfica com equipas terceiras, intimidando e agredindo árbitros, adversários e jornalistas. Como os dirigentes do Porto são os mesmos (e a "cultura" desportiva se mantém) penso que estas outras dúvidas são legítimas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

As maiores transferências do Porto - e os maiores flops para os compradores

Agora que o futebol clubístico está em semi-pausa, com os jogadores a concentrarem-se nas suas selecções, e que o mercado de Janeiro acabou de encerrar, é uma boa altura para abordar o tema das vendas do Porto, até porque em tempos o aflorei sem particular detalhe.

O assunto surge porque há um rendimento dos jogadores quando estão no Porto e há um outro rendimento muito diferente dos mesmos jogadores quando saiem do Porto. Já sabemos que há ali muito "boa gestão", que há muita disciplina, muita motivação, etc. Pela minha parte não contesto que assim seja, mas há também com toda a certeza disparidades que chegam a ser gritantes e que fazem pensar.

Está bem presente em todos a novela de Hulk e dos 100 milhões, que acabou como se sabe: mesmo por 40, o negócio foi considerado o flop do ano na Rússia.

Mas este foi apenas mais um capítulo de uma longa história: nunca nenhum jogador do Porto superou ou sequer atingiu o mesmo nível competitivo depois de sair do clube. Estranho?

Aliás esta história começa ainda antes do mercado de transferências se tornar tão pródigo. No tempo em que as transferências eram mais raras já se verificava o estranho fenómeno da súbita quebra de rendimento dos jogadores quando não envergavam a camisola "azul e branca".

Tome-se o caso de Gomes, um goleador excepcional no Porto.

Entre 1974 e 1980 jogou 158 jogos pelo Porto e fez 125 golos. Uma média de 0, 79 golos/jogo.

Daí saiu para o Sporting de Gijon, onde em duas épocas jogou apenas 27 jogos e fez 12 golos (média de 0,44).

Voltou ao Porto e conseguiu marcas ainda melhores: 163 golos em 184 jogos e uma impressionante média de 0,88 golos por jogo. Foi "bi-bota" de ouro e 6 vezes melhor marcador nacional, sempre pelo Porto.  Ainda fez duas épocas no Sporting onde alcançou 31 golos em 63 jogos, numa média de 0,49.

Igualmente curioso é que entre 1975 e 1988 Gomes jogou 48 vezes pela selecção e marcou... 13 golos. A média é de 0,27. Estranho?

Em termos de transferências propriamente ditas temos casos que roçam o insólito como o de Secretário que foi vendido por muito dinheiro para a altura (penso que 300 mil contos) ao Real Madrid. Claro que de imediato se percebeu em Madrid que algo tinha corrido mal e o jogador foi devolvido à proveniência, a custo zero ou perto disso, voltando a jogar a titular e a vencer competições, para mau grado das canelas dos adversários.

Temos o caso de Cissokho que também não se percebe. Contratado por tuta e meia pelo Porto, valoriza-se a um ritmo fulminante, chegando a ser anunciada a sua transferência para o Milan! Acontece que durante os testes médicos no clube italiano lhe são detectados problemas... nos dentes. Nunca se tinha ouvido falar de tal impedimento para uma transferência mas cá no burgo explicaram que isso era normal. O jogador volta à procedência e pouco depois sai mesmo por 15 ou 16 milhões de euros (!!) para o Lyon. Depois de 3 épocas no clube francês, com apenas 25 anos, sai para o Valência, agora por 6 milhões, onde vai alternando a titularidade com o banco. Estranho?

Já antes tinham existido os casos de Baía (uma experiência completamente falhada no Barcelona) e de Couto, que no mesmo Barcelona foi titular para o campeonato em apenas 36 jogos em 2 épocas e depois de sair nunca se impôs a titular no Parma, apesar da tão longa permanencia no clube italiano. 

E, da equipa de Mourinho que foi reconhecidamente a melhor do Porto na década passada, o que dizer? Milhões e mais milhões em transferências para um rendimento pífio nos clubes compradores.

Maniche saiu por 16 para o Dínamo, onde jogou apenas 12 jogos, andou em empréstimos, depois foi por 7 milhões de euros para o Atlético de Madrid onde fez 33 jogos para o campeonato em duas épocas, voltou, emprestado, a seguir Mourinho para o Inter, saiu a custo 0 e acabou no Sporting a mostrar que já não conseguia jogar futebol.

Alenitchev saiu por 750 mil euros para o Spartak de Moscovo e em 3 épocas faz 21 jogos.

Nuno Valente fez apenas 55 jogos (nem todos a titular) nas competições internas em 4 épocas no Everton.

Há também Paulo Ferreira, um jogador que nunca desiludiu porque sempre foi esforçado e competente dentro das suas capacidades no Chelsea mas cujo valor da transferência foi também manifestamente exagerado (20 milhões de euros).

Esta lista não estaria completa sem nela incluírmos Álvaro Pereira, transferido para o Inter de Milão por... 16 milhões de euros!! Neste momento jogou apenas metade dos jogos da sua equipa no campeonato italiano, estando o seu clube a 12 pontos do primeiro, a Juventus.

Claro que existem excepções. Jardel não desiludiu porque sempre foi um grande goleador, tal como Falcão está a mostrar uma indiscutível classe no Atlético de Madrid. A questão é porém essa mesma: são excepções.

Em 90 % dos casos, espreitando sites independentes sobre o valor de mercado dos jogadores, verificamos que depois de saídos do Porto, os seus ex-atletas se desvalorizam numa linha abrupta. Estranho?

Para os adeptos do Porto, isto demonstra boa gestão e boa capacidade de negociação. Isso de facto é indesmentível. Ninguém obriga os clubes a comprar jogadores do Porto, principalmente conhecendo-se este historial. Na realidade dá a ideia que mais recentemente as coisas têm mudado um pouco. Nos últimos anos o Benfica tem sido o clube que mais e melhor tem vendido, com resultados opostos para os clubes compradores em relação aos que compram ao Porto. De facto o Chelsea e o Real Madrid dificilmente se podem queixar das suas aquisições. No primeiro caso, dois atletas ex-Benfica foram campeões europeus e são titulares da selecção brasileira. No segundo, Di Maria contribuiu e muito para o título de campeão do Real na época passada. Coentrão não se tem afirmado tanto, até porque a concorrência de Marcelo é forte, mas nunca se poderá falar de flop, senão de um preço eventualmente exagerado na transferência.

Tudo pesado, sobra a realidade: no Porto todos são fenómenos, o pior é quando saiem do clube. Exceptuando Falcão, os negócios têm sido medíanos nalguns casos e ruinosos em tantos outros. Estranho? Se este clube não fosse conhecido por comprovadamente fazer batota, eu não levantaria a questão. Assim, ela fica no ar.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Vitória segura em ritmo baixo

Quando a nossa equipa entrou em campo para disputar a 17ª jornada do campeonato, alguns adeptos já nem se lembrariam que durante a semana jogámos e vencemos em Paços de Ferreira, quase garantindo a presença no Jamor.

Na partida de ontem o mais importante era ganhar e fazer uma certa gestão do plantel, objectivos que foram alcançados com bastante tranquilidade. Este ano de facto existem duas equipas na frente do campeonato e depois um enorme fosso para todas as outras.

O Benfica ontem não precisou sequer de acelerar muito para garantir uma vitória tranquila e confortável. E recorde-se que não jogaram Melgarejo, Matic (tão fundamental para a manobra do nosso meio campo) e Cardozo (que continua a ser o nosso melhor marcador apesar de não ter jogado os últimos jogos e de não facturado nos que jogou ainda antes da lesão).

Mais do que fatiga, penso que ontem existiu uma gestão prudente e inteligente de esforço. Importava marcar cedo para evitar qualquer ansiedade ou necessidade de acelerar muito na segunda parte. Isso foi conseguido. Importava depois ganhar uma vantagem mais confortável para poder gerir o jogo. Isso também foi conseguido logo no início da 2ª parte. Depois veio a natural gestão porque a época é longa e tem muitos jogos, sobretudo considerando que estamos em 4 competições, com boas perspectivas de ganhar 3 delas. Além disso, o Setúbal continuou muito fechado no seu meio campo, sem fazer grande esforço para ir atrás do resultado e fazer as despesas do jogo, pelo que não faria grande sentido ser o Benfica a fazê-lo quando já ganhava por 3-0.

Do jogo de ontem gostaria de destacar as excelentes exibições de Garay e Luisão. Que enorme autoridade e classe demonstraram ontem os nossos centrais. Destaque para a jogada do 2 a 0. Um passe tenso de Garay a levar a bola para a meia direita, Luisão a avançar até ao meio campo e depois a lançar Lima para o golo. Simplicidade e qualidade.

No meio campo, Enzo fez um dos seus melhores jogos desde que chegou ao Benfica: um golão, muito boas jogadas e muito trabalho compensaram alguma insegurança, normal e compreensível, de André Gomes, até pela chamada à selecção e à rápida afirmação como um jovem valor do nosso futebol.

Por fim os nossos atacantes voltaram a estar em grande plano, dando-me uma grande satisfação o regresso de Rodrigo aos golos, em mais uma boa jogada e excelente combinação dos dois pontas de lança.

Esta semana o Benfica "descansa", se não jogar a meio da semana pode ser assim chamado - e provavelmente não pode pois a maioria até joga mas ao serviço das selecções. O regresso ao Campeonato será na Madeira para jogar contra o Nacional. A partir daí começará novo ciclo competitivo de grande intensidade, com a entrada em cena da Liga Europa e o regresso dos dois jogos por semana.

Até por isso foi acertada a abordagem ao jogo, menos fulgurante e desgastante do que é normal no Benfica. Foi o que se pedia.

Uma última palavra para a presença de sócios e adeptos, que merece elogios. Quase 40.000 numa noite fria de Domingo contra um adversário fraco e já se sabendo que não nos isolaríamos na frente nesta jornada, é um número excelente que dificilmente algum outro clube em Portugal poderia alcançar.

Penso que é uma boa indicação e prenúncio para o que se deseja daqui para a frente na época: uma presença cada vez mais massiça de sócios e adeptos nos jogos, se possível deixando a Luz à beira da enchente cada fim de semana. Como disse no passado, a equipa merece.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Ai aguenta, aguenta... até rebentar.

O Porto fez ontem mais um jogo em que não deixou o adversário respirar (penso que foi mesmo uma expressão utilizada por Rui Vitória) e venceu com uma surpreendente facilidade um adversário que uma semana antes empatara em Alvalade e que em casa não tem por hábito facilitar. Foi o terceiro jogo consecutivo em que a pujança física e a qualidade dos jogadores do Porto de facto surpreenderam, mesmo sabendo-se que a equipa é por regra consistente.
De alguma forma, este Porto fez lembrar o Benfica de há 3 épocas atrás e que mereceu o epíteto de rolo compressor.
E é aí que de facto o grau de surpresa aumenta. O Porto vencer o Guimarães fora não é nada de anormal, até porque o Vitória tem muitos jogadores oriundos da sua equipa B. O que já não é tão normal é que vença por 4 a 0 e, de acordo com o seu treinador, pudessem ter sido "muitos mais". 7, 8? 9 a zero?
É que o Benfica de há 3 anos tinha David Luis e Ramirez, que saíram para o Chelsea e dois anos depois foram campeões europeus, Di Maria, que foi para o Real Madrid, onde tem brilhado, Coentrão e Javi Garcia, que entretanto saiu para o campeão inglês. Isto além dos que ficaram, como Cardozo, constantemente o melhor ou dos melhores marcadores da Liga e Luisão, Maxi e outros.
Ora o Porto tem feito nos últimos jogos algo de parecido sem Hulk (que era o tal fenómeno) e sem James Rodrigues, lesionado. Tem asfixiado com... Otamendi, Defour e agora... Ismaylov. Sem dúvida que o Porto tem bons jogadores, mas o estranho é que o bom ali seja logo fenomenal (como Mangala, Moutinho ou Jackson) e que o medíocre, como Maicon, Otamendi, Defour ou Ismaylov passe por bom.
Tome-se o caso do russo. É evidente que é um jogador com qualidade técnica e cultura futebolística. Não lhe chamo medíocre por alguma carência nessas competências. Medíocre é um juízo objectivo que se alicerça no que ao longo de 3 anos o russo (não) produziu no Sporting.
Como é que duas semanas depois de dizer que "não estava habituado ao ritmo" do Porto (apesar de ter jogado apenas 20 minutos), Ismaylov pôde ser titular?
Realmente há ali competências que estão no limiar do superhumano.

De igual modo, no âmbito das finanças, também se fazem ali omeletes sem ovos. Numa época de crise, quando o Benfica, o clube europeu com maiores receitas fora das Ligas maiores (Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha) alivia carga salarial e faz um encaixe considerável com as saídas de Bruno César e Nolito, o Porto não apenas agrava a sua despesa com ordenados, com o tal Ismaylov (que até já disse que tinha ido ganhar mais do que no Sporting) e com o velhinho Liedson, como até recompra partes dos passes de James e Moutinho aos tais fundos de jogadores. Estranho? Não pelas bandas do Porto, onde a boa gestão explica tudo.

Veremos até quando.