quarta-feira, 24 de abril de 2013

Casagrande - Eis o verdadeiro ESCÂNDALO que está a ser ignorado

Que o clube de Pinto da Costa, Reinaldo Teles e, em tempos, o guarda Abel, subornava e coagia árbitros e adversários, é algo que já sabíamos desde que as escutas do Apito Dourado se tornaram públicas.
Que o rendimento de vários jogadores do Porto tem vindo ao longo dos anos a gerar algumas suspeitas, é algo a que já aqui aludi, embora sempre tenha dito que não podia afirmar nada porque não havia provas.

Ontem tudo mudou: Casagrande, jogador do Porto em 1988, admitiu que se dopou no Porto e que essa era prática comum no clube!

Estamos perante uma denúncia de uma gravidade extrema. No seu livro, escrito por um jornalista, Casagrande omite o nome do clube em que se dopou, por questões que todos percebem, tendo os acontecimentos de hoje já vindo dar-lhe razão: Domingos Gomes, Artur Jorge, Jaime Magalhães, Inácio, Sousa já vieram negar e até ameaçar processos judiciais.

Faz-me lembrar... Lance Armstrong.

No entanto, nesse mesmo livro, Casagrande refere-se à lesão grave que sabemos ter acontecido no Porto. E diz explicitamente que, por ter usado substâncias dopantes, mesmo com a rotura completa de ligamentos no tornozelo, a tal lesão que sofreu, ele queria voltar ao campo...

Casagrande diz: sentia-me um super-homem, com o rendimento físico a ser potenciado: "alongamento máximo dos músculos. Podia-se levantar totalmente a perna, a gente virava bailarina... Isso realmente melhorava o desempenho, o jogador não desistia em nenhuma bola. Cansaço? Esquece... se fosse preciso, dava para jogar três partidas seguidas". 
(Do livro "Casagrande e os seus demônios", citado pelo blog Indefectível)

Onde é que eu já vi isto?

Até ontem, apenas existiam suspeitas e algumas denúncias a medo. Houve a história de Fernando Mendes que depois disse que afinal o clube do Norte onde se dopava não era o Porto mas sim o Boavista...

Depois de Casagrande, a história é outra. Não me surpreende, antes pelo contrário.

O Porto dos tempos de Casagrande e o de hoje são comandados pelos mesmos indivíduos e com as mesmas tácticas e métodos - a grande "organização" e a grande "máquina", liderada por Pinto da Costa com Reinaldo Teles ao lado, que alguns passam a vida a adular.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Amasso alemão

O Barcelona, equipa cujo futebol é indiscutivelmente muito evoluído mas que não me consegue entusiasmar, levou esta noite um verdadeiro amasso do panzer alemão Bayern de Munique.
Os bávaros deram realmente uma lição de futebol prático e musculado, de grande pujança física e velocidade, mas também talento. É preciso perceber que este Bayern tem a base da seleção alemã mais Ribery, Robben... É muita coisa. São jogadores com tremenda força, endurance e qualidade.

E o que dizer de Heynckes, que quando veio para o Benfica já alguns consideraram acabado?

Quanto ao Barcelona, com Messi numa noite não e um árbitro que permitiu algum contacto (pelo menos em fases do jogo), os pequenos catalães foram positivamente atropelados.

Está encontrado o primeiro finalista.

Amanhã dificilmente se repetirá a história desta noite. Não só os protagonistas não são os mesmos (Dortmund mais fraco que Bayern, Real mais forte que Barcelona) como Mourinho dificilmente é goleado, mais ainda numa eliminatória europeia. Prevejo que o Real ultrapasse esta eliminatória e esteja na final.

Escândalo?



A arbitragem de João Capela na Luz mereceu muitas críticas e é evidente que não está isenta de polémica. Da mesma forma que nos queixámos inúmeras vezes no passado (com razão), temos que ter a honestidade intelectual de saber reconhecer quando somos beneficiados.
Foi o caso? E se sim, pode-se falar num escândalo? (A palavra foi usada por amigos meus, tão benfiquistas como eu.)

O assunto merece-me agora algumas reflexões, primeiro porque não gosto de ver o Benfica ser beneficiado pela arbitragem (muito menos se estivermos perante um "escândalo"), segundo porque as consequências têm o potencial de manchar uma época até aqui imaculada (e a propaganda portista investirá nisso todas as suas forças), terceiro porque não fiquei no Estádio com essa ideia e quarto porque me parece que se poderá estar aqui, de propósito ou inadvertidamente, a distorcer o que aconteceu.
Fui assim rever o jogo - não só os casos - desde o primeiro minuto.

Não quero branquear nada (se o quisesse não me daria a este trabalho): quero apenas fazer uma análise o mais justa possível.

Quem por vezes passa neste blog sabe que defendo acima de tudo a coerência nas arbitragens e a aplicação de um critério uniforme ao longo do jogo (e de toda a competição, se possível).

Não admito que se marque penalty nalgumas situações em que a bola bate na mão e não se marque noutras praticamente iguais. Isto porém acontece, inclusivamente com o mesmo árbitro, em diferentes jogos.

No jogo do ano passado em Alvalade não foi marcado um penalty claríssimo sobre Gaitan e depois foi marcado um em que Luisão toca ao de leve no pescoço de Wolfsvinkel. Há ainda uma situação (que o árbitro vê) de um agarrão de Ismailov a Luisão na área que também não merece acção do árbitro, já depois dos  referidos lances. Luisão aliás acabou expulso, ao contrário de João Pereira, que jogou de forma inqualificável, podendo ter sido expulso pelo menos três vezes mas a quem tudo foi permitido, tendo acabado apenas com um amarelo.

Isso para mim configuram situações claras em que o árbitro não aplica um critério coerente, prejudicando objectivamente uma das equipas.

Foi isso que aconteceu Domingo?

Não. Desde o início do jogo o árbitro adoptou um critério: deixar jogar e marcar apenas as faltas indiscutíveis. O lance de Wolfsvinkel (que para mim não seria penalty em nenhuma circunstância, adoptasse ou não o árbitro um critério "largo") surge aos 5 minutos. Nessa altura tinham ocorrido já 3 lances (um sobre Miguel Lopes, um sobre Lima e um sobre Enzo) que poderiam ser apitados como falta mas que o árbitro não considerou, em coerência com esse critério. Aliás de dois desses lances (recuperações de bola) resultaram situações de perigo para a baliza do Benfica, um deles precisamente o de Wolfsvinkel.

Já quanto ao lance entre Maxi e Capel, tal como disse ontem, parece-me penalty. Mas atenção: o árbitro foi coerente. Há um lance aos 20 minutos em que Melgarejo é pisado por André Martins. Pelos critérios dos 3 ou 4 penalties, este também teria que entrar na contabilidade. O público da Luz e os nossos jogadores nem protestaram pois já se tinham percebido que o árbitro não apitaria faltinhas.

Depois na segunda parte existem dois lances, um para o Benfica, outro para o Sporting, também duvidosos. Num deles o defesa do Sporting empurra Gaitan dentro da área e no outro Maxi coloca um braço à frente de Viola, que se isolava. Penalties? Em ambos os lances, um outro árbitro poderia apitar. O de Maxi parece-me porém mais flagrante e penso que deveria ter sido assinalado, mesmo com o critério de que o árbitro fez uso.

Mesmo sobre os 94 minutos, de novo Viola tenta passar entre dois jogadores do Benfica e tropeça em Jardel. Aqui não me parece haver qualquer falta do nosso jogador, que não se mexe, mas não deixa de ser um lance aparatoso, tanto mais que tinha já havido os referidos lances de dúvida.

Este é o quadro geral, sem facciosismos e sem ignorar o ponto, que me parece fundamental por muito que portistas e sportinguistas agora o tentem desvalorizar de o árbitro ter deixado jogar e apitar o menos possível. Acaso o árbitro sabia, quando optou por adoptar este critério, que iria haver vários lances de dúvida na área do Benfica no decurso do jogo? É que o critério se aplicou realmente desde o apito inicial e não apenas depois dos lances de dúvida, como forma de justificar as (não) decisões então tomadas.

Não pedimos nós tantas vezes arbitragens à inglesa? Eu pelo menos faço-o. Nessa medida lamento que as coisas tenham corrido desta forma, porque a partir daqui os árbitros terão receio de enveredar por este caminho, que para mim é o certo.

Em termos objectivos, penso que  o Sporting acabou por ser prejudicado (pois foi a equipa que teve mais lances destes dentro da área). É natural que os sportinguistas se queixem (há que dizer aliás que as palavras dos seus dirigentes, pelo menos até agora, foram moderadas). Já menos sério é da parte de adeptos e comentadores ignorar que de facto houve coerência na forma de apitar e um critério praticamente uniforme ao longo do jogo. Como não o é reclamar vermelho para Matic, que devia ter visto amarelo, tal como Rinaudo poderia ter visto e também não viu ainda na primeira parte.

Capela já prejudicou o Benfica no passado (e eu fui muito crítico disso). Agora beneficiou, sobretudo no tocante aos dois lances de Maxi.

Outra questão é a de saber porque é que o árbitro adoptou este critério. Decidiu pela sua cabeça ou teve instruções nesse sentido? Já João Ferreira teve critério semelhante no Benfica-Porto, na minha opinião prejudicando nessa altura o desenrolar do nosso futebol, sistematicamente parado pelos jogadores portistas.

Dito isto, o Sporting perdeu por causa do árbitro? É difícil dizer. O Sporting entrou melhor e se tem sido assinalado penalty no lance em que Maxi e Capel se embrulham o jogo teria sido certamente diferente. Mas não quer dizer que o Benfica não o viesse a ganhar.

Não começou o Benfica a perder em Alvalade, tendo depois vencido por 3-1? Na Luz, contra o Newcastle, não se passou exatamente o mesmo?

Penso que a diferença entre as duas equipas é real e fez-se sentir sobretudo ao nível da concretização: o Benfica foi letal nos momentos cruciais do jogo e geriu o restante, excepção feita ao mau início. Se o árbitro tem assinalado o penalty de Maxi na primeira parte, caso ele fosse concretizado, o jogo seria diferente e o Benfica teria que jogar de outra forma. Se tivesse assinalado na segunda, o resultado passaria de 2-0 para 2-1, ficando ainda bastante por fazer para o Sporting.

Quanto a nós, teremos que jogar de outra forma (se possível, dado o avançado da época e a condição física já algo pesada de alguns jogadores, como Enzo, Luisão, Garay ou o próprio Matic em certos períodos do jogo) nas partidas em Istambul e na Madeira. A arbitragem de Capela não belisca um milímetro o nosso percurso até ao momento, nem sequer a justeza da vitória no Domingo.

Istambul e Funchal são as próximas paragens do que desejamos possa ser uma época de sonho.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Hino ao futebol

A jogada de Gaitan no segundo golo do Benfica esta noite, vale o preço do bilhete. É uma jogada de antologia, só ao alcance de um génio futebolístico, como é o pequeno argentino, apesar de algumas intermitências no jogo.

Não foi de todo o melhor jogo do Benfica. A pressão estava lá, era inegável, depois da vitória concludente do Porto contra o Moreirense, e o Benfica não tinha qualquer margem de erro.

Certamente também por isso, a nossa equipa não entrou muito bem. O Sporting teve realmente uma entrada melhor e com uma jogada muito perigosa de Wolfswinkel (a tal que os sportinguistas reclamam - sem razão - penalty) gerou algumas dúvidas na nossa equipa, que esteve pouco confortável na primeira metade dos 45m iniciais.

O Sporting jogava muito recuado no campo - sem pressionar - optando por tapar bem o seu meio campo.

O Benfica por sua vez demorou a carburar, mas foi paulatinamente montando um cerco à grande área sportinguista. A partir dos 30 minutos, o Sporting deixou de conseguir passar do meio campo e o Benfica começou-se a aproximar do golo.

Por esta altura veio o lance entre Maxi e Capel. Aqui sim há um toque de Maxi dentro da área (embora o nosso jogador tenha feito menção de simplesmente marcar o seu espaço). Há assim que dizer, em nome da verdade, que se aceitava se o árbitro marcasse penalty. Como se aceita que não tenha assinalado. Percebeu-se desde cedo que o árbitro iria deixar jogar e permitir o contacto, pelo que houve coerência na sua forma de apitar.

 A ganhar ao intervalo, esperava-se que o Benfica pudesse a qualquer altura marcar de novo na segunda e sentenciar o jogo. O Sporting não criou uma única oportunidade digna desse nome e foi neste quadro e com uma toada morna, que surgiu a obra prima de Gaitan e Lima.

Vitória inquestionável do Benfica, o título fica ao virar da esquina, à distância matemática de três vitórias (ou duas, caso não percamos no Porto), sendo que ganhar na Madeira deixará praticamente tudo resolvido.

Quinta jogamos na Turquia mais uma página desta época que pode ser histórica.