sexta-feira, 28 de junho de 2013

A formação do Benfica

Como todos saberão, o Benfica até 1979 não admitia estrangeiros no seu plantel.

É evidente que até 1974 Portugal não era só a "metrópole", incluindo as então colónias, sobretudo Angola e Moçambique, de onde vieram grandes jogadores. Destes destacam-se obviamente Eusébio, o melhor de sempre, assim como Coluna (ambos oriundos de Moçambique) e Jordão (Angola). Mas merece também uma referência Carlos Alhinho que jogou pelo Benfica entre 76 e 81 (depois de começar a carreira em Portugal na Académica e ter representado Sporting e Porto) e que era natural de Cabo Verde.

Os tempos são outros e compreende-se que, sobretudo depois da Lei Bosman (altamente negativa, a meu ver, para o futebol), o Benfica tenha que se adaptar à realidade futebolística europeia e contratar em mercados sul-americanos, onde existem muitos talentos a um custo ainda relativamente baixo. Este ano houve também uma aposta no mercado sérvio, que esperemos dê bons frutos.

O que já não se compreende é que os jogadores portugueses e os jogadores da formação praticamente tenham desaparecido do plantel.

Tudo deve ser feito com conta, peso e medida.

Estas reflexões vieram-me à mente a propósito de Bruma. Que grande jogador que ali está!

Já o ano passado mo pareceu e disse-o antes do jogo com o Sporting na Luz. Penso que não me enganei. 

Bruma é do Sporting, que tem produzido inúmeros talentos nas últimas décadas, embora não os tenha sabido aproveitar. 

Mas Miguel Rosa é do Benfica!

Será tão talentoso como o jovem sportinguista? Possivelmente não. 

Mas tem outras características que deveríamos saber aproveitar: é raçudo, é determinado, é abnegado, é um jogador que sente a camisola, tem um potente remate.

Não deveria ele merecer uma oportunidade? Não deveria Jesus, à semelhança do que faz com jovens estrangeiros, algumas vezes contratados por avultadas somas, trabalhá-lo, melhorá-lo, fazê-lo crescer?

Parece-me evidente que sim!

Então porque não acontece isso? Começo a não ter respostas...

De igual modo, Miguel Vitor é um jogador que me custa ver deixar a Luz. Sempre que foi chamado, cumpriu! Isto, sem querer por uns contra os outros, é mais do que se pode dizer acerca de Jardel...

Miguel Vitor é português. É produto da formação. E saiu a custo zero.

Há opções que começo a não entender. Contra o Guimarães, na final da Taça, André Almeida fez de facto uma exibição miserável, a pior desde que está no Benfica. Desde o 1º minuto de jogo! Deixava sair as bolas junto à lateral, dominava-as deficientemente, não subia pelo seu flanco deixando Gaitan sem apoio. Porque não o tirou Jesus? Se não mais cedo, pelo menos ao intervalo? Porque o deixou em campo até ao momento fatídico daquele atraso que acabou por levar Artur a entregar a bola ao adversário, daí resultando o golo que mudou o jogo e levou a época ao descalabro final? Que ainda por cima teve como consequência a explosão de Cardozo que levará inevitavelmente à sua saída do Benfica (algo que poderá vir a ser altamente negativo)?

São coisas que não se percebem.

Miguel Vitor quase nunca comprometeu e apesar disso nunca foi opção. André Almeida fez uma excelente época mas num jogo em que estava claramente desinspirado o treinador não foi capaz de o substituir, com as consequências já descritas. Irá agora André ser ostracizado devido a essa insistência? Poderá o jogador ficar "marcado" pelo que se passou no Jamor. Espero que não, mas o risco existe.

Parece existir aqui algo de insistência em soluções que não são as melhores, de teimosia, que começa a prejudicar demasiado o clube.

É nesses momentos que o departamento de futebol tem que ter alguma capacidade de intervenção.

Neste momento, alguém teria que falar com o treinador e explicar que o Benfica precisa de ter jogadores portugueses, jogadores da formação, que não pode apostar exclusivamente em jovens estrangeiros, que há que dar oportunidades a quem as merece. Que, por outro lado, há que tomar as decisões sempre em defesa dos interesses do Benfica e não motivado por qualquer tipo de teimosia.

Por outro lado, há que parar de uma vez por todas com as constantes mexidas no departamento de formação. Entra Carraça, sai Carraça, entra Norton de Matos, sai Norton de Matos. Parece que estamos sempre a começar do zero. Para quando alguma continuidade na formação desde os escalões júniores à equipa sénior passando pela equipa B? Sem ela não poderá haver resultados.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Mais uma época. Desfecho diferente?

Está prestes a começar a pré-época 2013/14. Alguns dos reforços do Benfica já se apresentaram no centro de estágios do Seixal para fazer os testes médicos e dentro de dias começarão os treinos e depois os jogos particulares. Uma das curiosidades desta pré-época é o regresso da Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, que trará o primeiro derby, um Benfica-Sporting.

Em termos de plantel, como assinalei anteriormente, estão por definir as situações de Cardozo (que deverá mesmo sair restando perceber por quem será substituído), de Matic e da posição de defesa esquerdo. Essa será neste momento a prioridade, depois do eixo central da defesa ter sido (e bem) reforçado. Temos finalmente as situações de Gaitan e Garay por concretizar assim como a da lista de dispensas. Neste capítulo existe a boa notícia (por confirmar) de que Kardec terá sido apalavrado com o Palmeiras para um empréstimo de um ano.

A grande questão que se coloca é porém a de saber como acabará a época. Dificilmente os benfiquistas se deixarão este ano entusiasmar com o decurso da época que se avizinha, face às desilusões da que há pouco acabou. Mesmo que as coisas comecem a correr bem, o espectro da derrota nas decisões pairará até que tudo esteja definido.

Para que as coisas sejam realmente diferentes em 2013/14 há uma coisa que terá que mudar desde logo na primeira volta. Trata-se do resultado dos confrontos com o Porto. Já bati muito nesta tecla: o Benfica de Jesus, em jogos a contar para o campeonato, tem apenas uma vitória contra o Porto, obtida no primeiro jogo orientado por JJ. Foi na Luz, numa noite de chuva, com um golo de Saviola. Desde aí acumulámos derrotas e empates.

Enquanto o Benfica não fôr capaz de vencer o Porto terá muitas dificuldades em sagrar-se campeão. Isto pela simples razão de que o Porto praticamente não perde pontos nos restantes jogos - em três épocas teve apenas uma derrota! É obra! Nem o Barcelona, nem o Bayern de Munique conseguem registos deste tipo. Falsificação? Batota? É evidente!

O condicionamento dos árbitros quando o Porto actua é evidente para todos (exceptuando, talvez, os mais fanáticos adeptos portistas). Mas esse é já um dado da equação pelo que pela minha parte não contem para voltar a falar desse aspecto. Já disse muito, já identifiquei as causas. Quem quiser pode encontrar nos vários posts sobre o assunto, parte dos quais se encontram no separador "o sistema", as minhas reflexões e propostas sobre a matéria.

Para mim essa conversa acabou. Já escrevi o que tinha a escrever sobre a matéria.

Os sócios do Benfica elegem os seus dirigentes para estes zelarem pelos interesses do clube em todas as suas vertentes. Caso eles não o consigam fazer, devem assumir o falhanço e dar lugar a outros.

Esta é a postura de responsabilização que me proponho adoptar para a época que em breve se iniciará. Acabaram-se as explicações, acabaram-se as desculpas, acabou-se a tolerância para com os falhanços. Este ano o Benfica tem que ganhar o campeonato.

Crise? Greve?

Há uma crise em Portugal e na Europa mas ainda há muita gente que tem 59 euros para ir ver os Bon Jovi... Pelos vistos não lhes faz falta. Ainda bem.

Depois temos a greve "geral" do dia de hoje. A verdade é que quando saí de casa esta manhã vi tudo o que é negócio, tudo o que é estabelecimento, bem aberto. Onde me encontro neste momento tenho uma obra em pleno funcionamento. Quem normalmente trabalha hoje trabalhou na mesma. 

As greves gerais são cada vez mais greves de alguns funcionários públicos e dos transportes, que afinal de contas também são empregados do Estado. Quanto aos outros estão a trabalhar porque não têm possibilidade de fazer greves. E provavelmente também não de ir a concertos de Bon Jovi...




quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ainda não saiu ninguém...

O Benfica ainda não vendeu/colocou nenhum dos seus transferíveis/dispensados para a próxima época.

Não é muito surpreendente pois o mercado tem estado bastante parado. Veja-se como Cavani, um avançado que fez uma época sensacional e tem características únicas (velocidade, agressividade, capacidade concretizadora) continua com uma situação indefinida. De igual modo Suárez (que deseja sair) e Bale, que foi um dos melhores jogadores do mundo na época passada, continuam vinculados aos seus clubes.

Neymar e as contratações mirabolantes do Mónaco são até ao momento das poucas excepções dignas de registo a este defeso até agora muito calmo. Fala-se também de uma revolução no Chelsea, com a suposta saída de David Luiz e alguns históricos do clube, mas por agora tudo não passa de conversa de jornal.

Voltando ao Benfica, a indefinição não é boa. É óbvio que, dadas as várias contratações já asseguradas, alguns jogadores terão que sair. Lisandro López, que pelo que se vai percebendo se tratará de um jogador de valia em quem o próprio Bayern estaria interessado, não vem certamente para estar na sombra de Garay. No entanto, os jornais, designadamente "A Bola" dizem agora que o Manchester United (apontado como o destino mais que provável do argentino) talvez não vá afinal avançar.

Por outro lado Cardozo, que JJ exigiu que saísse do plantel, continua por colocar, o que também atrasa o processo da sua substituição. Apesar da qualidade de Sulejmani e Markovic, nem um nem o outro me parecem poder substituir Cardozo. O próprio Lima precisa, a meu ver, de um outro ponta de lança para render o que pode (e é muito). O Fenerbahçe, que parecia ser o futuro clube de Cardozo está fora das provas europeias, o que seguramente levará os turcos a repensarem as suas contratações e possivelmente desistir do paraguaio.

Depois temos ainda as situações de Jardel (que penso sinceramente não ter espaço neste plantel), Kardec, Rodrigo Mora e tantos outros, que importa colocar para aliviar a carga salarial e realizar algum encaixe, por pequeno que possa ser.

Em termos de portugueses, temos também Rúben Amorim, Carlos Martins e Djaló que precisam de ver as suas situações definidas.

E o que dizer de Nélson Oliveira? E Roderick Miranda?

Há portanto muito para fazer por parte da SAD. Não tenho dúvidas de que estarão a trabalhar nestes processos mas a realidade é que não existe ainda nada para mostrar. E assim a ansiedade vai crescendo, ao mesmo ritmo que as possibilidades se vão tornando mais limitadas...

terça-feira, 25 de junho de 2013

Meio campo do Benfica 2013/14

Como já assinalei anteriormente, o meio-campo do Benfica tem, ao longo dos 4 anos de comando técnico de Jorge Jesus, passado por várias versões.
A primeira versão foi a única campeã. Eis abaixo a equipa tipo desse ano.

Benfica versão 2009/10. 



Foi um modelo único e irrepetível, pois dependia muito das características e da qualidade dos intervenientes: da velocidade de David Luis, da capacidade de cobertura, pressing e ocupação dos espaços defensivos de Javi Garcia, do pulmão e dos equilíbrios gerados por Ramirez.

Este Benfica era tão forte - e tão rápido - que o jogo praticamente não se desenrolava no meio-campo. O Benfica asfixiava os adversários e estava a maior parte do tempo a atacar. As outras equipas quase se remetiam à defesa e a contra-ataques esporádicos. 

No ano seguinte, 2010/2011, saíram Ramirez e Di Maria (tal como Quim, substituído por Roberto). O esquema táctico manteve-se, mas apenas no papel pois a dinâmica era completamente diferente. As asas do Benfica campeão, Di Maria e Ramirez, tinham sido substituídas por Gaitan e Sálvio. Ora apesar destes serem bons jogadores, as características não eram as mesmas. Por um lado Gaitan, apesar de toda a sua qualidade e das suas arrancadas, não tem a velocidade de Di Maria e a capacidade de dar "esticões" como o seu compatriota. Por outro lado, Sálvio não fazia os equilíbrios defensivos que Ramirez fazia pelo que Javi Garcia começou a estar demasiado exposto, com a consequência do Benfica não conseguir ser uma equipa tão pressionante. Daí o aparecimento de César Peixoto na equipa (o que manifestamente não constituía uma solução para o grau de exigência em causa). Juntando Roberto a este quadro, estava preparada a receita para o desastre que aconteceu nos jogos em que o Benfica enfrentou adversários fortes, sobretudo fora de casa.

No ano seguinte, Jesus foi buscar Witsel, que inicialmente foi apresentado como um médio ofensivo. Muitos de nós benfiquistas pensámos que tal contratação era algo estranha, pois tínhamos já Aimar e Bruno César para o lugar, e o próprio Gaitan podia desempenhar tais funções. 

A verdade porém é que Witsel não veio propriamente substituir Aimar mas sim o esquema de jogo do Benfica, apesar de Jorge Jesus ter na altura afirmado que nada se alterara, apenas os jogadores. A realidade é que o meio-campo do Benfica passou a ter dois homens - Javi e Witsel. Com um Saviola cada vez menos produtivo, Aimar surgiu algumas vezes no apoio ao ponta de lança, Cardozo. Mas houve alguns equívocos, como Jara e, na defesa, Emerson.

Do esquema de 2009/10, que se pode classificar coma uma variante do 4-4-2 "diamante" com Javi a assumir as tarefas defensivas e Aimar as ofensivas e Ramirez a fechar no meio quando a equipa perdia a bola, passou-se a um 4-4-2 de pendor ofensivo mais convencional com os dois jogadores do corredor central a jogarem mais perto um do outro.

Esse esquema dos dois homens no meio não se alterou substancialmente com a saída dos dois titulares, já com o campeonato deste ano a decorrer. Com efeito, Javi foi substituído por Matic e Witsel por Enzo Perez. Sendo Matic mais tecnicista que Javi e Enzo mais esforçado e de maior rotação que Witsel, o Benfica teve um meio campo mais dinâmico, em que os dois jogadores se complementaram bem e alternaram nas subidas ao meio campo contrário, ao passo que no esquema anterior Javi era mais fixo e Witsel mais um médio de construção/equilíbrios.

Chegados a este ponto, estamos perante a possibilidade de Matic, face à extraordinária época que realizou, vir a sair. Por outro lado, Djuricic já está contratado, o que à partida parece apontar para um esquema mais parecido com o do primeiro ano.

Nesse esquema, Matic poderia desempenhar a função que Javi Garcia ocupou em 2009/2010 - mas Enzo não. No esquema de um playmaker atrás de dois avançados puros, é necessário um trinco. Mas mesmo essa solução, se não existir um Ramirez, será certamente insuficiente para defrontar adversários mais poderosos que nos criam outro tipo de dificuldades em termos defensivos e de ocupação do meio campo, que não se colocam quando jogamos com a maioria das equipas do nosso campeonato. 

É que o sistema de 4-4-2 diamante, que parece reunir o melhor de dois mundos (dois pontas de lança, um criativo e um meio campo de 4), para funcionar precisa de jogadores nas alas que tenham a capacidade de defender e mesmo juntar ao meio (como fazia Ramirez) quando a equipa não tem a bola, abrindo pelo contrário bem nos flancos quando a equipa ataca. Nem Sálvio, nem Ola John têm estas características em termos defensivos. Gaitan é o único dos que jogam nas alas que pode dar um pouco disso ao Benfica mas é um jogador de muitos altos e baixos.

A alternativa seria um meio campo idêntico ao deste ano (um 4-4-2 mais clássico com dois jogadores no meio) e Djuricic a fazer a ligação com o ataque, como aconteceu nalguns jogos na época 2011/2012. Mas sem Cardozo na frente, um esquema desses parece pouco acutilante em termos ofensivos... Além disso, ele recorda-nos o demasiado inofensivo modelo de Quique Flores.

Por outro lado, não parece crível que JJ venha agora adoptar um sistema diferente, por exemplo um 4-3-3, apesar deste se poder adaptar bem às características dos sérvios já contratados e dos extremos que temos (Sálvio, Ola John e Gaitan, caso continue).  Jesus não quererá no quinto ano passar a um novo modelo que implique deixar de jogar com dois pontas de lança, algo que tem sido a sua imagem de marca desde que chegou ao Benfica.

Muitas dúvidas subsistem portanto em relação à forma como o meio campo do Benfica se disporá para o ano. Uma coisa me parece porém certa: face a tanta incerteza, a presença de Matic no plantel da próxima época seria uma garantia não apenas de estabilidade como de fiabilidade e consistência. Ela permitiria várias soluções, desde um mais arriscado sistema em que apenas ele e Djuricic assegurariam o meio campo até  uma mais conservadora em que ele e Enzo manteriam os seus lugares e Djuricic poderia alternar com um dos avançados, por forma a manter o sistema de 4-4-2. Teremos que esperar para ver, mas espero que estas questões estejam já relativamente delineadas na cabeça de Jesus e que se comecem rapidamente (para além da questão do lateral esquerdo) a encontrar soluções para os diversos cenários possíveis.