sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Quem sairá até ao fim do mês?

A menos de um mês do encerramento do mercado, o Benfica já conseguiu resolver alguns casos "bicudos" (Sidney, Kardec e alguns outros) através de empréstimos (nalguns casos com contrapartidas financeiras interessantes) mas ainda não vendeu nenhum jogador.

Entretanto já entraram 11 jogadores (um deles por empréstimo).

Não há porém ainda nenhuma venda, o que para um clube que - diz-se - terá que realizar 50 milhões começa a ser preocupante.

O caso Cardozo arrasta-se  mas aparentemente estará encaminhado (aparentemente o Benfica irá vender o jogador por 12+3 milhões). Para um jogador que fez tantos golos pelo Benfica é uma verba muito pequena. Aliás o Benfica pedia inicialmente 17 milhões, verba um pouco mais consentânea com o valor do jogador.

Garay já estava "vendido" ao Manchester United desde o ano passado (era o que constava) mas por alguma razão continua a não integrar o respetivo plantel.

Depois temos o caso de Gaitan que todos os anos vai sair, pois os dois clubes de Manchester estão loucos por ele, cada um oferecendo mais do que o outro, mas que acaba sempre (felizmente) por ficar.

Agora temos o caso Sálvio. De acordo com alguma imprensa, o internacional argentino tem vários interessados, desde o Arsenal até mais recentemente ao PSG, passando pelo Manchester City e o Tottenham. Existiria, diz-se uma proposta em cima da mesa de 32 milhões de euros do PSG depois do Arsenal ter oferecido 30. 

A mim custa-me a crer (sem por em causa a grande qualidade do jogador acho valores muito elevados) mas veremos. 

Na realidade a questão do "valor" nem sequer se coloca. Um jogador "vale" o que o mercado quiser pagar. 

Veja-se o absurdo da transferência de Gareth Bale, um jogador que ainda nem querer deu provas como já tinham dado Ronaldo, Figo ou Zidane aquando das suas transferências milionárias.


A serem verdade as notícias, com a venda de Sálvio por 30 milhões, números redondos, a de Cardozo por 15 e a de Garay por 10 (por metade do passe), entrariam 55 milhões de euros na tesouraria, mais 5 do que se diz ser necessário.

Nesta medida, não seria "necessário" vender Matic.

Como diz o seu empresário, interessados existem... pudera. Trata-se de um enorme jogador. Quem não gostaria de ter Matic (e tantos outros jogadores do Benfica)? Quase nenhum clube europeu desperdiçaria a oportunidade de ter os mais talentosos jogadores do Benfica no seu plantel. É tudo uma questão de dinheiro. Nesta medida, em relação a Matic a direcção do Benfica deve ter uma e apenas uma postura: o jogador só sai pela cláusula de rescisão.

Cardozo poderá ser substituível (o tempo o dirá), Garay é um grande jogador mas creio que o Benfica ultrapassará bem a sua falta, Sálvio é um extremo de enorme qualidade, um jogador de topo mas, pelo menos para consumo interno, o Benfica conseguirá substituí-lo com os jogadores que tem no plantel. Já Matic é um jogador que não tem substituto. A sua saída obrigaria à contratação de dois jogadores. É a meu ver o único inegociável do Benfica.

PS1 - já depois de publicado este post vejo que o Porto ofereceu 1,2 milhões a Jackson Martinez para este renovar por aquele clube, aumentando a cláusula de rescisão de 40 para 60 milhões. O Porto percebe que o jogador é insubstituível e pretende não apenas colocar-se a salvo da saída do jogador por 40 milhões (que acham pouco para a sua valia) como simultaneamente dar um prémio ao jogador para que este não fique tão frustrado por não poder sair e melhorar as suas condições financeiras. Considero esta gestão do caso correcta.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A esperança para a próxima época

Já tenho neste espaço dito que a coisa mais engraçada das previsões é que muitas das vezes elas saem completamente furadas.

Olhando para as pré-épocas do Benfica e do Porto até à passada semana, poderíamos apontar para um passeio do Porto no campeonato. O Benfica, fragilizado pelo final de época passada, pela contestação a Jorge Jesus (e a Vieira), pelas muitas dúvidas referentes à forma como estão a ser geridas as contratações e vendas, a instabilidade do plantel (possíveis saídas de Sálvio e Matic, peças centrais da nossa dinâmica de jogo), o não mostrar muito nos jogos de preparação, antes pelo contrário; todos estes factores geraram alguma insegurança e descrença de muitos benfiquistas em relação à próxima época.

Já o Porto parecia uma máquina imparável, ao vencer com facilidade os jogos na América do Sul e mostrar a habitual solidez, com as contratações e regressos a parecem apostas seguras e mantendo (apesar da saída de Moutinho) bastante consistência.

Claro que a pré-época não conta para a pontuação no campeonato ou o percurso ao longo da época nas outras competições mas os sinais evidenciados eram no sentido que acabei de referir.

No entanto os últimos jogos deixaram a meu ver alguns sinais positivos para as aspirações do nosso clube.

No tocante ao nosso principal adversário, aquilo que o jogo com o Celta de Vigo mostrou é que as alterações tácticas pretendidas por Paulo Fonseca estão longe de garantir que o Porto venha a ser mais (ou sequer tão) forte do que o ano passado.

É preciso ver que Vitor Pereira, que muitos benfiquistas não se cansam de dizer que é uma nulidade, soube, goste-se ou não, manter uma grande consistência na equipa e sobreviver às perdas de Falcão e Hulk. Com certeza que com muitos favores arbitrais, isso não está em causa. Mas ainda assim, a realidade é que em dois jogos com o Benfica na época passada, sem casos de arbitragem dignos de registo, não perdeu nenhum. Como aliás não perdeu nenhum na época anterior (para o campeonato), tendo vencido um deles com um golo em claro fora de jogo. Sem esse golo é porém de admitir que o resultado fosse um empate, o que ainda assim lhe permitiria manter a invencibilidade nestes duelos tão importantes para a decisão do campeonato.

Para mim Vitor Pereira não é portanto o incompetente que tantas vezes se retrata. Pelo contrário, na minha perspectiva, foi um treinador realista que conseguiu obter um rendimento muito aceitável de uma equipa que em dois anos consecutivos perdeu a sua "principal referência atacante" como agora se gosta de dizer.

Pereira manteve um modelo que já se encontra bastante enraizado no Porto e que é talvez o modelo mais consistente (embora também mais "conservador", menos ousado e de alguma forma previsível) do futebol. O meio campo de 3 com Fernando Moutinho e Lucho entendeu-se sempre muito bem e fez jogar o resto da equipa. Com poucas soluções alternativas, chegou para a concorrência.

Ora é neste modelo tão implementado no Porto que Paulo Fonseca vem mexer. Sabe-se que o actual treinador do Porto é um admirador de Jorge Jesus e que gosta de dar uma dinâmica ofensiva às suas equipas.

No jogo contra o Celta viu-se (esta é a minha análise), um Porto a tentar conciliar o inconciliável: um modelo conservador de 4-3-3 com um modelo ousado e atacante que implica dois avançados. O resultado disto é o desmontar do triângulo (os 3) do meio campo, pois Lucho acaba por jogar no apoio ao ponta de lança demasiado longe dos outros dois jogadores. Para o compensar (e manter a consistência defensiva que é a marca do Porto desde há muitos anos), Fonseca coloca os dois médios que sobram no meio numa posição muito recuada; dois trincos para simplificar. Estes dois jogam lado a lado, o que nem sequer me parece o mais adequado às características de Fernando.

Em suma, Fonseca, ao querer implementar as suas ideias de jogo poderá contribuir para fragilizar o que por regra é o grande trunfo portistas: a sua solidez defensiva, alicerçada num meio campo que é muito dominador. Poderemos ter no Porto (oxalá assim seja) o pior de dois mundos - fragilidades defensivas resultantes da aplicação de um modelo sem escola no Porto e a habitual pouca produção ofensiva da equipa.

A saída de Jackson seria neste contexto pouco menos do que catastrófica para o Porto. Se Moutinho e James ainda poderão ser substituíveis (veremos, o futuro o dirá) já a saída de Jackson, o homem que resolveu quase todos os jogos do Porto, teria como consequência inevitável uma queda da qualidade ofensiva da equipa. Disso não tenho dúvidas.

Já quanto ao Benfica, as coisas mantêm-se, grosso modo, como no ano passado. Há mais soluções, há mais banco e existem novas opções que a versatilidade de Markovic, Djuricic e Sulejmani permitem. Há também - e esta é a grande esperança que nasce com o jogo de ontem - um novo espaço para Rodrigo se afirmar e voltar a mostrar as qualidades que evidenciou antes da sua lesão. Na esquerda mantêm-se as dúvidas (Cortez continua a ser uma incógnita), ao passo que a permanência de Matic cada vez mais me parece uma condição necessária para termos esperança numa época de sucesso. Pelo que vi ontem, talvez a saída de Cardozo possa ser colmatada com as novas nuances tácticas que os sérvios permitem - TALVEZ - mas para que a consistência continue a existir, Matic, o cimento desta equipa tem que ficar. Caso contrário voltaremos quase à estaca zero e mesmo as eventuais fragilidades que o Porto possa exibir não serão aproveitadas. 


quarta-feira, 31 de julho de 2013

(Mais) uma selvageria no Porto

Custa a crer mas é verdade: no jogo de apresentação do Porto aos seus adeptos, no estádio do dragão, os convidados, atletas e adeptos do Celta de Vigo, foram repetidamente agredidos.

Não se tratou apenas do caso de Kelvin, um miserável sem carácter que certamente um dia terá retribuição do que vem fazendo. Não se tratou sequer apenas dos empurrões e entrada em campo dos suplentes do Porto após a cena gerada por Kelvin, ou mesmo do arremesso de objectos das bancadas para o campo e o banco do Celta.

Não, não foi isso. Mesmo antes do jogo, já adeptos do Celta de Vigo eram cuspidos, assaltados, roubados, insultados, intimidados, agredidos. Vários saíram antes da partida terminar. Outros, após terem que esperar uma hora (!) no interior do Estádio, após a partida terminar, foram encurralados cá fora e agredidos.


Isto é tanto mais espantoso quanto se tratou de um jogo de apresentação, não se conhecendo nenhuma rivalidade especial entre os clubes. É tanto mais lamentável quanto foi perpetrado contra galegos, dos espanhóis aqueles que mais próximos se encontram dos portugueses, que ainda por cima se encontram ainda em luto pelo horrível acidente de comboio.

Mais uma selvageria no Porto e mais uma triste arbitragem no dragão. Como disse Nolito, tudo continua na mesma. E continuará.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Os últimos 30 anos - balanço e títulos

Com a morte de Fernando Martins, a quem aqui presto a minha homenagem de adepto benfiquista e o agradecimento pelos títulos e a obra deixada, desaparece o último Presidente do Benfica que conseguiu ser vitorioso para os padrões benfiquistas.

Numa altura em que muito se discute o balanço dos vários mandatos de Luis Filipe Vieira e na ressaca de mais um ano de desilusões, resolvi aqui deixar de forma absolutamente objectiva a relação dos títulos conquistados pelo nosso futebol sénior nos últimos 30 anos. Faço-o de forma comparativa para que cada um possa fazer a sua apreciação sobre os dados de forma informada.

É importante referir que este período de 30 anos coincide com um período em que Pinto da Costa já presidia ao FC Porto. 

Aos títulos acrescentei as presenças em finais europeias, marcos fundamentais de qualquer clube de topo. Inclui também obviamente a Taça da Liga. Apesar deste troféu só existir desde 2007/08 é um troféu oficial nacional.

Os períodos estão divididos não pelas décadas tradicionais (anos 70, 80, etc) mas por comparação com a década 2003-2013, que equivale ao período de gestão de Luis Filipe Vieira, remontando depois duas décadas para trás (83-93 e 93-2003). Poderia também incluir a década 73-83 e até 63-83. Não o fiz por considerar que a realidade futebolística portuguesa era nessa altura demasiado diferente da actual para o quadro comparativo poder ter utilidade. 

Convém igualmente, a bem do rigor, referir que na realidade Luis Filipe Vieira não cumpriu ainda 10 épocas como Presidente do Benfica, pois entrou para a presidência da direção apenas em Outubro de 2003, quando a época tinha já começado. Não obstante, fazia já parte da SAD e a sua eleição veio na continuidade do mandato de Vilarinho, no qual tinha já há algum tempo assumido um lugar de liderança pelo que incluí já essa época no seu mandato.

Aqui fica então a relação de títulos:

                      2003-13                       1993-2003                            1983-1993*

campeonatos         2005 e 2010                          94                               84, 87, 89, 91
Taça de Portugal       2004                                   96                              85, 86, 87, 93
Supertaça                  2005                                                                           85, 89
Taça da Liga        2009, 2010, 2011,2012      Não existia                      Não existia                       
Finais europeias   Liga Europa 2013                                                  Taça UEFA 1983
Final da Taça dos campeões 88 e 90


*Os períodos compreendidos (todos de 10 épocas) são os seguintes: da época 1983/84 até à época 1992/93 inclusivé, de 1993/94 a 2002/2003 e de 2003/2004 a 2012/13. Os períodos não correspondem obviamente a décadas (década de 80, década de 90, década de 2000 e de 2010) de modo a abrangerem o período de Luis Filipe Vieira por comparação aos dois períodos de 10 anos que o antecederam. 



A década 83-93 teve como Presidentes Fernando Martins, João Santos e Jorge de Brito. Este último (que teve um mandato breve) esteve precisamente no período de transição das décadas aqui analisadas, tendo começado a seguinte (93-2003), que viu serem ainda presidentes: Manuel Damásio, Vale e Azevedo e Manuel Vilarinho. Finalmente de 2003 a 2013 o Benfica teve apenas como Presidente Luis Filipe Vieira.

Nestas 3 décadas houve apenas dois presidentes que não conquistaram nenhum título: Vale e Azevedo e Manuel Vilarinho. Seguidamente, Manuel Damásio é o Presidente menos titulado com apenas uma Taça e um campeonato, este a meias com Jorge de Brito que também apenas ganhou este campeonato de 1994 a meias (saiu em Janeiro desse ano para dar lugar a Damásio) e uma Taça (1993). Brito só esteve porém como presidente pouco mais de ano e meio, ao passo que Damásio esteve quase 4 anos.

A década 93-2003 é o período mais negro da história do Benfica, iniciado com a destruição do plantel campeão por parte de Artur Jorge e as contratações de jogadores sem categoria para o Benfica a par da gestão desastrosa de Damásio, continuado com a calamidade Vale e Azevedo, a tempo interrompida pela eleição de Vilarinho e o regresso da sanidade ao clube.

Ao tempo o Benfica estava perto da falência (semelhante ao Sporting de hoje) e Vilarinho teve que fazer um trabalho de recuperação da credibilidade do clube e saneamento das contas.

Nesses 10 anos loucos, o Benfica conquistou um campeonato com a equipa deixada por Jorge de Brito e uma Taça durante o mandato de Damásio (com Mário Wilson a comandar  equipa, depois do despedimento de Artur Jorge). Depois disso foi um deserto de 10 anos.

Houve que recuperar o clube e muitos anos depois os títulos voltaram a surgir, primeiro uma Taça, depois um campeonato, depois uma taças da Liga e mais um campeonato. 

Estamos portanto perante a velha questão do copo meio cheio ou meio vazio.

Comparando com o período 83-93, em que já existia Pinto da Costa, o saldo é muitíssimo mau. São 4 campeonatos para 2 e 4 Taças para uma. Depois temos 2 supertaças contra uma do actual presidente e 4 taças da Liga conquistadas no presente mandato. O balanço (um campeonato por cada 5 anos e uma taça em 10 anos) não é aceitável, tanto mais que neste período se acentuou algo que (em toda a história do futebol português) só tem paralelo no pico do período negro do Benfica de Damásio e Vale: a absoluta hegemonia do Porto.

Nestes últimos 10 anos, o Porto conquistou mesmo algo inédito: 8 campeonatos. Hegemonia absoluta.

Do outro lado, em relação ao copo meio cheio, temos aqueles que assinalam que clube foi recuperado, que o Benfica vem subindo degraus competitivos e que depois de uma seca de títulos voltou a conquistar campeonatos. Assinalam (bem) que o Benfica voltou a ter boas prestações na Europa, algo que há muito não acontecia.

Para mim, percebendo este argumento, o balanço começa a ser demasiado escasso. Vamos neste momento em 3 anos de seca em termos de títulos maiores. O ano passado as coisas pareciam de novo encaminhar-se mas tudo se esfumou em poucas semanas. Não, estar "nas finais" não chega para um clube como o Benfica. Para o Belenenses ou o Braga isso poderão ser feitos, para o Benfica deve ser a regra. Isso tem que ser dito claramente ao treinador que não pode eximir-se às responsabilidades pelos insucessos da equipa.

A partir deste ano penso que há que assumir com toda a clareza: o copo neste momento está vazio, ou não comparasse este período de muito perto com os anos negros Damásio/Vale e Azevedo (apenas mais um campeonato e uma supertaça). Veremos como está no fim da época. Azar, arbitragens e 92 minutos não servirão mais de justificações. Menos ainda nos poderão apresentar como eventuais causas de insucesso carências ou insuficiências no plantel quando todos os dias se contratam novos extremos.