quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Demasiado previsível - eu avisei...

Estamos só no início de Outubro e Jorge Jesus já está por um fio.
Era previsível, demasiado previsível.

TUDO foi feito de forma errada - tudo! E o principal culpado é Luis Filipe Vieira.

Eu não digo que Vieira seja culpado por ser negligente. Eu creio que ele faz o melhor que sabe. 

Simplesmente é incapaz de, no actual contexto, que todos reconhecemos ser de grande adversidade e de controlo do futebol (e não só) por parte do Porto, inverter as coisas.

Os erros são demasiados e demasiado óbvios. Eu venho alertando aqui há MESES para eles.

1. Renovação de Jorge Jesus

Que sentido teve aquela telenovela?

A renovação de Jorge Jesus, se era para consumar, tinha que se materializar LOGO APÓS O JOGO COM O ESTORIL. PARA dar força ao treinador e estabilidade ao grupo de trabalho. IMEDIATAMENTE ANTES DA IDA AO DRAGÃO.

Assim não foi.

Como se não bastasse, após a derrota com o Chelsea e antes da disputa da terceira final, a do Jamor, Vieira veio dizer que a continuidade de Jorge estava assegurada e não dependia dos resultados. Como???

2. Final do Jamor

Era ABSOLUTAMENTE IMPERATIVO VENCER ESSE JOGO. Escrevi aqui, com todas as letras, QUE NÃO VENCER UM GUIMARÃES DE TERCEIRA CATEGORIA TERIA QUE TER CONSEQUÊNCIAS. Alguém teria que assumir as suas responsabilidades. Jorge Jesus deixaria de ter condições para continuar ou, pelo menos, teriam que se verificar mudanças radicais e estruturais no futebol do Benfica. Lamento dizê-lo mas o Porto NUNCA perderia uma final daquelas. NUNCA. É por estas e outras que o Porto já é o clube com mais troféus do futebol nacional e o Benfica não venceu praticamente nada nos últimos 20 anos. 

3. Pré-época.

Adverti que o descalabro era certo se se continuasse a verificar um padrão de desresponsabilização, falta de estratégia e bazófia.

Depois de perder tudo, os poderes de Jorge Jesus foram reforçados e os disparates continuaram a sai-lhe da boca para fora. Deu entrevistas a dizer que tínhamos feito uma grande época, falou de hegemonia... Como se não bastasse, há dias Vieira veio falar na conquista da Liga dos Campeões...

Adverti em tempo que se deveria reforçar pontualmente a equipa nos sectores carentes (meio campo e defesa) e manter a solidez do plantel nas outras posições. O que se fez? Contrataram-se jogadores às dúzias, criando problemas onde não existiam (com excesso de jogadores para as posições atacantes, levando à desmotivação de todos por não jogarem os minutos que ambicionavam e à falta de rotinas) e mantiveram-se os problemas: lateral esquerda e meio-campo defensivo. Nos últimos dias do mercado foram-se buscar os jogadores de que realmente precisávamos (Fedja e Siqueira) que naturalmente não tiveram tempo suficiente para se integrarem. É o 3º ano seguido em que esta política de contratação perfeitamente demencial se verifica.

4. Caso Cardozo

Inacreditável. Nem merece muitos comentários. Integrado à força à última da hora, depois de um caricato remake do programa "Perdoa-me", versão BenficaTV, os resultados estão à vista.


Ao fim de tantos anos, o padrão está visto, como disse antes. LFV já não tem mais para dar ao Benfica. A única hipótese que ele tem de fazer o Benfica campeão novamente é os nossos adversários serem muito fracos, andarem muito, mas mesmo muito, para trás.

A 5 de Agosto escrevi aqui que ou alguém punha ordem no Benfica ou o descalabro era certo. Neste momento a equação é outra: ou aparece um grupo de benfiquistas responsáveis, liderado por uma figura credível, respeitável e capaz de liderar o clube, que se constitua como alternativa e rapidamente tome conta dos destinos do Benfica, ou arriscamo-nos a voltar aos piores tempos de instabilidade e desgoverno, com o monstro do gigantesco passivo a pesar como um cutelo sobre o Benfica, à semelhança da situação do Sporting.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Um campeonato realmente emotivo

Não falo obviamente do "nosso", onde se dúvidas houvesse à partida, o nosso Benfica se encarregou de as dissipar com a perda de pontos a resultar num atraso que deverá ser já irrecuperável. Este Benfica, como em devido tempo previ, não tem rumo. Mais recentemente tem mostrado que para além disso tem muito pouco futebol e quase nenhuma inteligência. Aliando tal facto indesmentível a um outro igualmente irrefutável - arbitragens tendenciosas - fica tudo resolvido muito cedo. Pelo menos poupam-nos a todos à angústia e sofrimento da época passada, o que já passa por ser uma coisa boa. Insisto: em devido tempo alertei para o que se está a passar, que será surpresa apenas para os mais desatentos ou mais crédulos.

Viro-me assim para outras ligas bem mais interessantes, onde o futebol continua a ser imprevisível e onde são os jogadores (e não os árbitros) quem resolve as partidas. Ainda por cima com transmissão na BenficaTV. Sendo o Benfica hoje um negócio (em detrimento de um projecto desportivo) a compra dos direitos da Liga Inglesa foi a melhor decisão que se podia tomar. Aliás, caso não fosse isso, cancelaria desde já a minha subscrição do canal porque para ver exibições como a de sábado não justificaria o dinheiro. 

Em Inglaterra o campeonato está a ter inúmeras surpresas, que permitem ao Chelsea de Mourinho manter-se na corrida apesar dos desaires pouco previsíveis.

O Arsenal está na frente o que é uma boa notícia para quem gosta de futebol de ataque. Esperemos que consiga manter este nível e a crença nas suas capacidades porque futebol tem e o seu treinador apesar de uma série de más épocas já provou poder ser vencedor.

O Liverpool tem mostrado uma maior competitividade face às épocas passadas, muito por força das exibições de Sturridge (um ex-Chelsea). Caso Suarez consiga manter o nível que mostrou no último jogo (dois golos) e exibir a classe que indiscutivelmente possui, o Liverpool poderá constituir-se como um candidato aos primeiros lugares, o que seria uma excelente notícia para o futebol inglês.

O Manchester United tem sido a maior desilusão do campeonato. Sem grandes mudanças no plantel e com a inclusão de Felaini, um jogador que acrescenta qualidade, esperava-se muito mais, apesar de ninguém ignorar que a saída de Fergusson poderia ter efeitos muito negativos. Com efeito, David Moyes não está a conseguir de modo nenhum incutir as suas ideias nos jogadores. O Manchester não tem o domínio dos jogos, é demasiado vulnerável a defender (Ferdinand parece-me já não ter condições para continuar a ser titular) e pouco acutilante no ataque. Algo terá que mudar rapidamente sob pena da equipa se atrasar irremediavelmente na luta pelo título.


Já o Manchester City depois de um começo positivo e uma vitória concludente sobre o seu rival vizinho, voltou a perder inesperadamente e a dar um passo atrás. Veremos o que trarão as próximas jornadas: se uma equipa a entrar nos eixos se uma continuada irregularidade que mina a candidatura ao título.


Temos depois o outsider Tottenham de Villas-Boas que vem mostrando, ao contrário do caso acima citado, regularidade e consistência. A equipa parece bastante equilibrada e com muito boas soluções em todos os sectores. Ao 3º ano, Villas-Boas parece estar a acertar nas escolhas. Poderá faltar porém alguma capacidade quando as coisas começarem a apertar. Na jornada passada, entrou muito bem contra o Chelsea e conseguiu estar em vantagem. No entanto deixou-se empatar, o que não parecendo um mau resultado poderá revelar-se como tal mais para a frente: estes bons momentos de forma têm que ser capitalizados, sob pena de se começar a "perder gás" prematuramente.

Finalmente temos o Chelsea de Mourinho sob o qual escrevi há dias, prevendo que teria pouco sucesso. No entanto face aos resultados pouco convincentes dos dois manchesters, tudo se torna possível, até porque não sabemos se os bons momentos de forma de Arsenal, Liverpool e Tottenham são para manter, dada a pouca consistências destas equipas nos anos anteriores. Neste momento, entre os candidatos "crónicos" dos últimos anos, a verdade é que é o Chelsea quem leva vantagem, o que não deixa de ser muito positivo para Mourinho, até porque a sua equipa já perdeu pontos pouco previsíveis. Se há coisa que Mourinho pode garantir (juntamente com a base sólida de jogadores experientes e de qualidade que possui, como Lampard, David Luis, Torres, Ramirez, Mata, Terry) é um certo patamar de consistência. Dificilmente se assistirá no clube que orienta a uma débacle ou estado de desnorte que leve à perda consecutiva de muitos pontos. Assim, num campeonato em que os candidatos perdem muitos pontos, o Chelsea tem renovadas possibilidades de vencer. As próximas 4 ou 5 jornadas ajudarão muito a definir o quadro competitivo e permitirão fazer novas projeções.