sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Das arbitragens - pela ÚLTIMA VEZ

Entendamo-nos de uma vez por todas: as arbitragens protegem o Porto a um nível quase inacreditável e uma parte muito considerável dos seus sucessos deve-se à adulteração da verdade desportiva por parte dos árbitros. Mais: muitos dos árbitros actuam desta forma de uma maneira consciente, deliberada. Quem quiser ver as coisas objectivamente não pode deixar de reconhecer que é assim.

Num campeonato, o Porto é objectivamente prejudicado em 1, 2 jogos no máximo. E é beneficiado em talvez dois terços dos jogos restantes. 

É RARÍSSIMO (acontece nos tais um ou dois jogos por época) o Porto ter uma expulsão ou um penalty contra quando um jogo está empatado ou o Porto vence por uma bola. É QUASE UMA IMPOSSIBILIDADE ESTATÍSTICA. E isto apesar de se saber que os jogadores do Porto usam de uma agressividade muito acima da média!


Já O CONTRÁRIO - O PORTO SER BENEFICIADO QUENDO UM JOGO ESTÁ EM ABERTO - ACONTECE INÚMERAS VEZES. Diria mais: ACONTECE EM GRANDE PARTE (SE NÃO A MAIORIA) DOS JOGOS EM QUE O PORTO ESTÁ A TER DIFICULDADES NO JOGO.


Esta realidade é absolutamente indesmentível por quem é intelectualmente honesto. Claro que é muito difícil ou quase impossível levar um adepto do Porto a admiti-lo. Ninguém pode viver numa contradição interior tamanha: festejar títulos (e são muitos de facto) e ao mesmo tempo sentir-se "culpado" pela forma como eles são alcançados. A psicologia explica os mecanismos através dos quais as pessoas resolvem isto. Há uma negação, um bloqueio mental que entra em acção quando o Porto é beneficiado. É como se os seus adeptos não vissem estes benefícios - mas não vissem MESMO. De certa forma podemos até dizer que não o vêm. Por outro lado, os adeptos do Porto são muito fanáticos, o que agudiza este estado de coisas e - é importante sublinhá-lo - muitos deles nem são grandes amantes de futebol. Isto pode parecer uma coisa estranha, mas existem muitos portistas que vivem o futebol não tanto pelo jogo mas pela alegria e orgulho que as vitórias lhes propiciam. O futebol é de certo modo um instrumento do amor à sua cidade (que muitos chamam bairrismo) e não algo que se aprecie por si mesmo. Há muito fanatismo mas não há tanta paixão como a que existe entre os adeptos do Sporting ou do Benfica. Se o Porto começasse a perder, o seu estádio rapidamente se esvaziaria e uma parte considerável dos seus adeptos afastar-se-ia rapidamente do futebol. Disso não tenho a menor dúvida.

Passemos ao Benfica.

É um lugar comum dizer que os grandes são beneficiados. A verdade porém é que, ainda que o Benfica possa ser aqui ou ali beneficiado (estou-me a reportar ao período dos últimos 25 a 30 anos), é muito mais flagrante e frequentemente prejudicado. Existem blogs que o demonstram de forma objectiva (influência arbitral) e eu não farei aqui toda uma enumeração de jogos que sustentam o que digo. Aliás se o leitor quiser clicar no separador acima, relativo ao sistema, encontrará muitos casos ABSOLUTAMENTE ESCANDALOSOS em que as arbitragens, DELIBERADAMENTE, não tenho o menor pejo em afirmá-lo, prejudicaram o Benfica. A razão pela qual isto não é mais consensual na sociedade portuguesa e no meio futebolístico em geral, é porque os comentadores por regra se refugiam em lugares comuns como "os grandes são geralmente beneficiados", "no final do campeonato os prejuízos e benefícios equilibram-se", "quem ganha é porque foi melhor" e outros do género que lhes permitem fazer análises pseudo-doutorais mas que não têm qualquer correspondência com a realidade. 

Foi o Benfica beneficiado por algumas arbitragens nos últimos anos? Certamente, mas foi muito mais prejudicado, SOBRETUDO se compararmos com o que se passa com o Porto, que é o seu adversário directo. No tocante a jogos entre os dois, então, o balanço é ainda mais desequilibrado. Em jogos nas antas é rara a vez em que o Benfica não tenha um penalty ou uma expulsão contra, sendo a inversa completamente falsa. Pelo contrário, o Porto já "conseguiu" muitas vezes ser beneficiado na Luz e capitalizar esses benefícios em resultados que iam ao encontro das suas necessidades. 

As explicações para isto são múltiplas e também já abordei esse assunto, tendo-o até, creio, explicado em larga medida. Há razões para que as coisas sejam assim. Desse conjunto de factores resulta essa coisa a que chamo (em conjunto com muita gente) sistema. Direi apenas agora que praticamente NENHUM árbitro QUER FICAR ASSOCIADO A UM MAU RESULTADO DO PORTO. É um peso muito grande, que pode significar uma carreira mais curta, certamente de menor projeção e quase de certeza afastado dos jogos internacionais (onde os árbitros ganham mais dinheiro por apitar).

Proença, um mestre a gerir a sua carreira, é um dos que melhor percebe como as coisas funcionam e é por isso que faz o que faz, não apenas com impunidade mas mesmo com aplauso quase generalizado.

Mas aqui chegamos ao ponto principal, que constitui a razão pela qual eu há tempos disse que não aceitava mais desculpabilizações das derrotas do Benfica com base em "erros" dos árbitros.

O BENFICA NÃO PODE CONTINUAR A ACTUAR COMO UM COITADINHO. O Benfica é o maior clube português em termos de adeptos e sócios e tem capacidade para mudar o estado de coisas. Tem é que actuar de forma inteligente e veemente para conseguir resultados. Não é com apoios a Fernando Gomes e convites a Proença para ir ao Seixal dar explicações que o conseguirá. 

Não me peçam para vir aqui dar receitas. Já escrevi muito sobre o assunto e apontei coisas que era imperativo fazer. A errância e a falta de inteligência numa matéria tão estratégica são porém fatais perante um quadro tão adverso quanto o que enfrentamos. Não faz portanto qualquer sentido nós (blogs e adeptos) falarmos, berrarmos e chorarmos com a arbitragem quando a nossa direção nada faz que verdadeiramente se veja, parecendo aceitar o actual estado de coisas. 

A direcção do Benfica não pode comportar-se como se estivesse atada de pés e mãos e nada pudesse fazer. Tem que estar em cima dos acontecimentos, tem que saber quem são os observadores, que notas têm os árbitros que nos prejudicam com erros grosseiros, tem que requerer os relatórios, tem, enfim, que fazer MUITO MAS MUITO MAIS para defender os interesses do Benfica. Não pode estar de bem com Fernando Gomes e convidá-lo para ir a Paris quando as coisas são o que são.

Não se verificando isto, eu assumo que não falo de arbitragens.

Finalmente há outra coisa que os adeptos devem ponderar: o Benfica não pode estar à mercê de uma decisão arbitral desfavorável, não pode perder dois pontos em casa com o Belenenses apenas por o árbitro ter validado um golo ilegal ao nosso adversário. O Benfica teve tempo (e tinha mais do que obrigação) para ainda assim ter ganho esse jogo. A mentalidade dos coitadinhos é uma coisa que tem que ser completamente erradicada do Benfica! 

A terminar deixo uma pergunta: quando será que a nossa equipa entrará em campo mais motivada e determinada do que o Porto? É que eles, protegidos, têm que inventar inimigos imaginários para se motivar, ao passo que nós, prejudicados, temos razões reais para transformar a indignação em vontade de vencer...


A BenficaTV vale (mesmo) a pena

Habitei-me há muitos anos, por vicissitudes várias que para aqui não interessam, a assistir na TV a jogos da Liga Inglesa.

Depois da perda de qualidade da Liga Italiana, o calcio, as Ligas Espanhola e Inglesa tornaram-se as mais apelativas. O que se passou em Itália foi que as tácticas super-defensivas tornaram o futebol demasiado calculista e aborrecido. Em Inglaterra e em Espanha aconteceu o contrário: o futebol atacante começou-se a impor e os jogos tornaram-se cada vez mais entusiasmantes. O espectáculo começou a ganhar e estas ligas começaram a atrair mais receitas, conseguindo assim contratar os melhores jogadores que aos poucos de Itália se mudaram para Inglaterra e Espanha. Há uns 15/20 anos atrás o sonho de qualquer grande jogador era Itália. De facto, as principais estrelas do futebol mundial jogavam no calcio: os melhores holandeses, os melhores alemães, os melhores sul-americanos brilhavam nas equipas de topo, sobretudo o Inter, o Milan, a Juventus e o Nápoles. 

Hoje claro que não é assim. De Itália o domínio do futebol passou para Espanha, depois para Espanha e Inglaterra e neste momento, a meu ver para Inglaterra. Espanha tem duas das três melhores equipas mundiais (Barcelona e Real Madrid, à qual se juntam os bávaros do Bayern) mas a melhor Liga é a Inglesa. Isto porque em Espanha a disputa do campeonato (e da Liga dos Campeões) se limita àqueles dois, não tendo as outras equipas quaisquer hipóteses de competir ao mesmo nível, ao passo que em Inglaterra existem várias equipas de nível semelhante: Manchester United, Chelsea, Arsenal, Manchester City. 

Devido à espectacularidade do seu futebol, Inglaterra conseguiu atrair grandes receitas e com isso milionários que para lá levaram as principais estrelas.

Ronaldo não está mas esteve muitos anos, Messi nunca esteve e provavelmente nunca estará (os dois melhores do mundo em dois dos três melhores clubes mundiais), mas a "concentração" de estrelas na Premier League é enorme. United, City e Chelsea são obviamente os principais detentores destas vedetas, mas o próprio Arsenal, o Liverpool e até o Tottenham ou equipas menores como o Newcastle têm jogadores que, por exemplo, o Benfica, equipa média do futebol mundial, não poderia comportar em termos financeiros. 

Assim, Inglaterra acaba por ter a maioria dos clubes que compõem a élite do futebol mundial sendo o nível médio elevadíssimo. Acresce que em Inglaterra os estádios estão sempre cheios e o ambiente é frenético, o que confere uma enorme espectacularidade à Liga inglesa. 

Dito isto, a BenficaTV é um excelente negócio para quem a subscreve. Afirmo-o com toda a objectividade possível.

Para além dos jogos do Benfica em casa (que, confesso, não são o que mais me atrai neste momento) e da Liga Inglesa, a BenficaTV oferece aos subscritores o Brasileirão (que tem alguns bons jogos), a Liga grega (que, quando não há nada melhor para ver, também tem algum interesse), a MLS (EUA) e ainda as modalidades. Isto para além de outros programas, de debates e história do Benfica que são por vezes também interessantes. Acresce que a Liga Inglesa é transmitida em HD, o que eleva a qualidade da transmissão a um outro patamar, e que o nível da narração e dos comentários é bastante razoável. 

Por 10 euros, ter a melhor Liga do mundo e os outros produtos televisivos referidos é a meu ver um dos melhores negócios que o adepto de desporto e o benfiquista em particular pode alguma vez conseguir. Recomendo vivamente a quem ainda não tem.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Benfica precisa de seriedade e serenidade

Duas coisas que há muito não existem no clube.

Mozer, um dos últimos verdadeiros campeões que passou pelo Benfica, esteve ontem na Bola TV e teceu algumas considerações extremamente certeiras.

Mozer foi um central de eleição: rápido, excelente no desarme e quase imbatível no jogo aéreo, o brasileiro era um central que oferecia uma enorme segurança à equipa. Para além disso, Mozer impunha respeito dentro do campo: com ele ninguém brincava.

Uma das coisas que Mozer disse ontem foi que o que sobra hoje no Benfica em verborreia (somos os melhores, somos os que jogamos mais), falta depois em: disciplina e rigor, segurança no jogo, resultados.

Olhemos objectivamente para os últimos anos do Benfica e reflitamos: esta equipa do Benfica dá-nos segurança? Para mim a resposta é óbvia.

O Benfica pode até ter entusiasmado (e entusiasmou de facto, com muitos golos e espectáculo) no último ano em que foi campeão (2010). Mas nunca demonstrou ser uma equipa verdadeiramente sólida, que oferecesse segurança. O Benfica jogava numa vertigem quase louca, que a velocidade de Di Maria e Coentrão, as tabelinhas de Aimar e Saviola, o fulgor e a presença de Javi Garcia, o pulmão de Ramirez e a efusividade de David Luiz permitiam. Mas era uma equipa que parecia sempre no fio da navalha, que não descansava os adeptos. Mesmo a ganhar por 2-0 temíamos sempre que o jogo se pudesse complicar. 

A melhor demonstração de que mesmo esse melhor Benfica de JJ era pouco confiável em termos de controle de jogo e capacidade defensiva veio nos jogos mais difíceis, nomeadamente em Anfield Road (em que perdemos 4-1), em Braga (onde perdemos 2-0) e nas antas, em que perdemos por 3-1 quando jogámos grande parte da segunda metade do jogo contra apenas 10. E, recorde-se, o treinador do Porto era Jesualdo que não se tornou famoso pela sua ousadia...

Mesmo então, o Benfica sofria golos desnecessários. Na primeira jornada foi uma aflição para empatar com em casa o Marítimo, como mais à frente no campeonato o foi para empatar em Olhão. Contra a Naval (para além do jogo em casa em que vencemos com um golo aos 90 minutos) no jogo da segunda volta aos 12 minutos o Benfica perdia por 0-2. Teve depois a enorme capacidade de dar a volta e vencer por 4-2. 

A qualidade existia, isso é indesmentível. Agora mesmo nessa altura o Benfica não demonstrava aquela segurança, aquela confiança das equipas campeãs, que ganham com regularidade e naturalidade.

E nos anos seguintes, com menos qualidade devido à saída de jogadores fundamentais, os problemas agravaram-se e a insegurança aumentou. Em 2010/11 iniciou-se a época a perder a supertaça para o Porto, o campeonato a perder em casa com a Académica e levou-se 5 no porto para acabar logo com as dúvidas sobre o campeão ainda na primeira volta. Mas, por incrível que pareça, o pior ainda estava para vir. Num prenúncio do que se passou esta época, em poucas semanas o Benfica: permitiu que o Porto vencesse e assim conquistasse o título no Estádio da Luz (com a agravante de ter assim permitido que o Porto fosse campeão invicto - feito que nos pertencia - nessa época); perdeu a possibilidade de estar na final da Liga Europa, sendo eliminado nas meias finais pelo Braga; perdeu a possibilidade de estar no Jamor, depois de ter vencido 2-0 nas antas, perdendo 3-1 em casa contra o Porto também nas meias-finais! Foi a época em que estivemos nas meias-finais...

Depois perderam-se mais dois campeonatos, desperdiçando avanços de 5 e 4 pontos de avanço a que acresce tudo o que de mais se passou no ano passado. 

A verdade porém é que este Benfica, mesmo quando parecia lançado para ganhar tudo, não inspirava muita confiança. Essa é a realidade. Nós apoiávamos, "acreditávamos" e tudo mais - mas estávamos sempre, como se costuma dizer, com o credo na boca. Temíamos que a qualquer momento a equipa vacilasse. Ainda por cima sabendo-se do papel das arbitragens em Portugal, que é o de "equilibrar" as coisas quando o Benfica está muito forte e prejudicar objectivamente a nossa equipa quando damos qualquer sinal de fragilidade. 

O Benfica de JJ tem sido mais forte do que o do passado imediatamente anterior (isso é indiscutível) mas não está ao nível do Benfica campeão que impunha respeito em todos os campos do País pela categoria e postura dos seus atletas e dirigentes. 

A este Benfica faltam várias coisas, nomeadamente disciplina, como Mozer referiu, rigor, seriedade e serenidade. Não duvido que se trabalhe e que se faça o melhor que se sabe, mas sem confiança (que não se pode confundir com arrogância, vaidade ou soberba), sem seriedade e sem serenidade, não se conseguem os resultados pretendidos. 

O Benfica continua a não olhar para os seus erros e insuficiências, quanto mais a corrigir seja o que for. O Benfica de hoje não é é sério ao reconhecer as suas próprias limitações e corrigir o que está mal, preferindo fugas para a frente constantes, numa vertigem de contratações, de mudanças, de ziguezagues na sua postura e na sua estratégia, que não permitem a estabilidade que se diz pretender. As pessoas até se podem (no caso de Vieira e Jesus) manter há vários anos mas por diferentes razões está-se sempre a começar quase do zero.

Aquilo que hoje sobeja em promessas vãs e auto elogios, escasseia em resultados. E não vejo modo destes protagonistas alterarem o corrente estado de coisas. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Premier League, dia 7 - boa semana para Chelsea



O Chelsea venceu um jogo que esteve muito complicado e ganhou pontos ao Tottenham e ao Arsenal, tendo subido 3 posições na tabela. A equipa de Villas-Boas foi goleada (0-3) em casa pelo West Ham do experiente técnico Sam Allardyce (também conhecido como "Big Sam") e o Arsenal deixou-se empatar no terreno do WBA, assim quebrando um ciclo de 8 vitórias consecutivas em jogos fora. O Liverpool venceu com autoridade o Crystal Palace e os dois Manchesters também venceram, depois de terem estado a perder. O Tottenham acaba assim por ser o grande penalizado da jornada, tanto mais que jogava em casa e, em caso de vitória, estaria agora em 1º lugar, juntamente com Arsenal e Liverpool.

A equipa de Mourinho foi a grande beneficiada da jornada e está de novo com a liderança à vista. Num jogo em que entrou muito bem e podia ter resolvido ainda na primeira parte, contra um adversário relativamente fraco que faz da alma e do futebol simples, rápido e directo os seus principais argumentos, o Chelsea viu-se em apuros inesperados quando, já bem dentro da segunda parte, o Norwich empatou.

Chegou-se a temer o pior para a equipa londrina, tanto mais que a equipa da casa, fortemente apoiada pelo seu público, cresceu e se tornou cada vez mais ameaçadora. O Chelsea estava ademais "proibido" de perder pontos, face às vitórias de sábado de Liverpool, United e City. A estrela de Mourinho voltou porém a brilhar: sem desesperar, o manager do Chelsea tirou Demba Ba, que até fizera uma boa partida como único avançado fixo, para colocar em campo Etoo, lançando depois Hazard e o brasileiro William. Estes dois últimos viriam, num minuto, a fazer 2 golos. Primeiro foi Hazard, num mortal contra-ataque resultante de um canto favorável ao Norwich, a marcar, num autêntico frango do guarda-redes opositor. Bola ao centro e de imediato novo golo do Chelsea, desta vez num grande remate de William. Em momentos de dificuldade, o treinador português realmente não se desconjunta e as suas opções acabaram por resolver a partida. Esta vitória foi muitíssimo importante e certamente dará muita moral à equipa. Grande jogo de Ramirez e David Luiz. Este último, estar envolvido na jogada do golo do Norwich, deu imensa alma e força à sua equipa, ao passo que Ramirez deu a sua habitual força ao meio-campo londrino, a jogar no meio, atrás e à frente.

O Liverpool, jogando antes, resolveu rapidamente o seu jogo, através de excelentes combinações no ataque, com a qualidade de Suárez, Sturridge e Moses a sobressair. Com um interessante esquema de 3 defesas, a equipa dominou completamente o meio campo e os seus avançados fizeram o resto. Aos 17 minutos o resultado era já de 2-0 (Suárez e Sturridge) e aos 38 de 3-0 (Gerrard, de penalty). Depois disso a equipa desacelerou e o Palace acabaria por chegar ao golo de honra num cabeceamento resultante de uma bola parada. Vitória sem contestação e o melhor arranque de campeonato do Liverpool nos últimos anos. Caso a equipa consiga manter-se consistente e confiante poderá ser um caso sério.

Quanto aos Manchesters tiveram jogos diferentes, apesar de ambos terem começado a perder. A jogar em casa, o City sofreu um golo cedo do Everton, que iniciou a jornada na 4ª posição e sem derrotas, à frente do seu adversário na partida. No entanto o City dominou  a partida e chegou à vitória (3-1) sem surpresa, depois de ter dado a volta ao marcador ainda na primeira parte. Já o United venceu o lanterna vermelha num jogo que esteve bastante difícil e que foi desbloqueado por Januzaj, belga de origem kosavar de apenas 18 anos que ameaça vir a ser a nova estrela da equipa. Não apenas pelos golos mas pelo seu futebol de grande classe e maturidade, o jovem jogador foi a figura da partida e salvou para já um Moyes em grandes dificuldades para dar dinâmica à sua equipa. É preciso ver que o United continua a contar com jogadores de imensa classe, como Van Persie, Rooney, Nani e Evra, entre tantos outros, pelo que, apesar do impacto da saída de Ferguson, se esperaria bem mais da equipa. Apesar da vitória, o United continua a 6 pontos da liderança e caso a equipa não melhore substancialmente perderá certamente muitos mais pontos.

Quanto ao Arsenal, empatou no terreno do West Bromich Albion, num empate que se ajusta ao que se passou, embora a equipa da casa (que marcou primeiro) pudesse ter feito o 2-0 e quase resolver a partida no início da 2ª parte. O WBA venceu na passada semana o United em Anfield, pelo que já demonstrou ser uma equipa difícil de defrontar. Wenger estava satisfeito pelo resultado e por se manter na liderança, agora em igualdade pontual com o Liverpool.

Em resumo, foi uma excelente jornada para o Chelsea. Venceu fora um jogo difícil e viu o Arsenal perder pontos, beneficiando ainda das derrotas do Everton e do Tottenham para subir na classificação e estar agora com a liderança à vista. Também o City teve uma boa jornada, derrotando o Everton de Martinez e aproximando-se do topo. Para o Tottenham a desilusão foi completa. Perder 0-3 em casa contra uma equipa que tinha vencido apenas na primeira jornada e depois acumulara 2 empates e 3 derrotas nos jogos seguintes, é no mínimo surpreendente. É verdade que a equipa não foi feliz e que os dois primeiros golos do West Ham foram pelo contrário um pouco de sorte mas isso não explica tudo. Sofrer 3 golos em 12 minutos (entre os 66 e os 78 minutos) não pode deixar de fazer pensar Villas-Boas. Mais uma vez se demonstra que os exageros da imprensa portuguesa em relação à alegada excelência do trabalho do treinador português não se justificam.

A Premier League interrompe-se agora um fim de semana, tal como todas as outras ligas europeias, para os compromissos das selecções. Quando voltar, a 19, teremos uma jornada em que o principal jogo é o Newcastle-Liverpool. Para os "reds" será um bom teste, num terreno habitualmente difícil. Para manter o bom momento e começar a acreditar que poderá ser possível manter-se no topo da classificação, o Liverpool deverá vencer esta partida. Quanto aos outros candidatos, têm jogos relativamente fáceis: o Arsenal recebe o Norwich, o Chelsea o Cardiff e o United o Southampton, ao passo que o City vai ao terreno do West Ham. O Everton recebe o Hull City e o Tottenham vai ao sempre difícil estádio do Aston Villa. Everton e Spurs terão que ganhar para não perderem o comboio da frente.