quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Altura certa para lançar Ivan

Ivan Cavaleiro está a mostrar ter não apenas qualidade mas mentalidade competitiva para ser jogador do Benfica.
Se há coisa que podemos aprender com o Sporting é que a aposta em jogadores jovens portugueses da formação dá resultados.
Com a lesão de Sálvio abriu-se um espaço na direita do ataque que permite a meu ver que se deem oportunidades a jogadores como Ivan. É um jogador trabalhador, com recursos técnicos, com espírito colectivo e sentido de baliza.
Jorge Jesus precisa de dar sangue novo a uma equipa que parece amorfa, apática. Cavaleiro é o tipo de jogador que, como se costuma dizer, mexe com o jogo. É jovem, é fisicamente bem dotado, tem recursos técnicos e irreverência.
O jogo da Taça é uma excelente oportunidade para o lançar.
De igual modo gostaria de ver Steven Vitória em acção. Luisão não vai para novo e o luso-canadiano precisa de começar a ter minutos na equipa principal para um dia se poder impor.
O Benfica precisa de ter uma identidade mais definida para poder ter um modelo de jogo minimamente estável e isso não se conseguirá fazer sem uma base de jogadores portugueses. A chegada de André Almeida à seleção é uma boa notícia, importando capitalizar este momento.
Quem conhece melhor os escalões jovens do Benfica afirma que para além de Ivan e de João Cancelo, existem outros jovens com capacidade de afirmação ao mais alto nível.
Está na hora de JJ assumir a aposta que o clube diz estar a fazer na formação. Aproveite a qualidade que lhe é oferecida pela equipa B e aposte nestes jogadores. Há alguma razão para o não fazer? Estamos à espera de quê? Temos medo de quê?
Não está a aposta o Sporting nos seus jovens a dar bons resultados? Não é Josué titular do Porto, tendo já chegado à seleção?
Pela minha parte estou seguro: esta fornada de jovens não deixará ficar mal o Benfica. Assim lhes sejam dadas as oportunidades que eles merecem e o espaço de crescimento de que precisam.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Portugal e o caminho para o Brasil

As equipas já classificadas para o Mundial de 2014 são as seguintes 21.


Bélgica (Europa)
Inglaterra
Itália
Alemanha
Suíça
Bósnia
Espanha
Holanda
Rússia
EUA (América do Norte e Central)
Costa Rica
Honduras
Brasil (América do Sul)
Colômbia
Argentina
Chile
Equador
Austrália (Ásia)
Japão
Irão
Coreia do Sul

Existem 11 vagas em aberto, 5 para África, 4 para Europa e 2 intercontinentais. Alguns jogos já estão definidos (em África até já se jogou a primeira mão dos playoffs), os outros (Europa) serão sorteados segunda-feira.


Nigéria-Etiópia (2-1)
Senegal-Costa do Marfim (1-3)
Camarões-Tunísia (0-0)
Egipto-Gana (1-6 - não se trata de um erro!)
Argélia-Burkina Faso (2-3)
(Entre parentesis estão os resultados da primeira mão)

Uruguai-Jordânia
México-Nova Zelândia

Cabeças de grupo da Europa:

Portugal 
Croácia
Grécia
Ucrânia

contra:

Roménia
Islândia
Suécia
França

Dois nórdicos e dois latinos, sendo a França a nossa besta negra e o adversário a evitar. A Islândia é evidentemente o adversário mais acessível, seguindo-se, em termos teóricos, a Roménia e a Suécia. 

Em termos de curiosidades, refira-se que o México se apurou in extremis para o playoff intercontinental, depois de uma fase de qualificação horrível em que apenas conseguiu duas (!) vitórias em 10 jogos, tendo despedido um treinador pelo caminho, e acabando por ficar atrás de EUA, Costa Rica e Honduras. Na última jornada, já em tempos de descontos, o Paraguai estava apurado, pois vencia os EUA por 2-1. No entanto, dois golos dos EUA aos 90+2 e 90+3 eliminaram definitivamente o Panamá e permitiram ao México (que perdeu com a Costa Rica) ir ao playoff. 

Outra nota para o Egipto, cuja crise política e social parece estar a afectar a equipa de futebol, trucidada pelo Gana na primeira mão do playoff (em África não há apuramentos directos dos grupos para o Mundial, tendo o primeiro classificado de cada um que defrontar o primeiro de outro, o que não deixa de ser sui generis. A África do Sul, organizadora do anterior mundial, não estará no Brasil, depois de ter ficado atrás da surpreendente Etiópia no Grupo A. Cabo Verde ficou em segundo no seu grupo (atrás da Tunísia), o que não deixa de ser um feito interessante para o arquipélago.

Os últimos destaques vão para algumas meias surpresas na Europa. Em primeiro lugar destaque-se a Bósnia que se qualificou pela primeira vez, sendo primeiro no grupo G que contava com Grécia, Lituânia, Letónia e Eslováquia. Depois a Bélgica, que parece de volta ao grupo das boas equipas europeias, com a geração de Witsel, Lukaku, Hazard, Kompany e Fellaini a prometer bom futebol. (Recorde-se que a Bélgica chegou a ser semi finalista, no México 86, onde contava com jogadores como Jean Marie Pfaff, Enzo Scifo e Eric Gerets). A Bélgica suplantou a Croácia, a Sérvia, a Escócia, o País de Gales e a Macedónia no Grupo A.

Pela negativa refiram-se as prestações da Sérvia (3ª no Grupo A com apenas 4 vitórias em 10 jogos), da Dinamarca (Grupo B, atrás da Itália, não estando nos playoffs por ter sido o pior segundo de todos), da República Checa (3º no mesmo grupo) e da Turquia. Por fim, refira-se que o grupo da Suíça era o pior de todos (Islândia, Eslovénia, Noruega, Albânia e Chipre), não se percebendo bem os critérios da UEFA.

Portugal poderia e deveria ter feito melhor, sobretudo contra a Irlanda do Norte (uma equipa muito fraca, quase semi-amadora) e Israel nos jogos em casa. Em ambos os casos empatámos 1-1, perdendo 4 pontos que nos custaram o primeiro lugar. Veremos se nos playoff ainda podemos emendar a mão mas é preciso perceber que, com excepção da Islândia, qualquer um dos outros adversários tem possibilidades de nos eliminar.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Selvageria na Luz

Há dois dias um jogador de basquete de um clube da Maia estava a jantar no estádio da Luz quando foi abordado por um conjunto de indivíduos que lhe despejaram o seu prato de sopa pela cabeça. Posteriormente, o jogador Nuno Marçal e os seus colegas abandonaram o local sob escolta policial. 

Importa referir que o Maia e outras equipas ali se encontravam no âmbito do troféu António Pratas, que o Benfica organizou no seu pavilhão. O restaurante em causa, dentro do complexo do Estádio, foi o que foi indicado aos atletas pela federação, naturalmente sob orientação do Benfica.

Trata-se evidentemente de um acto inqualificável, que supostamente foi uma represália pelo papel desempenhado por Marçal aquando das tristes cenas no "dragão-caixa" quando o Benfica ali venceu o campeonato de basquetebol. Na altura o jogador era capitão do Porto.

O que diríamos nós se isto acontecesse a um nosso jogador no Porto? O que dissemos - e bem - sobre os acontecimentos no basquete, no hóquei e, claro está, no futebol aquando das últimas visitas do Benfica?

Seria pois muito triste que aquilo que era condenável ontem passe a justificável hoje, apenas porque da outra vez nos calhou a nós e agora calhou aos outros.

Um Benfica que não defenda os valores da lealdade, do desportivismo e da educação deixa de ser o clube que mereceu o nome de glorioso e torna-se naquilo que tanto denunciou e criticou nos outros que acham que vale tudo. O que mais me espanta e entristece é que há gente que acha que assim é que estamos bem. Não demonstram ser em nada diferentes daqueles que tanto criticam. 

Eu também critico, mas critico precisamente por acções como estas (e outras). Nessa medida condeno em absoluto o que se passou e considero que o Benfica deveria tomar medidas veementes para reparar o que foi feito e evitar que algo de semelhante se possa voltar a passar. É triste, é vil, atacar quem se recebe e janta em sua casa. Seja ele quem for. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Conseguirão os jogadores do Benfica ser campeões?

Que as coisas não começaram bem é algo que já sabemos e que só pode ter surpreendido quem anda mesmo muito desatento.
Alertei para que assim ia ser - e não precisei de recorrer a nenhuns dotes de adivinhação para o conseguir.
Como em tempos escrevi, o desastre anunciava-se, era tudo muito previsível.
Cumpridas 7 jornadas, o Benfica está a 5 pontos do Porto e a 3 do Sporting.
Olhando para as últimas épocas (nas quais nem avanços de 4 e 5 pontos à entrada para a segunda volta foram suficientes para sermos campeões) somos levados a crer que o campeonato está perdido.
Mas será mesmo assim?

Creio que o Benfica tem ainda possibilidades de vencer. Embora algo remotas, elas alicerçam-se no seguinte: a meu ver, o Benfica é o clube português que tem o melhor plantel e o maior número de soluções. E por vezes é o melhor plantel - aquele que tem mais qualidade - que acaba por vencer. Tal acontece quando os jogadores, apesar de toda essa qualidade, se vêm numa posição desfavorável e se sentem feridos no seu orgulho. Nessas ocasiões existem momentos em que se dá um "click", como se costuma dizer, momentos-chave nos quais os jogadores chamam a si a responsabilidade pelos destinos da equipa, sendo capazes de se unir e levar o clube à vitória.

Em relação ao ano passado, o Porto perdeu Moutinho. É verdade que contratou outros jogadores, mas nenhum com a mesma categoria. A dinâmica do meio campo do Porto e o equilíbrio da equipa não são os mesmos. Para o ataque, o Porto contratou vários jogadores, alguns interessantes, mas nenhum fora de série. A equipa mantém por isso sensivelmente a mesma qualidade, destacando-se obviamente Jackson. Para  seu substituto contratou Ghilas. Os jogos já disputados permitem-nos afirmar que o Porto não está mais forte, provavelmente está mesmo mais fraco e menos seguro no seu jogo do que no ano passado.

Este ano temos aparentemente o Sporting de volta ao quadro de candidatos. São boas notícias em termos de competitividade. Não me parecendo este Sporting ainda capaz de ser um candidato credível até ao fim, dará certamente problemas aos outros e será um factor de incerteza no campeonato que não permitirá ao Porto "concentrar-se" exclusivamente no Benfica. Um Sporting com voz própria não deixará além disso certamente de denunciar benefícios claros de arbitragem ao Porto, sobretudo nos jogos entre ambos, o que é bom para o Benfica que no passado recente tem estado sozinho nessa denúncia.

Estas circunstâncias criam uma janela de oportunidade. Regressando ao ponto de partida, considero que o Benfica tem um plantel bem mais forte do que no ano passado. Existem alternativas credíveis e Luisão e Garay, a Matic e Enzo e variadíssimas opções para o ataque que inclusivamente permitem adoptar diferentes "desenhos tácticos". Existe muita qualidade do meio campo para a frente e vários jogadores com classe suficiente para resolverem os jogos.

O Benfica está obviamente mais fraco do que no ano passado no que diz respeito à liderança, cada vez mais desgastada, quer de LFV quer de JJ. Daí os jogadores estarem de certa forma entregues a si próprios só eles de facto podendo conseguir dar a volta à situação. A qualidade existe e é até superior à da época passada, em que se esteve perto de ganhar. 

Tudo depende pois da capacidade destes jogadores em se unirem e remarem para o mesmo lado. Veremos se o querem fazer e se têm capacidade mental para o conseguir. Uma coisa é absolutamente certa: só vencendo o Porto para o campeonato (talvez mesmo nos dois jogos) isso será possível. Menos de 4 pontos nos jogos de confronto directo equivalem a perder de novo o campeonato. A isso terão que acrescer 6 pontos contra o Braga e 3 contra o Sporting na Luz (já empatámos em Alvalade). Tudo o que fique aquém disto será provavelmente insuficiente para ser campeão.

Benfica-Braga (10ª jornada, 24/11)
Benfica-Porto (15ª jornada, 12/1/2014)
Benfica-Sporting (18ª jornada, 9/2)
Braga-Benfica (25ª jornada, 30/3)
Porto-Benfica (30ª jornada, 11/5)

Impossível? Certamente que não, apesar nunca ter sido alcançado nestes 4 anos. A palavra está do lado dos jogadores.