quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Inglaterra - a grande carreira do Everton

Há cerca de uma semana, considerei que o lote de candidatos ao título em Inglaterra se restringia agora a 3 equipas: Arsenal, Manchester City e Chelsea. Equivale isto a deixar de fora o Liverpool (que por sinal está em 2º), o United e, numa segunda ou terceira linha, o Tottenham e o Everton.

Em relação ao Liverpool, o que se passa é que considero que, apesar do bom momento, falta regularidade à equipa para sustentar até ao fim da época uma candidatura ao título. Está a 5 pontos do primeiro mas vejo-o a perder muitos mais, sobretudo quando Suárez não puder, por uma razão ou outra, resolver os jogos, como tem acontecido ultimamente. 

Já o Manchester United confirmou em absoluto que não é candidato ao título, com nova sequência de péssimos resultados e exibições horríveis. A equipa não tem nenhuma identidade, fez 8 pontos nos últimos 6 jogos e já está a 13 do Arsenal!

Manchester City e Chelsea voltaram a desperdiçar pontos. A equipa de Mourinho mais uma vez não se encontrou e o próprio treinador parece algo perdido, oscilando demasiado nas suas escolhas e falando demasiado do rendimento dos seus jogadores (ora para elogiar ora para deixar críticas implícitas). Já o City voltou ao "vício" de não vencer fora.

Mas para mim a grande notícia da jornada passada é o Everton de Roberto Martinez que foi a Londres e impôs um empate ao Arsenal. A equipa está em 5º mas importa assinalar que já jogou com todos os grandes tubarões (United, City, Arsenal, Liverpool e Chelsea) e perdeu apenas um jogo (fora com o City). Se não fosse o mau início de época, com 3 empates, a equipa poderia estar bem mais próxima do Arsenal. 

No fim-de-semana haverá dois jogos importantes: um escaldante City-Arsenal (sábado às 12.45h) e um Tottenham-Liverpool.

O City não perdeu ainda pontos em casa esta época: em 7 jogos tem 7 vitórias, 29 golos marcados e 2 sofridos! Se há ocasião ideal para relançar o campeonato é esta e o City não a quererá desperdiçar.
Já o Arsenal teve oportunidade de descolar na jornada do fim-de-semana, estabelecendo uma distância de 7 pontos para os segundos, mas a excelente réplica do Everton e alguma falta de rasgo ou inspiração levaram a que não capitalizasse da derrota do Chelsea e do empate do City. Se assim tivesse acontecido, com uma vantagem de 7 pontos na tabela, poderia enfrentar este jogo com mais tranquilidade.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O melhor Benfica da época - mas já era tarde

O Benfica fez ontem talvez a melhor exibição da época.
Foi um jogo à medida do que vimos a nossa equipa fazer no passado e que este ano tinha conseguido apenas a espaços no jogo da Taça contra o Sporting. 
A um jogo horrível e de difícil desculpabilização, seguiu-se um jogo bastante bom, contra um adversário de nomeada e com grandes estrelas, que jogou sem grande motivação nem pressão.
Seria muito preocupante e pouco profissional se o rendimento tão díspar da equipa tivesse a ver com factores de motivação ou falta dela conforme o adversário e a competição. No Benfica todos os jogos têm que ser levados a sério, e se alguém ali não o percebe têm que os dirigentes o explicar com clareza. 
O Benfica voltou a demonstrar dinâmica e a pressionar o adversário em praticamente todos os momentos - duas características que constituíram o grande trunfo do Benfica nas últimas épocas.
Maxi, que por razões que não consigo compreender, alguns benfiquistas teimam em criticar, é uma peça absolutamente fundamental na nossa dinâmica. Claro que sendo um lateral tão atacante, acaba por ficar por vezes desposicionado. Mas isso é uma consequência natural do tipo de jogo do Benfica e dos riscos que assumimos. A verdade é que dificilmente se encontra um lateral que crie tantos desequilíbrios na frente como Maxi, que tenha tanta força, tanta raça e tanta dinâmica como o pequeno uruguaio. Claramente um dos meus jogadores favoritos do Benfica. O que não quer dizer que, face à sua presença assídua na selecção uruguaia, Maxi não precise por vezes de ir ao banco para descansar - precisa certamente. 
Também Sílvio esteve muito bem e deu imensa profundidade à equipa. Sílvio é um benfiquista que dá o que tem pela equipa e que ontem esteve particularmente bem.
Outra peça que me pareceu fundamental foi Fedja, aliás um dos jogadores mais desastrados contra o Arouca. Na partida de ontem Fedja esteve em todo o lado (inclusivamente no apoio ao ataque) e praticamente sempre bem. Um meio campo com Fedja, Matic e Enzo Perez é fortíssimo e tem que ser a base desta equipa. Penso que já restarão poucas dúvidas acerca disso.
Mais uma vez gostei de Sulejmani, sobretudo pela qualidade do seu último passe, que é realmente superior e dá uma resposta ao que constitui uma pecha da nossa equipa. Markovic, para além de alguns fogachos teve pouca efectividade. 

Agora, como assinalei ontem, está falhado o primeiro objectivo da época. A responsabilidade é a meu ver do treinador que mais uma vez não percebeu como funciona esta competição: é obrigatório vencer os jogos em casa! Ao dizer, na véspera do jogo contra o Olympiakos na Luz, que o mesmo não era decisivo, algo aliás bem patente na forma como os jogadores do Benfica entraram em campo, dando 45 minutos de avanço ao adversário, JJ comprometeu a qualificação. Depois ficámos dependentes do que acontecesse na Grécia e infelizmente aconteceu o que acontece muitas vezes: fomos infelizes e os gregos tiveram uma sorte do tamanho do maracanã. A partir daí, só um milagre nos qualificaria, como assinalei em devido tempo. Não que o Benfica não tivesse qualidade para vencer os jogos restantes (que tinha como se confirmou). O problema é que o Olympiakos que já mostrara ser uma equipa cínica dificilmente deixaria de bater o Anderlecht. 

O ano passado o Benfica perdeu a qualificação para o Celtic de forma contrária: fizemos 4 pontos contra os escoceses mas uma vitória completamente improvável destes contra o Barcelona (e uma derrota do Benfica contra o Spartak) baralhou completamente as contas e levou à nossa eliminação. É curioso que tal como agora, na altura o Benfica estivesse dependente do resultado do jogo do Celtic em casa contra o adversário mais fraco do grupo e também é curioso que na altura tenha sido um penalty altamente duvidoso a decidir a partida aos 81 minutos. O árbitro era alemão, tal como ontem alemão era o árbitro que expulsou 3 jogadores do Anderlecht e marcou 3 penalties a favor do Olympiakos. Certamente são só coincidências, depois do que se passou entre Luisão e um árbitro também alemão na pré-época passada. 

Seja como for, entre os factores que dependem exclusivamente de si (a concentração, a motivação, a abordagem aos jogos) o Benfica voltou a ter falhas comprometedoras na competição e foi assim eliminado sem surpresa mas com muito amargo de boca. Mais uma vez sentimos que fomos eliminados por uma equipa mais fraca.

O primeiro objectivo da época está falhado. Venha o campeonato e a Taça e, quando for altura disso, em Fevereiro, a Liga Europa. Para já o Olhanense é o próximo adversário. Se jogasse sempre como ontem não tenho dúvidas de que o Benfica seria campeão. Veremos o que se passa daqui para a frente.





terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Quantos estarão hoje na Luz?

Penso que ninguém saberá ao certo, mas a verdade é que não se encontra informação sobre o assunto em lado nenhum. Noutras alturas os jornais davam conta das enchentes e de como havia poucos bilhetes disponíveis. Por estes dias nem uma palavra, o que em si é indicativo de que a assistência estará muito abaixo do que seria expectável em condições normais.
Não apenas a venda de bilhetes deverá ser muito reduzida (os preços são pouco menos que proibitivos) como inclusivamente alguns possuidores de bilhetes (nomeadamente packs comprados antes do início da época) optarão por não estar presentes.
As razões prendem-se, claro está, com o sub-rendimento da equipa e com o facto do Benfica não depender de si mesmo para assegurar o apuramento. 
Veremos quantos estarão presentes logo à noite para a primeira decisão da época

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

1º objectivo da época decide-se amanhã

Decide-se amanhã, na Luz e em Atenas simultaneamente, o sucesso ou insucesso do primeiro (não em termos de importância ou prioridade mas de calendário) objectivo da época: a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Penso que ninguém questionará que alcançar os oitavos de final da Liga dos Campeões seja um dos objectivos - o objectivo mínimo em termos da competição - do Benfica para a presente época. Se assim não fosse, o sonho, confessado por presidente e treinador, de chegar à final, este ano disputada na Luz, não apenas seriam um absurdo mas mesmo uma manifestação de completo desnorte.
Nessa medida, Jorge Jesus terá amanhã a sua primeira prova de aferição da época: alcançará ou falhará o primeiro objectivo.
As hipóteses de o alcançarmos são mínimas, como assinalei há 15 dias, mas felizmente existem. Estarei como é por demais evidente, a torcer para que o "milagre" aconteça, mas não tenho muitas esperanças. Aliás procuro já não alimentar muitas esperanças com este Benfica pois as desilusões são sempre proporcionais à crença e infelizmente as desilusões têm sido mais que muitas nas 3 épocas que antecederam a presente.
Voltando a Jorge Jesus, claro que se o meu objectivo fosse defendê-lo com unhas e dentes, eu não estaria aqui a recordar que o treinador tem elevadas possibilidades de amanhã ter o primeiro fracasso da época.
Mas eu só estaria aqui a defender Jorge Jesus com unhas e dentes se estivesse convencido de que Jorge Jesus era o melhor para o Benfica. Já o estive no passado, mas neste momento já não estou.
Neste momento penso que os resultados de Jorge Jesus têm que ser analisados fria e objectivamente e que não se pode continuar a atribuir a factores externos as razões dos desfechos, regra geral negativos, das últimas épocas do Benfica.
Em relação à Liga dos Campeões, agora em causa, o facto do Benfica não depender apenas de si não pode servir de forma nenhuma de factor desculpabilizante: o Benfica entrou como cabeça de série no sorteio (pertenceu ao pote 1) e tinha todas as condições para garantir um lugar entre os dois primeiros. Foi Jorge Jesus quem logo após o jogo com o PSG (apenas o 2º jogo da campanha) deu o primeiro lugar como perdido. Foi também o treinador do Benfica que antes do jogo em casa com o Olympiacos, equipa que, nessa medida, passava a ser a nossa única competidora, veio dizer que o jogo não era decisivo.
Em resumo, se o Benfica não se qualificar para mim não haverá desculpas e a responsabilidade será em primeira análise de Jorge Jesus. Da mesma forma, se o Benfica se qualificar, não desmerecerei o facto, atribuindo-o à sorte.
Como digo, é hora de deixar os resultados falarem friamente.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Benfica-Arouca: é difícil compreender.

É verdade que o futebol é um jogo muito imprevisível, mas não é menos verdade que quando se facilita as desilusões se tornam previsíveis.
 
Permitam-se recuar ao passado, nomeadamente à época de 2010/11. O Benfica era o campeão em título e mantivera a maioria do plantel. Tinha derrotado o Porto na final da Taça da Liga do ano anterior por uns concludentes 3-0. Os adeptos estavam com a equipa incondicionalmente.
 
O Porto parecia em decadência: Jesualdo terminara o seu ciclo sem brilho, tal como alguns outros jogadores; Pinto da Costa parecia já não ser o mesmo e a contratação de Villas-Boas uma aposta quase desesperada, que mesmo Mourinho ironizara, dando a entender que pelos vistos já não era preciso currículo para chegar a treinador do Porto.
 
Na pré-época o Porto quase não conseguira vitórias e as dúvidas avolumavam-se, ao passo que o Benfica acumulava grandes exibições e golos.

As duas equipas enfrentam-se no primeiro jogo oficial da época: a Supertaça. (Ao contrário do Benfica, que perde finais da Taça por os jogadores estarem "desmotivados" depois de perderem outras competições, o Porto nos anos em que perde o campeonato, normalmente não perde a oportunidade de pelo menos obter o segundo troféu mais importante do calendário nacional e assim tinha efectivamente acontecido na época anterior).
 
Quando o Benfica tem oportunidade de vincar, uma mudança de ciclo no futebol nacional, vencendo a Supertaça muitos anos depois, perante um Porto titubeante e claramente inferiorizado, o que acontece?
 
A nossa equipa entra em campo sobranceira, convencida de que a vitória apareceria normalmente, a querer jogar bonito ao passo que o Porto arregaça as mangas, não hesita em assumir o papel de "underdog" e, com naturalidade, vence. Rapidamente a "mudança de ciclo" se tornaria num enorme pesadelo para o Benfica, prenúncio aliás do que aconteceu na época passada.
 
Infelizmente as lições não são aprendidas e pergunto-me se alguma vez serão.
 
No fim da época passada os festejos na Madeira tornam-se em pranto no fim do jogo do dragão por via de uma abordagem completamente errada do jogo com o Estoril. Este ano, face a um Porto em crise, que em 3 jornadas desperdiça 7 pontos, o que faz o Benfica? Resolve entrar em campo de forma sobranceira, desajustada e trapalhona no jogo contra o último classificado, uma equipa mais do que modesta. Isto depois de já em anos anteriores este mesmo Benfica (de Jorge Jesus) ter perdido várias vezes pontos contra as equipas de Pedro Emanuel, quase sempre da mesma maneira.
 
As lições não são aprendidas.
 
É verdade que Sálvio se lesionou, que Cardozo também e que Matic estava castigado. Mas nada disso pode servir de justificação para o Benfica ser incapaz de vencer em casa o Arouca! Aliás, o Benfica podia ter perdido o jogo, o que só não aconteceu devido a um penalty que me pareceu bem assinalado mas que, verdade seja dita, as imagens não demonstram com clareza ter existido.
 
Há momentos em que não se pode falhar.  E não falhar não quer dizer fazer um jogo perfeito e não cometer nenhum erro em 90 minutos. Significa apenas ser capaz de vencer clubes de muito menor dimensão e capacidade quando jogamos na nossa casa!
 
Será que o treinador não o compreende? Será que os jogadores não interiorizam a mensagem?
 
Não é óbvio para a estrutura benfiquista que quando os adversários vacilam, quando estão num momento de grande fragilidade, há que capitalizar? Que colocar o máximo de pressão sobre eles, dando demonstrações de força? Não era o Arouca o adversário para o fazer?

Como pode um clube que tem um orçamento de milhões, jogadores de selecções, um treinador de milhões, ser incapaz de vencer uma equipa tão fraquinha, tão limitada, tão modesta como o Arouca, no seu estádio, perante os seus adeptos?
 
Incompreensível e de muito difícil justificação.

Como me dizia um benfiquista lúcido hoje, há toda uma atitude que está subjacente e que dá nisto. Uma atitude de achar que o jogo já está ganho e que, como até jogamos na terça para a Champions League, quer "despachar" o assunto rapidamente, pelo que se o antecipa para sexta-feira. Com os resultados que estão à vista. A mentalidade do já ganhámos, com as consequências que teve o ano passado, repete-se ainda outra vez.
 
Isto é muito mau, péssimo mesmo.
 
Já nem quero falar das escolhas para o jogo, das substituições, da forma como o Benfica acaba o jogo com 6 avançados, algo que me parece desequilibrado e contraproducente, do mau momento de forma de Lima e dos constantes erros de Artur, que começam a ultrapassar o aceitável.
 
Do que não posso deixar de falar é da bonita atitude de David Simão e da feia atitude do jogador do Benfica que não lhe quis dar a camisola.
 
Concluindo, num momento em que o Porto estava em evidente crise eis que o Benfica lhe dá a mão.
 
Numa jornada em que partimos em 1º lugar e tínhamos todas as condições para até ganhar vantagem sobre os nossos adversários, acabaremos com toda a probabilidade na 3ª posição. Claro que ainda é cedo, mas não é típico de uma equipa ganhadora esbanjar pontos desta forma.
 
Não sei o que acontecerá até lá, pois pela amostra, podemos perder pontos em qualquer momento, mesmo nos jogos mais fáceis, mas sei uma coisa: se formos incapazes de vencer o Porto na 15ª jornada e o Sporting umas jornadas depois, não seremos campeões. Face a tudo o que vem aconteceu nas últimas épocas, não sermos campeões nesta não é uma opção. As assistências cada vez menores na Luz bem demonstram que os benfiquistas começam a estar cansados dos insucessos.