quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A fórmula Mourinho

Como se sabe, em Inglaterra o campeonato não pára na quadra natalícia, muito pelo contrário. Joga-se no boxing day e joga-se também no dia de ano novo. 
Precisamente dia 1 o  Chelsea venceu fora o Southampton (que chegou a ser a surpresa do início do campeonato) por 3-0 e conseguiu talvez a sua exibição mais conseguida da época. Mais uma vez Mourinho alicerçou a vitória da sua equipa na segurança defensiva e depois soube ter a arte de, no momento certo, usar as armas que tinha no banco e decidir a partida.
Mourinho procura (e esta característica foi muito bem observada por Norton de Matos que me parece o mais conhecedor e melhor comentador da Benfica TV) o equilíbrio nas suas equipas, usando os jogadores que melhor o podem assegurar em diferentes momentos do campeonato e dos próprios jogos. 
Contra o Southampton, foi clara a intenção de, na primeira parte, controlar e segurar o jogo, manietar o adversário controlando a bola e os espaços sem assumir riscos, para então na segunda parte lançar os jogadores de maior acutilância ofensiva e vencer a partida (Óscar e William por Mata e Shurer). Foi um pouco o que o Benfica fez em Setúbal e que foi bastante criticado pelos comentadores e pelos próprios adeptos, que ora se queixam por (no ano passado) jogarmos bem e não ganharmos nada como de ganharmos mas não jogarmos bem (este ano). 
A verdade é que um treinador vive de resultados, algo que constitui o cerne e a essência da "fórmula Mourinho" que não hesita em recorrer a tácticas ultra-defensivas e ao pontapé para a frente para o assegurar. (Recorde-se por exemplo a eliminação do Barcelona pelo Inter de Mourinho, na qual o 4-3-3 foi substituído por um insólito 7-3-0).
Isso porém é o extremo, pois Mourinho normalmente, até por treinar uma equipa de topo, assume mais as despesas do jogo. Mas não muito mais e nunca ao ponto de desgastar demasiado a sua equipa numa busca desenfreada do golo (algo que no passado aconteceu muitas vezes ao Benfica) ou de correr riscos defensivos para o conseguir. As mexidas de Mourinho na equipa são por regra conservadoras.
A "fórmula Mourinho" é de certo modo o ovo de Colombo: grande segurança defensiva, grande controlo do jogo e excelente ocupação dos espaços, grande equilíbrio da sua equipa e depois capacidade de mudar durante os jogos o que está menos bem na equipa. Mourinho tem a paciência de saber esperar pelo golo e pela vitória. Tem uma grande autoconfiança e consegue projectá-la para os seus jogadores. É um excelente líder de homens e, um pouco à semelhança de Jorge Jesus, consegue retirar o melhor dos jogadores, como é actualmente o exemplo de Hazard.
Por tudo isto, e por ter sabido escolher bem os clubes por onde passou, a fórmula Mourinho é altamente vencedora - mas não infalível.
Este ano, como já assinalei, Mourinho "arrisca" bastante em termos da sua reputação e da sua aura vencedora, pois o seu Chelsea não tem o melhor plantel de Inglaterra, ficando atrás do Manchester City. Por outro lado, o Arsenal apresenta também um bom futebol e tem-se conseguido manter na liderança do campeonato, algo que dá sempre muita força, confiança e alento aos respetivos atletas. No entanto, se quisermos ser objectivos, temos que reconhecer que se o Chelsea se mantém a apenas dois pontos da liderança com todas as possibilidades de poder vencer, deve-o sem dúvida a Mourinho, à sua veia competitiva e ao grande equilíbrio que confere às suas equipas e que as coloca mais perto de vencer.
Alguns treinadores dizem que "jogar bem" é meio caminho para vencer, mesmo quando as suas equipas perdem. Para Mourinho porém isso não existe. Se a sua equipa perde é porque jogou mal, porque jogar bem é jogar para vencer e não jogar bonito. Mourinho acredita, isso sim, que uma equipa bem montada, bem organizada, bem posicionada e, acima de tudo, muito bem equilibrada entre os diversos sectores, está mais perto de vencer do que uma outra que não tenha estas características.

A meu ver, Manchester City, Chelsea e Arsenal são neste momento e nesta ordem os principais candidatos ao título em Inglaterra. O Liverpool está a jogar bem mas os zero pontos nos dois jogos anteriores (City e Chelsea) demonstraram que lhe falta ainda alguma coisa para ser candidato. O United voltou a perder nesta jornada, agora com o Tottenham e está fora destas contas. O Everton por seu turno está a fazer uma excelente temporada mas não tem obviamente argumentos para enfrentar estes tubarões. 

2014 - ano para voltar a entrar nos carris

O balanço de 2013 é evidentemente muito negativo, pois o Benfica que parecia destinado a uma época de sucessos acabou por perder tudo de forma absolutamente inglória e com grande sabor a injustiça.
Tivemos porém momentos muito bons, quase inesquecíveis: recordemos por exemplo o golo de Matic ao Porto, o golo de Lima ao Sporting, depois de magia de Gaitan, o jogo contra o Fenerhbaçe na Luz que ditou a passagem à Final da Liga Europa, a própria série de vitórias no campeonato (sem ajudas, ao contrário do clube que viria a ser decretado campeão) até ao fatídico jogo com o Estoril ou, nas modalidades, o título de campeão europeu de hóquei, a que se seguiram outros.
Foram momentos bons que nos deram alguma alegria, no grande quadro de desilusão que marca a época passada. Tudo isso está porém já para trás. O ano civil acabou e um novo se abre, com o Benfica (desfeito o sonho ilusório da Champions) a manter boas possibilidades na Campeonato e na Taça.
No próximo sábado (depois de amanhã), pelas 20.15 h na Luz, jogaremos precisamente o acesso aos quartos de final da Taça de Portugal frente ao Gil Vicente.
No domingo seguinte (dia 12), pelas 16.00h (algo que é uma novidade nos últimos anos) teremos o clássico contra o Porto. Três jornadas depois receberemos o Sporting.
Caso o Benfica seja competente, poderá estar no início de Fevereiro numa excelente posição para vencer o campeonato. Já aqui disse várias vezes que temos um excelente plantel, com muitas soluções. Ao contrário dos anos anteriores, o plantel não chega a esta fase da época já muito espremido fisicamente - pelo contrário começámos "devagarinho" e tem havido bastante rotatividade, pelo que as peças mais influentes estão preparadas para enfrentar o que aí vem da época. Recorde-se também que o Benfica de JJ costuma ser mais forte nesta fase do campeonato do que no seu início. O que tem falhado mesmo nas últimas épocas é a ponta final, os últimos 3 ou 4 jogos, algo que, se fizermos as coisas bem nesta fase acredito que não se repetirá.
Em suma, penso que as perspectivas são interessantes e que temos razões para estar moderadamente optimistas.
Agora insisto que é absolutamente fundamental vencer o Porto e o Sporting no nosso Estádio. Está perfeitamente ao nosso alcance. Desde que a equipa esteja concentrada e bem preparada a todos os níveis, penso que o conseguiremos.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Nacional 0 Benfica 1: Intensidade e controlo de jogo

Foi um jogo de grande intensidade, contra um adversário difícil. O Benfica ganhou bem e demonstrou um controle de jogo bastante razoável. Desta vez soubemos defender, apesar da ausência de vários habituais titulares. Markovic jogou mais por onde gosta e teve mais bola, tendo desta vez mostrado querer e atitude. Também gostei de Siqueira que mostrou muita solidez. Em geral todos os jogadores estiveram concentrados e tiveram uma entrega ao jogo que deu gosto ver. Espero muito sinceramente que seja para continuar. É também óbvio que o equilíbrio da equipa tem muito a ver com este 4-3-3 ou 4-2-3-1.

Uma última nota para criticar esta longuíssima pausa no campeonato de mais de três semanas. Não faz qualquer sentido mas explica-se (em parte) pelo facto de termos um campeonato com apenas 30 jornadas. Quem defende uma redução ainda maior do número de equipas, insistindo que não temos futebol para tantas deveria pensar nisso.