sábado, 18 de janeiro de 2014

Os penalties e a verdade do jogo

O futebol é um jogo físico, um jogo viril.
Sem desprimor para o futebol feminino, ainda me lembro bem de, na escola, se dizer "o futebol não é para meninas". A carga de ombro é um exemplo do lado físico do futebol - o mais forte ganha o lance.
Por outro lado o futebol é um jogo leal e por isso não se admite as rasteiras ou o jogo com os braços.
 
Nos países latinos (sobretudo Portugal, Espanha e Itália), por razões que não são fáceis de discernir, mas que podem ter que ver também com o grande número de jogadores oriundos do Brasil e restante América Latina, o futebol tornou-se demasiado faltoso.
Uma mentalidade resultadista em detrimento de uma desportivista, leva a que muitas equipas recorram a todo o tipo de expedientes para impedir as equipas mais fortes e atacantes de jogar, nomeadamente os esquemas ultra-defensivos do chamado "autocarro" em frente da área e o anti-jogo, constantes perdas de tempo, simulações de lesões e demoras nas reposições de bola.
Nos países anglo-saxónicos, o futebol é muito mais físico e existe mais fair-play. É uma questão de honra: simular ou perder tempo é considerado vergonhoso e condenado por adeptos e comentadores (e punido pelas instâncias competentes).
Em Portugal é tudo ao contrário: por regra os jogadores não têm esse espírito de fair-play, os árbitros tudo permitem e os comentadores têm muito pouca capacidade crítica, fazendo normalmente as suas análises em virtude dos resultados dos jogos.
Por estas razões há muitos anos que me identifico mais com o futebol inglês, de grande intensidade, grande ritmo, atacante, de parada e resposta. O futebol português pelo contrário é lento, com imensos tempos mortos, sem ritmo nem fluência, cheio de faltas e faltinhas a toda a hora.
 
Claro que a arbitragem desempenha um papel essencial neste tipo de futebol. A nossa arbitragem é, por regra, péssima. Os nossos árbitros passam o tempo a apitar, a cortar o ritmo do jogo. São incapazes de distinguir entre a virilidade e a maldade. São preciosistas e autoritários em relação a coisas insignificantes mas depois completamente incapazes de se fazer respeitar nos momentos verdadeiramente importantes. São incoerentes, não têm critérios uniformes, a maior parte das vezes nem sequer no mesmo jogo! Depois há as preferências clubísticas dos árbitros que são por vezes evidentes e se refletem, e de que maneira, nas suas decisões.
 
Dito isto, as decisões mais importantes durante os jogos (penalties e cartões) acabam por ser tomadas de forma arbitrária, quer dizer, quase ao calhas, com o factor clubístico a ser, na maioria das vezes, decisivo para o lado que as mesmas acabam por pender. Um completo desastre para a verdade do jogo! E é evidente que o Porto é o clube que nas últimas décadas mais tem beneficiado deste estado de coisas.
 
De todas as decisões, o penalty e a expulsão são evidentemente as mais determinantes no desfecho do jogo. O blog influência arbitral tem feito um trabalho notável neste domínio, demonstrando de forma objectiva como o Porto tem sido beneficiado ano após ano e como esses benefícios explicam largamente o seu sucesso.
 
Em Inglaterra, conscientes como são, os árbitros têm a noção de como o penalty é uma decisão importantíssima senão determinante. E nessa medida quase não marcam penalties.
 
De facto, o penalty é uma falta que deve ser apitada apenas quando um jogador está numa posição de quase fazer golo e é impedido ilegalmente dentro da área, ou quando exista uma falta que, apesar de desnecessária, seja absolutamente evidente. Marcar penalties por bolas pontapeadas à queima roupa tocarem na mão do adversário em situações de nenhum perigo eminente, ou por supostos (ou reais) toques mínimos quando os atacantes correm em direcção paralela ou mesmo contrária à baliza, é algo que considero absurdo e totalmente desvirtuador da verdade do jogo. Do nada, de lances perfeitamente inofensivos, resulta, por uma decisão exclusiva do árbitro, um golo quase certo.
 
É uma decisão tão séria que os árbitros só a devem tomar quando têm a certeza absoluta de que existiu uma falta, isto é quando essa falta é evidente. Ora penalties evidentes são uma minoria muito pequena. Infelizmente porém por vezes são esses que não são marcados (como se viu com a mão de Mangala, tipo bloqueio de vólei, no passado domingo), ao passo que lances inofensivos e altamente discutíveis acabam por ser decididos nesse sentido.
 
Em conclusão, quanto menos penalties forem marcados (assinalando-se apenas os óbvios) menor a probabilidade dos árbitros errarem com influência no resultado. Isto apesar dos comentadores e pseudo-especialistas, grande parte com agendas marcadamente clubísticas, poderem dizer exactamente o contrário e reclamarem a marcação de penalties a toda a hora e por tudo e por nada. Não percebem o espírito do jogo e não percebem que, mesmo que haja erros, se houver coerência, já teremos um grande avanço.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A saída de Matic: 4-3-3 ou 4-4-2 ?

O meio campo do Benfica é um tópico sobre o qual já escrevi uma série de posts. Não tendo eu pretensões a ser um especialista em táctica, a observação e análise das transformações que se têm verificado naquele sector desde que Jorge Jesus chegou ao Benfica não deixam de me interessar e merecer algumas considerações.

Desde então o Benfica já teve os seguintes "meios-campos":

2009/2010

Javi Garcia como trinco, apoiado por Ramirez (que fazia o corredor direito, ao passo que Di Maria ficava no esquerdo) e Aimar a construtor de jogo (tratava-se de um 4-4-2 no qual não apenas um dos alas mas o próprio 2º avançado, no caso Saviola, baixavam para dar algum equilíbrio à equipa)

2010/2011

Com a saída de Ramirez (e Di Maria), JJ foi tentando várias soluções que alternou, para colmatar o desequilíbrio que se gerou. Por exemplo colocar ou César Peixoto ou Rúben Amorim nas alas ou ainda Carlos Martins no meio ao lado de Javi. No entanto, com a afirmação definitiva de Gaitan e Sálvio nas alas, a dupla Javi Garcia (indiscutível)-Aimar acabou por ser  mais habitual. Era um 4-4-2 muito marcadamente ofensivo que deu resultados muito negativos numa época para esquecer. 

2011/2012

Chegaram ao Benfica no início dessa época Matic (incluído no negócio de David Luiz que saíra a meio da época anterior, no fim do período de transferências de Janeiro) e Witsel. Este impôs-se na equipa rapidamente e o meio campo passou a ter uma composição mais equilibrada: Javi e Witsel complementavam-se muito bem. Ao passo que Aimar era um criativo sem presença no meio campo (pouca capacidade de choque, pouco poder de recuperar bolas e o próprio posicionamento muito avançado, perto dos pontas de lança), Witsel era o chamado "box-to-box", com uma presença física importante no meio campo. Foi uma época melhor do que a anterior na qual o campeonato se perdeu devido a arbitragens miseráveis e ao esgotamento físico dos jogadores (não houve quase rotação). 

2012/2013

A época passada começou com a mesma dupla no meio campo mas antes do fecho do período de transferências Javi e Witsel foram transferidos. Imaginava-se o pior mas a verdade é que foram substituídos por Matic e Enzo e a equipa ficou ainda mais forte. Matic demonstrou uma capacidade extraordinária para não apenas ser o "novo" Javi Garcia como ainda lhe juntar alguns dos predicados de Witsel. Enzo por seu turno é um grande futebolista, para mais muito raçudo e de alta rotação.

2013/2014?

Com a saída de Matic a solução que me parece mais provável é a sua troca directa por Fedja. Existem obviamente outras possibilidades, incluindo a do Benfica adoptar um 4-3-3 tal como já aconteceu esta época, abrindo-se então espaço para Rúben Amorim. A minha aposta vai porém para Fedja, pelos seguintes motivos: é um jogador mais forte e com mais capacidade de choque do que Amorim; tem rotina da posição e poderá, sublinho poderá, dar mais garantias em termos defensivos. Agora Fedja é claramente um jogador com mais dificuldades a construir, com menos velocidade, um jogador mais ao estilo de Javi do que de Matic. Mas, como se vê pela amostra, o meio campo do Benfica tem mudado constantemente ao longo dos anos (certamente também pela valorização dos jogadores que lá actuam) pelo que não há razões para pânico. Com solidariedade entre os jogadores acredito que a qualidade existente no plantel permitirá suprir esta perda. 

É preciso descaramento!

Eu comprometi-me este ano a não falar de arbitragens e tenho cumprido até ao momento. No entanto neste momento não posso deixar passar uma manobra que visa de uma forma descarada condicionar (ainda mais) as arbitragens.

Pinto da Costa diz que o atraso do Porto no campeonato se deve a "arbitragem escandalosa no Estádio da Luz". E o treinador, acossado pelos adeptos e acusado de incompetência pelos comentadores afectos ao seu clube em programas televisivos, vem dizer que a sua posição e a dos jogadores é exactamente igual à do seu presidente e ainda que há uma "campanha" para beneficiar o Benfica, cuja prova seria a de que "ninguém falou da arbitragem durante a semana".

Esta gente é doente! Nem vale a pena qualificar muito mais.

Agora é importante sublinhar uma coisa: o Benfica não pode deixar de fazer valer a sua posição. Porque neste País há muitos mentecaptos e muita gente influenciável. Existe pouca capacidade crítica e de discernimento. É sabendo-o que Pinto da Costa, um comunicador e propagandista de enorme calibre, lança estas atoardas. A imprensa deste País, claro está, dá grande destaque à "notícia".

O Benfica não pode deixar passar esta tentativa de manipulação descarada e deve denunciá-la com firmeza, pois se houve uma decisão absolutamente ESCANDALOSA, ao nível do mais descarado que jamais vi num campo de futebol, foi a não marcação do penalty, evidente e cometido a um metro do árbitro, de Mangala. Todos os outros lances são discutíveis e passíveis de interpretações - eu por exemplo acho que Jackson agrediu Maxi Pereira e que portanto devia ter sido expulso - agora o de Mangala é evidente e o ÁRBITRO VIU-O.

Pinto da Costa não tem de facto um pingo de vergonha na cara!



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Fotos do clássico

Aqui ficam mais fotos que permitem, aos que não puderam estar no Estádio, sentir um pouco do ambiente fantástico que se viveu no Domingo - e que muito se deve ao facto do jogo ter sido às 4 da tarde, que por sua vez só é possível devido à decisão de manter os direitos no clube e transmitir os jogos na BenficaTV. Desde o início que achei esta decisão fundamental para o Benfica, no sentido de romper com o "sistema" e mudar o caminho (viciado) do futebol português.
Desde já informo que há mais fotos na página "Estádio da Luz", que podem encontrar aqui no blog no separador que se encontra no topo da página e que temos ainda mais fotos e também um vídeo HD dos momentos que antecederam o jogo (e nomeadamente quando se cantou o hino do Benfica) na nossa página no Facebook.
Quanto às fotos abaixo, podem clicar para ver em tamanho maior.







segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Este é o verdadeiro Benfica

Assistiu-se a uma grande jornada de benfiquismo este Domingo.

O ambiente foi extraordinário em todos os aspectos: Estádio cheio, grande apoio à equipa e grande respeito pela memória de Eusébio, o maior jogador de sempre do Benfica.

Começando por este último aspecto, há que dar os parabéns à estrutura benfiquista pela forma como organizou as cerimónias até ao jogo de ontem inclusivé. A coreografia foi simplesmente espectacular, provavelmente a melhor que já vi num Estádio de futebol. Há igualmente que reconhecer a forma como o minuto de silêncio foi respeitado por todos os adeptos, inclusivamente os do Porto (entre quase 63.000 pessoas houve apenas meia dúzia de espectadores que ensaiaram uns berros mas foram de imediato silenciados por quem os rodeava). Esse facto merece ser destacado face ao clima de grande tensão que bem se conhece.

Ainda sobre a coreografia, o virar de página ou virar da cartolina teve um grande simbolismo e permitiu que da respeitosa memória de Eusébio se transitasse com naturalidade para as emoções mais coloridas do jogo de futebol, de que aquele foi "King". Bonita igualmente a decisão dos jogadores terem nas camisolas o nome de Eusébio.



O ambiente foi fantástico. Pela primeira vez em muitos anos o Benfica - adeptos incluídos - não enfrentou este jogo a medo, quase com as pernas a tremer. Nas partidas dos últimos anos em particular isso era absolutamente evidente: o Benfica mostrava-se mais forte no campeonato mas quando chegava a estes clássicos parece que se sentia em inferioridade mesmo quando jogava em casa. Havia uma ansiedade e um receio que já se transmitiam das próprias bancadas para dentro do campo.

Desta vez parece-me que os benfiquistas todos acharam que vencer o Porto em casa é um desfecho normal pelo que não se justificava tamanha ansiedade, tamanho nervosismo. Creio também que o "efeito Eusébio" nos libertou de uma certa negatividade em relação ao Porto que não estava a ajudar. Penso que o Benfica nos últimos anos se deixou embrenhar num jogo em que sai a perder: o de entrar num processo de ódio ao Porto. Talvez para o Porto a lógica do "contra"  possa funcionar, uma vez que Lisboa é a capital e o Benfica o maior clube em adeptos. Mas para nós não. Nós não podemos entrar nesse tipo de lógica; o ódio não nos dá força, pelo contrário inibe-nos de mostrar o nosso melhor. Temos sim que interiorizar a grandeza e dimensão do Benfica e jogar sem qualquer medo, como foi o caso, permitindo que essa grandeza e o grande ambiente à volta do campo funcione a nosso favor. Foi isso que, como em tantas décadas no passado, sobretudo desde os anos 60 aos 80, ontem voltou a acontecer. 

Este jogo trouxe várias lições. É verdade que este Porto estava mais fraco do que no passado. Mas também no tempo de Vitor Pereira se pensava que o Benfica estava mais forte e no entanto não conseguíamos ganhar. Mesmo na época de Villas-Boas, sobretudo no primeiro jogo, para  Supertaça, o Benfica era favorito e depois aconteceu o que se sabe. Uma das lições que este jogo trouxe é que o Benfica pode ganhar ao Porto em casa jogando com dois pontas de lança. 

Vejo muitas vezes especialistas de internet explicarem que Jorge Jesus é ignorante tacticamente por insistir em jogar com dois pontas de lança nestas partidas. No entanto o Benfica não apenas jogou Rodrigo e Lima como ainda acrescentou aos avançados Markovic, para não falar de Gaitan. Isto mostra que de facto para lá dos sistemas, conta sobretudo a dinâmica que os jogadores são capazes de imprimir. E mostra que as certezas absolutas que algumas pessoas dizem ter devem ser refreadas. 

Nesta partida os jogadores do Benfica foram solidários e esse foi outro factor determinantes na vitória. Houve de facto uma grande comunhão de sentimentos entre todos os que estiveram no campo e os que estavam nas bancadas com as camisolas do Benfica.

Os "11 Eusébios" foram confiantes, determinados e abnegados e ganharam com toda a justiça e sem margem para dúvidas, dedicando a vitória e os golos ao Pantera Negra. Foi uma jornada de grande benfiquismo que nos faz pensar que podemos esperar coisas boas no futuro. Esperemos que assim seja.