quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

As preocupações dos benfiquistas

Por estes dias o Benfica está em 1º lugar no campeonato e continua noutras competições. A equipa tem subido de rendimento e fez ultimamente alguns bons jogos. Venceu o Porto de forma clara algo que, apesar de dever ser normal, não acontecia há vários anos. 

No entanto percorrendo a blogosfera, dir-se-ia que o Benfica estava num momento desastroso, afastado da luta pelo título e com exibições miseráveis. De facto as críticas são tantas e tão constantes que seríamos levados a pensar assim se não soubessemos que a realidade é felizmente outra. 

Não defendo obviamente uma atitude acrítica por parte de ninguém, mas tudo tem limites. Quando, num momento destes, com o nosso clube envolvido em vários desafios da maior importância e sabendo da falta de princípios do nosso principal adversário, muitos benfiquistas se dedicam diariamente a encontrar temas para criar polémicas ou atacar quem está à frente dos destinos do clube, algo não vai bem na blogosfera benfiquista e merece ser reflectido. 

Quem publica em blogs gosta de ser lido, isso é evidente e legítimo. O que me parece muito discutível do ponto de vista do benfiquismo é instrumentalizar o clube nessa ânsia de audiências, por vezes levantando e empolando temas que só fomentam a dissenção e a divisão interna. 

Nos últimos dias houve "polémica" atrás de polémica, muita dela fomentada pelos próprios benfiquistas. 

Assim de repente lembro-me das seguintes:

Matic não deveria sair do clube.
Jesus desrespeitou a formação.
Artur está triste e no aquecimento só defende com os pés (garanto-vos que li isto!).
Não há gala do Benfica este ano.
André Gomes só entrou no tempo de descontos contra o Marítimo.
O irmão de Matic foi-se embora (polémico por vir, polémico por partir).
O relvado não está em condições.

Não acham que chega de tanta choradinho?

A saída de Matic obviamente não era desejável. Mas há que saber olhar para as coisas de forma realista. Matic queria sair, isso era evidente e o próprio já o disse. Depois da não fazer nenhuma venda relevante no início da época e da não continuação na Liga dos Campeões, o Benfica precisava de receitas, ou seja de vender alguma das suas "pérolas".

Matic podia ter rendido mais mas não se pode esquecer que ele chegou ao Benfica oriundo do Chelsea incluído no negócio de David Luiz. Nessa altura recebemos 25 milhões de euros mais Matic. Agora recebemos mais 25 milhões. Acho que não nos podemos com seriedade queixar muito deste negócio porque na prática um jogador (David Luiz) que fomos buscar quase a custo zero com 17 anos rendeu-nos 50 milhões de euros mais um "empréstimo" de Matic por dois anos e meio. E por favor não me venham dizer que estou a defender Luis Filipe Vieira por isto ou por aquilo porque já o critiquei no passado e voltarei a criticar no futuro se achar que ele o merece. Sou absolutamente independente de qualquer poder ou grupo dentro do Benfica e digo exactamente o que penso depois de tentar analisar as coisas o melhor que consigo.

Aquilo que é importante agora é gerir bem a saída de Matic e de preferência não vender mais ninguém. A saída de Rodrigo em particular seria a meu ver desastrosa, pois Cardozo poderá não voltar a jogar na presente época e Lima não está num grande momento sobretudo na finalização, que é o mais importante. 

Quanto à questão das declarações de Jorge Jesus sobre substituir Matic através da formação, claro que não foram felizes, como logo se percebeu. No entanto o próprio veio rectificar o que dissera e afirmar que não desejara ofender ou diminuir a formação do Benfica. Por outro lado, os míudos, na sua reacção a quente demonstraram o seu amor pelo Benfica ao afirmarem que jogar no seu clube é o sonho que alimentam e do qual não abdicarão. Não há pois razão para - os próprios benfiquistas - empolar este caso.

Quanto ao resto são questões perfeitamente secundárias e folclóricas que não devem de modo nenhum preocupar os benfiquistas. Não vale a pena andar com tanto excitamento à flor da pele. 

Fusão PT/ZON/Sportinveste (Oliveira) chumbada

A notícia é de ontem à noite, veio referida na imprensa online e o "Público" de hoje dá-lhe grande destaque. Já a vi referida no blog Belo Voar da Águia que assinala e bem que se tratam de boas notícias: com efeito, a ERC (entidade reguladora da comunicação social) chumbou o acordo de entrada da PT no capital da Sport tv que passaria, caso o acordo se mantivesse, a ser detida 25 % pela PT, 25% pela ZON e 50 % por Joaquim Oliveira através da Sportinveste.

Na prática, o que este acordo significaria era um reforço da posição de quase monopólio da Sport TV no tocante aos direitos televisivos e portanto uma posição de controlo das principais fontes de receita do futebol. Daí a uma tremenda influência sobre os clubes vai um pequeno passo. É sobre este pressuposto que assenta grande parte do poder daquilo a que normalmente se chama o sistema.

No detalhe, o acordo (agora vetado) determina que ZON e PT (MEO) passariam a ter condições privilegiadas para distribuir a Sport TV (em detrimento da Vodafone e da Cabovisão) e que  se comprometiam a "não concorrer" contra a Sport TV. Não é claro o que significa esta cláusula de "não concorrência" mas no limite ela podia significar que a ZON e a PT fossem impedidas de distribuir a Benfica TV por esta ser concorrencial em relação à Sport TV.

O parecer negativo da ERC é pois uma boa notícia para o Benfica que, através da sua SAD, tinha contestado o negócio junto da Autoridade da Concorrência. Ele junta-se a um outro chumbo da ICP-ANACOM (autoridade nacional de comunicações). Não é porém ainda definitivo, uma vez que última palavra cabe à Autoridade da Concorrência. Isto se o assunto não chegar mesmo aos tribunais, o que ainda é possível.

A luta pelo poder continua pois no futebol português e estamos muito, mas mesmo muito longe de poder cantar vitória ou sequer de poder decretar um "fim de ciclo". Pode haver sinais disso, mas nada ainda de decisivo.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Na direcção certa

As propostas do Sporting para alterações estruturais no futebol português, a começar pela arbitragem, vão, por aquilo que conheço, na direcção certa. De acordo com notícia de hoje do "Record", o Benfica, através de representante presente em reunião em Alvalade, terá concordado com a grande maioria das mesmas.
Aquilo que se precisa no futebol português é de completa transparência nos vários processos e de regras claras, que limitem ao mínimo as arbitrariedades. O edifício da arbitragem está, como temos dito, inquinado pelo sistema dos observadores e o próprio modo como são feitas as nomeações (critérios ou falta deles). Tudo isso tem que ser alterado, de forma a que existam formas objectivas de avaliar as arbitragens e que consequentemente os árbitros não estejam completamente dependentes (no que respeita ao sucesso da sua carreira) do centro de poder futebolístico, que tem sempre e muito marcadamente uma cor clubística.
O Porto não deseja mudar o actual estado de coisas pois não lhe interessa um sistema transparente, no qual exista lisura de processos e regras claras e justas. Ao Porto interessará sempre o actual sistema opaco, lamacento mesmo, no qual possa mover influências de bastidores para daí retirar proveitos, não apenas ao nível da arbitragem mas também da disciplina. Não se pode portanto contar com ele, aliás esta reforma terá que ser feita com a sua oposição.
É porém muito positivo que Benfica e Sporting (para além de um conjunto vasto de clubes das ligas profissionais) se estejam a entender. É sinal de que se caminha para um sistema transparente, no qual se possa confiar e no qual ninguém se sente à partida em vantagem ou prejudicado. Era importante que as massas adeptas de ambos os clubes manifestassem o seu apoio a esta forma de agir, pois do respectivo sucesso depende, em última análise, a viabilidade do futebol português. 
Jogos "fabricados", como tantas vezes são os do Porto, são autênticas machadadas no prestígio de uma competição e tornam mais difícil vendê-la, quer a nível interno quer internacional. Ora o futebol depende hoje muito da sua capacidade de financiamento, sobretudo através dos direitos televisivos, a uma escala global. O campeonato português é visto em França, nos EUA, no Brasil e nalguns países da arábia/golfo pérsico (isto não contando com o jogo semanal transmitido pela RTP-I), mas poderia e deveria estar ainda em mais. Não digo que pudesse ter a difusão do inglês, mas capitalizando na dimensão global da Língua Portuguesa, poderia certamente ter uma maior projeção. O futebol português, mais ainda agora com a consagração de Ronaldo, é conhecido e apreciado, podendo ser mais visto.
Para tal precisa porém de mais gente nos estádios, melhores e mais sãos espectáculos, para o que é imperativo acabar com o actual sistema bafio e doentio dos pintos da costa e lourenços pintos.  
Uma vez mudadas as coisas, no sentido das leis e regulamentos por si mesmos esvaziarem (em larga medida) o poder ilegítimo dos bastidores do futebol, haverá necessariamente que fazer uma grande renovação ao nível dos quadros, sobretudo toda a gente ligada à arbitragem, desde o senhor Vítor Pereira aos observadores e passando naturalmente por grande parte dos árbitros. Muitos fizeram a sua carreira graças a padrinhos e influências, por estarem lá a fazer o jogo de alguns, projectados pela comunicação social a píncaros que nunca mereceram. Tudo isso tem que acabar.
Não tenhamos dúvidas de que a BenficaTV foi um passo essencial para tornar possível a mudança. O poder do futebol português assenta muito na Olivedesportos, como o próprio António Oliveira, irmão de Joaquim, já assumiu publicamente. Este blog, que a certa altura, no auge das arbitragens clubísticas, decidiu "auto-suspender-se" por estar cansado de tanta batota e da apatia do Benfica, regressou justamente na sequência da não venda dos direitos televisivos à Olivedesportos por considerar esta decisão crucial para mudar o panorama futebolístico em Portugal. Fico muito satisfeito por ver que Sporting se juntou a esta luta e que pode haver finalmente vontade "política" para mudar as coisas para melhor. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O vício de mentir e os "árbitros adeptos"

É uma pena que o Porto não tenha aproveitado a mudança de clima que a partida de Eusébio gerou no Portugal futebolístico. Podia tê-lo feito. Não mudaria o passado, mas pelo menos podia preparar um futuro um pouco menos vergonhoso do ponto de vista dos valores desportivos, para não dizer morais.
A "cultura" do FC Porto é uma cultura de agressão e falsidade. E isso é muito difícil mudar. Se dúvidas houvesse veja-se estas últimas declarações do seu presidente e do seu treinador.

Pinto da Costa, o tal que dizia que só os "burros" falavam de arbitragem, veio dizer que Artur Soares Dias, árbitro que, segundo se diz, tinha um registo "perfeito" em jogos do Porto (só vitórias), "não tem condições para arbitrar". E isto porquê?

Porque Soares Dias não beneficiou suficientemente o seu clube como, para a mentalidade de Pinto da Costa, deveria. Aquilo que Pinto da Costa de facto disse é que não marcar um penalty descarado, indiscutível e óbvio, que ocorreu nas barbas do árbitro, contra o seu clube (evitando assim também a expulsão do seu jogador) não é suficiente. Não, isso é o "normal". Depois disso, o árbitro deveria ter feito o necessário para que o Porto mesmo assim não perdesse o jogo.

Soares Dias, que de acordo com os portistas era, até dia 12 de Janeiro, o "melhor árbitro português", deixou, a partir desse dia, de ter condições para apitar. Isto porque o Porto perdeu um jogo por ele apitado.

Esteve bem Bruno de Carvalho, Presidente do Sporting, ao dizer que de facto esta actuação era merecedora de um óscar de Hollywood.

E depois disto, como se não bastasse, ainda surgiu o treinador, que após o clássico na Luz declarara que "não havia nada a dizer sobre a vitória do Benfica", a explicar-nos agora que afinal isso era tudo parte de uma "estratégia" para ver se a comunicação social falava por sua inciativa da arbitragem. Como ninguém falara da arbitragem ficava provado que existia uma "cabala" para prejudicar o Porto. Patético.

A vergonha está à mostra para quem a quiser ver. Já nada é escondido, tudo se faz às claras. Um árbitro que faz vista grossa a um penalty descarado que se passa a um metro de si, mas DESCARADO a um ponto que quase não se acredita, ser ainda criticado pelo clube que beneficiou dessa decisão, é de facto o cúmulo. Aquilo que se está a dizer em público, é que os árbitros têm que fazer o que for preciso, não importa quão evidente, para que o Porto ganhe. Pinto da Costa mostrou que a sua natureza é a de um puro batoteiro e esvaziou de qualquer mérito, que ainda pudesse ser reconhecido, as vitórias do seu clube.

Um autêntico escândalo que os comentadores deixaram, na maior parte dos casos, passar quase despercebido, sem analisarem e retirarem as consequências lógicas destas declarações que, apesar de tudo, ainda considero infelizes, pois não posso acreditar que Pinto da Costa realmente desejasse, como acabou por fazer, dizer publicamente que o seu clube quer ganhar com batota. 

Quanto ao árbitro, tem o que merece, pois não tem seriedade para desempenhar aquelas funções. Este é o árbitro que entregou a sua camisola a um adepto no dragão, que fez a arbitragem miserável que se sabe há dois anos em Alvalade, tirando-nos definitivamente a possibilidade de chegar ao título, e que no ano passado nas Antas marcou dois penalties contra o Rio Ave, ambos inexistentes, um dos quais aos 45m+1 não fosse o Porto a perder (como estava) para o intervalo. Se Soares Dias fosse sério, teria quem o defendesse agora, mas como a sua carreira foi feita à custa do clube do seu coração, agora que este, ingrato, lhe vira as costas, o portuense portista está sozinho. 

Foi, sem sombra de dúvida a pior arbitragem que vi na minha vida, com a decisão mais escandalosa de que me lembro (o lance de Mangala) e um conjunto de outros lances menos evidentes mal decididos para os dois lados. O jogo acaba mesmo com uma cena de comédia, a rábula da bola ao ar que só faltou ter resultado em golo do Benfica para completar a pantomina. Lamentável, absolutamente lamentável mas facilmente explicável - como passo a demonstrar.

Aqui há pouco mais de um ano "desafiei" Vitor Pereira, da arbitragem, a nomear os árbitros conhecidos por prejudicar o Benfica em jogos fora, para jogos na Luz. A razão era simples: eu não acreditava que na Luz eles se atrevessem a fazer o que faziam nos jogos fora.

O que aconteceu com Soares Dias foi o seguinte: durante a primeira parte, decidiu constantemente contra o Benfica mas não houve nenhum caso muito importante (a não ser um lance em que dois jogadores do Porto fazem falta para amarelo e nenhum o vê); na segunda parte há o lance do penalty de Mangala a um metro de si - o Estádio explode; mas no lance imediatamente seguinte há o golo, de "raiva", pela injustiça flagrante e pouco depois o lance de Jackson com Maxi; aqui parece novamente muito claro haver uma agressão (na repetição fica-se na dúvida e aceita-se o amarelo); todos os intervenientes esperam o vermelho mas Soares Dias dá o amarelo; nova assobiadela monumental e o árbitro a partir daí já está no limite das suas forças para combater o Benfica e suportar a pressão do Estádio; já não tem coragem para marcar o possível penalty sobre Quaresma e expulsa Danilo por pretensa simulação. A partir daqui o seu desnorte já é completo. Ele já só queria sair dali.

Por esta razão, os adeptos não podem ser árbitros. Mas infelizmente isso acontece em Portugal, como, para além do caso em apreço, se viu ainda agora com dois árbitros de andebol. Depois de uma arbitragem absolutamente tendenciosa num clássico Benfica-Porto, com enorme influência no desfecho do jogo (que ocorreu há alguns meses), descobriu-se que os mesmos tinham páginas no Facebook onde faziam piadas sobre o Benfica, assumiam o seu portismo e subscreviam mesmo páginas do "anti-Benfica". Os árbitros foram suspensos e terão agora assumido a sua saída da arbitragem (talvez para integrar a "estrutura" do Porto).

Está na hora de acabar com esta pouca vergonha.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

As maiores transferências do Benfica

De acordo com um levantamento feito pelo semanário "Sol", Jorge Jesus é o treinador que mais receitas com transferências gerou a um clube português.

Ao todo, o Benfica terá realizado em vendas cerca de 251 milhões de euros desde que JJ é treinador.

As principais transferências foram as seguintes:

Witsel 40 milhões - Zénite São Petersburgo
Javi Garcia 20 milhões - Manchester City
Matic 25 milhões - Chelsea
Ramirez 11 milhões (por 50% do passe que era o que o Benfica detinha na altura) - Chelsea
David Luiz 25 milhões (+ Matic, na altura avaliado em 5 milhões) - Chelsea
Fábio Coentrão 30 milhões - Real Madrid
Di Maria 33 milhões - Real Madrid
Bruno César 5,5 milhões - Al Ali
Melgarejo 5 milhões - Kuban Krasnodar

Só aqui estão 194,5 milhões, faltando depois um conjunto de outras vendas menores (e por ano há literalmente dezenas de transferências, a maioria das quais nem chegam a ser referidas pelos media).

São números que não podem ser ignorados e que demonstram, em primeiro lugar, que o Benfica tem bons olheiros e, em segundo, que Jorge Jesus tem sido capaz de valorizar jogadores. David Luiz, Javi Garcia e Coentrão não tinham, nem pouco mais ou menos, estatuto internacional quando chegaram ao clube e chegaram ao topo do futebol mundial. Di Maria, Matic, Witsel e Ramirez pelo contrário já vinham referenciados, mas atingiram no Benfica um patamar superior. 

Já agora e para complementar esta informação refira-se que antes destas, as maiores transferências do Benfica tinham sido as de:

Simão 18 milhões (Atlético de Madrid) em 2007
Manuel Fernandes 18 milhões (Valência) em 2007
Nuno Gomes 17 milhões (Fiorentina) em 2000
Tiago 12 milhões Chelsea em 2004.

Falta agora ao Benfica, para além evidentemente de títulos, começar a aproveitar os frutos do trabalho da formação, com uma aposta mais consistente nos valores portugueses, a começar por André Gomes que me parece que agora que Matic saiu deverá começar a ter mais oportunidades para jogar.


A degola de Moyes

O estado do Manchester United esta época e as ausências de Rooney, Van Persie, Nani e Fellaini (todos por lesão) não faziam prever nada de bom para esta equipa na sua deslocação a Londres para defrontar o Chelsea. Em casa, Mourinho tem um registo "limpo", sem qualquer derrota para o campeonato. O modo como as suas equipas normalmente jogam nos jogos grandes era mais um factor que atribuía forte favoritismo ao Chelsea. 
Foi por isso sem surpresa que se assistiu à completa vulgarização do ainda campeão inglês. Enquanto houve jogo (apesar de um começo razoável mas inofensivo do United) o Chelsea foi de uma superioridade esmagadora. A partir do 3-0 (que aconteceu logo aos 48m) foi claro o abrandamento: para Mourinho não há vantagem em obter goleadas em jogos que valem 3 pontos, pelo que passou a haver uma gestão de esforço. O Chelsea facilitou mesmo um pouco e o United conseguiu o golo de honra, já perto do fim. Nunca houve porém, a partir do 1º golo do Chelsea, que surgiu logo aos 16m, qualquer dúvida acerca do desfecho do jogo. 
Mourinho voltou a ter um toque mágico, ao colocar Etoo no 11, em detrimento de Torres, pois o camaronês fez um hat-trick. Torres pelo contrário acabou por se lesionar nos poucos minutos que esteve em campo e estará ausente por algumas semanas. 
De sublinhar também que David Luiz voltou a jogar no meio campo, ao lado de Ramirez. É uma situação que Mourinho vem gerindo, conhecendo-se a qualidade do brasileiro e o seu estatuto, agora com esta "solução" de jogar no meio. Na defesa Terry é um bastião intocável e Cahill é um defesa à medida de Mourinho - muito seguro e concentrado, não é dado às subidas e "aventuras" de Luiz. Terry e Cahill completam-se muito bem. Veremos como é que, com soluções como Matic, Obi Mikel e Lampard no banco, Mourinho gere a situação de Luiz nesta segunda metade da época. Claro que poderá sempre haver alguma lesão de um dos centrais neste momento titulares, mas se não for o caso pode estar ali um problema.
Independentemente deste aspecto, há que reconhecer que Mourinho vem fazendo um excelente trabalho e que esta equipa não tem nada a ver com a que jogou nas primeiras jornadas do campeonato. Está muito mais forte, muito mais consistente, mantém-se a apenas 2 pontos da liderança e vários jogadores subiram muitíssimo de rendimento.  

Outra boa surpresa tem sido a consistência do Arsenal, que se mantém na liderança. Ozil veio indiscutivelmente dar muita maturidade e dimensão à equipa na qual se destacam ainda outros jogadores como Ramsey e Giroud, para além da defesa, nomeadamente guarda-redes e centrais. É uma pena que Walcott se tenha lesionado e não volte a jogar esta época. A regularidade tem sido o apanágio desta equipa que conseguiu "sobreviver" ao "choque com os titãs" que aconteceu há algumas jornadas atrás. Apesar de uma derrota copiosa com o City, o empate com o Chelsea permitiu ao Arsenal manter-se na frente. Essa liderança é, estou convencido, o combustível de que se alimenta esta equipa, pelo que será essencial mantê-la para prolongar o élan vencedor. Temo que perder a posição cimeira possa significar uma grande queda para o Arsenal em termos de mentalidade e motivação. 

Já o Liverpool disse adeus ao título precisamente nesse mini ciclo de jogos com os gigantes: duas derrotas entre o Natal e o fim de ano, ambas por 2-1 e ambas depois de estar em vantagem, contra City e Chelsea abriram um fosso que já não é recuperável para o trio da frente. Nunca considerei o Liverpool como candidato mas confesso que fiquei surpreso pelo boa forma e bom futebol que vem demonstrando esta época.

Finalmente o City apresenta-se como a equipa com o plantel mais forte e que nessa medida será o principal candidato a vencer, até porque tem mostrado qualidade e consistência nas últimas jornadas. As opções são mais do que muitas para todos os sectores do campo, incluindo suplentes de luxo. 

As próximas jornadas prometem mais emoções trazendo alguns jogos importantes na luta pelo título: o City na próxima quarta, dia 29, vai a Londres jogar com o Tottenham (que desde a saída de Villas-Boas vem encetando uma grande recuperação, com Addebayor a desempenhar um papel importante) e na jornada seguinte recebe o Chelsea. Começamos, lá como cá, a entrar na fase das decisões, aquela na qual começa a não haver muito tempo para recuperar de qualquer erro.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Vitória segura

O Benfica abordou bem o jogo e venceu o Marítimo com justiça. A equipa fez um jogo seguro, tendo controlado o adversário e o rumo da partida durante a maior parte do tempo.
Oblak ajudou nessa segurança e controlo pois fez duas ou três defesas de grande grau de dificuldade.
Jorge Jesus preparou bem o jogo e no essencial mexeu bem na equipa.
  
A grande curiosidade era ver como Fedja assumia o seu novo papel na equipa e pode-se dizer que o fez bem. Esteve sempre perto da bola e conseguiu fazer na maioria das vezes as compensações defensivas. Não se espere dele a exuberância de Matic.
Matic tem de facto uma qualidade de topo como comprova o facto de Mourinho o ter querido ter na sua equipa.
No entanto Fedja, num estilo mais discreto, pode igualmente ser um jogador importante para a nossa equipa, que lhe traga equilíbrio e segurança defensiva. Precisa naturalmente de tempo de jogo e de se habituar às rotinas da equipa.
Na fase final da partida entrou Rúben Amorim e foi novamente ensaiado o esquema alternativo 4-3-3. O Marítimo teve apenas mais uma situação de perigo, num passe para as costas de Maxi Pereira, com o jogador maritimista a isolar-se pela meia direita da nossa defesa e a rematar para uma excelente defesa de Oblak que levou ainda assim a bola ao poste. O Benfica poderia porém também ter marcado por mais do que uma vez neste período. Lima continua a não acertar com as redes, apesar do evidente empenho. O contraste com um Rodrigo cada vez mais confiante e eficaz é enorme, mas não podemos esquecer que foi Lima quem noutras alturas resolveu e que o brasileiro trabalha imenso em prole da equipa.
Destaco também Gaitan, que está um jogador cada vez mais inteligente. Os seus passes são inteligentes, criativos e intencionais. Gaitan tem crescido e amadurecido muito esta época.
No geral foi um bom jogo do Benfica. Há que dar continuidade a este caminho.
 
O campeonato agora é interrompido novamente (um disparate com o qual temos que conviver) para a terceira e última jornada da fase de grupos da Taça da Liga. Já apurados, deveremos usar esta partida para rotinar mais Fedja e para dar minutos, como agora se diz, a jogadores como Ivan, André Gomes, Rúben Amorim, Steven Vitória e outros.