quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Grande jogo do Benfica - melhor era difícil

Deixem-me começar pelo 11: excelente gestão do plantel. Jorge Jesus fez aquilo que eu aqui tinha defendido que se fizesse e demonstrou por actos (e não apenas por palavras) que o campeonato é de facto a prioridade máxima da época. É mesmo assim que tem que ser!
 
A grande qualidade do plantel do Benfica pode deste modo ser rentabilizada preservando-se a frescura física de algumas peças nucleares, bem como a boa forma dos menos utilizados e portanto a sua capacidade de resposta quando são chamados. E isto mantendo um nível muito elevado, pois Sulejmani, Djuricic, Sílvio e André Gomes são seguramente jogadores que dão garantias (independentemente de poderem ter dias melhores ou piores).
 
Outra coisa muitíssimo positiva deste jogo é que o Benfica manteve a sua identidade e coesão como equipa, o que demonstra que "os processos estão bem assimilados", como se costuma dizer em futebolês. E isto, note-se, com, para além da mudança de jogadores, a introdução de uma nuance táctica, espécie de "plano B", com o posicionamento de André Gomes no meio-campo ao lado de Enzo e um pouco à frente de Rúben.
 
Excelente foi também a leitura de jogo com a entrada de Fedja após o golo.
 
Claro que agora o PAOK já não joga nada e o Benfica tinha obrigação de tudo e mais alguma coisa, provavelmente até golear, independentemente do facto de ser manifestamente difícil jogar naquele estádio. Claro que agora o ambiente já nada interessa, chegando-se ao cúmulo do ridículo de dizer que os melhores jogadores do PAOK estavam no banco, como se o treinador adversário estivesse a prejudicar intencionalmente a sua equipa ou a tentar ajudar o Benfica a vencer o jogo.
 
Falando de escolhas, refira-se aliás que alguns comentadores chegaram ao desplante de dizer que Jorge Jesus não deveria ter rodado a equipa (!) e que as grandes equipas europeias jogam com os mesmos jogadores todos os jogos, o que ademais é manifestamente falso.

Deixando porém essa arte tão especial que é a de comentador televisivo, especialista em tudo, obviamente muito mais sabedor do que aqueles que de facto têm que tomar decisões e assumir as responsabilidades pelas consequências das mesmas, há que, em síntese, dizer que o Benfica fez uma excelente gestão dos jogadores relativamente às diversas competições e que além disso fez um jogo muito seguro, muito conseguido, em que praticamente não concedeu veleidades ao adversário.
 
Esta competição foi colocada no seu devido lugar, que é de subordinação em termos de prioridade, face ao campeonato. Estabelecido isso, todos os jogos são evidentemente para ganhar e quer a estratégia, quer a forma como ela foi interpretada tornaram esse objectivo mais próximo, como de facto veio a ser alcançado.


PS - uma enorme saudação para o regresso de Sálvio! É óptimo podermos contar com este jogador, certamente um dos melhores do plantel, nesta fase decisiva da época. Mais um exemplo da qualidade superlativa deste plantel que soube suprir a sua ausência sem que quase se desse por ela. Sálvio traz porém um enorme acrescento de qualidade, que ninguém duvide disso. Veremos como JJ reajusta a equipa mas não me admiraria que Markovic pudesse começar a alternar na frente de ataque com Lima ou Rodrigo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A queda do City e a "normalidade"

Até ao jogo com o Chelsea para o campeonato o Manchester City era uma equipa temível que desmantelava adversário após adversário e que se previa que pudesse ter uma época repleta de sucessos. 

A derrota (clara e indiscutível) frente ao Chelsea mostrou porém que a equipa tinha (tem) debilidades e que está muito longe de ser imbatível. Os jogadores já não têm a mesma alegria a jogar, a mesma confiança nas suas capacidades e a mesma certeza de que as coisas lhes sairão bem. Por vezes é assim e por isso as derrotas são testes muito grandes à capacidade mental das equipas. 

Há porém um outro factor na queda de rendimento do City: a ausência por lesão de Aguerro. Esta lesão aconteceu precisamente antes do jogo com o Chelsea e afectou tremendamente a equipa. É que Aguerro é um jogador de classe mundial, um jogador que está no patamar logo abaixo de Cristiano Ronaldo e Messi, e que abrilhanta muito a equipa onde actua. 

Nessa medida, a vitória do Barcelona acabou por ser absolutamente normal e, logo a partir dos primeiros minutos de jogo, relativamente previsível. A tal "dimensão física" que o City tentou fazer valer, falhou por completo face à "rabia" que o Barcelona lhe impôs. Com todos os seus melhores centrocampistas em campo, o Barcelona voltou ao seu estilo de posse de bola e pressão imediata logo que a perdia. Não deu qualquer veleidade ao City.

O Barcelona continua a ser uma grande equipa do futebol europeu (frase em si mesma quase redundante) e deu ontem uma enorme lição a um dos "novos-ricos" do futebol europeu.

Também sem surpresas, o Paris SG venceu o Leverkussen, sendo apenas os números dificilmente antecipáveis.

Caso a "normalidade" se mantenha, o Arsenal será atropelado pelo Bayern e o Atlético de Madrid conseguirá ultrapassar o Milan que já há várias épocas deixou de ser um colosso europeu.

Os restantes 4 jogos relativos à primeira mão dos oitavos de final serão jogados para a semana.

Espera-se que Chelsea, Dortmund e Real Madrid acabem por ultrapassar respectivamente o Galatasaray, o Zénite e o Shalke 04. Na outra eliminatória as coisas já são mais imprevisíveis face à época desastrosa que o Manchester United está a realizar. O Olympiakos poderá causar uma meia surpresa. 

A segunda (e decisiva) fase do campeonato

Não há como enfatizar em excesso esta dupla mensagem: o campeonato é a prioridade absoluta da época e tudo se mantém em aberto.

Claro que é bom ter uma vantagem de 4 e 5 pontos sobre os concorrentes mas a fase decisiva ainda não chegou. Daí eu falar da segunda fase do campeonato, a fase de todas as decisões, apesar de contabilisticamente termos já passado a metade (faltam 11 jogos).

Eis abaixo o quadro comparativo de jogos dos 3 candidatos:

Benfica-Guimarães                    Rio Ave-Sporting             Porto-Estoril   
Belenenses-Benfica                       Sporting-Braga             Guimarães-Porto
Benfica-Estoril                           Setúbal-Sporting              Porto-Arouca
Nacional-Benfica                                               Sporting-Porto
Benfica-Académica                      Marítimo-Sporting         Porto-Belenenses
Braga-Benfica                            Sporting-Guimarães       Nacional- Porto
Benfica-Rio Ave                           P. Ferreira-Sporting         Porto-Académica
Arouca-Benfica                            Sporting-Gil Vicente         Braga-Porto
Benfica-Olhanense                        Belenenses-Sporting         Porto-Rio Ave
Benfica-Setúbal                            Nacional-Sporting          Olhanense-Porto
Porto-Benfica                             Sporting-Estoril

Os jogos (J) a negrito são aqueles em que um dos candidatos ao título joga com equipas da metade superior da tabela (>9). Os jogos a negrito e sublinhado são evidentemente os jogos entre os candidatos ao título (>4).

Se considerarmos os jogos serem em casa ou fora como um factor adicional de ponderação, podemos estabelecer o seguinte quadro de dificuldade dos jogos (em que 1 é em teoria o mais fácil):

Em casa com equipa da metade inferior da tabela (<9): 1
Fora com equipa <9: 1,5
Casa com equipa >9: 1,5
Fora com equipa >9: 2
Casa com equipa >4: 2
Fora com equipa >4: 2,5

De acordo com este critério objectivo (embora discutível obviamente), o Benfica é o clube com melhor calendário:

Benfica:    16,5 (soma do grau de dificuldade)
Sporting:   17,5
Porto        17,5

Claro que isto serve para o que serve, que é pouco mais que nada. O que contará de facto é o que as equipas fizerem em campo, sempre altamente imprevisível mas em grande parte resultando da capacidade das mesmas se manterem focadas e da respectiva capacidade de aguentar a pressão e o cansaço.

Ainda olhando para o calendário, verifica-se que não é impossível que o campeonato possa ficar resolvido (ou perto disso) nas próximas 6 jornadas. De facto é aí que se concentram a maioria dos jogos dos líderes com os >9, para além do importante Sporting-Porto. Na jornada 25 em particular todos os candidatos jogam com equipas >9. A partir dessa jornada, fica a faltar ao Benfica apenas um jogo de grau de dificuldade acima da média: o jogo no Porto.

O Porto tem vindo a subir de produção. A dada altura chegou a parecer possível que o Porto pressionasse o botão de "auto-destruição", "saneando" Fernando da equipa. Isso não aconteceu e o Porto está a viver um "novo começo" com novas apostas (Herrera, Quaresma e Abdoulaye) e uma subida visível de rendimento. No entanto a sua tarefa está muito difícil pois não tem margem de erro. Começa já esta jornada por defrontar o Estoril, que está a jogar muito bem, depois vai a Guimarães e duas jornadas depois enfrentará o Sporting. O Porto precisaria de vencer todos estes jogos para poder encetar uma recuperação, algo que, não sendo impossível, me parece muito difícil.

Quanto ao Sporting, veremos se a quebra de rendimento que se tem verificado desde o fim da primeira volta se mantém ou se a equipa consegue voltar aos índices de rendimento mais elevados do primeiro terço do campeonato. O Sporting está numa posição em que já não pode perder mais pontos, sob pena das expectativas para a época se começarem a desvanecer em desilusão. A verdade é que o Sporting enfrenta uma sequência de 5 jogos bastante difícil.

Quanto ao Benfica, tendo em teoria o calendário mais fácil até ao fim, como ficou demonstrado, terá nos próximas jornadas uma excelente oportunidade para se distanciar ainda mais na classificação e ganhar, aí sim, uma vantagem que poderá ser decisiva. Nos próximos 3 jogos, dois deles em casa, enfrentaremos adversários que nas últimas duas épocas nos deram dissabores: Guimarães e Estoril, para além do Belenenses que nos tirou pontos já esta época na Luz. Na jornada do Sporting-Porto vamos à Madeira e duas jornadas depois a Braga (30 de Março). Depois disso e até à última jornada não temos jogos teoricamente muito difíceis.

Esta é certamente a altura de concentrar todos os esforços no campeonato. A oportunidade de recuperamos o título está bem ao nosso alcance. Esta é a altura em que todos os candidatos sabem, sobretudo o Porto, que não podem falhar e em que lançarão mão de todos os seus trunfos. Saiba o Benfica aproveitar o facto de, nesse contexto, ter o melhor calendário para de destacar de modo decisivo na liderança.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

"Xistrema" teve melhor nota que arbitragem do derby!


Não tenho falado praticamente nada de arbitragens, tal como me comprometi no início do ano, mas há coisa que de facto não podem passar em claro.

Então não é que Marco Ferreira, que fez uma arbitragem excelente no último derby, tendo conduzido sempre o jogo de forma sóbria e deixando jogar, ao ponto de ser elogiado por ambas as equipas, teve uma nota inferior a Carlos Xistra no célebre Académica-Benfica em que este senhor marcou dois penalties contra o Benfica, ambos inexistentes?

Sim, é mesmo verdade! Carlos Xistra teve 3,9 pontos nesse jogo, ao passo que Marco Ferreira teve apenas 3,5. 

É por estas e por outras que depois Benquerenças e outros que tais aparecem a arbitrar no estrangeiro, inclusivamente jogos importantes a nível internacional. Marco Ferreira provavelmente não tem padrinhos, apita de acordo com a sua consciência e isso não interessa a muita gente.

Assim vai o futebol português. 

(Os links encontram-se abaixo para quem quiser confirmar os dados). 

http://www.publico.pt/noticia/carlos-xistra-avaliado-com-nota-positiva-no-jogo-academicabenfica-1565631
http://www.dn.pt/desporto/benfica/interior.aspx?content_id=2807484
http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=460831


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Campeonato é a prioridade absoluta

O Benfica venceu bem e com naturalidade um adversário complicado. Garay está num excelente momento de forma e foi decisivo. Gostei de ver o regresso à competição de Rúben e o regresso aos golos de Markovic. Espero que Rodrigo e Lima também voltem rapidamente a marcar, de preferência já contra o Guimarães, de preferência de bola corrida, pois esses golos têm sempre outro sabor. Maxi e Gaitan viram o 5º amarelo e não jogarão nessa jornada.

É importante recordar que o Guimarães tem sido um adversário aziago para o Benfica. Há dois anos foi em Guimarães que começou a derrocada, quando tínhamos 5 pontos de avanço sobre o Porto: uma exibição inqualificável na cidade-berço e um golo de sorte numa das pouquíssimas jogadas ofensivas de que o nosso adversário beneficiou resultaram numa derrota, à qual se seguiriam um empate "a-la-Miguel" em Coimbra e uma derrota "a-la-Proença" na Luz com o Porto. Dos 5 pontos de vantagem passamos a 3 de atraso já perto do fim do campeonato. De igual modo o ano passado o Benfica perdeu com o Guimarães na final da Taça, tornando o fim de época num autêntico desastre competitivo. Mais uma vez o Guimarães nada jogou e em 2 minutos teve a sorte do jogo com dois golos atabalhoados. Mas novamente a culpa foi inteiramente do Benfica que fez uma exibição miserável.

Na próxima jornada importa não brincar e fazer o necessário para vencer o jogo. O Guimarães é uma equipa com pouco futebol, é certo, mas mesmo assim em dois anos trouxe-nos duas grandes tristezas, pelo que estamos proibidos de facilitar. Disse o mesmo antes do jogo com o Gil Vicente mas infelizmente não fui "ouvido".

A eliminatória da Liga Europa que se começa a disputar esta quarta-feira, com toda a sinceridade, pouco me importa. A prioridade absoluta tem que ser o campeonato, seguido da Taça de Portugal e só depois da Liga Europa. 

Penso que Jorge Jesus, que tem feito agora declarações moderadas e ponderadas, que aplaudo, está bem consciente disto - o campeonato, nunca é demais repeti-lo, é a verdadeira prioridade da época

Penso pois que deve haver uma gestão dos jogadores, um doseamento da carga competitiva. Eu apostaria em jogadores como Sílvio, André Gomes, Sulejmani e, caso esteja disponível, Cardozo para o 11. Daria ainda bastantes minutos a Djuricic e Rúben Amorim. Penso que há que tirar partido da abundância de soluções de qualidade no plantel e simultaneamente preservar peças nucleares da equipa para estarem ao máximo das suas capacidades nas jornadas decisivas do campeonato.