sexta-feira, 7 de março de 2014

Jogo(s) decisivo(s)

Os próximos jogos, já se sabe, serão determinantes para o título.
O Benfica parte à frente, com o Sporting perto, no seu encalce. O Porto tem neste momento as suas hipóteses reduzidas ao mínimo. Ao atraso pontual junta uma mudança de treinador, algo que por regra equivale (para qualquer equipa) a não ganhar.
Benfica e Sporting enfrentam  jogos muito importantes, potencialmente decisivos, nas próximas jornadas.
O Benfica joga com Estoril, Nacional, Académica e Braga. O Sporting, depois de virar dois jogos difíceis, com Rio Ave e Braga, de 0-1 para 2-1, joga com Setúbal, Porto, Marítimo e Guimarães. 
O calendário completo e respectiva análise pode ser encontrado aqui no blog, neste momento acrescentaria apenas o seguinte.
Leonardo Jardim estará a dizer à sua equipa que vencendo os próximos jogos, nomeadamente derrotando o Setúbal e Porto, não perdendo na Madeira e vencendo o Guimarães, o Sporting assegurará o primeiro objectivo da época e poderá então assumir como novo objectivo a conquista do campeonato. Ou seja, a confiança do Sporting está a crescer. Os próximos jogos são pois decisivos ou para criar uma dinâmica vitoriosa ou para fazer cair um pouco as expectativas. O jogo em Setúbal será difícil, assim como o jogo com o Porto, obviamente. Depois disso vem um jogo talvez ainda mais difícil que é a visita aos Barreiros para defrontar o Marítimo que este ano derrotou o Benfica e empatou com o Porto. Vencendo todos esses jogos o Sporting poderia criar uma dinâmica forte, alimentada pela ideia de poder chegar ao título, contando com um deslize do Benfica na última jornada. 
Pela nossa parte enfrentamos um jogo que no ano passado nos trouxe um amargo dissabor e o início da grande derrocada. É obviamente um jogo muito importante e difícil mas que o Benfica tem toda a capacidade de vencer. Se o Benfica fizer o que pode, certamente vencerá. Depois virá novo jogo complicado e de má memória se recuarmos à época passada. Foi nessa ocasião que Proença se lembrou de expulsar Matic e Cardozo, tendo o resultado final sido de 0-0. É um dos jogos mais difíceis que o Benfica terá até ao final do campeonato, no qual, como dizia Trapattoni, se não pudermos ganhar é muito importante que não percamos. Depois disso teremos jogos com a Académica e Braga que temos "obrigação" de ganhar. A partir daí e descontando o jogo do dragão, temos 3 jogos em casa e uma deslocação ao Arouca. Em suma, 10 a 12 pontos nos próximos 4 jogos deverão permitir ao Benfica emergir deste ciclo não digo como campeão mas numa posição ainda mais forte do que a actual. 
É portanto hora de darmos todo o apoio à equipa, de começar a encher estádios, sobretudo o nosso. A começar já no Domingo pelas 17.00h. Uma vitória constituirá mais um passo para a conquista de um título que este ano não nos pode fugir.


terça-feira, 4 de março de 2014

Não vamos repetir o desastre

É preciso recordar, pois a memória é selectiva e muito influenciável pela emoção, que na época passada estávamos nesta situação:

Campeonato (Liga Zon Sagres), 21ª jornada 

O Benfica acabava de passar para a frente do campeonato vencendo em Aveiro por 1-0 e beneficiando do empate do Porto em Alvalade (0-0). O Porto parecia em franco declínio, não sendo capaz de bater o pior Sporting de sempre, e o Benfica parecia virtualmente imbatível. Isto aconteceu há exactamente um ano: o Porto jogou dia 2 de Março e o Benfica dia 3.

Taça de Portugal

O Benfica tinha praticamente assegurado para lá de qualquer dúvida a presença no Jamor ao vencer por 2-0 em Paços de Ferreira a então equipa-sensação de Paulo Ferreira. A 1ª mão disputara-se a 30 de Janeiro e a segunda mão ocorreria apenas a 15 de Abril.

Taça da Liga

Tínhamos perdido a 27 de Fevereiro o acesso à final da Taça da Liga perdendo em Braga no desempate por grandes penalidade (2-3). Este ano, recorda-se, a eliminatória foi suspensa devido ao protesto do Sporting e ao "caso atraso".

Liga Europa

O Benfica eliminara o Bayer Leverkussen com um total de 3-1 (1-0 fora e 2-1 na Luz) em eliminatória disputada a 14 e 21 de Fevereiro. Os oitavos de final disputar-se-iam a 7 e 14 de Março (este ano serão uma semana mais tarde) na altura contra o Bordéus.

Análise

Ou seja, a época decorria às mil maravilhas e apresentando até muitas similaridades com a presente. Nomeadamente o Benfica parecia muito sólido e dava a ideia de ser quase impossível perder um jogo. Tendemos a dizer que agora a equipa denota uma grande segurança - e é verdade - mas já nessa altura demonstrava uma enorme solidez - certamente não foi um acaso termos (excepto a Taça da Liga) chegado a todas as finais.

A "moral da história" é que mais uma vez ainda não ganhámos nada.

É um facto que no campeonato estamos melhor do que há um ano atrás. A vantagem é bem mais substancial. Não é porém ainda de molde a garantir-nos o título. Para isso precisamos de a alargar ainda um pouco mais, sobretudo em relação ao Sporting. Só se e quando o conseguirmos, poderemos apontar baterias para a Liga Europa. Isto até porque por esta altura tínhamos já resolvido a questão da Taça (ou pelo menos o acesso à final) algo que este ano ainda não aconteceu, sendo a eliminatória obviamente difícil.

O ano passado o que aconteceu foi que alguma rotatividade praticada entre o campeonato e a Liga Europa (durante semanas a fio jogamos sempre a meio da semana e ao fim de semana) não aconteceu entre os jogos contra o Fenerbahçe (muito exigentes) e o jogo decisivo contra o Estoril (no qual ainda por cima Enzo Perez se lesionou, entrando Carlos Martins com os resultados que se sabem - foi expulso). Foi aí que tudo se começou a desmoronar.

A implicação da postura que temos vindo a adoptar esta época é que a eliminatória com o Tottenham deverá ser subalternizada aos confrontos decisivos para o campeonato (ademais com um Sporting-Porto na calha e uma recepção ao Estoril e uma visita à Choupana para o Benfica), o que poderá ter como consequência a eliminação da Liga Europa.

Mas que seja! O Campeonato é mesmo a prioridade! É preferível perder agora a Liga Europa e assegurar uma vantagem decisiva no Campeonato. Isto (o risco de ser eliminado pelo Tottenham, sem prejuízo dos que jogarem tentarem tudo para que assim não seja) tem que ser assumido por todos no Benfica face ao objectivo maior de reconquistar o título. O que não pode acontecer é "rebentar" a equipa agora para depois faltarem pernas nas jornadas decisivas e ver o campeonato esfumar-se mais uma vez!

Já sabemos que muitos virão criticar e atacar, com as conversas do costume de que o Benfica tem que entrar sempre com os melhores para ganhar todas as competições, face à sua história, blá, blá, blá.

Isso tudo é conversa para amolecer, conversa de burros que pode dar aos Ribeiros Cristóvãos, aos Joaquins Ritas, aos Davids Borges, aos Jorges Baptistas, tempo de antena em que se sentem muito importantes nas televisões ou rádios mas que não pode corresponder ao pensamento estratégico de quem decide no Benfica e quem assume as responsabilidades pelos resultados.

Campeonato e Taça são as prioridades. Liga Europa e Taça da Liga vêm depois e submetem-se àqueles objectivos maiores. Este ano queremos títulos e não finais!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Capitães, confiança e campeonatos

O Capitão dos capitães


Coluna deixou-nos e repousa agora no outro mundo. Foi um grande líder e capitão, que estabeleceu grande parte dos elevados padrões que caracterizaram durante décadas a função de um capitão do Benfica. Ganhou tudo o que havia, incluindo duas taças dos Campeões Europeus, caracterizando-se pela sua calma e pela sua visão de jogo. Depois de jogador fundamental no Benfica e na selecção nacional, nomeadamente na equipa de 66, foi seleccionador e dirigente federativo de Moçambique, a sua outra terra natal, de onde era oriunda sua Mãe. Com o minuto de silêncio no Restelo (respeitado sem palmas, o que nos dias que correm é uma raridade), Estádio também cheio de história, onde jogou um outro grande moçambicano, Matateu, cumpriram-se dignadamente as cerimónias em memória de Coluna. Que descanse em Paz.

"Confiança a mais"


O Benfica tem feito (quase) tudo bem e merece evidentemente elogios (tanto mais que aqui não escrevia desde o jogo na Grécia). Vencemos o Guimarães, voltámos a vencer os gregos por uns concludentes 3-0 e vencemos ontem no Restelo. 
Apesar disso e como queremos que o Benfica vença sempre e sobretudo saia largamente vencedor no fim do campeonato (se possível com o Campeonato e mais um ou dois títulos), convirá deixar algumas notas de preocupação que podem servir de aviso.
Jorge Jesus falou nos perigos de um excesso de confiança e isso poderá estar a acontecer. Depois de marcar, quer contra o Guimarães, quer contra o Belenenses, a equipa abrandou, a meu ver demasiado e expôs-se a um golpe de sorte do adversário.
Ontem tivemos muita sorte pois esse golpe de certa forma existiu e foi uma decisão polémica que evitou que o Belenenses empatasse já na segunda metade da 2ª parte. Digo polémica e não errada porque penso que se trata de uma questão de interpretação. O jogador em fora de jogo está a obstruir (pelo menos) o campo de visão do guarda redes e a bola vai exactamente para onde ele se encontra. Nada garante que, não estando ali o jogador, Oblak não pudesse avançar para antecipar melhor o desenlace da jogada. Não é por isso claro que o jogador não interfira na jogada. 
De qualquer modo o ponto aqui é que o Benfica deveria ser capaz de resolver estes jogos marcando mais um golo para se colocar a salvo de qualquer eventualidade. As equipas que hoje jogam contra o Benfica marcam praticamente todos os livres à frente da linha de meio campo directamente para a área, numa esperança que surja um golo quase do nada.
Claro que isto demonstra algum desespero e descrença em conseguir chegar à nossa área através de jogo corrido, mas faz-nos lembrar de que no futebol um golo pode acontecer a qualquer momento, de um erro, um lance de inspiração ou um completo bambúrrio. 

Admite-se que a equipa possa estar a fazer gestão de esforço, embora neste ano não existam para já razões aparentes para muito cansaço. Tem havido - e bem - rotatividade e ainda não jogámos assim tantos jogos. Mais preocupante será se houver jogadores que estejam já fatigados e a precisar de algum repouso porque agora é que a época vai começar a "doer" (e disso falaremos adiante). Vejo alguns sinais desses em Enzo Peres, ao passo que Fedja e Rodrigo também não me parecem no melhor momento.

Campeonato e outras competições


Como aqui tenho enfatizado vezes sem conta, o campeonato é a prioridade absoluta da época, à qual temos que submeter tudo o resto.

Isso significa que a gestão dos jogos tem que ser feita para que os jogadores que são primeira escolha possam estar em condição física ideal para os jogos do campeonato, o que por sua vez implica que alguns deles terão que ser poupados nos jogos europeus e na Taça da Liga. A ideia de que "hoje em dia" os jogadores jogam sem problemas duas vezes por semana e que "basta olhar para Inglaterra" é errada porque: 1º em Inglaterra há rotatividade, aliás há mesmo um hábito enraizado de rotatividade; 2º o rendimento das equipas na "ressaca" dos jogos europeus importantes, incluindo as equipas de topo, é invariavelmente inferior ao habitual e muitas das vezes resulta mesmo em derrotas. 

Nesta medida, a eliminatória com o Tottenham deve, pelas razões aditadas e pelo facto do campeonato ainda não estar resolvido, obedecer a esta lógica, dando-se pois oportunidade aos que menos têm jogado. 

A vantagem de que o Benfica dispõe é importante mas ainda não decisiva. 5 pontos é uma vantagem interessante mas que não permite quaisquer deslizes (como os últimos dois anos demonstraram). Para que ela se torne numa vantagem mais folgada e possivelmente já decisiva, o Benfica precisa de vencer os próximos jogos, começando já no fim de semana com o Estoril e depois com o Nacional. (O calendário desta fase encontra-se aqui). Vencendo esses jogos, o Benfica beneficiará da perda de pontos de Porto ou Sporting, ou ambos, no clássico da 23ª jornada.
O campeonato deve-se pensar jogo a jogo mas esta época podemos ambicionar assegurá-lo ainda algumas jornadas antes do fim. Precisamos para isso de continuar a vencer, como até aqui. Se o Benfica às vitórias desejadas sobre Estoril (que seria ademais importante para ultrapassar definitivamente o trauma da última época que começou a desenhar-se precisamente no jogo contra o Estoril na Luz) e Nacional (onde também perdemos pontos e Proença expulsou Cardozo e Matic no jogo da época passada), juntar vitórias nos dois jogos seguintes (recepção à Académica e visita a Braga) não tenho qualquer dúvida de que logo aí ficaremos virtuais campeões. 
O meu ponto era porém sobretudo este: se no fim de Março, após defrontarmos o Braga, tivermos uma vantagem mais ampla sobre o segundo classificado, que deverá ser o Sporting, então podemos dar mais atenção a outras competições (caso ainda nelas estejamos) designadamente a Liga Europa. 
Estamos a chegar a um momento muito importante da época, com as jornadas que se avizinham, potencialmente decisivas, e a eliminatória com o Tottenham que será muito difícil, sobretudo dada a necessidade de salvaguardar alguns dos principais jogadores, e ainda a meia-final da Taça de Portugal, a duas mãos com o Porto, isto para já não falar da Taça da Liga, também disputada no dragão.

Outras efemérides 


Luisão atingiu duas marcas impressionantes: 100 jogos europeus e 400 jogos em todas as competições pelo Benfica. São números impressionantes de um jogador fundamental para o Benfica esta época (como em muitas anteriores) e que pela sua presença tem contribuído para a estabilidade  e para a recuperação da identidade do Benfica. Parabéns ao nosso capitão.

Jorge Jesus também está de parabéns por ter feito o jogo 250 pelo Benfica, tornando-se o segundo treinador com mais jogos e o segundo com mais vitórias. Faltam-lhe 20 jogos e 18 vitórias para atingir o primeiro lugar.