sábado, 12 de abril de 2014

Os dois Barcelonas

Nos quartos de final da Champions disputados quarta-feira houve uma confirmação e uma semi-surpresa. A confirmação foi a eliminação do Manchester, a semi-surpresa foi a vitória do Atlético de Madrid sobre o Barcelona.
Este Atleti é uma equipa um pouco à Mourinho, ou seja, uma equipa alicerçada na segurança defensiva, muito trabalhadora, sem grande brilho no seu jogo e altamente resultadista.
A sua vitória só foi porém possível porque este Barcelona está distante da equipa dominadora de há uns anos atrás. Xabi não é o mesmo, já não há Puyol, Piqué também se lesionou, Iniesta já não tem o mesmo fulgor do passado e Messi está numa fase de grande apagamento.
Por outro lado, o treinador, não sendo mau, não parece ser capaz de acrescentar muito e menos ainda de inverter o estado de coisas, que parece ser de declínio. É verdade que a equipa ainda tem possibilidade de se sagrar campeã em Espanha mas o tal, bastante apregoado, fim de ciclo  deste Barcelona poderá estar de facto a acontecer. Ou já neste ano ou certamente nos próximos.
No entanto, apesar deste Barcelona estar fora da Liga dos Campeões, há outro barcelona que por lá se mantém: a equipa treinada por Pepe Guardiola, o Bayern de Munique.
Este Bayern de facto não parece uma equipa alemã e está ainda por provar que a fórmula tiki-taka de Guardiola seja exportável. Para já a equipa começou a época a perder a Supertaça alemã e já venceu o campeonato a várias jornadas do fim. Eliminou um frágil Manchester e terá agora a oposição do Real nas meias da Champions. Será esse o verdadeiro teste a este segundo barcelona que em certas alturas parece uma equipa pouco objectiva, que se perde em passes excessivos e cuja agressividade deixa muito a desejar em relação às épocas passadas.
Na outra meia final defrontar-se-ão equipas muito parecidas: sem super-estrelas (com excepção, talvez, de Diego Costa e Hazard - veremos se estarão disponíveis para os jogos), serão dois onzes sobretudo de combate e em busca apenas e só do resultado. E o prémio é alto: uma presença numa final da Champions.
Aceitam-se apostas.
Eu estou tentado a crer que o Real é favorito, assim como o Chelsea, mas veremos.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Juve - vencedora anunciada da Liga Europa

Desde que eliminada da Champions e repescada para a Liga Europa, a Juventus, por várias razões, incluindo o facto de ser bicampeã de Itália e a final se disputar em Turim, tornou-se na principal favorita à conquista deste troféu.

É preciso perceber bem que a Juventus, para além de ser de longe a equipa mais titulada em Itália, com um domínio absoluto nos últimos 3 anos, tem uma história europeia impressionante, acumulando um total de 10 títulos: 2 Taças/Ligas dos Campeões, 1 Taça das Taças (contra o Porto), 3 Taça UEFA, 2 Supertaças europeias e 2 Taças Intercontinentais. Tem ainda uma Taça Intertoto. É evidentemente algo que está apenas ao alcance dos maiores da Europa (em termos estritamente europeus note-se que o Milan tem um palmarés superior à Juventus com umas impressionantes 7 Taças/Ligas Campeões). 

A Juventus, que se prepara para ser tri-campeão de Itália, tendo tido ao longo do campeonato uma série de 12 vitórias consecutivas (a segunda mais longa de sempre da série A), tem um plantel fortíssimo. Se é verdade que o campeonato italiano já foi mais forte do que é neste momento, isso não nos deve levar a cair no erro de que estamos perante uma equipa apenas razoável ou "acessível". Não, estamos perante uma equipa de topo com várias estrelas internacionais, habituadas a jogar no máximo da exigência e do grau competitivo, incluindo mundiais. Com efeito, a Juventus constitui a base da selecção italiana, com destaque para Buffon, Chiellini (um autêntico gladiador), Pilro, Barzagli, Marchisio e Bonucci. Depois têm jogadores como Asamoah, Vidal, Vucinic e Tevez.

Não tenhamos pois ilusões: a Juventus é claramente a favorita a vencer a competição e portanto favorita nesta eliminatória. É indiscutível que o Benfica tem feito uma excelente campanha, que está a jogar um grande futebol e que tem jogadores de muito boa qualidade, mas a Juventus simplesmente está num patamar acima em termos de competitividade e soluções no seu plantel. A "obrigação" de ganhar está toda do lado da Juventus.

Claro que isto não quer dizer que o Benfica já esteja eliminado ou que deva abordar esta meia final com uma atitude derrotista. O Benfica tem as suas chances. Se estiver no máximo das suas capacidades, o Benfica pode, sublinho pode, eliminar a Juventus. Um bom jogo não chegará para isso. O Benfica precisará de fazer dois bons jogos e possivelmente contar com alguma sorte. 

Precisamos pois de ser realistas e admitir que em circunstâncias normais a Juventus passará a eliminatória e vencerá a Liga Europa. Em circunstâncias excepcionais e muito favoráveis o Benfica poderá conseguir passar à final e aí sim teria uma grande oportunidade de vencer a Liga Europa, pois me parece que qualquer uma das outras semi finalistas estão num patamar semelhante e possivelmente até inferior ao do Benfica.

Temos porém "direito" a sonhar, até porque o Porto eliminou o Nápoles, equipa muito forte e certamente bem superior ao Sevilha que agora goleou e humilhou esse mesmo Porto. A Juventus é superior ao Nápoles mas o Benfica também é superior ao Porto. Há pois esperança, mas tem que haver realismo e noção das distâncias. 

O que leva muitos benfiquistas a fazer "exigências" desmesuradas (excluindo aqueles que são mesmo mal intencionados e querem apenas desestabilizar) é a ilusão de que o Benfica tem dos melhores plantéis do mundo. O Benfica tem um bom plantel, excelente para os padrões nacionais, mas que em termos internacionais é simplesmente médio. O que leva muita gente à tal ilusão é o facto de Jorge Jesus ter colocado o Benfica num patamar de excelência acima daquilo que seria previsível. 

Jorge Jesus não faz milagres, porque isso só Jesus Cristo, mas tem feito de facto um trabalho notável, extraordinário, que levou um plantel bom a render a níveis óptimos quer a nível nacional quer europeu.

Tenho consistentemente defendido desde o início da época que o Benfica tem o melhor plantel em Portugal. Mas em termos da equipa, do 11, o Benfica não tem uma superioridade assim tão evidente sobre Porto e Sporting. O que faz a superioridade - clara e indiscutível do Benfica nesta época - é a dinâmica da equipa. E isso é evidentemente fruto de um trabalho extraordinário realizado pelos treinadores e jogadores ao longo da época. 

Neste momento o Benfica tem que se focar exclusivamente no jogo com o Arouca. Vencendo, fecha definitivamente a questão do campeonato. Depois disso, seria também muito importante vencer o Porto por mais de uma bola para alcançar a final da Taça de Portugal. A "dobradinha" ficaria à mão de semear, e isso seria importante para marcar um novo ciclo no futebol português, ciclo vitorioso para o Benfica.

Depois disso então que venha a Liga Europa para desfrutarmos, desta vez sem "obrigação" de vencer mas nem por isso com menor ambição. Mas uma coisa de cada vez e sempre com os pés assentes no chão. 



Feito espantoso em noite dedicada a Sílvio

Começarei pela nota triste desta noite: a gravíssima lesão de Sílvio. Naturalmente que terá um longo período de recuperação e que o Mundial deixa de ser uma possibilidade, mas isso até é o menos neste momento imediatamente pós-lesão. O importante agora é dar todo o apoio moral a Sílvio e esperar que a cirurgia corra bem e que o jogador possa recuperar, com calma, a plenitude das suas capacidades. Sílvio foi um jogador fundamental para aquilo que já alcançámos esta época e tem toda a solidariedade dos benfiquistas neste momento difícil, como se viu logo dentro de campo, quando os colegas perceberam a gravidade da situação.

Passando ao comentário do jogo, há que destacar antes de mais nada que o Benfica está numa nova meia-final europeia. A terceira em 4 anos! Nos últimos 5 anos, desde que Jorge Jesus está no Benfica fomos sempre a quartos de final (incluindo, há dois anos, da Champions), meias finais ou final das provas europeias. São resultados extraordinários que colocam o Benfica logo abaixo de Chelsea, Munique, Barça e Real.

A outra boa - óptima - notícia é o regresso de Sálvio ao seu melhor, com duas assistências, uma delas numa jogada genial na qual partiu com a bola bem detrás do meio campo e a conduz passando por vários adversários até a entregar numa bandeja a Rodrigo para encostar para o golo.

Cardozo não marcou mas esteve bastante mais participativo no jogo e teve algumas oportunidades, o que é um bom sinal. São dois excelentes "reforços" para os compromissos decisivos do final de época. E ambos com fome de bola e de golos, o que é óptimo. A sua ambição pode-nos ajudar a ganhar.

Continuo a achar que a Juventus é favorita a vencer a prova, mas como é evidente o Benfica terá uma palavra a dizer. Para já vamos disputar umas meias-finais e a possibilidade de estar na final pelo segundo ano consecutivo. Veremos quem o sorteio nos trás.
 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Papoilas vibrantes e limões espremidos

O Benfica venceu o Rio Ave com nova exibição autoritária e plena de categoria. Enzo, Gaitan e Rodrigo voltaram a passear classe e Maxi voltou também a carburar bem, o que dá sempre uma grande profundidade ao nosso corredor direito. André Almeida deu conta do recado e os centrais voltaram a estar a um nível muito elevado.
 
 

A vitória foi importantíssima e se não selou a vitória no campeonato deixou-nos porém a um pequeno passo de o alcançar: só mesmo um fenómeno do entroncamento nos poderá afastar do título este ano. Convenhamos que com 12 pontos em disputa se o Benfica não fosse capaz de somar 5 (é só disso que precisamos, na eventualidade - por provar - de que o Sporting some todos os pontos em disputa nos seus jogos) algo de muito anormal teria que acontecer. Ainda não somos campeões, mas estamos muito perto de o ser!
 
 
Uma vitória em Arouca pode significar o campeonato já na próxima jornada, caso o Sporting escorregue em casa. Mas mesmo que isso não aconteça, vencer o próximo jogo do campeonato é de grande importância, pois significa ter depois dois jogos em casa para selar essa a conquista. Lembro que o jogo com o Arouca - que obviamente tem que ser enfrentado com todas as precauções e toda a seriedade, até porque esta equipa já nos tirou pontos esta época - terá lugar em Aveiro.

 
 
Dito isto, há um jogo igualmente importante (pois dá acesso a uma meia final europeia) para disputar já na quinta-feira. Pouco tempo temos para "respirar". É verdade que o resultado obtido fora de casa foi bom, mas ele pode ser também um pouco "traiçoeiro", na medida em que o Alkmaar já se dá quase como derrotado, não podendo haver no Benfica o sentimento inverso de que a eliminatória está resolvida. Há que "secar" bem as laranjas e procurar marcar para deixar a eliminatória definitivamente fora de alcance dos holandeses.
 
Por falar em citrinos, olhando para a vitória desta noite do Chelsea, somos levados a pensar na imagem de um limão muito bem espremido. A eliminatória parecia perto de perdida para Mourinho, dado o domínio do PSG e o 3º golo, obtido em tempo de descontos,  no primeiro jogo. Curiosamente, a equipa do Chelsea nem sequer entrou muito pressionante no jogo desta noite, talvez numa decisão consciente e ponderada de gerir o aspecto emocional. Até ao 1º golo, os blues praticamente não tiveram oportunidades e aquele nasceu mesmo de um lançamento de linha lateral.
 
Na segunda parte o Chelsea teve um período forte, em que atirou duas bolas à barra, mas aos poucos pareceu ir ficando sem ideias, ao passo que o PSG ia criando algumas oportunidades em contra ataque. Reconheça-se porém que Mourinho tinha várias baixas na sua equipa (com destaque para Ramirez e para a lesão logo nos minutos iniciais de Hazard, principal desequilibrador do Chelsea) e que arriscou tudo, lançando Torres e Demba Ba e mantendo em campo Eto'o. Apesar disso, a equipa já parecia em desespero, atirando bola atrás de bola directamente da defesa para o ataque. A "estrelinha" de Mourinho acabou novamente por brilhar já muito perto do fim, num golo pleno de sorte. O resultado foi madrasto para o Paris, que estava crente de que podia chegar muito longe este ano e que teve mais do que uma oportunidade para marcar em Sttanford Bridge e resolver definitivamente a eliminatória. Valeu Cech e o desacerto de Cavani.
 
O futebol é assim e este resultado mostra que os desfechos dos jogos resultam de uma mistura de estratégia, pragmatismo e sorte. Sem sorte é quase impossível ganhar seja o que for. Reconheça-se porém uma coisa: Mourinho foi proactivo e arriscou e a sua equipa teve mais crença do que o seu adversário. E isso pode ter feito a pontinha de diferença que influencia decisivamente a sorte.