sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os cães ladram...

E o campeão passa. Penso que o Benfica e a grande maioria dos benfiquistas respeitaram a Juventus desde que o sorteio ditou este embate. Já o mesmo não se pode dizer do adversário. As "bocas" de Pilro e Llorente ficaram mal e acabaram mesmo por ridicularizar quem as proferiu (sobretudo Pilro que deveria ter um bocadinho mais de senso, mesmo que achasse - de forma ignorante - que a eliminatória estava ganha). Mas não passaram disso. No entanto a manobra soez de tentar afastar Enzo do jogo antes do seu início foi já algo de muito diferente - e feio - que desde logo azedou o ambiente. Mas o pior estava ainda para vir e isso sim coloca a Juventus mal, muito mal mesmo. Perderam e saem da Europa sem honra, sem glória, sem dignidade e com muito mau perder e comportamentos absolutamente deploráveis. Começou no banco, com tentativas de intimidação e agressão, que custaram uma expulsão até ver completamente injusta de Markovic. Vidal, um cabeçudo que um dia se auto designou "o melhor do médio do mundo", depois de passar o jogo a distribuir pancada impunemente, andava no fim do jogo na área do banco do Benfica a fazer exactamente o quê? E a apontar o dedo e a ameaçar a quem e porquê? Mas o que é que eles queriam, afinal de contas? Muito bem esteve o Benfica e Jorge Jesus a não se deixarem intimidar por rafeiros. Depois foi a vez de Conte fazer um papel absolutamente caricato na conferência de imprensa. Desde logo deve ser dito que os italianos são largamente chauvinistas e muitos são mesmo xenófobos. Assim, na conferência de imprensa os jornalistas italianos começaram logo a induzir aquelas declarações de Conte ao falar de árbitros, da UEFA, do jogo com o Galatasaray... Jornalistas italianos que, aqui há umas semanas, diziam que os portugueses não eram dignos sequer de apertar os atacadores das chuteiras dos futebolistas italianos; que na conferência de imprensa de Jorge Jesus vieram com toda a espécie de parvoíce e provocação, incluisivamente pondo em causa a homenagem às vítimas do Gran Torino. E Conte, seguindo ontem a "deixa" dos seus jornalistas, portou-se mal, muito mal, sem desportivismo, sem fair play, sem o mínimo de adesão, na análise (?) que fez, à realidade. Depois de ver perdoado um penalty claro e de ter tido uma expulsão "amiga" de um dos melhores jogadores do Benfica ainda com meia hora para jogar, o que mais queria este pateta? Como pode falar da arbitragem? Note-se que todos percebemos que haja frustração e tristeza do lado da Juventus. Mas tudo tem limites! Há que ter dignidade e respeito pelos outros. O Benfica o ano passado perdeu como perdeu não uma mas duas competições nos descontos dos jogos. Sabemos como custa. Mas há que ter a compostura de não começar a disparar em todas as direções, sobretudo quando não se tem um pingo de razão. Conte pode evidentemente achar que o desfecho da eliminatória não é o mais justo e que a sua equipa merecia passar, mas não deve desvalorizar a equipa que acabou de o eliminar dizendo que "passou a equipa que mereceu menos". Também não deve dizer que o Benfica "foi duas vezes" à baliza da Juventus quando o Benfica teve várias oportunidades para marcar ao longo dos 180 minutos, além dos dois golos que marcou. É verdade que ontem esteve mais remetida à defesa, mas para isso também muito contribuiu o critério (sobretudo disciplinar) do árbitro, que permitiu grande agressividade dos juventinos e foi implacável com os benfiquistas. A partir de dada altura começámos a jogar com 10, acabámos com 9, quereria Conte que nessa altura e em vantagem na eliminatória estivessemos a atacar loucamente? E quando Garay estava no chão com o lábio completamente aberto por mais uma entrada "com tudo" de um seu jogador, Conte esbracejava loucamente queixando-se de perda de tempo... Mas não contentes com este comportamento deplorável, alguns andaram ao pontapé à porta do balneário do Benfica e tentaram agredir um seu dirigente. É o que se chama perder sem honra nem dignidade. Sem querer abordar muito a questão dos comentadores e dos comentários, há porém duas situações que tenho também de referir. A primeira relativamente a Rui Santos e à sua pronta "condenação" de Enzo, caracterizando a justa indignação que muitos benfiquistas e não só expressaram como "nacionalismo baratucho". Perdeu uma boa oportunidade para estar calado. Por outro lado, antes do jogo começar, David Borges criticava agrestemente Jorge Jesus pela decisão de colocar Oblak a titular, argumentando que se Artur tinha sido titular em Lisboa tinha que o ser em Turim, pois caso contrário o sinal que se dava era muito negativo. Naturalmente que todos têm direito a ter a sua opinião e a achar o que quiserem. Mas criticar um treinador por fazer as suas escolhas (ainda por cima, no caso em apreço unanimemente reconhecida como a escolha certa), por elas se poderem reflectir negativamente na moral do jogador preterido é algo que já ultrapassa o compreensível para não dizer do normal. Para terminar, o que dizer da recepção dos adeptos ao Benfica no aeroporto? Mais um momento memorável. Os portugueses não são menos que nenhum povo europeu e merecem amplamente ser felizes. A alegria do povo ontem em Figo Maduro é merecida e é justa. A vida tem que ter alegria e o Benfica dá-nos momentos de grande alegria e satisfação.
Vivaa! Viva o Benficaaaa!! Adenda: da parte de vários italianos menos facciosos houve já o reconhecimento de que as coisas não foram de todo como Conte e outros as tentaram pintar. Isto aconteceu entre os adeptos rivais da Juventus e também os jornalistas mais independentes e objectivos. Mas inclusivamente alguns jogadores da própria Juventus, como o Chiellini, reconheceram o mérito da equipa do Benfica. Penso que com o "assentar da poeira" todos verão as coisas com mais clareza.

Muita alma, raça e coragem... à Benfica

Mais uma exibição cheia de categoria do Benfica. Num Estádio muito difícil e face a um adversário de grande valor, o Benfica conseguiu o resultado que eu imaginara para este jogo e o merecidíssimo apuramento para a final. À entrada para este jogo, tínhamos uma vantagem mínima. Como se viu nas outras meias finais europeias (excluindo a Valência-Sevilha), uma vitória em casa seria por si só um resultado praticamente suficiente para o apuramento: o Real venceu por 1-0 e isso foi suficiente e ao Chelsea teria bastado vencer para passar à final. Em eliminatórias muito equilibradas, entre equipas de valia semelhante, vencer em casa significa colocar-se à frente na eliminatória e adquirir um ascendente psicológico importante face ao oponente. Por isso, o golo de Lima já me tinha parecido absolutamente decisivo. A ideia de que 2-1 era um mau resultado ou um resultado "muito perigoso", foi algo de positivo na medida em que nos colocou de sobreaviso e criou na Juventus a ideia de que "facilmente" reverteria o resultado. Nunca me pareceu que isso fosse assim tão líquido, pois como sabemos o Benfica joga muito bem fora de casa, fazendo uso da grande velocidade de Gaitan, Markovic, Rodrigo e Lima, mas foi bom para nós que essa ideia se tivesse criado. Jorge Jesus alimentou um pouco este "bluff" ao dizer que o Benfica precisaria de marcar golos em Turim (precisa mas é na final...). Estou em crer que Jorge Jesus sempre acreditou, como eu, que seria possível ao Benfica não sofrer e assim passar com a tal vantagem "perigosa" da primeira mão. Daí a entrada confiante e dominadora do Benfica (ainda que por poucos minutos) ter sido essencial, para desde logo criar a dúvida nos jogadores da Juventus e se perceber que não íamos ali jogar como uns coitadinhos. Houve aliás outro aspecto que não quis referir aqui no blog, quase por superstição, mas que deu muita esperança para o jogo: a Juventus jogou segunda-feira com a maioria dos titulares e esteve a perder, tendo dado a volta ao resultado mas sob muita chuva e num terreno pesado. O Benfica tinha pois alguma vantagem em termos de frescura (ao contrário do que acontecera na primeira mão). De igual modo, o regresso de Gaitán e Sálvio eram boas notícias. Um dos momentos chave do jogo é a cabeçada de Luisão a substituir Oblak entre os postes, muito perto do intervalo. Progressivamente a Juventus conquistara o domínio territorial e começava a trocar (e cruzar) a bola perigosamente perto da área do Benfica. Adivinhava-se que era essencial não sofrer um golo até ao intervalo e assim sendo as coisas poderiam ser um pouco mais tranquilas na segunda parte. Com algumas correcções, o Benfica poderia ser mais incisivo no ataque, colocar a Juve em sentido e evitar uma grande pressão sobre a sua área. Isso parecia ir acontecer pois o Benfica voltou a entrar bem e dava ideia de poder até vir a marcar com o balanceamento ofensivo da Juventus, resolvendo desde logo a eliminatória. Tudo mudou com a expulsão de Enzo. Chegado a esta altura tenho que dizer que a arbitragem foi, do ponto de vista técnico, bastante boa, acertando a maioria das decisões, mas muito caseira no tocante à parte disciplinar. Vidal, Chielini e Asamoah (este amarelado ao fim da terceira falta dura) distribuíram pancada, muitas vezes sem bola, perante a total complacência do árbitro, ao passo que faltas absolutamente banais dos jogadores do Benfica resultaram num festival de cartões absolutamente despropositado, desadequado da realidade do jogo. A expulsão de Markovic não se chegou a perceber e o amarelo a Sálvio é vergonhoso. Pela ordem de razões desse cartão deveríamos ter tido um penalty a nosso favor aos 2m de jogo. O Benfica, vendo-se reduzido a 10, concentrou-se em defender e foi gigante. Ainda reduzido a 9 por lesão de Garay (mais uma vez sem qualquer acção disciplinar por parte do árbitro) os 9 gloriosos em campo cerraram ainda mais os dentes e defenderam com tudo o que tinham a vantagem preciosa. Oblak, que sempre desejei e esperei que fosse a escolha de Jesus, sobretudo pela sua superior capacidade a Artur no tocante aos lances aéreos (cantos, livres laterais), deu uma segurança tremenda e foi intransponível. Não vou, para já, referir a qualidade das outras exibições individuais, que foi grande, pois todos estiveram a um alto nível. Destaco apenas, para além de Oblak, o guardião, Luisão, o capitão que esteve simplesmente intransponível e um gigante a comandar aqueles bravos. Se Luisão não for ao Mundial, Scolari está a ver alguma coisa mal. Mas a vitória é naturalmente de todos, nomeadamente de Artur que não jogou hoje mas nos "manteve" na eliminatória com um par de grandes defesas em Lisboa que seguraram a vantagem preciosa. Estamos na final com todo o mérito e nesta noite de alegria nem sequer quero falar do comportamento antidesportivo e de mau perder dos italianos. O que fica é a nossa qualidade enquanto equipa, a solidariedade dos jogadores e a nossa capacidade de sofrimento. Isso é que merece ser exaltado. Viva o Benfica.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A final conquistada e a que nos querem negar

Ainda não tinha escrito acerca do jogo no Porto e nem pensava escrever sobre nenhum assunto até quinta-feira, visto que me encontro já em "estágio". No entanto, o que se está a passar é demasiado feio, demasiado vergonhoso para poder passar em silêncio. Depois de uma arbitragem absolutamente deplorável, como tive ocasião de aqui escrever, com a sonegação de um penalty evidente e uma dualidade flagrante de critérios quer em relação aos lances propriamente ditos, quer em relação aos cartões, de um árbitro sem classe, para não dizer sem vergonha (que já no ano passado expulsou Nani num lance de pé em riste, dando uma eliminatória entre Manchester United e Real Madrid de bandeja aos espanhóis), depois de tudo isto - e de ser muito bem recebida em Lisboa - a Juventus ter o desplante de tentar afastar Enzo da segunda mão através de manobras de secretaria é algo de absolutamente inqualificável e que me causa nojo e repulsa. Demonstra que de facto a Juventus não merece nenhum tipo de elogio e que se insere numa mentalidade abjecta de quem quer ganhar fora do campo, com manobras e esquemas que tão bem conhecemos cá em Portugal. É o total desvirtuamento da verdade desportiva. Só a atitude em si é já merecedora da maior crítica e repulsa. E muda desde já todo o "tom" da eliminatória: aquilo que tinha tudo para ser uma celebração do futebol, com duas grandes equipas, dois históricos, a defrontarem-se para decidir o finalista de uma competição que só tem a ganhar com a presença de Benfica e Juventus numa semi-final, torna-se agora num jogo algo azedo, com um ambiente inquinado. Temo que Enzo possa mesmo ser castigado, até porque (a fazer fé no que já li hoje) me parece que o Benfica cometeu um erro na sua defesa. De acordo com esses relatos, o Benfica teria apresentado a sua defesa dizendo que Chielini agredira Enzo antes e que este respondera à agressão. Ora a ser isso verdade, o Benfica está implicitamente a admitir a agressão de Enzo. E uma situação dessas, em sede disciplinar dará sempre uma suspensão. Quanto muito Chielini seria também ele castigado, mas penso que ainda assim ficaríamos a perder mais do que a Juventus, pois Enzo é a alma deste Benfica. Claro que a situação do penalty não é passível de análise, pois é evidente que estas comissões não avaliam o trabalho dos árbitros e menos ainda podem corrigir qualquer tipo de erro (a não ser situações disciplinares que escaparam à visão do árbitro). Uma vez que, de acordo com os tais relatos que li, essa situação faria parte da defesa do Benfica (algo de absurdo e despropositado) quero acreditar que a defesa do Benfica foi afinal feita noutros termos, consentâneos com a verdade, nomeadamente negando qualquer intenção de agredir e qualquer agressão, tratando-se tão somente de um lance de disputa de posição no qual, quanto muito, Enzo poderia inadvertidamente ter acertado em Chielini. Se assim for, Enzo, quero acreditar (pois apesar de tudo tenho que admitir que ainda haja bom senso e boa fé pelo menos nalguns responsáveis) não será castigado. Veremos. Esta manobra visa também criar diversão e instabilizar o Benfica. É, repito, algo de muito feio, de muito mesquinho e desprezível, mas que demonstra algo: a Juventus está com muito medo do Benfica. E isto por uma simples razão: o Benfica pode mesmo vencer esta eliminatória e estar novamente em Turim para a final. Uma final que já conquistámos, e assim volto ao assunto inicial, até porque não nos podemos deixar enredar em pensamentos negativos, como a Juventus desejaria, é a da Taça da Liga. Como sempre defendi, era a última prioridade da época, mas ainda assim era um objectivo. E esse foi alcançado, como deveria ser, com os jogadores menos utilizados. Mais uma vez estes demonstraram que têm capacidade para ajudar o Benfica e para entrar em momentos decisivos não nos deixando mal. E ainda por cima, esta equipa menos rodada viu-se reduzida a 10 a uma hora do fim, numa decisão que me pareceu incongruente por parte do árbitro, sobretudo considerando o seu critério disciplinar ao longo do jogo. Reduzida a 10, esta equipa defendeu com enorme garra (o Porto praticamente não teve mais nenhuma oportunidade) e podia até ter resolvido o jogo ainda nos 90 minutos, se Ivan tivesse decidido melhor um lance de contra ataque iniciado por Enzo, entretanto lançado (e bem) por Jorge Jesus. Penso que o cansaço pesou muito na forma como Ivan perdeu aquela bola que nos poderia ter dado o golo. Porém a equipa acreditou sempre e teve a sorte e o mérito de vencer nos penalties. A vitória tem um sabor ainda mais especial por ter sido conquistada ali. Fomos felizes - e agora podemos consumar em duas finais o pleno nacional - onde no ano passado fomos muito abandonados pela sorte. Este ano festejamos a nível nacional, já como campeões e se tudo correr bem com mais dois títulos no palmarés. Do jogo de Domingo gostaria de destacar as exibições de Jardel, um guerreiro a comandar as "tropas" e de André Almeida. André está a ser um jogador fundamental deste fim de época no Benfica. Capaz de ocupar três posições em campo, sempre com competência, André Almeida "secou" completamente Quaresma no Domingo, não lhe dando uma nesga de terreno nem tempo para pensar. Foi sem dúvida uma grande exibição. Também Oblak esteve em grande plano, demonstrando sempre uma grande segurança ao longo do jogo e defendendo um penalty. Mas para além destes gostei de toda a equipa, nomeadamente de Amorim, Garay, Ivan, Sulejmani, André Gomes, Siqueira e Cardozo, seja pelo que foram capazes de dar à equipa, seja pelo rigor táctico e pela enorme capacidade de sacrifício. Merecemos, só por estes atributos, chegar aos penalties e aí vencer. Um abraço também para o Steven Vitória, que evidentemente não teve um jogo feliz, acusando a falta de ritmo e rotinas, mas que não deixa de ser um jogador muito válido. Bonita a atitude de Jardel de lhe dedicar também a ele a vitória. Para além das finais nacionais, fica agora a faltar apenas a Europa. Aí será, como em tudo o mais, o que Deus quiser. Os italianos podem fazer todas as manobras que quiserem e elas terão o desfecho que tiverem. Mas o resultado final da Liga Europa já está escrito. Nós é que ainda não o sabemos. Só temos por isso que estar tranquilos, aguardar e esperar pois já não falta muito. Hoje há uma meia final da Champions para distrair. Eu aposto no Real Madrid, como aposto depois no Chelsea para o jogo de amanhã. E aposto numa vitória do Real na final. Veremos se estou certo. Saudações gloriosas para todos. Esta época já é memorável mas pode ainda ser (bem) mais.