quinta-feira, 8 de maio de 2014

Inglaterra - City (quase) campeão

No início da época, previ que Mourinho não teria um bom ano e que o City tinha as maiores probabilidades de ser campeão. 
Acabou por ser esse o desfecho da Liga Inglesa (e da época de Mourinho), mas muita coisa aconteceu entretanto, nomeadamente o campeonato realizado - e agora perdido- pelo Liverpool.
Para esta equipa histórica, o desfecho da Liga é bastante cruel.
O Liverpool fez um excelente campeonato, com um futebol atacante, atractivo, espectacular, venceu o City a poucas jornadas do fim e assumiu a liderança isolada da Premier League e acaba por perder o campeonato mesmo na recta final, em virtude de uma derrota em casa com o Chelsea na antepenúltima jornada e de um empate com o Crystal Palace na penúltima. Nesse jogo, os reds venciam por 3-0 aos 79 minutos!!
Claro que matematicamente o Liverpool ainda pode ser campeão, precisando de ganhar na última jornada e esperar por uma derrota do City. Mas quem acredita que o Manchester City perderá em casa na última jornada frente ao West Ham quando um empate lhe dá matematicamente o título? Penso que quase ninguém. Se dúvidas houvesse sobre a capacidade do City para abordar estes últimos jogos depois das escorregadelas do Liverpool elas ficaram ontem dissipadas com a goleada (4-0) a um Villa que tentou apenas e só defender.

O Liverpool esteve este ano perto, muito perto mesmo. Jogadores como Sturridge, Sterling, Coutinho e Suarez deram espectáculo, marcaram golos de todas as formas e feitios... Gerrard e Lucas fizeram uma grande época.
É por isso muito cruel, e os reds têm a minha simpatia, perder mesmo no fim, quando o prémio parecia à vista. 
O "culpado" acabou por ser Mourinho, que venceu em Sttanford Bridge. O Chelsea fez um bom jogo (é verdade que acabou a defender muito mas a isso foi obrigado), foi relativamente dominador na primeira parte mas a derrota é um resultado pesado e algo injusto. Sobretudo Gerrard não merecia acabar a época (e talvez a carreira, pelo menos ao nível a que este ano esteve) desta forma. Para quem não viu o jogo, o médio do Liverpool, no centro do terreno e sem nenhum companheiro nas suas costas, domina mal uma bola que vem da lateral, imediatamente escorrega e Demba Ba, embalado de trás, fica com uma "autoestrada" completamente aberta para a grande área do Liverpool e não perdoa. Foi uma imagem que ainda por cima foi ridicularizada pelos rivais dos reds. Gerrard não o merecia porque fez uma excelente época. O mesmo se pode dizer de Suarez, eleito o melhor jogador da época, além de ser o melhor marcador da Premier League.
A confirmar-se o desfecho previsível, o City acabará por ser um campeão justo (soube aproveitar as "deixas" dos seus principais rivais), que alicerça o seu sucesso num conjunto de jogadores fortíssimos, num treinador competente e num tremendo desempenho caseiro (apenas um empate e uma derrota, esta contra o Chelsea).
O Arsenal voltou a desiludir, apesar de até ter começado bem e ter andado na liderança muitas jornadas. O seu desempenho nos jogos "grandes" foi porém absolutamente desastroso e as responsabilidades terão que ser assacadas a Wenger nesse aspecto. Houve a meu ver alguns erros por parte do treinador não apenas na preparação desses jogos mas na insistência, com poucos resultados, na opção por Giroud em detrimento de Podolky, quando deveria ter havido mais rotatividade. Claro que as lesões que assolaram o plantel constantemente, desde Walcott a Ozil (sem ele a equipa foi-se abaixo) a Wilshere, foram muito prejudiciais às ambições arsenalistas.
Finalmente o United foi uma tremenda desilusão, embora pela minha parte nunca me tenha parecido que Moyes tivesse suficiente "arcaboiço" para levar aquele barco a bom porto. Seria sempre muito difícil suceder a Ferguson mas Moyes "exagerou".
O "chosen One" e o "happy One" não fizeram jus aos seus epítetos. Feliz poderá estar no Domingo Pellegrini, que Mourinho atacou e menorizou de forma gratuita e injustificada. Como se vê.



Penta na Taça da Liga

O Benfica venceu a Taça da Liga ao bater o Rio Ave por 2-0 na final em Leiria.
Foi uma vitória justa, apesar de um belíssimo início por parte do Rio Ave que nos criou problemas e inclusivamente teve uma grande oportunidade para marcar, tendo valido uma excelente defesa de Oblak.
Terá existido da parte do Benfica alguma ansiedade nesse início de jogo, compreensível dado o ciclo de três finais que se iniciava. Há também que dar mérito ao adversário, que tem bons jogadores e está bem orientado, que esteve muito organizado em campo e soube explorar as subidas dos defesas do Benfica com movimentos diagonais de jogadores rápidos.
Com o tempo porém o Benfica começou a assentar e fez um jogo em clara ascensão do princípio ao fim, contra um adversário, repito, difícil que se fechou muito na defesa mesmo em desvantagem no marcador. Algo que tem que se compreender e respeitar pois o Rio Ave não tem as mesmas armas que o Benfica.
Foi uma vitória bonita que representa a 5ª conquista benfiquista da Taça da Liga. Rodrigo foi eleito o melhor em campo, distinção que poderia também ter sido atribuída a Luisão ou mesmo, a meu ver, a Enzo Perez. Maxi também esteve bem tal como Markovic e Rúben Amorim. Lima trabalhou muito e Gaitan não teve o seu melhor jogo.
Há que perceber que o índice elevado de bolas perdidas se deve em grande parte à "sobrelotação" do meio-campo do Rio Ave, mas há também que retirar algumas ilações e algumas lições para as duas finais que vêm a caminho.
A partir do golo marcado, já na recta final da 1ª parte, na sequência de uma pressão mais intensa que então vínhamos exercendo, percebeu-se que o Benfica tinha tudo para vencer, pois ou o Rio Ave se mantinha encolhido e pouco perigo poderia criar face a um Benfica já em vantagem e sem necessidade  de correr riscos, ou arriscava e então criava os espaços que os jogadores do Benfica tanto gostam e que dificilmente não aproveitariam para ter oportunidades claras e possivelmente marcar.
O Rio Ave optou pela primeira e praticamente não incomodou o Benfica na segunda parte. De forma segura a nossa equipa foi-se aproximando da baliza adversária e com naturalidade chegou ao segundo golo que acabou desde logo com as dúvidas quanto ao vencedor. 
Em suma sofremos um pouco ( sobretudo no início e até ao primeiro golo) mas devemos aceitá-lo com naturalidade. Tendo chegado à final com mérito é totalmente legítimo que os jogadores do Rio Ave acreditassem na vitória e, estando muito motivados, não é de surpreender que nos criassem problemas.
O desfecho do jogo não merece porém qualquer contestação nem dúvida.
 
Foi bonita a cena criada com o corredor feito pelos jogadores aos seus colegas da outra equipa. Durante o jogo houve um ou outro jogador do Rio Ave que exagerou um pouco na virilidade e nos protestos mas há que compreender que a adrenalina é alta e que a vontade de vencer por vezes possa levar a atitudes menos correctas. Nada porém de excessivo e tudo "limpo" pelo que se passou após o apito final.
Por falar em apito, a arbitragem pode ter tido um ou outro erro, tendo perdoado alguns cartões a jogadores do Rio Ave e eventualmente um penalty, mas no geral considero que esteve bem.
Quanto aos comentários da TVI sinceramente nem vale a pena dizer muito. Todos ouviram o que foi dito e que já não surpreende ninguém que acompanhe estas coisas do futebol há um tempo mínimo. Nem vale a pena perder tempo com esse assunto.
 
O Benfica venceu pela 5ª vez este troféu e deu mais um passo para conquistar uma posição de hegemonia na competição e nela construir um historial notável.
 
Para mim esta Taça representa bastante quer pela razão aduzida, quer por ela representar de certa forma o início do ciclo de vitórias que temos conseguido nos últimos anos (a um título de campeão conseguido, embora com mérito, em 2005 mas de alguma forma num ano atípico e sem muita sustentação, como se viu nos anos seguintes, seguiram-se os títulos já muito fortes de 2010 e 2014), quer pelas páginas bonitas escritas na competição (vitória por 4-1 em Alvalade nas meias finais em 2010, vitória por 3-0 sobre o Porto na final do mesmo ano, vitória por 2-1 sobre o Sporting em 2011, com Javi Garcia a marcar o golo da vitória no último minuto, vitória por 3-2 sobre o Porto em 2012 e a vitória por penalties, com 10 e sem muitos titulares novamente sobre o Porto, no Porto, este ano), quer ainda por esta Taça, para poder ser conquistada, implicar sempre clássicos ou derbies, como atrás demonstrado, quer ainda por estes resultados demonstrarem que o Benfica tem de facto sido, em termos puramente futebolísticos, a melhor equipa em Portugal nos últimos anos.
 
Hoje celebramos e amanhã começamos a preparar a final de Turim. Queremos vencer mas sabemos que só o poderemos alcançar se formos humildes e se trabalharmos mais e melhor do que o adversário, como temos feito até aqui.
 
Viva o Benfica.
 
 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Scolari divulga convocados do Brasil

Portugal ainda tem que esperar umas semanas, assim como a maioria das outras seleções, mas o Brasil anunciou já a sua convocatória para o Mundial.

Eis a lista de Luis Filipe Scolari (fonte jornal "A Bola"):


Guarda-redes: Júlio César (Toronto FC), Jefferson (Botafogo) e Victor (Atlético Mineiro) 

Defesas: Thiago Silva (PSG), David Luiz (Chelsea), Dante (Bayern de Munique), Henrique (Nápoles), Daniel Alves (Barcelona), Marcelo (Real Madrid), Maicon (Roma) e Maxwell (PSG)

Médios: Ramires (Chelsea), Willian (Chelsea), Oscar (Chelsea), Fernandinho (Manchester City), Hernanes (Inter Milão), Luiz Gustavo (Wolfsburg) e Paulinho (Tottenham)

Avançados: Neymar (Barcelona), Fred (Fluminense), Jô (Atlético Mineiro), Hulk (Zenit) e Bernard (Shakhtar Donetsk) 


Naturalmente que nunca há escolhas consensuais. Cada cabeça sua sentença e numa selecção como a brasileira, onde o campo de recrutamento é gigantesco (além de centenas de convocáveis no Brasil há depois dezenas de outros jogadores espalhados pela Europa a jogar ao mais alto nível) a tarefa do seleccionador é quase ciclópica.

Não conheço muito bem a realidade brasileira por isso não faço muitos juízos mas parece-me algo estranha a convocatória de um jogador chamado Henrique, do Nápoles, um jogador de um currículo muito limitado, deixando de fora Luisão. Estranha para não dizer inexplicável. Admito que Scolari tenha as suas razões - é o seu País e ele é o líder do grupo - mas em termos objectivos parece-me que Luisão, com um percurso futebolístico muitíssimo superior ao de Henrique e a realizar uma época a um nível extraordinário, seria uma convocatória muito mais justificada e muito mais justa. Parece-me uma escolha a todos os títulos decepcionante, mas, de novo, não é o meu País e manda quem pode.

Quanto às outras escolhas parecem-me relativamente razoáveis. Acho que se trata de uma selecção com qualidade, embora não ao nível de outras anteriores. Creio que jogará muito para Neymar. Do que conheço de Fred e Jô, tratam-se de jogadores pouco mais do que medianos, sem muita dimensão.

Muito do que o Brasil será capaz de render dependerá porém do que o meio campo for capaz de render. Ramirez tem feito um final de época muito mau, parece altamente desgastado. Veremos como estará daqui a  um mês. Paulinho tem sido uma decepção no Tottenham, veremos o que poderá render no Brasil, com um treinador que lhe dê mais confiança. Não conheço Hernanes. É algo estranho que existam dois convocados semi-desconhecidos de clubes italianos (ainda por cima clubes que não fizeram grandes campanhas, num campeonato que foi ultrapassado pelo português no ranking UEFA), assim como Luiz Gustavo, que foi dispensado do Bayern e joga no modesto Wolfsburgo, mas, mais uma vez, Scolari terá as suas razões.

Tudo ponderado, não acredito muito neste Brasil. Tinha alguma expectativa depois do que vi na Taça das Confederações mas uma série de jogadores que então foram preponderantes parecem-me nesta altura em má forma, não sendo eventualmente aproveitado o bom momento de uma série de outros, nomeadamente Luisão, Filipe Luis, o próprio Coutinho (que não fazem parte da convocatória) é algo que não me parece um bom prenúncio para o Brasil. Veremos.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Depois do campeonato, 1ª final das Taças

Depois de conquistar com todo o mérito o campeonato, com um registo que, não fora a 1ª jornada e seria imaculado, o Benfica começa amanhã a disputar as finais que alcançou também por mérito próprio e com muito sacrifício.
Não tenho dúvidas de que todos (dirigentes, treinadores, jogadores e adeptos) farão o possível para conquistar todas estas competições, vencendo portanto os três jogos decisivos. Se não o conseguirem não será certamente por falta de empenho ou por nenhum tipo sobranceria, pois o que aconteceu no fim da época passada está na mente de todos como um aviso de que até ao apito final do árbitro nada está garantido.

A oportunidade é boa e tudo temos que fazer para esta seja de facto uma época de sonho. Resta agora dar as respostas que todos esperamos.

Desse "sonho" à realidade vão apenas 12 dias, nos quais se realizarão os três jogos decisivos.

O primeiro, amanhã, quarta-feira dia 7 em Leiria, é a Final da Taça da Liga. O Benfica-Rio Ave disputa-se amanhã às 20.30 h no Estádio Dr. Magalhães Pessoa. Transmissão TVI.

A segunda é a Final da Liga Europa, que tem lugar em Turim quarta feira dia 14 pelas 19.45h (hora portuguesa) Sevilha-Benfica no Estádio da Juventus. Transmissão SIC.

A terceira é a Final da Taça de Portugal que volta a ser um Benfica-Rio Ave e se disputa no Estádio Nacional no Jamor Domingo dia 18 a partir das 17.15 h. Transmissão RTP.

Na antevisão, Jorge Jesus disse o essencial: “Temos de pensar final a final. A primeira final é amanhã”;  “Numa final não há favoritos. Qualquer equipa que chega aqui fá-lo por mérito próprio e pensa vencer”; “O Rio Ave pensa vencer e o Benfica do mesmo modo. Para mim não há favoritos, seja em que final for. Teoricamente o Benfica é mais forte, mas no futebol não ganha a teoria, ganha a prática. Como em tudo na vida. Temos de demonstrar que somos melhores do que o Rio Ave”.

A convocatória da selecção

As certezas (excluindo obviamente a possibilidade de lesões)

Rui Patrício GR
João Pereira DD
Pepe DC
Bruno Alves DC
Fábio Coentrão DE
Meireles MC
Moutinho MC
Miguel Veloso MD/MC
Cristiano Ronaldo A/E
Beto GR

quase certos

William Carvalho MD
Varela E
Nani E
Postiga A
Hugo Almeida A

(15 ficam 8 vagas)

prováveis

Neto DC
Rúben Amorim MC/DD
Ricardo Costa DC/DE
André Almeida DD/DE/MC

O quadro de jogadores acima totaliza 19, ficando 4 vagas. Considerando que uma delas é para um guarda-redes - Eduardo ou Anthony Lopes - apenas três são para jogadores de campo.

Em termos de posições, o quadro seria o seguinte:

3 GR, 2 DD (defesa direito), 1 DE, 4 DC, 5 Médios (2 defensivos, MD, e três centro, MC), 3 avançados (A) e 2 extremos (E). Em termos de sectores, teríamos 3 GR, 7 defesas, 5 médios e 5 avançados. Considerando que Portugal joga em 4-3-3, deveríamos ter 8-6-6 em termos de convocados.

possíveis

Rolando
Antunes
André Gomes
Adrien
André Martins
Carlos Mané
Vieirinha
Rafa
Custódio
Josué
Quaresma
Ivan Cavaleiro
Éder
Bebé
Danny

Deste lote sairão provavelmente os 3 que faltam, possivelmente mais um defesa, um médio e um avançado. No entanto, a questão da polivalência de jogadores como Ricardo Costa, André Almeida, Rúben Amorim e mesmo de Miguel Veloso, pode levar a que Paulo Bento opte por outra configuração, levando por exemplo 7 defesas, 6 médios e 7 avançados.

Caso Paulo Bento opte pela solução mais convencional, a opção do 8º defesa deverá recair sobre Rolando ou Antunes (Miguel Lopes está lesionado, tal como Sílvio, o qual faria porém certamente parte da lista como indiscutível). Rolando não tem sido chamado mas tem estado a subir de forma e até pode jogar também na lateral direita. Antunes seria uma alternativa mais limitada apenas para o lugar de Coentrão, que no actual quadro de convocados não tem nenhum substituto de raiz, apenas os "adaptados" André Almeida, Ricardo Costa ou até Miguel Veloso. Por outro lado Coentrão em circunstâncias normais não precisa de substituto.

Quanto ao 6º médio, Adrien seria uma escolha natural. O jogador fez uma boa época, bastante aguerrido, bastante dinâmico. Mas por alguma razão não estou em crer que Bento o vá chamar. Poderão tratar-se de questões disciplinares, de temperamento ou de estilo de jogo. Uma coisa eu tenho a certeza, o jogador que melhor aqui caberia e que poderia dar algo de diferente à selecção em termos de médios é André Gomes e tenho alguma esperança que possa ser chamado.

Finalmente o 6º avançado deverá ser um destes: Quaresma, Éder, Bebé ou Danny. Este último parece-me pouco provável, para não dizer, excluído pois tem estado afastado da selecção e sinceramente não me parece adiantar muito. É um jogador mediano e parecido com outros que temos, melhores. Quaresma é obviamente a maior incógnita para este sector. Em termos de qualidade futebolística, Quaresma seria um indiscutível, inclusivamente um titular. No entanto o rendimento deste jogador é muito perturbado pelo seu temperamento e pela sua instabilidade emocional. Muitas pessoas se questionam se é bom ou mau para o Porto tê-lo na equipa - e eu não sei qual a resposta. Quaresma na selecção seria pois algo de muito arriscado para o grupo e para a estabilidade da equipa e daí me parecer que Paulo Bento optará por não o levar. Se fosse eu a escolher iria Bebé, pois tem muita capacidade física e pode jogar a extremo e a ponta de lança. Creio porém que Bento optará por Éder.

Veremos.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Mourinho em queda, City com título à vista

O Chelsea voltou a perder pontos e está definitivamente arredado da luta pelo título.

Este final de época está a ser penoso para Mourinho. 

No início da mesma, considerei que dificilmente o treinador português voltaria a repetir o sucesso do passado no clube londrino. Durante a época admiti que poderia ter que rever essa previsão, dados alguns sucessos pontuais que o Chelsea teve, mas agora que tudo está terminado para os blues, o balanço é francamente negativo. O Chelsea não ganhou nada. Pior ainda, o ambiente agora pelos vistos já é mau, com Mourinho a criticar em público os seus jogadores, nomeadamente um dos que mais lhe deu - Hazard - implicitamente culpando-o pelo desaire frente ao Atlético de Madrid. 

Quanto a esse jogo, não foi muito diferente do Liverpool-Chelsea, que possivelmente deu o título ao City. Também aí a equipa que menos "obrigação" tinha de atacar e vencer o jogo acabou precisamente por o conseguir jogando em contra-ataque e explorando o erro do adversário. O Atlético fez ao Chelsea o que o Chelsea normalmente faz aos adversários: fechar-se muito bem atrás, não dar espaços, não deixar jogar e depois sair em contra-ataques rápidos. Estou obviamente a simplificar muito algo que tem muito mais nuances tácticas, mas em linhas muito gerais é isso. 

O problema é que este Chelsea quando tem que assumir o jogo, quando encontra pela frente uma equipa que usa os seus próprios métodos e joga na expectativa, vê-se muitas vezes em apuros. Foi isso que Hazard quis dizer quando falou em o Chelsea "não estar vocacionado para jogar futebol". É por esta frase ser tão certeira e incisiva que Mourinho ficou tão irritado.

Este ano o Chelsea venceu todos os "grandes", duas vezes o City e duas vezes o Liverpool e goleou o Arsenal mas depois perdeu e empatou jogos com os últimos classificados. Porquê? Porque estando a sua matriz definida para defender e explorar o erro e o espaço nas costas dos adversários, quando se vê obrigado a jogar em organização, com os defesas contrários posicionados de frente para a bola tem muitas dificuldades. Falta imaginação. E é indiscutível que isso tem tudo a ver com o esquema de Mourinho e a sua concepção de futebol. Que poderá estar em queda. Mourinho teve um último ano muito mau em Madrid (não só pelos resultados - zero títulos - mas também pelo ambiente que criou à sua volta, incompatibilizando-se inclusivamente com Pepe e Ronaldo) e este ano de regresso ao Chelsea não foi bom. Nada bom mesmo. O Chelsea dos anos anteriores, os tais que Mourinho desvaloriza, conquistara consecutivamente a Liga dos Campeões e a Liga Europa. 

Descontado o Chelsea, há neste momentos duas equipas com possibilidades de serem campeãs: o City e o Liverpool. Há duas partidas para disputar e as equipas estão em igualdade pontual. No entanto o City lidera o campeonato pois no critério de desempate (diferença de golos) leva mais 9 do que o Liverpool. Em dois jogos essa diferença é irrecuperável. Se o City vencer os seus dois jogos - e são ambos em casa, contra Aston Villa (quarta-feira) e West Ham (Domingo) será campeão. 

O Liverpool teve tudo na mão. A possibilidade de ser feliz décadas depois conquistando um título que andou tão longe nos últimos anos. No entanto o referido jogo em que Mourinho conseguiu anular o ataque dos reds e um erro dramático de Gerard, tudo mudou. Agora o Liverpool tem que esperar por um deslize do City, que está muito mais forte nesta ponta final com o regresso de Aguerro e Touré. O Liverpool joga hoje a penúltima jornada, não podendo mesmo perder mais pontos sob pena de hipotecar já qualquer esperança (Crystal Palace-Liverpool, BenficaTV 20.00h).