sexta-feira, 20 de junho de 2014

Uma semana de Mundial - predomínio das Américas

A primeira grande nota deste Mundial é o afundamento das selecções europeias e o domínio das Américas.
Existem neste momento 3 seleções apuradas e duas são sul-americanas: Chile e Colômbia, ambas surpreendendo e ambas vencendo equipas europeias no sue grupo. De igual modo o Uruguai venceu ontem a Inglaterra deixando esta selecção europeia muito perto da eliminação, o que aliás seria uma pena uma vez que a Inglaterra está este ano a mostrar um bom futebol. Espanha já está eliminada, naquele que foi o primeiro grande choque deste Mundial.

As excepções ao mau desempenho europeu estão a ser a Holanda (já apurada) e a Alemanha (apesar de um jogo ser pouco para avaliar uma equipa, foi possível ver que os alemães não foram ao Brasil brincar).

Os próximos capítulos desta "batalha" entre a Europa e as Américas serão o Itália-Costa Rica, o Portugal-EUA e o Croácia-México. Note-se que qualquer resultado que não a vitória das equipas europeias significará, ou matematicamente ou perto disso, a eliminação de equipas europeias (no caso do jogo da Itália a "vítima" será a Inglaterra e não a própria Itália). O caso em que não implica eliminação automática é o de Portugal, mas se não ganharmos ficaremos numa posição desesperada e dependente de um quase milagre na última jornada.

A França e a Suíça estão a "destoar" e a conseguir superiorizar-se no seu grupo às selecções americanas, (Equador e Honduras) mas ainda é cedo e além disso estas são das mais fracas seleções dos continentes americanos presentes no Mundial.




quarta-feira, 18 de junho de 2014

Estará a selecção preparada para jogar em Manaus?

As dúvidas são legítimas depois do triste espectáculo dado no último jogo.
De acordo com os próprios brasileiros o clima de Manaus é impiedoso.
Terá a nossa preparação sido a mais adequada? A avaliar pela condição física dos jogadores no último jogo, não!
Claro que uma preparação não é feita apenas para um jogo, pelo que a resposta não pode ser definitiva e carece de ser reavaliada depois do próximo jogo. Os sinais são porém preocupantes. 

Outras seleções fizeram preparações diferentes, orientadas para replicar em treino as condições difíceis dos jogos (calor e humidade). A nossa não o fez.

Quero crer que há razões para tal e que a nossa preparação obedece a uma estratégia bem delineada. O próximo jogo trará a resposta, pois é decisivo.

E sobre esse jogo é preciso perceber que teremos pela frente um adversário muito difícil, duro de roer.

OS EUA não são uma selecção que vá muitas vezes à frente, que tenha muito talento, que crie muitas situações de golo.
Mas é uma equipa muito lutadora, muito forte fisicamente, muito competitiva e muito objectiva. Uma equipa que defende muito bem.

Portugal terá que fazer um jogo completamente diferente do de segunda-feira e não poderá abordar esta partida com nenhum tipo de sobranceria. Não podemos ganhar nada neste jogo, pois mesmo uma vitória não decidirá nada e continuaremos dependentes do que acontecer na última jornada. Se, por absurdo, os EUA vencessem a Alemanha na última jornada, Portugal poderia ser eliminado mesmo vencendo o Gana. Isto porque o critério de desempate não são os confrontos entre as equipas mas sim a diferença entre golos marcados e sofridos, aspecto em que, face à goleada sofrida no primeiro jogo, Portugal está muito mal posicionado. 
Se, por outro lado, Portugal vencer os EUA e a Alemanha vencer os seus restantes jogos, um empate contra os africanos basta a Portugal para passar aos oitavos de final.

Mas se não podemos ganhar nada (a não ser o próprio jogo) contra os EUA, temos porém muito a perder - nomeadamente podemos ser eliminados à segunda jornada em caso de derrota.

É assim absolutamente certo é que Portugal tem que vencer os EUA, num jogo que se disputará perante um clima inclemente que condicionará - e muito - o rendimento dos jogadores. Veremos como ultrapassaremos estas várias dificuldades. 

A ideia de que perder por 1 ou por 4 é igual só é válida se conseguirmos chegar ao fim da fase de grupos com mais pontos do que EUA ou Gana (obviamente já nem coloco a Alemanha nesta equação pois passará em primeiro certamente). Se houver igualdade pontual a coisa decide-se por diferença de golos - e aí o cenário não é para já animador.

Portugal tem que enfrentar este jogo com os EUA com a máxima seriedade e sentido de responsabilidade, muito espírito de sacrifício e jogando como equipa. Jogar para Ronaldo a todo o momento, sobretudo no último terço do terreno é uma estratégia absurda que não pode conduzir a nada de bom.

Admito-o: estou muito preocupado quanto às nossas possibilidades de nos apurarmos. Penso que seria muito mau para a nossa imagem no Brasil, para os nossos imigrantes espalhados pelo mundo e para o ânimo dos portugueses em geral se ficassemos pela fase de grupos. Espero sinceramente que isso não aconteça. Mas para alcançarmos o objectivo de passar esta fase precisamos de outra atitude, de outra energia, de outra determinação e de outra atitude competitiva. Vedetismo e culto da personalidade não fazem parte do compêndio vencedor.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Selecção precisa de revolução

Depois da avalanche alemã e do triste espectáculo que a selecção ofereceu ao Brasil, impõem-se medidas por parte de Paulo Bento.
O seleccionador português esteve muito mal na preparação do jogo - a equipa perdeu completamente o meio campo e foi atropelada pelo ataque alemão - mas tem agora que ser capaz de apanhar os cacos desta equipa e apresentar um 11 que seja capaz de vencer os dois jogos que faltam - e não será nada fácil.
Para isso, Paulo Bento precisa de mudar estruturalmente a equipa: Meireles, Moutinho e Veloso fazem um meio campo que já não tem andamento para este tipo de competições e que para além disso não tem dimensão física. É portanto por aqui que a coisa tem que começar a mudar, nomeadamente com a entrada imediata de William Carvalho na equipa.
Recuemos 10 anos.
Portugal perde no jogo de inauguração do Euro contra a Grécia. No jogo seguinte, Scolari promove uma revolução na equipa: saem os "velhos" (Paulo Ferreira, Rui Jorge, Fernando Couto e o próprio Rui Costa) e entram os jovens (Miguel, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Deco e o próprio Cristiano Ronaldo).
Os resultados são conhecidos: apesar de termos perdido o jogo decisivo, novamente com a Grécia, fizemos a melhor campanha de sempre da selecção.
Neste momento a equipa precisa de um tratamento de choque desse tipo: o problema é que não há suficientes jovens para entrar na equipa.
Para começar, Bento deveria mexer na baliza. Patrício é talvez o pior guarda-redes que me lembro de ver entre os postes da selecção. Não faz uma defesa e não dá nenhuma segurança à equipa. A jogar com os pés é uma desgraça e não raro dá golos ao adversário. Patrício treme por todos os lados e deveria ser substituído de imediato - por Eduardo.
Depois no meio deveria entrar William para o lugar de Meireles, avançando Moutinho. É uma pena que André Gomes não esteja entre os convocados porque seria também uma boa opção. Rúben Amorim pode porém entrar igualmente, nomeadamente para o lugar de Miguel Veloso que penso ser a melhor opção neste momento para o lugar de Coentrão. 
Finalmente há que deixar de colocar em campo um ponta de lança de raiz, fazer entrar Varela ou Vieirinha e derivar Ronaldo para o meio.
Paulo Bento tem agora a palavra. Fazer um jogo semelhante ao de ontem não é uma opção. Portugal tem que deixar outra imagem no Brasil. Seria imperdoável não o fazer.