quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Equipa (ainda) em construção

O Benfica terá feito (assim todos o esperamos) muito boas contratações, equilibrando um plantel que parecia em desagregação e perda acentuada de qualidade. Os negócios foram aparentemente bons, o problema é que aconteceram já nas vésperas do encerramento do mercado, o que significa que algumas pedras importantes não fizeram a pré-época, como Samaris e Cristante - ou nem sequer começaram ainda a jogar, como é o caso de Júlio César e Jonas. 

Esta equipa está portanto ainda em fase de construção ou crescimento. O próprio Talisca, que me pareceu desde o início um jogador com muita qualidade e enorme potencial, é um jovem que precisa de tempo para assentar na equipa. Samaris ainda mais, pois está no sector nevrálgico do centro do terreno. Por outro lado, jogadores como Bebé e Jonas terão também um espaço na equipa (embora este último não para a Liga dos Campeões) e o próprio Derley, se conseguir "crescer" e perder o medo também poderá ser uma opção válida. Na defesa veremos se Jardel será o titular do lugar.

A vitória por 5-0 em Setúbal foi evidentemente uma óptima notícia e um bom indicador da qualidade que existe e do que o Benfica poderá fazer esta época nas provas nacionais. Não permite porém embandeirar em arco, pois esta equipa perdeu jogadores que eram fundamentais na sua dinâmica do ano passado, jogadores de enorme classe, como Garay, Siqueira, Rodrigo e Markovic (para não falar de Oblak), precisando naturalmente de tempo para que os que chegaram consigam colocar a sua qualidade ao serviço da equipa e esta adquira nova dinâmica. 

É evidente que o posicionamento e a movimentação de Talisca não são os de Rodrigo, que a saída de Garay implica uma maior lentidão da defesa e que Samaris é um jogador com um estilo próprio, pelo que a equipa terá que "absorver" e se adaptar a estas realidades.

Perante uma equipa já bem estabelecida, bem trabalhada, que manteve o essencial da época passada e se reforçou "só" com Garay, Javi Garcia e Arshavin, a tarefa do Benfica tornou-se quase impossível quando erros individuais deitaram tudo a perder. Com uma desvantagem no marcador e em número de jogadores pouco depois do primeiro quarto de hora era quase impossível fazer diferente, pelo menos nesta fase. 

Nada está perdido, embora as coisas se tenham complicado. Não custa perceber que o Zénite é a equipa mais forte deste grupo. A vitória de um fraco Mónaco sobre o Leverkussen indica que o Benfica poderá, se der o seu máximo e souber ser inteligente, ficar em segundo lugar do grupo, vencendo os seus restantes jogos em casa e não perdendo fora com nenhum dos que passaram agora a ser os adversários diretos. Eventualmente terá mesmo que vencer um desses jogos, dependendo das combinações de resultados que forem surgindo.

Os adeptos estiveram bem ao reconhecer o esforço e ao apoiar a equipa. Há que continuar a trabalhar para que ela cresça, para que se torne mais sólida, mais segura, mais compacta. Será uma época longa e exigente mas penso que o Benfica pode, pelo menos ao nível nacional, fazer algo de parecido com o que aconteceu na época passada, nomeadamente ser campeão e talvez vencer a Taça. Seria certamente uma excelente época, que nos deixaria todos muito felizes. Quanto à Champions, penso que temos qualidade para poder passar este grupo, mas para isso precisamos de conseguir resultados - mais do que exibições - nesta fase em que a equipa ainda está em formação. A começar já em Leverkussen.