quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O incompetente

A expressão não é minha mas do próprio. 

Ao fazer o balanço do péssimo Mundial que Portugal fez, desapontando milhões de portugueses e descendentes de portugueses no Brasil,  Fernando Gomes, falando na primeira pessoa do plural, reconheceu a sua incompetência: "fomos incompetentes", foram as palavras textuais.

No entanto, estranhamente, a única consequência que retirou dessa incompetência foi a demissão do médico da seleção, como se a culpa pela triste figura que fizemos no Brasil fosse do "desgraçado" do médico. Como se fosse o médico quem programou a preparação, convocou os jogadores e escolheu os "onzes" e as tácticas. 

Apenas algumas semanas após este episódio (e pouco depois da renovação do contrato do selecionador), demitiu Paulo Bento. As culpas que eram do médico pelos vistos passaram a ser do selecionador, que umas semanas antes até vira os seus poderes reforçados...

O mais recente episódio da incompetência gritante deste Presidente da Federação Portuguesa de Futebol chegou com a apresentação de Fernando Santos.

No momento de apresentar o novo treinador, grande parte das perguntas incidiu sobre Paulo Bento, sobre a entrevista deste à RTP e sobre as versões contraditórias sobre o seu afastamento. Quando se queria olhar para o futuro de forma limpa e com optimismo, Gomes, com um novo selecionador ao seu lado, multiplicou-se em explicações e versões pouco congruentes sobre o que realmente se passou, deixando sombras a pairar sobre a seleção. Um episódio de incompetência pura: ou abordava o assunto antes da apresentação de Fernando Santos e dava nessa altura a sua versão dos factos, ou pura e simplesmente recusava-se a fazê-lo nesta altura, dizendo que estava ali para falar de Fernando Santos e o futuro e que este era o selecionador nacional, nada mais importando.

No entanto, o incompetente assumido - e isto é que é realmente grave - é muito competente para algum tipo de manobras, designadamente as sombrias e pouco limpas.

Desde que foi eleito para a Liga e depois para a Federação, Fernando Gomes começou por "ilibar" Hulk e Sapunaru, no caso das gravíssimas agressões que estes perpetraram, ao deixar cair o Conselho de Disciplina, considerando que este não fôra "competente" e vem agora "ilibar" Pinto da Costa, 10 anos depois, limpando-lhe o cadastro.

É um incompetente muito habilidoso.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

As "boas dores de cabeça"

A entrada a perder no jogo de domingo e a pouca índole atacante da equipa durante os primeiros 30 minutos apressaram Jorge Jesus a alterar muito cedo a disposição do 11 e a regressar ao esquema de dois avançados puros. A diferença foi notória: com Derley e Lima a equipa teve outra presença na área, outra acutilância.

Face ao que Talisca tem vindo a demonstrar - técnica, qualidade, envolvimento no jogo e golos - Jorge Jesus fica pois com um dilema. 

Claramente a posição onde Talisca se sentiria melhor é de Enzo. O argentino é porém o pêndulo da equipa e como tal é um titular indiscutível.

Até agora, Talisca tem jogado na posição de falso ponta de lança, segundo ponta de lança ou número 10 mas não há dúvida de que, sobretudo nos jogos em casa com equipas mais pequenas, se justifica uma presença mais permanente na área, função que Derley desempenha de um modo mais efectivo. Para além deste último, há aliás agora mais uma solução, Jonas.

No jogo com o Moreirense, Jesus optou por tirar o "trinco" Samaris e recuar Talisca que passou a jogar ao lado de Enzo. Realmente não se justificava um médio de cobertura, posicional, quando o adversário praticamente não atacava. No entanto também não é de crer que joguemos, sobretudo nos jogos mais difíceis, nomeadamente fora de casa e jogos europeus, sem um trinco de raiz ou pelo menos um jogador com características de cobertura e recuperação de bola.

Temos assim boas e variadas opções para o meio campo e para o ataque. Para além destes há ainda André Almeida, Cristante, Fedja e Rúben Amorim, Nélson Oliveira e Jara (para além dos jovens da equipa B).

Jorge Jesus tem muitas e boas dores de cabeça, como se costuma dizer, para escolher os 4 jogadores que jogam no centro do campo e no centro do ataque.

A "solução" poderá passar por uma alternância do esquema da equipa, entre os jogos fora e os jogos em casa, ora com um esquema de um ponta de lança, com Talisca no apoio e recuando para o meio campo quando a equipa defende, ora com dois pontas de lança, eventualmente com Enzo e Talisca no meio campo.


Se ainda não viu, não deixe de seguir o link para o nosso post sobre a "absolvição" de Pinto da Costa:

http://justicabenfiquista.blogspot.pt/2014/09/1-de-abril-anedota.html


1 de Abril? Anedota?

A notícia de ontem - que nem sequer aprofundei - de que Pinto da Costa foi (voltou a ser?) ilibado é algo que enjoa e que enoja. Algo que mais uma vez descredibiliza por completo a justiça portuguesa.

Faz lembrar aqueles filmes, passados em Gotham City ou nalgum outro local imaginário ou futurístico, nos quais praticamente todos os políticos, decisores e homens em lugares de poder são corruptos que ademais têm os juízes no seu bolso.

Digo-vos uma coisa, não deve ser fácil ser polícia e muito em particular polícia de investigação neste País. 

Pinto da Costa nunca foi praticamente condenado a coisa nenhuma, com excepção de uma pena de dois anos de suspensão pela justiça desportiva - da qual não recorreu - que aliás poucos efeitos práticos teve.

Nos tribunais foi absolvido em praticamente todos ou mesmo todos os processos, designadamente os ligados ao apito dourado e os que o opuseram a Carolina Salgado. Com o infame Lourenço Pinto à sua ilharga, passou incólume por tudo, desde subornos e corrupção a espancamentos encomendados.

Ora vir agora, passados todos estes anos, "absolver"mais uma vez Pinto da Costa só pode ter uma intencionalidade clara de branquear e tentar rescrever a história, possivelmente na esperança de daí retirar benefícios. 

Pelo que percebi, a Federação, com base na decisão judicial, anulou o castigo a Pinto da Costa. Trata-se de uma atitude repulsiva, que denota um comportamento e uma mentalidade viscosa. Fernando Gomes, é o responsável máximo por esta decisão. Convém registá-lo.

Nota: estava-me a esquecer de um "pormenor" importante. É que Pinto da Costa e Jacinto Paixão foram "absolvidos" alegadamente por as escutas não poderem ser aceites como meio de prova, apesar de Jacinto Paixão ter ele próprio feito um vídeo no qual confessou a corrupção.