quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Sem andamento para estas cavalarias

O Benfica fez ontem uma das piores exibições que alguma vez vi o nosso clube fazer. O resultado é altamente lisonjeiro para o que se passou em campo. Foi um dos jogos mais desequilibrados de que me lembro e, em anos e anos de futebol, não me lembro de ver uma equipa tão incapaz de sair do seu meio campo como o foi o Benfica ontem.
Era aflitivo: o Benfica não conseguia fazer dois passes seguidos a partir da linha de meio campo. Se construiu uma jogada minimamente estruturada (para além do golo) durante os 90 minutos de jogo foi muito.


O que se passou foi que uma equipa apareceu na "máxima rotação" e a outra pura e simplesmente não tem andamento para isso. O Benfica entrou em campo já um passo atrás dos alemães e depois passou o jogo todo a correr atrás deles. O problema é que neste momento não há grande velocidade e capacidade de explosão na nossa equipa. Não há o ritmo frenético de outros tempos.

O meio campo do Benfica foi lento e completamente manietado pela pressão de 5 e 6 jogadores do Bayer sobre o portador da bola. Infelizmente a equipa e o treinador não tiveram soluções para esses problemas colocados pelos alemães, para além do mais muito poderosos fisicamente e sempre a jogar no limite da falta.


Individualmente não estivemos bem. Poucos jogadores passaram incólumes ao vendaval alemão: Luisão, Maxi, Sálvio e Gaitan foram os que menos acusaram a pressão e mais tentaram mudar o curso dos acontecimentos, embora nem sempre com êxito. 

Em relação ao meio campo, há que ter algum cuidado em não "queimar" Cristante, que fez o que pode. Antes do jogo ouvi muitos comentadores elogiarem a opção pelo italiano. O jogo não lhe correu bem mas não correu bem a ninguém. Recordo que o próprio Enzo foi substituído. Aliás o argentino parece-me emocionalmente um pouco distante. Talisca, que tem sido o "abono de família" a nível interno ainda não tem intensidade para este tipo de futebol.

Como já referido, o Bayer fez uma pressão infernal (que também não me lembro de ver há bastante tempo e que exige uma condição física impressionante) que dificultou muito a tarefa do Benfica. 5 e 6 jogadores rodeavam Enzo ou Cristante, sem que os jogadores do Benfica se conseguissem desenvencilhar dessa teia. Talvez isso seja mais visível através da transmissão televisiva, mas o treinador do Benfica teria que ter visto o que se passava e alterar mais cedo a forma de jogar. Talvez Jorge Jesus tenha pensado que os alemães não aguentariam e dariam o estoiro na segunda parte. Se assim era, a inacreditável decisão de um árbitro auxiliar ou de baliza acabou com as esperanças que pudéssemos ter. Mas o restante jogo mostrou que o Benfica dificilmente teria capacidade para mais mesmo sem aquele penalty inexistente. 

Deste jogo devem ser tiradas algumas ilações. Desta vez o treinador do Benfica não esteve bem, apesar dos condicionalismos. Como eu referia no anterior artigo, há muito que trabalhar. Há que ser humilde. 

Vêm aí dois jogos com o Mónaco, o primeiro dos quais fora. Em teoria o Benfica precisará de vencer os dois para poder ter esperança de avançar. Uma derrota no principado praticamente condena-nos a lutar pela Liga Europa, algo que sinceramente eu dispensaria pois acho que é um desgaste excessivo para um retorno mínimo. 

Para isso precisamos porém de ter outra abordagem ao jogo, outra dinâmica, outro envolvimento emocional. Jorge Jesus precisa de trabalhar mais os trincos e eventualmente pensar em dar uma oportunidade a Lisandro Lopez. Seria demasiado injusto atribuir as culpas dos problemas defensivos a Jardel mas isso não quer dizer que não se possa, pelo menos num ou noutro jogo, ver se Lisandro pode ser solução ou alternativa (até porque certamente surgirão mais tarde ou mais cedo lesões ou castigos). 

Há também uma questão de atitude e mentalidade competitiva que precisam de melhorar para os 4 jogo que faltam da fase de grupos da Champions. O Benfica não pode deixar uma imagem tão pálida, tão má, tão pobre na Europa. 

Entretanto vem a caminho o campeonato. A derrota em Leverkussen seria ainda mais desastrosa se influísse negativamente na nossa campanha a nível interno que começou bem e todos desejamos que continue bem encaminhada. Será pois importante dar uma grande resposta no Domingo contra o Arouca, vencendo e jogando bem.




terça-feira, 30 de setembro de 2014

Continuar a trabalhar - a procissão ainda vai no adro

O jogo do Benfica na Amoreira teve coisas boas e más.

Obviamente ganhar é sempre o objectivo dos jogos e nesse sentido - que é o mais importante - as coisas correram bem. No entanto houve alguns aspectos menos positivos como o ter permitido dois golos ao adversário que tornaram um jogo que parecia resolvido em algo de bastante complicado. A equipa depois teve muito mérito em não se ter desorientado e ter conseguido voltar à vantagem. 
Convirá porém trabalhar para corrigir os erros e desequilíbrios defensivos (apesar do Estoril ter também o seu mérito nos golos) e ser uma equipa ainda mais forte.

Mas mais importante ainda é perceber que os objectivos só poderão ser alcançados se continuar a haver um trabalho muito sério e constante. Nada está ganho à partida; nem mesmo quando os jogos parecem estar a correr de feição se pode achar que eles já estão ganhos e abrandar o ritmo. Há que respeitar e nunca subestimar os adversários. 

O Benfica está à frente e tem nesta altura uma boa vantagem. No entanto é muito cedo para atribuir a isso um valor decisivo ou sequer muito relevante. A procissão ainda vai no adro. O campeonato tem muitas jornadas, muitos meses e muitas peripécias pela frente.

O Porto continua a ter um plantel muito forte, com muitas soluções. O Sporting continua a ter uma equipa aguerrida, jovem e com qualidade, para além disso muito bem orientada, que não pode ser descartada na luta pelo título. 

Aquilo que podemos retirar destas primeiras jornadas é que podemos confiar nesta equipa do Benfica. Que ela tem capacidade e poderá atingir os objectivos pretendidos, a começar pelo bicampeonato. No entanto só com um trabalho muito intenso e constante eles se tornarão realidade. O campeonato é como uma maratona. Há que saber passar as várias fases e suportar as suas provações para, com inteligência e gerindo o esforço e a vantagem da melhor forma, chegar no fim à frente.