segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

(mais) Um novo começo

A saída de Enzo Perez abre mais um capítulo na "era Jorge Jesus": o treinador terá que mais uma vez formar um meio campo diferente. Este ano ainda por cima com a agravante de que a equipa não se encontrava ainda estabilizada. Desde a saída de Matic há um ano saíram ainda (falando apenas do meio campo) André Gomes e lesionaram-se Fedja e Rúben Amorim.

A última dupla de médios que actou com continuidade e estabeleceu rotinas claras de jogo foi a constituída por Matic e Enzo. Ela actou na época 2012-2013 e na primeira parte da época passada. Desde então houve uma rotação quase constante, com vários jogadores a ocuparem o lugar de Matic: Fedja, Rúben, André Gomes, André Almeida, Samaris e Cristante. A dada altura até o meio campo de três jogadores, com Rúben a ser o terceiro homem, foi ensaiado.

Com a saída de Enzo, perde-se a peça que assegurava a continuidade com aquele passado de relativa estabilidade nas posições. Jorge Jesus terá que de novo "inventar" e solidificar um meio campo, já com a época em andamento e com todas as contrariedades das lesões. Para já a solução parece ser Talisca e Samaris com o italiano Cristante a lutar ainda pelo seu espaço. O problema mais evidente desta solução é que se tratam de três jogadores que chegaram ao Benfica apenas no início de época. O lado mais positivo é que Talisca tem evidentemente muita qualidade e Samaris parece adaptar-se cada vez melhor.

Apesar de tudo apontar para que Talisca se consolide cada vez mais na posição 8, acredito que Jorge Jesus continuará a promover alguma rotatividade como fez até aqui, jogando o brasileiro quer nessa posição quer entre o meio campo e o ataque, como falso segundo ponta de lança. Isso aconteceu muitas vezes e pode continuar a acontecer tendo em atenção que Samaris se sente bem também no lugar 8. Com os regressos de Fedja e Rúben, que se espera e deseja que aconteçam em breve, haverá novas opções e a possibilidade de dotar o meio campo de uma maior consistência. Veremos como o nosso treinador as organiza.

Outra boa notícia é o regresso de Sílvio. Finalmente o Benfica está bem servido de laterais: Maxi (um modelo de profissionalismo para além da grande qualidade), Eliseu, André Almeida (outro grande profissional que está a demonstrar uma capacidade surpreendente mesmo na esquerda e cuja polivalência tanto nos tem valido) e Sílvio dão todas as garantias, havendo ainda Benito.

No centro da defesa as várias opções ensaiadas têm dado resultados positivos. Jardel tem melhorado muito, dando já garantias razoáveis, César tem crescido como jogador e Lisandro também, embora tenha já um nível de maturidade e experiência ligeiramente superior ao brasileiro.

O que é extraordinário neste Benfica é que, ou por saídas em relação às quais o clube pouco podia fazer, ou por lesões, a equipa tem sido praticamente reconstruída de ano para ano (e às vezes no mesmo ano), mantendo um nível de resultados muitíssimo positivo. 

O jogo de Penafiel então é particularmente paradigmático. Por via de lesões, castigos e saídas, Jorge Jesus não pode contar com 5 - cinco - habituais titulares: Eliseu, Luisão, Enzo, Samaris e Sálvio! Ou seja, não pode contar com 3 jogadores fundamentais do eixo central, para além de um dos seus melhores e mais influentes jogadores criativos e do lateral esquerdo titular. E apesar dessas contrariedades ganhou por 3-0. É algo que tem que ser reconhecido e apreciado.

O ano começou bem, o que é sempre bom mas há muito campeonato e muitas dificuldades pela frente. A vantagem de 6 pontos é boa mas não dá garantias de coisa nenhuma. O Benfica terá que continuar a consolidar processos e a ser realista na sua abordagem aos jogos, apostando na prata da casa e recuperando o mais rapidamente possível os lesionados. Será também importante os adeptos continuarem a apoiar a equipa e começarem a comparecer em maior número nos jogos na Luz.