quinta-feira, 19 de março de 2015

Convocatória fraca

Fernando Santos não pode inventar jogadores, tem que convocar entre os existentes.

No entanto parece-me que as escolhas deixam muito a desejar. Muito em particular e sem ter nada contra os atletas em questão, Bosingwa, Éder e Hugo Almeida parecem-me escolhas absurdas. Se Éder nem no Braga consegue ser titular, se Hugo Almeida praticamente nem clube consegue obter, se Bosingwa joga (e pouco) num campeonato e numa equipa de 3ª linha, como é possível estarem na selecção? Estão pouco acima da mediocridade...

Para além destes, há demasiados jogadores medianos. Nunca gostei de ver Danny na selecção por exemplo. 

Face a essa fragilidade estranham-se algumas ausências, nomeadamente de Pizzi que já vem sendo titular há várias semanas no campeão e líder do campeonato.

Valores portugueses precisam-se urgentemente. 

Entretanto recordo que há um outro português titular do Benfica. Deixo apenas uma pista: é ponta de lança e marca muitos golos. Se jogasse noutro(s) clube(s) possivelmente haveria campanhas diárias para que fosse convocado mas assim... Eu nem sou favorável a naturalizações mas essa é uma realidade presente por todo o lado e até no nosso País. 



Liga dos campeões decepcionante

A Liga dos Campeões tem sido uma galinha dos ovos de ouro para a UEFA, a qual continua por isso a explorar o formato à exaustão, tornando-o menos atractivo para os espectadores. 
Depois de ter sido tentado um esquema de competição que contemplava duas fases de grupos, solução ridícula que obviamente não durou, é agora a vez de se fazer arrastar uma eliminatória por 5 semanas, como foi o caso destes oitavos de final. A intenção é clara: mais transmissões televisivas e mais receitas. Se os jogos fossem como antigamente todos no mesmo dia, as televisões teriam que optar por um e portanto as receitas seriam menores. No entanto este arrastar no tempo não faz qualquer sentido futebolisticamente e acaba por banalizar os jogos desta competição, retirando parte do encanto das "noites europeias".

Este ano deparamo-nos com outro aspecto decepcionante que é o da falta de qualidade das equipas: o United, um dos grandes desta competição, não se qualificou, o Chelsea está eliminado depois de uma prestação ridícula, o Real Madrid passou in extremis depois de perder em casa por uns inexplicáveis 3-4 contra uma equipa fraca, como é o Shalke, Arsenal e City também saíram de prova. Penso mesmo que deve ser a primeira vez em muitos anos que não há uma única equipa inglesa nos quartos de final. Para além disso temos um Atlético de Madrid desenxabido e um Mónaco ultra defensivo nos quartos. O Porto teve evidentemente todo o mérito na forma como se qualificou, mas a verdade é que ainda não defrontou uma única equipa de qualidade, o que não deixa de ser espantoso, tendo em atenção quão avançada a competição já vai. Só lhe falta de facto apanhar o Mónaco nos quartos.

Penso que as equipas favoritas neste momento são o Barcelona e o Bayern, duas equipas com a marca de Guardiola. De facto o melhor Barcelona é aquele que faz recordar o super-Barcelona de há uns anos, treinado por Guardiola, ao passo que o Bayern foi elevado a um novo patamar com a chegada deste grande treinador espanhol. Ao contrário de Mourinho, Guardiola aposta no futebol e na qualidade de jogo, proporcionando grandes espectáculos. 

Outras equipas a rever serão a Juventus e o PSG, para verificar se confirmam as boas indicações que deixaram nos oitavos (sobretudo na segunda mão) ou se ficam por aqui.

Uma coisa é certa: este ano a competição está a desiludir em virtude um rendimento desapontante de algumas das maiores equipas europeias. Dito de outra forma, é um bom ano para uma equipa não favorita poder ir longe na competição. Em todo o caso penso que no final prevalecerá a "lógica" do favoritismo e um dos grandes "tubarões" voltará a conquistar o troféu.



segunda-feira, 16 de março de 2015

Braga, R. Gomes da Silva e o que falta jogar

O Benfica venceu o Braga categoricamente, num jogo de grande competência e qualidade da nossa equipa. Era um jogo que se afigurava difícil por vários motivos, incluindo o facto da margem de erro estar agora reduzida a quase nada, pois torna-se claro que o Porto dificilmente perderá pontos até ao clássico (mas a isso já iremos). O que me parece importante destacar é que o Benfica fez uma grande exibição, demonstrou grande solidez e concentração e que alguns jogadores se destacaram, apesar da média exibicional ter sido muito elevada: Jonas, Eliseu e Samaris merecem palavras especiais pela excelência das suas exibições. O grego é cada vez mais uma rocha, um jogador que aparece a pressionar em quase todas as áreas do terreno, "caindo" em cima dos adversários assim que estes conquistam a posse de bola e que para além disso aparece ainda a construir. Jonas mostrou mais uma vez toda a sua classe, muito contribuindo para a relativa tranquilidade da vitória, ao passo que Eliseu,  o "bombo da festa" da muita comunicação social, voltou a fazer uma grande exibição e mais um golo, calando muita gente.

O outro aspecto que me parece essencial relevar nesta altura é que nada mudou e que o campeonato não passou a estar ganho depois da vitória sobre o Braga. Continuamos com 4 pontos de avanço e sem grande vontade de deixar escapar esta vantagem até ao clássico da 30ª jornada, especialmente pelo facto de nos dois anos em que o Porto foi campeão com Vítor Pereira termos perdido o campeonato sobretudo nos clássicos jogados nas últimas jornadas. Manter a vantagem de 4 pontos (ou aumentá-la) até lá é esvaziar o balão portista e permitirá outra gestão psicológica desse jogo, muito mais favorável para as nossas cores. É simples: não perdendo o Benfica qualquer ponto até esse jogo, a vitória na Luz torna-se para o Porto algo de desesperadamente obrigatório apenas para manter viva a esperança, ao passo que o Benfica poderia jogar com a tranquilidade de saber que acontecendo o que acontecesse seria líder e que tanto o empate como a vitória lhe serviriam, sendo que esta o deixaria a apenas 5 pontos do título (com 12 em disputa), portanto virtualmente campeão. 

O próximo jogo nessa caminhada é o Rio Ave em Vila do Conde. Como sempre, só a atitude de concentração e empenhamento máximo, aliada a sentido "matador" nos momentos certos do jogo, nos farão trazer os 3 pontos de que tanto precisamos. Aliás esta poderá ser a última grande oportunidade (em termos "teóricos") de ganhar mais avanço sobre o Porto. Isto porque o Benfica joga antes e em caso de vitória coloca pressão sobre o Porto que enfrentará um dos jogos mais difíceis até ao fim da Liga: a visita à Madeira para enfrentar o Nacional. Outro aspecto importante é que o Benfica tem 4 deslocações até ao fim do campeonato, pelo que após esta ficarão a faltar-nos 3 jogos fora e 5 em casa. Claro que tudo isto é "teórico" e que por vezes os jogos supostamente mais difíceis se tornam fáceis e vice-versa.

Isto liga-se de algum modo à questão das declarações de Rui Gomes da Silva: "um jogo importantíssimo contra uma equipa que, geralmente, joga melhor contra o Benfica do que contra outros candidatos ao título. Há sempre um adicional de adrenalina nos jogos entre o Benfica e o Sp. Braga. Estou a estabelecer um termo de comparação não só com o comportamento dos jogadores, mas também com o discurso oficial, quer da liderança do Sp. Braga, quer de vídeos motivacionais”.

Na verdade não me parece haver nada de especial nestas declarações. Sobretudo não me parece que elas afirmem ter faltado empenho aos jogadores do Braga contra o Porto ou, menos ainda, que se sugira que o Braga facilitou. Pela parte que me toca, não tenho dúvidas de que o treinador bracarense fez o que achou melhor para vencer ou empatar com o Porto e que os jogadores também procurado dar o seu melhor. No entanto não há dúvida de que o ambiente contra o Benfica é sempre mais hostil e que a direção do Braga promove quase um ódio ao Benfica que se transmite certamente aos jogadores. Para além disso é ou não verdade que o prémio de jogo foi triplicado na partida com o Benfica? Se assim foi, é de facto muito estranho, pois mais normal seria atribuir esse prémio no jogo contra o Porto visto que, a jogar em casa contra o 2º, as probabilidades de vencer seriam à partida mais elevadas do que jogar fora contra o 1º. Falar em "adrenalina" parece-me pois até ir ao encontro do que realmente se passa. 

Um problema diferente é o de perceber se Rui Gomes da Silva deveria ter levantado esta questão antes do jogo, sobretudo dada a sua posição de vice-presidente. Aí parece-me que a resposta será que não deveria porque isso pode ser visto como a posição do Benfica e isso seria despropositado. O Benfica tem que esperar sempre motivação máxima dos adversários nos seus jogos. É da essência ou natureza das coisas. Há uma insinuação que se pode subentender nas palavras de RGS (o problema está na expressão "o comportamento dos jogadores", sem ela penso que as declarações seriam inatacáveis porque objectivas) que não fica bem num alto dirigente. Percebo a posição de Sérgio Conceição, dado que, na confusão mediática sobre o que foi ou não dito (convém não esquecer que também Nuno Gomes falou por esses dias a propósito da "motivação" dos bracarenses) veio defender a seriedade dos seus jogadores. 

Já quanto ao treinador do Porto, recordo-lhe uma frase sua aqui há umas semanas, quando disse em latim que "quem se defende sem ser acusado, manifesta culpa". Pois se RGS não falou de nenhum clube, porque sentiu Lopetegui necessidade de vir falar? Sentiu-se "picado"? Ou culpado? Sinceramente começa a cansar um pouco o discurso do treinador do Porto, nomeadamente quando acha que vem dar lições aos portugueses. Melhor ou pior, nós cá nos governamos há quase 9 séculos dispensando os conselhos espanhóis. Aliás os bascos deviam ter um respeito particular pelos portugueses, tanto mais que nunca alcançaram a independência de Castela que tantas vezes reclamaram. Por isso o treinador do Porto deve manter-se no seu lugar e não se meter no que não é chamado.