sexta-feira, 10 de abril de 2015

O valor de um goleador

O goleador é uma espécie rara no futebol. Nas últimas duas décadas há no Benfica um nome que se destaca muito acima dos outros: Cardozo. 

Para se perceber bem do que estamos a falar, é preciso recordar que Cardozo é o 9º melhor marcador de sempre do Benfica com 172 golos em 293 jogos oficiais. Para encontrar um registo melhor é preciso recuar a Nené... Todos os outros nomes remontam a Torres e ao período anterior. Antes de Cardozo, o melhor marcador das últimas décadas era Nuno Gomes com 166 golos em 398 jogos.



Dividido por épocas, o paraguaio marcou 38 golos e teve uma média de 0,81 golos/jogo em 2009/10; 23 e 0,55 em 2010/11; 28 e 0,62 em 2011/12 e 33 golos; e 0,70 em 2012/13. São números arrasadores que mostram o que é realmente um goleador. Cardozo "não jogava nada", "só" marcava golos. Por isso foi muito incompreendido por alguns adeptos. Os números porém falam por si.

Em geral, pode-se considerar um verdadeiro goleador um jogador que marca no mínimo um golo a cada dois jogos. Médias acima dos 0,5 são excelentes, ao passo que um pouco abaixo, são mais comuns. A de Nuno Gomes, por exemplo, foi de 0,41.

Outro avançado importante no Benfica do presente é Lima. Na primeira época no glorioso, Lima marcou 30 golos em 53 jogos, uma média de 0,53 golo/jogo, uma média de goleador. Na segunda (ano passado) 21 golos em 51 jogos, 0,41. Este ano Lima tem 13 golos em 36 jogos, uma média de apenas 0,36. No entanto, ao analisar a sua prestação é preciso ponderar o excelente trabalho que tantas vezes este jogador faz (e o desgasta), derivando para as faixas, indo buscar jogo mais atrás ou até recuperando bolas. Lima, ao contrário de um goleador do tipo de Cardozo (tipicamente finalizador), sabe jogar com a bola nos pés e é capaz de criar oportunidades para os colegas. Como vimos, os números de Lima estão no limiar do goleador, quer dizer daquele jogador de quem se podem esperar golos em quase todos os jogos, que resolvem muitas vezes jogos que parecem bloqueados.

Isto leva-nos a um outro tipo de jogador, ainda mais raro do que o goleador, que é o goleador que também sabe jogar e fazer jogar. Esse tipo ainda mais raro é o tipo de Eusébio, Ronaldo Fenómeno e Cristiano Ronaldo, Rivaldo, Romário e, numa outra dimensão, mais modesta, Jonas.

Neste momento Jonas tem uns impressionantes 22 golos em 28 jogos. Uma média de 0,78 golo/jogo! É algo que se aproxima dos números devastadores de Cardozo em 2009/2010, o ano do "rolo compressor". E que Jonas sabe jogar e fazer jogar, ninguém pode ter dúvidas: as suas combinações com Gaitan, Sálvio e Lima, os seus recuos até ao meio campo para fazer equilíbrios e ir buscar jogo, os seus pormenores de classe. Jonas foi efectivamente uma excelente contratação. Que assim continue até ao fim do campeonato. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Quem são afinal os mouros?

Os adeptos do Porto chamam muitas vezes aos benfiquistas "mouros", numa alusão ao facto dos árabes e berberes terem invadido Portugal e ocupado durante algum tempo o sul do País, ao passo que o Porto seria a cidade invicta. 

Mas se os portistas e portuenses interpretam este epíteto de "invicta" como o testemunho da invencibilidade da cidade face aos invasores sarracenos estão muito enganados. As invasões árabes da península iniciadas quando o general Tarik atravessou o estreito de Gibraltar em 711 levaram à conquista da quase totalidade da península (e à totalidade do território do actual Portugal). Na altura os cristãos ficaram acantonados nas montanhas das Astúrias, praticamente encostados ao mar. 

Invicta diz respeito a um episódio muito mais tardio, no âmbito da guerra civil entre liberais e absolutistas, durante o qual a cidade do Porto se manteve fiel a D. Pedro e à causa liberal, resistindo ao cerco miguelista e salvando o liberalismo constitucional. 

Por outro lado, os mouros foram expulsos de Lisboa logo em 1147, no início do reinado de D. Afonso Henriques.

Mas existem mais razões para os portistas começarem a ter um cuidado acrescido quando falam em mouros. Porque os têm na sua equipa! Têm nomeadamente um jogador argelino, Brahimi e ainda um camaronês chamado  Aboubakar, uma evidente alusão a Abu Bakr, o primeiro califa do Islão.

Mas é um outro argelino antigo jogador do Porto, Madjer, que vem fazer a mais inesperada e insólita confidência: de acordo com ele, todos os jogadores do Porto beijaram o Corão antes da final com o Bayern de Munique! É de facto algo de improvável, de incrível.

Quem são afinal os mouros?

Com tantos mouros e espanhóis no Porto, começa a ser difícil falar na cidade invicta...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Calendário estranho

Há célebre história do professor universitário que ao avaliar  do aluno lhe diz: "o seu trabalho tem ideias boas e ideias originais". O problema é que as ideias boas não são originais e as originais não são boas.

O futebol português tem ideias originais - muito más - e nem sequer consegue copiar as ideias boas.

Uma das originalidades do futeluso é a calendarização das provas. Por razões que ninguém entende começamos a época em pleno Agosto, quando toda a gente está de férias e o calor é insuportável. Em Espanha e Itália, onde os climas e a cultura são semelhantes, o campeonato (com mais equipas) começa uma ou duas semanas depois do nosso. Nós imitamos porém o calendário dos países nórdicos, esquecendo o "pormenor" de que ali não se joga durante Dezembro. Depois interrompemos o campeonato sucessivamente em setembro, outubro, novembro e dezembro, chegando o mesmo a parar por 3 semanas (!), seja para jogar competições a eliminar, seja por causa das provas das seleções. Com essas paragens constantes e prolongadas retira-se continuidade e fluência à competição. 

Mas sem dúvida que o mais extraordinário do calendário futebolístico português é o agendamento das taças. Em vez de se jogar em datas pre-estabelecidas, durante a semana, estas jogam-se quer à semana, quer ao fim-de-semana, aparentemente quando calha. Mas se isso não bastasse, há equipas a jogar a primeira mão de uma meia final da Taça de Portugal na véspera de outras jogarem a segunda! O mesmo se passa na Taça da Liga na qual o Benfica há muito que é finalista e só na passada semana conheceu o seu adversário. Isto não faz qualquer sentido e cria situações de desigualdade entre os clubes, bem como um caos e anarquia na estrutura das competições que não convêm a ninguém. 


Falta de vergonha

O assunto já aqui e noutros blogs foi referido por mais do que uma vez, por isso não vou perder muito tempo com ele. Em todo o caso é impossível não reparar como casos gravíssimos quando envolvem o Benfica deixam de existir quando acontecem com o Porto.  Se após o jogo com o Belenenses na Luz praticamente não se falou em mais nada na conferência de imprensa senão no "desaparecimento" de Deyverson e Miguel Rosa, porque razão não se falou da ausência de Tozé (jogador que até marcou na jornada anterior) contra o Porto? Admitimos que Kléber estivesse mesmo lesionado (tanto mais que não jogou na jornada anterior por essa razão) mas quanto a Tozé não há notícia disso. Então o que era gravíssimo e um "atentado à verdade desportiva" num caso já não tem importância nenhuma noutro?Isto é um sintoma da imbecilidade e corrupção moral de grande parte da nossa comunicação social.

Por outro lado, existem 2 golos do Porto manifestamente ilegais e um duvidoso. Se fosse o Benfica a vencer dessa forma, não tenho a mínima dúvida de que esse seria o foco de todas as análises ao jogo nos programas de comentários. Assim foram notas de rodapé. 

Deixo ainda uma outra nota que me parece pertinente: de quanto seria o prémio de jogo do Rio Ave ontem? É que se estava a disputar a primeira parte de um acesso à final do Jamor. Certamente que esta seria a grande prioridade do clube nesta fase final da época. Mas isto sou eu a dizer, seguindo aquilo que me parece uma lógica evidente nas coisas. Provavelmente haverá outros factores em jogo que eu desconheço e pesam mais do que as razões objectivas que todos podemos observar e ponderar. Em todo o caso não temos que esperar muito para que as coisas se elucidem um pouco mais. Se já daqui a três dias o clube - independentemente do resultado - mostrar a atitude que mostrou contra o Benfica e fizer o possível para obter um bom resultado, eu serei levado a crer que estamos perante uma equipa que faz o possível e que provavelmente joga melhor em casa do que fora e a quem o jogo de Braga correu mal. Caso contrário, caso se assista a uma exibição ao nível da de ontem, eu serei obrigado a concluir que para o Rio Ave a sua grande prioridade para o fim de época foi o jogo com o Benfica. E isso, não podendo ser considerado normal, levanta questões que merecem de uma vez por todas ser investigadas - em nome da tal "verdade desportiva". 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Algumas notas soltas

Benfica-Nacional


Mais uma grande exibição com um futebol pressionante, criativo e vistoso que podia ter dado uma goleada. Valeu porém apenas 3 pontos e não justifica embandeirar em arco. Se as coisas correrem como é de esperar e o Porto ganhar em casa ao Estoril, para a semana estaremos de novo obrigados a vencer e na seguinte idem. Só então, verificando-se esses resultados, estaremos "autorizados" a empatar um jogo, o clássico com o Porto. Em campeonatos tão desequilibrados como o nosso é assim que as coisas são. O que é fundamental é não repetir até ao fim do campeonato prestações como a de Paços ou Vila do Conde.

Jonas (e Lima)


Voltou a facturar e a mostrar toda a sua classe. No entanto também aqui há que sublinhar que não se deve embandeirar em arco. O jogador está de facto a superar expectativas mas por outro lado está a fazer o que lhe é pedido e o que dele se espera que é marcar golos. Esperemos que assim continue até ao fim do campeonato, porque a veia goleadora dos avançados normalmente é um bom sinal para uma equipa que deseja ser campeã. Lima não tem sido tão exuberante mas também tem marcado golos importantes (apesar de um ou outro falhanço nalguns jogos que acabaram por redundar em derrotas, importa recordar que foi ele que marcou os dois golos decisivos no dragão). Que ambos continuem em grande.

Calendário


O Benfica recebe para a semana a Académica e depois disso vai ao Restelo. São os jogos que faltam até receber o Porto. Este recebe agora o Estoril, depois vai a Vila do Conde e finalmente recebe a Académica antes de ir à Luz. Joga para a Champions com o Bayern entre os jogos com o Rio Ave e a Académica (1ª mão) e depois deste e antes da visita a Lisboa. 

Danilo

A venda de Danilo deixou-me espantado. Cheguei a pensar que fosse mentira de 1 de Abril. Trata-se de um grande negócio para o Porto e um enorme barrete para o Real Madrid. Em primeiro lugar porque me parece difícil que qualquer lateral possa valer esses montantes (só um fenómeno como Roberto Carlos), em segundo porque Danilo apesar de ser um bom jogador está muito longe de ser um fora de série. Tenho pois alguma dificuldade em perceber este negócio, sobretudo no actual momento da economia mundial, no qual os clubes começam a ter mais cuidados e tendo em consideração os barretes que o Real já levou do Porto, nomeadamente o célebre Secretário. Mas no Real Madrid pelos vistos há um poço de petróleo que dá para tudo...