terça-feira, 28 de abril de 2015

O show de Manuel Serrão

Domingo, ao fim da tarde, Sousa Martins estava triste e cabisbaixo. Ele que normalmente é muito excitado e sorridente, desta vez apareceu deprimido e com uma expressão carregada após o clássico. É assim a vida. Há quem disfarce melhor e quem disfarce pior, mas nos nossos semblantes reflecte-se sempre o que sentimos interiormente. Temos pena, Sousa Martins.

Ontem, no programa semanal de comentário/comédia/disparate que dá pelo nome de prolongamento, Sousa Martins começou dando a palavra a Manuel Serrão. O Benfica é campeão, está em primeiro, e jogou em casa mas Martins acha que deve ser o adepto do Porto a falar primeiro. Depois de Serrão perorar durante longos minutos o que quis, Seara tentou a medo dar a sua opinião mas pouco falou porque de novo Serrão pediu licença e lá disse mais o que quis e lhe apeteceu, após o que o "moderador" (adepto talvez fosse mais correcto) Sousa Martins deu a palavra a... Eduardo Barroso. 

Depois disto começou a "análise" da arbitragem com a repetição interminável de um lance normal entre Luisão e Jackson, que tentaram transformar em penalty (na véspera já se ensaiara esta tese na TêBêI vinte e porto, novamente sob a batuta do inefável Martins). Até o lance para expulsão de Jackson foi transformado por Serrão e Martins numa benesse arbitral ao Benfica, porque afinal de contas Jardel teria já colocado a bola em jogo. Enfim, a parvoíce atingiu níveis tão altos que nessa altura perdi a paciência e deixei de ver a coisa. Mas também não posso deixar de fazer um reparo a Fernando Seara que, sendo um homem inteligente, deveria ter uma postura bastante mais assertiva de defesa do seu clube. Mesmo percebendo-se que o seu estilo não é o das alarvidades de Serrão e dos despautérios de Barroso, Seara deveria marcar mais a sua posição, mais que não fosse pelo menos no sentido de o deixarem falar. Sim, porque esperar isso de Sousa Martins, esperar isenção e respeito pelos tempos de antena de cada um, é completamente ingénuo.

Recordo ainda como no programa da Liga dos Campeões na TVI a eliminação do Benfica dava a todos grandes sorrisos e rostos abertos, como os nossos maus resultados eram objecto de críticas implacáveis. Na passada terça a conversa já era outra, o tom já era outro, o semblante já era outro. Que continuem assim e que continuem a ter que engolir o que disseram.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Título à vista

O Benfica não deu o KO ao Porto mas segurou a vantagem de 3 pontos beneficiando agora do factor de desempate nos confrontos directos. Quer isto dizer que o Benfica dos 4 jogos que restam pode perder um, desde que ganhe os outros 3 e será campeão. Isto caso o Porto vença os 4 jogos que restam. Se assim não acontecer o Benfica poderá precisar ainda de menos para renovar o título.
É preciso manter a concentração e percebe-se a mensagem para dentro, para os atletas manterem a concentração porque os jogos serão ainda difíceis (não teremos facilidades) mas claro que o título neste momento está muito perto e só uma débâcle do Benfica poderia provocar uma reviravolta no campeonato. Neste momento já não falamos de probabilidades mas sobretudo de matemática. Ganhando o próximo jogo em Barcelos o Benfica fica a 6 pontos do bicampeonato com 3 jogos para disputar, dois deles em casa.

O jogo de ontem não foi bom. O Benfica entrou mal no jogo, com bastantes nervos e ansiedade e quase nunca conseguiu estabelecer a sua qualidade de jogos e dinâmica atacante. É verdade que do outro lado estava uma equipa boa, com muitos bons jogadores, que se preocupou sobretudo em segurar o empate e parar o jogo do Benfica mas a nossa equipa poderia ter feito um pouco mais. Acima de tudo preocupámo-nos em segurar a nossa vantagem, o que se entende até porque o adversário é que tinha que que tentar recuperar terreno e também pouco ou nada arriscou. Racionalmente tenho portanto que admitir que a estratégia foi bem montada, embora emocionalmente gostasse de ter visto um espectáculo mais bonito e um Benfica mais dominador.

Claro que a ausência de Sálvio se sentiu muito. Este Benfica está muito espremido. Como já tenho assinalado, ao contrário de outros anos, temos uma carência de extremos no plantel pelo que quando Gaitan ou Sálvio estão impedidos a equipa se ressente bastante. Talisca é um jogador de muita qualidade mas que fisicamente não parece no seu melhor e que teve algumas dificuldades, não tendo conseguido criar dinâmica. Do outro lado as coisas não foram muito melhores: o cartão visto cedo por Eliseu não ajudou mas Gaitan também pareceu um pouco apagado e desinspirado. Foi uma tarde má para a maioria dos nossos jogadores criativos que por alguma razão nunca conseguiram assentar o jogo. Pizzi não conseguiu assumir as rédeas do jogo.

Claro que estas dificuldades também têm a ver com o adversário e a forma como ele abordou o jogo. O Porto tem nas laterais talvez os seus melhores jogadores (sobretudo Danilo), sendo natural que a produção do Benfica pelos corredores (sobretudo dada a ausência de Sálvio) não tenha sido a melhor. Por outro lado o Porto jogou com dois "trincos" pelo que também se compreende que isso tenha criado dificuldades adicionais a Pizzi.

A entrada de Fedja, de que eu na altura não gostei porque me pareceu dar um sinal negativo, foi na verdade uma boa decisão pois o Benfica passou a ter uma muito maior segurança e consistência. O sérvio é um jogador maduro e com qualidade que acrescenta à equipa. A partir daí ficámos com a ideia de que seria muito difícil que o Benfica perdesse o jogo. Apesar da tensão normal de se saber que uma bola pode sempre entrar, os últimos minutos não foram de aflição.

Ficam a faltar 9 pontos. Importa agora em Barcelos entrar de forma segura e autoritária e se possível resolver o jogo cedo. Teremos porém oportunidade de durante esta semana falar sobre esse jogo que se disputa já no sábado. Até lá o Benfica preparará seguramente bem a partida e possivelmente conseguirá recuperar Sálvio.