sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Reagrupar, olhar para a frente

O que lá vai ficou para trás, é passado.
Mas o campeonato começa agora é nisso que temos que nos concentrar neste momento com toda a atenção.
Rui Vitória foi duramente criticado pelo jogo da supertaça, a meu ver com razão porque efectivamente esteve mal. No entanto, nada está perdido em termos da época se - e isto é fundamental - o treinador for capaz de estar à altura do desafio, acreditar nas suas capacidades e perceber rapidamente que está no Benfica e não no Guimarães.
O Benfica tem neste momento um plantel que em nada fica a dever aos rivais. Os problemas no ataque estão resolvidos com as contratações de Jimenez e Mitroglou. Nas alas, caso Gaitan continue teremos do melhor que existe em Portugal.  Na defesa Lisandro voltou a mostrar que temos 3 centrais de qualidade; na esquerda Vitória tem que deixar de inventar e apostar em Eliseu que é titular da selecção e na direita pelo contrário a "invenção" de Nelson Semedo pode ser a primeira agradável surpresa da aposta na formação; quanto a guarda redes e meio campo nem vale a pena falar: temos claramente os melhores de Portugal.
É isto que neste momento temos que recordar, percebendo que a época será longa e que o campeonato só agora vai começar. Vitória tem seguramente conhecimento e competências muito acima do que demonstrou até agora no Benfica. Precisa de acreditar nas suas capacidades e mostrar liderança para que os jogadores e adeptos o sigam com confiança.
Há clubes que já nos habituaram às euforias de ganhar tudo ao fim de meia dúzia de vitórias ou às arrogâncias de acharem que vão ganhar tudo antes mesmo da época começar.
O Benfica começou mal, disso não há dúvida. Mas que satisfação não nos daria, depois do muito que já se disse em tão pouco tempo, dos ataques de que estamos a receber e da arrogância que alguns já exibem, chegarmos ao fim da época novamente campeões nacionais?
Ora olhando para a realidade nacional e para as qualidades e defeitos dos nossos adversários, esse objectivo parece-me ao nosso alcance.
Há agora que serenar, reagrupar e trabalhar com muito afinco para poder paulatinamente chegar ao fim da época e ter razões para estar satisfeito.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Medo do Sporting? Não me envergonhem...

As declarações de Rui Vitória no fim do jogo falando em "receio" da equipa ao entrar em campo são completamente inaceitáveis.

Jorge Jesus expressa-se mal, dá erros grosseiros de Português e não raro desrespeita os seus colegas, como foi o caso de Manuel Machado ou agora Rui Vitória. Mas de uma coisa não existem já dúvidas: Jorge Jesus é muito competente como treinador. Ao contrário do que alguns iluminados e "adiantados mentais" tentaram fazer crer, JJ não é um treinador banal que ganhou apenas porque tinha plantéis de sonho. JJ ganhou porque elevou muito o rendimento dos jogadores do Benfica, de tal forma que jogadores anteriormente considerados banais chegaram aos maiores da Europa.
 
Uma das coisas que os detractores de Jorge Jesus alegavam é que nos jogos grandes este "inventava" e que era tacticamente batido por qualquer treinador que soubesse um mínimo da poda. Li e ouvi isto várias vezes ao longo destes anos. Também ouvi dizer que com os plantéis que ele tinha qualquer um minimamente competente venceria e que Rui Vitória, por exemplo, tinha muito mais mérito por aquilo que conseguia fazer com recursos mínimos no Guimarães.
 
Ontem estas teses começaram a ser desmontadas para mal dos benfiquistas. A estrutura evidentemente não ganhou o jogo e Rui Vitória foi batido em toda a linha por Jorge Jesus.
 
O que mais me desiludiu ontem em Rui Vitória foi perceber que ele se deixou condicionar pelo discurso de Jorge Jesus e que caiu como um patinho na sua esparrela. JJ passou a semana a provocar, dizendo que o Benfica era uma equipa à sua imagem, na esperança de que Vitória se deixasse influenciar e inventasse, como veio efetivamente a fazer. Vitória quis surpreender apenas para provar que o seu Benfica não era o Benfica de JJ. Os resultados foram desastrosos. As "surpresas" começaram com o duplo pivot Fedja e Samaris. Eu não sou à partida contra esta solução, até acho que o Benfica terá que evoluir para um sistema no qual o meio campo tenha outro tipo de ocupação. Mas achará Vitória que é num jogo que decide um título que se vai experimentar um sistema que nunca foi ensaiado anteriormente? Isto é um erro de principiante.
 
Depois Vitória deu a titularidade a Sílvio, que foi medíocre, parecendo querer provar novamente o seu distanciamento em relação a JJ que apostava em Eliseu, o que tantos "iluminados" criticavam asperamente. Quanto ao mau rendimento de Talisca já não o imputo tanto ao treinador, mas a verdade é que quando se mexe tanto e não existem rotinas se torna mais difícil aos jogadores com funções de ligar o jogo desempenharem a sua missão com sucesso. Quanto a Ola John prefiro já nem dizer nada.
 
Vitória passou a pré-época a dizer - e bem - que havia que manter as coisas boas e aos poucos ir introduzindo o seu cunho. JJ fez um joguinho psicológico acusando-o de não ter ideias e Vitória altera tudo à pressa com os resultados que se viram. E não me venham dizer que "só" perdemos por 1-0 e que até podíamos ter empatado! Só me faltava agora que os benfiquistas se contentassem em perder por poucos com o Sporting... A época já começou, não há desculpas.

Acima de tudo, o que me preocupa é que Rui Vitória demonstrou pouca personalidade e ser influenciável, algo que é fatal num líder. A seu favor tem a atenuante de nunca ter estado nestas funções - de uma exigência e dificuldade que nenhum de nós consegue sequer imaginar. Só os políticos - e de um modo diferente - estão expostos a este nível de pressão e stress. Mas essa é a realidade do futebol. O futebol - a este nível - não é para moles, nem para pessoas hesitantes ou inseguras.
 
No fim do jogo, Rui Vitória cometeu ainda outro erro grave. Disse que a equipa entrou "receosa". Mas o que é isto? O Benfica agora entra em campo com medo do Sporting? Se isso é verdade (e é o próprio treinador quem o diz) de quem é a responsabilidade disso? Não é uma equipa a imagem do seu treinador?
 
Vitória perdeu o primeiro título - o mais fácil de ganhar porque depende apenas de um jogo. Mas para além disso queimou muitos cartuchos de uma só vez. Tenho a certeza absoluta que a desconfiança dos benfiquistas em relação à sua capacidade é agora generalizada. E isto ao fim de apenas um jogo oficial. É bom que a tal estrutura abra bem os olhos.

Jonas dá chapada a JJ

Depois da palmada que deu a Jonas em campo (e que tentou disfarçar depois com uma simulação de cumprimento) JJ teve a resposta que merecia: Jonas deu-lhe uma violenta palmada nas costas já à saída do estádio, à porta do autocarro do Sporting.
A história parece inventada mas é relatada pela Rádio Renascença que terá presenciado a cena:
 
 
Jonas terá ainda dito, de dedo em riste: tem respeito pelos jogadores do Benfica!
 
Devo dizer que louvo Jonas pela sua atitude.

Mau começo e sinais preocupantes

Já se sabia que a presente época ia trazer dificuldades acrescidas. Sabia-se que Rui Vitória precisaria de algum tempo para conseguir aplicar as suas ideias. No entanto perder, especialmente com o Sporting e com o Porto, é sempre mau e numa final ainda pior.

Por outro lado, verifica-se que nesta fase o Benfica está ainda num estágio atrasado de preparação - e a época já começou. Há lacunas no plantel que aqui assinalámos e que - sublinhe-se bem - serão (muito) agravadas se Gaitan for vendido. Mas para além disso, parece-me que o iniciar o jogo de hoje com um sistema de jogo (o 4-2-3-1) que não foi preparado na pré-época não foi uma boa ideia.
 
O Benfica fez um jogo fraco, sem ideias claras, sem agressividade, muito passivo. Não conseguiu manter a posse de bola por mais de alguns segundos seguidos e não conseguiu trocar mais de 3 ou 4 passes consecutivos. Não se percebeu qual o plano de jogo.
 
Para mim é difícil identificar algum aspecto positivo neste jogo. Uma ilação podemos porém tirar: é que as estruturas não ganham jogos, como eu sempre suspeitei. Veremos se a estrutura do Benfica consegue porém dar ao treinador a estabilidade e os recursos necessários para enfrentar os desafios que se avizinham. A liderança da equipa em termos estratégicos e tácticos caberá porém a Rui Vitória. A primeira impressão em relação ao seu trabalho não foi boa, como o próprio reconheceu. Esperemos que a última o seja.