quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Fazer uma boa Champions

O sorteio da fase de grupos foi razoável para o Benfica. O Atlético de Madrid é o favorito do grupo mas não é impossível ao Benfica bater os espanhóis na Luz, o Galatasaray, embora forte, é uma equipa que está ao nosso alcance e o Astana é seguramente um dos clubes mais fracos desta fase de grupos.
Tudo somado, o Benfica deverá discutir o apuramento e, na pior das hipóteses, terá a passagem à Liga Europa praticamente assegurada. Ou seja, um cenário bem melhor do que o da época passada na qual fomos tristemente eliminados das competições europeias sem honra nem glória. Por outro lado, o Benfica tem boas possibilidades (caso encare os jogos com máxima seriedade) de fazer 6 pontos contra o Astana, o que lhe permitirá por si só um encaixe financeiro importante.
Conforme tenho dito nos últimos dias (mais digerida a derrota contra o Arouca) devemos ver esta época como uma época de transição, na qual as expectativas não devem ser elevadas. Acima de tudo temos que criar as bases de uma equipa forte e renovada, pois a verdade é que vários jogadores do Benfica já estão numa fase adiantada das suas carreiras. (Nessa perspectiva a saída de Maxi acaba por não ter sido assim tão má pois permitiu o aparecimento de Nelson Semedo). Júlio César, Eliseu e Luisão são alguns dos exemplos dessa relativa veterania.
No caso particular da Champions, parece-me que Rui Vitória poderá ter aqui algum espaço que não tem no campeonato, ou seja, ninguém lhe exigirá que ganhe todos os jogos ou que se apure em primeiro lugar e o passado recente oferece um termo de comparação muito baixo, pelo que tudo o que fôr alcançado será sempre visto como positivo. Desejo e acredito que num contexto desses, sem obrigação de assumir os jogos do princípio ao fim e sem o estatuto de claro favorito, Vitória possa libertar-se e contribuir para que o Benfica tenha boas prestações.
O calendário também me parece favorável à partida: começamos com o jogo mais fácil em casa, numa jornada em que um ou ambos os nossos competidores pelo apuramento perderão pontos e acabamos a fase de grupos recebendo o Atlético em casa. Parece-me auspicioso.
 
Finalmente gostaria de destacar o feito de Nélson Évora que alcançou a medalha de bronze nos mundiais de atletismo (triplo salto), competindo realmente com os melhores do mundo. Se acrescentarmos que Évora já não é um jovem (em termos desportivos) e que teve uma longa série de lesões, este feito é ainda mais admirável. Parabéns ao nosso atleta!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Proença, Guerra, Vitória e a miragem

Pedro Proença foi demitido das suas funções na UEFA e a nossa comunicação social apressou-se a garantir que tal já era sabido desde que o mesmo assumira funções de presidente da Liga. Poderá ou não ser assim. Ángel María Villar é presidente da Real Federación Española de Fútbol e simultaneamente vice presidente da FIFA e da UEFA. Bem sei que as federações são membros da FIFA e da UEFA, ao contrário das Ligas mas o argumento da "incompatibilidade" entre os cargos desempenhados por Proença parece-me frágil. Poderá por isso haver outras razões. A TSF adiantava ontem que o apoio indirecto de Proença ao sorteio (respaldando a posição dos aliados Sporting e Porto) terá caído mal no Comité de Arbitragem da UEFA do qual Proença foi agora dispensado. Alguma blogosfera benfiquista, aquela que ocupa 80 ou 90% do seu tempo a acusar LFV de tudo e mais alguma coisa, está aparentemente muito chocada com a presença de Pedro Guerra no Prolongamento da TVI24. Eu escrevi aqui algumas vezes sobre esse programa, dizendo que o anterior representante do Benfica, Fernando Seara, não se impunha minimamente, permitindo que o programa fosse um desfiar de anti-benfiquismo do princípio ao fim. Não me identificando com o estilo de Guerra, não estou porém minimamente preocupado com a sua presença no programa, antes achando muito bem que Serrão e Barroso provem do seu próprio veneno. Se esses blogs se preocupassem mais em apoiar e defender o Benfica provavelmente sentiam-se como eu e a maior parte dos benfiquistas, que apenas desejamos o sucesso do nosso clube. Mas como esses blogs estão acima de tudo preocupados em atacar e tentar destruir Vieira e tentar chegar ao poder no Benfica, a presença de Guerra (que realmente é um defensor acrítico do actual presidente) incomoda-os bastante. Dito isto, é evidente que o Benfica atravessa um período complicado, de incertezas e dúvidas. Há muita desconfiança entre os benfiquistas acerca da capacidade de Rui Vitória em levar este porta-aviões que é o Benfica a bom porto. Essa desconfiança, que partilho, não se prende com o facto de estarmos a um ponto dos nossos rivais. Prende-se com o que (não) vimos de Vitória no Guimarães e agora nos primeiros jogos à frente do Benfica. Com questões de personalidade e questões de capacidade. No entanto - e aproveito para o esclarecer para quem tenha feito uma leitura apressada do meu último artigo - ainda dou o benefício da dúvida ao nosso treinador e acima de tudo considero que é preciso dar-lhe tempo e espaço para desenvolver esse trabalho. É nesse sentido que defendo que devemos baixar as expectativas e não insistir na questão do tri. Pelo que já vi, Vitória terá sempre muita dificuldade em lidar com essa pressão, que no fundo aponta já para o passado e para uma comparação entre o que então foi alcançado e o que agora está a ser feito. Por isso considero mais inteligente apontar o discurso para que esta é uma época de transição, na qual as expectativas têm que ser diminuídas. Só assim conseguiremos salvaguardar a posição do treinador. Caso assim não seja, ao próximo desaire os benfiquistas estarão a pedir a cabeça do treinador. Nomeadamente aqueles que passaram os últimos anos a atacar o anterior treinador e a defender a contratação de... Rui Vitória.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O "Tri" é uma miragem

Fosse qual fosse o treinador do Benfica esta época, renovar o título seria sempre muito difícil. Já no ano passado tal só aconteceu quase por milagre: a vitória no dragão foi muito feliz, tal como o empate obtido em Alvalade já nos descontos. Dada a mudança de treinador, o cenário tornou-se ainda mais difícil.

Nunca escondi que a minha escolha seria Marco Silva, um treinador ambicioso e que tinha já um "estágio" em Alvalade que o ajudaria a adaptar-se com mais facilidade às exigências de treinar o Benfica. LF Vieira convenceu-se porém - mal - de que o treinador era apenas uma peça que fechava o puzzle da "estrutura", bastando contratar alguém competente e sério que as coisas funcionariam.

Mas não é assim. Rui Vitória é claramente um homem sério, bem formado, seguramente com conhecimentos sólidos na área da educação física, ou "motricidade humana" como agora se chama e do futebol mas com praticamente nenhuma experiência a este nível de exigência. Por isso Rui Vitória está a ter no Benfica um período de aprendizagem e adaptação que vai ainda durar não apenas muito mais semanas mas até meses. Isto claro, se não fôr demitido entretanto.

Só depois desse período de aprendizagem é que Rui Vitória poderá conseguir explanar todos os seus conhecimentos tácticos e concepções de jogo com suficiente auto-confiança - os quais poderão ou não suficientes para o grau de exigência do Benfica. Até lá, Vitória irá experimentando, tacteando e tentando, irá remendando. Durante esse período o Benfica perderá certamente muitos pontos, tornando a conquista do campeonato numa miragem. 

Quando se tornou claro que esta era a aposta de LFV escrevi o seguinte:

Neste quadro de mudança de paradigma faz realmente sentido apostar num treinador com um perfil de Rui Vitória que já treinou as camadas jovens do Benfica. No entanto tem que se levar este exercício de planeamento do futuro um pouco mais longe. O Benfica vai apostar na formação em que termos? Uma aposta em criar os alicerces de uma equipa de futuro, projectando jovens para patamares superiores de competitividade? Uma aposta de futuro, sem pressão de ganhar títulos importantes nos próximos dois ou três anos?  Se for assim, Vitória pode ser o homem certo. Mas estarão os benfiquistas prontos para ver o clube voltar a ficar em 3º no campeonato?

Se a ideia não é esta, se a ideia é continuar a ter uma equipa competitiva que se bata e possa até ser superior à do Porto e continue a estar um patamar acima do Sporting, ganhando ou ficando perto de ganhar o campeonato, então temo que Vitória possa não ter experiência e capacidade para esses voos. Mais, Vitória está longe da realidade Liga dos Campeões e dos palcos das grandes decisões. Apesar de ser um bom treinador, poderá ser um novo Paulo Fonseca, alguém sem preparação (e se calhar sem estaleca) para estas andanças. O Benfica não é o Guimarães.

Quando as minhas suspeitas se começam infelizmente a confirmar, renovo a minha pergunta, endereçando-a à direcção: estamos preparados para o cenário de não ganhar nada de relevante esta época mantendo porém a aposta no treinador e na formação? 

Caso a resposta seja positiva, haverá que rapidamente baixar as expectativas dos adeptos explicando que esta é uma época de transição, na qual se construirão bases para títulos vindouros, dando alguma folga ao treinador e aliviando a pressão sobre todos. 

Caso a resposta seja negativa, caso se insista no discurso do "Tri", aumentarão as possibilidades de Rui Vitória vir a ser despedido a meio da época. Num tal cenário ficarei sem perceber com que bases se partiu para esta aposta.

Em qualquer um dos casos acho que é importante para os benfiquistas - especialmente os mais lúcidos, que são capazes de pensar as coisas um pouco mais além do imediato - começarem a baixar as expectativas e a deixar de colocar muita pressão sobre a equipa. Com este ou com outro treinador será sempre muito difícil ganhar esta época. Com Rui Vitória porque já demonstrou estar um pouco perdido e numa fase de aprendizagem e experiência que praticamente tornam impossível uma corrida séria ao título (a não ser que os outros candidatos percam muitos pontos, ao contrário do que aconteceu nas últimas épocas). Caso Vitória viesse a ser despedido, isso significaria que estávamos já atrasados na corrida e não seria um treinador novo que de um momento para o outro iria alterar fundamentalmente o estado de coisas.

domingo, 23 de agosto de 2015

Assim será difícil

Ao terceiro jogo oficial, o Benfica continua a denotar uma grande carência ao nível dos princípios de jogo: não se percebe bem qual o modelo, há um grande nervosismo e muita atrapalhação entre os jogadores, pouca certeza no passe e uma enorme insegurança defensiva. Hoje até criámos inúmeras oportunidades de golo mas por esta ou aquela razão não fomos capazes de marcar. Rui Vitória apostou tudo (acabámos o jogo com apenas 3 jogadores de características defensivas e 7 atacantes, algo que eu não me lembro de alguma vez ver num jogo de futebol e que elogio, porque acho que era o que havia a fazer) mas faltou sempre qualidade no último passe ou na finalização.
 
Claro que é muito cedo e que nada ainda está perdido (a não ser a supertaça) mas 2 derrotas em 3 jogos oficiais começa a fazer soar todos os sinais de alarme.
 
Voltando ao jogo desta noite, insisto em que a falta de segurança defensiva é algo de preocupante que não tem que ver com a escolha dos jogadores mas com os posicionamentos. Claro que no início da época há sempre muitas arestas por limar, o problema é que se isto acontece com o Arouca então vamos perder muitos pontos esta época. Nos primeiros 15 minutos poderíamos ter sofrido pelo menos 3 golos (há duas defesas gigantes de Júlio César com as pernas). Aos poucos começámos a criar jogadas perigosas e até entrávamos na área do Arouca com grande facilidade mas depois faltava sempre aquela qualidade que define os lances. Jonas e Gaitan, os nossos melhores jogadores, estiveram mal neste capítulo, tornando muito difícil podermos virar o jogo, tanto mais que o guarda-redes do Arouca estava inspirado. 
Insisto porém em que jogámos com o Arouca, uma equipa esforçada mas muito limitada. Com jogadores da qualidade dos que temos, a equipa teria que fazer muito mais e é isso torna o futuro realmente sombrio.
 
Ao intervalo saiu Ola John (que até estava a ser dos melhores) e entrou Vitor Andrade. Vitória terá dito aos jogadores para terem calma e não tentarem resolver demasiado depressa. O problema é que a equipa passou apenas a jogar mais lento e não melhor e o fim do jogo tornou-se penoso para nós: os jogadores não sabiam o que fazer à bola e Vitor Andrade tentava assumir o jogo e resolver sozinho, o que não era a melhor opção mas se compreendia face à falta de soluções ofensivas. A entrada de Carcela só atrapalhou ainda mais o nosso futebol, com este e Gaitan a trocarem a bola na mesma zona do terreno sem progressão e Jimenez quase não teve oportunidades para resolver uma vez que a equipa não utilizou o futebol directo que dois pontas de lança de área pediam. Porquê? Talvez por falta de instruções claras acerca do que deveria ser feito mas também - certamente - porque ninguém queria assumir a responsabilidade de centrar a bola para a área. Nélson Semedo foi dos que se mostrou mais e pediu bola para o fazer mas o serviço aos pontas de lança nunca foi suficientemente bom.
 
Em suma há muito trabalho pela frente mas este resultado vem colocar mais dúvidas acerca do que está a ser feito. 
 
Enfim, são algumas notas soltas que procuram fazer algum sentido do jogo mau a que acabei de assistir e que me deixou, tal como a todos os benfiquistas, muito desapontado e preocupado.