sábado, 12 de setembro de 2015

O "monstro" Ronaldo e o desastre de Mourinho

Ronaldo, apesar alguns comportamentos estranhos fora do relvado, dentro de campo continua a ser um autêntico "animal". Com o tempo e o inevitável declínio físico, especialmente no que toca ao arranque e ao pique, Ronaldo tem vindo a procurar tendencionalmente as zonas mais próximas da baliza para finalizar, algo que faz como ninguém, concentrando nisso a maioria das suas energias. Focalizando-se ainda mais em ser uma "máquina de golos". Por isso Ronaldo poderá vir ainda a bater mais recordes de golos, caso não tenha lesões, como todos esperamos que não tenha. Este sábado foram "só" 5 na goleada de 6-0 imposta pelo Real ao Espanhol, no terreno deste último. E podiam ter sido 6 do avançado português. Impressionante! Já começam a faltar adjectivos para os números deste enorme jogador.
 
Quanto ao outro português mais conhecido internacionalmente, José Mourinho, o seu Chelsea continua a "colecionar" derrotas. Em 5 jogos da Liga Inglesa já são 3! Uma delas em casa, onde Mourinho não perdia há anos. Hoje foi o Everton quem impôs ao Chelsea uma derrota sem apelo sem agravo. Sem conhecer muito a realidade dos "blues", dá-me ideia de que a defesa está demasiado permeável e que os laterais já não têm a qualidade de outros tempos. Também Obi Mikel e Matic não me parece uma dupla muito complementar e eficaz no meio campo. No ataque não faltam grandes nomes: Pedro, Diego Costa, Falcão, William mas também falta qualquer coisa. Poderá a "receita" Mourinho ter estagnado? Estar espremida? Confesso que achei estranha a renovação por 5 anos quando o treinador ainda tinha contrato pelo menos para esta época e a próxima. Acho que uma renovação dessas pode dar a um treinador uma situação de acomodação que é contrária à natureza de Mourinho, sempre insatisfeito e ambicioso. Este ano o campeonato parece ser para esquecer: está já a 11 (!) pontos do líder Man City e a 6 do United. Poderá tentar finalmente voltar a conquistar a Champions mas para tal os argumentos futebolísticos parecem escassos. Veremos. Abramovic já dá sinais de impaciência...

Grande exibição, bons sinais e dores de crescimento

Já aqui não escrevia há quase duas semanas. O essencial do que queria dizer acerca do início de época já tinha sido dito e não quis contribuir para um ruído excessivo que se fazia sentir entre os benfiquistas.
Apesar das paixões inerentes ao futebol, procuro ser justo nas minhas análises (todos temos essa pretensão) e manter alguma coerência naquilo que digo.
Acima de tudo, depois do desapontamento com o resultado da supertaça e de algumas exibições pouco conseguidas no início de época, a minha perspectiva foi que se deveria  dar algum espaço a Vitória para respirar e ter oportunidade de tentar impor as suas ideias. Para isso era preciso baixar as expectativas e retirar alguma pressão à equipa. No último artigo que escrevi, disse isto:  
O campeonato agora para por duas semanas para compromissos das seleções. A boa notícia é que estamos apenas 1 ponto atrás dos nossos adversários e que haverá agora tempo para trabalhar com calma (os que ficarem, porque muitos se ausentarão para representar as suas selecções) e assentar ideias e processos. Há muito trabalho pela frente! Rui Vitória tem que perceber que o Benfica tem que ter muito mais consistência defensiva, muito mais segurança na troca de bola (o número de passes falhados ou mal feitos é inacreditável) e mais soluções ofensivas para desmontar as defesas cerradas dos adversários da liga dos pequeninos (que são quase todos com excepção do Porto e do Sporting). O Benfica precisa de mais velocidade no ataque, nas combinações e nas desmarcações, mais movimentação dos jogadores e mais dinâmica ofensiva.

Ora nestas duas semanas, para além do tempo que teve para trabalhar (nesse artigo também defendi que a pré-época nos EUA não tinha ajudado) Rui Vitória recebeu da parte de LFV um grande, necessário e merecido apoio. Numa entrevista a A Bola, cujo alcance alguns benfiquistas pouco perspicazes não compreenderam, Vieira disse duas coisas muito importantes: 1) não conseguiu dar a Vitória um ou outro reforço de que a equipa precisava; 2) a alteração de modelo implica "dores de crescimento".

Aquilo que vários benfiquistas, precipitados e sempre prontos para atacar o presidente, não entenderam é que com essas declarações Vieira estava a retirar pressão sobre Vitória (admitindo que o plantel poderia ter um ou outro reforço) e que esta época seria de algum modo de transição. Vencer o campeonato seria importante, vencer seria desejável, vencer seria óptimo, mas não vencer não significaria a demissão do treinador e não significaria o abandono e a desistência deste novo modelo. Isto demonstra para mim que aquilo que se está a fazer está a ser feito com critério e com sustentabilidade e deu um sinal inequívoco para dentro, permitindo maior tranquilidade.
E o resultado imediato está à vista.
A exibição de ontem dá aos benfiquistas razões para encarar o futuro com esperança e optimismo moderado.

Não há que embandeirar em arco! O Belenenses é uma equipa limitada que ontem não foi capaz de nos colocar nenhuns problemas. Mas isso é também mérito do Benfica e da excelente exibição que fez. Crédito total para Rui Vitória e para os jogadores. Sem prejuízo de uma análise mais detalhada ao jogo e às exibições individuais e colectiva, penso que ficou ontem claro que o plantel tem qualidade, muita qualidade! 

Vêm agora aí desafios importantes e dificuldades acrescidas. Vêm aí jogos da Champions e jogos importantes para a definição do campeonato pelo facto de serem marcantes psicologicamente. É importante estar à altura. O jogo de ontem dá-nos confiança para preparar esses jogos com grande rigor e determinação.