quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Defendi a descida de divisão do Sporting em 2012

Em 2012 defendi que o Sporting deveria descer de divisão devido ao caso Paulo Pereira Cristovão / Cardinal.

Defendi-o baseado no que sabia do caso e do que conheço das leis do futebol. Não vi nem ouvi, nem antes nem depois, ninguém do Benfica a falar do caso.

Talvez achassem que o Sporting fazia falta ao futebol português. Talvez tivessem pena do Sporting. Não sei. Mas sei que eu sempre defendi igualmente (e falei disso várias vezes neste blog) que com o Sporting nunca pode haver piedade. (Estou obviamente a falar desportivamente. Tenho, como todos os benfiquistas, muitos amigos e familiares do Sporting.) A intenção do Sporting (como do Porto) é destruir o Benfica, pelo que não nos deveríamos compadecer deles estarem na mó de baixo.  Um dia, quando levantassem a cabeça, não deixariam de nos atacar violentamente. Esse dia aconteceu como eu previa. E o Benfica continua num silêncio ... complacente para dizer o mínimo. 

http://justicabenfiquista.blogspot.pt/2012/04/caixa-de-pandora.html

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Quem defende o Benfica?

Somos o bombo da festa.

Os primeiros resultados estão à vista. Domingo foi o que se viu.

Os ataques continuam. Acusações de corrupção e pedidos de descida de divisão. Diariamente. 

Rui Gomes da Silva diz que a estrutura está aburguesada e manifesta-se frontalmente contra a estratégia de levar e calar.

Será que os benfiquistas não se revoltam com este silêncio que permite que o nome do clube seja aviltado diariamente na praça pública?

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Algumas questões

Rui Vitória, como qualquer treinador, é julgado pelos resultados. Quando estes são bons (e não me refiro apenas ao resultado dos jogos mas também à qualidade de jogo apresentada, que é o fruto do trabalho semanal) o treinador praticamente não é questionado. Quando são maus, como é o caso, o treinador tem que justificar as suas opções e explicar-se. 

É óbvio que Rui Vitória tem recursos limitados, nalguns casos mesmo muito abaixo do exigível para este nível. Como referi no anterior artigo, Nélson Semedo estava a disfarçar, com a sua grande qualidade de jogo, as carências ao nível dos laterais. Mas com a sua lesão, que não poderia ter vindo em pior altura, essas carências ficaram expostas ao limite. Foi pelas laterais que perdemos em Istambul e ontem também não ajudaram. 

Mas existem outros casos em que nos podemos questionar. O que se passa com Carcela? Não conta? O que se passa com Tarbaat? O que se passa com Cristante? Será que um jogador que é alegadamente tão apreciado e pretendido em Itália não tem sequer qualidade para ser opção a André Almeida? Não quero ser injusto, mas André comprometeu nos últimos dois jogos. Talisca e Djuricic estão a receber ordenado para quê?

Quanto a Fedja, o que se passou afinal? Qual a razão para a sua entrada? Para equilibrar o meio campo quando perdíamos por 3? E qual a razão da sua saída 20 minutos depois? O boletim clínico fala de um traumatismo no pé direito. Será isso uma razão para substituição sem sequer tentar recuperar o jogador? Não dá para entender!

Finalmente temos a questão da titularidade de Raul Jimenéz também muito questionável depois de uma exibição muito fraquinha na Turquia. Seria preferível (parece-me) um avançado mais fixo, mais forte fisicamente com mais presença na área. 

Mas como muitos assinalam, o principal problema não são os jogadores (ontem todos pareciam maus) mas os posicionamentos, as dinâmicas (ou falta delas) e a organização em geral. As "microdinâmicas" como Rui Vitória lhes chama, até podem existir nalguns casos, como as combinações no corredor direito antes de Nélson se lesionar ou entre Gaitan e Jonas, mas a dinâmica geral da equipa não existe. Não existe uma coordenação correcta entre sectores que ademais estão demasiado distantes. Isto pode funcionar nalguns jogos em que é preciso jogar muito recuado e procurar contra ataques (como aconteceu em Madrid) mas em geral é uma má estratégia. Os jogadores precisam de jogar mais juntos para fechar os espaços ao adversário. Ontem havia todo o espaço sempre que o Sporting recuperava uma bola (as famosas transições).


Quando assim é todos os jogadores jogam mal e por isso se diz agora que Jonas não esteve em jogo, tal como Gaitan e Gonçalo Guedes e que Luisão foi um desastre, para já não falar dos laterais e menos ainda de André Almeida. Aproveitou-se Samaris (que ainda assim esteve muito nervoso, precisamente porque tinha que andar a tapar buracos por todo o lado e ainda construir jogo).

Mas isso é normal quando a táctica não funciona e 11 jogadores não constituem uma verdadeira equipa. Por isso a contratação de jogadores em Dezembro (necessária) dificilmente resolverá os problemas deste Benfica.

Rui Vitória é uma boa pessoa, um profissional sério e um benfiquista que merece todo o respeito. No entanto a quantidade de problemas que tem para resolver parece-me exceder as suas capacidades. A sua análise ao jogo ontem deu a entender que não tinha percebido bem o que aconteceu à equipa e que estava em negação. Continua a dizer que "se fosse fácil não era para nós", algo que eu sinceramente não entendo, especialmente depois da triste figura que a equipa fez no jogo. É verdade que referiu que havia coisas para analisar (depois de levar 3 também não tinha outra hipótese) mas insistiu demasiado no "atípico" e na " falta de sorte".O Benfica perder 3-0 em casa com o Sporting não é falta de sorte. É incompetência. 

Mesmo admitindo que o Benfica não será campeão este ano, o 2º lugar é obrigatório. Neste momento estamos em 8º. Por isso Rui Vitória tem que trabalhar muito mais e melhor. Se não o conseguir então é melhor começar a fazer as malas.

Regresso ao passado (e às derrotas com palmas)

Não foi mau demais para ser verdade porque foi mesmo verdade.

Jorge Jesus foi à Luz humilhar Rui Vitória e dar uma enorme chapada na cara daqueles que miseravelmente o têm denegrido nas últimas semanas. Nem me vou dar ao trabalho de "explicar" esta frase. A realidade por vezes é auto-explicativa. O que aconteceu ontem é muito bem feito para muita gente. O problema é que o Benfica e muitos que não têm culpa nenhuma dos erros e das faltas de carácter que têm sido cometidas são quem mais sofre com esta lição.

O "processo" instaurado pelo Benfica a Jorge Jesus é vergonhoso, é patético, é embaraçoso. Fez-me lembrar o processo disciplinar a Marco Silva por não ter usado fato num jogo. Faz-me lembrar os maridos despeitados, para não usar outra expressão mais vernácula. 

Muita gente continua porém sem perceber o que aconteceu e muitos continuam a insistir que o problema é a falta de apoio, os pasquins, os avençados, os antis, os árbitros, etc, etc, etc... São burros e não há nada a fazer. Não vale a pena perder tempo com pessoas que são incapazes de aprender com os erros.

Quando se começou a desenhar a saída de Jorge Jesus (e alguns iluminados continuavam a dizer que não, que eram tudo mentiras da comunicação social, que tudo estava a ser tratado calmamente), escrevi aqui que poderíamos estar perante um erro de dimensões históricas. 

Depois defendi que, assumida essa decisão de deixar sair Jesus, Marco Silva seria o homem certo, por todas as razões. E Marco está a mostrar toda a sua qualidade (com recursos escassos) na Grécia.

Quanto a Rui Vitória, está a fazer aquilo que eu esperava. Umas vezes melhor, como em Madrid em que claramente me surpreendeu pela positiva e deu uma grande alegria, outras vezes muito pior como na derrota na Supertaça e na indescritível exibição de ontem. A substituição de Eliseu por Fedja é qualquer coisa que eu não admito e me diz que estamos perante um treinador completamente perdido e que não sabe o que está a fazer. Como se não bastasse, Fedja saiu passados 22 minutos. A perder por 3-0 com o Sporting na Luz.  Rui Vitória faz duas substituições nas quais não altera a estrutura da equipa. Vale a pena dizer mais?

As coisas vão piorar ainda mais. O estado dos jogadores, de cabeça completamente perdida, é indicativo. O efeito Gonçalo Guedes começa a passar (como é evidente, pois estamos a falar de um jovem de 18 anos que é bom que jogue mas de forma gradual, não se lhe podendo colocar sob as costas quase a responsabilidade de resolver sozinho) e Gaitan terá a sua (normal) baixa de forma. À próxima derrota a contestação subirá de tom e a descrença começará a aumentar entre  jogadores e adeptos.

Mas como é evidente as culpas não são todas de Rui Vitória. As coisas até pareciam estar a "entrar nos eixos" mas dois factores fizeram ruir este castelo de cartas a que a nossa equipa (ou apenas 11 jogadores?) se assemelha neste momento.

O primeiro foi a lesão de Nélson Semedo. Numa equipa  demasiado frágil e dependente das individualidades como a do Benfica, Nélson estava a fazer a diferença pela qualidade e dinâmica que conferia ao corredor. Com outro jovem irreverente à sua frente, a nossa ala direita estava temível e disfarçava as limitações do outro lado, tanto mais que Gaitan tinha estado no melhor momento da sua carreira. Sem Nélson ficámos com duas alas coxas e as fragilidades de Eliseu vieram ainda mais ao de cima.

O segundo foi a história das caixas e o silêncio do Benfica perante os ataques diários do Sporting, sob o pretexto de que seríamos superiores e deixaríamos os outros sem resposta, com um "silêncio ensurdecedor" porque isso é que os irritaria mais. O argumento mais idiota que eu já ouvi em futebol. Depois caímos no absurdo, no ridículo de instaurar um processo a Jorge Jesus a 2 semanas do derby, desmentindo por completo essa suposta superioridade e caindo na completa mesquinhez.

Isto não é o Benfica: nem dar prendas a árbitros, nem instaurar processos a ex-treinadores são comportamentos aceitáveis no Benfica.

Rui Vitória não tem culpa destes dois factores mas ele também não está lá para ser ilibado. Ele está lá para ganhar - se necessário impondo a sua vontade perante outros - e isso não me parece que venha a conseguir.

Disse-o e mantenho: quem no Benfica é responsável pelas prendas aos árbitros deveria apresentar a sua demissão. O nome do clube não pode ficar associado a tais comportamentos. Neste momento somos achincalhados quase diariamente e poucos argumentos temos para nos defender. Perdemos qualquer tipo de autoridade moral e só a recuperaremos quando as pessoas responsáveis por isto saírem do clube. Também por aí começamos a perder o derby de forma tão clara. 

O Benfica não é isto. Como não é, apesar de nos tentarem convencer do contrário, irromper em aplausos e festejos quando se está a ser goleado em casa pelo principal rival. Então querer fazer disso o principal facto da noite é de um ridículo inusitado. Os benfiquistas estão confusos e precisam de pensar bem no que se está a passar. Mas também precisam que se apresente uma alternativa credível, de alguém que não veja o futebol apenas como um cruzamento entre o mundo empresarial e a política, e que perceba os valores do Benfica. Infelizmente não vejo para já essa pessoa (ou grupo de pessoas) perfilar-se. 

domingo, 25 de outubro de 2015

Humilhação

O que se passou na Luz hoje está entre o que de pior vi na vida o Benfica (não) fazer.
E atenção, o descalabro podia ter sido ainda maior.
Mas quem achou que a estratégia de não responder ao Sporting e meter processos a Jorge Jesus a uma semana do derby foi a melhor deve estar agora muito espantado. Quem dizia que o Jorge Jesus não prestava para nada também.

Eu infelizmente não estou minimamente surpreendido. 
 
Ao ouvir a conferência de imprensa de Rui Vitória fico ainda com mais certezas.

Mas não tenho dúvidas nenhumas de que Rui Vitória não é o único responsável.