sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Causas da presente crise benfiquista

Negar a existência de uma crise no Benfica equivale neste momento a enterrar a cabeça na areia como a avestruz. Estar fora das provas europeias e da Taça (e em situação desfavorável nas outras competições - muito embora ainda com possibilidades de as vencer) em dezembro não pode ser considerado normal no Benfica.

As causas dos problemas são para mim de três dimensões: culpas próprias, uma coligação hostil de rivais e inimigos e, finalmente, a "ressaca" de um ciclo de vitórias.

Começando pela última causa, todos os clubes padecem, na sequência de um ciclo de vitórias,  de uma certa "ressaca", de um certo "cansaço" de ganhar, o que obviamente não resulta de um desejo de perder mas antes de uma certa sobranceria, de uma certa convicção, na maior das vezes implícita e não completamente consciente, de que as coisas acabarão por correr bem e nessa medida não é necessário trabalhar tanto. Aliado a isto, há um certo cansaço mental da tensão competitiva que leva a um certo relaxamento.

Quanto ao que chamo de coligação hostil, o Benfica enfrenta hoje um dos maiores ataques da sua história. Não tenho uma posição definitiva sobre a conjuntura e os factos específicos do "caso dos emails" e a atuação de certos responsáveis da estrutura dirigente ou comunicacional do clube nos mesmos. O facto do Porto ter montado nos anos 90 uma rede de corrupção no futebol português não pode obviamente servir de factor de desculpabilização. Sempre nos revoltámos - e bem - contra essas práticas e nos batemos pela verdade desportiva. Pedimos sempre justiça e equidade no futebol português e nunca qualquer tratamento de favorecimento. No entanto não é claro que tenha havido qualquer prevaricação. O Porto não é obviamente um juiz imparcial neste caso, pelo que qualquer "divulgação" de factos por ele promovida carece de credibilidade. Tudo será sempre apresentado de forma a aparecer  a uma luz negativa, como congeminações terrivelmente maquiavélicas para o Benfica dominar o futebol português. As coisas são descontextualizadas e dadas de forma parcelar e truncada, sem que o que os outros fazem (Porto e Sporting, que aliás têm em Pedro Proença senão um aliado pelo menos alguém muito sensível ao seu discurso) alguma vez seja abordado.

O "caso dos emails" não é comparável às escutas do Apito Dourado. Ao passo que estas foram feitas pela polícia, no âmbito de uma investigação, os emails estão a ser divulgados por pirataria informática, na sequência de um crime (grave) de violação de correspondência. Além disso não há, pelo menos até agora, em caso nenhum, nenhuma instância de dirigentes benquistas a pedir favores ou a corromper árbitros. Haverá, quando muito, a tentativa de saber o que se passa na Liga e/ou Federação, a procura de estabelecer e manter contactos nas mesmas que promovam os interesses do Benfica. Algo que os outros clubes fazem também como é evidente, simplesmente os seus mails não estão a ser devassados na praça pública. A minha posição quanto a isto é por isso desde o início a mesma: investigue-se tudo e puna-se quem tiver que ser punido. Inaceitável é num estado de direito um canal de televisão divulgar correspondência privada com o beneplácito de tribunais que pelos vistos colocam os interesses clubísticos dos juízes acima do respeito pela lei.

Do que não há dúvida é de que os emails desgastam e prejudicam a imagem do Benfica e a sua estabilidade interna. Não matam mas moem. E nesse capítulo a estratégia do Benfica tem sido completamente ineficaz. Por um lado oficialmente nada se diz, deixando-se a Pedro Guerra (e em menor grau André Ventura) o papel de fazer o "trabalho sujo" de defender o Benfica quer na Benfica TV quer na praça pública. Por outro desautoriza-se e desvaloriza-se o seu papel (o presidente do Benfica chamou a Pedro Guerra um "merceeiro", algo que se eu não tivesse visto e ouvido não acreditaria). Se é merceeiro porque é ele o rosto do clube em parte da comunicação social? Defende-se um posição responsável e "de Estado" mas depois aparecem na BTV programas a tentar responder na mesma moeda; casos mal fundamentados em tribunal; incitavas esporádicas de um departamento de comunicação que pura e simplesmente não funciona... Enfim, é tudo errático e colado com cuspo.

Há que admitir que a resposta do clube não é fácil. A campanha anti-Benfica foi bem urdida. Não é fácil responder a acusações vagas e difusas que verdadeiramente nunca acusam diretamente o Benfica de uma prática ilícita. Veja-se como aquele a que chamam "o insolvente" tem sempre o cuidado de dizer que não está a acusar o Benfica de corrupção. É ele que o diz e enfatiza, não sou eu. Ora se não está a acusar de corrupção (de que o Porto foi efetivamente acusado - e condenado - no apito Final, ligado ao Apito Dourado que não chegou a condenação criminal apenas porque os tribunais do Porto colocaram o seu clubismo acima da Lei) está a acusar de quê?

Aos ataques constantes do Porto juntam-se os do Sporting. Mais toscos, menos elaborados e pensados estrategicamente, estes passam sobretudo pelo insulto e ataque pessoal. Os benquistas são chamados de "porcos" e o seu presidente de imbecil pelo próprio presidente do Sporting. O director de comunicação é uma caixa de eco de Carvalho, repetindo o tom e a falta de nível em tiradas diárias para os desportivos pegarem. Esta estratégia em geral não resulta mas como os ataques vêm de muitos lados e o Benfica está claramente na defensiva, este ruído acaba por contribuir para desgastar ainda mais a imagem dos atuais dirigentes do nosso clube (o que não deixa de se reflectir para baixo).

A estes junta-se também parte da comunicação social. É um assunto de que falei muito no início deste blog, há alguns anos atrás. A comunicação social, por razões algo incompreensíveis dado que o Benfica é o maior clube, é-nos muitas vezes hostil. Hoje isso está exacerbado, havendo quase uma perseguição ao nosso clube. Isto é particularmente claro na SIC, onde Rui Santos (por razões para mim misteriosas) tem uma enorme influência, gerindo dois programas semanais de ataques constantes ao Benfica. Ali se escalpelizam TODOS os lances arbitrais em que o Benfica foi potencialmente beneficiado e apenas os mais escandalosos e que não é possível esconder em que foi prejudicado. Ali se desfiam semanalmente teorias da conspiração acerca da "benfiquização" do futebol português e dos esquemas urdidos pelo nosso clube para tal efeito. Isto precisava de uma resposta à altura do nosso clube, de uma comunicação eficaz que desmontasse estas teses delirantes mas infelizmente nada se vê. À SIC (acolitada pelo Expresso que agora com a "Tribuna" se acha muito engraçadinho) junta-se o Correio da Manhã e a Sábado do grupo Cofina que inclui igualmente o Record.

Mas claro que estas estratégias só são eficazes porque o Benfica se debilitou por culpa própria. No futebol a fonte maior de poder vem do campo. As vitórias em campo põem todos em respeito, calam os críticos e dão força a jogadores e adeptos. E o Benfica tinha este ano todas as condições para cimentar ainda mais a sua posição de clube hegemónico em Portugal. Porquê? Porque o Porto estava (está) sob a alçada do fair play financeiro da UEFA e não pode contratar sem antes vender e porque o Sporting depois do élan criado pela chegada de Jesus estava à beira de novo desalento, arriscando nesta época praticamente a sua sobrevivência como grande clube hipotecando todas as receitas em nome do investimento e ficando assim totalmente dependente do sucesso desportivo da época. Ora o que fez o Benfica? Desinvestiu. Vendeu os seus melhores jogadores e não acautelou devidamente a sua substituição. Contratou sem critério. Começou a época com muitos jogadores cuja condição física já se sabia ser periclitante e não assegurou alternativas válidas para os substituir (Rui Vitória também tem muitas culpas neste capítulo porque não valoriza devidamente alguns dos recursos que tem).

Face a estas causas o que está a acontecer era de algum modo previsível. O Benfica permitiu que a vantagem clara com que partia para esta época se tenha diluído muito rapidamente. Estamos agora ao mesmo nível competitivo dos outros (continuamos a ter plantel para ser campeões). Podemos vencer mas já não estamos à frente. Pelo contrário.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Não merecíamos perder

O Benfica fez esta noite um jogo muito razoável sob o ponto de vista da pressão, da recuperação de bola e sua posse. Digo muito razoável e não bom apenas porque perdemos, o que significa que pelo menos em três momentos não estivemos bem. No primeiro golo o erro de Cervi (que até aí estava a fazer um jogo irrepreensível) foi potenciado por uma ida "à queima" de Grimaldo que colocou o avançado do Rio Ave cara a cara com Varela. Aquilo que tinha sido feito na primeira parte - domínio completo do jogo e vantagem no marcador - desfez-se em dois minutos logo no reatamento.
Voltámos ao domínio e novamente o Rio Ave marca, na sua segunda oportunidade, num lance em que a nossa equipa deu demasiado espaço a um sempre perigoso Rúben Ribeiro.
Depois veio o regresso ao 4-4-2 e após Jonas falhar um penalty um 3-4-3. Mesmo ao cair do pano a nossa grande pressão (e risco total) deu frutos num canto com Luisão a aparecer muito bem ao segundo poste.
O problema foi que o capitão se lesionou pouco depois e passámos a jogar com 10 pois as substituições estavam esgotadas. Pior: ficámos apenas com dois defesas em campo porque Grimaldo havia saído para a entrada de Seferovic.
No prolongamento houve muita alma, muita entrega e mais uma vez domínio do jogo mas as decisões não foram as melhores. Com excepção de um remate fulminante de Seferovic que foi defendido por um Cássio mais uma vez inspirado, não tivemos muitas oportunidades, apesar de muitos ataques e centros para a área.
O resultado é injusto mas isso pouco conforto nos dá.
Não estarei entre aqueles (que certamente haverá, alguns aliás já mo disseram hoje) que pedirão a cabeça de Rui Vitória após esta eliminação.
O treinador do Benfica hoje fez o que tinha a fazer e não merecia sair derrotado de Vila do Conde. Nem ele nem os jogadores. Este é um momento triste e difícil em que é preciso haver serenidade. E pluribus unum.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Sofrível

O Benfica venceu, como se impunha, mas esteve longe de convencer.
Foi uma exibição sofrível, com pouco brilhantismo, alguns sobressaltos e demasiados altos e baixos.
Não foi um Benfica dominador, seguro na defesa e acutilante no ataque, que impusesse o seu jogo do princípio ao fim, como se esperava face a um adversário tão frágil como é este Estoril.


Os sinais positivos dos jogos com o Setúbal e, de certa forma, com o Porto não se confirmaram.  Uma das coisas boas desses jogos tinha sido o facto de não termos sofrido golos, (uma raridade esta época) com o centro da defesa a demonstrar novamente solidez. Eu esperava que hoje essa tendência se consolidasse mas não foi o caso. Voltamos a cometer muitos erros na defesa e a não ter o controlo de jogo.

O Benfica desta época tem sido uma equipa inconstante a todos os níveis: pela baliza já passaram 3 guarda-redes, pela defesa 8 jogadores, pelo meio campo Filipe Augusto e Samaris além dos titulares de hoje, pelas alas nem se fala e no ataque a rotatividade também tem sido grande. Até o sistema de jogo mudámos em pleno decurso da temporada!

Com tantas mudanças e incertezas é difícil consolidar seja o que for. Aparentemente Vitória está agora apostado em estabilizar o sistema e os titulares mas tenho dúvidas que esta seja a solução para o Benfica. Isto porque este 4-3-3 não me convence.

É verdade que a nossa defesa estava em cacos e que a falta de cobertura no meio era uma das causas desse problema. Admito que num primeiro momento o meio campo a três de algum modo estancou a sangria e passámos a exibir maior segurança defensiva. Por outro lado, o rendimento de Krovinovic tem vindo a subir de jogo para jogo, sendo o croata hoje um dos mais indiscutíveis da equipa, parecendo justificar a mudança de sistema. No entanto hoje voltaram a ficar expostas todas as nossas fragilidades defensivas, deixando claro que o problema não está (apenas) no sistema. Por outro lado, o 4-3-3 torna-nos numa equipa mais curta no ataque, onde passámos a ter menos presença.

É verdade, não há como o negar, que os golos têm aparecido - inclusivamente em grande quantidade. Mas temo que essa situação seja conjuntural e que as dificuldades no capítulo ofensivo apareçam mais cedo ou mais tarde (no dragão ficaram bem patentes, com um rendimento ofensivo baixíssimo). Não me parece que Jonas seja o jogador ideal para um 4-3-3 (e seria um crime deixar o maior goleador dos últimos anos de fora do 11).

Eu compreendo que em jogos com equipas de nível superior, jogando fora, o Benfica aposte num maior povoamento do meio campo, sacrificando um pouco a sua capacidade ofensiva, mas em jogos em casa, contra equipas pequenas não encontro nenhuma razão para jogar com Jonas sozinho na frente. No jogo de hoje foram várias as vezes em que os nossos extremos chegaram a zonas de cruzamento e apenas tinham Jonas na área, na maior parte dos casos tapado pelos dois centrais. E isto foi com um Estoril que jogou no campo todo, com uma defesa muito subida e tentando pressionar a nossa equipa logo no nosso meio campo.

Foi, em suma, um jogo pouco pouco entusiasmante, no qual marcámos dois golos em contra-ataque e acabámos o jogo com índices atacantes inferiores ao do último classificado.

Quarta-feira há jogo de Taça, em Vila do Conde. Será um jogo mais difícil, onde teremos que mostrar mais do hoje.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Anti-benfiquismo - todos os limites estão a ser ultrapassados

A campanha miserável e nojenta que o canal e o "diretor de comunicação" do Porto (título pomposo para, neste como no caso do Sporting, maus publicitários e agitadores profissionais) está a dar alguns frutos.

Como de uma árvore má só maus frutos nascem, estes frutos são a violência no futebol, muito em particular contra os benfiquistas.

Não bastando já os insultos recorrentes, reiterados semanalmente nos programas de "futebol falado", nos quais se destila ódio como se da maior das trivialidades se tratasse e se desconsidera o Benfica e os seus adeptos e dirigentes ao ponto da desumanização, esta semana assistimos a episódios de violência física, não apenas contra os nossos adeptos mas, pasme-se, até contra os nossos atletas!

Jornal Record


Não me lembro de assistir a algo do género em Portugal ou mesmo no estrangeiro civilizado. Lembro-me de Cantona agredir um adepto, sei que Evra terá agredido também um adepto do Guimarães, mas um adepto entrar em campo e agredir pelas costas um jogador é de uma gravidade extrema e indigno de um campeonato sério.

Claro que para os Rui Santos desta vida e para muitos comentaristas profissionais do ofício, isso foi uma pequena nota de rodapé num jogo no qual é muito mais importante falar de um fora de jogo mal assinalado, como se do maior crime de lesa pátria futebolística se tratasse.

Mas, o que teria dito o energúmeno Rui Santos caso o que se passou tivesse acontecido ao contrário no Estádio a Luz?

Será que estou muito enganado em imaginar que tudo seria centrado na agressão a um jogador do Porto? Que os "casos" passariam para segundo plano? Que se diria que se não fossem tomassem medidas gravosas e exemplares um dia destes teríamos uma tragédia? Que se estaria a exigir a suspensão do Estádio da Luz? Que se responsabilizaria directamente o Benfica pelo sucedido? E outras coisas que tais...

E o que se diria se algum dirigente do Benfica se comportasse como o diretor do Porto? Que ameaça toda a gente, a torto e a direito e não pára de pressionar os árbitros do início ao fim dos jogos?

Do blog Coluna das Águias Gloriosas


Este foi aliás um fim de semana negro no que ao futebol português diz respeito: agressões generalizadas em Coimbra, agressão a árbitro em Aveiro, para além dos vários casos que se passaram no Porto.

É muito fácil vir agora dizer que "o ambiente é irrespirável" e que os dirigentes dos três grandes são todos igualmente responsáveis - mas isso é completamente falso.

O Porto mais não faz há 3 meses do que atacar constantemente o Benfica com insinuações, com a divulgação de correspondência privada (não sabemos se adulterada ou truncada mas certamente descontextualizada e explorada para os efeitos que lhes interessam), com insultos e acusações gratuitas. É o polvo, é a cartilha, é isto e aquilo.

O Sporting ataca também a toda a hora, com insultos - o seu louco presidente chamou todos os nomes a Luis Filipe Vieira, inclusivamente idiota (algo que também não me lembro de ver no passado), ao passo que o diretor de comunicação todos os dias tem uma provocação ou ataque para fazer, para além de terem intentado toda a espécie de acções contra o nosso clube, a nível nacional e internacional.

Os dois clubes chegaram ao ponto de fazer uma aliança para atacar o Benfica, a qual ficou mais do que demonstrada com encontros entre os tais diretores de comunicação e o restabelecimento de relações, o sentarem-se lado a lado e o aperto de mão entre Bruno e Pinto. Nada haveria aqui de errado se o objectivo não fosse única e exclusivamente uma aliança anti-Benfica.

Jornal Record


Imagem de Hugo Gil e Benfica


A coisa é tão caricata que o Sporting tem como representantes em programas de "futebol falado" ex-jogadores do Porto. Lembro-me de imediato de Fernando Mendes, Octávio e Inácio. Nunca se ouvirá de nenhum destes qualquer palavra contra o Porto. Pelo contrário, no programa passado (não o de ontem) Inácio defendia que o Porto tinha sido prejudicado nas Aves com um penalty e falou do assunto durante minutos. Ora estando o Sporting a disputar um campeonato com o Porto (-ou não está?) qual o interesse do representante do Sporting em defender o rival? A coisa é patética.

Resultado de imagem para news
Este homem defende o Sporting ou o Porto?

Ora perante este estado de coisas, perante ataques constantes, ininterruptos, o Benfica decidiu há pouco mais de duas semanas - face à passividade total das instituições desportivas que deveriam zelar pela competição e a decisão inacreditável de um Tribunal do Porto (onde a justiça continua a parecer local e não nacional) de manter a divulgação dos emails - finalmente responder e contra-atacar.

Isto não nos torna equivalentes aos outros. Não andamos constantemente a deitar achas para a fogueira, constantemente a deitar gasolina no fogo, a tornar o ambiente irrespirável no futebol português, como a aliança Porto-Sporting, apostada em derrubar-nos custe o que custar, seja a que preço fôr.

Nós simplesmente reagimos, ao fim de meses de ataques, insultos e provocações. Queriam que fossemos os bombos da festa, sacos de pancada, mas tudo tem limites.

Dito isto, o Benfica tem que ser implacável na exigência de uma punição exemplar face ao que se passou sexta-feira.

E os adeptos têm uma vez mais que, tal como aconteceu há dois anos quando JJ lançou ataques indecentes sobre Rui Vitória, se unir à volta da equipa e do clube.


Exibição de carácter

Depois das críticas - justas - que recebeu após as péssimas prestações europeias (as internas não foram durante esse período muito melhores), a equipa do Benfica deu uma boa resposta no Porto. Entrou em campo de forma personalizada, dominando o jogo na primeira parte e dispondo de uma oportunidade de golo, contra nenhuma do adversário.
A segunda parte foi má, especialmente do ponto de vista da posse de bola, do controlo de jogo e da prestação atacante, que foi quase nula. A equipa parece ter uma vez mais caído fisicamente. Mas o essencial foi preservado: o Benfica saiu do estádio do Porto com a sua baliza inviolada e mantém-se a uma distância curta da liderança. Acreditando que já em janeiro poderemos reforçar a equipa em duas ou três posições, a aspiração ao penta mantém-se intacta.
O Porto "papão", o Porto demolidor que ia esmagar o Benfica afinal não apareceu. O que apareceu foi uma equipa que já tremera na jornada anterior e que voltou a mostrar muita insegurança na primeira parte do jogo, na qual os nossos jogadores foram sempre mais decididos e confiantes. Mas enfim, isso vale o que vale. O que realmente importa é focarmo-nos em nós próprios e fazer do jogo com o Setúbal o momento de viragem deste campeonato, começando agora a estabilizar o nosso futebol e a desenvolver sustentadamente as dinâmicas que até aqui só a espaços têm aparecido.
Muito embora o resultado seja obviamente fruto do trabalhos de toda a equipa, não posso deixar de destacar Varela. O nosso guarda-redes soube regressar com confiança e colocar em jogo as suas qualidades, dando continuidade às boas exibições que já fizera contra o Setúbal. Está de parabéns porque teve um papel determinante no empate alcançado.

Este empate custou muito a engolir não apenas aos portistas mas também a muitos jornalistas e comentadores, tanto supostos "neutros" ou independentes como alguns sportinguistas. Após o jogo muitos eram os que na Sport TV não conseguiam disfarçar o semblante carregado, apesar dos visíveis esforços. Parecia uma noite de velório. Os foguetes encomendados tiveram que regressar à proveniência. As bandeiras distribuídas no estádio para comemorar serviram apenas de armas de arremesso para o nosso banco.

Já esta noite o imbecil Rui Santos - peço desculpa mas já perdi a paciência para a figurinha - "exigia", como se ele fosse alguém para exigir fosse o que fosse, saber "rapidamente" quantos jogos de suspensão (?!) levará o árbitro Jorge Sousa pelo fora de jogo mal assinalado ao Porto. O homem estava abespinhado e chilreava também contra o video-árbitro. Custou-lhe engolir este resultado. O programa, do pouco que vi, parecia uma sessão de linchamento: o grosseiro Rudolfo berrava na sua voz de bagaço, o Ruizinho "indignava-se" contra a arbitragem e Manuel Fernandes também ajudava à festa. João Alves, já se sabe, praticamente não pode abrir a boca sem que os outros energúmenos o interrompam aos gritos.
Na RTP o cenário era parecido. Guedes dava lições de moral (?!) a João Gobern sem que se entendesse muito bem o que queria.
Mas é deixá-los berrar. Que berrem e berrem muito, que se queixem e continuem a queixar. É sinal de que continuam a perder.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Vitória tranquila(o)

Rui Vitória passou por momentos difíceis na sua época de estreia. Nessa altura mostrou porém uma característica que foi determinante para dar a volta à situação: um grande equilíbrio emocional que lhe permitiu não entrar em pânico, não se deixar afectar ao ponto de desacreditar nas suas capacidades e, no momento da verdade, ter tido a frieza e capacidade de análise para tomar as decisões certas.
Espero, como todos os benfiquistas autênticos, que isso vá acontecer novamente esta época e que a eliminação da UEFA possa ter sido um momento de viragem. É porém demasiado cedo para juízos desse tipo e não é uma vitória em casa contra um adversário frágil que nos deve levar a embandeirar em arco.
Dito isto, o Benfica fez uma belíssima exibição. Começámos com alguma falta de confiança, como seria de esperar face ao desastre europeu, mas o golo logo aos 7 minutos contribuiu para uma mudança de atitude para melhor. Com o segundo golo e a expulsão de um homem do Setúbal o jogo ficou resolvido. Mas independentemente de factores aleatórios, houve razões para a melhoria substancial de rendimento: uma, talvez a principal, chama-se Krovinovic. O meio campista foi sempre inconformado e quase sempre decidiu bem, fazendo uso da sua técnica acima da média bem como da sua visão de jogo. Jogou e fez a equipa jogar.
Outro factor que fez a diferença para melhor foi a atitude da equipa. Apesar de alguma hesitação no início, algum medo de errar, sentiu-se que a equipa queria responder ao momento negativo e capitalizar do empate do Porto em vésperas de clássico.
O melhor veio na segunda parte. A ganhar e a jogar contra 10, a equipa libertou-se e começou a praticar um futebol atacante veloz e colectivo como já há muito não se via. Os golos foram aparecendo com naturalidade e a goleada reflecte o que se passou em campo.
Para além de Krovi, devem também ser destacadas as exibições de Grimaldo, Cervi (aquele corredor foi um pesadelo para os sadinos), Pizzi e Luisão. O capitão voltou aos golos e ainda foi o responsável pela expulsão de um adversário, numa arrancada espectacular na qual por momentos fez o papel de extremo direito perante a admiração das bancadas.
A fragilidade do adversário, potenciada pelo bom jogo do Benfica, não nos permite porém retirar grandes ilações desta vitória. Será já na sexta-feira que um teste de um outro nível nos será colocado. Um teste que precisamos de superar para realmente conseguimos inverter o rumo desta época. Do jogo de hoje ficam boas indicações mas (para além, claro, dos 3 pontos e da consequente recuperação face ao primeiro lugar) pouco mais. É de facto na sexta-feira que as coisas se poderão definir mais.
Uma última palavra para Jonas e os seus agora 101 golos. Notável. É um privilégio termos um jogador desta categoria na nossa equipa. O seu futebol aveludado é de outro patamar. Precisamos muito da sua continuada inspiração.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Zero!!

A exibição (?) do Benfica de ontem voltou a ser deprimente.

O jogo de ontem fica como um marco. Vários "recordes" negativos foram batidos no que respeita ao registo do Benfica na Champions. Chegámos, parece-me, a um ponto em que a reflexão sobre a continuidade de Rui Vitória tem que ser levada muito a sério, assim como a identificação de possíveis alternativas.

O problema não é apenas os maus resultados. De certa forma, esse nem é o principal problema. Por muito embaraçosos que sejam os resultados da Liga dos Campeões este ano - e são-no de facto - o crédito que Rui Vitória alcançou com as campanhas dos dois últimos anos merecem no mínimo um voto de confiança face a uma conjuntura de resultados negativos.


O problema maior são as exibições miseráveis, a falta de ideias de jogo e de entrosamento da equipa. Não há mecanização, não há dinâmica, não há posicionamentos correctos. Cada jogador parece jogar sozinho, sem saber bem o que fazer com a bola. 

O rendimento individual espelha o colectivo: tem vindo sempre a piorar. Todos os jogadores têm regredido, alguns parece que deixaram de saber jogar.

Ora isto é responsabilidade da equipa técnica.

Terá por isso que se começar a pensar muito seriamente  no futuro. É verdade que Rui Vitória não terá desaprendido de um ano para o outro. Mas a realidade deprimente da falta de qualidade de jogo da equipa não deixa espaço para dúvidas sobre a ineficácia do trabalho de treino.

Os próximos jogos são decisivos. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Assim, sim

Se o jogo do Benfica em Manchester não foi mau (perder nunca é bom mas há que reconhecer que a equipa fez um jogo válido e que não foi bafejada pela sorte - incluindo nas decisões arbitrais) já o jogo em Guimarães foi bastante razoável, com momentos de qualidade.

Voltámos a ver mecanismos, rotinas, equilíbrio como equipa. Em suma, trabalho de treino posto em prática no jogo.

Não foi um jogo perfeito - longe disso. Houve ainda erros individuais quase primários e períodos de alguma desconcentração. No entanto, sentiu-se já uma ideia de jogo e uma confiança diferente entre os jogadores.
A curva parece agora ascendente.



Rui Vitória voltou a optar por três médios e a equipa respondeu positivamente, apresentando um equilíbrio e segurança que não se viam havia algum tempo.
Gostei muito de Krovinovic. Parece estar a encontrar o seu ritmo e a intensidade necessária para a posição. Gostei também de Samaris na posição de Pizzi, mostrando mais uma vez que é um jogador com o qual o Benfica pode contar. Creio que esta solução de três médios será para manter nos jogos fora. Em casa penso que a
opção continuará a ser por dois avançados com Jonas a fazer a ligação meio campo -ataque.
Com mais uma paragem extensa no campeonato (para jogos de seleção e Taça) Rui Vitória terá bastante tempo para consolidar esta solução.
O empate do Sporting mostra bem que o campeonato está muito longe de estar perdido e que as coisas podem mudar muito rapidamente, por vezes em apenas uma ou duas jornadas. O Porto terá igualmente os seus percalços: não descobriram de repente a fórmulas da invencibilidade nem Sérgio Conceição é um iluminado no meio de ignorantes.
As coisas têm em geral corrido bem para o seu lado, certamente também por mérito e trabalho, mas no último jogo já demonstraram dificuldades e se o árbitro não tivesse deixado passar dois penalties (um deles escandaloso) as coisas poderiam ter dado ainda mais para o torto. É quando os momentos difíceis chegarem - e vão chegar - que se verá a real capacidade desta equipa.
Pelo nosso lado não há obviamente razões para qualquer embandeirar em arco por uma vitória em Guimarães. A nossa margem de erro continua muito diminuta e se queremos chegar ao penta (e certamente queremos) precisaremos de continuar a subir de rendimento. Os erros de Svilar, André Almeida e a paragem colectiva no golo do Vitória são três falhas básicas que não se devem repetir. A concentração tem que ser mantida ao longo de todo o jogo.
Uma nota final para o vídeo árbitro: como aqui antecipeihttp://justicabenfiquista.blogspot.pt/2017/05/a-ilusao-do-video-arbitro.html, aliás um pouco contra a corrente, não veio resolver os problemas com as arbitragens, nem sequer com os chamados erros grosseiros. O que aconteceu este fim de semana foi memorável pela negativa.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Melhorias ligeiras

De uma coisa Rui Vitória não pode ser acusado: de não tentar mudar o estado de coisas em que a equipa se encontrava, de não tentar novas soluções para melhorar o nosso futebol.

E pode-se dizer que as coisas melhoraram um pouco. No jogo com o United houve uma completa inoperância atacante mas defensivamente não se verificou o desastre que muitos temiam e na Vila das Aves o Benfica ganhou (que era o que mais importava) com alguma tranquilidade. A exibição foi mediana mas nesta fase isso é o menos. 

A introdução na equipa de jovens jogadores tem conferido uma dimensão física muito necessária. Uma das carências que o Benfica tem evidenciado esta época é um défice de capacidade física. Daqui resulta fragilidade defensiva e uma incapacidade em controlar os jogos.



Também as mudanças operadas ao nível do meio campo procuram responder à mesma carência. Os três médios contra o United e os dois médios de contenção contra o Aves (Augusto em detrimento de Pizzi) são a tentativa de Rui Vitória em dar mais equilíbrio e capacidade de choque à equipa no sector nevrálgico do campo. Continuo porém a esperar que Samaris tenha mais oportunidades, não fazendo sentido ostracizar um jogador daquele nível e com aquela capacidade guerreira (ainda que por vezes exagerando, do que têm resultado castigos completamente injustificados e desproporcionais).

A questão é se realmente seremos capazes de manter o campeonato em aberto até janeiro, altura na qual é imperativo reforçar a equipa. Vamos acreditar que sim. O próximo jogo, em casa com o Feirense - já na sexta-feira, é mais uma boa oportunidade para vencer e ganhar confiança, algo que está claramente em níveis muito baixos por estes dias.

Isto até porque a seguir ao Feirense temos duas deslocações difíceis que serão decisivas para as nossas aspirações internas e europeias: Manchester e Guimarães.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Copo 1/4 cheio ou 3/4 vazio?

Está a ser uma época má para os benfiquistas.

Depois de ver sair na pré-época as jóias da coroa e após a conquista do troféu de pré-temporada, a Supertaça, o Benfica tem vindo progressivamente a perder gás. Nos primeiros 6 jogos tivemos apenas um empate, mas nos 8 seguintes apenas 2 vitórias! No presente mini-ciclo (que supostamente deveria ter terminado com o jogo com o Olhanense) empatámos 2 vezes e sofremos 4 derrotas! Quatro derrotas! Três para a Liga dos Campeões e uma para o campeonato. Uma delas uma goleada humilhante.

O jogo de ontem é mais um que não deixa saudades. 28 % de posse de bola e nenhum remate à baliza são números esmagadores que não enganam.

Rui Vitória foi conservador na abordagem e não o critico por isso. Optou por um meio campo mais reforçado, o que faz todo o sentido perante um estratega como Mourinho que privilegia a consistência das suas equipas, sacrificando para isso Jonas. Já a escolha de jogadores me parece mais discutível. Aí Vitória não foi conservador, foi até revolucionário. Os resultados são mistos: Svilar, que já tinha dado boas indicações, voltou a demonstrar presença e personalidade mas comprometeu com um erro básico. Diogo Gonçalves teve alguns apontamentos positivos mas a meu ver não justificou a titularidade num jogo desta importância. Rúben Dias mostrou mais uma vez - agora num teste de elevada exigência - ser um defesa de grande solidez. Finalmente a opção de Filipe Augusto  compreende-se neste esquema de três médios. O brasileiro fez aliás um jogo bastante conseguido.

A Liga dos Campeões está praticamente acabada para o Benfica. Perdendo em casa sem fazer um remate à baliza adversária, teme-se algo de ainda pior no jogo em Manchester. É verdade que não fomos "atropelados" - a nossa defesa deu boa conta das ameaças e isso é um sinal positivo que merece ser destacado. A mudança operada no meio campo é a principal causa e explicação para essa melhoria. Fomos porém completamente inoperantes e inofensivos no ataque. Sálvio fez um jogo de grande esforço e com momentos de classe mas faltava presença na área. Pizzi fez pouco essa ligação e perdeu demasiadas bolas. Os laterais foram um bom apoio ao ataque mas os erros nas saídas, sobretudo de Douglas, criaram situações de aperto para a nossa baliza.  O defesa brasileiro foi aliás ultrapassado algumas vezes de forma perfeitamente infantil.

Restará a Liga Europa mas nem essa se afigura fácil. Fica para além disso a dúvida acerca de como actuaremos daqui para a frente. Parece-me que em casa, em jogos de campeonato e contra equipas fechadas, continuaremos a jogar com dois avançados. Nos jogos fora fica a dúvida. Paralelamente a este quadro de resultados negativos e incertezas quanto ao sistema a usar e jogadores titulares, temos o caso dos emails, continuamente a desgastar, a picar e a provocar os benquistas, hoje ainda agravado com a situação das buscas no Estádio da Luz.

Uns dirão que o copo começou a encher, que pior do que isto é difícil e que daqui para a frente as coisas só poderão melhorar. Outros olham para este quadro deprimente e veem quão mal estamos a vários níveis, apontando que este copo está praticamente vazio. O juízo mantém-se algo indefinido porque a época está ainda no início e será longa. No entanto aproximam-se alguns jogos bem complicados, não havendo já margem de erro. É que já não estamos na pré-época, embora às vezes pareça.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

As possibilidades de apuramento do SLB (e a velha questão do 4-4-2)

Mourinho disse (e vale a pena sublinhar o respeito demonstrado pelo Benfica na antecipação do jogo desta noite) que 9 pontos não chegariam para o Benfica se apurar para os oitavos de final. 

Por outras palavras, Mourinho acredita que o CSKA ganhará os dois jogos contra o Basileia e portanto somará 9 pontos; mas não acredita que o Benfica, que diz ser "muito melhor que o CSKA", seja capaz de vencer em Moscovo por 2-1 (ou mais). 

Partindo do princípio que o United vence os jogos com o Basileia (fora) e com o CSKA (em casa) é de facto este o cenário que se coloca: o Benfica precisará sempre de vencer esses dois adversários e ainda de vencer o United pelo menos uma vez. Dependendo da conjugação de resultados até aí, um 2-1 sobre o CSKA poderia ser suficiente (caso conseguíssemos entretanto recuperar os 4 golos de desvantagem face aos russos) ou, pelo contrário, poderíamos precisar de vencer por mais de 1 golo de vantagem. 

Nenhum destes últimos cenários em Moscovo parece impossível. O problema é que para lá chegar o Benfica precisaria de vencer o Manchester. E isso é que não se afigura como alcançável face ao que o temos demonstrado nos últimos jogos. Falta intensidade, velocidade e capacidade física a este Benfica. O Manchester (e outros clubes de topo na Europa e até em Portugal) jogam hoje a um nível que o Benfica não consegue acompanhar. Não temos rotação para tal.

Outro problema é o jogo desligado, a falta de coordenação entre sectores e a incapacidade de ter bola e gerir o jogo. Tudo isto se deve a um meio campo insuficiente para os actuais níveis de exigência. Alguns leitores deixaram aqui comentários no sentido de que um meio campo a dois já não é possível no futebol moderno. É uma discussão já antiga, na qual os defensores dessa tese têm a seu favor o argumento de peso de que a maioria das grandes equipas europeias não joga assim. No entanto também é verdade que essas mesmas equipas, na sua maioria, encontram formas de ter dois avançados com presença física na área. O que eu digo - e disso não tenho dúvidas - é que este 4-4-2, com estes jogadores, não serve para embates desta magnitude. Os extremos do Benfica não apoiam o meio campo, o qual fica demasiado dependente de Pizzi. Se este estiver num dia menos bom ou se a equipa adversária fôr capaz de o anular, o Benfica fica sem soluções e a ver o jogo passar-lhe ao lado. 

Rui Vitória certamente já identificou o problema. Cabe-lhe agora encontrar a solução. Certo é que o jogo de hoje será decisivo. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Benfica- Man Utd. - um desafio e uma oportunidade


O Benfica enfrenta esta quarta-feira o mais poderoso adversário da época. Certamente até ao momento mas porventura mesmo até ao fim da época.

O Manchester deste ano é uma equipa já à imagem de Mourinho, muito pressionante, prática, tremendamente eficaz. 

Está em segundo no campeonato inglês (nesta jornada foi ultrapassada pelo rival City mas apenas em virtude de um empate fora com o Liverpool, resultado que não desmerece ninguém) tendo já um avanço razoável sobre a restante concorrência. E já se viu que o próximo campeão de Inglaterra muito dificilmente não virá de Manchester.

Trata-se por isso de um jogo de dificuldade máxima. Além dos factores já referidos, o Manchester é uma equipa muito poderosa fisicamente, pelo também aí nos testará aos limites.

O Benfica atravessa indiscutivelmente um muito mau período. A época até começou bem mas depois da primeira interrupção no campeonato começou a descarrilar e ainda não voltou a entrar nos eixos. Por isso esta última interrupção veio no melhor momento possível, permitindo assentar ideias e trabalhar novas soluções. O primeiro teste a seguir a esta pausa não foi bom - o jogo com o Olhanense voltou a mostrar todas as insuficiências e deficiências desta equipa, mas temos agora nova oportunidade, com outros níveis de exigência e motivação, de mostrar uma outra qualidade.

Do jogo com o Olhanense gostei muito de Svilar. Mostrou personalidade, confiança, grande agilidade e aquela dose de loucura controlada que os grandes guarda-redes exibem. Parece-me que aí acertámos. Já li críticas muito destrutivas a Douglas mas não as perfilho minimamente. De facto deu muito espaço a defender e denotou lentidão a recuar, mas por outro lado teve excelentes iniciativas atacantes, fez bons centros e dinamizou o corredor. No Benfica um lateral tem preocupações defensivas mínimas, apenas nos jogos da Liga dos Campeões e contra os rivais se exige uma atitude mais cautelosa. Para além disso Douglas vinha de uma grande paragem e o ritmo não será ainda o melhor. Nesse sentido espero para ver antes de fazer juízos muito assertivos. Rúben Dias voltou a dar indicações muito positivas: rápido, forte, seguro e sem complicar. Podemos ter ali jogador. Para além disso o golo de Gabriel Barbosa, o passe de Pizzi e a passagem da eliminatória são as outras notas positivas de uma noite que não deixa saudades.

Terça-feira o Benfica terá um teste completamente diferente, de exigência máxima. Face ao que se vem passando, a exigência do lado dos adeptos é que a equipa faça um bom jogo e se possível que ganhe ou pelo menos empate. Mas sejamos realistas: para tal acontecer o nível de segurança quer na defesa, quer no meio campo, onde se começa a defender, tem que ser radicalmente diferente do que vimos exibindo nos últimos jogos. Principalmente contra uma equipa contra o United seria suicida ter um meio campo desequilibrado e em défice a expôr a nossa defesa à velocidade e poderio físico dos extremos e avançados adversários. Não quero sequer imaginar cenários (que não são impossíveis) muito negativos. Aí as coisas entrariam numa crise profunda. 

Aquilo que espero e desejo é que o Benfica volte a ter uma grande noite europeia e comece finalmente a dar a volta à situação. Foi assim há dois anos: quando ninguém esperava fomos ganhar a Madrid e invertemos um início de época muito negativo, lançando as bases do tri e depois tetra campeonato. É dessa atitude que precisamos quarta-feira.




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Emails - ou não há lei no Porto ou os juristas do Benfica são incompetentes

Já é conhecida a decisão do Tribunal Cível do Porto sobre a providência cautelar interposta pelo Benfica: o Porto Canal pode continuar a divulgar publicamente emails de elementos ligados ao Benfica.
Esta decisão surpreende-me e escandaliza-me: no caso da fruta e café com leite o processo foi arquivado porque o Tribunal considerou que as escutas foram obtidas de forma ilegal; no caso de escutas a José Sócrates (aqui há uns anos) o Tribunal ordenou a sua destruição (apesar de terem sido obtidas legalmente por ordem de um juiz) por supostamente não terem matéria criminal; num outro caso um Tribunal impediu a publicação pelo jornal "Sol" de escutas por alegadamente estas violarem o direito de privacidade dos intervenientes (mais uma vez o que estava em causa era a questão dos negócios de Sócrates); e agora num caso em que emails pessoais das mais diversas proveniências e de diferentes indivíduos estão sistematicamente a ser revelados perante o país todo, há um Tribunal que não vê nisso nada de errado.

Por isso digo, ou esta decisão é de facto algo de escandaloso, um atropelo à lei e aos direitos dos cidadãos, nomeadamente o direito a manter as suas comunicações privadas (a violação de correspondência é um crime grave em muitos países) em vez de ver as mesmas ser devassadas em público; ou o departamento jurídico do Benfica é completamente incompetente.

E a razão pela qual admito a segunda possibilidade é que pelas notícias que li o fundamento do Benfica para a providência cautelar foi "concorrência desleal". Isto parece-me absurdo e a ser verdade manifesta uma grande inépcia, dando ao Tribunal uma janela de oportunidade para rejeitar a providência, como de facto fez. Recordo que uma providência cautelar visa impedir algo (neste caso a divulgação de emails) à cabeça (daí se chamar cautelar) ficando a decisão final sobre a matéria adiada para futuro julgamento. Ao invocar a "concorrência" - quando o que está em causa é a divulgação de mails privados obtidos de forma ilegal por terceiros - o Benfica deu um tiro completamente ao lado e expôs-se a esta decisão.

Que o Tribunal poderia ser tendencioso era algo que já se poderia esperar. O falhanço reiterado em condenar Pinto da Costa e a sua entourage, "superdragões" incluídospor crimes que toda a gente sabe terem sido cometidos, a sua protecção descarada e o descrédito lançado sobre aqueles que ousaram denunciá-lo, indiciavam isso de forma clara. Daí mais uma razão para o Benfica instruir este processo de forma inatacável, que não desse oportunidade a juízes facciosos de mais uma vez branquear ilegalidades cometidas pelo FCP. Infelizmente isso não aconteceu, o processo foi, a confirmar-se que as razões do Benfica foram a "concorrência desleal", mal instruído e o resultado está à vista. Parece-me que há erros a mais na estratégia da estrutura nos últimos meses. Exige-se agora uma resposta vigorosa da parte do Benfica. O Benfica não pode continuar a ser enxovalhado diariamente em direto na praça pública e a ficar quieto! A levar a calar. O Benfica sempre foi um clube combativo e tem que responder a estes ataques e provocações de forma exemplar.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A continuidade de Rui Vitória


Nos últimos artigos tenho-me focado muito nas limitações do plantel do Benfica como causa principal dos recentes maus resultados.
Muitos dos comentários aqui deixados e artigos noutros blogs do Benfica têm porém insistido nas responsabilidades de Rui Vitória, sendo (ou parecendo) opinião generalizada que o treinador não tem condições para inverter a situação e deve sair.

Muito embora percebendo todas as críticas e a descrença, penso que não chegámos a esse momento e que Rui Vitória ainda pode dar a volta à situação. Segue-se a minha avaliação, estando os leitores convidados a deixar os seus comentários e opiniões, como sempre aqui acontece.


A solidez mental de Rui Vitória


Fui um grande crítico de Rui Vitória nos seus primeiros tempos de Benfica. Não engoli muito o argumento de que a "estrutura" seria um garante de uma estabilidade e solidez que permitiria ao clube continuar a senda vitoriosa. Achava que Rui Vitória não tinha dimensão para o Benfica. A verdade é que, depois de um início titubeante, no momento da verdade Rui Vitória mostrou grande frieza. Nunca se "desmontou", nunca colapsou perante as críticas, a desconfiança e as provocações e no fim soube pôr o Benfica a jogar um grande futebol e a vencer títulos.

A integração de jovens na equipa


Rui Vitória é o responsável pelo lançamento de vários jovens jogadores na equipa principal: Nélson Semedo, Renato Sanches, Victor Lindelof, Gonçalo Guedes e Éderson. Muitos outros tiveram oportunidades, mas por esta ou aquela razão (ainda) não se impuseram. Acima de tudo fica a ideia de que Vitória não tem qualquer receio em apostar nos jogadores e que estes, sentindo-se apoiados e portanto confiantes, mostram as suas qualidades. 

O excelente futebol do Benfica


O Benfica já jogou um excelente futebol desde que Rui Vitória chegou ao clube. Curiosamente dos melhores jogos que fizemos, nomeadamente as duas recepções ao Porto, não vencemos, mas quem não se lembra do completo massacre que fizemos no primeiro jogo ou das defesas impossíveis de Casillas em qualquer um deles? Quem não se lembra da vitória sobre o Atlético em Madrid? Da dinâmica atacante e das goleadas, sobretudo, mas não apenas, em jogos em casa (a última das quais já esta época, contra o Belenenses)?

Os títulos


No futebol, como em todos os desportos de alta competição, os resultados são a ultima ratio da avaliação do trabalho de um líder. E nesse capítulo Rui Vitória já deu provas mais do que cabais: dois campeonatos disputados - dois primeiros lugares, duas Taças - uma vitória, duas Taças da Liga - uma vitória, duas Supertaças - uma vitória, duas Ligas dos Campeões - duas qualificações, uma para os oitavos outra para os quartos de final. 

O desastre da presente época


O mais irónico de tudo isto é que a presente época até começou bem. O Benfica ganhou a Supertaça e venceu os primeiros jogos de forma convincente. No entanto a partir do momento em que se teve o primeiro deslize (Vila do Conde) tudo começou a desmoronar-se muito depressa. O que se passou em Basileia é altamente desprestigiante para o Benfica. Tememos pelo que venha a acontecer com o United. A Champions está quase perdida e no campeonato estamos em risco de descolar dos da frente, sobretudo o Porto. Ao contrário do ano passado, este ano temos adversários competentes. Ao contrário do que aconteceu há duas épocas, este ano não temos a Champions para "compensar" um mau início no campeonato. 
Este ano tudo está a correr mal, desde os resultados ao futebol praticado, à inconstância das escolhas de Rui Vitória em matéria de jogadores, às incertezas (e limitações) em termos de modelo de jogo. Rui Vitória parece mais desorientado e desanimado do que alguma vez o vi no Benfica.

O que mudou?


O que mudou é o sobretudo o que tenho assinalado em anteriores artigos: o plantel não apenas perdeu qualidade como envelheceu. Entrámos assim numa curva descendente que Vitória não tem sabido contrariar.

Pode Vitória inverter o presente estado de coisas?


A questão que se coloca aqui é se Rui Vitória chegou ao fim do seu ciclo, se esgotou a sua energia e as suas ideias. Um dos argumentos que ouço muito é o de que se acabou o "gás" que vinha ainda de JJ, que Rui Vitória não tem ideias próprias e que a memória dos "processos" (que vinha do anterior treinador) está a desaparecer.

Esta ideia é insólita. Quem a professa está a aderir por inteiro à lógica do "cérebro", aos argumentos do Ferrari e afins, que combatemos com tanta determinação há dois anos.

Será possível que se ache que uma equipa ganha dois anos em "piloto automático"? Que se preparem estratégias de jogos presentes a partir de esquemas e ideias do passado (que supostamente nem se domina)?

Defender isto é desrespeitar Rui Vitória, é ser injusto e não dar mérito a quem o tem. Vitória soube aproveitar o que tinha e tirar grande rendimento dos jogadores. Se assim não fosse os maiores clubes europeus não se teriam interessado pelos nossos jogadores e não teriam pago dezenas de milhões por eles.

Rui Vitória continua pois a ter as qualidades que tinha há dois anos. No entanto a verdade é que não está a conseguir colocá-las em prática da mesma forma. E a verdade também é que será sempre avaliado pelos resultados que produzir. Por isso a grande questão que se coloca é se Vitória irá conseguir inverter o estado de coisas. 

O futebol do Benfica não agrada. Defensivamente a equipa é uma calamidade. 

Luisão já não tem a meu ver condições para jogar a este nível. Certamente que esta dupla, com um Jardel muito debilitado relativamente há dois anos atrás, não funciona. Não se percebe porque saiu Rúben Dias da equipa. Estava a jogar bem e a compensar um pouco a falta de velocidade da nossa defesa. Há que ter a coragem de sentar Luisão ou Jardel. Depois Almeida tem muitas limitações. Há que trabalhar outras opções. O que se passa com Douglas?

No meio campo o Benfica não consegue ter controlo do jogo nem quando está a ganhar nem quando está a perder. Pizzi não pode jogar 90 minutos todos os jogos e, a manter o presente modelo, os extremos precisam de jogar de outra maneira. 


São muitas questões para Vitória resolver mas é esse o seu papel. Acima de tudo o treinador precisa de ter energia, determinação e confiança nas suas capacidades e convicções. Só assim pode liderar estes jogadores e levá-los a inverter o rumo negativo da época. Apesar das limitações do plantel (e teremos necessariamente que ir ao mercado em janeiro) há qualidade para fazer muito melhor. Continua a haver jogadores de classe nesta equipa mas tem que se lhes dar um aproveitamento diferente. Há que procurar soluções que dêem outro equilíbrio à equipa. 



Se e quando Rui Vitória deixar de ter a energia e a confiança necessárias para liderar a equipa, então será chegado o momento de dar o lugar a outro. Ainda não estamos lá. A pausa no campeonato é uma janela de oportunidade para o treinador retomar as rédeas e fazer a equipa entrar novamente nos eixos. Esperemos que a agarre.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Estratégia (inexplicavelmente) errada deu nisto

As explicações do presidente do Benfica na AG não convencem.
Foram não explicações: descartou as culpas  de certas vendas e compras (atirando-as para cima de Rui Vitória), prometeu investir em janeiro se necessário, manifestou confiança no penta pedindo aos sócios para acreditarem. Infelizmente cada vez são menos os que acreditam...

As explicações de LFV não convencem porque o Benfica é claramente o maior clube em Portugal, aquele que tem mais receitas, já vinha de anos consecutivos de grandes vendas (Gaitan, Renato Sanches, Gonçalo Guedes, só para falar dos mais recentes), não se justificando que este ano tivesse que vender tudo o que mexe. Menos se compreende ainda que não se tenham contratado alternativas credíveis para os seus lugares. 

Ao contrário dos outros candidatos ao título que se reforçaram com jogadores de qualidade, o Benfica foi buscar o restolho de outros clubes. 

A consequência é que o plantel do Benfica está hoje completamente escavacado, sendo seguramente o pior dos últimos 10 anos. Mas já lá vamos.

Outra coisa que não bate certo no discurso de Vieira: se no fim de setembro já admite investir em janeiro, como não detectou atempadamente as carências no plantel (visíveis para qualquer leigo) antes do mercado fechar? Como é possível ao fim de dois meses de época já ser evidente a necessidade de reforçar a equipa? Se a culpa é de Rui Vitória (algo de que tenho as maiores dúvidas) então temos um treinador que não tem noção das realidades futebolísticas e que dá por isso sinais de incompetência. Qual o papel da estrutura nesta questão?

Mas talvez o mais grave de tudo isto, o que denota uma completa falta de visão, para não dizer uma cegueira irresponsável, é o facto deste desinvestimento - brutal - ser feito numa época na qual só o campeão terá entrada directa na Champions e o terceiro classificado estar automaticamente excluído da prova.

O plantel do Benfica é a meu ver o pior e mais desequilibrado dos três grandes. O Benfica não tem suficientes soluções de qualidade nem no meio campo nem na defesa. Mas há outros desequilíbrios. 

Em primeiro lugar a veterania excessiva: ter num mesmo plantel Júlio César, Luisão, Jardel, Eliseu e Jonas é muita coisa, sobretudo quando 4 deles são titulares. A isto acrescentem-se as lesões crónicas ou recorrentes de Grimaldo, Fedsa, Sálvio, Jardel, Jonas e Júlio César, e parece que gerimos uma enfermaria.

Além disso há outro desequilíbrio muito importante no plantel: a falta de dimensão física para o futebol moderno. Seja por uma constituição atlética levezinha, seja por veterania, poucos são os jogadores do Benfica hoje capazes de ganhar os duelos individuais pela sua capacidade física. Falta poder, capacidade de choque e velocidade. Jardel, no passado um dos melhores neste capítulo, foi ontem batido de forma quase infantil, denotando grandes limitações. Luisão já pouco corre, Pizzi tem pouca capacidade de choque no meio campo e Jonas também já não é capaz de recuar da mesma forma, seja para equilibrar o meio campo, seja para criar jogo. Isto para já não falar da falta de peso da ala esquerda do Benfica ou dos nossos extremos em geral. 

Demasiados problemas que deram nisto: uma equipa a passar por tremendas dificuldades, agravadas pelo facto do treinador demonstrar pouca liderança e pouca capacidade de melhorar o rendimento individual dos jogadores e colectivo da equipa.

As coisas precisam de melhorar muito ou arriscamos uma humilhação histórica contra o United e a perder de vez o comboio das equipas da frente do campeonato.






sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Aguardam-se explicações

Na Assembleia Geral desta noite, os sócios do Benfica esperam ouvir algumas explicações por parte da direcção.

Sabemos que na ordem dos trabalhos constam a aprovação das contas e relatório de gestão. No entanto certamente que o Presidente da AG e a direcção terão o bom senso de compreender que o momento requer algumas explicações de carácter mais geral, relativo à estratégia do Benfica e ao momento que a equipa de futebol atravessa. 
Não pode ser business as usual ou uma apresentação de contas feita num vazio, como se não houvesse um contexto - negativo - nas quais elas se inserem.

Em particular os sócios têm o direito de ouvir - e devem exigir - explicações acerca:

  • do desinvestimento na equipa de futebol num ano em que o 3º classificado está excluído da Liga dos Campeões e em que os prémios da competição aumentam;
  • dos planos para construir instalações de ensino no Seixal, que tipo de benefícios o Benfica espera retirar dos mesmos e quais os custos envolvidos;
  • das razões pelas quais não foram acauteladas alternativas para colmatar as saídas de jogadores fundamentais da equipa vencedora do ano passado;
  • das razões pelas quais o Benfica insiste em não reagir de forma veemente ao "caso dos emails" e qual o ponto de situação do(s) processo judicial(is) intentado(s) contra o Porto, o Porto Canal e o "diretor de comunicação" do Porto;
  • qual a estratégia e o rumo para reverter os recentes maus resultados e ambiente negativo na equipa de futebol?


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Falta qualidade

A derrota de ontem é pesada e custosa mas é o resultado necessário de uma política de desinvestimento que vem sendo seguida há 3 anos no Benfica.
Há aparentemente uma aposta total na formação, com reflexo no desinvestimento na equipa principal de futebol: ao passo que se planeiam obras megalómanas no Seixal, vendem-se os melhores jogadores da equipa.
O Benfica está portanto a apostar no futuro. O problema á que descurou demasiado o presente.

Esta aposta pode ser estrategicamente correcta (só o futuro o dirá) - no entanto este não seria certamente o ano para a assumir de uma forma tão acentuada. Isto porque este ano os prémios na Champions subiram e, por outro lado, só o campeão nacional terá acesso directo à competição na próxima época. O segundo classificado disputará a pré-eliminatória (que pode trazer um adversário muito complicado) e o terceiro pura e simplesmente está excluído da competição.

Pensar que o Benfica está a dar algum avanço competitivo aos seus rivais no acesso a uma competição que vale dezenas de milhões é algo que custa a crer.

Porque é disso que se trata: o Sporting investiu na sua equipa, reforçando-se nas posições onde tinha carências e o Porto - impedido de investir pelo Fair Play financeiro da UEFA -  não vendeu um único jogador e chamou os emprestados que tinha, alguns com qualidade, reforçando-se ainda com um treinador que claramente fez subir os níveis de exigência.

O Benfica pelo contrário vendeu alguns dos seus melhores jogadores, os quais vinham realmente fazendo a diferença. Nélson Semedo era um dos grandes responsáveis pela dinamização do ataque do Benfica, um jogador com uma rara capacidade de subir e descer pelo corredor, com técnica, velocidade e criatividade. Éderson pode vir a ser um dos melhores guarda-redes do mundo e foi certamente o melhor em Portugal no último ano e meio. Lindeloff era um dos jogadores mais rápidos da nossa defesa, fiável e sempre atento. 

Ora vendendo estes três jogadores e não contratando ninguém para os substituir como se esperava que a nossa defesa não se ressentisse? Na verdade contrataram-se dois jogadores para o lugar de lateral direito mas um foi de imediato dispensado, sem que se percebesse o que se passou, e outro está lesionado (?) sem que também ninguém perceba bem porque nunca jogou. Além disso há ainda o caso de Buta que deu boas indicações mas que foi rapidamente "exportado" num empréstimo a um qualquer clube belga de segunda linha. Pelos vistos foi mais uma má decisão a somar a outras tomadas para esta posição. André Almeida ontem voltou a mostrar que não tem condições para ser a principal solução - muito menos a única - para o lugar.

Depois há o caso de Edersón e Lindelof. São dois jovens - tal como Semedo - ambos rápidos, que acudiam a muitas emergências da nossa defesa e tapavam muitos buracos. Ora foram substituídos por dois veteranos que já estavam no plantel que não têm a mesma velocidade nem disponibilidade física. Luisão neste momento - e não há como o esconder - não tem capacidade para jogar nos níveis de exigência da Champions. Não há portanto dúvida de que o Benfica ficou mais fraco na defesa. 

De resto a única contratação sonante que houve para a equipa principal foi Seferovic. Parece-me um bom jogador, mas no melhor dos casos, pelo que se tem visto, será equivalente a Mitroglou. No pior caso ficaremos novamente a perder. Houve ainda Gabriel Barbosa que aguardamos para ver e Krovinovic que está muito longe de ser um valor seguro.

Em suma, as vendas fragilizaram a equipa - muito - e as contratações não acrescentaram nada. 

A SAD achou que o Benfica tinha uma tal bagagem de vitórias que a coisa continuaria o seu curso mais jogador menos jogador. A questão é que nem sempre aparecem jogadores como Nélson Semedo, Renato Sanches, Lindelof e Ederson. E Luisão, Júlio César e Jonas estão numa fase adiantada de veterania e o seu rendimento já não é o mesmo, ao passo que Fedsa e Jardel são clientes habituais do departamento médico.

Penso que se deixou chegar o plantel a um ponto preocupante: os realmente bons são veteranos, ao passo que entre os jovens a qualidade já é menos evidente. Em janeiro poderão ser feitos ajustes pontuais mas esta relação idade/qualidade não vai ser fundamentalmente alterada. É por isso que termino este artigo da mesma forma que o anterior: é basicamente com estes jogadores que a época terá que ser gerida. Já não falo em grandes conquistas, mas apenas em objectivos mínimos.
Um deles seria o de não passar mais vergonhas como a de ontem à noite.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

É preciso regressar à base

O resultado de ontem não me espantou. Os problemas do Benfica nunca se resolveriam num jogo da Taça da Liga no qual a maioria dos titulares estavam ausentes. 

A boa notícia é que apesar deste início aos tropeções nada está ainda perdido. A Supertaça foi vencida, a Taça ainda não começou e o atraso no Campeonato não é irreversível, ao passo que a Taça da Liga será uma competição menos prioritária, que seria positivo vencer mas que não determinará o balanço final da época. Quanto à Liga dos Campeões parece-me difícil conseguir a classificação para os oitavos mas pelo menos a qualificação para a Liga Europa é exigível e não está comprometida. Em suma, será o Campeonato a determinar a época.

No entanto há alguns equívocos a corrigir e algumas retificações a fazer no imediato e o jogo de ontem contribuiu para o firmar de algumas conclusões nesse sentido.

A primeira é de que Júlio César deverá ser, sempre que disponível, o guarda redes do Benfica. Varela é um jovem com valor mas Júlio dá uma segurança diferente à baliza e contribui para a estabilização do sector defensivo.

O regresso de Jardel é uma boa notícia, mas ficámos a saber que Rúben Dias é uma promessa interessante e pode até ser uma alternativa válida.

Não sei o que se passa com Douglas mas ou o jogador recupera e dá provas no imediato ou teremos que ir ao mercado em Janeiro buscar uma alternativa a André Almeida. Este é um jogador dedicado e combativo, com alguns recursos mas que não dá muita dinâmica ao corredor. Ser-lhe-á impossível ser titular a época inteira com todas as competições em causa mantendo um rendimento elevado e constante. Parece-me que o empréstimo de Buta poderá ter sido precipitado.

No meio campo a fragilidade de Fejsa é um problema que já teve consequências, com os maus resultados que se verificam desde a sua lesão, e poderá também ditar uma ida ao mercado. Ficou ontem definitivamente provado (se mais provas fossem precisas) que Filipe Augusto não tem condições para ser titular no Benfica. É um equívoco (?) e um corpo estranho àquele meio campo. Não ataca bem nem defende bem. Samaris voltou ontem a fazer um jogo medíocre mas sabemos que tem capacidade para jogar ali: é um jogador tricampeão no Benfica, com mais de 100 jogos pelo Benfica, que jogou em dérbies e clássicos que vencemos, titular da seleção grega. Por isso Samaris tem que ser sempre o suplente de Fejsa.



Nas alas não se entende a constante rotatividade. Parece-me claro que Rafa para já não é opção: ou Vitória não sabe explorar as características do jogador ou este não consegue gerir o peso da camisola; em qualquer dos casos o rendimento é nulo e não há que insistir. Dê-se tempo ao jogador para recuperar a confiança e volte-se depois a tentar. Cervi pelo contrário já mostrou ser a solução para a esquerda e não se percebe porque deixou de jogar. Na direita Sálvio tem sido o mais constante - e deve ser o titular -  mas o seu esforço precisa de ser gerido.

Estas parecem-se ser as mudanças (que no fundo são um regresso à base) que se exigem para a equipa estabilizar. O que se trata agora é de aguentar o barco, ir ganhando os jogos, com maior ou menor dificuldade e esperar que nada fique comprometido até dezembro. Até lá é com estes que teremos que ir à guerra.

Finalmente uma nota para Rui Vitória. O momento é delicado e percebe-se que procure soluções alternativas que contribuam para contrariar esta fase menos boa. Não deve porém alterar o sistema - vencedor - dos últimos anos, sob pena de perder a única vantagem que ainda detemos - uma bagagem de vitórias e uma habituação da equipa a um modelo. As experiências de ontem em 4-3-3 parecem um pouco deslocadas e um sintoma de algum desnorte: colocar Gabriel na faixa não faz sentido. Há dois anos, sob grande pressão, Vitória conseguiu agarrar o leme e manter a cabeça fria. Precisa de voltar a exercer essa disciplina mental para superar a presente fase negativa.

domingo, 17 de setembro de 2017

Desastroso mas previsível

Quando o Benfica vendeu três titulares da sua estrutura defensiva e contratou apenas um jogador (e mesmo no fecho de mercado) para o sector era evidente que se estava a correr um grande risco, especialmente face às persistentes lesões de Jardel e à veterania de Luisão.
Quando Jardel e Fejsa se lesionaram a situação tornou-se periclitante.
Quando Rui Vitória decidiu ostracizar Samaris e dar a titularidade a Filipe Augusto, era evidente que o desastre estava apenas à espera de acontecer.

É difícil sequer analisar o jogo de jogo. Foi tudo tão mau que nem vale a pena bater no ceguinho. Varela deu um frango monumental, o que acontece. O problema é que quando se tem simultaneamente em campo Varela, Rúben  Dias e  Filipe Augusto, o erro torna-se bem mais provável.
Numa equipa bem oleada, ganhadora e confiante, é possível integrar um destes jogadores jovens sem que o rendimento colectivo seja afectado significativamente. Com o tempo esse jogador pode ascender aos patamares de rendimento exigíveis e passado mais algum tempo ser ele a integrar um novo jovem.
Numa equipa num péssimo momento como é neste momento o Benfica, qualquer jogador jovem está a ser "lançado às feras" e sujeita-se a "queimar-se" muito rapidamente.
Isto aplica-se porém sobretudo a Varela - que devia ter dado o lugar a Júlio César no jogo da Liga dos Campeões - e a Rúben Dias. No caso de Filipe Augusto, é completamente inaceitável e quase inconcebível que Rui Vitória, com Samaris no banco, opte por esta não solução para o nosso meio campo. Custou-nos já um atraso difícil de recuperar tanto na Champions quanto no campeonato. E Vitória que não me venha com estatísticas nem com apologias do jogador (quando ele próprio sempre diz que não gosta de individualizar). Faz-me lembrar Souness a defender Thomas. Mas o que é isto?

A defesa do Benfica é hoje uma calamidade e isso resulta principalmente dos dois factores que já apontei acima e que estavam à vista de toda a gente: por um lado uma defesa onde não abunda muito a qualidade, por outro um meio campo que pura e simplesmente não cobre. Jogo após jogo qualquer ataque mediano nos coloca em pânico. Jogo após jogo sofremos golos. Muitos dos golos sofridos parecem de apanhados: cortes falhados uns atrás dos outros, jogadores a cair, a chutar contra o adversário, a não conseguirem limpar a bola da área. O que é isto? Isto é uma equipa tetracampeã??

Quando as coisas correm mal tiram-se defesas, adaptam-se jogadores e joga-se com 3 e 4 pontas de lança, sem que se faça um cruzamento em condições para a área.

Rui Vitória parece completamente desorientado e precisa urgentemente de rever o que está a fazer. Rui Vitória está a ser prepotente e teimoso, ao embirrar com jogadores como Jimenez e Samaris, com enorme prejuízo para a equipa. O próprio mau rendimento de Lizandro (sinceramente tenho dúvidas em relação à suposta doença que o afastou do Bessa) pode ter a ver com o facto do jogador sentir que o treinador não lhe dá oportunidades e que o tira à primeira oportunidade (como aconteceu com o CSKA numa substituição incompreensível). Num plantel já de si com pouca qualidade, deixar no banco jogadores como os já referidos e Júlio César é "criminoso".

Claro que Vitória não tem culpa da falta de soluções. O que a administração fez neste mercado é algo de indesculpável. Como é que um clube "falido" como o Sporting se reforça com jogadores de qualidade inegável e o Benfica depois de anos a facturar centenas de milhões não apresenta uma única contratação de jeito para os sectores mais fragilizados? Isto para já nem voltar à questão de Augusto. É um rapaz esforçado, seguramente um excelente profissional e nunca o assobiarei ou insultarei, mas obviamente não é para estas andanças. A dispensa de Horta faz ainda menos sentido perante esta situação.

No entanto Vitória está a dar tiros nos pés e a tornar uma situação já de si complicada numa situação possivelmente calamitosa. Ou arrepia caminho e volta à postura do primeiro ano ou se continua neste caminho não acaba a época. Nada ainda está perdido mas as coisas estão muito complicadas neste momento. É preciso uma mudança séria e as notícias de constantes entradas e saídas na estrutura também não ajudam à estabilidade que será precisa nesta fase. Não venham é com o discurso de que os adeptos têm que fazer isto e aquilo. Os adeptos gastam o seu dinheiro para que todos estes profissionais ganhem os milhões que ganham. São eles e não nós quem tem que fazer muito mais e melhor.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

É favor subir o nível

O espectáculo deprimente do director de comunicação do Porto ameaça arrastar o futebol para novos níveis de indecência e indignidade.

Tenho evitado falar no assunto porque sinceramente me enoja. Mantenho no essencial o que já disse, que até ao momento não vi provas de que algo de irregular se tenha passado, mas que se investigue tudo.

As "revelações" do canal Porto irão supostamente continuar porque "o melhor está para vir". É uma estratégia de desgaste que se arrasta nesta telenovela de péssima qualidade, deprimente mesmo.

Andam espiolhando e coscuvilhando comunicações privadas, sempre em busca de coisas picantes, transformando-as em espectáculo público. Não entendo como é isto possível num Estado de Direito: todas as pessoas têm direito à sua privacidade, sendo inaceitável serem expostas em público, de forma parcial e selectiva, a insinuações e acusações por parte dos seus inimigos.

Isto não invalida, como disse, que se investigue tudo. Mas quem fará a investigação adequada são as instâncias legais e não um qualquer personagem de uma novela nortenha de terceira categoria.

Se tudo achávamos já ter visto, nas duas últimas semanas conseguiram voltar a surpreender-nos. Agora acusam o Benfica de ter recorrido a um "bruxo" da Guiné Bissau. Mais uma vez, a serem os mails legítimos, estamos no terreno do crime de violação de correspondência e de exposição indevida da vida privada, pelo que não se percebe como não foram já accionadas medidas para de imediato parar esta actuação do Porto.

Mas se a "acusação" me parecia absurda, aquilo que se tem vindo a saber deixa-me ainda mais perplexo. Veio-se a saber (não através de emails indevidamente violados mas de testemunhos de intervenientes) que o Porto teve "bruxos" durante anos e anos. Que nalguns casos acompanham a equipa com regularidade. Algo que torna a "acusação" ao Benfica ainda mais absurda, se é que tal é possível.

Mas a reacção de Rui Gomes da Silva é também ela surpreendente. Quando se esperava que desmentisse e ridicularizasse a estória, enveredou por uma linguagem jurídica e calculista (desafio a fazerem uma peritagem à assinatura [do suposto contrato]) no programa "O Dia Seguinte". Para além disso, deixou também por estes dias de ser colaborador d' "A Bola" e anunciou que irá colaborar com o blog "Novo Geração Benfica"...

A terminar, não deixo de notar que Pedro Guerra prometera "revelações" bombásticas sobre Bruno de Carvalho para esta semana no "Prolongamento" mas ... o programa não se realizou! Já estava previsto que o programa não se realizaria? Pedro Guerra já o sabia quando prometeu essas "revelações"? Tudo é estranho porque o Sporting ficou aparentemente muito preocupado e até fez comunicados quando apenas havia essa "ameaça".

Enfim, não é por acaso que estamos na silly season.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Uma oportunidade única

Vou rapidamente passar por cima da controvérsia dos emails. Se algo de errado ou ilegal se passou, que seja investigado até às últimas consequências e os eventuais culpados devidamente punidos. No entanto nada do que até ao momento veio a público me parece susceptível de condenação. São conversas, mais ou menos próprias, cada um fará o seu juízo, com pouco ou nenhum contexto, que não indiciam (pelo que vi até ao momento) nenhum facto grave. O Benfica não precisa de favores nenhuns de arbitragem - precisa somente de não ser deliberadamente prejudicado. Sabemos que o Porto controlava a arbitragem e que era preciso desmontar esse sistema. É nesse sentido que interpreto os emails de Paulo Gonçalves. Quanto ao resto, não gosto de proximidades com os árbitros ou as arbitragens e penso que se podem por essa via criar situações dúbias que há que evitar a todo o custo.

Percebe-se que há uma estratégia de desgaste e difamação por parte de Porto e Sporting. Os gabinetes de "informação" não passam de centrais de propaganda destinadas a manipular os factos e acicatar os ânimos em permanência. Os chefes desses gabinetes inspiram-me tanta confiança como o presidente Maduro da Venezuela.

Dito isto, a época futebolística do Benfica voltou a ser de tremendo sucesso. O Benfica venceu as principais competições - e convenceu. Alcançámos o primeiro tetra da nossa história, apesar da aliança ímpia e interesseira "dragarta" e sua da constante propaganda, e fizemos mais uma dobradinha. O Benfica foi claramente a melhor equipa, não tendo perdido um único jogo contra os rivais. 

Face a este quadro e às grandes dificuldades financeiras com que se deparam os nossos adversários, apresenta-se ao Benfica uma enorme oportunidade de fazer ainda mais história. O Benfica tem todas as condições para conquistar o penta. Temos o balanço dos últimos anos, continuamos a ter (até agora) o grosso dos jogadores campeões (embora no sector defensivo se verifiquem muitas saídas) e enfrentamos adversários que muito sinceramente não estão no nosso patamar em vários dos factores críticos do sucesso. 

O Benfica precisa claramente de colmatar saídas importantes e reforçar-se com qualidade. Face às vendas (quase astronómicas), temos opções para tal. O Benfica pode efectivamente (ao contrário dos seus rivais) gastar para contratar jogadores de classe. Que são aqueles que fazem a diferença. O Benfica foi campeão por um conjunto de factores (a estabilidade e condições dadas aos atletas, o excelente  trabalho que Rui Vitória fez, a massa adepta) mas um deles é provavelmente o mais determinante: teve os melhores jogadores. O Sporting tem um ponta de lança extremamente eficaz mas o Benfica tem 3 pontas de lança, todos eles diferentes, todos eles de grande qualidade. Jonas evidentemente que se destaca pela classe e é capaz de trazer aquela ponta de qualidade extra que muitas vezes faz pender a balança. No entanto Jimenez (nem sempre aproveitado ao máximo) também me parece ter esse pozinho extra, ao passo que Mitroglou, quando em forma, é extremamente eficaz. 
Pizzi é outro jogador de classe, como o é Sálvio (no fim da época muito desgastado), como é Grimaldo e outros. Nélson Semedo é outro jogador que se distingue de toda a concorrência pela sua capacidade física e não só. São estes jogadores que colocam o Benfica sempre mais próximo de ganhar. Saindo algum deles (para além das transferências confirmadas de Lindelof e Édeson) terão que ser substituídos por outros jogadores de classe.

Em suma, o Benfica tem agora uma oportunidade única, dada a sua posição financeira e a qualidade do seu plantel, para ganhar de forma sustentada. Cada ano mais que ganhamos colocamos mais pressão sobre os adversários, as suas finanças e a estabilidade da sua estrutura. O Porto vai começar do zero pelo quinto ano consecutivo. Novo treinador, plantel muito transformado (e pouco dinheiro para investir em bons jogadores) e muita pressão para ganhar, com Pinto da Costa já desgastado e sem margem para novos fracassos. No Sporting a relação entre o presidente e o treinador está num ponto muito baixo. Eles estão atados um ao outro pelo valor exorbitante da indemnização que uma saída implicaria para quem assumisse o divórcio mas qualquer insucesso será sempre atirado para cima do outro (ou porque não deu as condições necessárias para ganhar ou porque falhou apesar do maior salário do futebol português). A equipa do Sporting não deverá melhorar, sendo que alguns dos jogadores mais conceituados deverão sair, por o seu rendimento não ter correspondido ao esperado. A questão é que dificilmente contratarão melhor.

Para concluir, estas condições favoráveis só se traduzirão em resultados positivos se o Benfica enfrentar a competição com a seriedade e o rigor que tem usado, sem facilitismo nem subestimar os adversários. Sabemos como se geram ondas positivas se uma equipa começa a ganhar um ciclo importante de jogos e como isso tantas vezes transforma plantéis razoáveis em equipas vencedoras. Nada está portanto de modo algum garantido. Acontece só que temos uma boa plataforma a partir da qual podemos construir mais uma época de sucesso. Mas para tal é preciso fazer as coisas bem. Nomeadamente assegurar mais uma vez um plantel de grande qualidade, a começar pelo sector defensivo onde se verificam várias saídas.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O Benfica voltou

A quebra de um ciclo negro

Agora sim, podemos considerar que o Benfica voltou a vencer de forma consistente e continuada. Foi esse o seu timbre durante largas décadas, mas infelizmente um período de desacerto irresponsável e criminoso na gestão levou a que estivéssemos 7 anos sem ganhar nada e 11 anos sem um campeonato. O jejum de títulos foi quebrado na época 2003/04 com a conquista da Taça de Portugal por Camacho (contra o Porto de Mourinho) e logo no ano seguinte chegaria o título de campeão. Esse título fica ligado a meu ver a três nomes; obviamente ao treinador, a velha raposa Trapattoni, ao nosso melhor jogador da altura, Simão, que fez uma época brutal, e a Luisão pelo golo decisivo marcado ao Sporting na penúltima jornada do campeonato.
No entanto esse título não teve continuidade. Depois de termos vencido a Supertaça no ano seguinte, enfrentámos nova seca de títulos e permitimos um novo "tetra" ao Porto.
Depois chegou Jorge Jesus e vencemos o campeonato com grande autoridade, impondo uma série de goleadas ao longo da época. Tínhamos uma grande equipa. Mas novamente não soubemos edificar sobre essa vitória e os três anos seguintes seriam de constantes desilusões, tendo-se permitido novo "tri" ao Porto. As taças da Liga atenuaram um pouco o sofrimento, mas só isso.
Finalmente com a presente conquista de 4 campeonatos podemos dizer que o ciclo negro está quebrado. O Benfica soube construir sobre as vitórias, conseguindo uma sucessão de títulos: 11 nos últimos 4 anos. Mas isto não acabou. Pelo contrário, no futebol cada ano é como se começasse do zero, pelo que o que se espera é que o ciclo virtuoso se prolongue. E as condições para tal existem.

Uma dupla dobradinha

Ao vencer a Taça o Benfica conseguiu a almejada dobradinha. A anterior aconteça há 3 anos, mas antes disso tínhamos que recuar até à época 86/87 para encontrar uma dupla vitória benfiquistas nas principais competições nacionais. De destacar também que em 2013/2014 conquistámos campeonato, taça e taça da Liga, vindo no ano seguinte a juntar-lhes ainda a supertaça. 
A dobradinha deste ano tem entretanto um significado adicional: é que ao conquistar o 36º título nacional, o Benfica dobra os campeonatos do Sporting (18). É isto - e só isto - que explica a razão pela qual o presidente do Sporting se lembrou este ano de querer juntar os campeonatos de Portugal à contabilidade dos campeonatos nacionais. Recorde-se que esta competição era disputada no sistema de eliminação, pelo que foi assimilada à Taça. Não há qualquer razão aparente para o desejo do presidente do Sporting. O que ficaria o Sporting a ganhar atendendo a que venceu esta competição (disputada nos anos 20 e 30 do século passado) o mesmo número de vezes que Porto e apenas mais uma do que o Benfica? Aparentemente nada. No entanto se esses títulos fossem contabilizados como campeonatos o Benfica já não dobraria, como agora fez, o número de campeonatos do Sporting.

Reforço do estatuto de clube com mais títulos

O Benfica é o clube com mais campeonatos e mais taças, num total de 62. Porto (43) e Sporting (34) estão a uma grande distância. No entanto, na contabilidade total o Porto está bem mais perto, tendo inclusivamente a dada altura chegado a ultrapassar o nosso clube, algo que só nos últimos anos conseguimos reverter. Há uma causa principal para isto: o Porto tem um número astronómico de supertaças - 20, contra apenas 6 do Benfica. Também em termos europeus o Porto tem mais títulos: 7 contra 2 do Benfica (a Taça Latina vencida pelo nosso clube continua a não ser contabilizada por alegadamente não ser uma prova oficial).
Assim o total de títulos (que em agosto de 2013 nos dava uma destantagem para o Porto 69-74) indica neste momento 80 para o Benfica contra 74 para o Porto. 



quarta-feira, 24 de maio de 2017

A ilusão do video-árbitro

A FIFA cedeu à pressão das tecnologias e permitiu a introdução do vídeo-árbitro no futebol profissional.


Benfica e Guimarães serão no domingo as cobaias nacionais para este exercício que alguns iluminados acham que será a salvação do futebol, mas sobre o qual tenho as maiores reservas.


A primeira experiência ocorreu, recorde-se no mundial de clubes e a trapalhada foi completa: o jogo a ser interrompido para "voltar" a uma situação que ocorrera minutos antes, ninguém sem saber muito bem o que fazer, os jogadores a manifestarem veementes protestos. Dir-se-á que com a prática as coisas melhorarão mas eu estou convencido de que algo mudará no futebol para pior e vou explicar as razões para tal.

Um dos argumentos normalmente apresentados em favor do vídeo-árbitro é a sua utilização no râguebi e no futebol americano. Se estes desportos o usam e com "sucesso", então o futebol está a ser retrógrado em não introduzir a análise das imagens para avaliar os lances.

Mas será que a comparação faz sentido? A meu ver não. O futebol americano é um desporto completamente desinteressante para a maioria dos europeus pelo facto de estar sempre parado. Joga-se alguns segundos, há uma placagem ou um passe perdido e o jogo é interrompido para novamente organizar as linhas. Cada jogo demora horas. O râguebi, sendo um jogo mais movimentado, não é no entanto comparável ao futebol na velocidade do jogo. Existem formações espontâneas e formações ordenadas (incluindo os lançamentos laterais) nas quais a bola está parada durante largos segundos e a velocidade média dos jogadores não se compara ao futebol. Para perceber a diferença de dinâmica dos dois jogos basta pensar que para 15 jogadores de râguebi existem apenas 10+1 no futebol. Ao que acresce que o campo de futebol é maior. No râguebi a progressão é feita através de jogadores que correm com a bola (e só a podem passar para trás), ao passo que no futebol a bola pode ser passada rapidamente para a frente e a longas distâncias. 

Consequentemente o futebol é um jogo muito mais rápido do que o râguebi, a que acresce que tem uma maior percentagem de jogo jogado (eliminando os tempos mortos). Enquanto no râguebi o jogo jogado é em média cerca de 45%, no futebol este valor sobe para quase 60% (números médios nos jogos internacionais). Isto para já nem falar do futebol americano. Aí o tempo de jogo diminui para uns míseros 11 minutos... Ao longo de um jogo que se prolonga por 4 horas... Isto pode ser um sucesso para os patrocinadores que têm tempo televisivo quase inesgotável mas dificilmente o será para os espectadores.

As consequências são as seguintes: se no râguebi, um jogo já de si lento, o impacto da paragem para revisão dos lances pelo vídeo-árbitro pode ser relativamente diluído, no futebol esse impacto será muito maior, representando uma quebra importante no ritmo de jogo. Às paragens de jogo para assistência aos jogadores (paragens que desagradam muito aos espectadores) acrescentar-se-ão  timeouts arbitrais. A fluidez e o ritmo de jogo serão fortemente afectados. O impacto negativo para o jogo enquanto tal poderá ser brutal.


Acresce que o vídeo-árbitro, ao contrário do que pensam os seus grandes partidário, não resolverá os problemas da arbitragem e não eliminará as polémicas. 


Por todas estas razões tenho as maiores dúvidas de que este sistema venha a melhorar o futebol. Pelo contrário. A não ser que sejam introduzidas regras muito claras e que o recurso ao sistema seja apenas excepcional, para corrigir ou impedir erros flagrantes, há um risco grande do vídeo-árbitro vir a estragar o futebol tal como o conhecemos e apreciamos.