terça-feira, 2 de maio de 2017

Alerta máximo

Depois de uma exibição consistente em Alvalade, onde apesar do início desastroso o Benfica conseguiu um resultado menos mau, denotando maturidade; e do quase inacreditável empate do Porto em casa com o Feirense que nos permitiu manter a distância segura de 3 pontos; esperava-se que o Benfica pudesse fazer uma exibição convincente com o Estoril e se possível superar a diferença de golos relativamente ao Porto.

Infelizmente porém, o Benfica fez uma exibição surpreendentemente tremida, mostrando pouca consistência a defender, um meio campo muito pouco dominador e um ataque lento e perdulário. Valeu Jonas...

O Benfica teve já neste campeonato algumas hipóteses de dar o "cheque-mate" ao Porto e assegurar o Tetra. Uma delas foi no jogo em casa com o Boavista no fim da primeira volta. Nesse jogo estranho, no qual o Boavista marcou três golos irregulares (um em fora de jogo claro, outro em falta sobre André Almeida e outra resultando da cobrança de um livre que não existiu) em 20 minutos, nas únicas ocasiões nas quais o adversário se acercou da nossa baliza, ganhando o Benfica teria praticamente sentenciado o campeonato. Pelo contrário, depois desse empate desbaratámos a nossa vantagem, chegando a ter estado em posição de poder perder a liderança. Depois houve o jogo em casa com o Porto, no qual a vitória também teria praticamente arredado o nosso adversário da luta. Estivemos em vantagem, estávamos "por cima" no jogo, mas permitimos que o adversário entrasse na segunda parte a dominar e conseguisse o golo do empate.
Felizmente, nas outras "escorregadelas" como Paços ou Alvalade, o Porto também não se resistiu à pressão e acabou por claudicar em jogos que tinha todas as condições para - e mesmo a obrigação de  - ganhar. 

As circunstâncias são porém agora diferentes e não podemos mais contar com benesses alheias. O jogo do Porto em Chaves mostrou um adversário muito timorato que não criou as dificuldades que o Estoril nos criou (ou que o Feirense e o Setúbal criaram ao Porto noutra fase da prova). Se o Porto ganhar na Madeira (acredito que o Marítimo não facilitará mas isso não garante que possa "roubar" pontos ao Porto) o Benfica entrará em Vila do Conde sob forte pressão. É por isso bom que a equipa esteja preparada para esse cenário e que não exiba a tremideira que se viu nos dois jogos contra o Estoril (aflitivos mesmo na nossa incapacidade de controlar a posse de bola e o jogo). Não há razões para tal: o Benfica tem provavelmente a melhor equipa do campeonato e está numa posição privilegiada para ser campeão.

Também me parece no entanto que o mau jogo com o Estoril tem algumas causas, as quais podem ser de algum modo combatidas. Há, como já referi, um subrendimento do nosso meio campo: Pizzi quase não faz faltas para evitar o 5º amarelo, com isso perdendo capacidade de controlar os adversários, Fedja está a meu ver num mau momento de forma errando muitos passes e perdendo bolas nada normais nele e Sálvio, apesar de toda a sua classe, é neste momento quase um jogador a menos. É verdade que surge por vezes em zonas de finalização e nalgumas das jogadas mais perigosas da equipa, mas a quantidade de bolas que perde é aflitiva, criando instabilidade na equipa. Penso que já devia ter ido para o banco. Não tendo acontecido, ouviram-se na Luz fortes assobios que o argentino não merece mas que se compreendem pela insistência de Rui Vitória no jogador. Ainda por cima existem muitas alternativas, desde logo o "motorzinho" Zivkovic e o supersónico Rafa. Carrilho voltou a entrar mal no jogo e a mostrar que não deveria ser a primeira opção a partir do banco. Falta-lhe arranque, confiança e capacidade de enfrentar o um para um. Finalmente Jimenez mostra estar num momento de forma bem melhor do que Mitroglou. Digo isto não apenas pela falta de golos do grego (que tem sido muito importante ao longo da época) mas pela capacidade física do mexicano que muito pode contribuir para sermos uma equipa mais incómoda para os adversários, quer quando iniciam as suas jogadas ofensivas, quer quando são surpreendidos em contrapé.

Quanto ao resto, quanto às substituições defensivas de Rui Vitória (tirando um avançado para colocar Filipe Augusto), embora não me agradem e me pareça que convidam o adversário a atacar, a verdade é que têm dado resultado e quando assim é não há muito a dizer. Sobretudo numa fase tão delicada da época na qual já não há tempo nem para errar nem para mudar muita coisa. O Benfica deste ano é uma equipa resultadista, ao estilo Trappatoni. Ninguém se importará muito com isso - desde que no fim sejamos campeões. Para isso precisamos porém de jogar mais e melhor. Não podemos estar com o credo na boca nos três últimos jogos, sob pena de termos um final de época muito amargo. Não basta dizer que vamos ser humildes e encarar os jogos como finais e que nada está ganho. O Benfica precisa de jogar melhor, de mais confiança e de mais energia. E existem jogadores que têm estado no banco com capacidade de acrescentar nesses capítulos. Isto não é agoirar, é alertar para algo que, como penso que a maioria dos benfiquistas, é patente. Há que o perceber atempadamente pois, como referi, estamos na frente e temos todas as condições para ultrapassar a meta em primeiro. Não podemos é deixar tudo nas mãos da sorte ou até de uma decisão arbitral. Num momento elas podem-nos ser desfavoráveis e deitar tudo a perder. Em Vila do Conde é preciso que regresse o Benfica dominador que não dê hipóteses ao seu adversário.