quarta-feira, 24 de maio de 2017

A ilusão do video-árbitro

A FIFA cedeu à pressão das tecnologias e permitiu a introdução do vídeo-árbitro no futebol profissional.


Benfica e Guimarães serão no domingo as cobaias nacionais para este exercício que alguns iluminados acham que será a salvação do futebol, mas sobre o qual tenho as maiores reservas.


A primeira experiência ocorreu, recorde-se no mundial de clubes e a trapalhada foi completa: o jogo a ser interrompido para "voltar" a uma situação que ocorrera minutos antes, ninguém sem saber muito bem o que fazer, os jogadores a manifestarem veementes protestos. Dir-se-á que com a prática as coisas melhorarão mas eu estou convencido de que algo mudará no futebol para pior e vou explicar as razões para tal.

Um dos argumentos normalmente apresentados em favor do vídeo-árbitro é a sua utilização no râguebi e no futebol americano. Se estes desportos o usam e com "sucesso", então o futebol está a ser retrógrado em não introduzir a análise das imagens para avaliar os lances.

Mas será que a comparação faz sentido? A meu ver não. O futebol americano é um desporto completamente desinteressante para a maioria dos europeus pelo facto de estar sempre parado. Joga-se alguns segundos, há uma placagem ou um passe perdido e o jogo é interrompido para novamente organizar as linhas. Cada jogo demora horas. O râguebi, sendo um jogo mais movimentado, não é no entanto comparável ao futebol na velocidade do jogo. Existem formações espontâneas e formações ordenadas (incluindo os lançamentos laterais) nas quais a bola está parada durante largos segundos e a velocidade média dos jogadores não se compara ao futebol. Para perceber a diferença de dinâmica dos dois jogos basta pensar que para 15 jogadores de râguebi existem apenas 10+1 no futebol. Ao que acresce que o campo de futebol é maior. No râguebi a progressão é feita através de jogadores que correm com a bola (e só a podem passar para trás), ao passo que no futebol a bola pode ser passada rapidamente para a frente e a longas distâncias. 

Consequentemente o futebol é um jogo muito mais rápido do que o râguebi, a que acresce que tem uma maior percentagem de jogo jogado (eliminando os tempos mortos). Enquanto no râguebi o jogo jogado é em média cerca de 45%, no futebol este valor sobe para quase 60% (números médios nos jogos internacionais). Isto para já nem falar do futebol americano. Aí o tempo de jogo diminui para uns míseros 11 minutos... Ao longo de um jogo que se prolonga por 4 horas... Isto pode ser um sucesso para os patrocinadores que têm tempo televisivo quase inesgotável mas dificilmente o será para os espectadores.

As consequências são as seguintes: se no râguebi, um jogo já de si lento, o impacto da paragem para revisão dos lances pelo vídeo-árbitro pode ser relativamente diluído, no futebol esse impacto será muito maior, representando uma quebra importante no ritmo de jogo. Às paragens de jogo para assistência aos jogadores (paragens que desagradam muito aos espectadores) acrescentar-se-ão  timeouts arbitrais. A fluidez e o ritmo de jogo serão fortemente afectados. O impacto negativo para o jogo enquanto tal poderá ser brutal.


Acresce que o vídeo-árbitro, ao contrário do que pensam os seus grandes partidário, não resolverá os problemas da arbitragem e não eliminará as polémicas. 


Por todas estas razões tenho as maiores dúvidas de que este sistema venha a melhorar o futebol. Pelo contrário. A não ser que sejam introduzidas regras muito claras e que o recurso ao sistema seja apenas excepcional, para corrigir ou impedir erros flagrantes, há um risco grande do vídeo-árbitro vir a estragar o futebol tal como o conhecemos e apreciamos.

Concentração

Nos últimos dias foram múltiplas as notícias negativas contra o Benfica. Afinal, há que dar um pouco de ânimo aos nossos adversários: um deles acabou de despedir o treinador que supostamente ia trazer de volta o "somos Porto", o outro tem um treinador pago a peso de ouro que já só se quer ir embora mas o seu presidente não o deixa. Ambos investiram fortemente nos plantéis para não ganhar nenhum título. Ambos andaram a reclamar que o Benfica era ajudado pelos árbitros e no fim do campeonato nem mesmo ajudados eles pelos árbitros foram capazes de fazer coisa alguma.

Dá-se assim a coisa espantosa de que antes ainda da época acabar já temos os nossos adversários a prometer que vão ser campeões... Foi o caso de Layun e de Piccini... 

Entre as estórias negativas mais reportadas destacam-se o castigo de Samaris e a recomendação de um inquérito a Rui Vitória. Adenda: Isto para já nem falar sobre a alegada investigação da "Sábado" aos negócios de Luis Filipe Vieira e os rumores das saídas de quase todos os jogadores do plantel mais o treinador.


Relativamente ao castigo, é evidente que Samaris agride o adversário mas 4 jogos é manifestamente exagerado. Em momento nenhum o grego colocou em causa a integridade física do seu adversário. Não estamos propriamente a falar de uma mão puxada atrás para magoar o adversário, de um murro dado pelas costas ou de uma cabeçada para magoar. Que eu saiba o adversário não ficou propriamente lesionado com a acção de Samaris, aliás mal esboçou uma reacção. Perigosa sim foi a cotovelada de Slimani na época anterior, dada na nuca do mesmo Samaris e à traição. Para esta acção de Samaris "valer" uma suspensão de 4 jogos, essa agressão deveria ter valido 8.


Mas nada disto espanta. Esperava-se que com toda a histeria dos dirigentes e comentadores dos clubes aliados sporto, e a complacência ou apoio de muitos media, algo deste género pudesse acontecer. Afinal de contas o Benfica já andava a ganhar "demais", sendo importante impor-lhe uma derrota. Ficaram assim os adeptos do sporto com o seu "tetra"- 4 jogos de castigo para Samaris. Eles têm sempre um ódio de estimação. Durante muitos anos foi Maxi (que agora passou a ser um menino de coro e uma vítima...), Luisão (que continua a ser) e agora é também Samaris.

O importante porém para o Benfica é a concentração para a final da Taça de Portugal. É muito importante conquistar este troféu, não apenas porque se trata de uma competição central da história do futebol português mas também para consolidar o presente ciclo de vitórias. E é certo que não será um jogo fácil. O Guimarães certamente que terá tirado ilações da goleada sofrida na Luz duas semanas antes e apresentará seguramente um plano de jogo destinado a frustrar as nossas intenções atacantes.

Por tudo isto será importante o Benfica estar focado exclusivamente no jogo de domingo e ser capaz de entrar em campo com uma grande atitude e mentalidade para conquistar mais um troféu. É importante dar continuidade e consistência a este ciclo de vitórias.