Mostrar mensagens com a etiqueta Inglaterra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Inglaterra. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A BenficaTV vale (mesmo) a pena

Habitei-me há muitos anos, por vicissitudes várias que para aqui não interessam, a assistir na TV a jogos da Liga Inglesa.

Depois da perda de qualidade da Liga Italiana, o calcio, as Ligas Espanhola e Inglesa tornaram-se as mais apelativas. O que se passou em Itália foi que as tácticas super-defensivas tornaram o futebol demasiado calculista e aborrecido. Em Inglaterra e em Espanha aconteceu o contrário: o futebol atacante começou-se a impor e os jogos tornaram-se cada vez mais entusiasmantes. O espectáculo começou a ganhar e estas ligas começaram a atrair mais receitas, conseguindo assim contratar os melhores jogadores que aos poucos de Itália se mudaram para Inglaterra e Espanha. Há uns 15/20 anos atrás o sonho de qualquer grande jogador era Itália. De facto, as principais estrelas do futebol mundial jogavam no calcio: os melhores holandeses, os melhores alemães, os melhores sul-americanos brilhavam nas equipas de topo, sobretudo o Inter, o Milan, a Juventus e o Nápoles. 

Hoje claro que não é assim. De Itália o domínio do futebol passou para Espanha, depois para Espanha e Inglaterra e neste momento, a meu ver para Inglaterra. Espanha tem duas das três melhores equipas mundiais (Barcelona e Real Madrid, à qual se juntam os bávaros do Bayern) mas a melhor Liga é a Inglesa. Isto porque em Espanha a disputa do campeonato (e da Liga dos Campeões) se limita àqueles dois, não tendo as outras equipas quaisquer hipóteses de competir ao mesmo nível, ao passo que em Inglaterra existem várias equipas de nível semelhante: Manchester United, Chelsea, Arsenal, Manchester City. 

Devido à espectacularidade do seu futebol, Inglaterra conseguiu atrair grandes receitas e com isso milionários que para lá levaram as principais estrelas.

Ronaldo não está mas esteve muitos anos, Messi nunca esteve e provavelmente nunca estará (os dois melhores do mundo em dois dos três melhores clubes mundiais), mas a "concentração" de estrelas na Premier League é enorme. United, City e Chelsea são obviamente os principais detentores destas vedetas, mas o próprio Arsenal, o Liverpool e até o Tottenham ou equipas menores como o Newcastle têm jogadores que, por exemplo, o Benfica, equipa média do futebol mundial, não poderia comportar em termos financeiros. 

Assim, Inglaterra acaba por ter a maioria dos clubes que compõem a élite do futebol mundial sendo o nível médio elevadíssimo. Acresce que em Inglaterra os estádios estão sempre cheios e o ambiente é frenético, o que confere uma enorme espectacularidade à Liga inglesa. 

Dito isto, a BenficaTV é um excelente negócio para quem a subscreve. Afirmo-o com toda a objectividade possível.

Para além dos jogos do Benfica em casa (que, confesso, não são o que mais me atrai neste momento) e da Liga Inglesa, a BenficaTV oferece aos subscritores o Brasileirão (que tem alguns bons jogos), a Liga grega (que, quando não há nada melhor para ver, também tem algum interesse), a MLS (EUA) e ainda as modalidades. Isto para além de outros programas, de debates e história do Benfica que são por vezes também interessantes. Acresce que a Liga Inglesa é transmitida em HD, o que eleva a qualidade da transmissão a um outro patamar, e que o nível da narração e dos comentários é bastante razoável. 

Por 10 euros, ter a melhor Liga do mundo e os outros produtos televisivos referidos é a meu ver um dos melhores negócios que o adepto de desporto e o benfiquista em particular pode alguma vez conseguir. Recomendo vivamente a quem ainda não tem.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Premier League, dia 7 - boa semana para Chelsea



O Chelsea venceu um jogo que esteve muito complicado e ganhou pontos ao Tottenham e ao Arsenal, tendo subido 3 posições na tabela. A equipa de Villas-Boas foi goleada (0-3) em casa pelo West Ham do experiente técnico Sam Allardyce (também conhecido como "Big Sam") e o Arsenal deixou-se empatar no terreno do WBA, assim quebrando um ciclo de 8 vitórias consecutivas em jogos fora. O Liverpool venceu com autoridade o Crystal Palace e os dois Manchesters também venceram, depois de terem estado a perder. O Tottenham acaba assim por ser o grande penalizado da jornada, tanto mais que jogava em casa e, em caso de vitória, estaria agora em 1º lugar, juntamente com Arsenal e Liverpool.

A equipa de Mourinho foi a grande beneficiada da jornada e está de novo com a liderança à vista. Num jogo em que entrou muito bem e podia ter resolvido ainda na primeira parte, contra um adversário relativamente fraco que faz da alma e do futebol simples, rápido e directo os seus principais argumentos, o Chelsea viu-se em apuros inesperados quando, já bem dentro da segunda parte, o Norwich empatou.

Chegou-se a temer o pior para a equipa londrina, tanto mais que a equipa da casa, fortemente apoiada pelo seu público, cresceu e se tornou cada vez mais ameaçadora. O Chelsea estava ademais "proibido" de perder pontos, face às vitórias de sábado de Liverpool, United e City. A estrela de Mourinho voltou porém a brilhar: sem desesperar, o manager do Chelsea tirou Demba Ba, que até fizera uma boa partida como único avançado fixo, para colocar em campo Etoo, lançando depois Hazard e o brasileiro William. Estes dois últimos viriam, num minuto, a fazer 2 golos. Primeiro foi Hazard, num mortal contra-ataque resultante de um canto favorável ao Norwich, a marcar, num autêntico frango do guarda-redes opositor. Bola ao centro e de imediato novo golo do Chelsea, desta vez num grande remate de William. Em momentos de dificuldade, o treinador português realmente não se desconjunta e as suas opções acabaram por resolver a partida. Esta vitória foi muitíssimo importante e certamente dará muita moral à equipa. Grande jogo de Ramirez e David Luiz. Este último, estar envolvido na jogada do golo do Norwich, deu imensa alma e força à sua equipa, ao passo que Ramirez deu a sua habitual força ao meio-campo londrino, a jogar no meio, atrás e à frente.

O Liverpool, jogando antes, resolveu rapidamente o seu jogo, através de excelentes combinações no ataque, com a qualidade de Suárez, Sturridge e Moses a sobressair. Com um interessante esquema de 3 defesas, a equipa dominou completamente o meio campo e os seus avançados fizeram o resto. Aos 17 minutos o resultado era já de 2-0 (Suárez e Sturridge) e aos 38 de 3-0 (Gerrard, de penalty). Depois disso a equipa desacelerou e o Palace acabaria por chegar ao golo de honra num cabeceamento resultante de uma bola parada. Vitória sem contestação e o melhor arranque de campeonato do Liverpool nos últimos anos. Caso a equipa consiga manter-se consistente e confiante poderá ser um caso sério.

Quanto aos Manchesters tiveram jogos diferentes, apesar de ambos terem começado a perder. A jogar em casa, o City sofreu um golo cedo do Everton, que iniciou a jornada na 4ª posição e sem derrotas, à frente do seu adversário na partida. No entanto o City dominou  a partida e chegou à vitória (3-1) sem surpresa, depois de ter dado a volta ao marcador ainda na primeira parte. Já o United venceu o lanterna vermelha num jogo que esteve bastante difícil e que foi desbloqueado por Januzaj, belga de origem kosavar de apenas 18 anos que ameaça vir a ser a nova estrela da equipa. Não apenas pelos golos mas pelo seu futebol de grande classe e maturidade, o jovem jogador foi a figura da partida e salvou para já um Moyes em grandes dificuldades para dar dinâmica à sua equipa. É preciso ver que o United continua a contar com jogadores de imensa classe, como Van Persie, Rooney, Nani e Evra, entre tantos outros, pelo que, apesar do impacto da saída de Ferguson, se esperaria bem mais da equipa. Apesar da vitória, o United continua a 6 pontos da liderança e caso a equipa não melhore substancialmente perderá certamente muitos mais pontos.

Quanto ao Arsenal, empatou no terreno do West Bromich Albion, num empate que se ajusta ao que se passou, embora a equipa da casa (que marcou primeiro) pudesse ter feito o 2-0 e quase resolver a partida no início da 2ª parte. O WBA venceu na passada semana o United em Anfield, pelo que já demonstrou ser uma equipa difícil de defrontar. Wenger estava satisfeito pelo resultado e por se manter na liderança, agora em igualdade pontual com o Liverpool.

Em resumo, foi uma excelente jornada para o Chelsea. Venceu fora um jogo difícil e viu o Arsenal perder pontos, beneficiando ainda das derrotas do Everton e do Tottenham para subir na classificação e estar agora com a liderança à vista. Também o City teve uma boa jornada, derrotando o Everton de Martinez e aproximando-se do topo. Para o Tottenham a desilusão foi completa. Perder 0-3 em casa contra uma equipa que tinha vencido apenas na primeira jornada e depois acumulara 2 empates e 3 derrotas nos jogos seguintes, é no mínimo surpreendente. É verdade que a equipa não foi feliz e que os dois primeiros golos do West Ham foram pelo contrário um pouco de sorte mas isso não explica tudo. Sofrer 3 golos em 12 minutos (entre os 66 e os 78 minutos) não pode deixar de fazer pensar Villas-Boas. Mais uma vez se demonstra que os exageros da imprensa portuguesa em relação à alegada excelência do trabalho do treinador português não se justificam.

A Premier League interrompe-se agora um fim de semana, tal como todas as outras ligas europeias, para os compromissos das selecções. Quando voltar, a 19, teremos uma jornada em que o principal jogo é o Newcastle-Liverpool. Para os "reds" será um bom teste, num terreno habitualmente difícil. Para manter o bom momento e começar a acreditar que poderá ser possível manter-se no topo da classificação, o Liverpool deverá vencer esta partida. Quanto aos outros candidatos, têm jogos relativamente fáceis: o Arsenal recebe o Norwich, o Chelsea o Cardiff e o United o Southampton, ao passo que o City vai ao terreno do West Ham. O Everton recebe o Hull City e o Tottenham vai ao sempre difícil estádio do Aston Villa. Everton e Spurs terão que ganhar para não perderem o comboio da frente.






sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Mourinho longe do sucesso

Nunca pertenci aos clubes de fans ou de opositores a Mourinho.

Alegrei-me pelos seus sucessos no Chelsea e sobretudo no Inter. Gostei que fosse campeão no Real (até porque não simpatizo muito com o actual Barcelona). Não gostei porém da sua postura no ano passado, quando a meu ver foi arrogante e esticou demasiado a corda ao entrar em conflito com os seus próprios jogadores. Creio também que cometeu um grande erro ao voltar ao Chelsea.

Quando chegou a Inglaterra em 2004, Mourinho encontrou um futebol em que todas as equipas jogavam de forma muito aberta e atacante. O campeonato era muito disputado e mesmo os principais candidatos perdiam muitos pontos.

Mourinho trouxe consigo um futebol muito mais calculista, resultadista e cínico do que o praticado habitualmente em Inglaterra. Com as suas indiscutíveis capacidades tácticas dotou o Chelsea de uma grande segurança defensiva criando a base para sofrer poucos golos e consequente estar mais perto de vencer.

Nessa época Mourinho encontrou uma boa base, deixada por Ranieiri, em que se incluíam jogadores como Terry, Lampard, Geremi, Makelele, Gallas, Joe Cole e Damien Duff que foram importantes para o sucesso do clube. A estes o treinador português juntou excelentes contratações como Peter Chec, Drogba e Ricardo Carvalho, a que se pode também acrescentar Paulo Ferreira (embora a verba paga por este último tenha sido astronómica, algo tornado possível pela aquisição do clube por parte de Abramovic).

Importa esclarecer que Lampard, Terry e Makelele (sobretudo estes, mas também Gallas) eram já jogadores feitos, de qualidade perfeitamente estabelecida e reconhecida. Lampard e Terry tinham já sido distinguidos em anos anteriores como o melhor jogador da Premier League e Makelele já tinha passado Real Madrid, ao passo que Gallas era já internacional francês.

Convém também dizer que no ano anterior, o Chelsea de Ranieri fôra 2º na Premier League (a melhor classificação em 49 anos) e chegara às meias-finais da Liga dos Campeões, perdendo precisamente para o Mónaco que viria a ser claramente derrotado na final pelo Porto de Mourinho.

Tudo se conjugou pois para que Mourinho tivesse sucesso no Chelsea: a sua abordagem, para além de extremamente competente, mais pragmática do que a abordagem algo "romântica" com que a maioria das equipas abordava o jogo; a excelência do seu plantel; a decadência do Arsenal (que nunca mais voltaria a ganhar nada).

Os números ilustram bem o que digo: Mourinho bateu o record (que ainda detém) de pontos da Premiership: 95 pontos. Este record é absoluto pois o total de 95 pontos é inclusivamente mais alto do que os anos em que a Premier League teve 22 equipas e portanto 42 jogos (o formato de 20 equipas e 38 jogos está em vigor em Inglaterra desde a época 1995/96). No entanto, e em total contraste, o Chelsea desse ano marcou apenas 72 golos, um dos números mais baixos de golos por parte de uma equipa campeã. Ou seja, o Chelsea de Mourinho ganhava muitas vezes por 1-0 e outras tantas por 2-1. Estes dados atestam bem o realismo (ou cinismo) do seu modelo de jogo.

Apenas a título de curiosidade, diga-se que o record de golos marcados por uma equipa campeã pertence ao Chelsea, com a impressionante marca de 102 golos. Esse record pertence a Ancelotti. No geral, as equipas campeãs marcaram bastante mais golos do que o Chelsea de Mourinho mas perderam muitos mais pontos.

Ora as circunstâncias do futebol inglês são hoje muito diferentes das que Mourinho encontrou quando chegou pela primeira vez a Inglaterra. A seu favor tem a reforma de Alex Fergusson, que certamente afectará o Manchester United (14 vezes campeão em 21 anos de Premier League). Não tem porém a mesma aura e espírito de conquista com que chegou no passado. Não contará com o efeito surpresa de 2004/04. Está a regressar a um local onde foi feliz, o que por norma não dá bons resultados. Não tem a grande equipa que tinha em 2004 nem aparentemente a disponibilidade do proprietário para grandes contratações. Quando Mourinho chegou em 2004, o Arsenal e o United eram os grandes candidatos, sendo o Chelsea quase um outsider. Este ano o Chelsea é um candidato (nem outra coisa seria admissível) o que desde logo lhe aumenta a responsabilidade, mas além daqueles dois (apesar do Arsenal vir a desiludir ano após ano) terá ainda que contar com a concorrência do City e eventualmente do próprio Liverpool e do Tottenham. Acresce que, embora ainda muito cedo, o ambiente não parece ser o melhor, existindo aparentemente já algum incómodo entre jogadores tão importantes como David Luis, Mata ou Torres. 

Por todas estas razões prevejo que o futuro de Mourinho à frente do Chelsea não será coberto de sucessos como foi no passado. Olhando para as "cartas" de que cada equipa dispõe, o Manchester City parece-me a equipa favorita para vencer a Liga inglesa.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sir Alex Fergusson - lenda do futebol

Nos dias que restam da semana e tendo em vista distrair um pouco a nossa atenção do jogo decisivo de sábado - a bem da nossa sanidade mental - tentaremos também falar um bocadinho de outros assuntos da agenda futebolística que não o Porto-Benfica.

Já falámos de Mourinho ontem e hoje debruçamos-nos sobre a saída de Ferguson do Manchester United.



Trata-se indiscutivelmente de um dos maiores nomes das últimas décadas, que fez de um clube grande mas pouco ganhador num clube dominador no futebol inglês e dos maiores da Europa.

Com um estilo muito próprio, uma idiossincrasia muito forte e um esquema táctico muito claro, Ferguson conseguiu fazer a sua equipa jogar um futebol atacante, atractivo e vencedor, simultaneamente formando e afirmando vários jogadores no panorama europeu.

São da sua lavra, no sentido em que lhes deu projecção e dimensão, jogadores como: Ryan Giggs, Mark Hughes, Roy Keane, Paul Scholes, o louco Eric Cantona, os irmãos Neville, Denis Irwin, Peter Schmaichel, Beckam, a dupla Andy Cole-Dwight Yorke, Evra, Cristiano Ronaldo, Nani, Van Nistelrooy, Wayne Rooney, entre tantos outros, como Solskjaer, Stam, Rio Ferdinand, Vidic e Van der Saar. Fornadas e mais fornadas de grandes jogadores, lendas do futebol.

Curiosas são também as histórias relativas à forma como se dirigia aos jogadores no balneário: se não gostava da exibição de um jogador (sobretudo ao intervalo) dava-lhe o "tratamento de secador", quer dizer berrava-lhe tudo quanto pensava ao ouvido. Uma vez, irritado, atirou com uma bota a Beckam. Embora se pense que não o queria fazer, a chuteira atingiu mesmo o jogador inglês na cara, causando-lhe um olho negro. Mas era um grande formador e líder de jogadores.



Ferguson ocupa um lugar quase único como uma grande lenda do futebol, tendo conquistado pelo Manchester United 13 campeonatos, 5 F.A. Cups, 4 Taças da Liga e duas Ligas dos Campões para além de supertaças e outros troféus intercontinentais.

Como muitas vezes tem sido assinalado, Ferguson esteve vários anos no Manchester antes de conseguir ganhar um título de campeão: entrou a meio da época de 86/87, quando o clube era penúltimo, tendo acabado a época em 11º. Na época seguinte seria 2º mas na terceira época voltaria a terminar em 11º e na quarta (89/90) quase desceu de divisão, com adeptos e jornalistas a pedirem a sua demissão. O primeiro título surgiu porém precisamente nessa época, a FA Cup, título muito importante em Inglaterra, o que lhe poderá ter garantido a continuidade.

Na época seguinte (90/91), Ferguson conquistou a segunda Taça das Taças da sua carreira (a primeira fora ganha pelo Aberdeen da sua Escócia natal): o Manchester United bateu na final o Barcelona por 2-1 (curiosamente o Aberdeen vencera sob o seu comando o Real Madrid na final em 82/83 também por 2-1). Aqui chegado, e tendo terminado o campeonato inglês em 6º, Ferguson prometeu o título inglês para o ano seguinte.

Isso porém não aconteceu. Na sua sexta época como treinador do United, Ferguson ficou novamente em 2º, tendo vencido a Taça da Liga e a Supertaça Europeia.

No ano seguinte, em 92/93 finalmente chegou o primeiro campeonato, primeiro de muitos, apesar de ter chegado a estar em 10º lugar durante o mês de Novembro. O resto da história é mais conhecido: a primeira Champions surgiu em 99 e a segunda em 2008. Depois perdeu ainda duas finais em 2009 e 2011.

Ferguson em confrontos com o Benfica

Durante a sua carreira no Manchester United, Ferguson defrontou o Benfica por 6 vezes (todas na fase de grupos da Champions) e o balanço é favorável ao Benfica, apesar das estatísticas não o demonstrarem. Com efeito, o Benfica apenas vencer um desses jogos e empatou dois, tendo das outras 3 vezes Ferguson e o United saído vencedores. Em todos os jogos houve golos. No entanto, nas épocas de 2005/06 e 2011/12, o Benfica viria a passar aos oitavos de final, ao passo que o Manchester seria eliminado nessa mesma fase de grupos, precisamente pelo Benfica. Apenas em 2006/07 o Manchester eliminou o Benfica numa fase de grupos.

O histórico de resultados é o seguinte:

2011/2012Group CManchester United-SL Benfica2:2
2011/2012Group CSL Benfica-Manchester United1:1
2006/2007Group FManchester United-SL Benfica3:1
2006/2007Group FSL Benfica-Manchester United0:1
2005/2006Group DSL Benfica-Manchester United2:1
2005/2006Group DManchester United-SL Benfica2:1



Ferguson gostava de celebrar as vitórias com uma garrafa de vinho e de mascar chiclete durante os jogos. Nunca hesitou em dizer na cara aos árbitros o que pensava e muito menos aos jogadores. Tinha um temperamento único e foi um grande vencedor. O futebol terá muitas saudades suas.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Vergonha em Old Trafford

O que se passou ontem em Old Trafford foi o que se passa muitas vezes em Portugal: um árbitro a ser protagonista e a ter uma influência directa no resultado. Mais: o árbitro resolveu a eliminatória.
Antes da expulsão o jogo estava bom, estava equilibrado, com ascendente do Manchester. Antevia-se uma segunda parte com mais risco por parte do Real Madrid, o que resultaria certamente num grande espetáculo.
Depois vem o lance de Nani. Com o devido respeito por algumas opiniões que já ouvi e li... não consigo compreender como pode alguém sustentar que aquilo é um lance para vermelho. Nani estica-se para dominar a bola e aparece-lhe de rompante o adversário, tornando-se o choque inevitável. Para mim não é sequer cartão amarelo, mas esse ainda poderia compreender, agora vermelho?
Aqueles que defendem que foi muito bem mostrado não compreendem na minha opinião, a essência do jogo de futebol. O futebol não é para dar cartões vermelhos e assinalar penalties por dá cá aquela palha. Porque estas decisões são as mais gravosas, incomparavelmente mais do que as que os árbitros tomam em qualquer outro desporto. Porquê? Porque no futebol há muito poucos golos e cada um deles é absolutamente decisivo.

Tendo isto em mente, um árbitro só deve expulsar um jogador se este fez realmente algo de grave (como uma agressão ou impedir ilegalmente uma jogada de golo eminente) ou se, tendo já amarelo,  faz uma falta susceptível de cartão amarelo que não mereça constestação ou insiste numa série de faltas. Só assim se aceita uma expulsão.

Dar o vermelho a um jogador por ter levantado o pé quando não tinha sequer nenhum jogador ao seu redor é, pior do que ridículo, acabar com um jogo.

E foi isso que aconteceu. A partir daí o Manchester teve que se fechar atrás e o Real atacou até fazer os dois golos que lhe deram a qualificação. Que obviamente fica manchada por uma decisão lamentável do árbitro, sobre o qual já aquando da participação portuguesa no Europeu recairam suspeitas face às suas ligações à federação espanhola.

No fim, num assomo de classe e dignidade o Manchester ainda tentou por todas as formas o golo que ainda lhe permitisse sonhar o qual não surgiu por infelicidade e boas intervenções do guarda redes.

Árbitros como este destroiem o espectáculo do futebol, frustram os adeptos e desvirtuam a competição. Esta decisão é comparável à da expulsão de Aimar em Olhão há um ano (talvez ainda pior) no tocante ao lance em si mesmo, mas em termos de leviandade e protagonismo do árbitro pode ser comparada às expulsões de Matic ou Emerson por parte de Proença.

Os árbitros têm que perceber de uma vez por todas: os protagonistas do futebol não são eles mas sim os jogadores. São estes que devem decidir os jogos e não os árbitros. Melhor que ninguém, nós benfiquistas deveríamos ter bem presente este princípio.

Uma nota final para a honestidade de Moutrinho na sua análise, ao reconhecer que a expulsão tinha permitido ao Real Madrid dar a volta ao jogo, algo que com 11 contra 11 não teria provavelmente sido possível. Esteve muito bem.

domingo, 30 de dezembro de 2012

O melhor de 2012 - futebol inglês

Em Inglaterra, o ano futebolístico acaba em grande com muitos jogos, muitos golos e muito espetáculo.
A pátria do futebol ocupa cada vez mais indiscutivelmente o número 1 do futebol mundial, apesar da melhor equipa do mundo estar em Espanha.

Em 2012, Inglaterra voltou mesmo a ter um clube campeão Europeu, o surpreendente Chelsea.
Numa época em que começara com Villas-Boas como treinador (ainda em 2011, obviamente), o Chelsea acabaria por vencer finalmente a Champions com um treinador-adjunto e sem sequer ter investido muito em jogadores. Valeram os históricos Lampard, Terry e Drogba e os ex-benfiquistas David Luiz e Ramires(decisivo em vários jogos, nomeadamente na Luz e em Barcelona), bem como Di Matteo, que começou por ter que inverter uma eliminatória que Villas-Boas quase perdera (3-1 em Nápoles) e soube depois durante a prova aplicar a habitual manha e resultadismo do futebol italiano. É aliás incompreensível que Abrahmovic o tenha demitido já durante a presente época.

Mas eu destaco o futebol inglês em 2012 sobretudo pelo espetáculo oferecido aos adeptos e amantes de futebol em geral. Estádios constantemente cheios, equipas a jogar para a frente, árbitros a deixar jogar, grandes jogadores, golos e muita emoção.

A forma dramática como se decidiu o título na época passada, com dois golos do City já nos descontos é simplesmente de thriller de Hitchcock.

2012 foi um grande ano para o futebol inglês de clubes, mas os últimos meses e dias do ano então foram loucos. Um Chelsea - 5 Machester United - 4


um Reading -5 Arsenal - 7



um Man Utd - 4 Newcastle - 3



e finalmente um Arsenal - 7 Newcastle - 3.


Sensacional.