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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

As preocupações dos benfiquistas

Por estes dias o Benfica está em 1º lugar no campeonato e continua noutras competições. A equipa tem subido de rendimento e fez ultimamente alguns bons jogos. Venceu o Porto de forma clara algo que, apesar de dever ser normal, não acontecia há vários anos. 

No entanto percorrendo a blogosfera, dir-se-ia que o Benfica estava num momento desastroso, afastado da luta pelo título e com exibições miseráveis. De facto as críticas são tantas e tão constantes que seríamos levados a pensar assim se não soubessemos que a realidade é felizmente outra. 

Não defendo obviamente uma atitude acrítica por parte de ninguém, mas tudo tem limites. Quando, num momento destes, com o nosso clube envolvido em vários desafios da maior importância e sabendo da falta de princípios do nosso principal adversário, muitos benfiquistas se dedicam diariamente a encontrar temas para criar polémicas ou atacar quem está à frente dos destinos do clube, algo não vai bem na blogosfera benfiquista e merece ser reflectido. 

Quem publica em blogs gosta de ser lido, isso é evidente e legítimo. O que me parece muito discutível do ponto de vista do benfiquismo é instrumentalizar o clube nessa ânsia de audiências, por vezes levantando e empolando temas que só fomentam a dissenção e a divisão interna. 

Nos últimos dias houve "polémica" atrás de polémica, muita dela fomentada pelos próprios benfiquistas. 

Assim de repente lembro-me das seguintes:

Matic não deveria sair do clube.
Jesus desrespeitou a formação.
Artur está triste e no aquecimento só defende com os pés (garanto-vos que li isto!).
Não há gala do Benfica este ano.
André Gomes só entrou no tempo de descontos contra o Marítimo.
O irmão de Matic foi-se embora (polémico por vir, polémico por partir).
O relvado não está em condições.

Não acham que chega de tanta choradinho?

A saída de Matic obviamente não era desejável. Mas há que saber olhar para as coisas de forma realista. Matic queria sair, isso era evidente e o próprio já o disse. Depois da não fazer nenhuma venda relevante no início da época e da não continuação na Liga dos Campeões, o Benfica precisava de receitas, ou seja de vender alguma das suas "pérolas".

Matic podia ter rendido mais mas não se pode esquecer que ele chegou ao Benfica oriundo do Chelsea incluído no negócio de David Luiz. Nessa altura recebemos 25 milhões de euros mais Matic. Agora recebemos mais 25 milhões. Acho que não nos podemos com seriedade queixar muito deste negócio porque na prática um jogador (David Luiz) que fomos buscar quase a custo zero com 17 anos rendeu-nos 50 milhões de euros mais um "empréstimo" de Matic por dois anos e meio. E por favor não me venham dizer que estou a defender Luis Filipe Vieira por isto ou por aquilo porque já o critiquei no passado e voltarei a criticar no futuro se achar que ele o merece. Sou absolutamente independente de qualquer poder ou grupo dentro do Benfica e digo exactamente o que penso depois de tentar analisar as coisas o melhor que consigo.

Aquilo que é importante agora é gerir bem a saída de Matic e de preferência não vender mais ninguém. A saída de Rodrigo em particular seria a meu ver desastrosa, pois Cardozo poderá não voltar a jogar na presente época e Lima não está num grande momento sobretudo na finalização, que é o mais importante. 

Quanto à questão das declarações de Jorge Jesus sobre substituir Matic através da formação, claro que não foram felizes, como logo se percebeu. No entanto o próprio veio rectificar o que dissera e afirmar que não desejara ofender ou diminuir a formação do Benfica. Por outro lado, os míudos, na sua reacção a quente demonstraram o seu amor pelo Benfica ao afirmarem que jogar no seu clube é o sonho que alimentam e do qual não abdicarão. Não há pois razão para - os próprios benfiquistas - empolar este caso.

Quanto ao resto são questões perfeitamente secundárias e folclóricas que não devem de modo nenhum preocupar os benfiquistas. Não vale a pena andar com tanto excitamento à flor da pele. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A saída de Matic: 4-3-3 ou 4-4-2 ?

O meio campo do Benfica é um tópico sobre o qual já escrevi uma série de posts. Não tendo eu pretensões a ser um especialista em táctica, a observação e análise das transformações que se têm verificado naquele sector desde que Jorge Jesus chegou ao Benfica não deixam de me interessar e merecer algumas considerações.

Desde então o Benfica já teve os seguintes "meios-campos":

2009/2010

Javi Garcia como trinco, apoiado por Ramirez (que fazia o corredor direito, ao passo que Di Maria ficava no esquerdo) e Aimar a construtor de jogo (tratava-se de um 4-4-2 no qual não apenas um dos alas mas o próprio 2º avançado, no caso Saviola, baixavam para dar algum equilíbrio à equipa)

2010/2011

Com a saída de Ramirez (e Di Maria), JJ foi tentando várias soluções que alternou, para colmatar o desequilíbrio que se gerou. Por exemplo colocar ou César Peixoto ou Rúben Amorim nas alas ou ainda Carlos Martins no meio ao lado de Javi. No entanto, com a afirmação definitiva de Gaitan e Sálvio nas alas, a dupla Javi Garcia (indiscutível)-Aimar acabou por ser  mais habitual. Era um 4-4-2 muito marcadamente ofensivo que deu resultados muito negativos numa época para esquecer. 

2011/2012

Chegaram ao Benfica no início dessa época Matic (incluído no negócio de David Luiz que saíra a meio da época anterior, no fim do período de transferências de Janeiro) e Witsel. Este impôs-se na equipa rapidamente e o meio campo passou a ter uma composição mais equilibrada: Javi e Witsel complementavam-se muito bem. Ao passo que Aimar era um criativo sem presença no meio campo (pouca capacidade de choque, pouco poder de recuperar bolas e o próprio posicionamento muito avançado, perto dos pontas de lança), Witsel era o chamado "box-to-box", com uma presença física importante no meio campo. Foi uma época melhor do que a anterior na qual o campeonato se perdeu devido a arbitragens miseráveis e ao esgotamento físico dos jogadores (não houve quase rotação). 

2012/2013

A época passada começou com a mesma dupla no meio campo mas antes do fecho do período de transferências Javi e Witsel foram transferidos. Imaginava-se o pior mas a verdade é que foram substituídos por Matic e Enzo e a equipa ficou ainda mais forte. Matic demonstrou uma capacidade extraordinária para não apenas ser o "novo" Javi Garcia como ainda lhe juntar alguns dos predicados de Witsel. Enzo por seu turno é um grande futebolista, para mais muito raçudo e de alta rotação.

2013/2014?

Com a saída de Matic a solução que me parece mais provável é a sua troca directa por Fedja. Existem obviamente outras possibilidades, incluindo a do Benfica adoptar um 4-3-3 tal como já aconteceu esta época, abrindo-se então espaço para Rúben Amorim. A minha aposta vai porém para Fedja, pelos seguintes motivos: é um jogador mais forte e com mais capacidade de choque do que Amorim; tem rotina da posição e poderá, sublinho poderá, dar mais garantias em termos defensivos. Agora Fedja é claramente um jogador com mais dificuldades a construir, com menos velocidade, um jogador mais ao estilo de Javi do que de Matic. Mas, como se vê pela amostra, o meio campo do Benfica tem mudado constantemente ao longo dos anos (certamente também pela valorização dos jogadores que lá actuam) pelo que não há razões para pânico. Com solidariedade entre os jogadores acredito que a qualidade existente no plantel permitirá suprir esta perda. 

domingo, 4 de agosto de 2013

Modelo esgotado

Infelizmente é a minha convicção. Ao fim de 4 anos continuam os mesmo problemas e as virtudes estão cada vez mais pálidas.

São toques e mais toques e ninguém se decide a rematar à baliza. São muitos jogadores parecidos, virtuosos e tecnicamente evoluídos mas pouco objectivos. São bolas paradas inofensivas. É um domínio de jogo quase total e um volume de ataque imenso para poucos (neste caso nenhuns) frutos. O aproveitamento ataques/golos do Benfica deve ser dos mais baixos da Europa. O jogador mais perigoso e com mais sentido de baliza está proibido de se treinar (e pelos vistos sem sequer ter clubes interessados).

Na defesa nada melhorou. Qualquer equipa mediana nos marca golos, nem precisando de ir muitas vezes lá à frente. As bolas paradas defensivas continuam a ser um pesadelo, livres laterais então são meio golo. Na lateral esquerda o problema persiste pelo terceiro ano consecutivo.

A questão da baliza também não me parece resolvida.

30.000 (terão sido assim "tantos"?) é bem demonstrativo da pouca confiança com que os benfiquistas encaram a presente época.

Para terminar, o discurso de Jorge Jesus também me parece esgotado, pouco convicto, pouco credível. As suas explicações soam a desculpas sendo evidente que as mossas da época passada deixaram marcas.
 
Temo que se avizinhem tempos de muita contestação e instabilidade. Os cânticos por Cardozo mostram que existe uma insatisfação latente que espera apenas por um pretexto mais forte do que uma derrota na Eusébio Cup para se manifestar.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Mais uma época. Desfecho diferente?

Está prestes a começar a pré-época 2013/14. Alguns dos reforços do Benfica já se apresentaram no centro de estágios do Seixal para fazer os testes médicos e dentro de dias começarão os treinos e depois os jogos particulares. Uma das curiosidades desta pré-época é o regresso da Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, que trará o primeiro derby, um Benfica-Sporting.

Em termos de plantel, como assinalei anteriormente, estão por definir as situações de Cardozo (que deverá mesmo sair restando perceber por quem será substituído), de Matic e da posição de defesa esquerdo. Essa será neste momento a prioridade, depois do eixo central da defesa ter sido (e bem) reforçado. Temos finalmente as situações de Gaitan e Garay por concretizar assim como a da lista de dispensas. Neste capítulo existe a boa notícia (por confirmar) de que Kardec terá sido apalavrado com o Palmeiras para um empréstimo de um ano.

A grande questão que se coloca é porém a de saber como acabará a época. Dificilmente os benfiquistas se deixarão este ano entusiasmar com o decurso da época que se avizinha, face às desilusões da que há pouco acabou. Mesmo que as coisas comecem a correr bem, o espectro da derrota nas decisões pairará até que tudo esteja definido.

Para que as coisas sejam realmente diferentes em 2013/14 há uma coisa que terá que mudar desde logo na primeira volta. Trata-se do resultado dos confrontos com o Porto. Já bati muito nesta tecla: o Benfica de Jesus, em jogos a contar para o campeonato, tem apenas uma vitória contra o Porto, obtida no primeiro jogo orientado por JJ. Foi na Luz, numa noite de chuva, com um golo de Saviola. Desde aí acumulámos derrotas e empates.

Enquanto o Benfica não fôr capaz de vencer o Porto terá muitas dificuldades em sagrar-se campeão. Isto pela simples razão de que o Porto praticamente não perde pontos nos restantes jogos - em três épocas teve apenas uma derrota! É obra! Nem o Barcelona, nem o Bayern de Munique conseguem registos deste tipo. Falsificação? Batota? É evidente!

O condicionamento dos árbitros quando o Porto actua é evidente para todos (exceptuando, talvez, os mais fanáticos adeptos portistas). Mas esse é já um dado da equação pelo que pela minha parte não contem para voltar a falar desse aspecto. Já disse muito, já identifiquei as causas. Quem quiser pode encontrar nos vários posts sobre o assunto, parte dos quais se encontram no separador "o sistema", as minhas reflexões e propostas sobre a matéria.

Para mim essa conversa acabou. Já escrevi o que tinha a escrever sobre a matéria.

Os sócios do Benfica elegem os seus dirigentes para estes zelarem pelos interesses do clube em todas as suas vertentes. Caso eles não o consigam fazer, devem assumir o falhanço e dar lugar a outros.

Esta é a postura de responsabilização que me proponho adoptar para a época que em breve se iniciará. Acabaram-se as explicações, acabaram-se as desculpas, acabou-se a tolerância para com os falhanços. Este ano o Benfica tem que ganhar o campeonato.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Reforçar a competência e a qualidade (II)

Independentemente dos erros, que existiram e de, entre outros, referi no anterior post sobre o assunto, Luis Filipe Vieira e Jorge Jesus têm os seguintes méritos que não podem ser negados: o presidente reforçou - e muito - a qualidade do plantel ao longo dos anos, ao passo que o treinador colocou a equipa a competir num patamar completamente diferente do que sucedia nos anos que o precederam.

O Benfica tem tido nos últimos anos plantéis de grande qualidade que estão a passar ao lado do sucesso que merecem por diferentes factores, uns imputáveis ao Benfica, outros completamente estranhos não apenas ao Benfica mas à própria essência do futebol. Nos últimos dois anos (pelo menos) o Benfica teria sido o campeão se estes factores estranhos não tivessem desempenhado um papel decisivo.

Em termos de erros próprios, deixando agora de lado as questões de combate ao sistema e de comunicação do clube, o Benfica não pode repetir erros do passado como sejam as apostas insistentes em jogadores claramente sem perfil para o Benfica ou começar épocas com carências em posições fundamentais.

Na época que se iniciará dentro de dois meses, o Benfica terá que ter no seu plantel um lateral esquerdo com capacidade e competências indiscutíveis, assim como uma alternativa (se possível ainda de maior qualidade) a Maxi Pereira. Terá igualmente que acautelar a questão dos centrais: se Garay sair é necessário pelo menos um substituto de grande qualidade, até porque Luisão não durará sempre. Steven Vitória parece-me uma solução óbvia que oferece garantias. Depois há ainda a questão do meio campo. Aimar já saiu e Carlos Martins deverá seguir o mesmo caminho. Jorge Jesus deveria a meu ver dar uma oportunidade a Miguel Rosa (mas não vai dar, pois o jogador será emprestado ao Belenenses, o que pelo menos lhe dará espaço para se mostrar) e apostar mais em André Gomes. Há ainda André Almeida e Uros Matic. A questão é se estes jogadores contam ou não para JJ. Se não contam e não se contratar ninguém podemos esperar novamente o meio campo do Benfica a acabar a época em grandes dificuldades.

Finalmente temos a questão Cardozo. Melhor goleador do Benfica dos últimos anos, o paraguaio era pouco utilizado antes de JJ chegar à Luz. Foi com Jesus que Cardozo cresceu e se tornou no goleador que é hoje. A sua atitude irreflectida (mas grave) deverá levar mesmo à sua saída do Benfica.

A confirmar-se, isto exige alguma reflexão e o encontrar de soluções. Markovic parece-me um grande jogador mas pelo menos neste momento não tem o perfil de Cardozo como finalizador e homem de área. Aliás não há muitos jogadores como Cardozo. A sua presença e poder físico, aliados à capacidade concretizadora tornam-no num jogador raro e valioso. Que ainda para mais se encaixa muito bem no tipo de jogo do Benfica.

Será portanto preciso JJ ver se quer substituir Cardozo por um jogador semelhante ou se pelo contrário aproveitará esta oportunidade para mudar um pouco o modelo do Benfica, ou jogando com dois avançados mais móveis ou jogando num futebol mais apoiado, fazendo uso das qualidades de Djuricic.

Em termos de qualidade, estou plenamente convencido de que Djuricic, Markovic e Sulejmani acrescentam qualidade ao Benfica. Importa portanto agora acautelar as saídas e encontrar soluções para as posições onde há carências já de longa data (na esquerda, desde Álvaro e Veloso só me lembro de Léo e Fábio, como jogadores com capacidade indiscutível para envergar a camisola do Benfica). 

Depois há que continuar a reforçar a competência: a abordagem aos jogos decisivos, a capacidade de comunicar e gerir a informação, as condições de treino, a organização do futebol. Tenho visto pela blogosfera várias críticas a Carraça, sobre as quais não me pronuncio pois não conheço o seu trabalho e o dia a dia do Benfica. A questão de Carraça é igual à de Lourenço Coelho, que está igualmente envolvido com o balneário e de quem também não é possível identificar méritos. No entanto, mais do que pessoalizar, importa é corrigir erros, ser mais competente, ter mais atenção aos detalhes (não se admite o que se passou no final da Taça) e encontrar equilíbrios na gestão das emoções que permitam retirar o melhor de cada um. 

O caminho do Benfica tem que ser este: de ano para ano ser cada vez mais competitivo, mais capaz, mais profissional e manter ou se possível reforçar a qualidade da equipa. Se assim for, os títulos certamente que começarão a aparecer com regularidade. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

A decisão

A decisão é sempre solitária.

Vieira fez até hoje um trabalho muito importante de recuperação do Benfica, a nível financeiro, de credibilidade, de estabilidade, de competitividade, de qualidade dos plantéis.  Mas tem-lhe faltado o mais importante: títulos. Dois campeonatos em 12 anos não chega.

No anterior post identifiquei o que para mim foram os erros mais crassos que cometeu esta época, que mais uma vez (e contra todas as expectativas) redundou num rotundo fracasso.

Não quer dizer que tenha feito tudo mal. Também identifiquei algumas coisas boas.

Eu não sou anti nem pro-Vieira. Eu sou e serei sempre Benfica. Enquanto Vieira for o Presidente nunca terá a minha oposição. Nunca andarei a minar o caminho mas também não deixarei de dizer o que penso, nos momentos que considero certos. Por isso ponderei fechar o blog quando me começou a ser impossível calar críticas muito fortes ao que já na altura me parecia um caminho errado, arrepiei caminho quando foi tomada uma decisão que me pareceu na direção certa (romper com a Sporttv) e só falei agora, quando a época já está decidida.

A vida faz-se de escolhas, faz-se de decisões entre diferentes opções ou alternativas.

Até ao momento não apareceu um rumo alternativo credível para o Benfica. O Benfica é uma instituição colossal, um barco muito difícil de pilotar.

Muito do que disse de Vieira, aplica-se a Jorge Jesus.

Elevou muito a qualidade da equipa, trouxe-a a patamares de competitividade não vistos no Benfica há MUITOS ANOS, identificou talentos que rentabilizou para a equipa e em proventos de vendas para a SAD. Mas faltam-lhe títulos!

JJ tinha o campeonato na mão e deixou-o fugir entre os dedos! A Liga Europa podia ter sido ganha, o que teria sido um feito histórico, extraordinário, mas Jorge Jesus também o deixou fugir.

Sim, JJ é tão responsável pela forma como jogámos - e que surpreendeu e encantou não só os benfiquistas como a Europa do futebol - como pela forma como o perdemos. O primeiro golo do Chelsea é o resultado do talento de Torres mas também de uma forma de jogar por vezes quase suicida (que já vem desde a primeira época), de um quase amadorismo em termos defensivos. O segundo golo resulta de uma ingenuidade dolosa, quase "criminosa", na forma como o canto é concedido que depois resulta num golo também inaceitável em termos defensivos. Consta que Enzo Peres estava revoltado com Jesus no fim do jogo porque tinha-o advertido de que o Chelsea costumava bater o canto para o segundo poste com Ivanovic a aparecer naquele espaço, tendo por isso sugerido uma marcação homem a homem ao sérvio, no que teria sido ignorado. E não esqueçamos também que o Chelsea era a equipa da Europa com mais jogos nas pernas.

Nesta medida, o jogo da Taça era ABSOLUTAMENTE DECISIVO. SALVAVA A ÉPOCA, ao contrário do que foi dito! Não salvava o campeonato, que estava perdido, mas salvava a época. Ficaria o registo de um campeonato perdido com infelicidade nos descontos do penúltimo jogo da época, uma honrosa prestação em Amsterdão e uma Taça!

Esse título (são os títulos, estúpido!) era fundamental para manter uma boa média, como assinalei em Janeiro. Perdido esse jogo, JJ perdeu praticamente toda a sua margem de manobra. Ficou abaixo da média do Benfica nos últimos 20 anos (se contabilizarmos conjuntamente Campeonatos e Taças de Portugal). Não ganhou nada este ano.

O jogo da Taça, até pela forma como decorreu, era um jogo facílimo de ganhar. O Benfica jogou a passo, sem atitude, sem determinação, sem espírito vencedor, sem garra, sem qualidade nenhuma. Cada vez que mexeu, Jorge Jesus piorou a equipa.

A conclusão lógica é a de que Jorge Jesus deve deixar o Benfica.


Mas atenção, deve deixar para vir quem? Essa é que é para mim a verdadeira questão.


Rui Vitória? Sinceramente parece-me um erro tremendo. Vitória não me parece ter arcaboiço, unhas para esta guitarra. A pressão no Benfica é uma coisa tremenda, não é para qualquer um. O mesmo se aplica a Paulo Fonseca e mais ainda ao treinador do Estoril. O Benfica não é o Porto onde o verdadeiro "treinador" e líder é Pinto da Costa. Onde qualquer um é campeão. Onde as arbitragens fazem o jeitinho e a "estrutura" ampara os golpes (para além de manter os jogadores em sentido não permitindo indisciplinas).

É tudo isto que Vieira terá que ponderar muito bem. Neste momento a sua credibilidade está no ponto mais baixo. Os benfiquistas estão fartos de perder, fartos de ilusões e desilusões e já não acreditam em mais promessas. Uma aposta falhada reflectir-se-á muito na presidência de Vieira. Voltará a contestação e a instabilidade interna. Uma aposta desastrosa poderá levar o clube à semi-ingovernabilidade ao estilo sportinguista. E não estou sequer a equacionar como poderão reagir os benfiquistas à eventual ida de JJ para o Porto...

Estamos em águas agitadas e cheias de perigos. A derrota na final da Taça foi o momento chave que fez precipitar toda esta situação. É isso que mais me custa e que de alguma forma me revoltou contra Jorge Jesus que até aí eu sempre defendera. É que o espectro do Porto e de Pinto da Costa (mesmo já depois de nos tirarem o campeonato), verdadeira praga do Benfica nos últimos anos, pairou logo sobre o Jamor.

Esta é talvez a decisão mais difícil e importante de Vieira desde que é Presidente do Benfica. E que marcará sempre a sua passagem pelo Benfica.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Treinadores e tácticas

Desde que Jorge Jesus chegou ao Benfica que jogamos com dois pontas de lança/avançados (Saviola é mais um segundo avançado do que um homem para jogar sozinho na frente).
O Benfica joga num 4-4-2 ofensivo, ou num 4-1-3-2. Digo isto sem pretensões de rigor excessivo.
O que eu quero dizer é que a equipa é por regra constituída por 4 defesas, um médio defensivo, um ofensivo, dois extremos e dois avançados. Os laterais são bastante ofensivos.
Por outro lado sei, porque o próprio já o disse explicitamente, que JJ compreende os riscos desta táctica mas que defende que a matriz ofensiva é congénita ao Benfica e que os adeptos desejam e exigem tal matriz, futebol atacante, golos e o espectáculo daí adveniente.
Aliás há uma coisa que os benfiquistas devem recordar para perceber melhor isto: no Belenenses, JJ era super defensivo e mesmo no Braga havia uma consistência defensiva grande. Jesus sempre se distinguiu (antes de chegar ao Benfica) por dar essa consistência e segurança às suas defesas. Cheguei a ver o Belenenses jogar em Munique contra o Bayern e perder por apenas 1-0.

Por outro lado, eu sempre achei que o 4-3-3 era um sistema mais seguro. O meio campo tem sempre 3 jogadores e quando a equipa defende pode ainda derivar os extremos para o centro do terreno fechando muito os espaços à equipa adversária. Por outro lado, nos desdobramentos ofensivos os médios aparecem muitas vezes no ataque confundindo a defesa que não sabe bem quem são os opositores directos. Por outro lado, o 4-3-3 permite uma coisa que os outros sistemas dificilmente conseguem: colocar 3 jogadores numa faixa, o lateral, o extremo ou ala e o interior. Numa época o Guimarães fez isto com muito sucesso com José Carlos, Paneira e Capucho.
Isto sou eu que observo e digo, na minha visão um pouco simplista, admito-o das tácticas.

Aqui há uns anos atrás deu ideia de que o chamado 4-4-2 em diamante era uma táctica ainda melhor, porque juntava o melhor de dois mundos: criatividade e vocação ofensiva (mantendo os dois pontas de lança) e um meio campo não já com 3 mas com 4 jogadores, conseguindo o aparentemente impossível: ter superioridade numérica no meio contra equipas que jogassem em 4-3-3. Parecia a quadratura do circulo.
Lembro-de de que por exemplo o Milão jogava nesse esquema, jogando com Gattuzo, Pirlo, Rui Costa e Seedorf.
A questão é que para poder jogar num tal sistema, sem que os jogadores se atropelem no meio campo e sem afunilar todo o jogo pelo meio, são necessários intérpretes de uma qualidade verdadeiramente excepcional.

O 4-3-3 acaba assim por ser um sistema mais simples de adoptar e com resultados semelhantes. É por isso o preferido da maioria dos treinadores e está implementado no Porto, por exemplo, há bastante tempo.

Como exemplo de um 4-4-2 mais conservador, ainda assim extremamente eficaz e incrivelmente ofensivo, temos o do Manchester United. É um sistema mais de duas décadas, que, se alguns especialistas tivessem razão deveria ser completamente previsível mas que continua a "dar" títulos.
Acontece porém que o 4-4-2 do Manchester é mais conservador do que o do Benfica no sentido dos dois jogadores do meio serem mais defensivos, ou de contenção como agora se diz, dos que o do Benfica. Acresce que nalguns jogos (foi o caso do último com o Liverpool), Fergusson optar por um sistema mais próximo de um 4-2-3-1.

Isto dá um pouco que pensar.

O que parece estar a acontecer com o Benfica é que contra as equipas pequenas o sistema está a funcionar muito bem mas em jogos mais difíceis ele está a emperrar. Contra o Porto a falta de controle do meio campo foi evidente. Aliás, há uma coisa em que JJ não aprendeu a lição do ano passado: a colocação de Lucho no jogo da época passada (muito avançado no terreno, a pressionar Javi Garcia) foi decisiva para emperrar o jogo do Benfica. Este ano aconteceu algo semelhante, com uma pressão intensa, mais em bloco, sobre os nossos defesas, que JJ não conseguiu contrariar durante toda a primeira parte. Aliás o erro duplo e indesculpável de Artur encontra ainda assim uma explicação nesse factor: muito pressionados e sem linhas de passe os nossos defesas viram-se muitas vezes obrigados a jogar para o guarda-redes. Isso criou um sentimento de grande insegurança desde o início e explica parte do "temor" que a equipa sentiu pelo adversário que pelo contrário era sempre muito confiante nas saídas da defesa, não temendo o 1 para 1 e conseguindo quase sempre o portador da bola ultrapassar (quase sem dificuldade) a nossa primeira linha de pressão.

O Benfica está neste momento a jogar sem nenhum "trinco" (o United joga com dois, embora obviamente eles tenham capacidade de passe e de sair com a bola) e apenas com um jogador mais vocacionado para tarefas defensivas. Mas há outro problema: é que com o quadro de jogadores que temos não se vislumbram muitas alternativas tácticas. Daquilo que se tem falado no Benfica é se devemos jogar com dois pontas de lança ou apenas com um. Mas se jogar apenas com um, a respetiva vaga não vai para um lugar no meio campo mas sim para um jogador de ligação meio-campo/ataque, como Aimar, Gaitan ou até, de certo modo, Rodrigo.

As alternativas seriam a meu ver os jovens Andrés. Ao lado de Matic eles podem eventualmente dar outra consistência ao meio campo que Perez nesta altura não parece garantir.

Enfim, são questões que JJ certamente estará a ponderar, até porque o jogo em Braga se aproxima e na segunda volta haverá um Porto-Benfica que poderá - aí sim - ser decisivo para a atribuição do título. Isto para já não falar da eliminatória contra o Bayer, equipa de alta rotação.
Uma última nota: a questão da renovação ou não de Jorge Jesus vai (penso) depender de como conseguir resolver esta questão e de ser capaz de vencer nos jogos mais importantes contra equipas da dimensão do Benfica. JJ conseguiu elevar o patamar de futebol do Benfica e o rendimento dos jogadores, daí resultando muito importantes vendas para os nossos cofres e uma consistente e sustentada luta pelo título. Mas em última análise o futebol são títulos e no Benfica isso é ainda mais evidente. Por outro lado, ainda que com todas as condicionantes conhecidas, os resultados com o Porto começam a ser curtos. Até por aí me parece que o jogo da segunda volta será decisivo. Tudo o que fique abaixo do título de Campeão esta época saberá a pouco e tornará a continuidade de JJ muito difícil.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Alto nível

JJ disse que só um Benfica de alto nível poderá vencer dentro de pouco mais de uma hora o Estoril.
Está absolutamente certo.
O Estoril já vem mostrando (não apenas esta época) que com Licá, Steven Vitória e uma equipa muito bem arrumada, agressiva num bom sentido e incisiva no ataque, é um adversário de respeito no seu Estádio.
O Benfica está a fazer um trajecto muito bom esta época e precisa dos 3 pontos para com eles chegar em vantagem ao clássico do próximo Domingo.
Lá estaremos assim, uns com presença física, outros em espírito para dar força à nossa equipa. É mais um jogo de enorme importância. Que a equipa saiba estar à altura das suas responsabilidades, para mais tarde recordamos a noite de hoje como mais um passo para no fim da época sermos felizes.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ainda o Sporting-Benfica: análise a frio

Crónica

Alvalade, 10 de Dezembro de 2012
Wolksvinkel 29; Cardozo 57', 80' e 85'.


Em primeiro lugar devo dizer que a 1ª parte do Sporting-Benfica, sobretudo a partir dos 10 m de jogo, me enervou tremendamente e me fez dizer o que não queria.
Temi uma repetição do jogo do ano passado (ainda que desta vez sem casos).
Praticamente nem festejei o golo do empate, tendo reservado as celebrações para o segundo e terceiro golos.
Acima de tudo pareceu-me que a dada altura faltou atitude à equipa, faltou querer, faltou poder de choque.
Temi que fossemos passar o resto do jogo a embater contra uma parede defensiva e a falhar golos, expondo-nos cada vez mais a contra-ataques e acreditando cada vez menos nas nossas próprias possibilidades.

Mas mais a frio, penso que não terei feito uma leitura totalmente correcta, parcialmente em virtude do momento desastroso do nosso adversário e da "obrigação" que eu considerava que tínhamos em vencer o jogo sem espinhas.

Se é verdade que na 1ª parte faltou um pouco daquilo que acima referi, por outro também devemos ser capazes de compreender o quadro mais geral.

Que era este: para o Sporting (adeptos, dirigentes e jogadores) este era o jogo mais importante da época, aquele em que dariam tudo. Eliminados da Taça e das competições europeias, sem hipóteses de discutir os primeiros lugares do campeonato, restava aos sportinguistas tentar vencer aquele jogo e encetar uma recuperação que lhes permitisse enfrentar o resto da época com alguma esperança e uma réstia de espírito competitivo.

Já o Benfica tem um quadro de competições e de ambições mais vasto. Se ganhar este jogo era muito importante, a verdade é que os mesmos 3 pontos ali disputados estariam em jogo logo contra o Marítimo e em todos os restantes jogos do campeonato. Não se podia portanto tratar de um tudo ou nada para nós.

Por outro lado, há que perceber que é diferente o Sporting jogar contra o Videoton, o Estoril ou o Moreirense e jogar contra o Benfica em Alvalade.

Para além dos factores motivacionais, em jogos com os "pequenos" o Sporting é obrigado a atacar e fazer as despesas do jogo, ao passo que aqui ninguém esperava isso dele. Podia-se "sentar" na defesa e depois lançar contra-ataques.

Nessa medida, os seus jogadores mais importantes e com mais qualidade são precisamente aqueles que teriam mais intervenção no jogo e mais hipóteses de brilhar: Capel, Carrilho e Wolfsvinkel. Este último, por exemplo, quando joga golos contra os "pequenos", corre o risco de falhar e ser criticado. Ao jogar contra o Benfica quererá pelo contrário demonstrar que tem qualidade - e qualquer golo que marcasse seria a prova disso. Acresce que o holandês tem velocidade e, tal como os outros dois citados, podia aproveitar bem os espaços nas costas dos centro campistas e laterais do Benfica - como realmente fez.

Por outro lado, o meio-campo que actuou pelo Sporting foi composto de 3 jogadores, todos preocupados sobretudo em defender: Rinaudo, Elias e Pranjic. Ora, excluindo este último, de quem pouco se conhece, os outros dois são jogadores de qualidade, que poderiam até ter lugar no plantel do Benfica. Elias não tem sido minimamente aproveitado no Sporting, mas no Benfica poderia em teoria fazer o papel de Ramirez (ora jogando pelo flanco, ora apoiando o médio mais recuado, neste caso Matic), como aconteceu no primeiro ano de Jesus na Luz.

Este meio campo sportinguista tinha vantagem numérica perante Matic e André Gomes. Aliás, Matic andou muitas vezes (e bem) cobrindo Carrilho o que aumentava o desequilíbrio face ao trio adversário.

Do que resulta que o Sporting apostou num Wolfswinkel sozinho no eixo do ataque, tentando aproveitar a sua velocidade e capacidade de desmarcação, apoiado por jogadores muitíssimo velozes e capazes de levar a bola muitos metros, como são Capel (por vezes parece imparável) e Carrilho.

Essa estratégia era algo perigosa para nós e deu mesmo resultados na primeira parte. Para além do golo, Maxi e Matic foram amarelados (e bem) e o primeiro andou muitas vezes perdido.

A postura e o posicionamento defensivos (os extremos e juntarem-se aos laterais quando a equipa não tinha a bola e os meio campistas a jogarem à frente da defesa) evitaram que o Benfica explorasse as fragilidades defensivas do Sporting, sobretudo dos centrais e do lateral direito, muito verde para estas andanças. Já Insúa não apenas cobria bem como ainda se chegava à frente de ataque.

O Benfica conseguiu contrariar isto em certa medida quando teve serenidade com a bola e não teve medo de enfrentar muitas vezes o 1 para 1, mas alguns passes errados e perdas de bola em passes em número exagerado levaram à intranquilização da equipa e à superioridade do Sporting entre os 10 e os 35 minutos.

Tudo o que digo atrás, não servindo para desresponsabilizar a nossa equipa de alguns erros, ajuda porém a explicar o menor rendimento no período que já identifiquei.

Mas se na primeira parte estivemos mal, na segunda estivemos muito bem. Ola John foi infernal pondo a cabeça em água ao inglês, Lima foi um mouro de trabalho, correndo muito, fazendo a vida muito difícil para a defesa adversária e abrindo espaços para os companheiros, Cardozo foi o matador que precisávamos, Sálvio, que tinha estado muito mal na 1ª parte, foi decisivo e o nosso meio campo manietou completamente qualquer veleidade do Sporting em sair para o ataque, positivamente ocupando o meio-campo sportinguista. Gaitan entrou para colocar o "ferro" final e acabar com o jogo.

A estratégia mas também a classe, o esforço e a crença dos nossos atletas construiram uma vitória totalmente justa. Uma grande vitória com um hat trick de Cardozo.

As notas


Melhores em campo

Ouro: Cardozo, 17 valores. 3 golos, dois remates que poderiam tê-lo sido e um cabeceamento a razar o poste. Acho que isto diz tudo.

Prata: Lima, 16 valores. Na nossa pior fase, nas nossas fases intermédias, esteve sempre presente no jogo, sempre incisivo, sempre objectivo e perigoso. Correu kilometros - e bem.

Bronze: Ola John, 16 valores. Também nunca perdeu a noção do que se precisava e de como criar perigo. Sempre activo, sempre rápido, centrou para o golo que virou o jogo. E deu sempre água pela barba ao seu marcador directo.

Outros destaques


Desta vez os nossos defesas não estiveram a um nível tão alto e portanto não surgem aqui. Mas Melga esteve certinho e Maxi ainda deu uma ajuda considerável ao ataque na 2ª parte. Garay não foi feliz da forma como abordou o lance do golo do Sporting mas de resto esteve bem e podia mesmo ter virado o jogo mais cedo, com um cabeceamento ao poste. Gaitan entrou para partir de vez a defesa do Sporting. Matic foi um gigante que empurrou o Benfica para a frente e não deu hipóteses ao Sporting de sair para a frente, sobretudo na 2ª parte quando a nossa pressão se tornou asfixiante. Merece 16 valores.

O árbitro


Muito bem. Sem excessos, sem protagonismos, deixando o jogo fluir. Podia ter dado mais um ou outro amarelo aqui ou ali mas não o fez e a meu ver bem. Esteve também bem na decisão capital do jogo. Merece 16 valores.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O que diz JJ e como o recebem os benfiquistas

O treinador do Benfica é tão conhecido pelas suas tácticas e resultados como pelos seus ditos.
Jorge Jesus é um homem com pouca instrução que, como ele próprio já admitiu, se criou muito na rua e, mais tarde, cresceu no mundo do futebol.
Expressa-se portanto com várias deficiências no tocante ao Português e tem tiques que muitos gostam de apontar, como o mexer no cabelo ou mascar pastilha.
Para mim tudo isso é absolutamente irrelevante. Numa sociedade que anda sempre a cantar a igualdade e a falar com rancor dos "grandes" nem percebo como podem ser estas questões, que no fundo são "de berço", constantemente trazidas para o discurso público.
Coisas diferentes são a educação e o respeito que se devem patentear no trato com os outros. Aí Jesus, por força do seu carácter impulsivo tem tido vários comportamentos criticáveis, pelos quais já tem sido castigado e que a estrutura do Benfica deve procurar corrigir.
Acontece que por vezes se confundem estas duas ordens de questões. A que se junta uma terceira: uma propensão para declarações polémicas, frontais e umas vezes incompreendidas outras deslocadas. Todos temos os nossos momentos menos bons e JJ, que se expõe bastante, acaba por as ter com alguma frequência.
Mas convenhamos: tudo isso (refiro-me às declarações, desde que naõ ofensivas ou insultuosas) é secundário - o que conta realmente são os resultados dentro de campo.
Por isso tenho alguma dificuldade em entender que sejam muitas vezes os próprios benfiquistas a ser mais críticos com o seu treinador do que a generalidade do mundo futebolístico.

Vem isto, bem entendido, a propósito de declarações recentes de JJ, a saber:

  • a de que o plantel (subentendendo-se que se referia a Luisinho e André Gomes) vai dando para o campeonato mas a Liga dos Campeões é outra história
  • a de que Melgarejo nunca seria extraordinário como atacante
  • a de que o Benfica antes dele era o que era.
Em relação às duas primeiras, considero que não serão as mais apropriadas. Uns acharão que elas são desmotivadoras para os jogadores em causa (e poderão ter razão, mas a este nível os jogadores têm que ter uma estrutura psicológica sólida e certamente que nos treinos JJ não lhes dirá que não prestam - se estão no plantel é porque têm qualidade para tal), outros considerarão que elas exprimem realidades e que poderão até "espicaçar" os jogadores (algo que não é fácil de comprovar).

Já quanto à terceira porém, nada como ir aos factos.

Que nos mostram isto:
JJ                                           Antes de JJ
2010 - 1º (76 pontos)            2007 - 3º (59 pontos)
2011 - 2º (63 pontos)            2008 - 4º  (52 pontos, atrás do V. Guimarães)
2012 - 2º (69 pontos)            2009 - 3º (67 pontos)
Em termos de outros títulos para além do Campeonato, no triénio anterior a JJ conquistámos uma Taça da Liga (com Quique, na polémica final contra o Sporting), ao passo que no triénio de JJ conquistámos 3 taças da Liga.

Em matéria de golos, o balanço é este:
JJ                                          Antes de JJ
2010-2012                            2007-2009 
GM   GS    DG                   GM    GS     DG
205    78    127                   154    73      81
GM - Golos marcados
GS - Golos sofridos
DG - Diferença entre marcados e sofridos.

O triénio anterior (entre 2004 e 2006) foi o de Trapattoni (um campeonato) e Camacho (uma Taça), títulos que marcaram o regresso às conquistas: Antes deles o Benfica não vencia uma Taça havia 8 anos e um Campeonato havia 10.

Nas competições europeias é o que sabemos, para além de uma excelente campanha de Koeman, os longos anos entre Toni e Jorge Jesus foram um completo desastre que incluiram várias goleadas de equipas secundárias. Convém não esquecer isso quando se fala de "oportunidades perdidas" contra o "Barcelona B".

Ou seja, o passado e o presente são realmente incomparáveis e nisso JJ tem razão.

E já nem estou falando da valorização de jogadores (Di Maria. Cardozo, Aimar, Ramirez, Coentrão, David Luiz, Witsel, Javi Garcia, entre outros), na adaptação de outros e no aproveitamente (recente, é certo, mas que espero seja para continuar) dos jovens da formação, para o que a equipa B veio dar um grande impulso.
Quanto ao resto, Jesus deve ter mais contenção (e penso que tem aprendido nesse capítulo) e, na minha perspectiva, respeitando o que os outros pensam, os adeptos devem-se é concentrar no essencial e não em factores acessórios, apoiando a equipa, sobretudo quando tantos poderes ocultos a tentam desestabilizar e prejudicar.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Implicações da derrota do Barcelona em Glasgow

As contas da Champions para o Benfica começaram a complicar-se muito quando perdemos um jogo que não podíamos perder (em Moscovo) depois de dois resultados absolutamente normais: empatar em Glasgow com o Celtic e perder em casa com o Barcelona.

Recordo aliás o seguinte:

quando empatámos em Glasgow na primeira jornada, várias foram as vozes que disseram que o Benfica tinha "obrigação" de fazer melhor, de ser mais ambicioso, até porque o Celtic era "a equipa mais fraca do grupo", como a exibição do Spartak em Nou Camp (chegou a estar ganhar) "demonstrava".

Uma semana depois, o Celtic foi a Moscovo vencer o Spartak. Evidentemente foi uma surpresa, muito embora o resultado tenha acontecido em circunstâncias especiais (o Spartak viu um jogador seu ser expulso). Esse resultado ditou o Benfica ficar na situação que descrevi aqui: não podia perder em Moscovo. Infelizmente fizemos uma péssima exibição, cometemos erros técnicos e tácticos de palmatória e perdemos mesmo.

A partir daí restáva-nos vencer os jogos em casa e esperar que o Barcelona fizesse o que fizera na Luz e vencesse os jogos com os nossos adversários. Mais uma vez, isso não aconteceu: nós realmente vencemos e muito bem o Spartak mas o Barça perdeu na Escócia. O que nos leva para o seguinte cenário:

Classificação



Faltando jogar:

Dia 20/11                              Dia 5/12

Benfica-Celtic                      Barcelona-Benfica
Spartak-Barcelona                Celtic-Spartak

Neste momento, teoricamente, ou melhor matematicamente, todas as equipas têm ainda chances de se apurar e o Barcelona pode mesmo ainda ir parar à Liga Europa.

Para tal ser necessário (o Barcelona ser relegado para a Liga Europa), "bastaria" os catalães perderem os seus dois jogos, o Benfica vencer o Celtic e este vencer o Spartak. Faríamos 10 pontos e o Celtic também contra os atuais do Barcelona. O próprio Spartak, se vencesse os dois jogos alcançaria 9 pontos.

As contas que porém nos interessam a nós, mais realistas, são estas: o Benfica tem que vencer o Celtic (igualando-o em pontos e adquirindo vantagem no confronto direto) e depois não fazer no jogo contra o Barcelona pior que o Celtic fizer em casa contra o Spartak.

Ou seja, não dependemos de nós e inclusivamente as probabilidades estão contra nós. Mas atenção: já houve várias surpresas neste grupo. Nessa medida o que é absolutamente necessário é que o Benfica vença o Celtic em casa, como tem todas as condições para fazer. A partir daí todos os cenários se tornam possíveis. E a partir daí uma outra coisa quase se garantirá (embora não ainda matematicamente): a continuidade na Europa, ainda que na Liga "secundária".

Uma última nota, o Celtic demonstrou ontem uma coisa que se sabe há muito: não há equipas imbatíveis. O que mais me incomodou no nosso jogo contra o Barcelona em casa foi o sentimento de inevitabilidade da derrota, a falta de crença, quer do treinador e dos jogadores até ao público da Luz. Com uma outra atitude (sobretudo faltou alguma agressividade, jogar um bocadinho mais duro, fazer sentir aos jogadores do Barcelona uma outra presença física), podíamos ter alcançado um resultado diferente. Mas assim não aconteceu e agora estamos aqui.

E "aqui" importa primeiro vencer o Celtic e depois pensar no jogo com o Barcelona como um jogo de futebol - em que tudo pode acontecer. Mas as coisas não acontecem sozinhas. É preciso conquistá-las.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Spartak-Benfica - voltou-se aos piores vícios

Estive para escrever no anterior post e passou-me: era importante parar com a tendência dos últimos jogos de sofrer golos, sobretudo sofrer primeiro, logo no início do jogo (Barcelona, Beira Mar, Paços de Ferreira). NÃO SE PODE SOFRER UM GOLO AOS 3 MINUTOS na Liga dos Campeões! Depois andamos a correr para remediar o mal feito, ao passo que a equipa adversária gere o jogo, sai em contra-ataques rápidos e em ataques organizados apenas pela certa.
Não pode ser. É um déjà vu do jogo de Portugal com a Rússia.

Mas infelizmente não foi esse sequer o principal pecado do jogo desta tarde. Jogo que se pode classificar como um dos piores do Benfica dos últimos anos, ao nível do que de vimos a equipa (não) fazer nos tempos de Quique Flores (já o jogo com o Beira Mar me tinha trazido estas más memórias...).

Comecemos pelo princípio - a organização táctica da equipa.

Ponto 1: antendendo ao que eu disse acerca das limitações que o meio campo do Benfica começava a patentear (há coisas que se disfarçam num ou dois jogos e que só se começam a tornar evidentes ao fim de uma sequência mais prolongada), tendo em consideração, já agora, o que aconteceu em São Petesburgo no no ano passado contra o Zénite (Javi não pôde jogar e foi Matic quem fez, sozinho, a posição de trinco tendo ficado Witsel no banco por opção), num jogo que convinha ganhar mas que importava sobretudo não perder, é para mim inexplicável que Jorge Jesus jogue com dois pontas de lança e dois extremos.

Ponto 2: Em relação ao 11, há uma perplexidade: porque insiste Jesus em Bruno César? É verdade que Bruno César gosta de jogar pelo meio e pode, em teoria, dar ali algum apoio. Mas as suas últimas exibições já tinham servido de prova da sua má forma e total inutilidade nesta fase da época. Ainda poderia entender a sua inclusão no 11 no caso de jogar atrás de um único ponta de lança, com a intenção de reforçar o meio campo com mais um elemento. Assim não.

Ponto 3: como é possível nada corrigir depois do golo inicial do Spartak ou, pelo menos, depois de empatarmos o jogo? Continuámos a cometer os mesmos erros! Como é possível nada alterar da 1ª para a 2ª parte?

Ponto 4: voltamos a sofrer golos resultantes de perdas de bola no meio campo ofensivo, com as equipas adversárias a atravessar qual passadeira todo o nosso meio-campo até marcar. Ninguém corta, ninguém faz falta. O golo de James na Luz o ano passado (que deu o 2-2 quando parecíamos ter o jogo - e o campeonato - ganhos) não serviu para JJ aprender nada.

Em Moscovo a nossa equipa andou sempre a correr atrás da bola, sempre chegando atrasada, sempre desposicionada, sem qualquer agressividade, passiva e sem pressionar o adversário.

Já falei também da má entrada da equipa nos jogos, que se repetiu.

Falta apenas um ponto: a entrada de Ola John a um minuto do fim. Isto é brincadeira? Puro desnorte?

O futebol é um jogo muito volúvel. A uma derrota se seguindo outro mau resultado, num clube da grandeza do Benfica, gera-se desde logo uma crise. Os heróis de ontem são vilões amanhã.

Eu não entrarei por esses caminhos, mas também gostava que o nosso treinador não entrasse, à primeira contrariedade, em aparente desnorte para não dizer delírio. E no fim do jogo ainda veio dizer que "merecíamos pelo menos um ponto". No máximo merecíamos o quê?

Há carências no plantel de que JJ não é culpado. Sabemos como Javi e Witsel sairam nas vésperas de fecho do mercado. Ao treinador do Benfica exige-se porém que exiba realismo e cabeça fria. Aquele que teve em Glasgow (quando a equipa foi curta mas conseguiu um ponto que se calhar é o máximo que com as presentes limitações é possível) e que não teve hoje. (No lance do primeiro golo do Spartak há apenas dois jogadores do Benfica atrás do meio campo...).

Ao contrário de Jesus, eu penso que, com um Spartak eficaz, tínhamos hoje saído de Moscovo com uma mão cheia de golos. Tal como aconteceu a Quique na Grécia há uns anos.

Felizmente o Barcelona marcou, no último minuto dos descontos, o 2-1 ao Celtic e continuamos com hipóteses de apuramento. Mas algo terá que mudar. E, como eu disse, comecem a trabalhar para em Dezembro contratar um trinco.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Benfica tem que ir ao mercado em Dezembro

Tenho elogiado as prestações de Enzo Peres no centro do meio campo. Admiro as suas qualidades de futebolista, a forma como trata a bola e lê o jogo. Tem-se esforçado e suado a camisola em prole da equipa como deve ser. Temos ali um jogador valioso que a adaptação forçada pôs em evidência.
Matic também tem feito o que pode. É um jogador com capacidade técnica e física, que se esforça e faz por cumprir as indicações do treinador acerca dos posicionamentos.
Penso, não obstante, que, mesmo contando com os contributos valiosos dos jovens da equipa B, que fico feliz por ver aproveitados, e com Carlos Martins e Aimar (que se têm debatido ainda com mais problemas físicos do que é habitual), penso, dizia, que teremos que reforçar o meio campo com um "trinco" no mercado de Dezembro/Janeiro. Esta deverá ser a prioridade da direcção, mais ainda do que a questão da lateral esquerda, onde, se não se encontrar uma solução barata e indiscutível, Melgarejo e Luisinho (boas indicações contra o Freamunde) deverão chegar para as encomendas.
Vejamos: Enzo Peres é um excelente jogador mas com vocação sobretudo ofensiva, que, um pouco contranatura, está a dar equilíbrio defensivo ao meio campo; Matic não é um trinco de raiz, jogando normalmente na posição que era de Witsel ou até a 10 na sua seleção. Por outro lado, Matic não tem neste momento nenhum suplente no plantel. Se se lesiona a quem pode Jesus recorrer? A soluções ainda mais de recurso. Ora no Benfica isso não pode acontecer.
Nesta medida espero que os dirigentes do Benfica estejam já a trabalhar numa solução. Não desgosto de Airton (não sei qual é a situação actual) que faz parte do quadro dos nossos emprestados, que poderia ser uma solução, mas Jesus não parece partilhar a minha opinião.
Mantendo uma performance elevada no campeonato (a 9 de Dezembro vamos a Alvalade e a 13 de Janeiro recebemos o Porto), como todos esperamos e "aguentando" a Champions, cujas contas passam por não perder com o Spartak fora e vencer os dois jogos em casa, com a introdução de um jogador sólido e rodado, pronto a entrar na equipa em Dezembro, como foi Lucho o ano passado para o Porto, penso que poderemos ser campeões este ano e fazer (caso passemos esta fase) boa figura na Champions (onde chegar aos quartos-de-final seria um bom resultado), não esquecendo a Taça de Portugal e, por fim e apenas caso tenhamos plantel suficiente para rodar sem prejudicar as outras competições, a Taça da Liga.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Benfica-Beira Mar - ainda bem que o campeonato pausou

Exibição desastrosa do Benfica contra o Beira-Mar. Fez lembrar os piores jogos de Quique Flores: contra um adversário fraquíssimo passámos os últimos minutos do jogo em aflição, sem saber o que fazer à bola. Com uma arbitragem mais abilidosa teríamos perdido pontos.

É óbvio que há muitas baixas e que elas se fazem sentir: Luisão, a situação no meio-campo, a própria ausência do Cardozo a limitar as opções de ataque. A isto junta-se um Maxi em menor rendimento (apesar do grande golo e do espírito combativo), um Rodrigo perdulário, um Artur a falhar e muitos jogadores com mazelas do jogo com o Barcelona, que deixou marcas como era expectável.

Tudo isto é compreensível mas não há coisas que não são:

Artur não pode estar constantemente a socar bolas, muito menos na pequena área. Artur tem que agarrar bolas daquele tipo (embora se o lance fosse a nosso favor todos - comentadeiros e especialistas - ali certamente vissem uma falta sobre o guarda-redes...). Andou a dar entrevistas a falar da selecção brasileira quando deveria (vê-se agora) estar mais concentrado no seu trabalho. Deu intranquilidade à equipa com maus passes com os pés, situação em que é recorrente. Artur é um ótimo guarda-redes que tem que estar mais concentrado e pensar apenas nos jogos.

Não se admite a intranquilidade da equipa. A jogar em casa contra o último! Uma equipa que levou 4 golos do Porto e nada fez durante esse jogo. Até por esse facto os jogadores do Benfica deveriam ter entrado em campo para dar 5 ou 6. Ao invés pareceram nervosos, temerosos. De quê??

JJ não pode entrar em parafuso e intranquilizar ainda mais a equipa, ademais criticando em público os jogadores (neste caso foi Lima). A responsabilidade pela péssima exibição é tanto dos jogadores quanto dele.

Continua-se a falhar golos. A resposta de que "a bola há de entrar" não me parece a melhor. Aliás já me foi dito que JJ não acredita que se treine a concretização, o que pode explicar muita coisa. A verdade é que Cristiano Ronaldo é um super-atleta e tem condições físicas que naturalmente 99% dos outros não têm mas para além disso treina mais do que todos os outros. Treina constantemente o remate e a finalização. Com Eusébio acontecia o mesmo. Talvez JJ devesse pensar nisso.

Mas acima de tudo o que me pareceu é que faltou tremendamente consistência, fio de jogo e sentido de equipa ao Benfica de sábado contra o Beira Mar. O jogo estava desligado. Ora Gaitan fazia algumas corridas, ora Sálvio tentava o 1 para 1 ora era Rodrigo a tentar ir sozinho... Penso que o futebol colectivo tem que ser mais interiorizado pelos jogadores para que possamos ter uma verdadeira equipa. Em Glasgow, pareceu-me que o exibimos nalguma medida (faltou depois profundidade e acutilância ofensiva) mas desde então tem sido sempre a piorar.

Para concluir, percebo o que Jorge Jesus disse acerca do apoio dos adeptos mas não concordo. Eu não sou dos que acham que o papel dos adeptos é estar 90 minutos a apoiar por muito mal que a equipa jogue. Isso é o papel da claque. Obviamente não defendo que se passe o jogo a assobiar e muito menos aceito que se assobie um jogador do Benfica. Isso acho desastroso. No entanto há momentos em que os jogadores precisam de ouvir da bancada o desagrado por aquilo que (não) estão a fazer. Para perceberem que há exigência. Para ACORDAREM porque às vezes parecem estar a dormir.

Eu lembro-me de ver o Benfica sistematicamente golear os seus adversários  nos jogos em casa (há muitos anos) e, caso se começasse a jogar demasiado para trás e para os lados, as bancadas desde logo tornarem claro com assobios que isso não era o Benfica.

Em suma, os adeptos podem - e a meu ver devem - em certos momentos do jogo e preferencialmente no fim da primeira parte, expressar a sua insatisfação quando a equipa não está a render.

O que não se pode é, quando a equipa joga como jogou no sábado (como é possível falhar tantos passes?), ignorar os problemas e pretender que tudo está bem.

Espero que estas duas semanas de paragem no campeonato sirvam para Jesus e os jogadores identificarem os problemas e solidificarem processos para que sejamos mais equipa. E já agora para alguns jogadores recuperarem fisicamente pois é patente que bem precisam.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Benfica macio sem hipóteses contra génio

Foi um jogo frustrante, em que o Benfica andou dois terços do tempo atrás da bola e em que o inferno da Luz não chegou a ligar o interruptor.
Já sabíamos que seria difícil mas ficou algum sabor amargo por não termos criado verdadeiros problemas ao Barcelona, que jogou praticamente à vontade, parecendo a dadas alturas que estava a realizar um treino.
E a verdade é que não começámos mal, colocando os jogadores muito compactos em campo e tentanto limitar as linhas de passe do Barcelona e interceptar bolas para sair rápido para o ataque. Foi assim que aconteceram uma ou duas boas jogadas, sobretudo a que terminou no remate forte de Bruno César que deu alguma sensação de golo.
Mas durou muito pouco essa fase porque o esquema colapsou logo aos 7 minutos quando, na sua primeira jogada atacante de perigo, o Barcelona marcou. Alguma passividade da defesa, muito espaço dado a Messi na meia direita da nossa defesa e o inevitável aconteceu. Demasiado cedo no jogo a estratégia de Jesus ruiu.
Era uma estratégia teoricamente boa mas, como se viu, não isenta de riscos, com a agravante de que muito dificilmente dela resultaria perigo efectivo para a defesa do Barcelona, sobretudo desde que este se apanhou a ganhar.
Isso aconteceu de forma esporádica, com destaque para uma grande jogada do Benfica que Lima não conseguiu concretizar face a uma saída rápida da baliza e mancha de Valdez.
Até ao fim da primeira ambas as equipas tiveram meias oportunidades. O Benfica conseguiu mais remates e cantos mas era o Barcelona que vencia.

Na segunda parte, o Benfica entrou muito mal e sofreu o segundo golo com naturalidade. Messi fez o que quis do nosso meio campo defensivo e à entrada da área deu a bola para a esquerda, onde de novo Maxi não estava, e Fabregas rematou forte para o 0-2.
O último fôlego do Benfica veio de um remate de muito longe mas forte e colocado de Sálvio, que o guarda-redes defendeu para canto. Depois disso verificou-se um domínio absoluto do Barcelona que trocou a bola como quis, em ritmo quase de passeio. Nem a saída de Puyol por lesão nem a expulsão de Busquets deram ânimo ao Benfica para ao menos procurar um golo. A nossa equipa estava derrotada, subjugada e extenuada de correr atrás da bola.

O toque de bola e a qualidade do passe do Barcelona são algo de nunca visto na história do futebol, nem sequer nas melhores selecções brasileiras de sempre. É quase misterioso como conseguem depois os seus jogadores parecer estar em todo o lado do campo quando a equipa adversária tem a bola, caindo dois e três em cima do jogador que a tem (e obviamente a perde de imediato). Como dizia ontem, o Barcelona parece ter alcançado a quadratura do círculo. Não tem aparentemente fraquezas, sendo bom na defesa, no meio campo e no ataque. Não é a maior parte das vezes espectacular e chega a ser enfadonho ver aquele futebol. Mas a verdade é que é a equipa mais vencedora de sempre do futebol de clubes e ontem não deu qualquer hipótese ao Benfica.

Que foi, e com isto termino, uma equipa macia. Esperava mais, no sentido de criarmos mais problemas ao Barcelona na nossa casa. De pressionarmos mais a sua defesa. De conseguirmos instalarmo-nos no seu meio-campo. A verdade é que o Barcelona não venceu os últimos jogos (incluindo o Spartak de Moscovo) com a mesma facilidade com que ontem bateu o Benfica. Isso custa-me.
Creio, a posteriori, que a estratégia de expectativa e saídas rápidas é demasiado contra natura para o Benfica, sobretudo quando joga em casa. Penso que o Benfica teria que assumir mais o jogo e ser mais agressivo no meio campo. Na jogada do segundo golo do Barcelona, que acabou definitivamente o jogo, tal a nossa incapacidade para criar perigo, Messi não foi minimamente incomodado, quando era evidente que teria que ter sido feita uma falta de imediato. O Benfica não faz faltas. Isso seria óptimo se os adversários jogassem assim também mas a verdade é que nem o Barcelona o faz. Quando foi necessário, quando pressentiam perigo, os seus jogadores faziam logo falta. O Benfica fez 23 faltas. Se descontarmos as mal assinaladas (que denotam um proteccionismo dos árbitros ao Barcelona que é já conhecido) e as várias faltas desnecessárias que fizemos no fim, mais por despeito do que outra coisa, percebe-se que faltou ao Benfica agressividade e raça. E sem esses atributos é muito difícil criar problemas ao Barcelona, quanto mais tirar-lhe pontos.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Voltando ao futebol

1. Independentemente da arbitragem, é um facto que o Benfica desperdiçou inúmeras oportunidades em Coimbra. Aliás este é um padrão dos últimos anos, a que não será estranho o modelo de jogo: a grande velocidade usada, o avassalador caudal ofensivo e o elevado ritmo de jogo levam a que por vezes falte algum discernimento à frente da baliza. Por outro lado - e isto também é consequência do modelo de jogo, em particular do 4-1-3-2 em que jogávamos na altura, depois de Aimar substituir Enzo - o Benfica não pode permitir que os adversários corram quase sem oposição desde o meio campo até à nossa área como acontece no lance do segundo "penalty" da Académica.

2. Em relação a Cardozo, que vejo constantemente adeptos do Benfica a criticarem, gostava de dizer o seguinte. Há questões que não são racionais e portanto não se pode esperar que duma argumentação resulte persuadir seja quem for. Há pessoas que parecem odiar Cardozo (porquê não sei, embora alguma indolência, aliás resultante da compleição física do jogador, o possa parcialmente explicar) ao passo que outros o defendem, mais não seja com o simples facto de que é o melhor marcador do Benfica das últimas décadas.

Face a este facto e à boa entrada de Lima no jogo, penso que Jorge Jesus deveria ponderar num próximo jogo dar a titularidade ao brasileiro, que, além de ser um bom jogador, tem uma acutilância diferente da dupla Rodrigo-Cardozo. JJ só tem a ganhar: se Lima marcar muitos golos será ótimo para a equipa; se não marcar pelo menos abrandam as críticas a Cardozo e este terá outra tranquilidade para jogar.

3. Percebe-se a intenção de Jesus em dar a titularidade a Bruno César contra a Académica - dar outros equilíbrios ao meio campo. Aliás eu falei disso mesmo na passada semana. No entanto, o brasileiro não parece em boa forma. Se no início do jogo até funcionou, tendo mesmo feito um cruzamento de morte, que resultou na segunda bola ao ferro, a verdade é que com o decorrer do jogo, Bruno César perdeu fôlego e fez demasiados passes errados. Estará talvez na hora de dar uma oportunidade a Nolito como titular e talvez convocar finalmente Olha John.

4. Maxi Pereira tem que ter calma. Se é verdade que no lance do primeiro "penalty", a haver falta (para mim não é óbvio que haja e estou até convencido de que se tivesse paciência para procurar, encontraria inúmeros lances semelhantes por parte dos defesas do Porto nunca sancionados), ela é fora da área, não o é menos que a sua entrada é imprudente. Sabendo que à menor oportunidade os árbitros apitam contra o Benfica, ele deveria abster-se de lhes dar tais veleidades. Por outro lado, na fase final do jogo, Maxi poderia - e deveria - ter sido expulso. Não o foi porque Xistra sabia bem o que tinha feito anteriormente.

5. São algumas ideias e apontamentos que espero que Jesus pondere antes até sexta feira, quando enfrentaremos novo jogo difícil, fora contra o Paços de Ferreira. Há que recuperar a tranquilidade e o equilíbrio emocional e fazer um jogo sério e sem falhas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Para variar, algo diferente: André Villas-Boas



Algumas pessoas espantam-se de Hulk ainda não ter saído do Porto - eu não.
Hulk beneficia do sistema de protecção de que o clube do Porto usufrui no nosso país. Um sistema que se faz sentir nas arbitragens, nas decisões dos Conselhos de disciplina e até na imprensa, televisão incluída. Quem acompanha este blog sabe do que estou falando e quem não acompanha pode aqui pesquisar a palavra "sistema" e ler os posts que sobre o assunto venho escrevendo.
Acrescentaria apenas, sobre a imprensa, que ao passo que os jornalistas afectos ao Benfica e ao Sporting procuram (nem sempre é certo) manter alguma isenção, já no Porto não existe essa preocupação. A defesa do Porto (como se vê até nos programas de "painel") é muito mais intransigente e unida do que a dos clubes de Lisboa.
Voltando a Hulk, os clubes europeus que a imprensa diz interessados (e que até poderão estar mas não pelos valores que o clube do Porto quer embolsar) não deixarão de franzir o sobrolho face a este "fenómeno" quando se lembram de casos como Secretário, Vitor Baía e... André Villas-Boas.
Este outro "fenómeno", aureolado de invencível e génio, adulado pela imprensa nortenha, pleno de confiança e expressões altísonantes, como a "cadeira de sonho", tem feito desde que saiu do Porto uma carreira confrangedora.
Aliás, antes de ingressar no Porto, a sua carreira era inexistente, a tal ponto que até Mourinho, de quem anteriormente não se haviam ouvido críticas ao seu ex-clube, se manifestou estupefacto com a sua contratação. Villas-Boas tinha feito meia dúzia de jogos com a Académica e antes disso limitara-se a fazer relatórios dos adversários para Mourinho.
Na pré-época que antece o ano "de sonho", o Porto fizera exibições sofríveis e não marcara golos. O jogo que altera tudo é a final da Supertaça que (mais uma vez) o Benfica perde para o clube do Porto. Entrando em campo de forma sobranceira e pouco empenhada, convencido da sua superioridade, o Benfica (Roberto) sofre a frio um golo esquisito e não mais se recomporia.
Esse jogo daria o mote para uma época humilhante do Benfica, que fez rapidamente fez esquecer a brilhante época anterior. Muito prejudicado pelas arbitragens nas primeiras jornadas, nas quais foi sôfrego e ansioso, o Benfica permitiu ao Porto uma vantagem que nunca mais recuperaria apesar de uma impressionante série de vitórias.
Já o Porto de Villas-Boas, protegido nas primeiras jornadas, em que alcançou vitórias tangenciais, derrotaria o Benfica por 5-0 (David Luiz a lateral esquerdo...), embalando depois, muito graças ao grande jogador (esse sim) que é Falcao, e a uma confiança tremenda nas suas capacidades, para uma época sem derrotas. Todos nos recordamos disso (infelizmente).
A capacidade de Villas-Boas para motivar os seus atletas, aliada à percepção dos mesmos de que o Benfica era afinal um tigre de papel (JJ ficou aparvalhado e sem reacção após declarações iniciais de Villas-Boas irónicas a desconsiderá-lo), levaram o Porto a superiorizar-se ao Benfica e a vencer 4 títulos nesse ano. JJ parecia bloqueado e impotente face ao "benjamim". "Aluno dá lição ao Mestre da táctica" diziam os jornais. Tenho para mim que JJ nunca mais recuperou do trauma que certamente sofreu e que isso explica algumas das suas decisões mais incompreensíveis desde então.
Estava criado o "fenómeno" Villas-Boas.
Mas não durou muito. A ambição ou a ganância levaram-no a deixar o Porto e em Londres foi o que se viu. Com a agravante de que que Di Matteo, recuperando uma eliminatória praticamente perdida por Villas-Boas (entretanto despedido) contra o Nápoles, viria a fazer o impensável e a vencer a Champions. Foi uma estocada ainda mais dura para Villas-Boas do que propriamente a demissão, tanto mais que Matteo desfez tudo o que o seu antecessor fizera e apostou de novo em Lampard, Drogba e outros veteranos para arrecadar o prémio máximo do futebol europeu. À italiana.
Este ano, nova aposta - o Tottenham. E as coisas já começaram a correr mal. Com uma herança pesada (Harry Rednap, também chamado Harry Potter, por alegadamente ser capaz de fazer "magia" com as suas equipas) e o objectivo declarado de fazer melhor do que no ano passado (4º lugar), Villas-Boas começou a época com uma derrata e um futebol desgarrado, inconsequente e inseguro. Perdeu por 1-2 com o seu Newcastle e o seu golo (em possível fora-de-jogo), que na altura empatou o jogo, veio de uma jogada fortuita, tendo pouco depois sofrido o golo da derrota.
Villas-Boas entrou no futebol "a matar" e beneficiou da estrutura de protecção (a legítima e a ilegítima) de que o futebol do Porto beneficia em Portugal. Agora está só e por si. Mourinho triunfou, mostrando o seu valor inerente, Villas-Boas está perto do insucesso. Nova época decepcionante seria um rude golpe na sua curta e meteórica carreira.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O caso da jornada

Não falei muito sobre isto, porque penso que o Benfica tinha obrigação de ganhar em casa ao Braga e porque considero quase impensável permitir que uma equipa pouco mais do que mediana dê a volta ao resultado, já na segunda parte e, sublinho, em pleno Estádio da Luz.
No entanto, há que dizer, de forma clara, que o golo anulado por pretensa falta de Cardozo é mais uma habilidade de Soares Dias que prejudica gravemente o Benfica.
É certo que se tivessemos feito o que deveríamos, com o plantel de luxo que temos, a vitória teria sido confortável. Mas não é menos verdade que aquele golo limpo nos daria muito provavelmente os 3 pontos desejados.
O que se passa é que nos vamos habituando a ser prejudicados, de tal forma que o nosso treinador no fim do jogo até considera a arbitragem "excelente".
Assim, ao fim de uma jornada Benfica e Porto, os únicos candidatos ao título, estão empatados com um ponto, sendo que o Porto já se declarou prejudicado (bloqueios?) e o Benfica satisfeito com as arbitragens. Ou seja, pois sabemos como as coisas funcionam por aqui, o Porto tem direito a ser "compensado" e o Benfica provavelmente deverá ser novamente prejudicado no futuro próximo.



Cuidado JJ, Domingo vamos ao Bonfim, um campo onde costumamos ter dificuldades. Com outra arbitragem "excelente" habilitamo-nos a nova desilusão. E aí as coisas podem-se complicar muito...

Assim vai o futebol português, assim vai o futebol do Benfica.

ADENDA: Cruz dos Santos, escreve hoje n' "A Bola" que "ficaram por assinalar dois penalties contra o Gil Vicente" (que jogou contra o Porto) e que as televisões não mostram se Cardozo "tocou" (sic) ou não no guarda-redes. Ora as leis do futebol dizem isto (lei 12):

"Faltas cometidas sobre o guarda-redes

  • Há falta quando um jogador impede o guarda-redes de soltar a bola das mãos.
  • Um jogador deve ser penalizado por jogo perigoso se pontapeia ou tenta pontapear a bola quando o guarda-redes a vai repor em jogo.
  • Há falta quando um jogador impede os movimentos do guarda-redes, por exemplo, durante um pontapé de canto".
Não é preciso dizer mais nada.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sálvio dado como garantido

O "Record" dá Sálvio como garantido no Benfica na próxima época, a título definitivo. O "Correio da Manhã" também garante que Sálvio "já deu o sim ao Benfica e aguarda pelo desfecho das negociações entre o Atl. de Madrid e o Benfica por uma verba entre os 8 a 9 milhões de euros".
A confirmar-se trata-se indiscutivelmente de uma boa notícia. Sálvio é um ótimo jogador e nem percebo bem porque não era titular no Atlético de Madrid (que aparentemente vai assinar com ... Cebola) de tal forma era decisivo quando entrava. É um jogador forte, incisivo e com sentido de baliza que pode ser altamente útil ao Benfica.
A minha única questão prende-se com o número de extremos. A confirmar-se esta contratação haverá certamente saídas e talvez até uma nova disposição táctica da equipa. Não é possível manter Cardozo, Rodrigo, Nélson Oliveira, Saviola, Melgarejo, Djaló, Nolito, Bruno César, Ola John, Sávio e Aimar (11 jogadores) para apenas 4 lugares de titular.
Claro que bons jogadores são sempre bem vindos, como bem assinalam seguidores deste blog em anteriores comentários. Sálvio inscreve-se nesta categoria. O que a sua contratação indicia é que haverá também saídas.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Resultados de sondagens - Assembleia Geral

Fizemos já aqui algumas sondagens. Apesar do número de participantes ter sido limitado, queria partilhar os resultados.
Jorge Jesus: a maioria dos participantes considerou que ele se deveria manter como treinador do Benfica na próxima época, até terminar o seu contrato.
Árbitros I: a grande maioria considerou que o que se passou este ano foi ainda mais descarado do que o que aconteceu durante os anos do Apito Dourado, pelos quais o Porto e Pinto da Costa foram condenados por corrupção.
Árbitros II: a pergunta era sobre o que deveria fazer o Benfica para moralizar a arbitragem. A resposta mais votada foi a de que o Benfica deve convocar uma Assembleia Geral para, entre os sócios, debater a questão e definir uma linha a seguir. Seguidamente as opções mais votadas foram: exigir a demissão de Fernando Gomes e Vítor Pereira, começar a usar na Luz os mesmos métodos (mais musculados) que outros usam nas suas casas, com menos votos, exigir a demissão de apenas Fernando Gomes ou apenas Vitor Pereira e por fim dar mais entrevistas a meios de comunicação social.

Comentário: é clara a convicção dos benfiquistas de que o campeonato perdido este ano, se bem que com alguma dose de culpas próprias, se deve sobretudo a arbitragens altamente tendenciosas. Houve por parte dos árbitros uma intenção que chegou a parecer flagrante de prejudicar o Benfica.

Nessa medida, torna-se necessária uma acção decidida e firme por parte da direcção. Não basta protestar é imperioso EXIGIR medidas que garantam que as coisas não se repetem no futuro. O Sporting foi prejudicado em um ou dois jogos e fez um ruído tremendo, com audiências junto do Secretário de Estado e lamentos que duraram toda a época. Depois vieram os benefícios em diversos jogos, sem os quais muito dificilmente estariam no Jamor. Pelo meio houve o caso Pereira Cristovão... O Porto foi prejudicado num lance de penalty (num jogo que até ganhou) e no dia seguinte o árbitro (Duarte Gomes) estava a fazer mea culpa no Facebook. Depois de perder em Barcelos, o treinador do Porto disse que "podiam entregar as faixas ao Benfica" e depois disso foi o que se viu...

Em conclusão, parece-me que a direcção deve tomar medidas para moralizar de vez a arbitragem. Se há coisa evidente, e que se percebe pelo parágrafo acima, é que os árbitros são altamente influenciáveis e permeáveis a pressões. Isto não é aceitável numa competição profissional.

A ideia de convocar uma Assxembleia Geral pode dar à direcção força e legitimidade para EXIGIR medidas de moralização. Se integrámos na sondagem a opção de uso de meios mais "musculados" na Luz, foi apenas no sentido de se fazer perceber aos árbitros que também não aceitaremos impavidamente que outros os usem e retirem disso benefícios, ao passo que nós, por os considerarmos ilegítimos e consequentemente não os usarmos, acabarmos por ser prejudicados. É portanto, mais do que outra coisa, pois não faremos aqui a apologia da violência (o desporto não é isso), uma forma de dizer que não andamos a dormir e não aceitaremos ser os bombos da festa.

Aliás, eu discordo da política dos jogadores não poderem falar com os árbitros ou reclamar das suas decisões (política que foi assumida pelo Benfica). Se olharmos para as equipas de Mourinho, ou mesmo o Barcelona e outras grandes equipas europeias (as inglesas são um pouco a excepção), vemos os jogadores pressionarem os árbitros.
Julgo que é também por sermos os "alunos bem comportados" que acabamos por ver nos ser aplicado um critério de rigor que não se usa contra outras equipas. Que outra equipa teve um jogador expulso por dar um murro na relva? Eu defendo que depois de uma decisão escandalosa como a de não assinalar o penalty em Coimbra, a equipa deveria - SIM, defendo-o - rodear o árbitro e exigir explicações. E no fim do jogo o mesmo. Mesmo que acabássemos o jogo com menos um ou dois, o espírito de grupo sairia reforçado e os jogadores descarregariam um pouco a sua frustração, não sentindo tanto (como aconteceu este ano) que era sempre COMER E CALAR. Por outro lado, o clamor público seria maior e da vez seguinte talvez os árbitros se sentissem menos à vontade para tomar determinado tipo de decisões.

Por fim, aproveito para lembrar que há uma nova sondagem. Para aqueles que quiserem participar está na barra direita.