Folheava hoje um jornal quando me deparei com esta notícia:
Oito anos de cadeia por tentar matar a mulher.
E lembrei-me de Vale e Azevedo.
É um caloteiro? Certamente. Mentiroso compulsivo? Certamente. Prejudicou muito o Benfica? Sem dúvida.
Mas que se saiba não matou nem tentou matar ninguém. Como é então possível ter uma pena superior a homicidas? Como é possível que indivíduos violentos (outra notícia de ontem), com amplo cadastro, que ameaçam de morte pessoas pacíficas, sejam mantidos em liberdade até voltarem a matar?
E depois deste pensamento me vir à mente, li este excelente post: Cores diferentes, justiças diferentes.
Realmente há uma outra personagem corrupta da nossa vida pública que passa com toda a impunidade por processos vários, que incluem mesmo violência e agressões e relações pouco claras com associações criminosas.
Aí já nenhuma prova é válida, já nada serve para condenar.
Portugal atravessa uma grave crise, mas a sua principal raiz é moral. Sem educação, sem valores, sem justiça não há sociedade que funcione.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Benfica TV gera preocupação nos adversários
Desde o seu início, este blog assumiu como objectivo fundamental a defesa intransigente dos interesses do Benfica e da verdade desportiva. E assim foi denunciando algumas situações de flagrante atropelo dessa verdade e dos mais elementares princípios de equidade no futebol português.
Uma dessas situações consiste na evidente selectividade com que por regra são apresentados os casos de arbitragem. E mostrámos como isto é importante não apenas para a percepção que se gera na opinião pública mas também para o sistema continuar a favorecer uns e prejudicar outros, cumprindo formalmente com os regulamentos da Liga. Para essa situação durar e se perpetuar, Pinto da Costa soube manter nos media considerável influência (veja-se a predominância dos "estúdios do Porto" da RTP em matéria de futebol, ou o que se passa na TVI - onde já esteve Júlio Magalhães que assumiu o Porto Canal e está Sousa Martins, que apesar de bom profissional é portista - e no seu site "mais futebol", que chega a roçar o anti-benfiquismo).
Nenhuma influência foi porém tão importante como aquela que Pinto da Costa mantém na Sporttv, pois este canal detém há anos os direitos de transmissão da Liga Portuguesa de Futebol e como tal são os seus realizadores e directores quem determina quais os lances são repetidos, quais os mais escrutinados, quais os que são enviados às outras televisões para os resumos.
Pois bem, ao que parece, esta situação que nunca motivou dúvidas ou hesitações aos poderes do futebol português, torna-se, agora que a Benfica TV poderá vir a transmitir os jogos do Benfica, subitamente problemática, como mostra o blog Pinceladas gloriosas que descobriu no site "mais futebol" um artigo em que aparece o ex-árbitro e "especialista" Pedro Henriques a expressar toda a sua preocupação.
O que demonstra que:
1) tinha o Justiça Benfiquista razão quando alertava para os malefícios de deixar nas mãos da Sporttv, sem controle externo, o importante poder das imagens televisivas (um dos factores para a justiça disciplinar e para a classificação dos árbitros);
2) que o ignorar desta questão, como se ela não existisse, não se devia a ela ser irrelevante mas sim ao facto de todos se sentirem confortáveis com o status quo (o sistema);
3) a decisão de cortar com a Olivedesportos e avançar para a exploração dos direitos televisivos na Benfica TV foi a correcta, como demonstram as várias manifestações do sistema, para quem, neste caso concreto, o que não era antes um problema passou a ser apenas porque se anunciou o fim de um monopólio.
Porque, permitam-me que insista neste ponto, se realmente existe um risco das imagens serem "trabalhadas" e "seleccionadas" (que eu considero que existe de facto), como se explica que só agora ele seja referido? Não se colocou o mesmo problema no passado (e coloca no presente)? Quem fiscalizou a Sporttv? Foi Pedro Henriques?
Folgo em verificar que alguns dos problemas para que aqui vamos alertando comecem a ser publicamente debatidos e que se comece finalmente a desmontar as estruturas de viciação da competição em Portugal. Há que continuar, sem dar tréguas, este combate. Só com total transparência, com um escrutínio permanente do trabalho dos árbitros e de todos os poderes do futebol poderá a competição ser justa, íntegra e sem favorecimentos de nenhuma espécie, como todos nós desejamos.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Porque será?
Para eles, jogadores e comentadores de serviço do clube do Porto, tudo está bem com a arbitragem. Onde há problemas é nos outros clubes. E eles, como nossos amigos que são, querem-nos alertar para isso, para esses "problemas" que existem no Benfica - e agora no Sporting.
É curioso que do Sporting nunca se tinha ouvido nada até há bem pouco tempo. Portistas e sportinguistas (Aguiar e Ferreira, Guedes e Oliveira Costa) semana após semana entendiam-se às mil maravilhas, nunca havendo qualquer discordância. Mas afinal a gestão do Sporting é má!
Parece que foi a exibição de Jorge Sousa no estádio do dragão que acordou os portistas para esta realidade.
Há umas semanas tinha sido Xistra a mostrar aos portistas como afinal as contas do Benfica eram gravíssimas...
Curioso este papel dos árbitros portugueses de despertarem as consciências adormecidas para os reais problemas de gestão dos clubes. Porventura até lhes deveríamos estar agradecidos... É mais uma originalidade do futebol português!
O vosso discurso, meus vígaros, é para enganar tolos.
Aqui ficam algumas pérolas:
"«Todos os anos eles tentam apanhar-nos com acusações na comunicação social. Dentro do campo não têm conseguido. Isso só nos dá mais força», sublinha Maicon, um dos elementos de maior preponderância na esfera azul e branca".
Este é o tal que marcou um golo dois metros em fora de jogo, o que lhe dá bastante autoridade para falar de arbitragens...
"O brasileiro foi mais longe e destacou a supremacia do F.C. Porto «ao longo dos últimos anos». «Os números são esclarecedores: somos os melhores. Perdemos só um jogo para a Liga nos últimos dois anos. Somos superiores, mas humildes. Temos mostrado um nível muito forte»."
"Para Maicon, o setor de arbitragem está, portanto, longe de ser um órgão de polémica. «Para nós está tudo bem. Só me preocupo com o nosso trabalho»". Pudera! Claro que está tudo bem! Quando os árbitros os deixam fazer o que querem... Curioso também que dias depois de fazer este discurso tenha tido uma exibição para recordar em Vila do Conde.
Lucho (ainda assim um desportista que me merece respeito e que não confundo com outros) também sentiu necessidade de falar no assunto:
«Nunca falei de árbitros e não vou falar. São pessoas como nós. Hoje em dia é mais fácil,para não assumir as culpas, atirá-las para os árbitros. O futebol é um desporto muito lindo, um espetáculo, mas acaba-se sempre a falar de árbitros. Eles cometem erros como nós. Seria bom que se deixasse de falar tanto de árbitros.»
Para completar o ramalhete apareceu também Vitor Baía, que tem um interessante historial de casos de arbitragem em jogos contra o Benfica, nomeadamente (arrisco-me a classificar) um dos casos mais escandalosos do futebol mundial, que mostro no vídeo abaixo; apareceu Vitor Baía, dizia, a considerar que afinal no final as "contas equilibram-se" e "os árbitros erram para os dois lados, não influenciando o desfecho das provas".
Porque será que só um clube sente que não há problemas na arbitragem?
É curioso que do Sporting nunca se tinha ouvido nada até há bem pouco tempo. Portistas e sportinguistas (Aguiar e Ferreira, Guedes e Oliveira Costa) semana após semana entendiam-se às mil maravilhas, nunca havendo qualquer discordância. Mas afinal a gestão do Sporting é má!
Parece que foi a exibição de Jorge Sousa no estádio do dragão que acordou os portistas para esta realidade.
Há umas semanas tinha sido Xistra a mostrar aos portistas como afinal as contas do Benfica eram gravíssimas...
Curioso este papel dos árbitros portugueses de despertarem as consciências adormecidas para os reais problemas de gestão dos clubes. Porventura até lhes deveríamos estar agradecidos... É mais uma originalidade do futebol português!
O vosso discurso, meus vígaros, é para enganar tolos.
Aqui ficam algumas pérolas:
"«Todos os anos eles tentam apanhar-nos com acusações na comunicação social. Dentro do campo não têm conseguido. Isso só nos dá mais força», sublinha Maicon, um dos elementos de maior preponderância na esfera azul e branca".
Este é o tal que marcou um golo dois metros em fora de jogo, o que lhe dá bastante autoridade para falar de arbitragens...
"O brasileiro foi mais longe e destacou a supremacia do F.C. Porto «ao longo dos últimos anos». «Os números são esclarecedores: somos os melhores. Perdemos só um jogo para a Liga nos últimos dois anos. Somos superiores, mas humildes. Temos mostrado um nível muito forte»."
"Para Maicon, o setor de arbitragem está, portanto, longe de ser um órgão de polémica. «Para nós está tudo bem. Só me preocupo com o nosso trabalho»". Pudera! Claro que está tudo bem! Quando os árbitros os deixam fazer o que querem... Curioso também que dias depois de fazer este discurso tenha tido uma exibição para recordar em Vila do Conde.
Lucho (ainda assim um desportista que me merece respeito e que não confundo com outros) também sentiu necessidade de falar no assunto:
«Nunca falei de árbitros e não vou falar. São pessoas como nós. Hoje em dia é mais fácil,para não assumir as culpas, atirá-las para os árbitros. O futebol é um desporto muito lindo, um espetáculo, mas acaba-se sempre a falar de árbitros. Eles cometem erros como nós. Seria bom que se deixasse de falar tanto de árbitros.»
Para completar o ramalhete apareceu também Vitor Baía, que tem um interessante historial de casos de arbitragem em jogos contra o Benfica, nomeadamente (arrisco-me a classificar) um dos casos mais escandalosos do futebol mundial, que mostro no vídeo abaixo; apareceu Vitor Baía, dizia, a considerar que afinal no final as "contas equilibram-se" e "os árbitros erram para os dois lados, não influenciando o desfecho das provas".
Porque será que só um clube sente que não há problemas na arbitragem?
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Guilherme Aguiar - apelo à violência/vandalismo?
Nós já conhecemos os métodos do Porto.
Quando alguém não se verga ao sistema e ameaça dizer o que sabe ou tomar medidas prejudiciais à sua iníqua sobrevivência, parte-se para a violência. Aparece então o braço armado do Porto e de Pinto da Costa, a sua guarda pretoriana, que ao murro e à paulada "resolve" os assuntos.
Neste sentido penso que é preciso dar muita atenção ao que disse ontem Guilherme Aguiar.
Que no mínimo foi uma ameaça velada a uma figura que nos últimos dias se tornou conhecida - o ex-árbitro assistente (vulgo fiscal de linha) Devesa Neto.
A história conta-se em 4 linhas: aparentemente, Luis Filipe Vieira terá jantado no restaurante de que Devesa Neto é proprietário em Paços de Ferreira, aquando da deslocação do Benfica àquela cidade. Guilherme Aguiar sentiu necessidade de revelar esse facto, insinuando que algo de errado haveria nisso.
Devesa Neto não se amedrontou e disse com todas as letras "aqui não alternamos" e "se for preciso dizer mais cá estarei".
Pois bem, este senhor não se acocorou perante o Porto como é habitual neste país e Guilherme Aguiar começou com uma conversa estranha. Seria apenas isso ou outra coisa?
É que por várias vezes, Aguiar explicou e repetiu à exaustão onde era o restaurante, com indicações precisas. Na praça central de Paços de Ferreira, tem por baixo isto e ao lado aquilo, etc.
Ora, porque o fez Guilherme Aguiar? (Tenho aliás pena que ninguém o tenha logo na hora confrontado.)
Seria isso um recado para alguém? Irá o estabelecimento ser visitado por alguns superdragons?
Porquê tantas explicações tão detalhadas? Porquê dar a morada completa do restaurante? Era isso importante para os espectadores perceberem o caso?
Já vimos muita coisa e esperamos quase tudo de quem acha que tudo vale. Casas do Benfica vandalizadas e apedrejadas por esse país fora e outras coisas semelhantes que pensávamos impossíveis num Estado europeu civilizado.
O que Guilherme Aguiar ontem fez não é mais nem menos do que o Porto faz há 30 anos. Intimidar, ameaçar, coagir. Não podemos, um Estado democrático não pode continuar impávido e sereno a assistir a este tipo de comportamentos.
Já chegou a este ponto. Já se ameaça, de forma velada e com recados, em público, em directo, na TV. Este o estado do país.
Quando alguém não se verga ao sistema e ameaça dizer o que sabe ou tomar medidas prejudiciais à sua iníqua sobrevivência, parte-se para a violência. Aparece então o braço armado do Porto e de Pinto da Costa, a sua guarda pretoriana, que ao murro e à paulada "resolve" os assuntos.
Neste sentido penso que é preciso dar muita atenção ao que disse ontem Guilherme Aguiar.
Que no mínimo foi uma ameaça velada a uma figura que nos últimos dias se tornou conhecida - o ex-árbitro assistente (vulgo fiscal de linha) Devesa Neto.
A história conta-se em 4 linhas: aparentemente, Luis Filipe Vieira terá jantado no restaurante de que Devesa Neto é proprietário em Paços de Ferreira, aquando da deslocação do Benfica àquela cidade. Guilherme Aguiar sentiu necessidade de revelar esse facto, insinuando que algo de errado haveria nisso.
Devesa Neto não se amedrontou e disse com todas as letras "aqui não alternamos" e "se for preciso dizer mais cá estarei".
Pois bem, este senhor não se acocorou perante o Porto como é habitual neste país e Guilherme Aguiar começou com uma conversa estranha. Seria apenas isso ou outra coisa?
É que por várias vezes, Aguiar explicou e repetiu à exaustão onde era o restaurante, com indicações precisas. Na praça central de Paços de Ferreira, tem por baixo isto e ao lado aquilo, etc.
Ora, porque o fez Guilherme Aguiar? (Tenho aliás pena que ninguém o tenha logo na hora confrontado.)
Seria isso um recado para alguém? Irá o estabelecimento ser visitado por alguns superdragons?
Porquê tantas explicações tão detalhadas? Porquê dar a morada completa do restaurante? Era isso importante para os espectadores perceberem o caso?
Já vimos muita coisa e esperamos quase tudo de quem acha que tudo vale. Casas do Benfica vandalizadas e apedrejadas por esse país fora e outras coisas semelhantes que pensávamos impossíveis num Estado europeu civilizado.
O que Guilherme Aguiar ontem fez não é mais nem menos do que o Porto faz há 30 anos. Intimidar, ameaçar, coagir. Não podemos, um Estado democrático não pode continuar impávido e sereno a assistir a este tipo de comportamentos.
Já chegou a este ponto. Já se ameaça, de forma velada e com recados, em público, em directo, na TV. Este o estado do país.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Um ladrão será sempre um ladrão...
Quem corrompe uma vez para vencer corromperá as que forem preciso ou as que o deixarem.
No nosso país já se ultrapassou tudo, não restando mesmo a mais elementar decência, decoro ou até um mínimo de cuidado em manter as aparência.
Não: tudo é feito às claras e sob os nossos narizes.
Se há 15 dias, Xistra teve boa nota depois de assinar dois penalties fantasma, porque não havia Jorge de Sousa fazer o mesmo, ainda por cima no estádio do patrão do sistema?
E toda a nossa imprensa-de-faz-de-conta continua alegremente a assobiar para o ar como se nada se passasse. Há um ou outro que vão pondo o dedo na ferida, mas tal são cócegas para o sistema. Eles (Pinto da Costa, Fernando Gomes, Antero, Reinaldo Teles) não precisam de mim, nem do leitor, nem da generalidade da opinião pública.
Eles têm adeptos que são iguais a eles, muitos jornalistas que lhes fazem todos os fretes e ferozes comentadores plantados nas TVs e rádios. Que se regozijam semanalmente com vitórias que claramente são ajudadas ou oferecidas pelos árbitros. Que não se importam que o seu clube seja sistematicamente beneficiado e os outros sistematicamente prejudicados. Que tentam branquear essa realidade semana após semana, berrando para evitar que os outros se façam ouvir, mentindo descaradamente acerca do "clube do regime", denegrindo árbitros que há muito morreram (e na miséria, sem nunca terem ido ao Brasil ou comido "fruta para dormir"), confundindo e mascarando o que se passa no futebol português. Quando é preciso (quando estes métodos não são suficientes) vem a agressão, a pedrada, o espancamento encomendado.
Esta gente miserável, sem carácter, alguns dos quais (dirigentes) deveriam estar na prisão se houvesse justiça neste país, continua e continuará a fazer o que quer, a viver à margem da lei, a rir alarvemente e a ter nos árbitros a muleta que os fará ganhar sempre.
Nem podemos esperar da imprensa qualquer denúncia, qualquer indignação. Para eles (com muito poucas excepções) ganha sempre o melhor...
Depois do que se passou o ano passado, do que já aconteceu nestas 6 jornadas, o que mais será preciso para percebam? Se nem com escutas entendem... Não contemos com eles, pois não vale mesmo a pena.
Quanto aos outros clubes, o regionalista, o divisionista Pinto da Costa conseguiu virar parte do Norte contra o Benfica e manter sob a sua influência o Sporting. Hoje o Sporting começa a perceber quão grande foi esse erro. Em grande parte graças a tal estratégia, a existência mesma do Sporting está hoje ameaçada. Mas também deste clube nada temos a esperar. Os sportinguistas preferem acabar como clube a alguma vez se aliarem ao Benfica mesmo que o propósito único fosse limpar o futebol português. O mais natural é que isso venha mesmo a acontecer.
Tudo somado, o Benfica está só. E nesta medida, começo a convencer-me de forma definitiva que só nos resta a "bomba atómica": a recusa em participar destas competições falsificadas enquanto não existirem garantias de isenção, isto é enquanto o sistema não for cortado pela raiz.
Até lá, espero que o Presidente do Benfica não deixe de lembrar o que disse há uns meses: um ladrão será sempre um ladrão e que aqueles ao lado de quem se sentam deputados e ministros ainda há pouco tempo estavam fugindo para Espanha para escapar à prisão.
Um ladrão será sempre um ladrão, um corruptor sempre um corruptor.
Adenda: quem se senta ao lado de um ladrão não se pode surpreender por ser roubado.
No nosso país já se ultrapassou tudo, não restando mesmo a mais elementar decência, decoro ou até um mínimo de cuidado em manter as aparência.
Não: tudo é feito às claras e sob os nossos narizes.
Se há 15 dias, Xistra teve boa nota depois de assinar dois penalties fantasma, porque não havia Jorge de Sousa fazer o mesmo, ainda por cima no estádio do patrão do sistema?
E toda a nossa imprensa-de-faz-de-conta continua alegremente a assobiar para o ar como se nada se passasse. Há um ou outro que vão pondo o dedo na ferida, mas tal são cócegas para o sistema. Eles (Pinto da Costa, Fernando Gomes, Antero, Reinaldo Teles) não precisam de mim, nem do leitor, nem da generalidade da opinião pública.
Eles têm adeptos que são iguais a eles, muitos jornalistas que lhes fazem todos os fretes e ferozes comentadores plantados nas TVs e rádios. Que se regozijam semanalmente com vitórias que claramente são ajudadas ou oferecidas pelos árbitros. Que não se importam que o seu clube seja sistematicamente beneficiado e os outros sistematicamente prejudicados. Que tentam branquear essa realidade semana após semana, berrando para evitar que os outros se façam ouvir, mentindo descaradamente acerca do "clube do regime", denegrindo árbitros que há muito morreram (e na miséria, sem nunca terem ido ao Brasil ou comido "fruta para dormir"), confundindo e mascarando o que se passa no futebol português. Quando é preciso (quando estes métodos não são suficientes) vem a agressão, a pedrada, o espancamento encomendado.
Esta gente miserável, sem carácter, alguns dos quais (dirigentes) deveriam estar na prisão se houvesse justiça neste país, continua e continuará a fazer o que quer, a viver à margem da lei, a rir alarvemente e a ter nos árbitros a muleta que os fará ganhar sempre.
Nem podemos esperar da imprensa qualquer denúncia, qualquer indignação. Para eles (com muito poucas excepções) ganha sempre o melhor...
Depois do que se passou o ano passado, do que já aconteceu nestas 6 jornadas, o que mais será preciso para percebam? Se nem com escutas entendem... Não contemos com eles, pois não vale mesmo a pena.
Quanto aos outros clubes, o regionalista, o divisionista Pinto da Costa conseguiu virar parte do Norte contra o Benfica e manter sob a sua influência o Sporting. Hoje o Sporting começa a perceber quão grande foi esse erro. Em grande parte graças a tal estratégia, a existência mesma do Sporting está hoje ameaçada. Mas também deste clube nada temos a esperar. Os sportinguistas preferem acabar como clube a alguma vez se aliarem ao Benfica mesmo que o propósito único fosse limpar o futebol português. O mais natural é que isso venha mesmo a acontecer.
Tudo somado, o Benfica está só. E nesta medida, começo a convencer-me de forma definitiva que só nos resta a "bomba atómica": a recusa em participar destas competições falsificadas enquanto não existirem garantias de isenção, isto é enquanto o sistema não for cortado pela raiz.
Até lá, espero que o Presidente do Benfica não deixe de lembrar o que disse há uns meses: um ladrão será sempre um ladrão e que aqueles ao lado de quem se sentam deputados e ministros ainda há pouco tempo estavam fugindo para Espanha para escapar à prisão.
Um ladrão será sempre um ladrão, um corruptor sempre um corruptor.
Adenda: quem se senta ao lado de um ladrão não se pode surpreender por ser roubado.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Basta - é hora de derrubar o sistema
Portugal está como está: todos os dias somos bombardeados com más notícias, matraqueados com uma crise que já passou a depressão profunda e da qual parece não haver saída.
São manifestações, é o desânimo geral de se estar num túnel e não se vislumbrar saída. E isto não apenas em Portugal mas em toda a Europa.
Chega o fim de semana e milhões de portugueses como eu desligam das notícias e das desgraças e preparam-se para descontrair, não pensando nos males do mundo e usufruindo do descanso e do lado lúdico da vida. É aí que entra o futebol, que é um JOGO. Queremos golos, emoção, jogadas bonitas, competição, incerteza.
Queremos mas não temos.
Não porque a nossa equipa não jogue bem ou não marque golos - ainda ontem, sob chuva torrencial, depois de uma eliminatória europeia a meio da semana - marcámos dois, vimos um jogador isolado ser parado por um fora de jogo inexistente e mandámos 3 bolas aos ferros.
Não temos porque em Portugal o jogo está viciado.
Há 30 anos, semana sim, semana não (quando não são seguidas), temos espetáculos como o de ontem, nos quais os árbitros assumem o protagonismo, agravados ainda com castigos disciplinares pelo meio.
É hora de dizer BASTA. Os benfiquistas que não vêm isto agora, que está escarrapachado à frente dos olhos, nunca o verão.
Perder ou ganhar é desporto. Todos aceitamos perder ou empatar quando jogamos mal ou o adversário foi superior. Agora ter que engolir semana após semana, ano após ano, roubo, roubo e mais roubo, para mim ultrapassa os limites.
Que direito têm estes poderes podres do futebol em roubar aos benfiquistas o prazer de assistir aos fins de semanas a um jogo LIMPO, SEM MANIPULAÇÕES, EM QUE GANHA O MELHOR?
Porque é mesmo só isto que queremos!
Porque raio temos que passar fins de semana indispostos, revoltados, pela acção, no mínimo incompetente e parcial, no máximo corrupta e manipuladora, de árbitros e orgãos dirigentes do futebol?
Nós, que ALIMENTAMOS o futebol português, que sem o Benfica estaria moribundo, sem espectadores nos estádios e nas televisões!
É hora de dizer chega.
Pela minha parte estou absolutamente certo que é hora de agir. Diria mesmo que esta é a última oportunidade de agir. Caso contrário o Benfica entra numa rota descendente irreversível que o levará a ser um novo Sporting. E depois não há retorno possível.
APELO A TODOS OS BENFIQUISTAS que me lerem e a todos os blogs para lançar um movimento, a começar hoje e que passe pela Assembleia Geral do Benfica, no sentido do nosso Presidente DENUNCIAR, sem mais panos quentes e falinhas mansas, a FALSIFICAÇÃO COMPLETA DO FUTEBOL PORTUGUÊS.
Chega de falarmos nos blogs, de nos revoltarmos e nada fazermos. A nossa saúde, a nossa sanidade mental, as nossas famílias merecem que passemos das palavras aos actos.
Aquilo a que apelo é que todos os benfiquistas juntem forças, se unam, fazendo jus ao seu lema, e que iniciem, no imediato, um movimento de RUPTURA TOTAL E ABSOLUTA COM O SISTEMA, para levar até às últimas consequências, sejam elas as que forem.
NO IMEDIATO, este movimento deve exigir ao Presidente do BENFICA QUE RETIRE O SEU APOIO AO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO E A TODOS OS ORGÃOS DIRIGENTES DA ARBITRAGEM E DA DISCIPLINA.
Que denuncie e assuma a sua ruptura, sem medo de dizer alto e bom som o que está a vista de todos e tudo o mais que se souber ( e não deve ser pouco) e que leve essa postura às últimas consequências, com a certeza que todo o universo benfiquista estará por detrás e a apoiará incondicionalmente, sem receio de castigos nem de represálias. Eles que venham.
NINGUÉM PODERÁ IMPEDIR O BENFICA E OS SEUS DIRIGENTES DE DENUNCIAR ESTA FARSA. Ninguém pode calar esta indignação. Porque de facto basta. Já cansa de tanta fantachada. Diz o povo que o que é demais já cheira mal.
Já ninguém acredita neste futebol e pela sua sobrevivência, pois gostamos deste jogo e queremos voltar a ter prazer em vê-lo aos fins-de-semana, há que assumir em pleno a ruptura com este estado de coisas podre.
O Presidente do Benfica contará certamente com milhões de adeptos nesta sua missão.
É preciso COMEÇAR DO ZERO. COM NOVOS ÁRBITROS, NOVOS OBSERVADORES, NOVOS DIRIGENTES.
CASO CONTRÁRIO, O BENFICA DEVE IMPUGNAR A COMPETIÇÃO E PONDERAR BOICOTÁ-LA sem medo das consequências que daí advenham. Sem o Benfica não há competição, não há a seiva que de que se alimenta o sistema.
É preciso ROMPER, é preciso fazer uma REVOLUÇÃO COMPLETA DO FUTEBOL PORTUGUÊS que tire os árbitros e o poder do futebol DA ÓRBITA DO FUTEBOL CLUBE DO PORTO E DA SUA ASSOCIAÇÃO DE UMA VEZ POR TODAS.
CHEGA DA PODRIDÃO DAS HOMENAGENS A ÁRBITROS E VERGONHOSOS COMPADRIOS.
Caso contrário não vale a pena gastar as nossas saúdes a sofrer com esta fantochada a que chamam de Liga Portuguesa. Ofereçam entre si os títulos e as homenagens. Pelo menos não pagamos para ver. Com a carteira e com a saúde.
Apelo a todos os blogs amigos, a todos os benfiquistas que divulguem tanto quanto possível esta mensagem e que contribuam para que este movimento se torne numa força imparável. À direcção que o assuma e que se não puder ou por falta de força ou por ter telhados de vidro, que dê lugar a outros.
São manifestações, é o desânimo geral de se estar num túnel e não se vislumbrar saída. E isto não apenas em Portugal mas em toda a Europa.
Chega o fim de semana e milhões de portugueses como eu desligam das notícias e das desgraças e preparam-se para descontrair, não pensando nos males do mundo e usufruindo do descanso e do lado lúdico da vida. É aí que entra o futebol, que é um JOGO. Queremos golos, emoção, jogadas bonitas, competição, incerteza.
Queremos mas não temos.
Não porque a nossa equipa não jogue bem ou não marque golos - ainda ontem, sob chuva torrencial, depois de uma eliminatória europeia a meio da semana - marcámos dois, vimos um jogador isolado ser parado por um fora de jogo inexistente e mandámos 3 bolas aos ferros.
Não temos porque em Portugal o jogo está viciado.
Há 30 anos, semana sim, semana não (quando não são seguidas), temos espetáculos como o de ontem, nos quais os árbitros assumem o protagonismo, agravados ainda com castigos disciplinares pelo meio.
É hora de dizer BASTA. Os benfiquistas que não vêm isto agora, que está escarrapachado à frente dos olhos, nunca o verão.
Perder ou ganhar é desporto. Todos aceitamos perder ou empatar quando jogamos mal ou o adversário foi superior. Agora ter que engolir semana após semana, ano após ano, roubo, roubo e mais roubo, para mim ultrapassa os limites.
Que direito têm estes poderes podres do futebol em roubar aos benfiquistas o prazer de assistir aos fins de semanas a um jogo LIMPO, SEM MANIPULAÇÕES, EM QUE GANHA O MELHOR?
Porque é mesmo só isto que queremos!
Porque raio temos que passar fins de semana indispostos, revoltados, pela acção, no mínimo incompetente e parcial, no máximo corrupta e manipuladora, de árbitros e orgãos dirigentes do futebol?
Nós, que ALIMENTAMOS o futebol português, que sem o Benfica estaria moribundo, sem espectadores nos estádios e nas televisões!
É hora de dizer chega.
Pela minha parte estou absolutamente certo que é hora de agir. Diria mesmo que esta é a última oportunidade de agir. Caso contrário o Benfica entra numa rota descendente irreversível que o levará a ser um novo Sporting. E depois não há retorno possível.
APELO A TODOS OS BENFIQUISTAS que me lerem e a todos os blogs para lançar um movimento, a começar hoje e que passe pela Assembleia Geral do Benfica, no sentido do nosso Presidente DENUNCIAR, sem mais panos quentes e falinhas mansas, a FALSIFICAÇÃO COMPLETA DO FUTEBOL PORTUGUÊS.
Chega de falarmos nos blogs, de nos revoltarmos e nada fazermos. A nossa saúde, a nossa sanidade mental, as nossas famílias merecem que passemos das palavras aos actos.
Aquilo a que apelo é que todos os benfiquistas juntem forças, se unam, fazendo jus ao seu lema, e que iniciem, no imediato, um movimento de RUPTURA TOTAL E ABSOLUTA COM O SISTEMA, para levar até às últimas consequências, sejam elas as que forem.
NO IMEDIATO, este movimento deve exigir ao Presidente do BENFICA QUE RETIRE O SEU APOIO AO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO E A TODOS OS ORGÃOS DIRIGENTES DA ARBITRAGEM E DA DISCIPLINA.
Que denuncie e assuma a sua ruptura, sem medo de dizer alto e bom som o que está a vista de todos e tudo o mais que se souber ( e não deve ser pouco) e que leve essa postura às últimas consequências, com a certeza que todo o universo benfiquista estará por detrás e a apoiará incondicionalmente, sem receio de castigos nem de represálias. Eles que venham.
NINGUÉM PODERÁ IMPEDIR O BENFICA E OS SEUS DIRIGENTES DE DENUNCIAR ESTA FARSA. Ninguém pode calar esta indignação. Porque de facto basta. Já cansa de tanta fantachada. Diz o povo que o que é demais já cheira mal.
Já ninguém acredita neste futebol e pela sua sobrevivência, pois gostamos deste jogo e queremos voltar a ter prazer em vê-lo aos fins-de-semana, há que assumir em pleno a ruptura com este estado de coisas podre.
O Presidente do Benfica contará certamente com milhões de adeptos nesta sua missão.
É preciso COMEÇAR DO ZERO. COM NOVOS ÁRBITROS, NOVOS OBSERVADORES, NOVOS DIRIGENTES.
CASO CONTRÁRIO, O BENFICA DEVE IMPUGNAR A COMPETIÇÃO E PONDERAR BOICOTÁ-LA sem medo das consequências que daí advenham. Sem o Benfica não há competição, não há a seiva que de que se alimenta o sistema.
É preciso ROMPER, é preciso fazer uma REVOLUÇÃO COMPLETA DO FUTEBOL PORTUGUÊS que tire os árbitros e o poder do futebol DA ÓRBITA DO FUTEBOL CLUBE DO PORTO E DA SUA ASSOCIAÇÃO DE UMA VEZ POR TODAS.
CHEGA DA PODRIDÃO DAS HOMENAGENS A ÁRBITROS E VERGONHOSOS COMPADRIOS.
Caso contrário não vale a pena gastar as nossas saúdes a sofrer com esta fantochada a que chamam de Liga Portuguesa. Ofereçam entre si os títulos e as homenagens. Pelo menos não pagamos para ver. Com a carteira e com a saúde.
Apelo a todos os blogs amigos, a todos os benfiquistas que divulguem tanto quanto possível esta mensagem e que contribuam para que este movimento se torne numa força imparável. À direcção que o assuma e que se não puder ou por falta de força ou por ter telhados de vidro, que dê lugar a outros.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Há 30 anos a fomentar ódio
Podia ser o lema do Porto de Pinto da Costa. Se é verdade que nenhum clube está isento de culpas em termos de episódios de violência ou de faltas de desportivismo, não o é menos que nunhum clube em Portugal tanto tem incitado ao ódio como o clube do Porto, liderado por Pinto da Costa.
Para a generalidade dos clubes, a violência e o ódio aos adversários são derivações ou degenerescências da paixão clubística. Algo que se tenta erradicar definitivamente, sabendo que sempre haverá manifestações episódicas, que cumpre reprimir e trabalhar para erradicar. Para o Porto porém é uma forma de estar na competição - embora seja precisamente o contrário da essência do desporto. Só assim conseguem fomentar em adeptos e jogadores o espírito de vitória a todo o custo que os caracteriza.
Vem isto a propósito dos comentadores do Porto, nomeadamente Guilherme Aguiar e Miguel Guedes nas suas últimas intervenções.
Aguiar, um homem poderoso no futebol que ainda por cima se move nos meandros da UEFA, tem vindo a usar do seu tempo de antena para defender uma pesa pesadíssima para Luisão. Ora, isto vem de um homem cujo clube ainda o ano passado teve um jogador (Belushi) a fazer igual ou pior, num jogo oficial, do campeonato. Que teve Kostadinov a fazer muito pior há uns anos. Que teve Baía, Pinto, Fernando Couto a fazerem 10 vezes pior do que fez Luisão! Que teve Hulk e Sapunaru a fazerem o que fizeram (Sapunaru reincidindo no ano seguinte). Que teve Deco a fazer o que fez - e Deco confessou já no Brasil que atirou a bota ao árbitro - e levou 3 jogos (depois reduzidos para dois).
Como é possível ser tão hipócrita como Guilherme Aguiar? Não ter vergonha disso e aparecer todas as semanas na televisão?
Depois há Miguel Guedes. No "I" de hoje, em resposta à pergunta sobre se o Benfica passará a fase de grupos da Champions, diz que se não passar "será uma calamidade" (o seu clube não passou no ano passado, sendo eliminado pelo Apoel), o que nem se percebe pois financeiramente o Benfica está agora desafogado, continuando por considerar que "a Administração estará confiante na rentabilidade a tempo inteiro de Aimar e Martins", como que agoirando lesões destes dois jogadores, e acabando com a torpe insinuação: (se Luisão não jogar) "o Benfica já demonstrou a sua confiança de sobra em Jardel, insistindo na sua contratação ao Olhanense entre jogos com o clube". Nem uma palavra de boa sorte ao Benfica.
É o mesmo que andou semana após semana a repetir, como o seu antecessor, sobre o qual já nem quero falar, que o Benfica era o clube do regime e continuanado a denegrir um árbitro morto e enterrado há anos.
Que baixeza, que velhacaria. Como é possível que esta gente não tenha vergonha de dizer em público, para milhões, estas coisas? A resposta é simples: para eles vale tudo. Só fomentam, entre os seus e entre os adversários, que naturalmente se indignam e revoltam com tais enormidades, raiva e ódio.
Aos comentadores do Benfica, certamente haverá também que apontar. No entanto o que não existe é um destilar constante de fel (como Guedes) ou de hipocrisia (como Aguiar). (Nesse aspecto, Serrão até é o menos criticável. Diz muitas coisas insultuosas, faz ataques às vezes quase alarves, mas não é torpe como os outros.)
Seara é claramente alguém que tenta ser imparcial (o que face ao fanatismo dos seus colegas, faz dele um mole na defesa do Benfica). Rui Gomes da Silva é provocador e truculento, não faz o meu estilo, mas ainda assim não se compara aos portistas. Gobern é tão ou tão pouco moderado que foi comentador, tendo-se apenas há poucos meses conhecido com certeza a sua preferência clubística.
Isto só para dizer que não somos todos iguais. Felizmente. Espero que possamos ser mais iguais - mas nunca por nos tornarmos como eles! Nesse dia o Benfica que eu conheço deixará de existir. Espero que sejamos mais iguais por aqueles que há 30 anos fomentam o ódio deixem de vez o futebol português, porventura pagando na justiça o muito que andaram fazendo.
Para a generalidade dos clubes, a violência e o ódio aos adversários são derivações ou degenerescências da paixão clubística. Algo que se tenta erradicar definitivamente, sabendo que sempre haverá manifestações episódicas, que cumpre reprimir e trabalhar para erradicar. Para o Porto porém é uma forma de estar na competição - embora seja precisamente o contrário da essência do desporto. Só assim conseguem fomentar em adeptos e jogadores o espírito de vitória a todo o custo que os caracteriza.
Vem isto a propósito dos comentadores do Porto, nomeadamente Guilherme Aguiar e Miguel Guedes nas suas últimas intervenções.
Aguiar, um homem poderoso no futebol que ainda por cima se move nos meandros da UEFA, tem vindo a usar do seu tempo de antena para defender uma pesa pesadíssima para Luisão. Ora, isto vem de um homem cujo clube ainda o ano passado teve um jogador (Belushi) a fazer igual ou pior, num jogo oficial, do campeonato. Que teve Kostadinov a fazer muito pior há uns anos. Que teve Baía, Pinto, Fernando Couto a fazerem 10 vezes pior do que fez Luisão! Que teve Hulk e Sapunaru a fazerem o que fizeram (Sapunaru reincidindo no ano seguinte). Que teve Deco a fazer o que fez - e Deco confessou já no Brasil que atirou a bota ao árbitro - e levou 3 jogos (depois reduzidos para dois).
Como é possível ser tão hipócrita como Guilherme Aguiar? Não ter vergonha disso e aparecer todas as semanas na televisão?
Depois há Miguel Guedes. No "I" de hoje, em resposta à pergunta sobre se o Benfica passará a fase de grupos da Champions, diz que se não passar "será uma calamidade" (o seu clube não passou no ano passado, sendo eliminado pelo Apoel), o que nem se percebe pois financeiramente o Benfica está agora desafogado, continuando por considerar que "a Administração estará confiante na rentabilidade a tempo inteiro de Aimar e Martins", como que agoirando lesões destes dois jogadores, e acabando com a torpe insinuação: (se Luisão não jogar) "o Benfica já demonstrou a sua confiança de sobra em Jardel, insistindo na sua contratação ao Olhanense entre jogos com o clube". Nem uma palavra de boa sorte ao Benfica.
É o mesmo que andou semana após semana a repetir, como o seu antecessor, sobre o qual já nem quero falar, que o Benfica era o clube do regime e continuanado a denegrir um árbitro morto e enterrado há anos.
Que baixeza, que velhacaria. Como é possível que esta gente não tenha vergonha de dizer em público, para milhões, estas coisas? A resposta é simples: para eles vale tudo. Só fomentam, entre os seus e entre os adversários, que naturalmente se indignam e revoltam com tais enormidades, raiva e ódio.
Aos comentadores do Benfica, certamente haverá também que apontar. No entanto o que não existe é um destilar constante de fel (como Guedes) ou de hipocrisia (como Aguiar). (Nesse aspecto, Serrão até é o menos criticável. Diz muitas coisas insultuosas, faz ataques às vezes quase alarves, mas não é torpe como os outros.)
Seara é claramente alguém que tenta ser imparcial (o que face ao fanatismo dos seus colegas, faz dele um mole na defesa do Benfica). Rui Gomes da Silva é provocador e truculento, não faz o meu estilo, mas ainda assim não se compara aos portistas. Gobern é tão ou tão pouco moderado que foi comentador, tendo-se apenas há poucos meses conhecido com certeza a sua preferência clubística.
Isto só para dizer que não somos todos iguais. Felizmente. Espero que possamos ser mais iguais - mas nunca por nos tornarmos como eles! Nesse dia o Benfica que eu conheço deixará de existir. Espero que sejamos mais iguais por aqueles que há 30 anos fomentam o ódio deixem de vez o futebol português, porventura pagando na justiça o muito que andaram fazendo.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Para variar, algo diferente: André Villas-Boas
Algumas pessoas espantam-se de Hulk ainda não ter saído do Porto - eu não.
Hulk beneficia do sistema de protecção de que o clube do Porto usufrui no nosso país. Um sistema que se faz sentir nas arbitragens, nas decisões dos Conselhos de disciplina e até na imprensa, televisão incluída. Quem acompanha este blog sabe do que estou falando e quem não acompanha pode aqui pesquisar a palavra "sistema" e ler os posts que sobre o assunto venho escrevendo.
Acrescentaria apenas, sobre a imprensa, que ao passo que os jornalistas afectos ao Benfica e ao Sporting procuram (nem sempre é certo) manter alguma isenção, já no Porto não existe essa preocupação. A defesa do Porto (como se vê até nos programas de "painel") é muito mais intransigente e unida do que a dos clubes de Lisboa.
Voltando a Hulk, os clubes europeus que a imprensa diz interessados (e que até poderão estar mas não pelos valores que o clube do Porto quer embolsar) não deixarão de franzir o sobrolho face a este "fenómeno" quando se lembram de casos como Secretário, Vitor Baía e... André Villas-Boas.
Este outro "fenómeno", aureolado de invencível e génio, adulado pela imprensa nortenha, pleno de confiança e expressões altísonantes, como a "cadeira de sonho", tem feito desde que saiu do Porto uma carreira confrangedora.
Aliás, antes de ingressar no Porto, a sua carreira era inexistente, a tal ponto que até Mourinho, de quem anteriormente não se haviam ouvido críticas ao seu ex-clube, se manifestou estupefacto com a sua contratação. Villas-Boas tinha feito meia dúzia de jogos com a Académica e antes disso limitara-se a fazer relatórios dos adversários para Mourinho.
Na pré-época que antece o ano "de sonho", o Porto fizera exibições sofríveis e não marcara golos. O jogo que altera tudo é a final da Supertaça que (mais uma vez) o Benfica perde para o clube do Porto. Entrando em campo de forma sobranceira e pouco empenhada, convencido da sua superioridade, o Benfica (Roberto) sofre a frio um golo esquisito e não mais se recomporia.
Esse jogo daria o mote para uma época humilhante do Benfica, que fez rapidamente fez esquecer a brilhante época anterior. Muito prejudicado pelas arbitragens nas primeiras jornadas, nas quais foi sôfrego e ansioso, o Benfica permitiu ao Porto uma vantagem que nunca mais recuperaria apesar de uma impressionante série de vitórias.
Já o Porto de Villas-Boas, protegido nas primeiras jornadas, em que alcançou vitórias tangenciais, derrotaria o Benfica por 5-0 (David Luiz a lateral esquerdo...), embalando depois, muito graças ao grande jogador (esse sim) que é Falcao, e a uma confiança tremenda nas suas capacidades, para uma época sem derrotas. Todos nos recordamos disso (infelizmente).
A capacidade de Villas-Boas para motivar os seus atletas, aliada à percepção dos mesmos de que o Benfica era afinal um tigre de papel (JJ ficou aparvalhado e sem reacção após declarações iniciais de Villas-Boas irónicas a desconsiderá-lo), levaram o Porto a superiorizar-se ao Benfica e a vencer 4 títulos nesse ano. JJ parecia bloqueado e impotente face ao "benjamim". "Aluno dá lição ao Mestre da táctica" diziam os jornais. Tenho para mim que JJ nunca mais recuperou do trauma que certamente sofreu e que isso explica algumas das suas decisões mais incompreensíveis desde então.
Estava criado o "fenómeno" Villas-Boas.
Mas não durou muito. A ambição ou a ganância levaram-no a deixar o Porto e em Londres foi o que se viu. Com a agravante de que que Di Matteo, recuperando uma eliminatória praticamente perdida por Villas-Boas (entretanto despedido) contra o Nápoles, viria a fazer o impensável e a vencer a Champions. Foi uma estocada ainda mais dura para Villas-Boas do que propriamente a demissão, tanto mais que Matteo desfez tudo o que o seu antecessor fizera e apostou de novo em Lampard, Drogba e outros veteranos para arrecadar o prémio máximo do futebol europeu. À italiana.
Este ano, nova aposta - o Tottenham. E as coisas já começaram a correr mal. Com uma herança pesada (Harry Rednap, também chamado Harry Potter, por alegadamente ser capaz de fazer "magia" com as suas equipas) e o objectivo declarado de fazer melhor do que no ano passado (4º lugar), Villas-Boas começou a época com uma derrata e um futebol desgarrado, inconsequente e inseguro. Perdeu por 1-2 com o seu Newcastle e o seu golo (em possível fora-de-jogo), que na altura empatou o jogo, veio de uma jogada fortuita, tendo pouco depois sofrido o golo da derrota.
Villas-Boas entrou no futebol "a matar" e beneficiou da estrutura de protecção (a legítima e a ilegítima) de que o futebol do Porto beneficia em Portugal. Agora está só e por si. Mourinho triunfou, mostrando o seu valor inerente, Villas-Boas está perto do insucesso. Nova época decepcionante seria um rude golpe na sua curta e meteórica carreira.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
É oficial - Conselho de Disciplina é uma farsa. Futebol português ferido de morte.
Aconselho a leitura da notícia do "Correio da Manhã" de hoje intitulada 'Amigo do FCPorto trama Filipe Vieira'. A história, relativa às razões da punição de Vieira, coincide com o que já ouvi e vi, nomeadamente noutros blogs amigos.
Em duas palavras: no fim do jogo, Vieira, indignado (e bem) com a expulsão de Cardozo (por bater na relva), dirigiu-se em termos menos próprios a Luis Duque, acusando-o de querer controlar a arbitragem para benefício próprio.
A atitude de Vieira, embora seja contestável do ponto de vista da educação e da etiqueta, não me parece porém passível de um castigo.
SOBRETUDO, se considerarmos isto:
- esta situação aconteceu na mesma noite em que um número grande de marginais ateou um incêndio de grandes proporções no Estádio da Luz. Até agora o Conselho de Disciplina nada fez.
- eu vi e o país inteiro também na altura, um fiscal de linha sair do antigo Estádio das Antas corrido a pontapé por dirigentes do Porto, depois do Benfica ali ter ganho 2-0 em 1991. O árbitro levou ainda uma chapada da mulher de Reinaldo Teles e os dirigentes do Benfica tiveram que deixar o Estádio deitados numa ambulância para fugiu aos adeptos e "guardas" que andavam pelos túneis.
- em 2009/2010, Hulk e Sapunaru distribuiram socos e pontapés pelos túneis da Luz. Hulk foi suspenso por 4 meses mas a Federação considerou que esse castigo era inválido e determinou apenas 3 jogos. Ou seja, para a Federação, o que Vieira fez é mais grave do que o que fez Hulk.
- também em 2009/2010, o Benfica é recebido no Porto à pedrada, com bolas de golfe, galinhas dentro de campo e outras originalidades. Não houve consequências.
- em Novembro de 2011, na mesma altura do caso Vieira/Duque, um jornalista da TVI foi insultado por Pinto da Costa e agredido pelos seus capangas. O Sindicato de Jornalistas pediu "mais coragem aos jornalistas que cobrem o FC Porto" e uma "punição exemplar para Pinto da Costa". Naturalmente nada aconteceu.
- segundo a notícia do CM, a instrutora do processo do processo Vieira/Duque propôs o arquivamento do processo e Duque nunca compareceu na Federação para prestar declarações. O relator porém, um adepto do Porto ligado a Lourenço Pinto, levou adiante o castigo.
Face a tudo isto, defendo que o Benfica deverá ponderar muitíssimo bem o que fazer e terá que tomar medidas absolutamente radicais. Eu penso que está na hora do Benfica, no mínimo dos mínimos, reunir uma Assembleia Geral para, com os seus sócios, deliberar o que fazer. O Benfica não pode continuar a fazer parte da farsa completa que é o futebol português.
Um ano igual ao ano passado, em que a classificação foi completamente falsificada, não pode acontecer. Pela minha parte não excluo nada, nem mesmo a não participação nas provas ditas oficiais, ligas da mentira, organizadas (a palavra certa é manipuladas) por gente sem carácter e sem dignidade. Uma exposição bem fundamentada às instâncias internacionais (que ainda assim também não me merecem muito crédito) é outra possibilidade. Acima de tudo, o meu ponto é este: mais do mesmo não vale a pena. É injusto para os atletas, para os sócios e para os adeptos. Algo - de muito sério - tem que ser feito. O Benfica, o verdadeiro sustento do futebol em Portugal, não pode ser o bombo da festa.
Em duas palavras: no fim do jogo, Vieira, indignado (e bem) com a expulsão de Cardozo (por bater na relva), dirigiu-se em termos menos próprios a Luis Duque, acusando-o de querer controlar a arbitragem para benefício próprio.
A atitude de Vieira, embora seja contestável do ponto de vista da educação e da etiqueta, não me parece porém passível de um castigo.
SOBRETUDO, se considerarmos isto:
- esta situação aconteceu na mesma noite em que um número grande de marginais ateou um incêndio de grandes proporções no Estádio da Luz. Até agora o Conselho de Disciplina nada fez.
- eu vi e o país inteiro também na altura, um fiscal de linha sair do antigo Estádio das Antas corrido a pontapé por dirigentes do Porto, depois do Benfica ali ter ganho 2-0 em 1991. O árbitro levou ainda uma chapada da mulher de Reinaldo Teles e os dirigentes do Benfica tiveram que deixar o Estádio deitados numa ambulância para fugiu aos adeptos e "guardas" que andavam pelos túneis.
- em 2009/2010, Hulk e Sapunaru distribuiram socos e pontapés pelos túneis da Luz. Hulk foi suspenso por 4 meses mas a Federação considerou que esse castigo era inválido e determinou apenas 3 jogos. Ou seja, para a Federação, o que Vieira fez é mais grave do que o que fez Hulk.
- também em 2009/2010, o Benfica é recebido no Porto à pedrada, com bolas de golfe, galinhas dentro de campo e outras originalidades. Não houve consequências.
- em Novembro de 2011, na mesma altura do caso Vieira/Duque, um jornalista da TVI foi insultado por Pinto da Costa e agredido pelos seus capangas. O Sindicato de Jornalistas pediu "mais coragem aos jornalistas que cobrem o FC Porto" e uma "punição exemplar para Pinto da Costa". Naturalmente nada aconteceu.
- segundo a notícia do CM, a instrutora do processo do processo Vieira/Duque propôs o arquivamento do processo e Duque nunca compareceu na Federação para prestar declarações. O relator porém, um adepto do Porto ligado a Lourenço Pinto, levou adiante o castigo.
Face a tudo isto, defendo que o Benfica deverá ponderar muitíssimo bem o que fazer e terá que tomar medidas absolutamente radicais. Eu penso que está na hora do Benfica, no mínimo dos mínimos, reunir uma Assembleia Geral para, com os seus sócios, deliberar o que fazer. O Benfica não pode continuar a fazer parte da farsa completa que é o futebol português.
Um ano igual ao ano passado, em que a classificação foi completamente falsificada, não pode acontecer. Pela minha parte não excluo nada, nem mesmo a não participação nas provas ditas oficiais, ligas da mentira, organizadas (a palavra certa é manipuladas) por gente sem carácter e sem dignidade. Uma exposição bem fundamentada às instâncias internacionais (que ainda assim também não me merecem muito crédito) é outra possibilidade. Acima de tudo, o meu ponto é este: mais do mesmo não vale a pena. É injusto para os atletas, para os sócios e para os adeptos. Algo - de muito sério - tem que ser feito. O Benfica, o verdadeiro sustento do futebol em Portugal, não pode ser o bombo da festa.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Os Foras da lei.
Imagem DN
Há algum tempo atrás, Rui Moreira, um homem que gosta de dar lições de moral aos outros mas que é intelectualmente desonesto, dizia que Lisboa era Palermo.
Naquele clube é assim: de há alguns anos para cá, fomentar o bairrismo e o divisionismo do país não basta - há que cultivar o ódio.
Já critiquei muitas vezes, não apenas mas também aqui no blog, as partes gagas das regas e dos apagões na Luz há um ano atrás. Comportamentos desse tipo não são dignos da história e da dimensão do Benfica.
Não descemos porém ao nível do que o clube do Porto fez ontem, numa repetiçaõ de um filme que já vimos muitas outras vezes - e espero sinceramente que nunca o façamos. Gente desta não merece senão uma resposta. Vencermo-los, como ontem fizemos com todo o mérito e categoria.
Isto não quer porém dizer que o que aconteceu ontem deva ser ignorado. Há um jogador do Porto que, enquanto os atletas do Benfica festejam, vai dizer "não, vocês não podem fazer isso aqui" e, não contente, ainda ameaça de punho fechado o treinador do Benfica.
"Não podem"? Não podemos celebrar uma conquista de um campeonato? A taça tem que ser entregue nos balneários e os nossos jogadores têm que ali permanecer fechados hora e meia até haver "condições de segurança"?
Mas onde chegámos nós? Estamos no mundo do desporto ou estamos numa guerra?
Como se não bastasse, o clube do Porto faz ainda um comunicado intitulado "A vergonha da polícia", já depois de Pinto da Costa ter andado, de dedo esticado, no pavilhão a ameaçar a polícia. A culpa, diz o tal comunicado, seria afinal de Carlos Lisboa (que, em vez de celebrar com "urbanidade" teria andado a insultar os adeptos do Porto com palavrões). Tudo estava portanto justificado, menos - claro - a carga policial "sobre crianças e mulheres indefesas". Para aquele clube tudo são vergonhas, excepto o comportamento selvagem dos seus adeptos e dirigentes.
Mas que gente é esta? Até onde vai isto chegar?
Este clube quando perde entra à pancada. E ai dos outros - é bom que fujam porque caso contrário arriscam-se a ficar logo ali. É por estas e outras que os árbitros têm medo. Mas é que é mesmo de ter.
É que esta gente é mal formada, é gente perigosa, que ataca em grupo.
Acabo com as seguintes questões. Será que tudo é permitido a este clube? Para que servem os regulamentos disciplinares? O que mais será preciso acontecer para se tomarem medidas? Ou será que vamos passar todos a deixar o Porto vencer para não incomodarmos os seus adeptos?
quinta-feira, 10 de maio de 2012
O que é o "sistema"? - Parte I
1. A expressão "sistema", aplicada à falta de verdade desportiva no futebol português foi pela primeira vez usada por Dias da Cunha, ex-presidente do Sporting.
Para ele, o "sistema" tinha "dois rostos: Valentim Loureiro e Pinto da Costa" (entrevista à RTP, 2004). Mais tarde acrescentaria um terceiro: Joaquim Oliveira, então patrão da Olivedesportos e portanto da Sporttv.
Oliveira é hoje dono da Controlinveste, que detém participação maioritária nos seguintes orgãos de comunicação: "O Jogo", TSF, "Diário de Notícias", SPORTTV, "Jornal de Notícias" e ainda participações na Agência Noticiosa Lusa e na Agência de viagens Cosmos (agente oficial UEFA para a Península Ibérica). Nos últimos tempos Joaquim Oliveira tem cultivado as relações com o poder político e ganho uma aura de maior respeitabilidade.
Fica assim caracterizada a primeira peça do sistema.
2. As suspeitas levantadas por Dias da Cunha (na verdade o que se passava estava à vista de todos), as denúncias que o presidente do Benfica Luís Filipe Vieira fez (disse ter entregue um dossier à PJ) e as acusações de Carolina Salvado levaram ao processo Apito Dourado, que culminou com várias condenações. Estranhamente porém, o processo é "parado" na relação do Porto, conduzindo à impunidade dos condenados. Não sou eu que o digo:
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=45649
De qualquer forma, e através da coragem de Hermínio Loureiro, há um processo disciplinar autónomo (Apito Final) que, ainda que demasiado brandas, impõe condenações aos clubes corruptores, nomeadamente o Porto (e seu presidente) e o Boavista.
Pinto da Costa é castigado e o seu poder no futebol parece desagregar-se. Parece finalmente iniciar-se uma era de transparência e responsabilização no futebol português. Puro engano.
3. Trinta anos depois, o sistema assume uma nova vida. Com - é importante dizê-lo - a colaboração passiva do Benfica, que acreditou demasiado ingenuamente em histórias da "carochinha". Com efeito, o Benfica cometeu um erro colossal ao apoiar Fernando Gomes para a presidência da Liga (e agora da Federação), acreditando que a suposta "zanga" entre este e Pinto da Costa era um sinal de que Gomes defendia a transparência. A dimensão desse erro manifestou-se logo no primeiro acto oficial de Fernando Gomes como presidente da Liga - a demissão de Ricardo Costa, então presidente da Comissão Disciplinar da Liga. Com essa acção, Gomes mostrou desde logo a todos os agentes do futebol onde estava o poder e implicitamente deu razão ao Porto e às suas queixas quanto ao "túnel", às vigílias e a outros momentos lamentáveis do futebol português. Castigos ao Porto pelo ambiente de terror, bolas de golfe, apedrejamentos, galinhas em campo e outros comportamentos inqualificáveis nem vê-los.
(A este propósito, um à parte: Rui Moreira, antes de abandonar o Trio d'Ataque da RTP, defendeu que Hulk não poderia ser castigado, baseando-se na tese de que os stewards não são agentes do jogo. O que os agredidos deveriam fazer, disse Rui Moreira na altura, era apresentar queixa junto do Ministério Público. Ora, quando a imprensa noticiou que o Ministério Público decidira avançar com processos-crime contra os jogadores do Porto, Moreira escreve, na sua crónica d' "A Bola", que estamos perante uma "vergonha". Fica tudo dito sobre o carácter e a honestidade mental desta figura pública.)
4. A conclusão é que o capital conquistado pelo Benfica com a vitória no campeonato em 2010, o élan daí resultante, tudo se perde. A mensagem de Fernando Gomes tinha passado e os árbitros haviam-na compreendido. A época "perfeita" do Porto de Villas-Boas muito se ficou a dever ao conforto que desde cedo a sua equipa sentiu, como quem tem as costas quentes, com arbitragens inqualificáveis nas primeiras jornadas do campeonato que quase nos arredaram do título.
5. Mas para além dos poderes fácticos do futebol português (Pinto da Costa, Fernando Gomes e Joaquim Oliveira) continuarem a manter vivo o sistema, há um outro poder, igualmente iníquo, mais discreto e talvez ainda mais eficaz, que o perpetua e assassina a verdade desportiva no futebol português. Esse poder será objecto do próximo post.
Ver também:
O que é o sistema - Parte II.
O sistema - as transmissões televisivas.
Para ele, o "sistema" tinha "dois rostos: Valentim Loureiro e Pinto da Costa" (entrevista à RTP, 2004). Mais tarde acrescentaria um terceiro: Joaquim Oliveira, então patrão da Olivedesportos e portanto da Sporttv.
Oliveira é hoje dono da Controlinveste, que detém participação maioritária nos seguintes orgãos de comunicação: "O Jogo", TSF, "Diário de Notícias", SPORTTV, "Jornal de Notícias" e ainda participações na Agência Noticiosa Lusa e na Agência de viagens Cosmos (agente oficial UEFA para a Península Ibérica). Nos últimos tempos Joaquim Oliveira tem cultivado as relações com o poder político e ganho uma aura de maior respeitabilidade.
Fica assim caracterizada a primeira peça do sistema.
2. As suspeitas levantadas por Dias da Cunha (na verdade o que se passava estava à vista de todos), as denúncias que o presidente do Benfica Luís Filipe Vieira fez (disse ter entregue um dossier à PJ) e as acusações de Carolina Salvado levaram ao processo Apito Dourado, que culminou com várias condenações. Estranhamente porém, o processo é "parado" na relação do Porto, conduzindo à impunidade dos condenados. Não sou eu que o digo:
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=45649
De qualquer forma, e através da coragem de Hermínio Loureiro, há um processo disciplinar autónomo (Apito Final) que, ainda que demasiado brandas, impõe condenações aos clubes corruptores, nomeadamente o Porto (e seu presidente) e o Boavista.
Pinto da Costa é castigado e o seu poder no futebol parece desagregar-se. Parece finalmente iniciar-se uma era de transparência e responsabilização no futebol português. Puro engano.
3. Trinta anos depois, o sistema assume uma nova vida. Com - é importante dizê-lo - a colaboração passiva do Benfica, que acreditou demasiado ingenuamente em histórias da "carochinha". Com efeito, o Benfica cometeu um erro colossal ao apoiar Fernando Gomes para a presidência da Liga (e agora da Federação), acreditando que a suposta "zanga" entre este e Pinto da Costa era um sinal de que Gomes defendia a transparência. A dimensão desse erro manifestou-se logo no primeiro acto oficial de Fernando Gomes como presidente da Liga - a demissão de Ricardo Costa, então presidente da Comissão Disciplinar da Liga. Com essa acção, Gomes mostrou desde logo a todos os agentes do futebol onde estava o poder e implicitamente deu razão ao Porto e às suas queixas quanto ao "túnel", às vigílias e a outros momentos lamentáveis do futebol português. Castigos ao Porto pelo ambiente de terror, bolas de golfe, apedrejamentos, galinhas em campo e outros comportamentos inqualificáveis nem vê-los.
(A este propósito, um à parte: Rui Moreira, antes de abandonar o Trio d'Ataque da RTP, defendeu que Hulk não poderia ser castigado, baseando-se na tese de que os stewards não são agentes do jogo. O que os agredidos deveriam fazer, disse Rui Moreira na altura, era apresentar queixa junto do Ministério Público. Ora, quando a imprensa noticiou que o Ministério Público decidira avançar com processos-crime contra os jogadores do Porto, Moreira escreve, na sua crónica d' "A Bola", que estamos perante uma "vergonha". Fica tudo dito sobre o carácter e a honestidade mental desta figura pública.)
4. A conclusão é que o capital conquistado pelo Benfica com a vitória no campeonato em 2010, o élan daí resultante, tudo se perde. A mensagem de Fernando Gomes tinha passado e os árbitros haviam-na compreendido. A época "perfeita" do Porto de Villas-Boas muito se ficou a dever ao conforto que desde cedo a sua equipa sentiu, como quem tem as costas quentes, com arbitragens inqualificáveis nas primeiras jornadas do campeonato que quase nos arredaram do título.
5. Mas para além dos poderes fácticos do futebol português (Pinto da Costa, Fernando Gomes e Joaquim Oliveira) continuarem a manter vivo o sistema, há um outro poder, igualmente iníquo, mais discreto e talvez ainda mais eficaz, que o perpetua e assassina a verdade desportiva no futebol português. Esse poder será objecto do próximo post.
Ver também:
O que é o sistema - Parte II.
O sistema - as transmissões televisivas.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
O Benfica precisa de uma estrutura - os últimos 30 anos
No rescaldo da vitória da Taça da Liga, defendi não ser ainda chegado o momento de se fazer uma avaliação final ao trabalho de Jorge Jesus, até porque a época não terminou. Pode-se e deve-se porém começar a preparar o caminho e a apontar soluções para que o futuro seja mais estável e sustentado do que o presente.
Os últimos 30 anos do Benfica são os piores da sua história.
Em 1982, faz amanhã 30 anos, Pinto da Costa assumiu a presidência do FCP. Os resultados são os que se conhecem. De uma posição de hegemonia no futebol português, o Benfica passou, numa primeira fase, a dividir o seu domínio com o Porto, até chegar à posição de hoje: um clube menorizado, constantemente vencido pelo seu adversário nortenho. Os períodos de crise, instabilidade e conturbação tornaram-se cada vez mais frequentes.
Entre 82 e 2012 o Benfica venceu 6 campeonatos (1982/83, 1983/84, 1986/87, 1988/89, 1990/91, 1993/94, 2004/05, 2009/10), 7 Taças de Portugal (1982/83, 1984/85, 1985/86, 1986/87, 1992/93, 1995/96, 2003/04), 3 Supertaças (1984/85, 1988/89, 2004/05) e 4 Taças da Liga (2008/09, 2009/10, 2010/11, 2011/12). Um total de 20 títulos em 30 anos. No mesmo período, o Porto venceu 18 campeonatos, 12 Taças e 17 (!) Supertaças, totalizando 47 títulos nacionais. Mais do dobro portanto. A isto acrescem duas Taças dos Campeões, duas Taças UEFA (Liga Europa), duas Taças Intercontinentais e uma Supertaça Europeia, num total de 7 títulos internacionais. Se contabilizarmos estes títulos, o Porto quase triplica o número de troféus conquistados pelo Benfica nas últimas três décadas.
Já o Sporting ganhou apenas 2 campeonatos, 4 Taças e 6 supertaças.
Ou seja, desde que Pinto da Costa é presidente do Porto, o domínio deste clube no futebol português foi avassalador, relegando o Benfica para uma posição secundária, e praticamente acabando com acabando com o estatuto de "grande" do Sporting.
Estamos perante algo nunca visto no futebol mundial.
É óbvio que muitos destes títulos portistas foram "conquistados" de forma ilegítima, ilícita, com batota e favores arbitrais. Noutros países, o Porto tê-los-ia perdido e Pinto da Costa teria sido irradiado. É sabido que muitos árbitros, desde Calheiros a Guímaro e Martins dos Santos foram corrompidos. Houve viagens pagas, subornos, "meninas", violência e intimidação. No entanto, estamos em Portugal, a justiça é o que é e a verdade é que esses títulos contam. Por outro lado, não podemos ignorar que houve trabalho, organização e mérito que contribuiram para que o Porto esteja na actual posição. Os títulos internacionais demonstram-no.
O que está então o Benfica a fazer de errado e que lições pode tirar das últimas três décadas para inverter esta tendência de declínio?
A meu ver há dois factores principais: organização e identidade.
A identidade benfiquista começou-se a diluir na época 1979/80 quando entra o primeiro jogador estrangeiro no clube. A mentalidade clubística, a chamada mística, a consciência de se pertencer a um clube especial, a um emblema cuja camisola tinha um peso e acarretava responsabilidades, sofreram o primeiro abalo. Os tempos são outros e não é hoje obviamente exequível manter uma equipa só com portugueses. No entanto, jogar sem portugueses é algo que não pode acontecer no Benfica. Diga-se aliás que Vieira prometeu há uns anos ter no Benfica a espinha dorsal da selecção nacional...
O que se passou seguidamente foi que apesar do Benfica ter bons jogadores nos anos seguintes começou a faltar alguma consistência aos plantéis. Ao lado de jogadores como Diamantino, Chalana, Bento, Rui Águas ou Veloso apareciam outros com menos qualidade. Acima de tudo faltava já a coesão interna necessária para integrar os novos jogadores no espírito benfiquista. Eram equipas heterogéneas. A geração de Humberto Coelho, Nené e Shéu chegava ao fim e a nova não tinha a mesma fibra. Começavam a entrar e sair jogadores e treinadores demasiado depressa. No Porto seguia-se o caminho inverso. Inventava-se uma identidade clubística como bandeira do Norte e criava-se um tipo de jogador à porto, com uma cultura táctica muito forte, que permitia que jogadores menos dotados se integrassem no que era já uma equipa muito coesa. Feita de combatividade e futebol defensivo mas também de alguma técnica, esta cultura portista começou a dar resultados. O complexo de vir jogar ao Sul começava a ser ultrapassado. Jogadores como Jaime Pacheco, Jaime Magalhães, João Pinto, Frasco e Inácio são os maiores expoentes deste novo Porto. Numa bola de contra-ataque Gomes fazia a diferença. Mas em breve haveria também Futre, Madjer, Juary, jogadores cuja criatividade era um bónus para o futebol sempre seguro do Porto.
Para o clube do Norte, o jogo não era para ser bonito, fazer sonhar, transmitir valores. Era para ganhar.
Pedroto e Pinto da Costa começam, a par da cultura desportiva e identidade que inventaram, a fazer uma guerrilha, oculta ou aberta conforme as ocasiões, ao Benfica, a Lisboa, ao "Sul". Não havia "princípios" nem "acordos de cavalheiros". Levam Futre ao Sporting e Rui Águas e Dito ao Benfica. Começam a pressionar árbitros e orgãos federativos. Desde a morte de Pedroto, adopta-se nas Antas uma atitude clara de intimidação e coacção. Do medo futebolístico portista de jogar no Sul passa-se ao medo físico dos restantes clubes (e árbitros) em ir às Antas. Os dirigentes do Benfica não prestaram a devida atenção ao que se estava a passar e quando acordaram já era tarde.
As vitórias dão cada vez mais moral ao Porto. A cidade aglutina-se à volta do clube, o poder cresce nas estruturas do futebol. É a época dos "três pintos". O projecto de poder de Pinto da Costa é estruturado e ambicioso. Também na imprensa há cada vez mais portistas, mais aguerridos, mais militantes e mais subtis do que a clássica imprensa desportiva, maioritariamente afecta ao Benfica. O Benfica perde cada vez mais a sua identidade, definha. Quando chegamos ao fim da década de 80, o equilíbrio de forças no futebol português já foi invertido. O Benfica de João Santos e Gaspar Ramos, que atinge duas finais europeias, ainda consegue dois campeonatos (um deles conquistado nas Antas, sob um clima de terror e violência liderado pelo "guarda Abel") e uma Taça mas os efeitos do ciclo vencedor portista não se tardariam a fazer sentir.
Os últimos 30 anos do Benfica são os piores da sua história.
Em 1982, faz amanhã 30 anos, Pinto da Costa assumiu a presidência do FCP. Os resultados são os que se conhecem. De uma posição de hegemonia no futebol português, o Benfica passou, numa primeira fase, a dividir o seu domínio com o Porto, até chegar à posição de hoje: um clube menorizado, constantemente vencido pelo seu adversário nortenho. Os períodos de crise, instabilidade e conturbação tornaram-se cada vez mais frequentes.
Entre 82 e 2012 o Benfica venceu 6 campeonatos (1982/83, 1983/84, 1986/87, 1988/89, 1990/91, 1993/94, 2004/05, 2009/10), 7 Taças de Portugal (1982/83, 1984/85, 1985/86, 1986/87, 1992/93, 1995/96, 2003/04), 3 Supertaças (1984/85, 1988/89, 2004/05) e 4 Taças da Liga (2008/09, 2009/10, 2010/11, 2011/12). Um total de 20 títulos em 30 anos. No mesmo período, o Porto venceu 18 campeonatos, 12 Taças e 17 (!) Supertaças, totalizando 47 títulos nacionais. Mais do dobro portanto. A isto acrescem duas Taças dos Campeões, duas Taças UEFA (Liga Europa), duas Taças Intercontinentais e uma Supertaça Europeia, num total de 7 títulos internacionais. Se contabilizarmos estes títulos, o Porto quase triplica o número de troféus conquistados pelo Benfica nas últimas três décadas.
Já o Sporting ganhou apenas 2 campeonatos, 4 Taças e 6 supertaças.
Ou seja, desde que Pinto da Costa é presidente do Porto, o domínio deste clube no futebol português foi avassalador, relegando o Benfica para uma posição secundária, e praticamente acabando com acabando com o estatuto de "grande" do Sporting.
Estamos perante algo nunca visto no futebol mundial.
É óbvio que muitos destes títulos portistas foram "conquistados" de forma ilegítima, ilícita, com batota e favores arbitrais. Noutros países, o Porto tê-los-ia perdido e Pinto da Costa teria sido irradiado. É sabido que muitos árbitros, desde Calheiros a Guímaro e Martins dos Santos foram corrompidos. Houve viagens pagas, subornos, "meninas", violência e intimidação. No entanto, estamos em Portugal, a justiça é o que é e a verdade é que esses títulos contam. Por outro lado, não podemos ignorar que houve trabalho, organização e mérito que contribuiram para que o Porto esteja na actual posição. Os títulos internacionais demonstram-no.
O que está então o Benfica a fazer de errado e que lições pode tirar das últimas três décadas para inverter esta tendência de declínio?
A meu ver há dois factores principais: organização e identidade.
A identidade benfiquista começou-se a diluir na época 1979/80 quando entra o primeiro jogador estrangeiro no clube. A mentalidade clubística, a chamada mística, a consciência de se pertencer a um clube especial, a um emblema cuja camisola tinha um peso e acarretava responsabilidades, sofreram o primeiro abalo. Os tempos são outros e não é hoje obviamente exequível manter uma equipa só com portugueses. No entanto, jogar sem portugueses é algo que não pode acontecer no Benfica. Diga-se aliás que Vieira prometeu há uns anos ter no Benfica a espinha dorsal da selecção nacional...
O que se passou seguidamente foi que apesar do Benfica ter bons jogadores nos anos seguintes começou a faltar alguma consistência aos plantéis. Ao lado de jogadores como Diamantino, Chalana, Bento, Rui Águas ou Veloso apareciam outros com menos qualidade. Acima de tudo faltava já a coesão interna necessária para integrar os novos jogadores no espírito benfiquista. Eram equipas heterogéneas. A geração de Humberto Coelho, Nené e Shéu chegava ao fim e a nova não tinha a mesma fibra. Começavam a entrar e sair jogadores e treinadores demasiado depressa. No Porto seguia-se o caminho inverso. Inventava-se uma identidade clubística como bandeira do Norte e criava-se um tipo de jogador à porto, com uma cultura táctica muito forte, que permitia que jogadores menos dotados se integrassem no que era já uma equipa muito coesa. Feita de combatividade e futebol defensivo mas também de alguma técnica, esta cultura portista começou a dar resultados. O complexo de vir jogar ao Sul começava a ser ultrapassado. Jogadores como Jaime Pacheco, Jaime Magalhães, João Pinto, Frasco e Inácio são os maiores expoentes deste novo Porto. Numa bola de contra-ataque Gomes fazia a diferença. Mas em breve haveria também Futre, Madjer, Juary, jogadores cuja criatividade era um bónus para o futebol sempre seguro do Porto.
Para o clube do Norte, o jogo não era para ser bonito, fazer sonhar, transmitir valores. Era para ganhar.
Pedroto e Pinto da Costa começam, a par da cultura desportiva e identidade que inventaram, a fazer uma guerrilha, oculta ou aberta conforme as ocasiões, ao Benfica, a Lisboa, ao "Sul". Não havia "princípios" nem "acordos de cavalheiros". Levam Futre ao Sporting e Rui Águas e Dito ao Benfica. Começam a pressionar árbitros e orgãos federativos. Desde a morte de Pedroto, adopta-se nas Antas uma atitude clara de intimidação e coacção. Do medo futebolístico portista de jogar no Sul passa-se ao medo físico dos restantes clubes (e árbitros) em ir às Antas. Os dirigentes do Benfica não prestaram a devida atenção ao que se estava a passar e quando acordaram já era tarde.
As vitórias dão cada vez mais moral ao Porto. A cidade aglutina-se à volta do clube, o poder cresce nas estruturas do futebol. É a época dos "três pintos". O projecto de poder de Pinto da Costa é estruturado e ambicioso. Também na imprensa há cada vez mais portistas, mais aguerridos, mais militantes e mais subtis do que a clássica imprensa desportiva, maioritariamente afecta ao Benfica. O Benfica perde cada vez mais a sua identidade, definha. Quando chegamos ao fim da década de 80, o equilíbrio de forças no futebol português já foi invertido. O Benfica de João Santos e Gaspar Ramos, que atinge duas finais europeias, ainda consegue dois campeonatos (um deles conquistado nas Antas, sob um clima de terror e violência liderado pelo "guarda Abel") e uma Taça mas os efeitos do ciclo vencedor portista não se tardariam a fazer sentir.
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