Mostrar mensagens com a etiqueta Rui-Rangel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui-Rangel. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de outubro de 2012

Parabéns aos vencedores, dignidade aos vencidos

Luis Filipe Vieira foi eleito com uma enorme maioria (83,02% contra 13,72% de Rangel). A vitória de Vieira nunca me pareceu em causa, pois Rui Rangel não conseguiu a onda de vitória que seria necessária para desalojar um Presidente que, apesar das duas más épocas desportivas passadas, tem objectivamente uma obra feita no Benfica. O anúncio do fim da relação com a Olivedesportos deu à vitória a expressão que teve.

É hora de união, é hora de cerrar fileiras. Vêm tempos difíceis a caminho, com os constrangimentos económicos do país e - não tenho dúvidas - uma última ofensiva do sistema, que fica, a partir do fim do monopólio da Sporttv, com um dos seus alicerces muito fragilizado. Temos, independentemente das arbitragens, um adversário muito forte no Porto e só um Benfica muito determinado e unido pode ser vencedor a nível nacional.

É pois hora de união, de aceitar os resultados e de saber respeitar os vencidos. Rangel mostrou o seu benfiquismo e teve a coragem de avançar, com algum risco para a sua imagem pública e credibilidade. Acompanharam-no benfiquistas verdadeiros, animados de esperança, que merecem ser felicitados pela sua coragem em dar a cara e avançar. Têm todo o meu respeito. Muitos acreditaram num projecto diferente para o Benfica, que certamente esperavam que seria mais vencedor do que o de Vieira.

Mas os sócios expressaram-se de forma inequívoca e mostraram o seu apoio e a sua crença em Luis Filipe Vieira. É nele que confiam para levar o Benfica à posição cimeira em que merece estar. Saibamos pois todos celebrar a democracia benfiquista e aceitar os resultados. Saibamos ultrapassar diferenças em nome do nosso lema. O Presidente e a sua direcção devem também dar passos para esta união, para que todos se sintam em casa no Benfica.

Somos todos benfiquistas pelo que a partir de amanhã só uma coisa importa: apoiar o nosso clube do coração.

Quanto aos que receberam o resultado com insultos e petardos, que dizem que os sócios são estúpidos por ter votado como votaram e que isto não é o Benfica, têm bom remédio: vão-se embora e não voltem a aparecer. Nós, os benfiquistas cujo clubismo e paixão não depende de quem é o Presidente nem de projectos de poder, não sentiremos falta nenhuma.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Dia de votar, de contar e de respeitar

Há muita agitação pelos blogs, com alegados problemas relacionados com o voto electrónico e pretensas ameaças e condicionamentos.
Em todas as eleições há sempre qualquer coisa que corre menos bem. Nos EUA, país que é um modelo de eleições, houve há 16 anos umas eleições que foram contestadas e em última análise decididas pelo Supremo Tribunal. Em todas, mas todas as eleições, há problemas aqui e ali, porque nem as pessoas nem as próprias máquinas são infalíveis. Se há problemas eles devem ser registados e depois analisados pelas comissões eleitorais, nas quais as duas candidaturas têm uma palavra a dizer.
Acima de tudo há que manter a cabeça fria e deixar o acto decorrer com normalidade. Ninguém será certamente impedido de votar em quem quer.
Lembrem-se: nem Vale e Azevedo, o homem que enganou meio mundo- e continua a enganar os ingleses! - conseguiu fugir à decisão dos benfiquistas expressa em eleições!
Por isso, vamos manter a calma e deixar os sócios falar. Às 23.00h já se conhecerão os resultados. E depois disso, o Benfica terá um Presidente. Um só, que convém que todos respeitem.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Fim da Sporttv - análise preliminar

É a notícia mais importante da actualidade benfiquista e uma das mais aguardadas.

O tema das transmissões televisivas é importante por três motivos: a valorização da imagem (agora diz-se "marca") do Benfica inclusivamente fora de Portugal, o aumento da receita financeira (fundamental face à austeridade e à diminuição do consumo em Portugal) e finalmente o que eu chamo o combate ao sistema.

Se as duas primeiras razões são autoexplicativas, já sobre a terceira convirá dizer alguma coisa.

Quem acompanha este blog sabe como tenho falado acerca do sistema. Abri inclusivamente um separador que concentra os artigos sobre o tema e permite ao leitor uma fácil consulta dos mesmos.

O sistema tem uma cúpula que é ocupada por Pinto da Costa, que é o líder quase mítico dos adeptos e jogadores e o "papa" do sistema, quer dizer a sua "autoridade" (i)moral. Mas vivemos hoje no tempo do dinheiro. Este é que realmente comanda quem não tem fidelidades a valores ou à sua consciência - condição de grande parte da gente que anda no mundo do futebol. Nessa medida era necessário que a "autoridade" tivesse uma fonte de poder, o que equivale a dizer uma fonte de dinheiro.

Como pode o Porto, com uma base de adeptos relativamente limitada, com assistências médias no seu estádio de 35.000 espectadores (embora mesmo estes números oficiais do Porto me suscitem dúvidas porque poderão estar inflacionados - ver a este propósito o excelente trabalho do site ser benfiquista), ter um orçamento tão elevado e constantemente ter mais capacidade financeira do que o Benfica para contratar jogadores? A resposta passa em parte pelo papel da Olivedesportos.

Joaquim Oliveira é dono de um grupo de comunicação que domina há anos o futebol português, através de vários "esquemas" que envolvem governantes e a RTP. Nele Pinto da Costa muito se apoiou, lícita e ilicitamente.

Convém não esquecer que o escandaloso caso das viagens pagas a árbitros foi agenciado pela "Cosmos", operador turístico que é aliás o agente oficial da UEFA na península ibérica e que evidentemente pertence a Joaquim Oliveira. Como chegou a ser agente UEFA uma organização que participou num esquema criminoso é algo que custa a entender, sobretudo dadas as invectivas de Platini contra a batota. Mas sabe-se que o Porto sempre teve boas relações no organismo que gere o futebol europeu, onde Guilherme Aguiar soube cultivar boas relações.

Oliveira conquistou um império que abrange a TSF, o Jogo, o DN e o JN e que tem na Sporttv a joia da coroa. E o posicionamento desta é bem conhecido, apesar da sua linha editorial e opinativa ter sido algo disfarçada nos últimos anos face à indignação dos benfiquistas que, como maioria dos adeptos de futebol em Portugal, constituem fatia de mercado que não se pode alienar completamente.

Pinto da Costa, o "papa", e Oliveira, o "guru" dos negócios amparam-se assim mutuamente e constituem as duas faces do poder futebolístico em Portugal: um através da sua autoridade "moral", o outro através do poder económico. Todos os agentes do futebol sabem que dependem economicamente e desportivamente destes dois homens. Os árbitros, condicionados pela necessidade de obter boas classificações para conseguir apitar jogos internacionais, que garantem altas remunerações, são os que mais dependentes estão desta estrutura e portanto pautam as suas carreiras pela subserviência a tais poderes. Mas os próprios clubes e a Federação conhecem esta realidade e agem de forma a proteger os seus interesses.

Octávio Machado disse-o mais do que uma vez com todas as letras - a Olivedesportos põe e dispõe, inclusivamente dos nomes para seleccionador nacional. António Oliveira, irmão desavindo de Joaquim, também já o afirmou e usou mesmo a expressão "sistema".

O sistema está aliás montado de tal forma que a própria Sporttv, controlando as transmissões e a colocação de cameras nos estádios sempre saberá que imagens seleccionar para oferecer os ângulos mais "convenientes" dos lances e criar uma narrativa das arbitragens que permita ao sistema ir subsistindo. Só não o vê quem não quer.

Face a esta realidade, a quebra do monopólio da Sporttv é fundamental para começar a desmantelar o sistema e começar a tornar limpo o futebol português. A própria Liga já o compreendeu e está a tentar concentrar em si os direitos televisivos. Veremos como esta intenção, a concretizar-se

Percebo que para os apoiantes do juiz Rui Rangel, que ainda ontem davam conta de que tinham informações de que Vieira estaria secretamente a negociar com a Olivedesportos, a notícia da não renovação de contrato surja na pior altura. Penso porém que, independentemente das eleições, esta é uma notícia muito importante para os benfiquistas que tem reprecussões mais vastas e que pode marcar um momento de viragem no futebol português.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A dois dias das eleições...

Não houve (nem haverá) nenhum debate, não se discutiram verdadeiramente ideias e propostas, não se apontaram (nem se reconheceram) erros de gestão, não se apresentaram rumos de futuro para o Benfica.
Ficaram-se até agora os candidatos pelas generalidades, por acusações mais ou menos veladas, mais ou menos diretas, por questões florais sem relevância.
Falou-se de sportinguistas na equipa de Vieira (quando dá toda a ideia que Soares de Oliveira é dos mais competentes quadros que possuímos), de anos de sócio (ridícula questão motivada por igualmente ridículos estatutos), de vendas milionárias de direitos televisivos a entidades desconhecidas, de auditorias, de Vale e Azevedo...
Uns ameaçam com o "depois de mim o caos", os outros com "o Benfica aos benfiquistas".
Muito pouco, num quadro interno e externo em que enormes desafios se apresentam: a quebra generalizada da riqueza e do consumo na Europa e em Portugal muito em particular, face a passivos monstruosos por parte de todos os clubes e SAD's deixam antever o pior.
Não há nenhuma proposta, não nenhuma ideia inovadora sobre o que fazer, nenhuma liderança verdadeiramente convincente.
Generalidades e declarações de intenções todos podemos expressar.
Todos queremos vitórias, títulos, mais mística e mais benfiquismo.
Mas não concretizando esses objectivos gerais em propostas concretas, numa dinâmica envolvente e embuída de verdadeiro benfiquismo, torna-se difícil sermos convencidos, sermos mobilizados.

Lembro-me de outros tempos com vários debates entre candidatos não apenas à Presidência da Direção mas até entre os directores para o futebol das diferentes listas. Quão longínquos parecem esses tempos...

Vieira demitiu-se até de fazer campanha, limitando-se a umas visitas às Casas do Benfica. Não assume um papel de liderança, não expressa preocupação pela possibilidade de não vencer, nem sequer demonstra grande desejo em continuar. A falta de energia e entusiasmo é confrangedora.
Mas Rangel não é melhor. Não tem também capacidade de mobilização, não tem carisma e parece mal preparado para os assuntos a que tem que responder. A sua candidatura parece uma amálagama de várias figuras que não se identificam com a gestão de Luis Filipe Vieira mas a que quase mais nada une. Falta-lhe organização, o que não deixa antever nada de bom no caso de eleição.
Assim estamos mal, muito mal.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Eleições disputadas - questão dos direitos televisivos.

É muito positivo o facto do juíz Rui Rangel se estar a preparar para apresentar uma lista alternativa à de Luis Filipe Vieira.
Assente a poeira e acalmados os ânimos depois dos excessos, alguns dos quais inadmissíveis, da última Assembleia Geral, a apresentação desta lista permitirá um debate e troca de ideias entre os benfiquistas e servirá para fomentar maior exigência por parte de todos na defesa do Benfica.

Acresce que ambos os candidatos estão a tentar atrair para as respetivas listas figuras conceituadas, tendo sido referido os nomes de José Eduardo Moniz, para número 2 e Presidente da SAD na lista de Vieira, e de Bagão Felix, Manuel Boto e Camilo Lourenço na lista de Rangel. Confesso que tenho algumas dúvidas que pelo menos alguns destes nomes venham realmente a integrar as listas, mas só facto de serem chamados à vida do Benfica neste momento importante da sua existência, é em si mesmo positivo.

Acima de tudo, é importante que ambos os projectos dêm garantias de estabilidade e de um rumo para o Benfica, o que parece acontecer. Por muitas críticas que se façam a Luis Filipe Vieira - e eu fiz bastantes ao longo do tempo - ninguém deixará de reconhecer que o Benfica tem hoje uma estabilidade que não pode ser comparada com os tempos (não tão longínquos e dramáticos) de irresponsabilidade e semi-caos em que a própria existência do clube tal como o conhecemos chegou a estar ameaçada. Que voltou a vencer no futebol (embora ainda aquém do esperado e do necessário) e que nas modalidades começa a ser novamente o Benfica que todos conhecemos. O Benfica tem para além disso hoje uma marca muito valiosa, um estádio de topo e um canal de TV.

Por outro lado, nomes como os de Bagão Felix, Manuel Boto e até Tavares, que conhecem bem o Benfica e já deram múltiplas provas da sua competência e capacidade de gestão, são também garantias de que o que foi construído não seria deitado borda fora.

Estão portanto reunidas as condições para um debate sério, para olhar para os problemas e desafios que se apresentam para o futuro com diferentes caminhos e propostas de solução entre as quais os benfiquistas poderão serenamente escolher as que lhes derem mais garantias.

Entre as várias questões, as mais importantes são a da sustentatibilidade financeira (mantendo a competitividade desportiva) num contexto global de crise e escassez financeira que afecta toda a Europa e a questão dos direitos televisivos.

Em relação a esta questão, é preciso compreender que a Olivedesportos é uma peça muito importante do sistema que o Benfica tem que combater e erradicar para que a competição volte a ser limpa em Portugal.

Ao longo de décadas, a Olivedesportos criou uma teia de interesses e compadrios em Portugal, beneficiando de uma posição de monopólio, que permitiou ao Porto ser o clube dominante em termos de poder nas estruturas dirigentes e manter uma liquidez financeira superior ao Benfica, quando nós somos o clube com maior capacidade geradora de receita.

Ou seja, a Olivedesportos, pelo que faz e pelo que (num país pequeno em que muitos se sentem inclinados a bajular o poder) insinua, desequilibrou artificalmente a competição em Portugal. Porque é dela que tem vindo o dinheiro que permite a muitos clubes manterem-se à tona de água. Porque as próprias estruturas dirigentes do futebol sabem que são dela dependentes. Porque uma parte do próprio poder político tem sido mantido sob a sua dependência. São jogos de favores, são trocas de influências que se reflectem mais que não sejam no subconsciente dos agentes desportivos (para já não falar dos mal formados, que conscientemente alteram e adulteram a verdade das competições).

A Olivedesportos tem dominado as federações e as ligas, sendo um dos principais instrumentos do sistema. Tem, em termos de puro mercado, injectado no Porto mais dinheiro do que deveria e menos no Benfica. E tem igualmente, através da questão das imagens televisivas, condicionado as arbitragens e as classificações dos árbitros. Sendo que estes dependem de boas classificações para terem carreiras bem remuneradas, tudo fica desvirtuado. As arbitragens de Pedro Proença, recompensadas com finais ao mais alto nível e homenagens que chegam ao caricato, ou de Jorge de Sousa são o resultado deste sistema iníquo. Acredito que hoje já não exista "fruta para dormir", "café com leite", "quinhentinhos" ou viagens ao Brasil, mas existem classificações como árbitros internacionais, arbitragens de jogos da Champions League e finais de grandes competições.

Por tudo isto, a questão dos direitos televisivos é, para mim, a par da questão da sustentabilidade financeira do Benfica, a mais importante destas eleições. Esperemos que ela seja discutida convenientemente no pouco tempo disponível de campanha eleitoral. Cabe ao benfiquistas mantê-la na agenda.