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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sporting arrogante e malcriado como sempre

Quando pensamos que já vimos tudo deste Sporting (eleições com resultados "afinados", vencedores das mesmas a serem alvo de tentativas de agressão dos sócios, vice-presidentes a depositar dinheiro na conta de árbitros, adeptos a atear fogos, comunicados patéticos, derrotas por 3-0 com o Videoton e contra Basileia a jogar com 10, visitas a museus para provar que se é maior do que o Braga, visitas a balneário, claques em greve, etc, etc, etc), somos surpreendidos com mais uma:

ameaça de falta de comparência!

Pois é... ainda não tínhamos visto tudo.

Sim, porque dizer arrogantemente que "não aceita que a disputa do jogo com o Sport Lisboa e Benfica, a contar para a 11.ª jornada da Liga Portuguesa de futebol, previamente marcado para segunda-feira, 10 de Dezembro, às 20h15, se realize na data e hora prevista", sendo que as regras o permitem parece uma ameaça, velada ou explícita de falta de comparência.
Não seria mais educado e decente simplesmente contactar o Benfica no sentido de acordar um adiamento do jogo, eventualmente de apenas 24 horas? O problema é que assim não se criava um caso ou um conflito artificial como parece ser a intenção.

Não, neste clube diferente o que importa é fazer-se de homem. Mesmo que depois... se saia de fininho. Já diz o povo: entradas de leão saídas de sendeiro.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Do jogo do ano ao jogo da vida

Escrevi neste blog, antes mesmo da época começar, quando os comentadores falavam de um "Sporting muito forte" e de uma "grande equipa" que certamente ombrearia com Benfica e Porto, que aquele clube enfrentava dificuldades muito sérias e corria mesmo o risco de vir a fechar portas.

Desde então voltei a escrever sobre o Sporting, nomeadamente antecipando a substituição de Sá Pinto por Oceano ainda antes do jogo com o Videoton e descrevendo o longo processo de agonia daquele clube que o pode, no limite, levar à descida de divisão. Volto a dizer que, apesar de muito implausível, não considero esse cenário impossível.

Também tenho dito que o Sporting é o rival por excelência do Benfica, algo que se tem esbatido e desvirtuado nos últimos anos por duas razões principais: 1) a crescente perda de competitividade do Sporting, resultante em parte de uma má gestão e em parte da hegemonia do Porto, obtida à custa de favores arbitrais e domínio das estruturas de poder do futebol; 2) uma esquizofrenia anti-benfiquista que levou o Sporting a abraçar de forma contranatura o Porto, ao qual aceitou submeter-se desde que isso prejudicasse o Benfica. Com isto, o Sporting conseguiu duas coisas: i) fortalecer ainda mais o Porto; e ii) perder a sua identidade, tornando-se ainda mais fraco e incapaz, sobretudo pela corrosão moral e dos princípios da ética desportiva que durante tanto tempo apregoou  (e definitivamente agora abandonou).

Chegado a este ponto, o Sporting já não vive - sobrevive e a custo. E, ao invés de olharem para dentro e perceberem em que momento se afastaram do caminho, se tornaram cegos e fizeram o seu clube perder o rumo, os adeptos sportinguistas insistem e marram cada vez mais contra uma parede. É ver Dias Ferreira a recusar-se liminarmente a criticar as arbitragens que tão descaradamente beneficiam o Porto, ainda que em prejuízo do seu clube (pois acha que isso é fazer o "jogo" do Benfica), como todos os sportinguistas continuam a falar de Lucílio Baptista e da Taça da Liga de há 5 anos (que portanto justificaria tudo o que desde então se vem passando nas arbitragens em Portugal e todos os prejuízos de que o Benfica é vítima), é ver como os adeptos apoiaram Paulo Pereira Cristovão, é ver como foi escolhido Sá Pinto e como se cantava no estádio "aperta com eles Sá Pinto". Enfim, é toda uma mentalidade trauliteira e anti-benfiquista primária, que submete os verdadeiros interesses do Sporting (que deveriam antes de mais nada ser os de uma Liga limpa, justa e com critérios iguais para todos) ao combate acéfalo e contraproducente a um Benfica que tem nos últimos anos pugnado justamente pela lisura da competição e pela sustentabilidade do futebol em Portugal.

E, para sobreviver, este Sporting descobriu agora a fórmula mágica: vencer o Benfica no próximo dia 10 de Dezembro. O seu presidente já o sugeriu (garantiu mesmo que isso iria acontecer) e Rui Oliveira e Costa também o afirmou.

Não se trata agora já de "salvar" a época, tentando contribuir para atrasar o Benfica e provavelmente dar mais um campeonato ao Porto, que os tem ganho quase todos nos últimos anos. Trata-se, ainda mais do que isso, de salvar o clube! O Sporting pede 3-0 com o Videoton e o Basileia, é eliminado da Taça na primeira eliminatória, está arredado do título desde Outubro e da europa desde Novembro mas os sportinguistas só querem ganhar ao Benfica.

Posso estar muito enganado, mas creio que isso não acontecerá. Dia 10 de Dezembro o Benfica entrará em Alvalade só com um pensamento - ganhar e continuar na luta pelo título até que os árbitros o roubem à força das nossas mãos como fizeram no ano passado.

O Benfica nada tem hoje que ver com o Sporting. É um clube sério, onde se trabalha com muito rigor e competência. A atitude que tem tido no decurso da época é a que vai ter em Alvalade. Em condições normais, o Benfica vencerá o Sporting de forma concludente. As crises de Alvalade não são criadas pelo Benfica, são criadas pelos próprios adeptos daquele clube. A nós só nos cabe fazer o que sabemos e vencer o jogo. O resto é com eles. É deixá-los a falar - sozinhos, de preferência.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Faz hoje um ano

Há exactamente um ano atrás, dia 26 de Novembro de 2011, os adeptos do Sporting provocaram um incêndio de grandes proporções no Estádio da Luz, tendo posteriormente agredido os bombeiros que o tentavam extinguir.

Faz hoje um ano.

Depois disso, Vieira foi castigado, Aimar foi castigado, Jorge Jesus foi castigado. Pereira Cristovão depositou um cheque na conta de um árbitro, demitiu-se, des-demitiu-se, voltou-se a demitir e o seu processo foi arquivado pelo Conselho de Disciplina.

Faz hoje um ano que tentaram deitar fogo ao Estádio da Luz. Até hoje nada aconteceu.

O Conselho de Disciplina ainda não agiu e os tribunais também não.

Todos os outros se podem ter esquecido desta triste data. Nós aqui não.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Proença - porque só ele sabe...



NOTA: O VÍDEO QUE AQUI ESTAVA E MOSTRAVA AS HABILIDADES DE PROENÇA FOI CENSURADO DO YOUTUBE PELA SPORTTV. PORQUÊ? TAL COMO PROENÇA ELES SABEM O QUE FAZEM. NADA COMO A CENSURA PARA MANIPULAR MENTALIDADES E OCULTAR REALIDADES.



Pedro Proença - o que mais dizer sobre este senhor?
Só isto: ele sabe porque faz o que faz.
Proença é o homem de mão do sistema. Daí ele ser o árbitro mais premiado por todas as estruturas do futebol, português e europeu.
Proença é muito simplesmente o que no futebol se chama um gatuno. E ontem entrou de novo em acção. Ele sabe porquê.

Quem o nomeia também.
Ontem o Sporting não podia deixar de ganhar. Todos o sabiam. E só havia uma forma de o assegurar: nomear um homem de confiança. Um árbitro "credível" que pode exibir na lapela as insígnias máximas da FIFA e da UEFA. Um homem com o qual o desfecho do jogo estivesse garantido. É que Proença é realmente um GARANTE dos resultados. A sua especialidade são penalties mas, como se viu ontem, tem mais no cardápio.

E chega-se a este ponto: quando a equipa que é suposto perder marca um golo perfeitamente normal, em que não há hipótese de marcar fora de jogo, pura e simplesmente anula-se. É tão simples como isto. O que viu Proença para anular? Não pode ter visto nada porque não houve nada para ver. Anulou porque o Braga não era suposto marcar aquele golo. É só mesmo isso. Os árbitros em Portugal continuam fazendo o que querem (ou que os mandam fazer).

E os sportinguistas que não se iludam. O mesmo que agora os ajudou pode amanhã dar-lhes uma facada nas costas. Tudo isto se gere a partir de equilíbrios que mudam conforme as circunstâncias, desde que o centro de poder se mantenha na torre das antas. O ano passado fomos roubados como fomos em Alvalade não para beneficiar o Sporting mas para prejudicar o Benfica. Se as circunstâncias fossem inversas, se o Sporting estivesse na altura a lutar pelo título com o Porto, provavelmente o árbitro teria prejudicado o Sporting para beneficiar não o Benfica mas o Porto.

Sou eu que ando a sonhar com ladrões? Vejam o vídeo e depois digam-me.

Proença é, como eu já disse, talvez o maior árbitro de sempre. É aquele que NUNCA ERRA. Porque não erra de facto. Ele sabe muito bem o que faz- e fá-lo muito bem.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Pode o Sporting descer de divisão?

A probabilidade é mínima, mas o simples facto de se colocar mostra quão baixo desceu este histórico rival do Benfica. Mas, mesmo sendo mínima, a possibilidade existe - é real. Inclusivamente alguns sportinguistas já a admitem.

Existem dois factores que podem levar a este cenário calamitoso para o clube de Alvalade: a situação financeira e de tesouraria pouco menos do que desesperada; o facto da maioria dos jogadores do plantel não pertencer à SAD do Sporting.

Comecemos pelo segundo aspecto. Como já era sabido e Rui Santos mostrou em pormenor no último "Tempo Extra", o passe da quase totalidade dos jogadores adquiridos nas últimas duas épocas pertence, na sua maioria, a entidades estranhas (os tais fundos e "investidores" desconhecidos) ao Sporting. O que não se sabia é que em vários casos o Sporting detem apenas 10% dos passes. Isto gera uma estranha situação em que começa a tornar-se duvidoso quem é de facto o patrão dos jogadores. E, perante a realidade da desvalorização desses mesmos jogadores face a uma campanha desportiva absolutamente desastrosa (agravada pelas declarações de Verkauten de que alguns serão pouco profissionais ou terão pouca qualidade), é de admitir que alguns desses "investidores" ou "fundos" venham a querer colocá-los (talvez já em Janeiro) noutros clubes. Ou seja, é possível por esta via que o Sporting venha a perder jogadores a curto prazo. Elias é um dos nomes mais falados.

Quanto à questão financeira e de tesouraria, dizem alguns que ela pode entrar em ruptura nos próximos meses. Até Rui Oliveira e Costa (que, é bom não esquecer, ainda na época passada e na anterior fazia ataques violentíssimos ao Benfica e a António Pedro Vasconcellos) dizia no passado Domingo que o Sporting pode entrar a curto prazo (num cenário de demissão de Godinho Lopes) em incumprimento contratual e a permitir rescisões por justa causa de vários jogadores.

Aliás, já em Julho, Carlos Barbosa, ex-vice de Godinho Lopes e o primeiro a demitir-se da actual direcção, dizia isto: “O Sporting tem de perceber que a equipa que existe hoje não pode continuar, não há dinheiro para estes ordenados. É vender metade desta equipa, despachar os Elias desta vida, que custou uma fortuna ao Sporting... O Elias é extraordinário, mas nós não temos dinheiro para ter o Elias. O Sporting tem de começar de novo, lembrar-se dos tempos do Ronaldo, do Figo, apostar nos miúdos de 16 anos, correr com metade desta equipa para realizar dinheiro e pagar dívidas e depois estar quatro ou cinco anos em quarto, quinto ou sexto lugar".

Ou seja, por estas duas vias (a questão dos fundos e a correlata questão financeira), o Sporting pode, já a partir de Dezembro/Janeiro, perder alguns jogadores de um plantel que é já em si mesmo (considero-o desde o início da época) muito fraco.

Se este pior cenário se verificar, então nessa altura o Sporting enfrenta um risco real de descer de divisão. O que implicaria obviamente o seu fim como grande do futebol português. Pelo menos para os próximos 10 a 20 anos.

Mas há mais ainda. Há casos pendentes que podem agravar ainda mais a situação e tornar ainda mais insustentável a posição da actual direcção, com tudo o que implicaria a sua queda, em termos de confiança da banca, dos credores e dos "investidores". Já nem me refiro ao caso de Pereira Cristovão, na sua faceta mais visível e em relação ao que o CD da Federação tomou a decisão que tomou. Nem ao que o Sporting terá necessariamente que pagar ao Benfica pelo incêndio provocado na Luz. Refiro-me a outras coisas que se vão dizendo à boca pequena e a que Seara aludiu ontem, sem querer concretizar. Por exemplo às verdadeiras razões pelas quais já sairam Carlos Barbosa (que ia fazer do Sporting um Barcelona ou Real Madrid) e Luis Duque. Ou mesmo a esta notícia segundo a qual Rojo pode até ser preso.

A situação é a pior possível. A resposta ao título deste post só pode ser: sim, pode.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A agonia do Sporting

A 3 de Outubro, na antevisão da 6ª jornada (em que o Benfica recebeu o Beira Mar e o Sporting foi ao Porto), escrevi o seguinte:

Para Sá Pinto é uma jornada dramática, que pode significar o seu adeus ao Sporting. Uma derrota deixaria o Sporting a 8 pontos do primeiro lugar, fora dos lugares europeus e apenas dois pontos acima da linha de água... Uma derrota expressiva tornaria a sua continuidade insustentável. E quem treinaria o Sporting depois disso? Oceano?

O que eu não imaginava na altura era que o Sporting pudesse, ainda antes dessa jornada, perder por 3-0 com o ... Videoton, o que precipitaria a saída de Sá Pinto ainda antes do jogo com o Porto.

Pois bem, desde então o Sporting perdeu com o Porto, hipotecando as suas (remotas) hipóteses de ser apurado para a Champions e ontem foi eliminado da Taça à primeira eliminatória em que participou.

Tenho sido muito duro neste blog para com um certo sporting e os representantes de uma mentalidade anti-benfiquista e esquizofrénica. Aqueles que constantemente insultam e desmerecem o Benfica, continuando a falar na "Taça Lucílio Baptista" de há 5 anos mas calando, escondendo ou branqueando o que todos os anos o clube do Porto faz nos campeonatos. Aqueles que depois do acontecimento mais grave do futebol em Portugal dos últimos anos (o incêndio do Estádio da Luz) vieram dizer que "não se reviam" nos atos que deveriam ter condenado inequivocamente, falando de "jaulas" e condições pré-históricas. Em suma, todos aqueles que exibem em público uma postura de arrogância e irresponsabilidade, em total desprezo pelos valores do desporto.

Nada me move porém contra os verdadeiros sportinguistas, que querem o bem do seu clube e desejam vencer de forma limpa, sem cegueira anti-benfiquista. São poucos mas existem. Como benfiquista e como desportista, a situação do Sporting preocupa-me portanto. Seria trágico para o futebol português (que mais lhe irá acontecer?) que o Sporting desaparecesse, o que está mais perto de acontecer do que nunca.

É isto que justifica que eu tenha já por diversas vezes escrito sobre o nosso tradicional rival, aproveitando aliás para dizer que nenhum jogo em Portugal é tão expressivo de uma rivalidade e tão "clássico" na sua natureza como um Benfica-Sporting.

Dito isto, o que se passou ontem foi demais. Depois de ser humilhado pelo Videoton e de quase afastado da discussão do acesso à Champions, o Sporting ainda em pleno Outubro é eliminado da Taça de Portugal pelo Moreirense. É o descalabro completo, quase inimaginável. Se a tudo isto juntarmos a instabilidade diretiva e de gestão e a insustentabilidade das contas do Sporting (para além dos casos de Pereira Cristovão e da indeminização que terá necessariamente que pagar ao Benfica pelos danos no nosso Estádio, fora sanções adicionais que, num país normal, teriam que acontecer) o Sporting está mesmo à beira do abismo.

De entre as várias pessoas que não mereciam esta sorte, há uma que gostaria de destacar: Oceano. Foi um desportista exemplar, um homem que, para além do seu clube, deu tudo à selecção (onde aliás inscreveu um registo muito interessante de presenças e golos) e que neste momento está a ser "queimado" numa fogueira que parece impossível de apagar. É uma pessoa séria e trabalhadora que merecia melhor sorte.
Mas saibamos nós retirar ilações do que se passa no Sporting, um clube que:

  • perdeu a sua identidade por via da má gestão, do afastamento dos seus princípios e por uma fixação esquizofrénica num rival (o Benfica) que não tem capacidade de acompanhar;

  • se fez subalterno do Porto, cujo presidente corrupto volta e meia é elogiado e apontado como exemplo;
  • não tem rumo, mudando de ano para ano de política desportiva (da aposta na formação para a aposta em contratações às dezenas, do "rigor" da gestão para o desperdício de milhões, da aposta em treinadores de sucesso noutros clubes, alheios à cultura sportinguista para homens da "casa" em virtude do seu sportinguismo); 
  • onde todos falam em público, cada um proferindo a sua sentença;
  • onde demasiados mandam ou desmandam (Godinho, Duque, Carlos Freitas, Sá Pinto a dada altura); 
  • vive na instabilidade constante com mudanças de treinadores e, agora de presidentes (a demissão de Godinho Lopes não está distante); 
  • deixou as claques mandarem no clube, dando-lhes o direito de estar presentes no processo de decisão interno do clube e até escolherem treinadores.
 Olhemos e saibamos retirar ilações. É assim que não se faz.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sportinguismo e esquizofrenia

Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.

No futebol português há 30 anos que o pão é muito insuficiente para Benfica e Sporting: o sistema banqueteia-se e para aqueles só as sobras ficam.

Nos últimos anos, mesmo as migalhas de que o Sporting ia sobrevivendo escasseiam, ao passo que o Benfica para ter apenas uma refeição frugal tem lutar em campo até à exaustão.

Naturalmente que a fome é má conselheira e portanto assiste-se quer no Benfica, quer no Sporting a decisões erráticas e erróneas. Mas pior conselheiros ainda são a estultícia e o desespero.

Vem isto a propósito do descontrole de Dias Ferreira no "Dia seguinte" do dia de ontem.
São muitos dias, Dias Ferreira, a passar fome e muitas noites a sonhar com o Benfica.
É um fenómeno de que padecem alguns sportinguistas, que no passado já caracterizei como esquizofrenia paranóica.

Então não é que ontem, quando Rui Gomes da Silva dizia com todas as letras o que se tinha passado no estádio do Porto, denunciando a vergonha, e portanto defendendo o Sporting, Dias Ferreira se atira a ele?
É o cúmulo do surrealismo. Dias Ferreira indignou-se por Gomes da Silva defender o Sporting do roubo à mão desarmada do passado Domingo.

E então lá veio a Taça da Liga de há 4 anos atrás. Esse mesmo troféu que "nada importa", a "taça da cerveja" afinal é o que impede os sportinguistas de dormir há anos. Isso é que é gravíssimo. 30 anos de sistema, com o Porto a ganhar tri, tetra e pentacampeonatos "comprados no supermercado" (Alex Fergusson), com batota (Platini, Santiago Segurola), fruta e café com leite não incomodam Dias Ferreira.

Mas um erro do árbitro num jogo de uma competição que "nada vale" e que aconteceu há 4 anos, isso sim é gravíssimo e incomparavelmente mais importante do que erros grosseiros num jogo do campeonato deste fim-de-semana que afastam o Sporting da luta pelo título e ameaçam tornar esta época num longo suplício. O ex-candidato sportinguista já aliás tinha dito que a arbitragem não tivera influência no resultado.

Dias Ferreira ficou de tal forma indignado por Gomes da Silva denunciar o que se passou nas antas que, depois de, exaltado e indignado, falar no "roubo" de Lucílio Batista, já chamava a Gomes da Silva "um gajo".

É a isto que o Sporting chegou. Esquizofrenia no seu estado puro.

Dr. Dias Ferreia, cure-se. O Sporting está a morrer e acredite que não é por culpa do Benfica.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Inacreditável Sporting

É mau demais para ser verdade. Claro que me dá vontade de rir mas numa análise mais racional isto não é bom para ninguém. Sem o Sporting o campeonato português não é o mesmo. E de facto o Sporting não está nem aí...
Sá Pinto é, como treinador, um desastre. A equipa (?) que apresentou é uma anedota e não lhe deverá restar outro caminho que não a saída.
Mas o problema do Sporting é obviamente muito mais profundo.
Tenho-me lembrado por estes dias das palavras de Bettencour quando dizia que no futuro 100 % dos sportinguistas teria saudades de Paulo Bento...
Na minha opinião o Sporting está a pagar o preço de duas coisas:
a submissão ao Porto, não querendo ver o que se estava passando por puro despeito em relação ao Benfica;
a instabilidade gerada a partir de dentro, com os sócios a exigir mudanças a toda a hora pensando que se muda sempre para melhor. A sua claque, que desde há uns anos domina, pela intimidação, o clube é amplamente responsável por este cenário.

O sucesso só se constrói com estabilidade. Quando se está mal obviamente que há que emendar e corrigir mas estar sempre a começar do zero não é possível. Com instabilidade interna e ambiente de permanente guerrilha só se caminha para onde o Sporting está - à beira do abismo.
E atenção, é neste momento muito, mas mesmo muito difícil ao Sporting, sobretudo no presente contexto de crise, falta de liquidez e de crédito, inverter este plano inclinado.
Só com muito bom senso, percebendo que neste momento não pode ganhar praticamente nada e falando verdade aos seus adeptos, os dirigentes dos viscondes podem evitar o declínio fatal do Sporting. É que o Sporting se arrisca mesmo a fechar as portas...

Só espero que os adeptos do Benfica saibam tirar daqui as devidas ilações e nunca reproduzir no nosso clube o que se passa em Alvalade. Vejo muitos vieiristas e anti-vieiristas. Mas não somos todos nós benfiquistas? Quem não concorda com a gestão pode e deve apresentar ideias e promover uma ou várias candidaturas alternativas. No que não podemos entrar é no divisionismo e na guerrilha interna. Nunca esqueçamos o nosso lema.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Liga ZONSAGRES - 6ª Jornada

Esta será uma jornada interessante e potencialmente importante para o Benfica, que pode capitalizar qualquer deslize do Porto ou aumentar a sua vantagem sobre o Sporting.
Para Sá Pinto é uma jornada dramática, que pode significar o seu adeus ao Sporting. Uma derrota deixaria o Sporting a 8 pontos do primeiro lugar, fora dos lugares europeus e apenas dois pontos acima da linha de água... Uma derrota expressiva tornaria a sua continuidade insustentável. E quem treinaria o Sporting depois disso? Oceano? Seja como for, a realidade é que o Sporting, para se manter numa posição competitiva minimamente de acordo com os seus pergaminhos terá que vencer ou, no mínimo dos mínimos, não perder. Não me parece fácil, especialmente com esta arbitragem do faz de conta.
A situação do Sporting começa aliás a ser desesperada. Antigamente falava-se do Natal. Neste momento estamos no início de Outubro e a época parece já ameaçada. Não é bom para o futebol português, mas é um resultado de uma estratégia suicida, que viu no Benfica não um rival a tentar vencer mas um inimigo a  abater. As coisas começam (é bom que comecem) a mudar em termos de mentalidade para as bandas de Alvalade.
Ao passar os olhos por um blog sportinguista li o seguinte, que transcrevo:

«O presidente da associação de árbitros de futebol não acredita que tenha havido uma reunião entre dirigentes do FC Porto e do conselho de arbitragem que visava vetar os nomes dos árbitros Duarte Gomes e Bruno Paixão para os jogos do clube azul e branco, como noticia hoje [ontem] o jornal Correio da Manhã.
O dirigente afirmou à Antena 1: “Essa reunião poderá ter existido mas não tenho conhecimento dela e que seja uma reunião nesses termos de vetar árbitros não acredito que assim seja…”
Poderá ter existido?!? Ao que chegou a bandalheira…"

Dos comentários dos leitores daquele blog transcrevo os primeiros:

"Isto é grave de mais…
No entanto, acho que a nossa (das sucessivas direccoes) posicao de submissao perante o porco nao nos permitirá exigir a mínima explicacao.
Contra o carnide é a excitacao total, mas esquecem-se que no porco está o pior inimigo.
Enfim, longe vao os tempos que disputavamos a estrela Tonito com o porco.
  • “esquecem-se que no porco está o pior inimigo”, concordo totalmente. Mas poucos pensam assim. O Sporting foi muito mais prejudicado pelo Porto do que pelo Benfica. Em vez disso andámos a vender o anão Moutinho etc.
  • Ora nem mais. Basta ouvir as escutas e ver o respeito que o Porto nos tem/teve!

  • Tou farto de o dizer…
    Os Corruptos são os nossos piores inimigos… Só não ve quem não quer…
    É só ir À história e observar quando é que o SCP deixou de ganhar eos corruptos passaram a amealhar titulos…
    ISto é mais um episódio de uma novela de vergonha que revela o pântano que é o futebol português… Outra vergonha foram as entrevistas a jogadores dos corruptos (Maicon, Fernando, Defour) feitas por um jornalista da RTP informação… Têm tudo na mão…Árbitros, FPF, Sportv, Rtp desporto, jornais, enfim é pior do que a ‘camorra’…
    Força SCP!!! Contra a corrupção!"

Como se pode constatar, os sportinguistas começam a perceber o que lhes aconteceu nos últimos anos. Espero que não seja tarde demais, porque é um facto que a falência financeira e desportiva do Sporting seria mais uma machadada no nosso tão já debilitado futebol. Espero também que os dirigentes do Benfica percebam que o Sporting pode ainda ser um aliado para desmontar o sistema. Os verdadeiros sportinguistas querem com certeza ganhar mas não a todo o custo, como é a regra para os lados do clube de Pinto da Costa e certamente vêm com bons olhos que a competição possa ser limpa dos tentáculos e bastidores do sistema.

Voltando à jornada, o Benfica defronta o Beira Mar, talvez a equipa mais fraca desta Liga. Será importante ganhar e jogar bem, se possível com muitos golos. Há que sair rapidamente da ressaca do jogo com o Barcelona e o Beira Mar é o adversário ideal para isso. Contra o Porto, não confirmei mas todos o dizem, o Beira Mar fez 9 faltas. Veremos como será contra o Benfica...
Depois há ainda a questão dos goleadores e seria também positivo que quer Lima quer Rodrigo pudessem marcar, reforçando a sua confiança. Espero também que os adeptos dêm uma boa resposta e apoiem a equipa, que agora está em 1º lugar, com uma boa casa.
O jogo é sábado às 20.30 h. Porto e Sporting jogam Domingo às 20.45h.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Era bom que fosse verdade

Estará o Sporting finalmente a acordar, depois do longo adormecimento, embalado ao "colo" do Porto?
Era bom que fosse verdade. Na passada segunda-feira registei que Dias da Cunha, por uma vez, não tentou branquear a situação xistra e até elogiou Jorge Jesus por "ter tido a coragem" de, no ano passado, ter dito que o fiscal de linha tinha visto o fora de jogo de Maicon e não tinha querido marcar.
(A propósito, não deixa de ser irónico que seja Maicon, a autor do golo do título, 2 metros em fora de jogo, que tenha vindo a público defender os árbitros...seguido por Baía, que disse que no fim tudo se equilibrava - o tal mito. Era bom que fosse verdade.)
Mas falava eu do Sporting e de como eu gostava de que pudessemos por uma vez contar com um aliado não para colher qualquer benefício mas para moralizar o futebol português e pôr ordem nas arbitragens de uma vez por todas.
Tentei explicar no ano passado aos sportinguistas que excusavam de estar satisfeitos (porque de facto o ficam, pelos complexos de inferioridade que conhecemos) por ter "roubado" o Benfica, porque quem tinha roubado era o Porto e que se a situação fosse a inversa (se o Sporting estivesse na luta pelo título) seriam eles os prejudicados.
Como realmente têm sido várias vezes. Ainda na passada jornada o seu jogador marroquino foi expulso por levar dois encontrões. São coisas que só acontecem com os clubes de Lisboa.
O Sporting insisite porém em não ver isto, tal a sua cegueira anti-benfiquista, continuando convencido de que é o Benfica quem beneficia do sistema...
Esperemos que esta atitude mude. Se não mudar agora que as coisas são tão evidentes, estaremos mesmo perante um caso perdido no tocante à capacidade de percepção do Sporting acerca do que se passa no futebol português...
Esperemos, mas é melhor fazê-lo sentados.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Castigo a Vieira diz tudo sobre futebol português

O tema já mereceu análises de vários companheiros da blogosfera mas não posso deixar de partilhar a minha.
Por onde começar?
Talvez por aqui: os orgãos dirigentes do futebol em Portugal ao invés de promoverem o futebol, o espectáculo e o são ambiente desportivo promovem a violência. Passo a explicar.
A violência nasce da ira, da incompreensão, da irracionalidade, da ignorância, da incapacidade de moldar a realidade ao que desejamos e de nos adaptarmos a ela. Nasce do ódio e da frustração.
É evidente que no futebol português existe, desde Pinto da Costa, uma enorme violência latente. Já falei muito disso: para conquistar poder, Pinto da Costa promoveu um ambiente de revolta contra Lisboa, de guerrilha permanente, de ódio ao Benfica.
Esta realidade é indesmentível, não estando eu com isso a sugerir que todos os actos de violência tenham sido perpetrados por adeptos do Porto. Sabemos que não é assim. Houve o tristíssimo, trágico caso do very light, houve autocarros incendiados. Não vale a pena estar a tentar enumerar os casos de violência dos adeptos dos três grandes. Todos são lamentáveis, todos são condenáveis, ninguém está absolutamente inocente nesta matéria.
O que distingue os clubes é a forma como lidam com a violência perpetrada pelos seus adeptos. Se uns condenam, outros desculpam-se e outros usam-na e fomentam-na como instrumento de projecção do seu poder.
Há um clube que nunca tem responsabilidades nas cenas lamentáveis de violência que envolvem os seus adeptos, porque à partida é "diferente". Trata-se evidentemente do Sporting. Sem querer ser exaustivo, recordarei apenas alguns casos bem recentes.

Quando há uns anos se assistiu a uma vergonhosa cena de apedrejamento entre adeptos do Benfica e do Sporting num jogo de junióres, os dirigentes sportinguistas acusaram os adeptos do Benfica de serem selvagens quando as imagens demonstram para lá de qualquer dúvida que quer benfiquistas quer sportinguistas tiveram responsabilidades, que ambos atiraram pedras.

Quando os seus adeptos se envolveram em cenas de violência extrema contra a polícia, em Fevereiro de 2011, os dirigentes sportinguistas fizeram um comunicado inacreditável de que destaco o primeiro parágrafo: "O Sporting Clube de Portugal e a Sporting Clube de Portugal Futebol, SAD repudiam e condenam o grave comportamento da Polícia de Segurança Pública durante o jogo Sporting x Benfica, que teve lugar ontem no Estádio José Alvalade, pelo manifesto excesso na actuação e pela flagrante dualidade de critérios da PSP no tratamento dos adeptos do Sporting e do Benfica". Nem uma palavra de condenação pelo comportamento dos seus adeptos. Mais tarde, na sequência dos incidentes, 9 elementos da Juve Leo seriam detidos por posse de droga, engenhos pirotécnicos e armas.

Um mês mais tarde seria o próprio presidente eleito a passar um mau bocado, com tentativas de agressão por parte dos partidários de Bruno Carvalho.

Tinha já altura tinha sucedido o caso dos confrontos com adeptos de Atlético de Madrid (2010), em que o líder da Juve Leo ameaçara de morte mulheres e crianças.

Até que chegamos à época passada. Durante semanas, os comentadores e dirigentes do Sporting incendiaram os ânimos dos seus adeptos com declarações inflamadas sobre a "jaula", algo de alegadamente inaceitável e vergonhoso. No fim do jogo (a 29 de Novembro de 2012), é o seu vice-Presidente, o agora arguido Paulo Pereira Cristovão, que vem lançar novas provocações e insultos, falando de "condições pré-históricas". Isto enquanto os seus adeptos ateiam fogo ao Estádio da Luz. Isto parece surreal mas é factual. Como se não bastasse, dirigentes e comentadores sportinguistas, incluindo o seu Presidente e o Dr. Eduardo Barroso, têm o descaramento, a indignidade de vir dizer que "não se revêem" naquele comportamento, excusando-se a condená-lo. Na prática, a mensagem era clara: nós não podemos publicamente aplaudir, mas no fundo até achamos bem, achamos "divertido". "É para os lampiões aprenderem", terão muitos pensado.

Ora qual a reacção dos poderes dirigentes do futebol? Nenhuma.

E é assim que, 8 meses depois, surge finalmente a primeira consequência: o Presidente do Benfica é punido com uma suspensão.

Vale a pena dizer mais alguma coisa? Só isto: os dirigentes desportivos em Portugal brincam o fogo. Promovem a violência.

A época ainda não se iniciou mas já estamos perante um dejá vú.
Não contem comigo para isto.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Glasgow Rangers desaparece do futebol profissional


Imagem retirada do blog ebsoccer.com

Uma notícia que passou relativamente despercebida - o histórico Glasgow Rangers foi banido do futebol profissional escocês. É uma notícia chocante: o Glasgow, juntamente com o Celtic foram desde sempre os clubes hegemónicos do futebol escocês. Ora vencia um, ora vencia o outro, com vantagem para o primeiro no cômputo geral de campeonatos. A rivalidade entre estes dois clubes é aliás das maiores do futebol mundial: o Glasgow é o clube dos protestantes escoceses, que estão igualmente mais próximos da Inglaterra em termos políticos e sociais, e o Celtic o dos católicos, muito ligados à Irlanda.
A notícia da descida do Glasgow à quarta divisão, por não ter capacidade de saldar as suas dívidas, só pode assim ser vista como um sinal de que o futebol (não apenas o escocês) atravessa uma gravíssima crise.
Basta ver como o mercado está parado para o perceber. Há muitas declarações de interesses de clubes em determinados jogadores (fala-se de Hulk, Moutinho, Modric, Cardozo, Gaitan) mas nada ainda se concretizou. A razão é óbvia: não há dinheiro.

Em Portugal os sinais de que a situação é de enorme gravidade são muitos. Já aqui falei do Sporting e da situação quase desesperada em que podem estar as suas finanças. Isso mesmo vem aliás dizer Carlos Barbosa. O Porto vai aparentemente fechar a sua secção de basquetebol e teve salários em atraso no hóquei em patins. Há inúmeros clubes da 1ª Liga que não têm as suas situações regularizadas e poderão fechar portas ainda este ano (como aconteceu já com o Leiria no fim da época passada). Os clubes da Madeira estão na situação em que estão, tendo sobrevivido no curto prazo apenas graças à contribuição do Governo Regional.
Em relação ao Benfica, a situação não será muito diferente dos principais rivais, embora eu acredite que seja melhor, sobretudo no sentido de gerar receitas, que é algo que os credores e as instituições de crédito valorizam. Creio que precisa no entanto de vender jogadores para gerar receitas extraordinárias para fazer face ao orçamento deste ano.
Insisto porém que a situação do Sporting será a mais aguda entre os grandes, precisamente pela manifesta incapacidade de gerar receitas ao nível do Porto e muito menos ainda do Benfica. A venda de João Pereira (com todos os seus defeitos e limitações não deixa de ser um internacional português), se calhar mais do que um atestado de incompetência, é consequência de uma necessidade inadiável de gerar receitas de tesouraria para fazer face a encargos inadiáveis.

A agravar este estado de coisas, aparentemente os canais generalistas não vão comprar os direitos das transmissões do campeonato 2012-2013.

Prevejo o pior para esta época futebolística.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Eduardo Barroso e a violência no desporto

Eduardo Barroso é uma figura importante da sociedade portuguesa. Não apenas é sobrinho de Soares; é também um dos maiores cirugiões que temos. Por isso mesmo deveria poupar-se às figuras tristes que faz nos programas e nas crónicas que escreve sobre futebol.
Vem a isto a propósito da sua última crónica onde apelida de "comportamento vergonhoso" e de "impensável provocação" os alegados gestos de Carlos Lisboa no pavilhão do "dragão", considerando que ele "devia ser demitido e severamente castigado". Em relação ao que se passou com os adeptos, Barroso tem palavras de compreensão e desculpabilização: "também não aprovo" mas... "como reagiria qualquer claque naquelas circunstâncias?"; se no Jamor tivesse havido uma situação semelhante "penso que seria difícil evitar uma invasão de campo" e Barroso nessas circunstâncias saberia "identificar o culpado": o agente provocador.

Volto a dizer, Barroso é uma pessoa com tremendos méritos e que deve ser reconhecida no seu campo da medicina. O que diz sobre o desporto (onde aliás tem um cargo dirigente) é porém absolutamente inqualificável, porventura mesmo (como o próprio aliás admite na mesma crónica) digno de um "troglodita". Porquê?

Em primeiro lugar, está por demonstrar que os gestos de Lisboa, no calor dos festejos, significassem o que lhes foi atribuido e tivessem sido dirigidos para os adeptos do Porto. Em segundo lugar está por demonstrar que, mesmo que esse fosse o caso, os adeptos tivessem visto esses gestos e que o seu comportamento subsequente tivesse sido por eles (gestos) motivados. Em terceiro lugar porque jogadores e técnicos do Porto têm habitualmente gestos e palavras insultuosos para com o Benfica na Luz sem que se tenha alguma visto Eduardo Barroso ficar com isso incomodado. Em quarto lugar, porque durante esse mesmo jogo o Benfica e os seus atletas foram continuamente insultados e provocados pelas bancadas, pelo que, seguindo uma "lógica da provocação" teria que se apurar quem começou. Em quinto lugar porque nenhuma provocação, real ou virtual, pode justificar tentativas de agressão e de invasão do campo.

Muito diferente desta posição é a de Daniel Oliveira, que é Sportinguista e escreve no Record e soube ver nestes incidentes o que eles são: um acto de mau perder por parte de quem acha que vale tudo no desporto. Notável aliás a sua leitura da atitude de Pinto da Costa no fim do jogo: "Perante isto, o que fez Pinto da Costa? Pôs-se, como faz sempre, do lado da violência. Indignado por a polícia ter impedindo que os jogadores do Benfica fossem atacados pela multidão em fúria, dirigiu às forças da ordem a sua ira de mau perdedor. Compreendo que tenha saudades do guarda Abel e da conivência das forças de segurança com a sua falta de escrúpulos. Compreendo que ameaças sobre jornalistas seja a ideia que tem do que deve ser a segurança pública. Entendo, por isso, a sua estupefação por a polícia ter defendido os jogadores em risco."

Vergonha senhor Dr. Barroso são todos os comportamento de violência de qualquer adepto ou claques de qualquer clube e isso é que devia ter liminarmente condenado. Foi pena que a sua crónica não tivesse sido sobre a dedução de acusação contra 18 adeptos, 16 do seu clube e 2 do Benfica. O que se passou foi isto: "tudo começou quando 4 elementos da Juve Leo esperaram junto do Estádio a passagem de adeptos do Benfica - a quem lançaram pedras por entre os carros que passavam, lançando o pânico no trânsito. Dois elementos do "grupo ilegal" No Name Boys reagiram com garrafas e engenhos pirotécnicos e estão também acusados por isso". Dentro do estádio, os adeptos da Juve Leo envolveram-se em confrontos com a polícia e lançaram cadeiras e "bolas incendiárias", tendo um deles "incendiado um agente da PSP", ao passo que outro "agredindo com pontapés nas costas um agente o fez cair desamparado nas bancadas tendo logo a seguir festejado este "feito" com outros elementos da claque e ainda tentou fotografar". (As citações são retiradas do "Correio da Manhã de hoje, que por sua vez se baseou na acusação do DIAP). Eu acrescento que após a retirada ou fuga da políciada multidão em fúria, grande parte do estádio de Alvalade irrompeu em aplausos e começou a gritar "Sporting, Sporting".

Tal como, para concluir, são graves e lamentáveis as imagens inqualificáveis de adeptos ucranianos a agredirem barbaramente outros adeptos (aparentemente até do seu próprio clube) apenas porque estes últimos eram asiáticos, que surgiram recentemente na TV inglesa.

Isto Dr. Eduardo Barroso é que são vergonhas. Isto é que são comportamentos graves e muito perigosos. Isto é que o devia preocupar. Mas o que faz o senhor, cujo nível de instrução está muito acima da média e é visto por milhões de pessoas? Ignora isto, desculpa isto, dizendo que o grave, grave é o que fez ou não fez Carlos Lisboa. Que até se compreende a reacção das claques. Que os culpados não são os autores da violência mas os outros, que "provocaram". Que "não se revê" (foi incapaz de condenar) nos incêndios do Estádio da Luz mas que a "jaula", de que andou falando semanas "incendiando" o ambiente, é que era algo de gravíssimo.

Tenha vergonha Dr. Barroso e deixe de actuar como um irresponsável. Dedique-se à medicina onde salva vidas e deixe o futebol onde declarações desse tipo podem contribuir para que um dia elas se percam.

sábado, 26 de maio de 2012

Sporting (pode estar) à beira de fechar as portas

Ponto prévio: este não é um post contra o Sporting. O título não expressa um desejo meu (antes pelo contrário) mas o que temo que possa ser uma realidade.


Nas últimas semanas assisiram-se no Sporting a algumas movimentações estranhas que podem indicar que algo de muito errado pode estar a acontecer pelas bandas de Alvalade.

Primeiro foi o "regresso" de Pereira Cristovão a funções, depois se ter auto-suspendido. Esta decisão de voltar atrás com o que tinha dito foi muito mal recebida entre vários membros da direcção do Sporting, que terão cedido a uma chantagem de Pereira Cristovão apoiada em duas ameaças: i) fazer cair a direcção (ao arrastar consigo elementos que lhe são próximos), forçando eleições antecipadas e ii) usar as claques para criar instabilidade e caos no clube. O que motivou o vice-Presidente a voltar atrás na sua decisão de se auto-suspender terá sido a convicção de que estaria mais "protegido" se se mantivesse em funções.
De qualquer modo, a aceitação por parte dos outros dirigentes do Sporting de uma situação em que não se revêem e consideram que pode prejudicar o seu clube, indicia que o clube está tão frágil, que é melhor uma situação destas do que criar mais focos de instabilidade.

Em segundo lugar há a questão das viagens e dos silêncios de Godinho Lopes. Pelo que se sabe, e o próprio já o admitiu, o Sporting precisa urgentemente de "investidores". Godinho anda pela China e outras paragens basicamente a tentar vender o Sporting.

Por fim, a questão da transferência de João Pereira. Como se justifica vender um jogador por um preço tão baixo quando o mais certo é que ele venha a ser titular da selecção nacional num campeonato da Europa visionado em todo o mundo? De uma e uma só forma: o Sporting precisa de realizar dinheiro de imediato para fazer face a compromissos de pagamentos a bancos e funcionários.

A situação em Alvalade pode ser muito mais grave do que se julga. O Sporting pode estar em perigo de falência a curto prazo.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ainda sobre o Sporting

Breves notas apenas, para assinalar comportamentos que o clube "diferente" teve antes, durante e depois da final de Domingo e que são merecedoras de censura.

1) Não foi muito comentado mas o raspanete público de Sá Pinto a Adrien configura um comportamento muito feio, potencialmente (se Adrien não fosse o profissional sério que mostrou ser) atentatório da verdade desportiva. Sá Pinto lembrou, em tom ríspido em vésperas de um jogo decisivo, que Adrien era pago pelo Sporting, o que pode ser visto como uma tentativa de o condicionar. O mesmo Sá Pinto, após o jogo, desrespeitou a Académica ao dizer que "o Sporting não pode perder uma final com a Académica".

2) João Pereira voltou a merecer a expulsão e a exibir comportamentos reprováveis nos campos de futebol.

3) Uma jornalista da SIC foi incomodada e empurrada bruscamente por um adepto do Sporting, enquanto outros lhe gritavam "Benfica, a SIC é do Benfica"...

4) O árbitro Paulo Baptista foi, enquanto subia a escadaria em direcção à tribuna do Jamor, alvo de tentativas de agressão, de insultos e (dizem, isso não vi) cuspidelas por parte de adeptos do Sporting, por se ter recusado a arbitrar o Sporting na segunda jornada do campeonato.

Vi num outro blog um adeptos dizer algo do estilo: "para que estão agora a atirar pedras aos sportinguistas? São todos iguais!".

De facto, maus comportamentos existem em todos os clubes, embora nem todos sejam iguais. O que tem diferenciado o Benfica de outros clubes, é que os seus dirigentes, comentadores e mesmo a grande maioria dos seus adeptos, condenam veementemente tais comportamentos e deixam claro que eles não representam a forma de estar do Benfica. Os outros, que se afirmam "diferentes", insinuando que o Benfica é o clube da ralé e eles são de sangue azul, pelo contrário sempre se desresponsabilizam e escusam a condenar os comportamentos lamentáveis.

Quando houve a lamentável cena da batalha campal de adeptos na final de juniores, a culpa foi dos adeptos do Benfica, quando era claro que tinha havido arremesso de pedras de ambas as partes. Quando houve confrontos com adeptos do Atlético de Madrid e as claques do Sporting ameaçaram atacar mulheres e crianças do clube espanhol, a culpa era dos outros. Quando, há uns anos, invadiram o campo, após um golo de Giovanni, a culpa era da ffrustração. Quando recentemente se envolveram à pancada com a polícia em Alvalade, a culpa foi da brutalidade policial. Quando deitaram fogo ao estádio da Luz, a culpa era das condições pré-históricas. E agora a culpa foi do Adrien, do árbitro, etc.

Uma última nota. Fiquei hoje a saber, através da crónica do próprio no jornal "A Bola", que Eduardo Barroso se recusou a cumprimentar o árbitro da final e o deixou de mão estendida.

É nisto que hoje se manifesta a "diferença" do Sporting.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Fim de festa

Acabou ontem a época e com uma grande surpresa: a Académica venceu a Taça e o Sporting fecha o ano com uma derrota e sem nenhum título.
Não nos devemos comprazer nas derrotas e tristezas alheias, é uma máxima que nos vem à memória. Na verdade, como ontem também me lembrava um amigo, todos temos familiares e amigos que são sportinguistas, que naturalmente ontem terão sentido a "tremenda desilusão" de que Sá Pinto falou. Mais do que isso, como ontem também disse aquele treinador, estão de "de luto", o que é mais uma razão para respeitarmos a sua desgraça.

Mas sendo tudo isso verdade, há porém algumas coisas que convém lembrar.
Em primeiro lugar, recordar que o Sporting não merecia estar na final: nas duas mãos das meias finais o Nacional jogou melhor e só foi eliminado através de um golo já bem para lá da hora em Alvalade e um outro através de um penalty mais do que duvidoso. Em segundo lugar, mesmo depois de apurado, o Sporting poderia (e se calhar deveria) ter sido desclassificado devido às manobras de Paulo Pereira Cristovão (que aliás continuam por explicar em toda a sua extensão). Finalmente, convém recordar que os sportinguistas passaram a época a desmerecer e desvalorizar o Benfica, nomeadamente a sua conquista da Taça da Liga. Logo na altura eu disse e repeti aqui no blog: conquistar títulos não é fácil, todos os títulos são importantes e servem para alimentar o espírito de conquista.
Em anterior artigo caracterizei  o sentimento anti-benfiquista de muitos sportinguistas, que ultrapassa largamente a rivalidade e entra no plano do doentio, como esquizofrénico. Há sportinguistas - e não são poucos - que chegam a desejar a derrota do seu clube se dela resultar prejuízo para o Benfica. Por outras palavras, colocam o anti-benfiquismo (que não encontra explicações na realidade, pois tem sido do Porto a hegemonia quase completa do futebol português das últimas 3 décadas, por diversas vezes através de benefícios do sistema) antes do seu sportinguismo. Para esses e para os que atearam fogo ao Estádio da Luz, bem como para os que, em vez de condenarem terminantemente o ato selvagem e incivilizado, disseram "não se reverem" naqueles atos, dedico a vitória de ontem da Académica. Em relação aos outros sportinguistas, que sobretudo desejam as vitórias do seu clube, digo que temos pena. Acontece.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Amanhã há bola.

Benfica-Marítimo é amanhã às 5 da tarde, hora a que se deveria jogar muito mais vezes. Não tenho dúvidas de que as assistências seriam maiores e haveria menos problemas de delinquência.
É óbvio que o Benfica tem que ganhar - e creio que o fará - embora o título esteja praticamente perdido. Não digo que só um milagre nos daria o campeonato (acho que a acontecerem, era mais importante que os milagres se aplicassem a crianças doentes, a pessoas com fome, ou a vítimas da guerra) mas certamente que só um golpe de teatro inverteria as coisas neste momento.
Seria necessário o Porto perder um jogo e empatar outro (além obviamente de o Benfica ganhar todos os seus). Os jogos mais difíceis são o Marítimo para a semana e depois o Sporting. É verdade que o Marítimo não costuma facilitar (o seu Presidente, ao contrário da maioria não presta vassalagem a Pinto da Costa) mas o Porto mostrou na Luz e em Braga (há que o reconhecer) capacidade de lidar com a pressão. Por outro lado - e muita atenção a isto - o Marítimo tem uma enorme quantidade de jogadores no limite de cartões amarelos. Ora eu muito me espantaria se amanhã o árbitro não tivesse um critério disciplinar muito apertado, ao contrário do que costuma acontecer nos jogos do Benfica. Normalmente o futebol português tem muitas destas coincidências. Cá estaremos para o verificar.
Quanto ao jogo com o Sporting, como se poderá verificar pelo calendário, ele realiza-se 3 dias antes da final da Liga Europa, em que o Sporting poderá estar. Se assim for, alguém duvida de que Sá Pinto poupará os seus melhores (quer no 11 inicial quer no empenho que esses 11 colocarão em campo)? Ninguém o poderá sequer criticar por isso, se realmente o Sporting chegar à final.
A esperança é portanto muito diminuta, mas nem por isso o Benfica deve ser menos combativo no jogo de amanhã, até porque há ainda a questão do segundo lugar.
Espera-se portanto uma boa exibição do Benfica e uma vitória convincente. Há que jogar estas últimas jornadas com dignidade. Essa não nos podem roubar.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Caixa de Pandora?

O caso Pereira Cristovão ameaça não desaparecer tão cedo. E ainda bem. É uma janela de oportunidade que se abre para que a Justiça entre no mundo do futebol e a verdade desportiva possa começar a prevalecer. Espero que os dirigentes benfiquistas o percebam e que não deixem fugir esta oportunidade.

É que ficou provado que continua a existir corrupção no futebol português. Das duas uma: ou houve suborno ou houve uma tentativa de simular um suborno. A verificar-se a primeira das hipóteses não há dúvida quanto às consequências (para o Sporting, para o Marítimo ou quem quer que se prove ser o responsável pelo depósito); a verificar-se a segunda, há que determinar qual o objectivo que se pretendia atingir, que tanto poderia ser o de manchar os nomes de Cardinal e do Marítimo como simplesmente o de coagir a actuação do árbitro em causa. Em qualquer dos casos há um crime. Em qualquer dos casos, tentativa de retirar dividendos da situação. Em qualquer situação tentativa de adulterar a verdade desportiva.

Acima de tudo exige-se assim, depois de tudo o que tem acontecido esta época, que a direcção do Benfica não deixe de modo nenhum morrer este caso e que exerça todo o seu peso (que aparentemente hoje é diminuto, mas ainda assim) junto das instâncias do futebol para que se vá até às últimas consequências.

Neste e noutros casos. Muitas vezes o mais difícil é desfiar-se uma ponta e o resto vem atrás. Tenho alguma esperança de que outras coisas se venham a descobrir por arrasto. O que disse ontem o Presidente do Nacional da Madeira dá que pensar. Diz ele que Pereira Cristovão não viajou com a equipa do Sporting para a Madeira (para o jogo com o Nacional da meia final da Taça de Portugal) mas sim noutro voo "ao lado de Pedro Proença". Claro que isto não prova nada, mas, se juntarmos a esta alegação o que foi a arbitragem de Proença nesse jogo, a suspeita fica no ar. Proença expulsou um jogador do Nacional de forma muito forçada e marcou um penalty inacreditável contra o Nacional. Mas Rui Alves diz mais, muito mais. Segundo ele: "Paulo Pereira Cristovão detém dados dos árbitros que não estão ao alcance de qualquer dirigente desportivo. Tenho testemunhas do que estou a dizer. O que se passou foi uma estratégia de coacção dos árbitros".

São acusações muito graves, perante as quais espero que quer a justiça quer as instâncias do futebol tenham já encetado diligências. É que, a serem verdadeiras estas acusações, o Sporting incorre numa pena de descida de divisão.

Mais uma vez insisto, o Benfica não pode deixar este caso morrer. Acredito que quanto mais dele se vier a saber mais perto ficaremos de eliminar a batota do futebol.

Tenho como verdadeiro que é o Porto e não o Sporting que exerce o maior poder sobre os árbitros portugueses. Mas, a serem verdade as acusações que agora impendem sobre Cristovão, há que recuar ao que passou em Alvalade na última jornada e reapreciar a arbitragem de Artur Soares Dias.

Escrevi a quente sobre esse Sporting-Benfica. Ponderei na altura sobre se deveria deixar passar algum tempo, de forma a não ser tão emotivo, mas estou contente por não o ter feito. É que a indignação esmorece com o tempo e quando nos habituamos a reprimi-la corremos o risco de nos tornarmos insensíveis à injustiça. Ora eu espero que isso nunca me aconteça - ou não fosse o nome deste blog Justiça Benfiquista.

Para além dos penaltis vergonhosos, estão a circular na internet novas imagens (nomeadamente do pisão de João Pereira a Gaitan) e vídeos sobre esse jogo. Que mostram que o árbitro viu determinadas situações que não sancionou.

Já tenho defendido que em que muitos casos de arbitragem não acredito que se tratem de erros, de tal forma as situações são evidentes. A presunção de inocência não pode ser uma carta que constantemente se lança para branquear decisões inexplicáveis e tornar inimputáveis os árbitros. Pelo contrário, quando há erros flagrantes os árbitros deveriam ter que se explicar. Pelo menos ao organismo que os tutela.

Ora se as referidas imagens e vídeos provam que a dualidade de critérios foi gritante e que o árbitro viu e não puniu inúmeras situações em prejuízo do Benfica, não fica a sua imparcialidade (no mínimo) em causa? Qual a sua defesa, quais as suas justificações? Na ausência delas, não podemos deixar de especular: existirá alguma relação entre a arbitragem tendenciosa desse jogo e a identificação de Paulo Pereira Cristovão pela PSP, (a pedido de Soares Dias), no intervalo do Sporting-Marítimo? Por que razão foi feita essa identificação? Soares Dias sentiu-se ofendido por PPC? Intimidado? Coagido? Se assim foi, teria condições psicológicas para arbitrar o Sporting-Benfica?

Volto a dizer, o caso Pereira Cristovão é uma janela de oportunidade para acabar com a corrupção e o tráfico de influências no futebol português. Apelo a uma atenção muito grande por parte da direcção do nosso clube. O Benfica não pode permitir que mais uma vez as coisas caiam no esquecimento. Uma oportunidade destas não aparece todos os dias. Há que ir até ao fim. Até porque isto pode ser só uma pequena parte do que se passa nos bastidores do futebol. Continuo a acreditar que é o Porto quem ali mais se movimenta. Abra-se a caixa de Pandora.

terça-feira, 17 de abril de 2012

No topo da actualidade futebolística




O blog Justiça Benfiquista existe há duas semanas e tem tentado acompanhar diariamente a actualidade futebolística benfiquista, simultaneamente analisando e comentando os temas mais quentes da agenda nacional e internacional.
Nestas duas semanas, para além da análise de jogos (Chelsea, Braga, Sporting, Taça da Liga) e de questões de arbitragem (muito mais do que desejaríamos), abordámos ainda a questão do uso de novas tecnologias, as causas do insuficiente sucesso desportivo do Benfica nos últimos 30 anos e o recambolesco caso Pereira Cristovão.

Na imprensa de hoje, quer nacional quer internacional, algumas destas questões voltam a estar na ordem do dia.

Em relação ao caso Pereira Cristovão, "A Bola" e o "DN" dão conta de uma guerra no seio do Sporting entre os que se colocaram do lado daquele vice e da sua pretensão de reassumir funções e os que se opunham (e que estariam em maioria). Terão existido ameaças de demissão de parte a parte, o que levantava o espectro de eleições antecipadas. "A Bola" diz que Godinho Lopes tomou a decisão final de reintegração.

O Sporting, já o disse anteriormente, vive um momento difícil. A sua crise de identidade ameaça a existência mesma do clube. A rivalidade com o Benfica transformou-se, por via da hegemonia portista que quase acabou com o estatuto de "grande" do Sporting, em esquizofrenia anti-benfiquista. O Sporting está hoje nas mãos das claques. O presente caso é demonstrativo do que atrás digo. Ouvi ontem com espanto, nos "Grandes adeptos" da Antena 1, o sportinguista Jaime Mourão Ferreira (não confundir com David Mourão-Ferreira, filho do poeta e grande benfiquista) fazer-se de ofendido. Afinal de contas, o caso mais não seria do que um ataque "miserável" ao Sporting. Paulo Pereira Cristovão estaria a pagar por "afrontar" o sistema. Que o sistema existe, é algo de que não duvido e que demonstrarei em breve. Dizer que a PJ está envolvida numa cabala é que já não aceito. Tal como não concordo que PCC tenha afrontado o sistema. O que ele fez foi, depois de incendiar o ambiente e incentivar as claques sportinguistas a fazerem o que fizeram na Luz, plantar provas e tentar incriminar o Marítimo e o árbitro Cardinal. A tese da cabala, usada em Portugal quando se é apanhado, já está gasta. Mas diz muito, insisto, sobre a presente mentalidade sportinguista.

Este caso ainda não acabou. Considero que há potenciais consequências desportivas a tirar das acções deste vice presidente sportinguista no exercício nas suas funções. Rui Alves (Nacional) sustenta hoje que o Sporting deve ser eliminado da Taça de Portugal, cenário que para mim não pode ser excluído à partida. Acima de tudo importa apurar cabalmente o que se passou.

Escrevi também há cerca de uma semana um artigo sobre o uso de tecnologias no futebol. No rescaldo do Chelsea-Tottenham, no qual mais uma vez se colocou a questão da bola ter ou não entrado na baliza, a imprensa inglesa volta à questão. É tempo consideram alguns jornais. Curioso também neste caso que, sobretudo desde a saída de Villas-Boas, o Chelsea esteja a ser "feliz" no que respeita a decisões arbitrais.

Por fim, a Taça da Liga volta a ser alvo de uma campanha denegritória por parte dos nossos adversários. Já escrevi sobre o assunto, sendo claras as razões que os motivam. Ontem foi o referido Mourão Ferreira (não sei o que foi dito nos programas televisivos). Hoje é Sousa Tavares n' "A Bola" (esse suposto bastião do benfiquismo que, além daquele jornalista, conta com colaborações semanais de Rui Moreira) a insultar a competição. É apenas mais uma manifestação de desrespeito por uma competição que não conseguem ganhar. Nada de novo portanto.



Nota: a foto reproduzida é retirada do site "Geek for Life", todos os direitos reservados.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O estranho caso de Paulo Pereira Cristovão

Estranho, caricato e patético. Mas também grave.
Há qualquer coisa de pérfido, doentio e simultaneamente trágico-cómico neste caso, que diz muito sobre a actual mentalidade sportinguista.
Senão vejamos.

Embora ainda estejamos no início e pouco se saiba, a principal acusação a este Vice Presidente do Sporting parece ser a de ter depositado dinheiro na conta de um fiscal de linha (José Cardinal), simulando que tinha sido o Marítimo (que jogava naquela altura com o Sporting) a fazê-lo. Posteriormente aparece uma carta "anónima" no Sporting que acusava o árbitro e o Marítimo de corrupção. O Sporting leva a carta à Polícia Judiciária que inicia a investigação que viria a acusar... Paulo Pereira Cristovão.

Há características da actual mentalidade sportinguista que creio ajudarem a explicar este caso.

Em primeiro lugar a vitimização. Falarei a seu tempo sobre as queixas do Sporting neste campeonato. Por agora bastará dizer que na primeira jornada, em Alvalade contra o Olhanense, foi mal anulado um lance a Postiga. Não se tratou bem de um golo anulado porque a jogada foi parada quando Postiga recebeu a bola e não quando rematou. Tal bastou porém para críticas de tal forma violentas por parte do Sporting que os árbitros se recusaram a apitá-lo na jornada seguinte. O fiscal era Cardinal.

Mas não foi por isso que este auxiliar foi o escolhido de Paulo Pereira Cristovão para simular um suborno. É que Cardinal esteve na tal - a célebre! - final da Taça da Liga de ... 2009. Sempre que falam de arbitragem, os sportinguistas vão buscar este caso, agora já com três anos. Que se passou numa competição que, de acordo com eles, nada vale... Pereira Cristovão armou assim uma cilada a Cardinal para "provar" a posteriori que quem beneficiara em tempos o Benfica era afinal um corrupto.

Nos enredos que os sportinguistas tramam, o vilão das suas histórias é sempre o Benfica. É o Benfica que os prejudica, que domina as arbitragens e controla os bastidores do futebol. Benfica que, em 20 anos ganhou... 3 (três) títulos de campeão. Quanto ao Porto, que no mesmo período ganhou 14 (catorze) campeonatos, pouco ou nada se ouve. Quem vê os comentadores de Sporting e Porto de mãos dadas em 80 ou 90% do tempo nos painéis de adeptos fica com a impressão de que estão ali representados dois pobres clubes que ano após ano são expoliados das vitórias que mereceriam pelo vilão Benfica.

Para os sportinguistas, o Benfica ser beneficiado (como foi nessa final da Taça da Liga, não temos problema em admiti-lo, sendo certo que o penalty nos deu o empate e não a vitória) é algo de escandaloso e hediondo, ao passo que ser prejudicado (como há menos de uma semana, de forma muito mais gritante), é normal e justificável pois "o Benfica também não merecia ganhar o jogo".

É um anti-benfiquismo que nada teria de especialmente criticável, se não se traduzisse numa mentalidade de submissão e vassalagem ao clube do norte.

Mas mesmo sabendo tudo isto, nunca pensei que a máscara sportinguista do "clube diferente", as pretensões de elitismo e superior educação e os ares afectados caíssem com tanto estrondo e tão depressa.

O que se passou é que a estratégia de vitimização e o anti-benfiquismo de Cristovão foram neste estranho caso levados ao extremo da esquizofrenia: simula-se o suborno de um árbitro para ilustrar como o Sporting é vítima, insinuando-se ao mesmo tempo subliminarmente uma possível ligação do Benfica ao caso. Admirável.

A ser verdade a acusação da PJ, este Vice Presidente do Sporting (sublinho que falamos de alguém que ocupava uma posição de chefia na estrutura do futebol) teve um dos comportamentos mais ignóbeis e miseráveis e simultaneamente mais ridículo, que jamais me foi dado ver. Isto depois de há uns meses, enquanto as bancadas da Luz ardiam, ter acusado o Benfica de receber os adversários em condições "pré-históricas".

O que Cristovão agora fez é, além de rebuscado e insólito, uma ilegalidade grave. É uma aleivosia indescritível e refinada, e, à sua própria e ínvia maneira, uma forma de corrupção. Mas atenção! Isto pode ser apenas a ponta do iceberg! O "Correio da Manhã" de hoje fala de uma operação montada por Cristovão para espiar os árbitros e as suas mulheres. Há a suspeita de que existia uma intenção de chantangear os árbitros. Teremos que aguardar por futuros desenvolvimentos.

O estranho caso de Paulo Pereira Cristovão ilustra afinal um grave desvio da mentalidade sportinguista, que hoje afecta infelizmente grande parte dos seus adeptos.