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terça-feira, 28 de maio de 2013

Época perdida - o papel de Vieira

Este ano o Benfica tinha tudo para ser feliz.
Com expectativas baixas face às saídas de Witsel e Javi Garcia, bem como por um empate em casa, logo na primeira jornada, com o Braga, a equipa não apenas aguentou esse embate como surpreendeu toda a gente, atingindo patamares quase impensáveis em Agosto/Setembro.

Foi um Benfica demolidor o que chegou ao fim do mês passado em condições de ganhar tudo. Houve alguns momentos menos bons, como o empate em casa com o Porto no fim da primeira volta (mantenho que se tivéssemos vencido esse jogo, como podíamos, teríamos sido campeões) ou o jogo contra o Sporting em casa, em que apesar do golo de antologia não conseguimos ser a equipa que normalmente somos.
Mas outros houve que foram sensacionais, como a segunda parte contra o Newcastle na Luz ou a segunda mão contra o Fenerbahçe. Houve exibições seguríssimas, como as vitórias claras em Coimbra e em Paços para a Taça de Portugal, ou as vitórias na Madeira contra o Marítimo e em Guimarães contra o Vitória. Isto para não recuar ao início do campeonato, em que demos goleadas e alguns festivais de futebol.

Já nem nos lembramos destas coisas...

O que correu então mal?

É simples e escreve-se com 6 letras: Vieira.

Vieira terá trabalhado nos bastidores para que vergonhas como a de Coimbra não se repetissem. E teve sucesso nessa tarefa, nomeadamente "saneando" árbitros que claramente têm como objectivo perseguir e prejudicar o Benfica.

Tivemos assim para os nossos jogos nomeações de árbitros jovens ou sem historial de prejuízo ao nosso clube, o que se reflectiu, até ao último terço do campeonato, numa época quase sem casos, em que não fomos prejudicados pelas arbitragens.

O campeonato parecia ganho, pois era evidente que sem invenções, sem xistremas, o Benfica era a melhor equipa.

O Porto dava sinais de desespero.

Mas foi aqui que Vieira (e a estrutura que o acompanha, pois há lá mais gente que tem a obrigação de manter os olhos abertos) errou: achou que as coisas estavam ganhas e subestimou o poder do FC Porto e a influência de Pinto da Costa, que os benfiquistas já davam quase como morto (em sentido figurado, obviamente). 

Deixou-se Vitor Pereira fazer demasiado alarido, demasiada pressão sobre os árbitros sem resposta adequada. Quase todas as semanas o treinador do Porto falava de jogadores do Benfica que deviam levar cartões: ora era Maxi, ora era Matic.

Assim, quando entramos na fase final do campeonato, quando o Benfica podia finalmente criar a décalage decisiva, alargando a sua vantagem para 6 ou 8 pontos e deixando o Porto irremediavelmanente atrasado, este Porto é aguentado pelos árbitros à custa de penalties (a seu favor ou perdoados).

Pinto da Costa sabia que parar o Benfica seria muito difícil (até porque Vieira aí controlou bem Vitor Pereira, o dos árbitros, no sentido de não termos Xistras, Soares Dias nem miguéis semana sim semana não) pelo que optou por controlar as arbitragens do seu clube, praticamente assegurando os pontos todos do Porto até à visita do Benfica ao dragão. Qualquer deslize da nossa equipa até lá tornaria esse no jogo do título.

Há que o dizer, a estratégia foi bem pensada e bem executada se formos capazes de nos abster de um juízo moral, que tem que ser condenatório, desse controlo das arbitragens do Porto. Que foi por demais evidente.

LFV falou e bem a dada altura acerca de um jogador de andebol do Porto, dizendo que eles jogavam com dois guarda redes. Só que isso foi em Dezembro. 

Ora este "ataque final" ocorreu em Março/Abril e aí o Porto contou com um caminho aberto resultante do completo silêncio da parte do Benfica.

Vieira achou que o mais importante era o Benfica concentrar-se em si mesmo. Ganhando, conseguindo ser campeão mesmo apesar das arbitragens teria ainda mais sabor.

Infelizmente não foi a estratégia mais correcta (embora a possa compreender e ela tenha algum apelo). Não foi a mais correcta porque obrigou a equipa a um desgaste que se reflectiria no rendimento da equipa nas "finais".

Tudo aquilo que até disse atrás não justifica porém o título deste post. Se Vieira tivesse apenas cometido os "erros", se é que o são, que aponto atrás, considerando que fez por outro lado um trabalho invisível e muito importante de acabar com os roubos descarados ao Benfica, o balanço seria altamente positivo.

O problema é que os erros estavam ainda por chegar.

E chegaram na semana fatídica que antecedeu o jogo com o Estoril em que tudo se perdeu - e aí o principal responsável é Vieira.

Bastava ganhar ao Estoril para o Benfica ser campeão. Repito, bastava ao Benfica ganhar ao Estoril para ser campeão. Dificilmente perderíamos no Porto (o empate já dava matematicamente o título) e poderíamos rodar alguns jogadores para ter mais frescura física em Amsterdão. Pelo que se viu nesse jogo, com essa frescura adicional poderíamos mesmo ter ganho (muitas vezes quando os jogadores falham golos é porque fisicamente estão muito desgastados - a finalização é o movimento que exige mais rapidez de execução e portanto melhor condição física) a Liga Europa.

O que aconteceu então? Um remake do ano passado! O ano passado, com o Benfica 5 pontos na frente e nos quartos de final da Champions, Vieira deu uma entrevista à RTP na qual parecia já convencido de que o mais difícil já estava feito e que, além de ser campeão nacional, o Benfica poderia mesmo vencer a Champions.

Desde aí foi o descalabro.

Este ano, Vieira, que tinha estado calado toda a época, aparece nessa semana fatídica a dar nova entrevista, desta vez à Benfica TV. Era a consagração! Quando nada estava ganho, como tantas vezes aqui alertei!!

Mas pior, uma vez que alguns poderão achar que estou a ser supersticioso (que não é o caso) e que a entrevista não influiu sobre o rendimento da equipa (apesar do exemplo do ano anterior), Vieira, que até então não falara do tema, veio introduzir a questão da renovação de Jorge Jesus! Na véspera de um jogo decisivo!!!! QUE INCOMPETÊNCIA! QUE AMADORISMO!

Alguns falam da viagem ao Brasil mas aí, se calhar erradamente, não dou uma importância muito grande ao facto. Vieira não passa os jogos no banco ou ao lado da equipa, pelo que a sua ausência não terá sido assim tão notada pelos jogadores. Eles têm é que estar concentrados no seu trabalho e não em quem está à volta.

O pior foi quebrar o silêncio, que naquela altura era de ouro, e introduzir um factor de perturbação, de distração, quando a concentração no jogo com o Estoril devia ser total e absoluta

Penso e muitos dizem que Pinto "atacou" e prometeu prémios aos jogadores do Estoril, percebendo que era a última oportunidade de poder tentar tirar o título ao Benfica e sabendo que havia cansaço de uma eliminatória fortíssima, disputada em ritmo frenético, com o Fenerbahçe. Se é verdade, mais uma vez ele foi esperto e nós fomos burros!

As coisas correram como correram. Mas ainda havia uma forma de salvar a situação: era LFV anunciar a renovação com Jorge Jesus na semana antes do jogo com o Porto, reforçando a confiança de todos antes daquele embate decisivo. NADA.

E depois perde-se a Liga Europa, da maneira que foi, e Vieira vem dizer (talvez ainda acreditando no milagre do móvel) que JJ era o seu treinador até ao fim do seu mandato.

Para quê? Das duas uma: ou renovava antes das decisões (como deveria ter feito), ou esperava até ao fim da época. No meio é que NÃO PODIA ter dito nada. Só criou instabilidade, distração.

Finalmente, o tal epílogo de que eu falei aqui há duas semanas foi a final da Taça. Nova derrota e desta vez com uma exibição miserável que levou alguns adeptos no Jamor a interrogar-se sobre se não haveria aqui um espectro do Porto a pairar e um anuncio, sob forma do resultado do jogo, acerca do futuro de JJ. Sentiu-se (até pelas expectativas criadas e pelo apoio incondicional dos adeptos) que havia algo de traição naquele desfecho e naquela exibição. As substituições foram algo de indescritível, anunciando logo que iríamos mesmo perder a final.

Porém o mal já estava feito e já vinha de trás. A partir daí, da sucessão de erros de Vieira que identifiquei, tudo se desmoronou como um castelo de cartas. Jesus, já de si bastante emotivo, perdeu o controle emocional e começou a cometer erros a um ritmo cada vez mais acelerado. 

Faltam apenas dois episódios desta peça. Um deverá ser anunciado já hoje, o outro também muito em breve. A não ser que eu esteja muito enganado e que Vieira agora me surpreenda. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Tiro no porta aviões

O anúncio de Luis Filipe Vieira de que a BenficaTV comprou os direitos televisivos da Liga Inglesa é uma decisão fundamental para acabar com o sistema em Portugal.

Há muito que defendo que o sistema é sobretudo formado pelo Porto e por Pinto da Costa e por Joaquim Oliveira e a sua Olivedesportos, sobretudo com a SportTV.

O anúncio de que não renovava o seu contrato com a SportTV foi um primeiro passo dado pelo Benfica para abalar este sistema. Faltava porém alguma coisa, pois a SportTV opera em monopólio em Portugal e uma BenficaTV que apenas transmitisse os jogos da nossa equipa teria dificuldade em obter as receitas que se perdem ao terminar o contrato com a SportTV.

Com a compra dos direitos da Liga Inglesa, a BenficaTV assume-se como concorrente da SportTV, aliás com o melhor produto futebolístico do mundo, que é a Liga Inglesa, com capacidade de gerar receitas publicitárias e, como é já inevitável, se tornar paga por subscrição.

O fim da SportTV, que alimenta o sistema do futebol português, dominado por Pinto da Costa é assim colocado em cheque, de uma direção inesperada para o próprio sistema, onde ele se julgava imbatível e inatingível.

Esta decisão coloca o Benfica fora de uma teia de interesses e influência, com toda a força e capacidade para denunciar, e por fim derrubar, o sistema.

Nesta medida, tenho que reconhecer que a direcção do Benfica não apenas estava atenta ao que se ia passando como foi capaz de fazer uma jogada de longo alcance que pode finalmente acabar com o domínio de Oliveira e Pinto no futebol português, que gerou este nosso futebol insuportavelmente previsível em que o Porto faz tudo o que quer e ainda lhe sobra tempo. 21 jornadas e ainda nem um penalty contra! Mas disso falaremos adiante.

Por agora queria felicitar Luis Filipe Vieira por esta decisão e dizer que assim, com uma direcção que demonstra ser capaz de assumir a ruptura total, que sempre tenho defendido, com o sistema instalado no futebol português há 30 anos, estou evidentemente de volta para neste espaço defender o nosso clube dos ataques vergonhosos de que continua a ser alvo e das defesas mal conseguidas que alguns benfiquistas tentam fazer sem sucesso.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Vieira - politicamente incorrecto, cruamente verdadeiro

A atitude da actual direção do Sporting para com o Benfica tem sido deplorável.

Uma direção tão incompetente como a de Godinho Lopes, que mais não tem feito senão afundar o Sporting a um ponto que começa a parecer de não-retorno, deveria abster-se de arranjar ainda mais inimigos.

No entanto, na linha de imitação da mentalidade de um certo clube regionalista, pensaram os dirigentes do Sporting que atacando o Benfica a despropósito ganhavam motivação e arregimentavam as suas tropas. Enganaram-se - nem a mentalidade tacanha de gente corrupta podia servir a um clube lisboeta e de vocação nacional. Mas também dificilmente tal estratégia resultaria quando os pressupostos dos ataques são tão mesquinhos.

O ano passado foi a história da "jaula" que alimentou todo o anti-benfiquismo primário durante semanas e que quis criar um factor extra-futebol para nos atacar. Não contentes, no fim do jogo, vieram ainda queixar-se de "condições pré-históricas", enquanto que seus adeptos criminosos ateavam fogo ao nosso Estádio.

Ainda não contentes, tiveram a ousadia de dizer que "não se reviam" naqueles acontecimentos, evitando cuidadosamente a condenação dos mesmos, e a falta de hombridade de nunca ter pedido desculpa pelos lamentáveis incidentes. Continuam aliás sem pagar os estragos, o que denota uma atitude de caloteiro.

A isto veio-se seguir a rábula patética de "exigir" o adiamento de um jogo e de hostilizar o Benfica apenas porque choveu em Lisboa na quinta-feira. Mas que culpa tem o Benfica do jogo com o Videoton (aliás completamente a feijões) ter sido adiado? A atitude arrogante, prepotente, de desrespeito para com o Benfica vinha afinal a propósito de quê? Mas nós temos alguma culpa da má gestão do Sporting?

Como é evidente, o Benfica - que até poderia ter ponderado adiar o jogo se para tal tivesse sido civilizadamente abordado - não aceitou dictats. Ainda por cima mascarados de respeito pelos regulamentos que de forma nenhuma a tal obrigavam. Godinho Lopes diz que mandou um SMS a Vieira e que a sua advogada ligou para o advogado do Benfica...

Mas é assim que se tratam os assuntos para aqueles lados? Ainda por cima com o historial acima descrito? Advogados? SMS?

A avaliar pelo tom da entrevista de Godinho Lopes ao "Record", ainda a agravar mais Luis Filipe Vieira ("não é pessoa com quem tenha prazer em falar", "liguei à tarde porque de manhã ainda seria mais desagradável" - o que é isto??), esse SMS deve ter sido de uma enorme cordialidade e simpatia. E como se não bastasse ainda vem dizer que "Vieira teve medo". Medo de quê? De Godinho?

Face a isto e talvez a outras coisas que nós não sabemos, Vieira respondeu como tinha que responder: "só dou confiança a quem quero". Nem mais.

Alguns ficaram muito incomodados por Vieira ter acrescentado depois que no Benfica "tivemos um aldrabão durante 3 anos", sugerindo que tal se poderia estar a passar no Sporting.

Vieira é assim. Rangel ouviu das boas durante a campanha. Mas colocou-se a jeito... Tal como Godinho. Se calhar as pessoas que estão tão incomodadas deviam era estar preocupados com o que anda Godinho a fazer no Sporting. É que aquilo está muito mal. E quem deveria estar mais preocupado são antes de mais ninguém os sportinguistas. Se calhar deviam estar agradecidos a Vieira. Ele avisou...


ADENDA: Segundo o "Correio da Manhã", Macaco, o líder da claque do Porto não apenas esteve em Alvalade como teve mesmo direito a ser recebido pelo "diretor de segurança" e entrar pela porta VIP, enquanto outros espectadores aguardavam ainda a abertura das portas. O Sporting atinge um novo patamar de baixeza.

sábado, 27 de outubro de 2012

Parabéns aos vencedores, dignidade aos vencidos

Luis Filipe Vieira foi eleito com uma enorme maioria (83,02% contra 13,72% de Rangel). A vitória de Vieira nunca me pareceu em causa, pois Rui Rangel não conseguiu a onda de vitória que seria necessária para desalojar um Presidente que, apesar das duas más épocas desportivas passadas, tem objectivamente uma obra feita no Benfica. O anúncio do fim da relação com a Olivedesportos deu à vitória a expressão que teve.

É hora de união, é hora de cerrar fileiras. Vêm tempos difíceis a caminho, com os constrangimentos económicos do país e - não tenho dúvidas - uma última ofensiva do sistema, que fica, a partir do fim do monopólio da Sporttv, com um dos seus alicerces muito fragilizado. Temos, independentemente das arbitragens, um adversário muito forte no Porto e só um Benfica muito determinado e unido pode ser vencedor a nível nacional.

É pois hora de união, de aceitar os resultados e de saber respeitar os vencidos. Rangel mostrou o seu benfiquismo e teve a coragem de avançar, com algum risco para a sua imagem pública e credibilidade. Acompanharam-no benfiquistas verdadeiros, animados de esperança, que merecem ser felicitados pela sua coragem em dar a cara e avançar. Têm todo o meu respeito. Muitos acreditaram num projecto diferente para o Benfica, que certamente esperavam que seria mais vencedor do que o de Vieira.

Mas os sócios expressaram-se de forma inequívoca e mostraram o seu apoio e a sua crença em Luis Filipe Vieira. É nele que confiam para levar o Benfica à posição cimeira em que merece estar. Saibamos pois todos celebrar a democracia benfiquista e aceitar os resultados. Saibamos ultrapassar diferenças em nome do nosso lema. O Presidente e a sua direcção devem também dar passos para esta união, para que todos se sintam em casa no Benfica.

Somos todos benfiquistas pelo que a partir de amanhã só uma coisa importa: apoiar o nosso clube do coração.

Quanto aos que receberam o resultado com insultos e petardos, que dizem que os sócios são estúpidos por ter votado como votaram e que isto não é o Benfica, têm bom remédio: vão-se embora e não voltem a aparecer. Nós, os benfiquistas cujo clubismo e paixão não depende de quem é o Presidente nem de projectos de poder, não sentiremos falta nenhuma.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Dia de votar, de contar e de respeitar

Há muita agitação pelos blogs, com alegados problemas relacionados com o voto electrónico e pretensas ameaças e condicionamentos.
Em todas as eleições há sempre qualquer coisa que corre menos bem. Nos EUA, país que é um modelo de eleições, houve há 16 anos umas eleições que foram contestadas e em última análise decididas pelo Supremo Tribunal. Em todas, mas todas as eleições, há problemas aqui e ali, porque nem as pessoas nem as próprias máquinas são infalíveis. Se há problemas eles devem ser registados e depois analisados pelas comissões eleitorais, nas quais as duas candidaturas têm uma palavra a dizer.
Acima de tudo há que manter a cabeça fria e deixar o acto decorrer com normalidade. Ninguém será certamente impedido de votar em quem quer.
Lembrem-se: nem Vale e Azevedo, o homem que enganou meio mundo- e continua a enganar os ingleses! - conseguiu fugir à decisão dos benfiquistas expressa em eleições!
Por isso, vamos manter a calma e deixar os sócios falar. Às 23.00h já se conhecerão os resultados. E depois disso, o Benfica terá um Presidente. Um só, que convém que todos respeitem.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Fim da Sporttv - análise preliminar

É a notícia mais importante da actualidade benfiquista e uma das mais aguardadas.

O tema das transmissões televisivas é importante por três motivos: a valorização da imagem (agora diz-se "marca") do Benfica inclusivamente fora de Portugal, o aumento da receita financeira (fundamental face à austeridade e à diminuição do consumo em Portugal) e finalmente o que eu chamo o combate ao sistema.

Se as duas primeiras razões são autoexplicativas, já sobre a terceira convirá dizer alguma coisa.

Quem acompanha este blog sabe como tenho falado acerca do sistema. Abri inclusivamente um separador que concentra os artigos sobre o tema e permite ao leitor uma fácil consulta dos mesmos.

O sistema tem uma cúpula que é ocupada por Pinto da Costa, que é o líder quase mítico dos adeptos e jogadores e o "papa" do sistema, quer dizer a sua "autoridade" (i)moral. Mas vivemos hoje no tempo do dinheiro. Este é que realmente comanda quem não tem fidelidades a valores ou à sua consciência - condição de grande parte da gente que anda no mundo do futebol. Nessa medida era necessário que a "autoridade" tivesse uma fonte de poder, o que equivale a dizer uma fonte de dinheiro.

Como pode o Porto, com uma base de adeptos relativamente limitada, com assistências médias no seu estádio de 35.000 espectadores (embora mesmo estes números oficiais do Porto me suscitem dúvidas porque poderão estar inflacionados - ver a este propósito o excelente trabalho do site ser benfiquista), ter um orçamento tão elevado e constantemente ter mais capacidade financeira do que o Benfica para contratar jogadores? A resposta passa em parte pelo papel da Olivedesportos.

Joaquim Oliveira é dono de um grupo de comunicação que domina há anos o futebol português, através de vários "esquemas" que envolvem governantes e a RTP. Nele Pinto da Costa muito se apoiou, lícita e ilicitamente.

Convém não esquecer que o escandaloso caso das viagens pagas a árbitros foi agenciado pela "Cosmos", operador turístico que é aliás o agente oficial da UEFA na península ibérica e que evidentemente pertence a Joaquim Oliveira. Como chegou a ser agente UEFA uma organização que participou num esquema criminoso é algo que custa a entender, sobretudo dadas as invectivas de Platini contra a batota. Mas sabe-se que o Porto sempre teve boas relações no organismo que gere o futebol europeu, onde Guilherme Aguiar soube cultivar boas relações.

Oliveira conquistou um império que abrange a TSF, o Jogo, o DN e o JN e que tem na Sporttv a joia da coroa. E o posicionamento desta é bem conhecido, apesar da sua linha editorial e opinativa ter sido algo disfarçada nos últimos anos face à indignação dos benfiquistas que, como maioria dos adeptos de futebol em Portugal, constituem fatia de mercado que não se pode alienar completamente.

Pinto da Costa, o "papa", e Oliveira, o "guru" dos negócios amparam-se assim mutuamente e constituem as duas faces do poder futebolístico em Portugal: um através da sua autoridade "moral", o outro através do poder económico. Todos os agentes do futebol sabem que dependem economicamente e desportivamente destes dois homens. Os árbitros, condicionados pela necessidade de obter boas classificações para conseguir apitar jogos internacionais, que garantem altas remunerações, são os que mais dependentes estão desta estrutura e portanto pautam as suas carreiras pela subserviência a tais poderes. Mas os próprios clubes e a Federação conhecem esta realidade e agem de forma a proteger os seus interesses.

Octávio Machado disse-o mais do que uma vez com todas as letras - a Olivedesportos põe e dispõe, inclusivamente dos nomes para seleccionador nacional. António Oliveira, irmão desavindo de Joaquim, também já o afirmou e usou mesmo a expressão "sistema".

O sistema está aliás montado de tal forma que a própria Sporttv, controlando as transmissões e a colocação de cameras nos estádios sempre saberá que imagens seleccionar para oferecer os ângulos mais "convenientes" dos lances e criar uma narrativa das arbitragens que permita ao sistema ir subsistindo. Só não o vê quem não quer.

Face a esta realidade, a quebra do monopólio da Sporttv é fundamental para começar a desmantelar o sistema e começar a tornar limpo o futebol português. A própria Liga já o compreendeu e está a tentar concentrar em si os direitos televisivos. Veremos como esta intenção, a concretizar-se

Percebo que para os apoiantes do juiz Rui Rangel, que ainda ontem davam conta de que tinham informações de que Vieira estaria secretamente a negociar com a Olivedesportos, a notícia da não renovação de contrato surja na pior altura. Penso porém que, independentemente das eleições, esta é uma notícia muito importante para os benfiquistas que tem reprecussões mais vastas e que pode marcar um momento de viragem no futebol português.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A dois dias das eleições...

Não houve (nem haverá) nenhum debate, não se discutiram verdadeiramente ideias e propostas, não se apontaram (nem se reconheceram) erros de gestão, não se apresentaram rumos de futuro para o Benfica.
Ficaram-se até agora os candidatos pelas generalidades, por acusações mais ou menos veladas, mais ou menos diretas, por questões florais sem relevância.
Falou-se de sportinguistas na equipa de Vieira (quando dá toda a ideia que Soares de Oliveira é dos mais competentes quadros que possuímos), de anos de sócio (ridícula questão motivada por igualmente ridículos estatutos), de vendas milionárias de direitos televisivos a entidades desconhecidas, de auditorias, de Vale e Azevedo...
Uns ameaçam com o "depois de mim o caos", os outros com "o Benfica aos benfiquistas".
Muito pouco, num quadro interno e externo em que enormes desafios se apresentam: a quebra generalizada da riqueza e do consumo na Europa e em Portugal muito em particular, face a passivos monstruosos por parte de todos os clubes e SAD's deixam antever o pior.
Não há nenhuma proposta, não nenhuma ideia inovadora sobre o que fazer, nenhuma liderança verdadeiramente convincente.
Generalidades e declarações de intenções todos podemos expressar.
Todos queremos vitórias, títulos, mais mística e mais benfiquismo.
Mas não concretizando esses objectivos gerais em propostas concretas, numa dinâmica envolvente e embuída de verdadeiro benfiquismo, torna-se difícil sermos convencidos, sermos mobilizados.

Lembro-me de outros tempos com vários debates entre candidatos não apenas à Presidência da Direção mas até entre os directores para o futebol das diferentes listas. Quão longínquos parecem esses tempos...

Vieira demitiu-se até de fazer campanha, limitando-se a umas visitas às Casas do Benfica. Não assume um papel de liderança, não expressa preocupação pela possibilidade de não vencer, nem sequer demonstra grande desejo em continuar. A falta de energia e entusiasmo é confrangedora.
Mas Rangel não é melhor. Não tem também capacidade de mobilização, não tem carisma e parece mal preparado para os assuntos a que tem que responder. A sua candidatura parece uma amálagama de várias figuras que não se identificam com a gestão de Luis Filipe Vieira mas a que quase mais nada une. Falta-lhe organização, o que não deixa antever nada de bom no caso de eleição.
Assim estamos mal, muito mal.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Esclarecimento - a entrevista de Rangel

Rui Rangel deu hoje uma entrevista que, por razões profissionais, não pude ver.
Li já porém em vários blogs que a entrevista terá sido fraquinha.
Rangel terá manifestado alguma impreparação e sido evasivo. Mas, repito, não vi, pelo que não me quero alargar.
Queria, isso sim, esclarecer que o meu anterior post se referia ao discurso de Rangel na apresentação da sua candidatura e não à entrevista desta noite (quarta-feira).
De qualquer modo, reitero o meu apelo: que existam debates e que se discutam ideias. E defendo também que a Benfica TV deveria ser o canal privilegiado para, com isenção como se exige, promover esses debates.

Venham os debates

Ouvi com interesse o Juiz Rui Rangel e gostei da maioria do que disse. Penso que todos podemos concordar com a maioria do teor do seu discurso. É porém ainda vago e fica a faltar o mais importante que é concretizar em propostas de rumo o que contém em termos de ideias e objectivos. Todos queremos um Benfica ganhador, gerido apenas por benfiquistas.
A este propósito devo aliás dizer que fiquei muito agradado com alguns dos nomes que ouvi, desde Paulo Pitta e Cunha ao neto de Borges Coutinho (o sangue está lá, falta ver o resto) a Arrobas da Silva e outros.
A questão porém é como é que chegamos às vitórias, face a um sistema montado, oleado, impune e implacável. Temo portanto que Rui Rangel, no caso de vencer, tivesse vida difícil para lidar com o mundo sujo dos bastidores do futebol.
Por outro lado, ele é juiz e isso pode ser uma mais valia quando se quer combater um sistema que é manifestamente corrupto - seja através de subornos, favores, troca de influências, situações de monopólio, dinheiros mal explicados, etc.

Quanto a Vieira, com todos os erros que cometeu, dá um mínimo de garantias em matéria de estabilidade e boa gestão. É a velha história do copo meio cheio ou meio vazio. Por um lado, Vieira, com tempo que tem no Benfica e no futebol, não cai à primeira rasteira do sistema, no sentido de ser completamente trucidado por ele. Rui Gomes da Silva, tão criticado por alguns, já por mais do que uma vez denunciou, com todas as letras e com os nomes, o que se vem passando em termos de arbitragem e sobrevivênvia do sistema. Por outro lado, Vieira e a sua direcção já cometeram erros grosseiros e de consequências bem graves como o do apoio a Fernando Gomes ou o anúncio feito na época passada de que o Benfica "não fala de árbitros". Vieira aprendeu a lição? Está por provar.

A propósito das eleições para a Federação permitam-me aliás um à parte sobre o que disse Seara há dois dias e que não teve muita repercussão. Fernando Seara disse que não avançou com a candidatura porque o Sporting só a apoiava se ele, Seara, "entregasse a cabeça de Luis Duque numa bandeja".

Desculpe?

Não consigo entender. O que tem o Presidente da Federação a ver com a política interna do Sporting? O que significa entregar a cabeça de Duque numa bandeja?

E, acima de tudo, como pode Seara sacrificar os seus interesses, neste caso coincidentes com os do Benfica, deixando o caminho da presidência da Federação aberto para um portista, por causa de um assunto interno do Sporting?

Seara foi levado, tal como, por arrastamento o Benfica e a credibilidade do futebol português. Xistras, Sousas e afins sentiram de novo que o poder estava no Porto (como quase sempre nos últimos 30 anos) pelo que continuam a fazer o que se vê. Seara faz-se demasiadamente ingénuo para poder ser verdade. E pelos vistos, o Benfica aparece muito abaixo na sua escala de prioridades. Com benfiquistas destes não vamos longe.

Voltando às eleições e concluíndo, creio que o esclarecimento dos benfiquistas acerca das propostas e das figuras que as vão representar depende em muito da possibilidade de se fazer um debate sério e sobre os temas. Não vale a pena fazer declarações de que se é mais benfiquista que os outros ou acenar com o fantasma de Vale e Azevedo. Não há nenhum Vale e Azevedo a concorrer. Há Rangel e Vieira. E era bom que debatessem, com seriedade e elevação, o futuro do Benfica. A notícia, posta a circular, de que Vieira recusa debates, seria um sinal muito negativo. E acredito que poderia levar muitos benfiquistas a decidir o seu sentido de voto. Não pelas razões certas - como aconteceria se houvesse debate substancial - mas por razões ainda assim compreensíveis. Não se poderia deixar de tirar ilações de uma postura de recusa de debate.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Eleições disputadas - questão dos direitos televisivos.

É muito positivo o facto do juíz Rui Rangel se estar a preparar para apresentar uma lista alternativa à de Luis Filipe Vieira.
Assente a poeira e acalmados os ânimos depois dos excessos, alguns dos quais inadmissíveis, da última Assembleia Geral, a apresentação desta lista permitirá um debate e troca de ideias entre os benfiquistas e servirá para fomentar maior exigência por parte de todos na defesa do Benfica.

Acresce que ambos os candidatos estão a tentar atrair para as respetivas listas figuras conceituadas, tendo sido referido os nomes de José Eduardo Moniz, para número 2 e Presidente da SAD na lista de Vieira, e de Bagão Felix, Manuel Boto e Camilo Lourenço na lista de Rangel. Confesso que tenho algumas dúvidas que pelo menos alguns destes nomes venham realmente a integrar as listas, mas só facto de serem chamados à vida do Benfica neste momento importante da sua existência, é em si mesmo positivo.

Acima de tudo, é importante que ambos os projectos dêm garantias de estabilidade e de um rumo para o Benfica, o que parece acontecer. Por muitas críticas que se façam a Luis Filipe Vieira - e eu fiz bastantes ao longo do tempo - ninguém deixará de reconhecer que o Benfica tem hoje uma estabilidade que não pode ser comparada com os tempos (não tão longínquos e dramáticos) de irresponsabilidade e semi-caos em que a própria existência do clube tal como o conhecemos chegou a estar ameaçada. Que voltou a vencer no futebol (embora ainda aquém do esperado e do necessário) e que nas modalidades começa a ser novamente o Benfica que todos conhecemos. O Benfica tem para além disso hoje uma marca muito valiosa, um estádio de topo e um canal de TV.

Por outro lado, nomes como os de Bagão Felix, Manuel Boto e até Tavares, que conhecem bem o Benfica e já deram múltiplas provas da sua competência e capacidade de gestão, são também garantias de que o que foi construído não seria deitado borda fora.

Estão portanto reunidas as condições para um debate sério, para olhar para os problemas e desafios que se apresentam para o futuro com diferentes caminhos e propostas de solução entre as quais os benfiquistas poderão serenamente escolher as que lhes derem mais garantias.

Entre as várias questões, as mais importantes são a da sustentatibilidade financeira (mantendo a competitividade desportiva) num contexto global de crise e escassez financeira que afecta toda a Europa e a questão dos direitos televisivos.

Em relação a esta questão, é preciso compreender que a Olivedesportos é uma peça muito importante do sistema que o Benfica tem que combater e erradicar para que a competição volte a ser limpa em Portugal.

Ao longo de décadas, a Olivedesportos criou uma teia de interesses e compadrios em Portugal, beneficiando de uma posição de monopólio, que permitiou ao Porto ser o clube dominante em termos de poder nas estruturas dirigentes e manter uma liquidez financeira superior ao Benfica, quando nós somos o clube com maior capacidade geradora de receita.

Ou seja, a Olivedesportos, pelo que faz e pelo que (num país pequeno em que muitos se sentem inclinados a bajular o poder) insinua, desequilibrou artificalmente a competição em Portugal. Porque é dela que tem vindo o dinheiro que permite a muitos clubes manterem-se à tona de água. Porque as próprias estruturas dirigentes do futebol sabem que são dela dependentes. Porque uma parte do próprio poder político tem sido mantido sob a sua dependência. São jogos de favores, são trocas de influências que se reflectem mais que não sejam no subconsciente dos agentes desportivos (para já não falar dos mal formados, que conscientemente alteram e adulteram a verdade das competições).

A Olivedesportos tem dominado as federações e as ligas, sendo um dos principais instrumentos do sistema. Tem, em termos de puro mercado, injectado no Porto mais dinheiro do que deveria e menos no Benfica. E tem igualmente, através da questão das imagens televisivas, condicionado as arbitragens e as classificações dos árbitros. Sendo que estes dependem de boas classificações para terem carreiras bem remuneradas, tudo fica desvirtuado. As arbitragens de Pedro Proença, recompensadas com finais ao mais alto nível e homenagens que chegam ao caricato, ou de Jorge de Sousa são o resultado deste sistema iníquo. Acredito que hoje já não exista "fruta para dormir", "café com leite", "quinhentinhos" ou viagens ao Brasil, mas existem classificações como árbitros internacionais, arbitragens de jogos da Champions League e finais de grandes competições.

Por tudo isto, a questão dos direitos televisivos é, para mim, a par da questão da sustentabilidade financeira do Benfica, a mais importante destas eleições. Esperemos que ela seja discutida convenientemente no pouco tempo disponível de campanha eleitoral. Cabe ao benfiquistas mantê-la na agenda.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Um ladrão será sempre um ladrão...

Quem corrompe uma vez para vencer corromperá as que forem preciso ou as que o deixarem.
No nosso país já se ultrapassou tudo, não restando mesmo a mais elementar decência, decoro ou até um mínimo de cuidado em manter as aparência.
Não: tudo é feito  às claras e sob os nossos narizes.
Se há 15 dias, Xistra teve boa nota depois de assinar dois penalties fantasma, porque não havia Jorge de Sousa fazer o mesmo, ainda por cima no estádio do patrão do sistema?

E toda a nossa imprensa-de-faz-de-conta continua alegremente a assobiar para o ar como se nada se passasse. Há um ou outro que vão pondo o dedo na ferida, mas tal são cócegas para o sistema. Eles (Pinto da Costa, Fernando Gomes, Antero, Reinaldo Teles) não precisam de mim, nem do leitor, nem da generalidade da opinião pública.
Eles têm adeptos que são iguais a eles, muitos jornalistas que lhes fazem todos os fretes e ferozes comentadores plantados nas TVs e rádios. Que se regozijam semanalmente com vitórias que claramente são ajudadas ou oferecidas pelos árbitros. Que não se importam que o seu clube seja sistematicamente beneficiado e os outros sistematicamente prejudicados. Que tentam branquear essa realidade semana após semana, berrando para evitar que os outros se façam ouvir, mentindo descaradamente acerca do "clube do regime", denegrindo árbitros que há muito morreram (e na miséria, sem nunca terem ido ao Brasil ou comido "fruta para dormir"), confundindo e mascarando o que se passa no futebol português. Quando é preciso (quando estes métodos não são suficientes) vem a agressão, a pedrada, o espancamento encomendado.

Esta gente miserável, sem carácter, alguns dos quais (dirigentes) deveriam estar na prisão se houvesse justiça neste país, continua e continuará a fazer o que quer, a viver à margem da lei, a rir alarvemente e a ter nos árbitros a muleta que os fará ganhar sempre.

Nem podemos esperar da imprensa qualquer denúncia, qualquer indignação. Para eles (com muito poucas excepções) ganha sempre o melhor...
Depois do que se passou o ano passado, do que já aconteceu nestas 6 jornadas, o que mais será preciso para percebam? Se nem com escutas entendem... Não contemos com eles, pois não vale mesmo a pena.

Quanto aos outros clubes, o regionalista, o divisionista Pinto da Costa conseguiu virar parte do Norte contra o Benfica e manter sob a sua influência o Sporting. Hoje o Sporting começa a perceber quão grande foi esse erro. Em grande parte graças a tal estratégia, a existência mesma do Sporting está hoje ameaçada. Mas também deste clube nada temos a esperar. Os sportinguistas preferem acabar como clube a alguma vez se aliarem ao Benfica mesmo que o propósito único fosse limpar o futebol português. O mais natural é que isso venha mesmo a acontecer.

Tudo somado, o Benfica está só. E nesta medida, começo a convencer-me de forma definitiva que só nos resta a "bomba atómica": a recusa em participar destas competições falsificadas enquanto não existirem garantias de isenção, isto é enquanto o sistema não for cortado pela raiz.

Até lá, espero que o Presidente do Benfica não deixe de lembrar o que disse há uns meses: um ladrão será sempre um ladrão e que aqueles ao lado de quem se sentam deputados e ministros ainda há pouco tempo estavam fugindo para Espanha para escapar à prisão.

Um ladrão será sempre um ladrão, um corruptor sempre um corruptor.

Adenda: quem se senta ao lado de um ladrão não se pode surpreender por ser roubado.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Inacreditável Sporting

É mau demais para ser verdade. Claro que me dá vontade de rir mas numa análise mais racional isto não é bom para ninguém. Sem o Sporting o campeonato português não é o mesmo. E de facto o Sporting não está nem aí...
Sá Pinto é, como treinador, um desastre. A equipa (?) que apresentou é uma anedota e não lhe deverá restar outro caminho que não a saída.
Mas o problema do Sporting é obviamente muito mais profundo.
Tenho-me lembrado por estes dias das palavras de Bettencour quando dizia que no futuro 100 % dos sportinguistas teria saudades de Paulo Bento...
Na minha opinião o Sporting está a pagar o preço de duas coisas:
a submissão ao Porto, não querendo ver o que se estava passando por puro despeito em relação ao Benfica;
a instabilidade gerada a partir de dentro, com os sócios a exigir mudanças a toda a hora pensando que se muda sempre para melhor. A sua claque, que desde há uns anos domina, pela intimidação, o clube é amplamente responsável por este cenário.

O sucesso só se constrói com estabilidade. Quando se está mal obviamente que há que emendar e corrigir mas estar sempre a começar do zero não é possível. Com instabilidade interna e ambiente de permanente guerrilha só se caminha para onde o Sporting está - à beira do abismo.
E atenção, é neste momento muito, mas mesmo muito difícil ao Sporting, sobretudo no presente contexto de crise, falta de liquidez e de crédito, inverter este plano inclinado.
Só com muito bom senso, percebendo que neste momento não pode ganhar praticamente nada e falando verdade aos seus adeptos, os dirigentes dos viscondes podem evitar o declínio fatal do Sporting. É que o Sporting se arrisca mesmo a fechar as portas...

Só espero que os adeptos do Benfica saibam tirar daqui as devidas ilações e nunca reproduzir no nosso clube o que se passa em Alvalade. Vejo muitos vieiristas e anti-vieiristas. Mas não somos todos nós benfiquistas? Quem não concorda com a gestão pode e deve apresentar ideias e promover uma ou várias candidaturas alternativas. No que não podemos entrar é no divisionismo e na guerrilha interna. Nunca esqueçamos o nosso lema.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

As ilações da noite de ontem

Entre aquilo que se disse na imprensa e nos blogs, para além do meu anterior post, ficou coberta grande parte dos acontecimentos da noite passada. Pensei escrever um relato detalhado do que se passou mas creio que, até porque não apenas benfiquistas lêem o que escrevemos, é melhor deixar certas coisas dentro de portas.
O que não posso deixar de dizer, até porque é público e vem na imprensa, é que é inexplicável e intolerável lançar um petardo, dentro de um pavilhão, em seio de Assembleia Geral. Como o é insultar o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, seja ele quem fôr, e outros associados.
Compreende-se que exista insatisfação (eu exprimi-a aqui múltiplas vezes e continuarei a exprimi-la sempre que ache que os interesses do Benfica não estão a ser devidamente defendidos).
Não está - nem podia estar - minimamente em causa o direito dos associados em rejeitar as contas. A apresentação e as explicações prestadas foram manifestamente insuficientes para um défice de exploração e para um passivo tão grande.
O voto de desconfiança foi dado e até aí nada há a apontar.
Sem sequer as intervenções mais apaixonadas e críticas daqueles que fizeram uso da palavra merecem qualquer reparo. Os excessos fazem parte do debate, num clube tão plural como o Benfica, que atravessa todos os extractos sociais e chega a todos os pontos do país.
O que não se pode porém admitir, num clube com a tradição democrática e de debate de ideias como é o Benfica, é que se procurem silenciar e condicionar aqueles que não pensam da mesma forma que nós.
Se se critica o modelo liderança de Vieira, nomeadamente por ser pouco transparente e democrático, não se pode actuar daquela forma.
Penso que nenhum benfiquista se deve regozijar com o que o que de errado se passou ontem. Até porque isso fragiliza a imagem do Benfica no exterior e prejudica a verdadeira cruzada que é preciso fazer pela limpeza do futebol português.
Se queremos um futebol limpo, sem manobras de bastidores, sem benefícios e coacções a árbitros, então temos que aplicar esse modelo dentro da nossa casa.
Houve ontem um apelo à unidade que lamento que não tenha sido mais ouvido.
Não está em causa, reitero, o direito da oposição a expressar-se (gostaria aliás de ter ouvido o juíz Rangel e outros membros da oposição assumida e não apenas Bruno de Carvalho). Está, isso sim, a necessidade de manter face ao exterior um mínimo de unidade. Caso contrário essas brechas não deixarão de ser exploradas pelos nossos adversários para nos prejudicar ainda mais no futuro. Quereremos ver no Benfica o triste espectáculo do Sporting dos últimos anos?
As eleições chegarão e nessa altura será a hora de nos pronunciarmos. Espero sinceramente que surjam candidatos credíveis e com ideias, que não tenham rabos de palha e não estejam presos a redes de interesses ou favores. Que sejam capazes de assumir a ruptura com o sistema. Mas até lá saibamos manter-nos unidos. O campeonato continua. Não esqueçamos quem são os verdadeiros adversários.

Relatório e Contas chumbado

Como alguns terão já visto na imprensa e tvs, o Relatório e Contas relativo ao exercício 2011/2012 foi chumbado numa Assembleia-Geral extremamente agitada e com alguns momentos lastimáveis de que darei conta durante esta sexta-feira.
Por agora direi apenas que se assitiu a um elevado nível de tensão e de uma oposição feroz ao Presidente, de um sector organizado mas não apenas.
Aliás a votação exprime-o claramente: em números redondos, mais de 6000 votos contra para apenas 4000 a favor e 300 abstenções.
Ao terminar a reunião, o Presidente da Assembleia-Geral disse que os orgãos do Benfica não deixariam de retirar as devidas consequências desta votação.
Foi um claro voto de desconfiança a Vieira, numa Assembleia-Geral em que se esclareceu muito pouco e se gritou (e insultou) muito.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Basta - é hora de derrubar o sistema

Portugal está como está: todos os dias somos bombardeados com más notícias, matraqueados com uma crise que já passou a depressão profunda e da qual parece não haver saída.
São manifestações, é o desânimo geral de se estar num túnel e não se vislumbrar saída. E isto não apenas em Portugal mas em toda a Europa.

Chega o fim de semana e milhões de portugueses como eu desligam das notícias e das desgraças e preparam-se para descontrair, não pensando nos males do mundo e usufruindo do descanso e do lado lúdico da vida. É aí que entra o futebol, que é um JOGO. Queremos golos, emoção, jogadas bonitas, competição, incerteza.

Queremos mas não temos.

Não porque a nossa equipa não jogue bem ou não marque golos - ainda ontem, sob chuva torrencial, depois de uma eliminatória europeia a meio da semana - marcámos dois, vimos um jogador isolado ser parado por um fora de jogo inexistente e mandámos 3 bolas aos ferros.

Não temos porque em Portugal o jogo está viciado.

Há 30 anos, semana sim, semana não (quando não são seguidas), temos espetáculos como o de ontem, nos quais os árbitros assumem o protagonismo, agravados ainda com castigos disciplinares pelo meio.

É hora de dizer BASTA. Os benfiquistas que não vêm isto agora, que está escarrapachado à frente dos olhos, nunca o verão.

Perder ou ganhar é desporto. Todos aceitamos perder ou empatar quando jogamos mal ou o adversário foi superior. Agora ter que engolir semana após semana, ano após ano, roubo, roubo e mais roubo, para mim ultrapassa os limites.

Que direito têm estes poderes podres do futebol em roubar aos benfiquistas o prazer de assistir aos fins de semanas a um jogo LIMPO, SEM MANIPULAÇÕES, EM QUE GANHA O MELHOR?

Porque é mesmo só isto que queremos!

Porque raio temos que passar fins de semana indispostos, revoltados, pela acção, no mínimo incompetente e parcial, no máximo corrupta e manipuladora, de árbitros e orgãos dirigentes do futebol?

Nós, que ALIMENTAMOS o futebol português, que sem o Benfica estaria moribundo, sem espectadores nos estádios e nas televisões!

É hora de dizer chega.

Pela minha parte estou absolutamente certo que é hora de agir. Diria mesmo que esta é a última oportunidade de agir. Caso contrário o Benfica entra numa rota descendente irreversível que o levará a ser um novo Sporting. E depois não há retorno possível.

APELO A TODOS OS BENFIQUISTAS que me lerem e a todos os blogs para lançar um movimento, a começar hoje e que passe pela Assembleia Geral do Benfica, no sentido do nosso Presidente DENUNCIAR, sem mais panos quentes e falinhas mansas, a FALSIFICAÇÃO COMPLETA DO FUTEBOL PORTUGUÊS.

Chega de falarmos nos blogs, de nos revoltarmos e nada fazermos. A nossa saúde, a nossa sanidade mental, as nossas famílias merecem que passemos das palavras aos actos.

Aquilo a que apelo é que todos os benfiquistas juntem forças, se unam, fazendo jus ao seu lema, e que iniciem, no imediato, um movimento de RUPTURA TOTAL E ABSOLUTA COM O SISTEMA, para levar até às últimas consequências, sejam elas as que forem.

NO IMEDIATO, este movimento deve exigir ao Presidente do BENFICA QUE RETIRE O SEU APOIO AO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO E A TODOS OS ORGÃOS DIRIGENTES DA ARBITRAGEM E DA DISCIPLINA.

Que denuncie e assuma a sua ruptura, sem medo de dizer alto e bom som o que está a vista de todos e tudo o mais que se souber ( e não deve ser pouco) e que leve essa postura às últimas consequências, com a certeza que todo o universo benfiquista estará por detrás e a apoiará incondicionalmente, sem receio de castigos nem de represálias. Eles que venham.

NINGUÉM PODERÁ IMPEDIR O BENFICA E OS SEUS DIRIGENTES DE DENUNCIAR ESTA FARSA. Ninguém pode calar esta indignação. Porque de facto basta. Já cansa de tanta fantachada. Diz o povo que o que é demais já cheira mal.

Já ninguém acredita neste futebol e pela sua sobrevivência, pois gostamos deste jogo e queremos voltar a ter prazer em vê-lo aos fins-de-semana, há que assumir em pleno a ruptura com este estado de coisas podre.

O Presidente do Benfica contará certamente com milhões de adeptos nesta sua missão.

É preciso COMEÇAR DO ZERO. COM NOVOS ÁRBITROS, NOVOS OBSERVADORES, NOVOS DIRIGENTES.

CASO CONTRÁRIO, O BENFICA DEVE IMPUGNAR A COMPETIÇÃO E PONDERAR BOICOTÁ-LA sem medo das consequências que daí advenham. Sem o Benfica não há competição, não há a seiva que de que se alimenta o sistema.

É preciso ROMPER, é preciso fazer uma REVOLUÇÃO COMPLETA DO FUTEBOL PORTUGUÊS que tire os árbitros e o poder do futebol DA ÓRBITA DO FUTEBOL CLUBE DO PORTO E DA SUA ASSOCIAÇÃO DE UMA VEZ POR TODAS.

CHEGA DA PODRIDÃO DAS HOMENAGENS A ÁRBITROS E VERGONHOSOS COMPADRIOS.

Caso contrário não vale a pena gastar as nossas saúdes a sofrer com esta fantochada a que chamam de Liga Portuguesa. Ofereçam entre si os títulos e as homenagens. Pelo menos não pagamos para ver. Com a carteira e com a saúde.

Apelo a todos os blogs amigos, a todos os benfiquistas que divulguem tanto quanto possível esta mensagem e que contribuam para que este movimento se torne numa força imparável. À direcção que o assuma e que se não puder ou por falta de força ou por ter telhados de vidro, que dê lugar a outros.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Caso Luisão III

Logo a seguir ao incidente escrevi que não compreendia que, num jogo a feijões, Luisão (um atleta que muito prezo e cuja carreira se tem sempre pautado por uma grande correcção) tivesse aquela reacção intempestiva, arriscando um castigo.

Na altura, tomei porém como boas as "informações" da imprensa (nomeadamente "A Bola" e o "Correio da Manhã"), de acordo com a qual Luisão com toda a probabilidade não seria castigado, uma vez que não teria havido relatório do jogo e que a Federação Alemã declinava qualquer prosseguimento do caso.

Acontece que não é assim. Acontece que a FIFA já pediu à Federação Portuguesa para acompanhar o caso e que Luisão arrisca realmente um castigo que o impeça de actuar, por um número de jogos a definir, na Liga dos Campeões e mesmo na Liga Portuguesa.

Esta situação é lamentável a todos os títulos e - tenho que insistir - foi mal gerida pelos dirigentes do Benfica. Isto nada tem que ver com criar divisionismos ou fazer crítica fácil - tem que ver com a exigência, que todos os benfiquistas devem colocar aos dirigentes que comandam os destinos do Benfica, de que todas as situações sejam resolvidas com o maior rigor e profissionalismo.

Onde errámos?

Na forma como, desde o início, não foi estabelecido um diálogo com o clube alemão e, através deste, com o próprio árbitro, no sentido de uma situação desagradável não se tornar num problema grave.
Os Benfiquistas têm que perceber que criticar o árbitro - e eu já o fiz - não resolve o problema. Se é compreensível que os adeptos o façam, já não é admissível que essa possa ser a estratégia da direcção. É verdade que o comportamento do árbitro foi teatral, lamentável. Mas não é menos verdade que, independentemente disso, estamos perante um cenário muito complicado e que a maior preocupação tem que ser resolvê-lo.

Neste momento, as consequências negativas deste caso são a meu ver as seguintes:

- possibilidade de Luisão ser castigado e estar um número indefinido de jogos afastado da competição;
- desestabilização da equipa a dias do início do campeonato;
- péssima publicidade para a imagem do Benfica, nacional e internacionalmente;
- possibilidade dos árbitros aproveitarem este incidente para nos penalizarem, ainda mais, disciplinarmente;
- o Benfica ficar dependente da actuação do Conselho de Disciplina da Federação.

Este último ponto merece ser sublinhado: depois das decisões altamente lesivas que este órgão vem tomando contra o Benfica, ficamos completamente nas suas mãos, de alguma forma dependentes da sua boa (ou má) vontade na apreciação do caso. De igual modo, o Benfica fica numa posição de menoridade perante a própria Federação, justamente quando precisávamos de a afrontar no sentido dela ser mais isenta e imparcial na direcção do futebol português.

Ou seja, este caso consegue fazer quase o pleno do que não precisávamos neste início de época. E mais uma vez faltou liderança. Eu compreendo que Jorge Jesus queira fomentar a competitividade desde o início mas será que não há capacidade emocional para perceber que estamos perante um jogo a feijões? O Real perdeu 5-1 com o Benfica e não é por isso que fará uma época melhor ou pior este ano. Portugal perdeu com a Turquia antes do Europeu e não foi por isso que deixou de fazer um Europeu extraordinário.

Feito o mal, impunha-se fazer o controlo dos estragos, para o que era necessário, sem ruído e com muita calma, contar com a boa vontade dos alemães, a começar pelo Fortuna de Dusseldorf. Afinal de contas, presume-se que, para o Benfica alí ir disputar o jogo de apresentação, existiria uma boa relação entre as duas direcções. Afinal verifica-se que o Dusseldorf faz declarações inflamadas, exige castigos e a devolução da verba que pagara ao Benfica. Esteve bem? A meu ver, não, esteve muito mal. Mas é à direcção do Benfica e não à do Dusseldorf que os Benfiquistas têm o direito de exigir a defesa dos seus interesses.

Mais uma vez digo, é um caso caricato, insólito e desnecessário. Ameaça agora tornar-se (muito) lesivo dos interesses do Benfica. Não aprendemos.

Adenda: o Presidente Luis Filipe Vieira esteve hoje na Alemanha e anunciou, com o seu homólogo do Dusseldorf, um "acordo" que esclarece os mal entendidos. É o passo certo mas parece-me que ele surge tardiamente, pois neste momento o assunto não está nas mãos do clube alemão.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"A Bola" garante que Witsel está de saída

Já tinha aqui falado do assunto anteriormente. "A Bola" assegura que Benfica e Real Madrid já acordaram na transferência de Witsel. Como disse na altura, se a palavra de Vieira for mantida e o Real pagar a cláusula de rescisão, então nada poderemos fazer para impedir a saída. No entanto, teria que se garantir rapidamente um substituto de qualidade e provas dadas, pois Witsel foi fundamental no ano passado para o equilíbrio do meio campo - não podemos voltar ao sistema de Javi Garcia sozinho naquela zona do terreno. São porém vários "ses" e temos que aguardar para ver. Os desportivos têm, durante esta silly season, brindado os seus leitores com muitas "notícias" de proveniência duvidosa e intuitos mal disfarçados, desde os elogios desmedidos ao Sporting, que estaria a construir um plantel temível..., até às milionárias propostas por Hulk, que nunca se confirmaram. Enfim, há que escrever alguma coisa.
Até eu já estou a cair nisso...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Castigo a Vieira diz tudo sobre futebol português

O tema já mereceu análises de vários companheiros da blogosfera mas não posso deixar de partilhar a minha.
Por onde começar?
Talvez por aqui: os orgãos dirigentes do futebol em Portugal ao invés de promoverem o futebol, o espectáculo e o são ambiente desportivo promovem a violência. Passo a explicar.
A violência nasce da ira, da incompreensão, da irracionalidade, da ignorância, da incapacidade de moldar a realidade ao que desejamos e de nos adaptarmos a ela. Nasce do ódio e da frustração.
É evidente que no futebol português existe, desde Pinto da Costa, uma enorme violência latente. Já falei muito disso: para conquistar poder, Pinto da Costa promoveu um ambiente de revolta contra Lisboa, de guerrilha permanente, de ódio ao Benfica.
Esta realidade é indesmentível, não estando eu com isso a sugerir que todos os actos de violência tenham sido perpetrados por adeptos do Porto. Sabemos que não é assim. Houve o tristíssimo, trágico caso do very light, houve autocarros incendiados. Não vale a pena estar a tentar enumerar os casos de violência dos adeptos dos três grandes. Todos são lamentáveis, todos são condenáveis, ninguém está absolutamente inocente nesta matéria.
O que distingue os clubes é a forma como lidam com a violência perpetrada pelos seus adeptos. Se uns condenam, outros desculpam-se e outros usam-na e fomentam-na como instrumento de projecção do seu poder.
Há um clube que nunca tem responsabilidades nas cenas lamentáveis de violência que envolvem os seus adeptos, porque à partida é "diferente". Trata-se evidentemente do Sporting. Sem querer ser exaustivo, recordarei apenas alguns casos bem recentes.

Quando há uns anos se assistiu a uma vergonhosa cena de apedrejamento entre adeptos do Benfica e do Sporting num jogo de junióres, os dirigentes sportinguistas acusaram os adeptos do Benfica de serem selvagens quando as imagens demonstram para lá de qualquer dúvida que quer benfiquistas quer sportinguistas tiveram responsabilidades, que ambos atiraram pedras.

Quando os seus adeptos se envolveram em cenas de violência extrema contra a polícia, em Fevereiro de 2011, os dirigentes sportinguistas fizeram um comunicado inacreditável de que destaco o primeiro parágrafo: "O Sporting Clube de Portugal e a Sporting Clube de Portugal Futebol, SAD repudiam e condenam o grave comportamento da Polícia de Segurança Pública durante o jogo Sporting x Benfica, que teve lugar ontem no Estádio José Alvalade, pelo manifesto excesso na actuação e pela flagrante dualidade de critérios da PSP no tratamento dos adeptos do Sporting e do Benfica". Nem uma palavra de condenação pelo comportamento dos seus adeptos. Mais tarde, na sequência dos incidentes, 9 elementos da Juve Leo seriam detidos por posse de droga, engenhos pirotécnicos e armas.

Um mês mais tarde seria o próprio presidente eleito a passar um mau bocado, com tentativas de agressão por parte dos partidários de Bruno Carvalho.

Tinha já altura tinha sucedido o caso dos confrontos com adeptos de Atlético de Madrid (2010), em que o líder da Juve Leo ameaçara de morte mulheres e crianças.

Até que chegamos à época passada. Durante semanas, os comentadores e dirigentes do Sporting incendiaram os ânimos dos seus adeptos com declarações inflamadas sobre a "jaula", algo de alegadamente inaceitável e vergonhoso. No fim do jogo (a 29 de Novembro de 2012), é o seu vice-Presidente, o agora arguido Paulo Pereira Cristovão, que vem lançar novas provocações e insultos, falando de "condições pré-históricas". Isto enquanto os seus adeptos ateiam fogo ao Estádio da Luz. Isto parece surreal mas é factual. Como se não bastasse, dirigentes e comentadores sportinguistas, incluindo o seu Presidente e o Dr. Eduardo Barroso, têm o descaramento, a indignidade de vir dizer que "não se revêem" naquele comportamento, excusando-se a condená-lo. Na prática, a mensagem era clara: nós não podemos publicamente aplaudir, mas no fundo até achamos bem, achamos "divertido". "É para os lampiões aprenderem", terão muitos pensado.

Ora qual a reacção dos poderes dirigentes do futebol? Nenhuma.

E é assim que, 8 meses depois, surge finalmente a primeira consequência: o Presidente do Benfica é punido com uma suspensão.

Vale a pena dizer mais alguma coisa? Só isto: os dirigentes desportivos em Portugal brincam o fogo. Promovem a violência.

A época ainda não se iniciou mas já estamos perante um dejá vú.
Não contem comigo para isto.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O despertar tardio

Antes tarde do que nunca, costuma dizer-se, mas de facto desta vez os responsáveis benfiquistas acordaram demasiado tarde para a realidade que os árbitros (certamente com cobertura dos poderes dirigentes do futebol) resolveram esta época criar. De facto, muitos benfiquistas há algum tempo que advertiam que se estava a montar um "caldinho". Assim que Jorge Jesus e a equipa facilitaram, os árbitros aproveitaram a deixa. A direcção deveria ter falado quando o Benfica estava em 1º lugar e não apenas quando o título estava praticamente perdido.
Entretanto surgiu Jesus a dizer que sem habilidades o Benfica seria campeão, António Carraça, a dizer que queremos ganhar limpo e ainda João Gabriel a afirmar que o campeonato era um tributo dos árbitros e que não necessitávamos de mudar de treinador mas sim de árbitros.
Entretanto ontem Rui Gomes da Silva afirmou que Fernando Gomes tem que se demitir, pois é o responsável máximo pelo que se passou e não está a actuar de acordo com os pressupostos que motivaram o apoio do Benfica: verdade, seriedade, transparência.
Finalmente hoje Vieira terá, de acordo com o "Correio da Manhã" cancelado a participação da equipa num torneio em Angola, em retaliação pelo jantar, que vários blogs já haviam denunciado, entre Joaquim Oliveira, Pinto da Costa, Miguel Relvas e Fernando Seara após o jogo Benfica-2 Porto-3.
É de facto um jantar estranho e algo inexplicável. Em particular a presença de Fernando Seara. É por estas e outras que Seara nunca chegou nem chegará a um lugar de decisão no Benfica.
Mas em relação ao Ministro, sportinguista e coadjuvado por um chefe de gabinete portista, a sua pasta, embora não organicamente mas na prática, acaba por tutelar o Secretário de Estado do Desporto, pelo que, apesar de não gostarmos, tem direito a jantar com Pinto da Costa. Fica portanto a dúvida sobre se Vieira cancelou a digressão apenas por este jantar ou por outros factos que neste momento não conhecemos.
Seja como for, é evidente a agitação e o desconforto no seio da estrutura benfiquista. A manifestação de indignação vem tarde, porque se tivesse sido atempadamente expressa talvez os árbitros não se atrevessem ao despudor que realizaram até à penúltima jornada do campeonato. De qualquer forma é melhor do que o silêncio, tem sido firme, clara e directa nas denúncias  - e isso merece elogios.
Mas atenção, denunciar, protestar, falar não chega. Há que exigir mudanças. Fernando Gomes tem que sair, diversos árbitros têm que ser irradiados. O Benfica não pode deixar cair o caso Pereira Cristovão. Caso contrário, para o ano todos se farão de sérios, deixar-nos-ão esquecer do que se passou esta época e, quando nos apanharem distraídos, tal como este ano, atacarão de novo.
É preciso um novo começo, partir do zero, com novas caras, total transparência e sem trapaças. Um começo limpo. Caso contrário não vale a pena. Caso contrário o Benfica deveria ponderar medidas extremas. Sem verdade desportiva o futebol em Portugal já cansa.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Entrevista de Jorge Jesus

Numa entrevista hoje dada a "A Bola", Jorge Jesus diz querer continuar no Benfica, onde está de alma e coração. Admite erros, nomeadamente o de ter colocado demasiados "ovos" na Champions quando a prioridade deveria ter sido o campeonato. Refuta porém qualquer falta de motivação ou de dedicação e descarta em absoluto uma ida para o Porto.

São considerações interessantes e que confirmam muito do que temos vindo a dizer neste blog (Jesus tem muitas vezes "mais olhos do que barriga" e faz opções demasiado arriscadas, quase suicidas).

Porém talvez ainda mais importante é que JJ coloca o dedo na ferida, como também aqui temos insistentemente feito, no que respeita à arbitragem. Diz ele: "Mas por que razão os critérios para a marcação de penalties são uns para o Benfica e outros para outro clube? Há alguma razão? Porque é que uma mão na nossa área é sempre motivo para a marcação de um penalty e na área adversária nunca é?" E continua, assinalando outro aspecto que também já tinha apontado, que é o do desgaste que os contantes roubos (não se trata de outra coisa) provocam nos jogadores: "os erros de arbitragem afetam desde logo a motivação dos jogadores nos jogos seguintes e, em consequência, o rendimento daqueles. A revolta e indignação na maioria dos casos retira tranquilidade e provoca um desgaste anímico muito grande"; e, adiante: "a dado passo há um desgaste e cansaço psicológico que é difícil contrariar. Quando os jogadores interiorizam que estão a ser prejudicados e que não conseguem sair daquela situação, como é que isso se resolve?". Jesus diz ainda sobre o castigo de Aimar: "como é que se explica a um jogador que vai ficar de fora dois jogos por uma entrada dura mas leal, enquanto todos os restantes jogadores que foram expulsos durante a época apanharam apenas um jogo, que um jogador que agrediu outro a soco levou apenas um jogo. Tudo isto pesa, não tenha dúvidas".
Jesus disse quase tudo e se não disse mais foi para evitar, como inclusivamente admitiu, ser castigado pelos poderes iníquos do futebol português que, em vez de combaterem situações de grosseiras adulterações da verdade desportiva, ainda castigam que as denuncia.

Penso que os benfiquistas devem entender que enquanto o sistema vigorar no futebol português, o Benfica só será campeão quando for esmagadoramente superior aos seus adversários. Isso só acontece uma vez em cada quatro ou cinco anos, ou mesmo mais. E mesmo assim, sendo muitíssimo superior em campo, ganhará, como aconteceu há 2 anos, apenas tangencialmente, na penúltima ou última jornada. Por outro lado, quando os nossos adversários nos forem superiores, como foi o caso do ano passado, vencerão com 15 ou 20 pontos de avanço sobre nós, como sucedeu no ano passado.

As coisas têm que mudar no futebol português, mas não com estes árbitros, não com estes dirigentes. A sua credibilidade, se alguma vez existiu, está totalmente esgotada. Quer o treinador, quer os jogadores do Benfica sabem que entram em campo já em desvantagem. Olegários, Jorges Sousas, Capelas, Proenças, Miguéis e tantos outros não têm honorabilidade para arbitrar jogos. Só quando forem erradicados do futebol, juntamente com as estruturas que os condicionam e comandam, poderá haver justiça e o melhor vencerá. Esta verdade tem que ser assumida sem rodeios pelo Benfica - ontem já era tarde - e daí serem retiradas consequências. É preciso uma limpeza completa no futebol português, a começar com o Presidente da Federação, Fernando Gomes, cuja saída é uma condição sine qua non para a recredibilização do campeonato nacional. Caso contrário, volto a insistir, não vale a pena sequer competir.

Em rigor, esta é uma batalha em que não cabe ao treinador do Benfica estar na linha da frente. Aguardam-se notícias sobre o que estão o presidente e a estrutura dirigente do Benfica a fazer neste domínio.