Era uma época de sonho mas tornou-se um pesadelo. Todos andávamos de facto nas nuvens. Com qualidade do nosso futebol, os espectáculos proporcionados, os golos, a dedicação dos nossos jogadores, a sua abnegação e espírito de sacrifício, o apoio entusiástico dos adeptos, a Luz a reviver os seus melhores tempos e afervilhar de emoção. Emoção positiva, sem cânticos ofensivos dedicados a rivais que não estão em campo. Emoção benfiquista, alegria popular.
Quem anda nas nuvens por vezes tem que ser chamado à terra. Mas no nosso caso não foi isso que aconteceu.
Não! - de repente e sem qualquer aviso, sem que tenhamos feito nada que o pudesse causar, o sonho tornou-se num pesadelo, um autêntico filme de terror que estamos a viver há duas semanas. Quando parece que não pode ser pior, eis que novo requinte de malvadez nos é inflingido.
Mas não se preocupem. O pesadelo acaba amanhã. Acabam amanhã as insónias, os maus humores, as frustrações. Felizmente, pois não sei quanto mais tempo aguentaríamos. O pesadelo acaba amanhã - para bem da nossa saúde e das nossas famílias.
Depois fica só a faltar o epílogo.
Mostrar mensagens com a etiqueta irracionalidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta irracionalidade. Mostrar todas as mensagens
sábado, 18 de maio de 2013
terça-feira, 7 de maio de 2013
Superstições
Superstição 1: não gostei de como o dia estava cinzento ontem.
Superstição 2: preocupou-me um pouco não poder ir ao Estádio e não estar com os meus amigos com quem tenho estado nos últimos jogos.
Superstição 3: não gostei nada de termos jogado a primeira parte a atacar para a baliza Sul.
Superstição 4: quando Lima não conseguiu marcar aos 10 segundos antevi logo o pior.
Depois há outras coisas estranhas que esta jornada produziu: uma equipa que poderia complicar a vida a um candidato (e acabar de vez com as suas chances) aos 23 minutos já perde em casa por 3-0; uma equipa que era claramente mais fraca vai à Luz quase dominar; Carlitos mostrou ontem uma pujança que nunca lhe vi há quase 10 anos quando jogava no Benfica.
Enfim, superstições....
Superstição 2: preocupou-me um pouco não poder ir ao Estádio e não estar com os meus amigos com quem tenho estado nos últimos jogos.
Superstição 3: não gostei nada de termos jogado a primeira parte a atacar para a baliza Sul.
Superstição 4: quando Lima não conseguiu marcar aos 10 segundos antevi logo o pior.
Depois há outras coisas estranhas que esta jornada produziu: uma equipa que poderia complicar a vida a um candidato (e acabar de vez com as suas chances) aos 23 minutos já perde em casa por 3-0; uma equipa que era claramente mais fraca vai à Luz quase dominar; Carlitos mostrou ontem uma pujança que nunca lhe vi há quase 10 anos quando jogava no Benfica.
Enfim, superstições....
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Imprensa assume-se
Longe parecem ir os tempos em que a independência era vista como ideal de toda a imprensa, defendido por todos os cânones, e a marca da sua credibilidade. Longe vão os tempos em que essa independência, o rigor e a isenção da imprensa era apresentados como uma das marcas distintivas da democracia.
Cada vez mais, a imprensa alinha-se quase sem disfarçar com uma cor política ou clubística.
Talvez essa independência e isenção nunca tenham passado de um mito. Mas era ainda assim um mito em que se acreditava. Se algo vinha na imprensa, atribuia-se-lhe credibilidade.
Mas isso está a acabar.
São cada vez menos os exemplos de isenção, de pensamento equilibrado sobre um assunto, de uma escrita que procure a objectividade e se alicerce em factos.
Chegou-se ao caricato de um burlão cadastrado ser apresentado em jornais e televisões como um "especialista", um "perito insuspeito" com a chancela das Nações Unidas, que apresentava com suposta autoridade soluções milagrosas para o País.
Os gabinetes de imprensa e as tenebrosas agências de comunicação sopram hoje "notícias" e factos para os jornais, que muitas vezes, quase nem se dão ao trabalho de as verificar, ao passo que grupos económicos dominam uma série de orgãos de informação (expressão que em breve tem que começar a levar aspas, tal a tendenciosidade que demonstram), não se coibindo de fazer deles veículos para avançar as suas agendas.
Em Portugal, por razões que algum dia serão cabalmente explicadas, o grupo de Joaquim Oliveira adquiriu uma posição de influência na nossa sociedade que chega às esferas mais altas do poder.
Não é porém o único. A lógica de grupo da Imprensa também começa a imperar sobre a lógica - e a ética - de informação, à semelhança do que se passa noutros aglomerados de comunicação.
Sobre a forma como as coisas são feitas e o carácter das pessoas ficámos recentemente bastante esclarecidos com a lavagem de roupa suja entre o ex-director de comunicação da RTP, Nuno Santos, e uma série de jornalistas e quadros daquela televisão pública.
No futebol, onde o grau de discernimento das pessoas é ainda por cima toldado pelas paixões clubísticas, este fenómeno de parcialidade e de assumir cores, é ainda mais evidente e ainda mais descontrolado.
Muitos se recordarão do que o "jornalista" Manuel Tavares fazia na sua coluna n' "O Jogo" e que as escutas puseram a nú. Simplesmente deplorável.
Mas há muitos outros exemplos de gente que se servia e serve do espaço que lhes dado e da capacidade de chegar ao público para enganar, manipular, distorcer, induzir, influenciar ilegitimamente ou intoxicar os leitores, ao invés de os informar, como o código deontológico do jornalista diz que deve fazer.
Na passada segunda-feira e ontem, os três diários desportivos assumiram as suas cores: "A Bola" assumiu a posição benfiquista e criticou a postura portista de ataque ao árbitro do jogo, "O Jogo" assumiu a posição do Porto e procurou sustentar as respetivas teses, o "Record"... fez da vitória do Sporting em Olhão capa a toda a largura, dedicando ao clássico uma tira no cimo da primeira página.
Note-se bem que eu não estou com isto a dizer que "A Bola" é o orgão oficial do Benfica, como os portistas e sportinguistas gostam de dizer. Se fosse, não teria como colunistas Sousa Tavares, Rui Moreira, e Paulo Teixeira Pinto, entre outros. Não teria, por exemplo, Cruz dos Santos a dar "pareceres" sobre arbitragem constantemente desfavoráveis ao Benfica, até quando as evidências vão em sentido contrário e entram pelos olhos dentro. "A Bola" tenta ser equilibrada (e é, entre os 3 desportivos, a referência e o mais credível), embora sendo visível que há uma tendência mais benfiquista.
O "Record" é um jornal ligado ao Sporting. Tal como "A Bola" em relação ao Benfica, quando o Sporting perde (e tem sido muito), acaba por ser mais crítico para com o "seu" clube do que por vezes é em relação aos rivais.
Coisa diferente é o que se passa com "O Jogo". Se é verdade que existem lá jornalistas sérios e até alguns benfiquistas, a grande maioria é do Porto e não o esconde. E o jornal acaba por ser um eco das posições da direção do Porto. Aliás, existe uma diferença entre o conceito de isenção no Porto e em Lisboa, reflexo de uma mentalidade bairrista versus uma mais aberta.
Nessa medida, as coisas não ficam "empatadas". Ou seja, é muito mais pro-Porto "O Jogo" do que é pro-Benfica "A Bola".
Até aqui tudo relativamente normal. O problema (em termos de intoxicação da opinião pública) surge quando analisamos outra imprensa de referência, nomeadamente o Diário de Notícias, a TSF ou a RTP e a Antena 1 (com a agravante destas duas últimas serem estações públicas, que vivem do dinheiro dos contribuintes). Isto para já não falar, claro está da SportTV.
Porque nessa imprensa de referência verificamos que o clube do Porto continua a ter uma predominância muito grande. Só assim se explica que alguém como Manuel Queiroz, conhecido portista, com ligações fortes à direção do clube e absolutamente incapaz de ser imparcial nas suas análises, continue sistematicamente a comentar tudo que é jogo do Porto e até muitos do Benfica.
Este homem está na TSF, na Antena 1, no DN, na TVI, na RTP Norte. Ele está em todo o lado apesar de qualquer adepto de futebol conhecer bem a sua preferência clubística tanto mais que ela é absolutamente indisfarçável.
Ontem no "Diário de Notícias", que é o congénere de Lisboa ao "Jornal de Notícias", Manuel Queiroz fez algo que eu estava habituado apenas a ver em blogs clubísticos (e mesmo assim só nos mais fanáticos): enunciou todos os lances em que jogadores do Benfica poderiam ter levado cartões amarelos (algumas ridículas e patéticas na alegação de que seriam merecedoras dessa punição disciplinar) e não citou nenhum (e foram tantos!) em que jogadores do Porto podiam ter levado cartões amarelos e até vermelhos!
Que falta de seriedade! Que desonestidade intelectual! Que insulto à inteligência dos leitores!
Agora notem bem, isto não foi no "JN", isto foi no "DN". Mas como nós somos Mouros, temos que comer com isto.
O que sucederia se algum benfiquista fosse escrever dislates em sentido inverso (por exemplo dizendo que o Porto deveria ter acabado o jogo com 8 e ter tido duas penalidades contra) no JN?
Como o título deste post afirma, a imprensa assume cada vez mais as suas cores clubísticas e partidárias. É pena, porque deixamos de ter confiança nela. É pena porque somos empurrados para posições cada vez mais radicais e fecham-se as portas para o diálogo, para o entendimento, para a convivência.
Neste quadro não podemos porém ser os papalvos da história. Estou seguro de que não devemos optar pelos mesmos métodos, pois isso só nos tornaria iguais a eles. Mas temos a obrigação de não nos deixar espezinhar, de defender as nossas cores, de não deixar denunciar sempre, a todo o momento, a falta de honestidade desta gente.
No espectro oposto saúdo a lucidez de Carlos Daniel. Muito embora alguns benfiquistas possam não ter gostado da sua análise ao jogo, eu penso que ela foi equilibrada e que tentou identificar as causas pelas quais se arrasta a incapacidade do Benfica vencer o Porto, sem branquear proençadas e afins e deplorando as declarações do treinador do clube do Porto. Existem ainda assim muitos que se tentam distanciar, que tentam ser objectivos, cuja forma de estar não visa a propaganda ou ofender os adversários.
E há mais uma lição a tirar desta história: enquanto o grupo de Joaquim Oliveira tiver esta posição na sociedade portuguesa e no mundo do futebol em particular o Benfica terá muita dificuldade em vencer de forma consistente e sustentada. Era bom que os nossos dirigentes o percebessem de uma vez por todas. É que os jogos, como outros confrontos do domínio da estratégia, se começam a ganhar no plano das mentes e da psicologia. E esta, neste momento, apesar enfrentarmos gente sem ética desportiva, é-nos desfavorável. A causa? O anti-benfiquismo é todos os dias instilado na opinião pública.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Sol confirma - o vídeo com tudo o que aconteceu
Dissemos aqui ontem que tínhamos obtido informações relativas à participação das claques na selvageria que assolou as portas da Assembleia da República (orgão mais representativo do sistema democrático) na passada quarta-feira.
Pois o "Sol" de hoje faz "manchete" com essa mesma notícia.
No site do jornal aparece ainda o vídeo mais completo de toda a violência com muitas imagens inéditas que detalham tudo o que se passou e que nós aqui incluimos.
A favor ou contra o Governo, a troika, a austeridade e a crise, não podemos deixar que se faça isto ao nosso País.
É a mesma violência absurda e gratuita que já vi demasiadas vezes no futebol. É a mesma raiva e ódio a que infelizmente já presenciei. Na raiz está a mesma irracionalidade e violência que preside ao insulto fácil, ao lançamento de petardos, à intimidação, à coação. Não deixem de ver e meditar.
Pois o "Sol" de hoje faz "manchete" com essa mesma notícia.
No site do jornal aparece ainda o vídeo mais completo de toda a violência com muitas imagens inéditas que detalham tudo o que se passou e que nós aqui incluimos.
A favor ou contra o Governo, a troika, a austeridade e a crise, não podemos deixar que se faça isto ao nosso País.
É a mesma violência absurda e gratuita que já vi demasiadas vezes no futebol. É a mesma raiva e ódio a que infelizmente já presenciei. Na raiz está a mesma irracionalidade e violência que preside ao insulto fácil, ao lançamento de petardos, à intimidação, à coação. Não deixem de ver e meditar.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Sportinguismo e esquizofrenia
Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.
No futebol português há 30 anos que o pão é muito insuficiente para Benfica e Sporting: o sistema banqueteia-se e para aqueles só as sobras ficam.
Nos últimos anos, mesmo as migalhas de que o Sporting ia sobrevivendo escasseiam, ao passo que o Benfica para ter apenas uma refeição frugal tem lutar em campo até à exaustão.
Naturalmente que a fome é má conselheira e portanto assiste-se quer no Benfica, quer no Sporting a decisões erráticas e erróneas. Mas pior conselheiros ainda são a estultícia e o desespero.
Vem isto a propósito do descontrole de Dias Ferreira no "Dia seguinte" do dia de ontem.
São muitos dias, Dias Ferreira, a passar fome e muitas noites a sonhar com o Benfica.
É um fenómeno de que padecem alguns sportinguistas, que no passado já caracterizei como esquizofrenia paranóica.
Então não é que ontem, quando Rui Gomes da Silva dizia com todas as letras o que se tinha passado no estádio do Porto, denunciando a vergonha, e portanto defendendo o Sporting, Dias Ferreira se atira a ele?
É o cúmulo do surrealismo. Dias Ferreira indignou-se por Gomes da Silva defender o Sporting do roubo à mão desarmada do passado Domingo.
E então lá veio a Taça da Liga de há 4 anos atrás. Esse mesmo troféu que "nada importa", a "taça da cerveja" afinal é o que impede os sportinguistas de dormir há anos. Isso é que é gravíssimo. 30 anos de sistema, com o Porto a ganhar tri, tetra e pentacampeonatos "comprados no supermercado" (Alex Fergusson), com batota (Platini, Santiago Segurola), fruta e café com leite não incomodam Dias Ferreira.
Mas um erro do árbitro num jogo de uma competição que "nada vale" e que aconteceu há 4 anos, isso sim é gravíssimo e incomparavelmente mais importante do que erros grosseiros num jogo do campeonato deste fim-de-semana que afastam o Sporting da luta pelo título e ameaçam tornar esta época num longo suplício. O ex-candidato sportinguista já aliás tinha dito que a arbitragem não tivera influência no resultado.
Dias Ferreira ficou de tal forma indignado por Gomes da Silva denunciar o que se passou nas antas que, depois de, exaltado e indignado, falar no "roubo" de Lucílio Batista, já chamava a Gomes da Silva "um gajo".
É a isto que o Sporting chegou. Esquizofrenia no seu estado puro.
Dr. Dias Ferreia, cure-se. O Sporting está a morrer e acredite que não é por culpa do Benfica.
No futebol português há 30 anos que o pão é muito insuficiente para Benfica e Sporting: o sistema banqueteia-se e para aqueles só as sobras ficam.
Nos últimos anos, mesmo as migalhas de que o Sporting ia sobrevivendo escasseiam, ao passo que o Benfica para ter apenas uma refeição frugal tem lutar em campo até à exaustão.
Naturalmente que a fome é má conselheira e portanto assiste-se quer no Benfica, quer no Sporting a decisões erráticas e erróneas. Mas pior conselheiros ainda são a estultícia e o desespero.
Vem isto a propósito do descontrole de Dias Ferreira no "Dia seguinte" do dia de ontem.
São muitos dias, Dias Ferreira, a passar fome e muitas noites a sonhar com o Benfica.
É um fenómeno de que padecem alguns sportinguistas, que no passado já caracterizei como esquizofrenia paranóica.
Então não é que ontem, quando Rui Gomes da Silva dizia com todas as letras o que se tinha passado no estádio do Porto, denunciando a vergonha, e portanto defendendo o Sporting, Dias Ferreira se atira a ele?
É o cúmulo do surrealismo. Dias Ferreira indignou-se por Gomes da Silva defender o Sporting do roubo à mão desarmada do passado Domingo.
E então lá veio a Taça da Liga de há 4 anos atrás. Esse mesmo troféu que "nada importa", a "taça da cerveja" afinal é o que impede os sportinguistas de dormir há anos. Isso é que é gravíssimo. 30 anos de sistema, com o Porto a ganhar tri, tetra e pentacampeonatos "comprados no supermercado" (Alex Fergusson), com batota (Platini, Santiago Segurola), fruta e café com leite não incomodam Dias Ferreira.
Mas um erro do árbitro num jogo de uma competição que "nada vale" e que aconteceu há 4 anos, isso sim é gravíssimo e incomparavelmente mais importante do que erros grosseiros num jogo do campeonato deste fim-de-semana que afastam o Sporting da luta pelo título e ameaçam tornar esta época num longo suplício. O ex-candidato sportinguista já aliás tinha dito que a arbitragem não tivera influência no resultado.
Dias Ferreira ficou de tal forma indignado por Gomes da Silva denunciar o que se passou nas antas que, depois de, exaltado e indignado, falar no "roubo" de Lucílio Batista, já chamava a Gomes da Silva "um gajo".
É a isto que o Sporting chegou. Esquizofrenia no seu estado puro.
Dr. Dias Ferreia, cure-se. O Sporting está a morrer e acredite que não é por culpa do Benfica.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Castigo a Vieira diz tudo sobre futebol português
O tema já mereceu análises de vários companheiros da blogosfera mas não posso deixar de partilhar a minha.
Por onde começar?
Talvez por aqui: os orgãos dirigentes do futebol em Portugal ao invés de promoverem o futebol, o espectáculo e o são ambiente desportivo promovem a violência. Passo a explicar.
A violência nasce da ira, da incompreensão, da irracionalidade, da ignorância, da incapacidade de moldar a realidade ao que desejamos e de nos adaptarmos a ela. Nasce do ódio e da frustração.
É evidente que no futebol português existe, desde Pinto da Costa, uma enorme violência latente. Já falei muito disso: para conquistar poder, Pinto da Costa promoveu um ambiente de revolta contra Lisboa, de guerrilha permanente, de ódio ao Benfica.
Esta realidade é indesmentível, não estando eu com isso a sugerir que todos os actos de violência tenham sido perpetrados por adeptos do Porto. Sabemos que não é assim. Houve o tristíssimo, trágico caso do very light, houve autocarros incendiados. Não vale a pena estar a tentar enumerar os casos de violência dos adeptos dos três grandes. Todos são lamentáveis, todos são condenáveis, ninguém está absolutamente inocente nesta matéria.
O que distingue os clubes é a forma como lidam com a violência perpetrada pelos seus adeptos. Se uns condenam, outros desculpam-se e outros usam-na e fomentam-na como instrumento de projecção do seu poder.
Há um clube que nunca tem responsabilidades nas cenas lamentáveis de violência que envolvem os seus adeptos, porque à partida é "diferente". Trata-se evidentemente do Sporting. Sem querer ser exaustivo, recordarei apenas alguns casos bem recentes.
Quando há uns anos se assistiu a uma vergonhosa cena de apedrejamento entre adeptos do Benfica e do Sporting num jogo de junióres, os dirigentes sportinguistas acusaram os adeptos do Benfica de serem selvagens quando as imagens demonstram para lá de qualquer dúvida que quer benfiquistas quer sportinguistas tiveram responsabilidades, que ambos atiraram pedras.
Quando os seus adeptos se envolveram em cenas de violência extrema contra a polícia, em Fevereiro de 2011, os dirigentes sportinguistas fizeram um comunicado inacreditável de que destaco o primeiro parágrafo: "O Sporting Clube de Portugal e a Sporting Clube de Portugal Futebol, SAD repudiam e condenam o grave comportamento da Polícia de Segurança Pública durante o jogo Sporting x Benfica, que teve lugar ontem no Estádio José Alvalade, pelo manifesto excesso na actuação e pela flagrante dualidade de critérios da PSP no tratamento dos adeptos do Sporting e do Benfica". Nem uma palavra de condenação pelo comportamento dos seus adeptos. Mais tarde, na sequência dos incidentes, 9 elementos da Juve Leo seriam detidos por posse de droga, engenhos pirotécnicos e armas.
Um mês mais tarde seria o próprio presidente eleito a passar um mau bocado, com tentativas de agressão por parte dos partidários de Bruno Carvalho.
Tinha já altura tinha sucedido o caso dos confrontos com adeptos de Atlético de Madrid (2010), em que o líder da Juve Leo ameaçara de morte mulheres e crianças.
Até que chegamos à época passada. Durante semanas, os comentadores e dirigentes do Sporting incendiaram os ânimos dos seus adeptos com declarações inflamadas sobre a "jaula", algo de alegadamente inaceitável e vergonhoso. No fim do jogo (a 29 de Novembro de 2012), é o seu vice-Presidente, o agora arguido Paulo Pereira Cristovão, que vem lançar novas provocações e insultos, falando de "condições pré-históricas". Isto enquanto os seus adeptos ateiam fogo ao Estádio da Luz. Isto parece surreal mas é factual. Como se não bastasse, dirigentes e comentadores sportinguistas, incluindo o seu Presidente e o Dr. Eduardo Barroso, têm o descaramento, a indignidade de vir dizer que "não se revêem" naquele comportamento, excusando-se a condená-lo. Na prática, a mensagem era clara: nós não podemos publicamente aplaudir, mas no fundo até achamos bem, achamos "divertido". "É para os lampiões aprenderem", terão muitos pensado.
Ora qual a reacção dos poderes dirigentes do futebol? Nenhuma.
E é assim que, 8 meses depois, surge finalmente a primeira consequência: o Presidente do Benfica é punido com uma suspensão.
Vale a pena dizer mais alguma coisa? Só isto: os dirigentes desportivos em Portugal brincam o fogo. Promovem a violência.
A época ainda não se iniciou mas já estamos perante um dejá vú.
Não contem comigo para isto.
Por onde começar?
Talvez por aqui: os orgãos dirigentes do futebol em Portugal ao invés de promoverem o futebol, o espectáculo e o são ambiente desportivo promovem a violência. Passo a explicar.
A violência nasce da ira, da incompreensão, da irracionalidade, da ignorância, da incapacidade de moldar a realidade ao que desejamos e de nos adaptarmos a ela. Nasce do ódio e da frustração.
É evidente que no futebol português existe, desde Pinto da Costa, uma enorme violência latente. Já falei muito disso: para conquistar poder, Pinto da Costa promoveu um ambiente de revolta contra Lisboa, de guerrilha permanente, de ódio ao Benfica.
Esta realidade é indesmentível, não estando eu com isso a sugerir que todos os actos de violência tenham sido perpetrados por adeptos do Porto. Sabemos que não é assim. Houve o tristíssimo, trágico caso do very light, houve autocarros incendiados. Não vale a pena estar a tentar enumerar os casos de violência dos adeptos dos três grandes. Todos são lamentáveis, todos são condenáveis, ninguém está absolutamente inocente nesta matéria.
O que distingue os clubes é a forma como lidam com a violência perpetrada pelos seus adeptos. Se uns condenam, outros desculpam-se e outros usam-na e fomentam-na como instrumento de projecção do seu poder.
Há um clube que nunca tem responsabilidades nas cenas lamentáveis de violência que envolvem os seus adeptos, porque à partida é "diferente". Trata-se evidentemente do Sporting. Sem querer ser exaustivo, recordarei apenas alguns casos bem recentes.
Quando há uns anos se assistiu a uma vergonhosa cena de apedrejamento entre adeptos do Benfica e do Sporting num jogo de junióres, os dirigentes sportinguistas acusaram os adeptos do Benfica de serem selvagens quando as imagens demonstram para lá de qualquer dúvida que quer benfiquistas quer sportinguistas tiveram responsabilidades, que ambos atiraram pedras.
Quando os seus adeptos se envolveram em cenas de violência extrema contra a polícia, em Fevereiro de 2011, os dirigentes sportinguistas fizeram um comunicado inacreditável de que destaco o primeiro parágrafo: "O Sporting Clube de Portugal e a Sporting Clube de Portugal Futebol, SAD repudiam e condenam o grave comportamento da Polícia de Segurança Pública durante o jogo Sporting x Benfica, que teve lugar ontem no Estádio José Alvalade, pelo manifesto excesso na actuação e pela flagrante dualidade de critérios da PSP no tratamento dos adeptos do Sporting e do Benfica". Nem uma palavra de condenação pelo comportamento dos seus adeptos. Mais tarde, na sequência dos incidentes, 9 elementos da Juve Leo seriam detidos por posse de droga, engenhos pirotécnicos e armas.
Um mês mais tarde seria o próprio presidente eleito a passar um mau bocado, com tentativas de agressão por parte dos partidários de Bruno Carvalho.
Tinha já altura tinha sucedido o caso dos confrontos com adeptos de Atlético de Madrid (2010), em que o líder da Juve Leo ameaçara de morte mulheres e crianças.
Até que chegamos à época passada. Durante semanas, os comentadores e dirigentes do Sporting incendiaram os ânimos dos seus adeptos com declarações inflamadas sobre a "jaula", algo de alegadamente inaceitável e vergonhoso. No fim do jogo (a 29 de Novembro de 2012), é o seu vice-Presidente, o agora arguido Paulo Pereira Cristovão, que vem lançar novas provocações e insultos, falando de "condições pré-históricas". Isto enquanto os seus adeptos ateiam fogo ao Estádio da Luz. Isto parece surreal mas é factual. Como se não bastasse, dirigentes e comentadores sportinguistas, incluindo o seu Presidente e o Dr. Eduardo Barroso, têm o descaramento, a indignidade de vir dizer que "não se revêem" naquele comportamento, excusando-se a condená-lo. Na prática, a mensagem era clara: nós não podemos publicamente aplaudir, mas no fundo até achamos bem, achamos "divertido". "É para os lampiões aprenderem", terão muitos pensado.
Ora qual a reacção dos poderes dirigentes do futebol? Nenhuma.
E é assim que, 8 meses depois, surge finalmente a primeira consequência: o Presidente do Benfica é punido com uma suspensão.
Vale a pena dizer mais alguma coisa? Só isto: os dirigentes desportivos em Portugal brincam o fogo. Promovem a violência.
A época ainda não se iniciou mas já estamos perante um dejá vú.
Não contem comigo para isto.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Euro 2012 - 1ª Jornada: pouco futebol e pouco dos favoritos.
A 1ª jornada da fase de grupos trouxe poucos golos e pouco futebol. Estamos numa fase ainda prematura da competição mas temo que o futebol cauteloso e defensivo venha a predominar.
Portugal foi aliás um exemplo disso mesmo, embora tenha como atenuantes o facto de não dispor já da qualidade de outros tempos e de ter defrontado uma das selecções mais forte. Negativo ainda é o facto de se ter já assistido a cenas de violência, esperando-se que elas não se repitam hoje, num jogo de alto risco entre a Polónia e a Rússia (19.45h na SIC).
De entre os favoritos, reconheço que a Espanha demonstrou poderio, frente a uma Itália cuja qualidade nunca pode surpreender quem acompanha regularmente o futebol. A este propósito assinalo que na sondagem que aqui promovemos, aqueles que votaram atribuiram o maior favoritismo à Espanha, seguida de Portugal, Alemanha e Holanda. Quase ninguém apostou na Itália, na França e na Inglaterra.
Face a estes dados e aos resultados, creio que não andarei muito longe da verdade se disser que do lote Espanha, Alemanha, Itália sairá pelo menos um finalista. Que a França e a Inglaterra, sobretudo esta última, praticamente não mostraram nada e muito dificilmente irão longe na competição. Que Holanda e Portugal dependem dos jogos de amanhã para se manterem na competição e que se o conseguirem poderão ganhar uma dose extra de ânimo que lhes permita intrometerem-se entre os favoritos (Holanda perdeu para mim esse estatuto com a derrota com a Dinamarca e as evidentes divisões no plantel, ao passo que Portugal, na minha opinião, sempre foi um outsider). E finalmente, que a Rússia poderá chegar às meias finais, tal como, dependendo do sorteio e considerando que joga em casa, a própria Ucrânia.
Já a Polónia mostrou muito pouco na 1ª jornada e uma derrota hoje significará o adeus prematuro - e doloroso para os adeptos - ao Euro. É verdade que Portugal organizou o Euro em 2004 e que perdeu na primeira jornada, precisamente contra a Grécia (Polónia empatou, mas contra 10). Também é verdade que seguidamente jogou, sem qualquer margem de erro, com a Rússia - exactamente como a Polónia. Simplesmente as semelhanças acabam aí - Portugal tinha uma equipa de luxo e a Rússia não tinha a qualidade de hoje. Antevejo portanto más notícias para a Polónia, mesmo que elas não sejam definitivas já esta noite.
Quanto ao jogo das 17.00h, transmitido apenas pela Sporttv, antevejo equilíbrio. São duas selecções muito diferentes (uma que gosta de atacar, outra que joga no erro adversário) mas que se por via do aspecto táctico se poderão quase equivaler. A República Checa tem muito pouca margem de erro mas a Grécia também sabe que uma derrota a deixa numa situação quase desesperada. Em termos de previsão, parece-me apesar de tudo que a República Checa é mais forte e poderá vencer. Resta ao nosso Fernando Santos montar um esquema que faça com que isso não aconteça.
Portugal foi aliás um exemplo disso mesmo, embora tenha como atenuantes o facto de não dispor já da qualidade de outros tempos e de ter defrontado uma das selecções mais forte. Negativo ainda é o facto de se ter já assistido a cenas de violência, esperando-se que elas não se repitam hoje, num jogo de alto risco entre a Polónia e a Rússia (19.45h na SIC).
De entre os favoritos, reconheço que a Espanha demonstrou poderio, frente a uma Itália cuja qualidade nunca pode surpreender quem acompanha regularmente o futebol. A este propósito assinalo que na sondagem que aqui promovemos, aqueles que votaram atribuiram o maior favoritismo à Espanha, seguida de Portugal, Alemanha e Holanda. Quase ninguém apostou na Itália, na França e na Inglaterra.
Face a estes dados e aos resultados, creio que não andarei muito longe da verdade se disser que do lote Espanha, Alemanha, Itália sairá pelo menos um finalista. Que a França e a Inglaterra, sobretudo esta última, praticamente não mostraram nada e muito dificilmente irão longe na competição. Que Holanda e Portugal dependem dos jogos de amanhã para se manterem na competição e que se o conseguirem poderão ganhar uma dose extra de ânimo que lhes permita intrometerem-se entre os favoritos (Holanda perdeu para mim esse estatuto com a derrota com a Dinamarca e as evidentes divisões no plantel, ao passo que Portugal, na minha opinião, sempre foi um outsider). E finalmente, que a Rússia poderá chegar às meias finais, tal como, dependendo do sorteio e considerando que joga em casa, a própria Ucrânia.
Já a Polónia mostrou muito pouco na 1ª jornada e uma derrota hoje significará o adeus prematuro - e doloroso para os adeptos - ao Euro. É verdade que Portugal organizou o Euro em 2004 e que perdeu na primeira jornada, precisamente contra a Grécia (Polónia empatou, mas contra 10). Também é verdade que seguidamente jogou, sem qualquer margem de erro, com a Rússia - exactamente como a Polónia. Simplesmente as semelhanças acabam aí - Portugal tinha uma equipa de luxo e a Rússia não tinha a qualidade de hoje. Antevejo portanto más notícias para a Polónia, mesmo que elas não sejam definitivas já esta noite.
Quanto ao jogo das 17.00h, transmitido apenas pela Sporttv, antevejo equilíbrio. São duas selecções muito diferentes (uma que gosta de atacar, outra que joga no erro adversário) mas que se por via do aspecto táctico se poderão quase equivaler. A República Checa tem muito pouca margem de erro mas a Grécia também sabe que uma derrota a deixa numa situação quase desesperada. Em termos de previsão, parece-me apesar de tudo que a República Checa é mais forte e poderá vencer. Resta ao nosso Fernando Santos montar um esquema que faça com que isso não aconteça.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Euro 2012 - Pontapé de saída
Começa hoje, na cidade de Varsóvia o Euro 2012. 16 equipas partem para a competição com ambições mais ou menos realistas. Para além do lote de favoritos (os principais, Espanha, Alemanha e Holanda e os outros França, Itália, Portugal e a própria Inglaterra) há que contar com a Rússia e as próprias selecções anfitriãs, Polónia e Ucrânia. Embora as probabilidades destas últimas estarem na final não seja elevada, há que contar com o factor casa (que se aplica de certo modo à própria Rússia), pelo que não será surpreendente se uma delas estiver nas meias finais.
O Euro começa precisamente com a Polónia a receber a Grécia (Grupo A), treinada por Fernando Santos. Desta selecção há a salientar a excelente fase de qualificação, a experiência do treinador português, o facto de ter vencido a competição há 8 anos e ainda o factor crise - o desejo de dar tudo pelo seu país para animar os compatriotas. A favor da Polónia joga o factor casa, sendo de resto uma selecção relativamente desconhecida... até dos gregos. O jogo é às 17.00h, com a transmissão RTP a começar às 16.30h. Às 19.45h jogam a Rússia e a República Checa (também do Grupo A) sem direito a transmissão televisiva em canal aberto.
O ser humano é naturalmente atraído pelo desejo de conhecer o futuro. As múltiplas previsões, desde as casas de apostas até às estranhas rábulas com animais (polvos, elefantes e até porcos) que se fazem por estes dias atestam, embora de forma um pouco degradada, essa aspiração, que data já da antiguidade. Na altura questionavam-se os deuses e as pitonisas, perscrutravam-se os céus e os astros, interpretavam-se sonhos e visões. O desejo de conhecer o futuro levou mesmo a indagações filosóficas, desde Aristóteles até aos filósofos modernos, passando pelos medievais que elaboraram uma doutrina dos "futuros contingentes". Apesar de todos os progressos da ciência e da quantidade de informação sobre o mundo material que ela possui, determinar o futuro persiste uma tarefa impossível.
Há sempre o imponderável. No futebol o imponderável é a sorte, a decisão do árbitro, um acto irreflectido ou negligente de um jogador que deita tudo a perder para a sua equipa. Por isso qualquer previsão é simultaneamente válida e irrealista. Sabemos a sua inutilidade, a sua irrelevância mas não deixamos de as fazer. Aliás, ao pé da crise, dos problemas, das grandes questões que se colocam à humanidade, o que é o futebol? A resposta mais simples é: uma diversão, algumas horas de prazer lúdico, de descontração. O jogo, a diversão são factores relevantes das nossas vidas. As "previsões" enquadram-se nesse âmbito.
Venha então o Euro e, para quem gosta, as previsões. Os resultados da sondagem deste blog (na barra direita) serão objecto de um post e no fim veremos em que medida eu próprio (que seleccionei o lote de favoritos) e os participantes estávamos perto ou longe do que virá a acontecer.
A bola começa a rolar dentro de menos de duas horas.
O Euro começa precisamente com a Polónia a receber a Grécia (Grupo A), treinada por Fernando Santos. Desta selecção há a salientar a excelente fase de qualificação, a experiência do treinador português, o facto de ter vencido a competição há 8 anos e ainda o factor crise - o desejo de dar tudo pelo seu país para animar os compatriotas. A favor da Polónia joga o factor casa, sendo de resto uma selecção relativamente desconhecida... até dos gregos. O jogo é às 17.00h, com a transmissão RTP a começar às 16.30h. Às 19.45h jogam a Rússia e a República Checa (também do Grupo A) sem direito a transmissão televisiva em canal aberto.
O ser humano é naturalmente atraído pelo desejo de conhecer o futuro. As múltiplas previsões, desde as casas de apostas até às estranhas rábulas com animais (polvos, elefantes e até porcos) que se fazem por estes dias atestam, embora de forma um pouco degradada, essa aspiração, que data já da antiguidade. Na altura questionavam-se os deuses e as pitonisas, perscrutravam-se os céus e os astros, interpretavam-se sonhos e visões. O desejo de conhecer o futuro levou mesmo a indagações filosóficas, desde Aristóteles até aos filósofos modernos, passando pelos medievais que elaboraram uma doutrina dos "futuros contingentes". Apesar de todos os progressos da ciência e da quantidade de informação sobre o mundo material que ela possui, determinar o futuro persiste uma tarefa impossível.
Há sempre o imponderável. No futebol o imponderável é a sorte, a decisão do árbitro, um acto irreflectido ou negligente de um jogador que deita tudo a perder para a sua equipa. Por isso qualquer previsão é simultaneamente válida e irrealista. Sabemos a sua inutilidade, a sua irrelevância mas não deixamos de as fazer. Aliás, ao pé da crise, dos problemas, das grandes questões que se colocam à humanidade, o que é o futebol? A resposta mais simples é: uma diversão, algumas horas de prazer lúdico, de descontração. O jogo, a diversão são factores relevantes das nossas vidas. As "previsões" enquadram-se nesse âmbito.
Venha então o Euro e, para quem gosta, as previsões. Os resultados da sondagem deste blog (na barra direita) serão objecto de um post e no fim veremos em que medida eu próprio (que seleccionei o lote de favoritos) e os participantes estávamos perto ou longe do que virá a acontecer.
A bola começa a rolar dentro de menos de duas horas.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Resultados de sondagens - Assembleia Geral
Fizemos já aqui algumas sondagens. Apesar do número de participantes ter sido limitado, queria partilhar os resultados.
Jorge Jesus: a maioria dos participantes considerou que ele se deveria manter como treinador do Benfica na próxima época, até terminar o seu contrato.
Árbitros I: a grande maioria considerou que o que se passou este ano foi ainda mais descarado do que o que aconteceu durante os anos do Apito Dourado, pelos quais o Porto e Pinto da Costa foram condenados por corrupção.
Árbitros II: a pergunta era sobre o que deveria fazer o Benfica para moralizar a arbitragem. A resposta mais votada foi a de que o Benfica deve convocar uma Assembleia Geral para, entre os sócios, debater a questão e definir uma linha a seguir. Seguidamente as opções mais votadas foram: exigir a demissão de Fernando Gomes e Vítor Pereira, começar a usar na Luz os mesmos métodos (mais musculados) que outros usam nas suas casas, com menos votos, exigir a demissão de apenas Fernando Gomes ou apenas Vitor Pereira e por fim dar mais entrevistas a meios de comunicação social.
Comentário: é clara a convicção dos benfiquistas de que o campeonato perdido este ano, se bem que com alguma dose de culpas próprias, se deve sobretudo a arbitragens altamente tendenciosas. Houve por parte dos árbitros uma intenção que chegou a parecer flagrante de prejudicar o Benfica.
Nessa medida, torna-se necessária uma acção decidida e firme por parte da direcção. Não basta protestar é imperioso EXIGIR medidas que garantam que as coisas não se repetem no futuro. O Sporting foi prejudicado em um ou dois jogos e fez um ruído tremendo, com audiências junto do Secretário de Estado e lamentos que duraram toda a época. Depois vieram os benefícios em diversos jogos, sem os quais muito dificilmente estariam no Jamor. Pelo meio houve o caso Pereira Cristovão... O Porto foi prejudicado num lance de penalty (num jogo que até ganhou) e no dia seguinte o árbitro (Duarte Gomes) estava a fazer mea culpa no Facebook. Depois de perder em Barcelos, o treinador do Porto disse que "podiam entregar as faixas ao Benfica" e depois disso foi o que se viu...
Em conclusão, parece-me que a direcção deve tomar medidas para moralizar de vez a arbitragem. Se há coisa evidente, e que se percebe pelo parágrafo acima, é que os árbitros são altamente influenciáveis e permeáveis a pressões. Isto não é aceitável numa competição profissional.
A ideia de convocar uma Assxembleia Geral pode dar à direcção força e legitimidade para EXIGIR medidas de moralização. Se integrámos na sondagem a opção de uso de meios mais "musculados" na Luz, foi apenas no sentido de se fazer perceber aos árbitros que também não aceitaremos impavidamente que outros os usem e retirem disso benefícios, ao passo que nós, por os considerarmos ilegítimos e consequentemente não os usarmos, acabarmos por ser prejudicados. É portanto, mais do que outra coisa, pois não faremos aqui a apologia da violência (o desporto não é isso), uma forma de dizer que não andamos a dormir e não aceitaremos ser os bombos da festa.
Aliás, eu discordo da política dos jogadores não poderem falar com os árbitros ou reclamar das suas decisões (política que foi assumida pelo Benfica). Se olharmos para as equipas de Mourinho, ou mesmo o Barcelona e outras grandes equipas europeias (as inglesas são um pouco a excepção), vemos os jogadores pressionarem os árbitros.
Julgo que é também por sermos os "alunos bem comportados" que acabamos por ver nos ser aplicado um critério de rigor que não se usa contra outras equipas. Que outra equipa teve um jogador expulso por dar um murro na relva? Eu defendo que depois de uma decisão escandalosa como a de não assinalar o penalty em Coimbra, a equipa deveria - SIM, defendo-o - rodear o árbitro e exigir explicações. E no fim do jogo o mesmo. Mesmo que acabássemos o jogo com menos um ou dois, o espírito de grupo sairia reforçado e os jogadores descarregariam um pouco a sua frustração, não sentindo tanto (como aconteceu este ano) que era sempre COMER E CALAR. Por outro lado, o clamor público seria maior e da vez seguinte talvez os árbitros se sentissem menos à vontade para tomar determinado tipo de decisões.
Por fim, aproveito para lembrar que há uma nova sondagem. Para aqueles que quiserem participar está na barra direita.
Jorge Jesus: a maioria dos participantes considerou que ele se deveria manter como treinador do Benfica na próxima época, até terminar o seu contrato.
Árbitros I: a grande maioria considerou que o que se passou este ano foi ainda mais descarado do que o que aconteceu durante os anos do Apito Dourado, pelos quais o Porto e Pinto da Costa foram condenados por corrupção.
Árbitros II: a pergunta era sobre o que deveria fazer o Benfica para moralizar a arbitragem. A resposta mais votada foi a de que o Benfica deve convocar uma Assembleia Geral para, entre os sócios, debater a questão e definir uma linha a seguir. Seguidamente as opções mais votadas foram: exigir a demissão de Fernando Gomes e Vítor Pereira, começar a usar na Luz os mesmos métodos (mais musculados) que outros usam nas suas casas, com menos votos, exigir a demissão de apenas Fernando Gomes ou apenas Vitor Pereira e por fim dar mais entrevistas a meios de comunicação social.
Comentário: é clara a convicção dos benfiquistas de que o campeonato perdido este ano, se bem que com alguma dose de culpas próprias, se deve sobretudo a arbitragens altamente tendenciosas. Houve por parte dos árbitros uma intenção que chegou a parecer flagrante de prejudicar o Benfica.
Nessa medida, torna-se necessária uma acção decidida e firme por parte da direcção. Não basta protestar é imperioso EXIGIR medidas que garantam que as coisas não se repetem no futuro. O Sporting foi prejudicado em um ou dois jogos e fez um ruído tremendo, com audiências junto do Secretário de Estado e lamentos que duraram toda a época. Depois vieram os benefícios em diversos jogos, sem os quais muito dificilmente estariam no Jamor. Pelo meio houve o caso Pereira Cristovão... O Porto foi prejudicado num lance de penalty (num jogo que até ganhou) e no dia seguinte o árbitro (Duarte Gomes) estava a fazer mea culpa no Facebook. Depois de perder em Barcelos, o treinador do Porto disse que "podiam entregar as faixas ao Benfica" e depois disso foi o que se viu...
Em conclusão, parece-me que a direcção deve tomar medidas para moralizar de vez a arbitragem. Se há coisa evidente, e que se percebe pelo parágrafo acima, é que os árbitros são altamente influenciáveis e permeáveis a pressões. Isto não é aceitável numa competição profissional.
A ideia de convocar uma Assxembleia Geral pode dar à direcção força e legitimidade para EXIGIR medidas de moralização. Se integrámos na sondagem a opção de uso de meios mais "musculados" na Luz, foi apenas no sentido de se fazer perceber aos árbitros que também não aceitaremos impavidamente que outros os usem e retirem disso benefícios, ao passo que nós, por os considerarmos ilegítimos e consequentemente não os usarmos, acabarmos por ser prejudicados. É portanto, mais do que outra coisa, pois não faremos aqui a apologia da violência (o desporto não é isso), uma forma de dizer que não andamos a dormir e não aceitaremos ser os bombos da festa.
Aliás, eu discordo da política dos jogadores não poderem falar com os árbitros ou reclamar das suas decisões (política que foi assumida pelo Benfica). Se olharmos para as equipas de Mourinho, ou mesmo o Barcelona e outras grandes equipas europeias (as inglesas são um pouco a excepção), vemos os jogadores pressionarem os árbitros.
Julgo que é também por sermos os "alunos bem comportados" que acabamos por ver nos ser aplicado um critério de rigor que não se usa contra outras equipas. Que outra equipa teve um jogador expulso por dar um murro na relva? Eu defendo que depois de uma decisão escandalosa como a de não assinalar o penalty em Coimbra, a equipa deveria - SIM, defendo-o - rodear o árbitro e exigir explicações. E no fim do jogo o mesmo. Mesmo que acabássemos o jogo com menos um ou dois, o espírito de grupo sairia reforçado e os jogadores descarregariam um pouco a sua frustração, não sentindo tanto (como aconteceu este ano) que era sempre COMER E CALAR. Por outro lado, o clamor público seria maior e da vez seguinte talvez os árbitros se sentissem menos à vontade para tomar determinado tipo de decisões.
Por fim, aproveito para lembrar que há uma nova sondagem. Para aqueles que quiserem participar está na barra direita.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Acabou
Honestamente, sinto-me a viver numa realidade paralela. Provavelmente sou eu o louco.
Mas... QUEM NÃO VIU O PENALTY SOBRE GAITAN?
ALGUÉM NÃO O VIU?
Pergunto-me?
E volto a perguntar: houve alguém - NAS BANCADAS E NA TELEVISÃO - que não visse o penalty sobre Gaitan?
Passemos adiante, pois o Benfica continuou a jogar bem e a dominar totalmente o jogo.
Chegamos então ao lance do penalty contra o Benfica. Eu volto a dizer: provavelmente sou eu o louco. Devo sê-lo seguramente para continuar a perder tempo com um jogo tão alarvemente viciado como é o futebol em Portugal, mas... penalty?
Penalty? Luisão TOCOU no pescoço de Wolksvinkel!
Uma entrada a varrer dá canto e um toque no pescoço dá um golo?
Não me interessa discutir mais nada das incidências seguintes, nem sequer o agarrão de Ismailov da camisola de Luisão na área com o árbitro a olhar. Muito menos as oportunidades de golo, que de facto o Sporting teve em número superior.
A mim só me interessam jogos que são sérios ou que pelo menos têm a aparência de o ser. O penalty sobre Gaitan é absolutamente escandaloso não ser marcado. É um ultrage à aparência de verdade desportiva que nos querem continuar a vender. Como o é o ser marcado penalty contra o Benfica no lance de Luisão.
O campeonato acabou hoje.
O clube que nós sabemos ganhou-o. Como antigamente. Sem vergonha. Aliás este ano ultrapassou-se tudo.
Comigo deixam de contar para alimentar esta fantochada. O Benfica deveria ter a mesma atitude e dar um murro na mesa. Mas um murro que a partisse.
Mas... QUEM NÃO VIU O PENALTY SOBRE GAITAN?
ALGUÉM NÃO O VIU?
Pergunto-me?
E volto a perguntar: houve alguém - NAS BANCADAS E NA TELEVISÃO - que não visse o penalty sobre Gaitan?
Passemos adiante, pois o Benfica continuou a jogar bem e a dominar totalmente o jogo.
Chegamos então ao lance do penalty contra o Benfica. Eu volto a dizer: provavelmente sou eu o louco. Devo sê-lo seguramente para continuar a perder tempo com um jogo tão alarvemente viciado como é o futebol em Portugal, mas... penalty?
Penalty? Luisão TOCOU no pescoço de Wolksvinkel!
Uma entrada a varrer dá canto e um toque no pescoço dá um golo?
Não me interessa discutir mais nada das incidências seguintes, nem sequer o agarrão de Ismailov da camisola de Luisão na área com o árbitro a olhar. Muito menos as oportunidades de golo, que de facto o Sporting teve em número superior.
A mim só me interessam jogos que são sérios ou que pelo menos têm a aparência de o ser. O penalty sobre Gaitan é absolutamente escandaloso não ser marcado. É um ultrage à aparência de verdade desportiva que nos querem continuar a vender. Como o é o ser marcado penalty contra o Benfica no lance de Luisão.
O campeonato acabou hoje.
O clube que nós sabemos ganhou-o. Como antigamente. Sem vergonha. Aliás este ano ultrapassou-se tudo.
Comigo deixam de contar para alimentar esta fantochada. O Benfica deveria ter a mesma atitude e dar um murro na mesa. Mas um murro que a partisse.
sexta-feira, 30 de março de 2012
A irracionalidade do futebol
"O futebol não é um questão de vida ou morte... é mais importante do que isso". A frase, de um ex-treinador do Liverpool, traduz de forma precisa a paixão que tantos de nós sentimos por este jogo.
Sem pretender fazer teoria nem escrever um ensaio - já existem estudos e obras muito mais exaustivos do que qualquer coisa que eu aqui possa dizer - queria porém partilhar, de forma impressionística, algumas reflexões sobre o assunto.
O que pode explicar que pessoas "normais", calmas na sua vida quotidiana, se descontrolem completamente a ver futebol? Que pessoas com vidas profissionais e familiares estabilizadas, lancem insultos e ameaças sobre árbitros e adversários quando vão a um estádio?
Creio que o futebol desempenha nas sociedades modernas o papel que no passado coube a rituais sociais, militares e até religiosos.
A vida social - a vivência colectiva que no passado se realizava em festivais, celebrações políticas e religiosas - tem vindo a perder importância nos nossos tempos. A maioria das pessoas não vai ou vai menos à missa (lugar de encontro por excelência no passado), os grandes festivais ou celebrações periódicas de outros tempos (a Páscoa, a Primavera, os equinócios e os solestícios) já não se realizam e os grandes comícios políticos também cada vez menos. Até as greves têm uma adesão cada vez menor.
O desporto e o futebol em especial, pois é o desporto de massas por excelência, acaba assim por assumir esse papel social de encontro de todos: todas as classes, novos e velhos se juntam sem distinção entre si. Todos são adeptos. Esta designação é aliás retirada da religião - o adepto é aquele que adere a uma religião ou seita.
No futebol replicam-se os comportamentos tribais e militares - os tambores, os estandartes e os uniformes do nosso clube; "nós" contra "eles", em que "eles" passam de adversário a inimigo, numa espiral de irracionalidade. Nem sequer falta o "bode expiatório", obviamente o árbitro (que não tem adeptos), que representa também um papel social que existia na antiguidade. Ao "bode expiatório", que encarnava todos os males sociais e atraia sobre si todos os ódios, cabia expiar todos os pecados e apaziguar os homens e os deuses.
Com o desaparecimento dos antigos rituais militares e sociais, a função de libertação dos impulsos negativos e violentos da nossa sociedade ficou por preencher. O futebol desempenha hoje esse papel, servindo para libertar as frustrações acumuladas.
Por fim, a experiência do religioso - um sentimento de êxtase colectivo - foi abolida do mundo moderno, de mentalidade muito materialista, céptica e utilitária. Mais uma vez, o futebol veio ocupar o vazio: são os hinos, os cânticos, a euforia do golo, a celebração catártica da vitória, a recompensa pelo esforço, o prémio justo.
Em sociedades que inibem ou reprimem os nossos sentimentos mais fortes e instintivos, sobretudo ligados à virilidade, o futebol acaba por ser o lugar onde eles se exprimem e tudo é permitido.
Em hora e meia se encenam as emoções da vida. Se acredita em sonhos e heróis e se fala de milagres e de glória.
Sem pretender fazer teoria nem escrever um ensaio - já existem estudos e obras muito mais exaustivos do que qualquer coisa que eu aqui possa dizer - queria porém partilhar, de forma impressionística, algumas reflexões sobre o assunto.
O que pode explicar que pessoas "normais", calmas na sua vida quotidiana, se descontrolem completamente a ver futebol? Que pessoas com vidas profissionais e familiares estabilizadas, lancem insultos e ameaças sobre árbitros e adversários quando vão a um estádio?
Creio que o futebol desempenha nas sociedades modernas o papel que no passado coube a rituais sociais, militares e até religiosos.
A vida social - a vivência colectiva que no passado se realizava em festivais, celebrações políticas e religiosas - tem vindo a perder importância nos nossos tempos. A maioria das pessoas não vai ou vai menos à missa (lugar de encontro por excelência no passado), os grandes festivais ou celebrações periódicas de outros tempos (a Páscoa, a Primavera, os equinócios e os solestícios) já não se realizam e os grandes comícios políticos também cada vez menos. Até as greves têm uma adesão cada vez menor.
O desporto e o futebol em especial, pois é o desporto de massas por excelência, acaba assim por assumir esse papel social de encontro de todos: todas as classes, novos e velhos se juntam sem distinção entre si. Todos são adeptos. Esta designação é aliás retirada da religião - o adepto é aquele que adere a uma religião ou seita.
No futebol replicam-se os comportamentos tribais e militares - os tambores, os estandartes e os uniformes do nosso clube; "nós" contra "eles", em que "eles" passam de adversário a inimigo, numa espiral de irracionalidade. Nem sequer falta o "bode expiatório", obviamente o árbitro (que não tem adeptos), que representa também um papel social que existia na antiguidade. Ao "bode expiatório", que encarnava todos os males sociais e atraia sobre si todos os ódios, cabia expiar todos os pecados e apaziguar os homens e os deuses.
Com o desaparecimento dos antigos rituais militares e sociais, a função de libertação dos impulsos negativos e violentos da nossa sociedade ficou por preencher. O futebol desempenha hoje esse papel, servindo para libertar as frustrações acumuladas.
Por fim, a experiência do religioso - um sentimento de êxtase colectivo - foi abolida do mundo moderno, de mentalidade muito materialista, céptica e utilitária. Mais uma vez, o futebol veio ocupar o vazio: são os hinos, os cânticos, a euforia do golo, a celebração catártica da vitória, a recompensa pelo esforço, o prémio justo.
Em sociedades que inibem ou reprimem os nossos sentimentos mais fortes e instintivos, sobretudo ligados à virilidade, o futebol acaba por ser o lugar onde eles se exprimem e tudo é permitido.
Em hora e meia se encenam as emoções da vida. Se acredita em sonhos e heróis e se fala de milagres e de glória.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
