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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Imprensa assume-se

Longe parecem ir os tempos em que a independência era vista como ideal de toda a imprensa, defendido por todos os cânones, e a marca da sua credibilidade. Longe vão os tempos em que essa independência, o rigor e a isenção da imprensa era apresentados como uma das marcas distintivas da democracia.
Cada vez mais, a imprensa alinha-se quase sem disfarçar com uma cor política ou clubística.
Talvez essa independência e isenção nunca tenham passado de um mito. Mas era ainda assim um mito em que se acreditava. Se algo vinha na imprensa, atribuia-se-lhe credibilidade.
Mas isso está a acabar.
São cada vez menos os exemplos de isenção, de pensamento equilibrado sobre um assunto, de uma escrita que procure a objectividade e se alicerce em factos.
Chegou-se ao caricato de um burlão cadastrado ser apresentado em jornais e televisões como um "especialista", um "perito insuspeito" com a chancela das Nações Unidas, que apresentava com suposta autoridade soluções milagrosas para o País.
Os gabinetes de imprensa e as tenebrosas agências de comunicação sopram hoje "notícias" e factos para os jornais, que muitas vezes, quase nem se dão ao trabalho de as verificar, ao passo que grupos económicos dominam uma série de orgãos de informação (expressão que em breve tem que começar a levar aspas, tal a tendenciosidade que demonstram), não se coibindo de fazer deles veículos para avançar as suas agendas.
Em Portugal, por razões que algum dia serão cabalmente explicadas, o grupo de Joaquim Oliveira adquiriu uma posição de influência na nossa sociedade que chega às esferas mais altas do poder.
Não é porém o único. A lógica de grupo da Imprensa também começa a imperar sobre a lógica - e a ética - de informação, à semelhança do que se passa noutros aglomerados de comunicação.
Sobre a forma como as coisas são feitas e o carácter das pessoas ficámos recentemente bastante esclarecidos com a lavagem de roupa suja entre o ex-director de comunicação da RTP, Nuno Santos, e uma série de jornalistas e quadros daquela televisão pública.

No futebol, onde o grau de discernimento das pessoas é ainda por cima toldado pelas paixões clubísticas, este fenómeno de parcialidade e de assumir cores, é ainda mais evidente e ainda mais descontrolado.

Muitos se recordarão do que o "jornalista" Manuel Tavares fazia na sua coluna n' "O Jogo" e que as escutas puseram a nú. Simplesmente deplorável.

Mas há muitos outros exemplos de gente que se servia e serve do espaço que lhes dado e da capacidade de chegar ao público para enganar, manipular, distorcer, induzir, influenciar ilegitimamente ou intoxicar os leitores, ao invés de os informar, como o código deontológico do jornalista diz que deve fazer.

Na passada segunda-feira e ontem, os três diários desportivos assumiram as suas cores: "A Bola" assumiu a posição benfiquista e criticou a postura portista de ataque ao árbitro do jogo, "O Jogo" assumiu a posição do Porto e procurou sustentar as respetivas teses, o "Record"... fez da vitória do Sporting em Olhão capa a toda a largura, dedicando ao clássico uma tira no cimo da primeira página.

Note-se bem que eu não estou com isto a dizer que "A Bola" é o orgão oficial do Benfica, como os portistas e sportinguistas gostam de dizer. Se fosse, não teria como colunistas Sousa Tavares, Rui Moreira, e Paulo Teixeira Pinto, entre outros. Não teria, por exemplo, Cruz dos Santos a dar "pareceres" sobre arbitragem constantemente desfavoráveis ao Benfica, até quando as evidências vão em sentido contrário e entram pelos olhos dentro. "A Bola" tenta ser equilibrada (e é, entre os 3 desportivos, a referência e o mais credível), embora sendo visível que há uma tendência mais benfiquista.

O "Record" é um jornal ligado ao Sporting. Tal como "A Bola" em relação ao Benfica, quando o Sporting perde (e tem sido muito), acaba por ser mais crítico para com o "seu" clube do que por vezes é em relação aos rivais.

Coisa diferente é o que se passa com "O Jogo". Se é verdade que existem lá jornalistas sérios e até alguns benfiquistas, a grande maioria é do Porto e não o esconde. E o jornal acaba por ser um eco das posições da direção do Porto. Aliás, existe uma diferença entre o conceito de isenção no Porto e em Lisboa, reflexo de uma mentalidade bairrista versus uma mais aberta.

Nessa medida, as coisas não ficam "empatadas". Ou seja, é muito mais pro-Porto "O Jogo" do que é pro-Benfica "A Bola".

Até aqui tudo relativamente normal. O problema (em termos de intoxicação da opinião pública) surge quando analisamos outra imprensa de referência, nomeadamente o Diário de Notícias, a TSF ou a RTP e a Antena 1 (com a agravante destas duas últimas serem estações públicas, que vivem do dinheiro dos contribuintes). Isto para já não falar, claro está da SportTV.

Porque nessa imprensa de referência verificamos que o clube do Porto continua a ter uma predominância muito grande. Só assim se explica que alguém como Manuel Queiroz, conhecido portista, com ligações fortes à direção do clube e absolutamente incapaz de ser imparcial nas suas análises, continue sistematicamente a comentar tudo que é jogo do Porto e até muitos do Benfica.

Este homem está na TSF, na Antena 1, no DN, na TVI, na RTP Norte. Ele está em todo o lado apesar de qualquer adepto de futebol conhecer bem a sua preferência clubística tanto mais que ela é absolutamente indisfarçável.

Ontem no "Diário de Notícias", que é o congénere de Lisboa ao "Jornal de Notícias", Manuel Queiroz fez algo que eu estava habituado apenas a ver em blogs clubísticos (e mesmo assim só nos mais fanáticos): enunciou todos os lances em que jogadores do Benfica poderiam ter levado cartões amarelos (algumas ridículas e patéticas na alegação de que seriam merecedoras dessa punição disciplinar) e não citou nenhum (e foram tantos!) em que jogadores do Porto podiam ter levado cartões amarelos e até vermelhos!

Que falta de seriedade! Que desonestidade intelectual! Que insulto à inteligência dos leitores!

Agora notem bem, isto não foi no "JN", isto foi no "DN". Mas como nós somos Mouros, temos que comer com isto.

O que sucederia se algum benfiquista fosse escrever dislates em sentido inverso (por exemplo dizendo que o Porto deveria ter acabado o jogo com 8 e ter tido duas penalidades contra) no JN?

Como o título deste post afirma, a imprensa assume cada vez mais as suas cores clubísticas e partidárias. É pena, porque deixamos de ter confiança nela. É pena porque somos empurrados para posições cada vez mais radicais e fecham-se as portas para o diálogo, para o entendimento, para a convivência.

Neste quadro não podemos porém ser os papalvos da história. Estou seguro de que não devemos optar pelos mesmos métodos, pois isso só nos tornaria iguais a eles. Mas temos a obrigação de não nos deixar espezinhar, de defender as nossas cores, de não deixar denunciar sempre, a todo o momento, a falta de honestidade desta gente.

No espectro oposto saúdo a lucidez de Carlos Daniel. Muito embora alguns benfiquistas possam não ter gostado da sua análise ao jogo, eu penso que ela foi equilibrada e que tentou identificar as causas pelas quais se arrasta a incapacidade do Benfica vencer o Porto, sem branquear proençadas e afins e deplorando as declarações do treinador do clube do Porto. Existem ainda assim muitos que se tentam distanciar, que tentam ser objectivos, cuja forma de estar não visa a propaganda ou ofender os adversários.

E há mais uma lição a tirar desta história: enquanto o grupo de Joaquim Oliveira tiver esta posição na sociedade portuguesa e no mundo do futebol em particular o Benfica terá muita dificuldade em vencer de forma consistente e sustentada. Era bom que os nossos dirigentes o percebessem de uma vez por todas. É que os jogos, como outros confrontos do domínio da estratégia, se começam a ganhar no plano das mentes e da psicologia. E esta, neste momento, apesar enfrentarmos gente sem ética desportiva, é-nos desfavorável. A causa? O anti-benfiquismo é todos os dias instilado na opinião pública.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Domingos Amaral sacrifica a verdade desportiva à sua vaidade

Há coisas estranhas - ou talvez não.

Numa altura em que finalmente se começam a ouvir vozes independentes (não só já de benfiquistas) a dizer com clareza que o Porto continua a ser constantemente beneficiado pelos árbitros; numa altura em que começa a ser patente o nervosismo da estrutura portista e o esgotamento, por exaustão, da sua propaganda, surge um "benfiquista" a publicar um livro espantoso. Um livro que diz que vai revelar "porque é que" o Porto "é campeão" e o Benfica "só ganha Taças da Liga". A revelação não tarda: o Porto paga mais salários.

É mesmo isto. É tão primário e simplista quanto isto.

A tese é por si mesma absurda. Evidentemente que não é por pagar mais ou menos que a essência da qualidade de um jogador se altera. O que o autor quererá dizer é que quem pode pagar mais tem melhores jogadores e quem tem melhores jogadores ganha.

Mas isto não é necessariamente verdade.

Em 1996-97 o Barcelona de Robson (que tinha tinha Figo, Ronaldo, Stoichkov, Giovanni, De la Pena, Guardiola, Luis Henrique, Nadal, Fernando Couto, Baía, etc, etc) ganhou tudo - menos o campeonato.

O Real Madrid dos "galácticos" esteve 3 anos sem ganhar qualquer troféu (e na altura ainda não existia Messi) e ainda por cima foi várias vezes goleado. 

O Chelsea de Abrahmovic constantemente investiu milhões e milhões em estrelas e até Mourinho não conseguiu ser campeão (e depois dele só por uma vez, com Ancelotti). Por outro lado, Mourinho foi campeão em Itália sem ter, de perto nem de longe, os melhores jogadores.

Os exemplos podem ser multiplicados.

Mesmo que a tese fosse verdadeira, dado que o Benfica é: o clube com mais sócios, com maior receita de quotização, com mais adeptos, com o maior Estádio em Portugal e com mais assistências nos seus jogos o enfoque do livro (se o autor fosse realmente um benfiquista e não alguém que se quer usar do Benfica para fazer fama) deveria ser "como pode o Porto pagar mais do que o Benfica"?

O monopólio da Olivedesportos e a forma como esta beneficia o Porto são aspectos abordados no livro mas que se diluem face a um título daqueles. Título que parece feito para gozar com o Benfica e desvalorizar a Taça da Liga - algo que naturalmente agrada aos portistas mas que se estranha muito que algum benfiquista possa sequer aceitar quanto mais promover.

Aliás muito haveria a dizer do rigor desta publicação, mesmo nos seus pressupostos. Domingos Amaral, pelo que me foi dado a perceber, fez uma pesquisa leviana e de um grau de superficialidade quase incrível. Limitou-se a ir aos Relatórios e Contas dos clubes sem verdadeiramente trabalhar e analisar os dados, chegando ao ponto de nem sequer contabilizar devidamente salários e prémios de jogo.

O livro presta um serviço aos argumentos do sistema e um pretexto para nada mudar: afinal está tudo bem, o que o Benfica precisa é de gastar mais. E o Sporting também, provavelmente. Notável. Por isso foi ver na segunda-feira Guilherme Aguiar a exibir orgulhosamente esta obra prima da literatura futebolística. Pudera! Ele bem sabe como ela lhe poderá servir de alibi para mais uns penalties e umas expulsões. Já nem é preciso argumentar que o árbitro não viu daquele ângulo ou que o jogador estava a proteger-se. Basta acenar com o livro. Lá está declarado, lá está provado: ganha (o campeonato) quem gasta mais. Quem gasta menos ganha a Taça da Liga e provavelmente quem não gasta nada ganha a Taça de Portugal. Lamentável.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mas mal-amado por quem?

Cada vez que Cardozo joga bem e marca golos (e são muitas vezes, felizmente) lá vem a ladainha de que "há muitos adeptos benfiquistas que não gostam dele", que "não é consensual", que "existe entre Cardozo e os adeptos uma relação de amor-ódio",  que é mal-amado.

É impressionante como tudo o que possa ser negativo no Benfica é empolado à exaustão ao passo que noutro clube nem mesmo os acontecimentos mais graves, nem mesmo tiros e mortes sejam suficientes para motivar críticas ou sequer perguntas.

E assim lá tivemos que ouvir, depois do hat-trick em Alvalade a história do "mal-amado". O próprio jogador, na flash-interview (que expressão pomposa), em vez de ser questionado sobre o grande jogo que acabava de fazer teve que ouvir perguntas sobre a sua suposta impopularidade entre alguns adeptos.

Mas eu pergunto: quais? Quantos?

Cardozo teve e tem, como todos os jogadores, alguns jogos menos bons. Houve um determinado período em que foi um pouco menos produtivo e em que recebeu alguns assobios, tendo reagido de forma menos feliz com um dedo esticado à frente da boca. Foi esse evento, perfeitamente circunscrito e totalmente resolvido em jogos posteriores que serve para, há mais de ano, quase dois, alimentar esta ladainha.

Mas há algum jogador que não tenha em dado momento da sua carreira sofrido críticas? Hulk, o tal que era incrível e excepcional e valia 100 milhões, foi assobiado VÁRIAS vezes pelos seus adeptos.

Mas porquê esta fixação em Cardozo? Claro que a pergunta é retórica, porque já sabemos qual a resposta. Tudo serve para tentar criar polémicas, para desestabilizar e para tentar apoucar o Benfica. Só me espanta que alguns benfiquistas ainda embarquem nesta conversa.

Cardozo é, felizmente como vários outros jogadores do Benfica, um atleta de qualidade muito acima da média, de enorme valor e até de grande dedicação e paixão pelo Benfica. Tem certamente as suas carências, ou então estaria quase ao nível de Ronaldo ou Messi. Se à capacidade concretizadora acrescentasse uma mobilidade extraordinária e uma capacidade técnica ainda maior, não tenho dúvidas que estaria entre os melhores do mundo. Assim está entre os melhores de Portugal e os melhores do Benfica.

Um jogador que ao longo dos anos nos tem dado inúmeras alegrias e títulos e que trouxe de volta ao Benfica o instinto goleador e a capacidade de concretização que há muito nos faltavam. Há muitos, mas mesmo muitos anos, que o Benfica não tinha um goleador desta qualidade.

O resto nem sequer chega a ser conversa.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A espantosa vitória do Porto sobre o Moreirense

Como era de prever, os dias que antecedem o jogo mais difícil do Benfica até ao fim do ano (e um dos mais importantes do campeonato) estão a ser férteis em casos, em polémicas, em tentativas de criar pressão adicional e desestabilizar.
O primeiro caso foi a suspensão de Rui Gomes da Silva, a que se sucedeu a polémica sobre o adiamento da partida e a que se junta desde, esta noite, a ideia de que o Porto é realmente uma máquina de rigor, competência e vitórias.
Veja-se bem que, depois de perder dois jogos seguidos, sendo eliminado da Taça e perdendo o primeiro lugar do seu grupo na Champions, o Porto merece todos estes elogios e exaltação por.. ter vencido um jogo em casa contra o Moreirense... por 1-0!
Digo isto depois de ligar a RTP Informação, o serviço "público" do Norte. O que era importante eram os 3 pontos, explicam-nos. O Porto não falhou, garantem. Nestes momentos, o Porto não costuma falhar, sublinham.
De facto, o Porto conseguiu um feito notável ao bater o Moreirense em casa depois de averbar duas derrotas seguidas...
Até chamam o grande Jesualdo Ferreira para compor o Ramalhete. E lá vem ele, com o discurso formatado, dizer como se trabalha bem "naquela casa". Nós sabemos Jesualdo. É pena que tu não tenhas conseguido "trabalhar" tão bem nos clubes seguintes. Faltou a "estrutura"...

Por outro lado vai-se tentando animar o Sporting: a vitória sobre o Videoton dá moral, a equipa estará motivada para este jogo, há ali mais qualidade do que a que tem sido exibida, etc, etc.

Enfim, o costume. Deixemos os cães ladrar e avancemos a caravana.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

RTP Norte

Tenho já aqui falado diversas vezes acerca do peso desproporcional do Porto nas estruturas legítimas e ilegítimas do futebol, o qual obviamente se reflete em poder e influência.
O Benfica esteve demasiado tempo distraído em relação a estas realidades e negligenciou os seus efeitos.
Ultimamente, por diferentes razões, incluindo o efeito das denúncias e chamadas de atenção de muitos blogs benfiquistas, os comentadores da nossa praça (justiça seja feita nesse capítulo a Rui Santos da SIC) e os nossos dirigentes começaram a prestar outra atenção ao fenómeno. E voltou a falar-se do "sistema".
Mas do que queria mesmo falar agora é da RTP Norte. E quero apenas citar aqui a revista do DN e do JN, a notícias TV. Que então diz isto sobre a RTP Norte: «"A única editoria a norte é a que se dedica ao desporto, pela noção do fenómeno na região". Hugo Gilberto é um dos rostos da especialidade. Aos domingos à tarde modera o Trio d'Ataque (que também coordena), na RTP Informação. Considera "o desporto uma das bandeiras da RTP" pois tem a particularidade de ser uma das áreas decentralizadas em Portugal e "o Porto e o Norte têm, muitas vezes, uma componente maioritária"». Fim de citação.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Benfica TV gera preocupação nos adversários

Desde o seu início, este blog assumiu como objectivo fundamental a defesa intransigente dos interesses do Benfica e da verdade desportiva. E assim foi denunciando algumas situações de flagrante atropelo dessa verdade e dos mais elementares princípios de equidade no futebol português.
Uma dessas situações consiste na evidente selectividade com que por regra são apresentados os casos de arbitragem. E mostrámos como isto é importante não apenas para a percepção que se gera na opinião pública mas também para o sistema continuar a favorecer uns e prejudicar outros, cumprindo formalmente com os regulamentos da Liga. Para essa situação durar e se perpetuar, Pinto da Costa soube manter nos media considerável influência (veja-se a predominância dos "estúdios do Porto" da RTP em matéria de futebol, ou o que se passa na TVI - onde já esteve Júlio Magalhães que assumiu o Porto Canal e está Sousa Martins, que apesar de bom profissional é portista - e no seu site "mais futebol", que chega a roçar o anti-benfiquismo).

Nenhuma influência foi porém tão importante como aquela que Pinto da Costa mantém na Sporttv, pois este canal detém há anos os direitos de transmissão da Liga Portuguesa de Futebol e como tal são os seus realizadores e directores quem determina quais os lances são repetidos, quais os mais escrutinados, quais os que são enviados às outras televisões para os resumos.

Pois bem, ao que parece, esta situação que nunca motivou dúvidas ou hesitações aos poderes do futebol português, torna-se, agora que a Benfica TV poderá vir a transmitir os jogos do Benfica, subitamente problemática, como mostra o blog Pinceladas gloriosas que descobriu no site "mais futebol" um artigo em que aparece o ex-árbitro e "especialista" Pedro Henriques a expressar toda a sua preocupação.

O que demonstra que:

1) tinha o Justiça Benfiquista razão quando alertava para os malefícios de deixar nas mãos da Sporttv, sem controle externo, o importante poder das imagens televisivas (um dos factores para a justiça disciplinar e para a classificação dos árbitros);

2) que o ignorar desta questão, como se ela não existisse, não se devia a ela ser irrelevante mas sim ao facto de todos se sentirem confortáveis com o status quo (o sistema);

3) a decisão de cortar com a Olivedesportos e avançar para a exploração dos direitos televisivos na Benfica TV foi a correcta, como demonstram as várias manifestações do sistema, para quem, neste caso concreto, o que não era antes um problema passou a ser apenas porque se anunciou o fim de um monopólio.

Porque, permitam-me que insista neste ponto, se realmente existe um risco das imagens serem "trabalhadas" e "seleccionadas" (que eu considero que existe de facto), como se explica que só agora ele seja referido? Não se colocou o mesmo problema no passado (e coloca no presente)? Quem fiscalizou a Sporttv? Foi Pedro Henriques?

Folgo em verificar que alguns dos problemas para que aqui vamos alertando comecem a ser publicamente debatidos e que se comece finalmente a desmontar as estruturas de viciação da competição em Portugal. Há que continuar, sem dar tréguas, este combate. Só com total transparência, com um escrutínio permanente do trabalho dos árbitros e de todos os poderes do futebol poderá a competição ser justa, íntegra e sem favorecimentos de nenhuma espécie, como todos nós desejamos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Fim da Sporttv - análise preliminar

É a notícia mais importante da actualidade benfiquista e uma das mais aguardadas.

O tema das transmissões televisivas é importante por três motivos: a valorização da imagem (agora diz-se "marca") do Benfica inclusivamente fora de Portugal, o aumento da receita financeira (fundamental face à austeridade e à diminuição do consumo em Portugal) e finalmente o que eu chamo o combate ao sistema.

Se as duas primeiras razões são autoexplicativas, já sobre a terceira convirá dizer alguma coisa.

Quem acompanha este blog sabe como tenho falado acerca do sistema. Abri inclusivamente um separador que concentra os artigos sobre o tema e permite ao leitor uma fácil consulta dos mesmos.

O sistema tem uma cúpula que é ocupada por Pinto da Costa, que é o líder quase mítico dos adeptos e jogadores e o "papa" do sistema, quer dizer a sua "autoridade" (i)moral. Mas vivemos hoje no tempo do dinheiro. Este é que realmente comanda quem não tem fidelidades a valores ou à sua consciência - condição de grande parte da gente que anda no mundo do futebol. Nessa medida era necessário que a "autoridade" tivesse uma fonte de poder, o que equivale a dizer uma fonte de dinheiro.

Como pode o Porto, com uma base de adeptos relativamente limitada, com assistências médias no seu estádio de 35.000 espectadores (embora mesmo estes números oficiais do Porto me suscitem dúvidas porque poderão estar inflacionados - ver a este propósito o excelente trabalho do site ser benfiquista), ter um orçamento tão elevado e constantemente ter mais capacidade financeira do que o Benfica para contratar jogadores? A resposta passa em parte pelo papel da Olivedesportos.

Joaquim Oliveira é dono de um grupo de comunicação que domina há anos o futebol português, através de vários "esquemas" que envolvem governantes e a RTP. Nele Pinto da Costa muito se apoiou, lícita e ilicitamente.

Convém não esquecer que o escandaloso caso das viagens pagas a árbitros foi agenciado pela "Cosmos", operador turístico que é aliás o agente oficial da UEFA na península ibérica e que evidentemente pertence a Joaquim Oliveira. Como chegou a ser agente UEFA uma organização que participou num esquema criminoso é algo que custa a entender, sobretudo dadas as invectivas de Platini contra a batota. Mas sabe-se que o Porto sempre teve boas relações no organismo que gere o futebol europeu, onde Guilherme Aguiar soube cultivar boas relações.

Oliveira conquistou um império que abrange a TSF, o Jogo, o DN e o JN e que tem na Sporttv a joia da coroa. E o posicionamento desta é bem conhecido, apesar da sua linha editorial e opinativa ter sido algo disfarçada nos últimos anos face à indignação dos benfiquistas que, como maioria dos adeptos de futebol em Portugal, constituem fatia de mercado que não se pode alienar completamente.

Pinto da Costa, o "papa", e Oliveira, o "guru" dos negócios amparam-se assim mutuamente e constituem as duas faces do poder futebolístico em Portugal: um através da sua autoridade "moral", o outro através do poder económico. Todos os agentes do futebol sabem que dependem economicamente e desportivamente destes dois homens. Os árbitros, condicionados pela necessidade de obter boas classificações para conseguir apitar jogos internacionais, que garantem altas remunerações, são os que mais dependentes estão desta estrutura e portanto pautam as suas carreiras pela subserviência a tais poderes. Mas os próprios clubes e a Federação conhecem esta realidade e agem de forma a proteger os seus interesses.

Octávio Machado disse-o mais do que uma vez com todas as letras - a Olivedesportos põe e dispõe, inclusivamente dos nomes para seleccionador nacional. António Oliveira, irmão desavindo de Joaquim, também já o afirmou e usou mesmo a expressão "sistema".

O sistema está aliás montado de tal forma que a própria Sporttv, controlando as transmissões e a colocação de cameras nos estádios sempre saberá que imagens seleccionar para oferecer os ângulos mais "convenientes" dos lances e criar uma narrativa das arbitragens que permita ao sistema ir subsistindo. Só não o vê quem não quer.

Face a esta realidade, a quebra do monopólio da Sporttv é fundamental para começar a desmantelar o sistema e começar a tornar limpo o futebol português. A própria Liga já o compreendeu e está a tentar concentrar em si os direitos televisivos. Veremos como esta intenção, a concretizar-se

Percebo que para os apoiantes do juiz Rui Rangel, que ainda ontem davam conta de que tinham informações de que Vieira estaria secretamente a negociar com a Olivedesportos, a notícia da não renovação de contrato surja na pior altura. Penso porém que, independentemente das eleições, esta é uma notícia muito importante para os benfiquistas que tem reprecussões mais vastas e que pode marcar um momento de viragem no futebol português.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Eis a bomba das eleições - fim da SPORTTV

Mais cedo tivesse eu escrito sobre a falta de interesse e de novidade desta campanha...
Aí está a bomba: Vieira anuncia que o Benfica não renova contrato com a Olivedesportos. Assim, para o ano não haverá jogos do Benfica na SPORT TV. Os jogos serão transmitidos na Benfica TV.
O anúncio foi feito em entrevista à SIC que passará durante o Jornal da Noite que está agora a dar. Aguardam-se pormenores.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A "escola" Tadeia

Ainda me lembro das primeiras transmissões de jogos com comentários de António Tadeia. Creio que surgiram na TVI em jogos da Liga Espanhola que na altura começaram a passar cá em Portugal.
Tadeia distinguia-se do cinzentismo dos comentadores da RTP (Gabriel Alves tinha sido reformado à força...) com comentários pouco habituais e com a enumeração de diversos dados sobre os futebolistas e o histórico dos clubes em disputa. Parecia uma enciclopédia de futebol, que surpreendia também pela forma ligeira e muitas vezes certeira como comentava vários aspectos do jogo, não temendo comprometer-se com a sua análise. Simultaneamente exibia sempre um tom calmo, de quem está habituado a dominar emoções fortes.
Com o tempo, Tadeia fez escola e entretanto o seu próprio estilo foi-se alterando um pouco.
Hoje todos nós vemos futebol internacional e conhecemos os jogadores, pelo que os factos de Tadeia foram-se tornando ou redundantes ou irrelevantes. Por outro lado, o seu estilo e o seu género de comentário foram copiados ou pelo menos inspiraram muitos comentadores que agora estão no activo (e que aparecem até mais do que o próprio Tadeia) pelo que já não nos parecem tão originais. Acresce que as "previsões" de Tadeia ultimamente não têm sido tão acertadas. "Prevê" um golo nos minutos seguintes e ele não acontece...
Caricaturando, o estilo Tadeia distingue-se hoje por ser o daquele comentador que, enquanto a bola está prestes a passar a linha de golo, fala alegremente de um outro assunto (a carreira de um certo jogador ou os jogos que determinado árbitro apitou), deixando-se apenas interromper pelo relato do golo muito a contragosto. Mas, logo uns segundos depois, volta à sua história que é o que realmente lhe interessa: "sim, foi um bom golo, mas como eu dizia...".
Creio porém que, fazendo-lhe justiça, Tadeia foi importante para o comentário dos jogos em Portugal que, nivelado por baixo graças à RTP mas também à pobre qualidade do da SIC, era até ele, Tadeia, sempre muito "redondo", com os comentadores a dizerem sempre que "sim mas também...", "por outro lado" e a nunca assumirem de facto uma análise ou uma previsão sobre o jogo. Isto para além da suas leituras do jogo serem pobres tal como o seu grau de conhecimento do desporto. Tadeia contribuiu muito para criar um novo patamar de exigência e deve ser reconhecido por isso.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Eleições disputadas - questão dos direitos televisivos.

É muito positivo o facto do juíz Rui Rangel se estar a preparar para apresentar uma lista alternativa à de Luis Filipe Vieira.
Assente a poeira e acalmados os ânimos depois dos excessos, alguns dos quais inadmissíveis, da última Assembleia Geral, a apresentação desta lista permitirá um debate e troca de ideias entre os benfiquistas e servirá para fomentar maior exigência por parte de todos na defesa do Benfica.

Acresce que ambos os candidatos estão a tentar atrair para as respetivas listas figuras conceituadas, tendo sido referido os nomes de José Eduardo Moniz, para número 2 e Presidente da SAD na lista de Vieira, e de Bagão Felix, Manuel Boto e Camilo Lourenço na lista de Rangel. Confesso que tenho algumas dúvidas que pelo menos alguns destes nomes venham realmente a integrar as listas, mas só facto de serem chamados à vida do Benfica neste momento importante da sua existência, é em si mesmo positivo.

Acima de tudo, é importante que ambos os projectos dêm garantias de estabilidade e de um rumo para o Benfica, o que parece acontecer. Por muitas críticas que se façam a Luis Filipe Vieira - e eu fiz bastantes ao longo do tempo - ninguém deixará de reconhecer que o Benfica tem hoje uma estabilidade que não pode ser comparada com os tempos (não tão longínquos e dramáticos) de irresponsabilidade e semi-caos em que a própria existência do clube tal como o conhecemos chegou a estar ameaçada. Que voltou a vencer no futebol (embora ainda aquém do esperado e do necessário) e que nas modalidades começa a ser novamente o Benfica que todos conhecemos. O Benfica tem para além disso hoje uma marca muito valiosa, um estádio de topo e um canal de TV.

Por outro lado, nomes como os de Bagão Felix, Manuel Boto e até Tavares, que conhecem bem o Benfica e já deram múltiplas provas da sua competência e capacidade de gestão, são também garantias de que o que foi construído não seria deitado borda fora.

Estão portanto reunidas as condições para um debate sério, para olhar para os problemas e desafios que se apresentam para o futuro com diferentes caminhos e propostas de solução entre as quais os benfiquistas poderão serenamente escolher as que lhes derem mais garantias.

Entre as várias questões, as mais importantes são a da sustentatibilidade financeira (mantendo a competitividade desportiva) num contexto global de crise e escassez financeira que afecta toda a Europa e a questão dos direitos televisivos.

Em relação a esta questão, é preciso compreender que a Olivedesportos é uma peça muito importante do sistema que o Benfica tem que combater e erradicar para que a competição volte a ser limpa em Portugal.

Ao longo de décadas, a Olivedesportos criou uma teia de interesses e compadrios em Portugal, beneficiando de uma posição de monopólio, que permitiou ao Porto ser o clube dominante em termos de poder nas estruturas dirigentes e manter uma liquidez financeira superior ao Benfica, quando nós somos o clube com maior capacidade geradora de receita.

Ou seja, a Olivedesportos, pelo que faz e pelo que (num país pequeno em que muitos se sentem inclinados a bajular o poder) insinua, desequilibrou artificalmente a competição em Portugal. Porque é dela que tem vindo o dinheiro que permite a muitos clubes manterem-se à tona de água. Porque as próprias estruturas dirigentes do futebol sabem que são dela dependentes. Porque uma parte do próprio poder político tem sido mantido sob a sua dependência. São jogos de favores, são trocas de influências que se reflectem mais que não sejam no subconsciente dos agentes desportivos (para já não falar dos mal formados, que conscientemente alteram e adulteram a verdade das competições).

A Olivedesportos tem dominado as federações e as ligas, sendo um dos principais instrumentos do sistema. Tem, em termos de puro mercado, injectado no Porto mais dinheiro do que deveria e menos no Benfica. E tem igualmente, através da questão das imagens televisivas, condicionado as arbitragens e as classificações dos árbitros. Sendo que estes dependem de boas classificações para terem carreiras bem remuneradas, tudo fica desvirtuado. As arbitragens de Pedro Proença, recompensadas com finais ao mais alto nível e homenagens que chegam ao caricato, ou de Jorge de Sousa são o resultado deste sistema iníquo. Acredito que hoje já não exista "fruta para dormir", "café com leite", "quinhentinhos" ou viagens ao Brasil, mas existem classificações como árbitros internacionais, arbitragens de jogos da Champions League e finais de grandes competições.

Por tudo isto, a questão dos direitos televisivos é, para mim, a par da questão da sustentabilidade financeira do Benfica, a mais importante destas eleições. Esperemos que ela seja discutida convenientemente no pouco tempo disponível de campanha eleitoral. Cabe ao benfiquistas mantê-la na agenda.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Guilherme Aguiar - apelo à violência/vandalismo?

Nós já conhecemos os métodos do Porto.
Quando alguém não se verga ao sistema e ameaça dizer o que sabe ou tomar medidas prejudiciais à sua iníqua sobrevivência, parte-se para a violência. Aparece então o braço armado do Porto e de Pinto da Costa, a sua guarda pretoriana, que ao murro e à paulada "resolve" os assuntos.

Neste sentido penso que é preciso dar muita atenção ao que disse ontem Guilherme Aguiar.

Que no mínimo foi uma ameaça velada a uma figura que nos últimos dias se tornou conhecida - o ex-árbitro assistente (vulgo fiscal de linha) Devesa Neto.
A história conta-se em 4 linhas: aparentemente, Luis Filipe Vieira terá jantado no restaurante de que Devesa Neto é proprietário em Paços de Ferreira, aquando da deslocação do Benfica àquela cidade. Guilherme Aguiar sentiu necessidade de revelar esse facto, insinuando que algo de errado haveria nisso.

Devesa Neto não se amedrontou e disse com todas as letras "aqui não alternamos" e "se for preciso dizer mais cá estarei".

Pois bem, este senhor não se acocorou perante o Porto como é habitual neste país e Guilherme Aguiar começou com uma conversa estranha. Seria apenas isso ou outra coisa?

É que por várias vezes, Aguiar explicou e repetiu à exaustão onde era o restaurante, com indicações precisas. Na praça central de Paços de Ferreira, tem por baixo isto e ao lado aquilo, etc.

Ora, porque o fez Guilherme Aguiar? (Tenho aliás pena que ninguém o tenha logo na hora confrontado.)

Seria isso um recado para alguém? Irá o estabelecimento ser visitado por alguns superdragons?

Porquê tantas explicações tão detalhadas? Porquê dar a morada completa do restaurante? Era isso importante para os espectadores perceberem o caso?

Já vimos muita coisa e esperamos quase tudo de quem acha que tudo vale. Casas do Benfica vandalizadas e apedrejadas por esse país fora e outras coisas semelhantes que pensávamos impossíveis num Estado europeu civilizado.

O que Guilherme Aguiar ontem fez não é mais nem menos do que o Porto faz há 30 anos. Intimidar, ameaçar, coagir. Não podemos, um Estado democrático não pode continuar impávido e sereno a assistir a este tipo de comportamentos.

Já chegou a este ponto. Já se ameaça, de forma velada e com recados, em público, em directo, na TV. Este o estado do país.

Sportinguismo e esquizofrenia

Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.

No futebol português há 30 anos que o pão é muito insuficiente para Benfica e Sporting: o sistema banqueteia-se e para aqueles só as sobras ficam.

Nos últimos anos, mesmo as migalhas de que o Sporting ia sobrevivendo escasseiam, ao passo que o Benfica para ter apenas uma refeição frugal tem lutar em campo até à exaustão.

Naturalmente que a fome é má conselheira e portanto assiste-se quer no Benfica, quer no Sporting a decisões erráticas e erróneas. Mas pior conselheiros ainda são a estultícia e o desespero.

Vem isto a propósito do descontrole de Dias Ferreira no "Dia seguinte" do dia de ontem.
São muitos dias, Dias Ferreira, a passar fome e muitas noites a sonhar com o Benfica.
É um fenómeno de que padecem alguns sportinguistas, que no passado já caracterizei como esquizofrenia paranóica.

Então não é que ontem, quando Rui Gomes da Silva dizia com todas as letras o que se tinha passado no estádio do Porto, denunciando a vergonha, e portanto defendendo o Sporting, Dias Ferreira se atira a ele?
É o cúmulo do surrealismo. Dias Ferreira indignou-se por Gomes da Silva defender o Sporting do roubo à mão desarmada do passado Domingo.

E então lá veio a Taça da Liga de há 4 anos atrás. Esse mesmo troféu que "nada importa", a "taça da cerveja" afinal é o que impede os sportinguistas de dormir há anos. Isso é que é gravíssimo. 30 anos de sistema, com o Porto a ganhar tri, tetra e pentacampeonatos "comprados no supermercado" (Alex Fergusson), com batota (Platini, Santiago Segurola), fruta e café com leite não incomodam Dias Ferreira.

Mas um erro do árbitro num jogo de uma competição que "nada vale" e que aconteceu há 4 anos, isso sim é gravíssimo e incomparavelmente mais importante do que erros grosseiros num jogo do campeonato deste fim-de-semana que afastam o Sporting da luta pelo título e ameaçam tornar esta época num longo suplício. O ex-candidato sportinguista já aliás tinha dito que a arbitragem não tivera influência no resultado.

Dias Ferreira ficou de tal forma indignado por Gomes da Silva denunciar o que se passou nas antas que, depois de, exaltado e indignado, falar no "roubo" de Lucílio Batista, já chamava a Gomes da Silva "um gajo".

É a isto que o Sporting chegou. Esquizofrenia no seu estado puro.

Dr. Dias Ferreia, cure-se. O Sporting está a morrer e acredite que não é por culpa do Benfica.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

TVI - o branqueamento semanal

Já demonstrei neste blog como e porquê o sistema espalha os seus tentáculos na Comunicação social.
Na passada semana referi-me ao árduo trabalho que, a partir de segunda-feira, a imprensa e as TV's têm que levar a cabo para demonstrar que afinal aquilo que todos vimos durante o fim-de-semana foi uma ilusão de óptica e acabarmos a semana ainda a achar que o Benfica foi beneficiado e o Porto prejudicado.
Para isso torna-se necessário uma selecção muito "criteriosa" das imagens seleccionadas.

Agora atente-se aos lances que a TVI ontem seleccionou como "duvidosos".

1) GOLO DO BENFICA (!) - sim este foi um dos lances seleccionados. Porquê? Porque um jogador do Paços caiu. Isto parece mentira mas é autêntico. Mostraram as imagens 10 vezes. Até (!) Manuel Serrão admitiu que tinha visto as imagens de trás para a frente e frente para trás e nada encontrara...

2) possível penalty sobre Nolito - para mim não existe e todos os comentadores o descartaram (os do Porto e Sporting nunca o fariam tal como Seara o fez se os lances fossem a favor da sua equipa)

3) possível penalty de Maxi Pereira - é realmente um dos lances duvidosos do jogo (embora na minha opinião não seja penalty, já tenho dito que Maxi, conhecendo os nossos árbitros, deve ser mais cuidadoso), pelo que se justifica a sua inclusão

4) se o cartão amarelo é bem mostrado a Maxi ou se deveria ser vermelho - sem comentários.

E... é isto.

OU SEJA, a cotovelada a Garay dentro da área e o remate em que a bola de Gaitan é desviada pelo braço de um defesa do Paços nem chegam à selecção. Não são mostrados, não passam na triagem! É QUE ASSIM DAVA A IDEIA DE QUE O BENFICA PODERIA TER SIDO PREJUDICADO, O QUE NÃO INTERESSA. Interessa isso sim, QUANDO MAIS do que isso NÃO É POSSÍVEL, DEIXAR A PAIRAR NO AR A DÚVIDA, a INSINUAÇÃO de que o árbitro se quisesse até podia ter prejudicado o Benfica, pelo que nos devemos dar por satisfeitos.

Atente-se bem a esta selecção de lances! Como é que o golo do Benfica, que não merece qualquer reparo de ninguém, acaba como um "caso" e a cotovelada a Garay que o faz sangrar não? Como é que um lance de golo quase feito como o de Gaitan que é desviado com o braço não é caso mas uma falta normal de Maxi junto à lateral o é?

Como é possível? O Benfica não vê isto? Nomeadamente Seara não percebe que há uma intenção nisto? Acha que tudo isto é inocente? Não é, Dr. Seara! Se lesse este blog sabia-o.

Eu só me pergunto: serão Sousa Martins (um tripeiro), Luis Sobral (um vergonhoso pseudo-jornalista na melhor linha de Tavares Teles), os únicos responsáveis por isto? Como permite o Benfica que uma televisão de Lisboa, em que 60 ou 70% dos jornalistas devem ser do Benfica, esteja controlada por portistas? Sim porque para além destes programas, que são os mais vistos pelos adeptos de futebol, tem ainda como comentador o ex-árbitro Pedro Henriques, com as suas "análises" coloridas que bem se conhecem e o site "mais futebol", onde Sobral e o seu anti-benfiquismo primário pontificam.

Há que estar mais atento. Não se pode permitir que o Benfica seja atacado desta forma semanalmente. É por estas e outras que ainda se fazem xistradas impunemente neste país.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Cruz dos Santos - especialista em arbitragem PORTUGUESA

Cruz dos Santos é, até ver, uma pessoa idónea, que, não temos razões para pensar de outra forma, diz o que pensa. Eu uso estas ressalvas porque pelo menos desde 2009 que as análises de Cruz dos Santos começaram a ser cada vez mais estranhas e curiosamente sempre desfavoráveis ao Benfica.

No nosso futebol falsificado, começa à segunda-feira o exercício "bater no Benfica". Foi com surpresa que ontem, depois da arbitragem xistremática de Coimbra, vi Dias da Cunha a tentar defender o Benfica. Tentar, porque Guilherme Aguiar não deixou. A partir do momento em que as imagens dos lances duvidosos começaram a passar, Aguiar começou a gritar cada vez mais alto, que não se via se era dentro ou fora, que o árbitro não podia ver, que o Nolito devia ser expulso por agarrar o árbitro...

Depois de levar dos árbitros no fim-de-semana, a partir de segunda começamos a levar dos comentadores. E isto pela simples razão de que são sempre dois contra um.

Durante a semana, o exercício continua. E dele faz parte Cruz dos Santos, um "especialista" em arbitragem e uma figura "insuspeita" ou não escrevesse ele n' "A Bola", "orgão oficial do Benfica" como não se cansam de dizer os seus colunistas Moreira e Sousa Tavares. Que aliás usam as suas crónicas para invariavelmente nos dar pancada...

Seja como for, é importante perceber como funcionam as coisas, quer dizer as análises à arbitragem.

Em primeiro lugar há uma triagem que é feita. Nesta triagem seleccionam-se os lances a analisar. Há uma primeira regra: QUALQUER lance em que exista a MÍNIMA HIPÓTESE do Benfica ter sido beneficiado, entra na selecção (e será escalpelizado ao pormenor). Depois há uma segunda regra: só os lances mais graves e evidentes em que o Benfica possa ter sido prejudicado são seleccionados.

(No jogo com a Académica há pelo menos 4 lances em que potencialmente fomos prejudicados e que são ignorados: a entrada brutal sobre Jardel (aceita-se o amarelo como se aceitava o vermelho por jogo violento), o fora de jogo de 3 metros de Marinho não assinalado (quando um de centimetros de Cardozo o foi) e dois possíveis penalties sobre Nolito.)

Mas cá em Portugal há a triagem de que falei. E feita esta triagem, passa-se à análise.

E então, explora-se o lado da análise do lance que nos é mais desfavorável.

Tome-se o lance de Maxi em Coimbra, o primeiro "penalty". Ponto um: estabelece-se que é falta. Ponto dois: é ou não dentro da área. E depois diz-se que o lance é "duvidoso", que o árbitro "não podia ter a certeza", que "dá a ideia que é dentro". E conclui-se que afinal não nos podemos queixar.

A questão é portanto colocada de forma capciosa e intencionalmente desonesta. A questão não é se a falta é dentro ou fora da área. A questão é se É OU NÃO PENALTY. Toda a gente sabe que há inúmeras faltas e faltinhas que são marcadas a meio campo ou contra os avançados que nunca o seriam se daí resultasse um penalty. Mas isto é tão evidente que eu nem deveria ter que o escrever. No entanto, onde a estupidez ou a desonestidade grassa, temos que constantemente estar a repor a verdade. O lance de Maxi NÃO É PENALTY. Ponto final. Admitia-se uma falta fora da área, embora existam dezenas de lances iguais durante os jogos não sancionados. O que não é, não pode ser nunca, é penalty.

Cruz dos Santos, o especialista, diz esta coisa espantosa, que Guilherme Aguiar também disse ontem: "nem a TV me conseguiu provar se o lance é fora ou dentro da área". Ora, se não conseguiu provar, porque se marca penalty? É que um penalty é, a par da expulsão, a decisão mais gravosa para uma equipa que um árbitro pode assinalar. Assume-se portanto que, em caso de dúvida, se prejudica o Benfica. Que Guilherme Aguiar exulte com esse preceito, compreende-se. Já Cruz dos Santos...

Depois temos o segundo "penalty". Aqui é evidente para todos que Garay joga apenas e só a bola e que depois há um contacto inevitável e o jogador da Académica cai. Aliás, o jogador da Académica de certa forma até se atira para a frente. Isto é de uma evidência absoluta.

Mas Cruz dos Santos não concorda. Para ele "no segundo penalty, o toque na bola não significa ausência de infracção e penso que ela existiu, em arrastamento de pé que provocou derrube do atacante."

Em primeiro lugar, isto é escrito num português muito pouco claro e até indigno de um "decano" do jornalismo. Mas se calhar corresponde ao desejado pois é tão confuso que, nas mentes simples, gera a nebulosa que importa agora criar para se branquear mais uma falsificação no futebol português.

Arrastamento de pé? O que é isso?

O que as imagens mostram é só isto: Garay toca na bola e só na bola. Normalmente diz-se que tem que tocar primeiro na bola. Neste caso, ele só toca mesmo na bola.

Introduzem-se assim novos conceitos, como o do "arrastamento de pé" que, note-se bem, "provocou o derrube". Ora um derrube não se provoca, um derrube faz-se.

O que dizem então as regras do futebol (em que Cruz dos Santos é suposto especialista) sobre livres directos?

Passo a citar:

Um pontapé-livre directo será concedido à equipa adversária do jogador que, no entender do árbitro cometa, por negligência, por imprudência ou por excesso de combatividade, uma das sete faltas seguintes:
  • dar ou tentar dar um pontapé num adversário;
  • passar ou tentar passar uma rasteira a um adversário;
  • saltar sobre um adversário;
  • carregar um adversário;
  • agredir ou tentar agredir um adversário;
  • empurrar um adversário.
  • entrar em tacle contra um adversário
Um pontapé livre directo será igualmente concedido à equipa adversária do jogador que cometa uma das três faltas seguintes:
  • agarrar um adversário;
  • cuspir sobre um adversário;
  • tocar deliberadamente a bola com as mãos (excepto o guarda-redes dentro da sua própria área de grande penalidade).
Ora como Garay não cuspui, não agrediu, não agarrou, não tocou com as mãos na bola, não fez tacle, não empurrou, não saltou sobre e não carregou o adversário, restam duas hipóteses. Pergunto então: Garay deu ou tentou dar um pontapé no adversário? Garay passou ou tentou passar uma rasteira ao adversário?

É evidente que não. Porquê então marcar penalty? E porquê falar num "arrastamento de pé" que "provocou o derrube"?

Cruz dos Santos não é, lamento dizê-lo, um perito em arbitragem. É um perito, isso sim, em arbitragens à portuguesa, que é uma coisa bem diferente.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Há 30 anos a fomentar ódio

Podia ser o lema do Porto de Pinto da Costa. Se é verdade que nenhum clube está isento de culpas em termos de episódios de violência ou de faltas de desportivismo, não o é menos que nunhum clube em Portugal tanto tem incitado ao ódio como o clube do Porto, liderado por Pinto da Costa.

Para a generalidade dos clubes, a violência e o ódio aos adversários são derivações ou degenerescências da paixão clubística. Algo que se tenta erradicar definitivamente, sabendo que sempre haverá manifestações episódicas, que cumpre reprimir e trabalhar para erradicar. Para o Porto porém é uma forma de estar na competição - embora seja precisamente o contrário da essência do desporto. Só assim conseguem fomentar em adeptos e jogadores o espírito de vitória a todo o custo que os caracteriza.

Vem isto a propósito dos comentadores do Porto, nomeadamente Guilherme Aguiar e Miguel Guedes nas suas últimas intervenções.

Aguiar, um homem poderoso no futebol que ainda por cima se move nos meandros da UEFA, tem vindo a usar do seu tempo de antena para defender uma pesa pesadíssima para Luisão. Ora, isto vem de um homem cujo clube ainda o ano passado teve um jogador (Belushi) a fazer igual ou pior, num jogo oficial, do campeonato. Que teve Kostadinov a fazer muito pior há uns anos. Que teve Baía, Pinto, Fernando Couto a fazerem 10 vezes pior do que fez Luisão! Que teve Hulk e Sapunaru a fazerem o que fizeram (Sapunaru reincidindo no ano seguinte). Que teve Deco a fazer o que fez - e Deco confessou já no Brasil que atirou a bota ao árbitro - e levou 3 jogos (depois reduzidos para dois).

Como é possível ser tão hipócrita como Guilherme Aguiar? Não ter vergonha disso e aparecer todas as semanas na televisão?

Depois há Miguel Guedes. No "I" de hoje, em resposta à pergunta sobre se o Benfica passará a fase de grupos da Champions, diz que se não passar "será uma calamidade" (o seu clube não passou no ano passado, sendo eliminado pelo Apoel), o que nem se percebe pois financeiramente o Benfica está agora desafogado, continuando por considerar que "a Administração estará confiante na rentabilidade a tempo inteiro de Aimar e Martins", como que agoirando lesões destes dois jogadores, e acabando com a torpe insinuação: (se Luisão não jogar) "o Benfica já demonstrou a sua confiança de sobra em Jardel, insistindo na sua contratação ao Olhanense entre jogos com o clube". Nem uma palavra de boa sorte ao Benfica.

É o mesmo que andou semana após semana a repetir, como o seu antecessor, sobre o qual já nem quero falar, que o Benfica era o clube do regime e continuanado a denegrir um árbitro morto e enterrado há anos.

Que baixeza, que velhacaria. Como é possível que esta gente não tenha vergonha de dizer em público, para milhões, estas coisas? A resposta é simples: para eles vale tudo. Só fomentam, entre os seus e entre os adversários, que naturalmente se indignam e revoltam com tais enormidades, raiva e ódio.

Aos comentadores do Benfica, certamente haverá também que apontar. No entanto o que não existe é um destilar constante de fel (como Guedes) ou de hipocrisia (como Aguiar). (Nesse aspecto, Serrão até é o menos criticável. Diz muitas coisas insultuosas, faz ataques às vezes quase alarves, mas não é torpe como os outros.)
Seara é claramente alguém que tenta ser imparcial (o que face ao fanatismo dos seus colegas, faz dele um mole na defesa do Benfica). Rui Gomes da Silva é provocador e truculento, não faz o meu estilo, mas ainda assim não se compara aos portistas. Gobern é tão ou tão pouco moderado que foi comentador, tendo-se apenas há poucos meses conhecido com certeza a sua preferência clubística.

Isto só para dizer que não somos todos iguais. Felizmente. Espero que possamos ser mais iguais - mas nunca por nos tornarmos como eles! Nesse dia o Benfica que eu conheço deixará de existir. Espero que sejamos mais iguais por aqueles que há 30 anos fomentam o ódio deixem de vez o futebol português, porventura pagando na justiça o muito que andaram fazendo.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Jogos Olímpicos - calendário dia 31, portugueses disputam vela

O dia de hoje é marcado pelas finais da natação, a partir das 19.40h. Phelps, que tem desiludido, mantém ainda assim intactas as possibilidades de bater o recorde de maior número de medalhas olímpicas conquistadas por um atleta.
Antes disso, às 16.00 h terão lugar as finais de judo nas categorias de 63 kg (F) e 81 kg (M).
Em relação aos portugueses decorrem neste momento regatas (transmissão RTP 2 e RTP Informação) que se prolongam até às 14.00h. Espera-se que os resultados sejam melhores do que os de ontem. Gustavo Lima e Sara Carmo serão alguns dos velejadores em prova. Para além da vela, Telma Santos completa o quadro de participações portuguesas no dia de hoje, participando nas eliminatórias de badmington, depois de Sara Oliveira ter sido eliminada esta manhã na natação (200 m mariposa).
Ver também calendário completo.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Jogos Olímpicos - calendário e participação portuguesa

É já depois de amanhã, sexta-feira dia 27 que começam oficialmente os Jogos Olímpicos de Londres, com a cerimónia de abertura a ter lugar às 21h00. A cerimónia é inspirada em Shakespeare e contará com um sino gigante (27 toneladas, alegadamente o maior da Europa) encomendado para o efeito. A direcção artística será de Danny Boyle, autor de "Slumdog Millionaire" ("Quem quer ser bilionário"), "Trainspotting" e "127 horas". O autor das bandas sonoras destes filmes, nomeadamente da famosa música de "Slumdog" dirigirá a parte musical da cerimónia. Paul Maccartney deverá atuar no fim e fala-se também em alguma alusão a Harry Potter.

No entanto, curiosamente, o futebol (versão feminina) começa já hoje, às 16h00.

Os direitos de transmissão televisiva para Portugal foram adquiridos pela RTP e pelo Eurosport. Ambos farão uma cobertura extensiva dos eventos, incluindo já os de hoje.
A RTP dividirá as transmissões pela RTP Informação, RTP 2 (que terá o grosso da programação) e ainda um canal de cabo criado exclusivamente para o evento, a RTP Olímpicos HD. Esta última, tal como o Eurosport começam as suas transmissões já hoje. A cerimónia de abertura será transmitida na RTP 1 e no Europort.

Portugal parte com poucas expectativas para estes jogos, até porque Nélson Évora e Naide Gomes se lesionaram e não estarão presentes. As nossas maiores esperanças residem em Telma Monteiro (a porta estandarte da nossa equipa olímpica) no Judo, mas também na vela (o já veterano Gustavo Lima) e na canoagem, assim como no atletismo, onde temos Marco Fortes, Sara Moreira e as maratonistas.

Para um calendário dos eventos em todas as modalidades podem consultar o site online 24 (versão para download disponível) que tem ainda informação adicional sobre os nossos atletas:

http://www.online24.pt/calendario-dos-jogos-olimpicos-2012/

Um outro site com muitas informações sobre os Jogos Olímpicos é o quadro de medalhas:

http://www.quadrodemedalhas.com/olimpiadas/jogos-olimpicos-londres-2012/index.htm

Naturalmente há também o site oficial:

http://www.london2012.com/

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Glasgow Rangers desaparece do futebol profissional


Imagem retirada do blog ebsoccer.com

Uma notícia que passou relativamente despercebida - o histórico Glasgow Rangers foi banido do futebol profissional escocês. É uma notícia chocante: o Glasgow, juntamente com o Celtic foram desde sempre os clubes hegemónicos do futebol escocês. Ora vencia um, ora vencia o outro, com vantagem para o primeiro no cômputo geral de campeonatos. A rivalidade entre estes dois clubes é aliás das maiores do futebol mundial: o Glasgow é o clube dos protestantes escoceses, que estão igualmente mais próximos da Inglaterra em termos políticos e sociais, e o Celtic o dos católicos, muito ligados à Irlanda.
A notícia da descida do Glasgow à quarta divisão, por não ter capacidade de saldar as suas dívidas, só pode assim ser vista como um sinal de que o futebol (não apenas o escocês) atravessa uma gravíssima crise.
Basta ver como o mercado está parado para o perceber. Há muitas declarações de interesses de clubes em determinados jogadores (fala-se de Hulk, Moutinho, Modric, Cardozo, Gaitan) mas nada ainda se concretizou. A razão é óbvia: não há dinheiro.

Em Portugal os sinais de que a situação é de enorme gravidade são muitos. Já aqui falei do Sporting e da situação quase desesperada em que podem estar as suas finanças. Isso mesmo vem aliás dizer Carlos Barbosa. O Porto vai aparentemente fechar a sua secção de basquetebol e teve salários em atraso no hóquei em patins. Há inúmeros clubes da 1ª Liga que não têm as suas situações regularizadas e poderão fechar portas ainda este ano (como aconteceu já com o Leiria no fim da época passada). Os clubes da Madeira estão na situação em que estão, tendo sobrevivido no curto prazo apenas graças à contribuição do Governo Regional.
Em relação ao Benfica, a situação não será muito diferente dos principais rivais, embora eu acredite que seja melhor, sobretudo no sentido de gerar receitas, que é algo que os credores e as instituições de crédito valorizam. Creio que precisa no entanto de vender jogadores para gerar receitas extraordinárias para fazer face ao orçamento deste ano.
Insisto porém que a situação do Sporting será a mais aguda entre os grandes, precisamente pela manifesta incapacidade de gerar receitas ao nível do Porto e muito menos ainda do Benfica. A venda de João Pereira (com todos os seus defeitos e limitações não deixa de ser um internacional português), se calhar mais do que um atestado de incompetência, é consequência de uma necessidade inadiável de gerar receitas de tesouraria para fazer face a encargos inadiáveis.

A agravar este estado de coisas, aparentemente os canais generalistas não vão comprar os direitos das transmissões do campeonato 2012-2013.

Prevejo o pior para esta época futebolística.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Euro 2012 - Pontapé de saída

Começa hoje, na cidade de Varsóvia o Euro 2012. 16 equipas partem para a competição com ambições mais ou menos realistas. Para além do lote de favoritos (os principais, Espanha, Alemanha e Holanda e os outros França, Itália, Portugal e a própria Inglaterra) há que contar com a Rússia e as próprias selecções anfitriãs, Polónia e Ucrânia. Embora as probabilidades destas últimas estarem na final não seja elevada, há que contar com o factor casa (que se aplica de certo modo à própria Rússia), pelo que não será surpreendente se uma delas estiver nas meias finais.
O Euro começa precisamente com a Polónia a receber a Grécia (Grupo A), treinada por Fernando Santos. Desta selecção há a salientar a excelente fase de qualificação, a experiência do treinador português, o facto de ter vencido a competição há 8 anos e ainda o factor crise - o desejo de dar tudo pelo seu país para animar os compatriotas. A favor da Polónia joga o factor casa, sendo de resto uma selecção relativamente desconhecida... até dos gregos. O jogo é às 17.00h, com a transmissão RTP a começar às 16.30h. Às 19.45h jogam a Rússia e a República Checa (também do Grupo A) sem direito a transmissão televisiva em canal aberto.

O ser humano é naturalmente atraído pelo desejo de conhecer o futuro. As múltiplas previsões, desde as casas de apostas até às estranhas rábulas com animais (polvos, elefantes e até porcos) que se fazem por estes dias atestam, embora de forma um pouco degradada, essa aspiração, que data já da antiguidade. Na altura questionavam-se os deuses e as pitonisas, perscrutravam-se os céus e os astros, interpretavam-se sonhos e visões. O desejo de conhecer o futuro levou mesmo a indagações filosóficas, desde Aristóteles até aos filósofos modernos, passando pelos medievais que elaboraram uma doutrina dos "futuros contingentes". Apesar de todos os progressos da ciência e da quantidade de informação sobre o mundo material que ela possui, determinar o futuro persiste uma tarefa impossível.

Há sempre o imponderável. No futebol o imponderável é a sorte, a decisão do árbitro, um acto irreflectido ou negligente de um jogador que deita tudo a perder para a sua equipa. Por isso qualquer previsão é simultaneamente válida e irrealista. Sabemos a sua inutilidade, a sua irrelevância mas não deixamos de as fazer. Aliás, ao pé da crise, dos problemas, das grandes questões que se colocam à humanidade, o que é o futebol? A resposta mais simples é: uma diversão, algumas horas de prazer lúdico, de descontração. O jogo, a diversão são factores relevantes das nossas vidas. As "previsões" enquadram-se nesse âmbito.

Venha então o Euro e, para quem gosta, as previsões. Os resultados da sondagem deste blog (na barra direita) serão objecto de um post e no fim veremos em que medida eu próprio (que seleccionei o lote de favoritos) e os participantes estávamos perto ou longe do que virá a acontecer.

A bola começa a rolar dentro de menos de duas horas.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Euro 2012 - calendário de transmissões televisivas (completo à data).


CALENDÁRIO COMPLETO DE TRANSMISSÕES TELEVISIVAS EM CANAL ABERTO:


Data       Fase             Visitado                    Visitante            Canal
 8/6       Grupo A         Polónia      17.00h      Grécia             RTP1
 9/6       Grupo B       Alemanha    19.45h     Portugal           RTP1
10/6      Grupo C        Espanha     17.00h       Itália                SIC
11/6      Grupo D         França       17.00h     Inglaterra          TVI
12/6      Grupo A         Polónia      19.45h       Rússia            SIC
13/6      Grupo B       Dinamarca  17.00h      Portugal           SIC
14/6      Grupo C        Espanha    19.45h       Irlanda             TVI
15/6      Grupo D         Suécia      19.45h      Inglaterra         RTP1
16/6      Grupo A       R. Checa    19.45h       Polónia            TVI
17/6      Grupo B       Portugal      19.45h      Holanda            TVI
18/6      Grupo C          Itália         19.45h       Irlanda            RTP1
19/6      Grupo D         Suécia      19.45h       França             SIC
21/6         QF                 1A          19.45h          2B                    *
22/6         QF                 2A          19.45h          1B                    *
23/6         QF                 1C         19.45h          2D                    *
24/6         QF                 2C         19.45h          1D                    *
27/8         MF                 V1          19.45h          V3                   **

28/6         MF                 V2          19.45h          V4                   **
 1/7           F                                 19.45h                               RTP1

* RTP transmite dois jogos dos quartos de final, incluindo o de Portugal, se chegarmos a esta fase. TVI e SIC transmitem um cada.

**SIC transmite uma meia final, a de Portugal se chegarmos a esta fase, a TVI a outra.

A Sporttv transmite todos os jogos do Euro.

Veja também os outros posts sobre o Euro 2012 e vote na sondagem!