«A mim e ao Jorge quiseram-nos atacar lá do sul, arranjando-nos problemas, inclusive com os tribunais. Mas nós resistimos de forma solidária, e se a nossa amizade era grande, ficou ainda maior».
A declaração é de Valentim Loureiro e o "Jorge" é Pinto da Costa.
O País, infelizmente, é Portugal.
Aquilo de que o quiseram "atacar" foram actos de corrupção e adulteração ou falsificação de resultados. Em relação a Pinto da Costa, para além de corrupção, deveriam também ter existido uma série de outras acusações, nomeadamente agressões encomendadas e fomento de prostituição (a fruta), entre outros espisódios lamentáveis e situações mal explicadas das últimas décadas.
Pinto da Costa chegou na altura do Apito Dourado ao Tribunal "escoltado" por rufias da Ribeira e da claque do Porto. Foi a primeira e mais visível manifestação de um poder ilegal paralelo ao Estado e às suas instituições legítimas (polícias, segurança e tribunais, justiça). No Porto pelos vistos, um grupo de indivíduos permitia-se fazer segurança privada e não se coibia sequer de, um ar intimidatório e ameaçador ir até à porta das instalações da polícia e dos tribunais.
Ao mesmo tempo, Valentim era preso. Seguidamente, Pinto da Costa fugia para Espanha, avisado pela própria judiciária de que havia um mandato para o deter. Era mais uma manifestação do Estado dentro do Estado.
O Boavista foi condenado e desceu de divisão. Valentim passou entre os pingos da chuva. Nunca contestou a legitimidade da sua prisão e das acusações. Limitou-se a estar calado (como Pinto da Costa) e "resistir", mantendo-se "solidário" com Pinto da Costa. Lado a lado, resistiram e tudo passou, devagarinho e de fininho, com a intervenção dos advogados e juízes do Porto, amigos e compadres de Costa e dos outros Pintos (Lourenço e Pinto de Sousa).
Mas o Boavista desceu mesmo e o Porto, ainda que "ilibado" por um argumento formal pela justiça da República, de uma alegada ilegitimidade das escutas (que não deixam dúvidas a ninguém), foi condenado pela justiça desportiva, graças a um "justiceiro", que se recusou a que a total impunidade imperasse. Pinto da Costa e o Porto foram condenados (ainda que a penas irrisórias). O Porto não recorreu, porque se sabia culpado e estava satisfeito com a irrelevância da pena. Já tinha caído o peão - o Boavista - protegendo o "Papa".
Ainda assim, Valentim considera que saiu vitorioso da situação. Afinal de contas, num país normal teria sido condenado. Assim foi só o Boavista que desceu. Mas agora até parece que a decisão foi impugnada pelos tribunais civis...
Para cúmulo dos cúmulos, o ex-vice de Valentim na Câmara de Gondomar, "condenado no processo principal do Apito Dourado a uma pena de três anos de prisão, suspensa pelo mesmo período, por dez crimes de corrupção desportiva activa e 25 crimes de abuso de poder" é (hoje, em Dezembro de 2012) coordenador autárquico do PSD e foi mesmo já falado para possível candidato à Presidência da Câmara de Gondomar. Valentim desvaloriza o "processozito lá do apito".
No meio de tudo isto, Rui Gomes da Silva é suspenso por um ano, por dizer a verdade que está à frente da vista de toda a gente.
Já dizia Eça de Queiróz: "isto é uma choldra torpe. Nunca houve uma choldra assim no universo".
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Importante actualização sobre atropelamento mortal
O futebol (?) português continua a ser manchado pela violência impune e criminosa.
E há um dado novo (pelo menos para mim e que não vi destacado na imprensa) sobre o atropelamento do adepto do Braga.
Há informações de testemunhas segundo as quais o "acidente" aconteceu após a paragem do autocarro da claque portista na via rápida:
"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
Desmentindo ter feito qualquer emboscada, a claque Red Boys (à qual pertencia João Mico), através do líder, Carlos Cerqueira, diz ter sido informada de que o veículo que transportava adeptos do FC Porto terá chegado a Braga “sem qualquer escolta policial”. “Queremos saber também por que parou na via rápida”, declarou."
Perante isto, como classificar a intervenção de um dirigente do Braga, sentado ao lado de Peseiro na conferência de imprensa, ao garantir que o atropelamento fatal de um adepto bracarense "nada tinha a ver com claques ou com o FCP"??
E já agora, onde pára a polícia? Onde pára a Justiça?
Até já há mortes - mas continua a não se passar nada
O jogo de sexta em Braga ficou marcado pela tragédia.
O que se passou não terá sido muito diferente do que a claque do Porto fez em muitos outros locais do país. Nem sequer isso é segredo, não se coibindo o líder daquela claque de publicar em livro tais façanhas.
Desta vez porém as consequências foram fatais. Um adeptos que fugia da claque em fúria foi atropelado e morreu.
Não sabemos o que se passou antes. Existem relatos que falam de apedrejamentos ao autocarro do Porto. De acordo com alguns a vítima poderia ter participado neles, de acordo com outros nada teve que ver e ia sozinho em direcção ao estádio quando começou a ser perseguido pelo bando de marginais.
A noite foi, de acordo com inúmeros relatos, de violência e terror: apedrejamentos, combates de bandos, um atropelamento fatal, dezenas de disparos de shotgun por parte da polícia e um verdadeiro caos vivido em várias zonas da cidade de Braga.
O que dizer sobre isto? Pelos vistos, para além de Rui Santos, de uma ou outra notícia muito a medo na imprensa, sobretudo n' "A Bola" e dos próprios habitantes do bairro das Andorinhas (palco principal dos confrontos) que viveram uma noite de terror, ninguém parece muito preocupado com o assunto.
E porque haveria de estar? Não vem isto acontecendo há anos (há décadas!) sem que ninguém tome medidas?
Não foi mesmo permitido, como atrás se refere, ao líder do mais activo bando de delinquentes do País, vangloriar-se de tais despautérios?
Como já tenho referido, a violência das claques é um problema que afecta todos os clubes e em relação à qual são necessárias medidas enérgicas. Ninguém está inocente nesta matéria. Infelizmente porém a impunidade é a regra neste País, sobretudo para o que se passa no Porto, onde para além disso existe uma grande promiscuidade entre clube e claques.
Impunidade que começa pela situação de um presidente que deveria, ao invés de se passear com meninas que têm idade para ser suas netas, estar atras das grades na companhia de Vale e Azevedo. Para além dos crimes de corrupção e promoção da prostituição, Pinto da Costa inúmeras vezes incitou ao ódio e violência. Outras tantas se utilizou das claques e de outros grupelhos criminosos para intimidar ou agredir quem se atrevia a fazer-lhe frente.
Sexta-feira já houve uma morte. Temo porém que ainda não tenha chegado para que alguns percebam o que se vem passando. Estou certo de que nada mudará - a não ser para a vítima e para a sua família. Esses ficaram com a vida estragada. Mas Pinto da Costa e os seus sequazes continuam a dormir descansados.
Adenda: testemunhas dizem que o "acidente" aconteceu após a paragem do autocarro da claque portista na via rápida.
"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
O que se passou não terá sido muito diferente do que a claque do Porto fez em muitos outros locais do país. Nem sequer isso é segredo, não se coibindo o líder daquela claque de publicar em livro tais façanhas.
Desta vez porém as consequências foram fatais. Um adeptos que fugia da claque em fúria foi atropelado e morreu.
Não sabemos o que se passou antes. Existem relatos que falam de apedrejamentos ao autocarro do Porto. De acordo com alguns a vítima poderia ter participado neles, de acordo com outros nada teve que ver e ia sozinho em direcção ao estádio quando começou a ser perseguido pelo bando de marginais.
A noite foi, de acordo com inúmeros relatos, de violência e terror: apedrejamentos, combates de bandos, um atropelamento fatal, dezenas de disparos de shotgun por parte da polícia e um verdadeiro caos vivido em várias zonas da cidade de Braga.
O que dizer sobre isto? Pelos vistos, para além de Rui Santos, de uma ou outra notícia muito a medo na imprensa, sobretudo n' "A Bola" e dos próprios habitantes do bairro das Andorinhas (palco principal dos confrontos) que viveram uma noite de terror, ninguém parece muito preocupado com o assunto.
E porque haveria de estar? Não vem isto acontecendo há anos (há décadas!) sem que ninguém tome medidas?
Não foi mesmo permitido, como atrás se refere, ao líder do mais activo bando de delinquentes do País, vangloriar-se de tais despautérios?
Como já tenho referido, a violência das claques é um problema que afecta todos os clubes e em relação à qual são necessárias medidas enérgicas. Ninguém está inocente nesta matéria. Infelizmente porém a impunidade é a regra neste País, sobretudo para o que se passa no Porto, onde para além disso existe uma grande promiscuidade entre clube e claques.
Impunidade que começa pela situação de um presidente que deveria, ao invés de se passear com meninas que têm idade para ser suas netas, estar atras das grades na companhia de Vale e Azevedo. Para além dos crimes de corrupção e promoção da prostituição, Pinto da Costa inúmeras vezes incitou ao ódio e violência. Outras tantas se utilizou das claques e de outros grupelhos criminosos para intimidar ou agredir quem se atrevia a fazer-lhe frente.
Sexta-feira já houve uma morte. Temo porém que ainda não tenha chegado para que alguns percebam o que se vem passando. Estou certo de que nada mudará - a não ser para a vítima e para a sua família. Esses ficaram com a vida estragada. Mas Pinto da Costa e os seus sequazes continuam a dormir descansados.
Adenda: testemunhas dizem que o "acidente" aconteceu após a paragem do autocarro da claque portista na via rápida.
"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
Desmentindo ter feito qualquer emboscada, a claque Red Boys (à qual pertencia João Mico), através do líder, Carlos Cerqueira, diz ter sido informada de que o veículo que transportava adeptos do FC Porto terá chegado a Braga “sem qualquer escolta policial”. “Queremos saber também por que parou na via rápida”, declarou."
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Da atitude do Braga
Disse Artur, no final do jogo de Braga no ano passado, em que faltou a luz por três vezes e Proença viu uma mão de Emerson na área mas não viu um agarrão a Luisão dentro da área do Braga e, numa agressão à cotovelada de Djamal a Gaitan, só viu razão para amarelo, disse Artur no fim desse jogo que "quando o Benfica aqui joga acontecem sempre coisas do outro mundo".
Já quando o Porto joga em Braga, não acontecem nenhumas coisas do outro mundo. Pelo contrário só acontecem coisas bem deste mundo, deste nosso mundo do futebol português: previsíveis e risíveis.
O ano passado deu-se o apagão da equipa do Braga (na altura dizia-se até que Leonardo Jardim estava apalavrado para ser o futuro treinador do Porto). Neste ano deu-se o apagão dos seus dirigentes.
Após um jogo em que nem o árbitro (o tal Xistra que em Coimbra via penalties de cada vez que a Académica se aproximava da área do Benfica - no primeiro, o jogador nem precisou de lá entrar...), nem o fiscal de linha viram um penalty do tamanho da pedreira, em que houve confrontos entre adeptos (e também com a polícia) e lançamento de inúmeros petardos por parte da claque visitantes, Salvador, sempre tão cioso da defesa do seu clube estava desaparecido em parte incerta.
É curioso o que vem acontecendo em Braga de há uns anos para cá. Uma cidade hospitaleira e pacífica tornou-se de um momento para o outro de uma hostilidade violenta para com o Benfica e os seus apoiantes. Primeiro foram as agressões cobardes (pelas costas) a Cardozo e até a Raúl José, que ali tinha sido treinador adjunto com Jesus.
Depois foram as agressões, físicas e verbais, de Alan a Javi Garcia que, naturalmente, viria a ser expulso num dos jogos. Pelo meio houve speakers furiosos a berrar durante os jogos, casos de apagões, casos de arbitragens, alegados insultos ao Presidente LFV e ainda casos de agressões, em pleno centro da cidade, a adeptos benfiquistas que pacificamente festejavam a conquista do único título dos últimos anos.
O que fizeram os benfiquistas (tão numerosos em Braga) para merecer este tratamento é algo que permanece por explicar.
Já com o Porto - neste momento bicampeão e até vencedor sobre o Braga de uma final europeia - tudo se parece passar na maior das tranquilidades. E assim foi mais uma vez, pelo menos para os dirigentes do Braga. E os jogadores.
Não consta que Rúben Micael, Hugo Viana (apesar de um bate boca com Vítor Pereira), Mossoró ou Alan tenham agredido ou acusado de racismo ou de qualquer outra falta de carácter nenhum jogador do Porto.
Mais do que isso - e mais surpreendente - é de assinalar que nem de nenhum deles se ouviu qualquer indignação pelo penalty não assinalado. Nem Douglão, que lamentou a falta de sorte, se referiu (que eu tenha ouvido) ao lance.
E do presidente já falei. António Salvador, que na semana anterior se referira ao golo anulado à sua equipa, desta vez ficou mudo e quedo. Eu imagino o que seria se isto se passasse com o Benfica. Mas não passa - não neste mundo. Em três jogos com os grandes, o Braga foi prejudicado em dois e beneficiado num. Advinhem com quem.
Assim se passam as coisas neste mundo.
O ano passado deu-se o apagão da equipa do Braga (na altura dizia-se até que Leonardo Jardim estava apalavrado para ser o futuro treinador do Porto). Neste ano deu-se o apagão dos seus dirigentes.
Após um jogo em que nem o árbitro (o tal Xistra que em Coimbra via penalties de cada vez que a Académica se aproximava da área do Benfica - no primeiro, o jogador nem precisou de lá entrar...), nem o fiscal de linha viram um penalty do tamanho da pedreira, em que houve confrontos entre adeptos (e também com a polícia) e lançamento de inúmeros petardos por parte da claque visitantes, Salvador, sempre tão cioso da defesa do seu clube estava desaparecido em parte incerta.
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É curioso o que vem acontecendo em Braga de há uns anos para cá. Uma cidade hospitaleira e pacífica tornou-se de um momento para o outro de uma hostilidade violenta para com o Benfica e os seus apoiantes. Primeiro foram as agressões cobardes (pelas costas) a Cardozo e até a Raúl José, que ali tinha sido treinador adjunto com Jesus.
Depois foram as agressões, físicas e verbais, de Alan a Javi Garcia que, naturalmente, viria a ser expulso num dos jogos. Pelo meio houve speakers furiosos a berrar durante os jogos, casos de apagões, casos de arbitragens, alegados insultos ao Presidente LFV e ainda casos de agressões, em pleno centro da cidade, a adeptos benfiquistas que pacificamente festejavam a conquista do único título dos últimos anos.
O que fizeram os benfiquistas (tão numerosos em Braga) para merecer este tratamento é algo que permanece por explicar.
Já com o Porto - neste momento bicampeão e até vencedor sobre o Braga de uma final europeia - tudo se parece passar na maior das tranquilidades. E assim foi mais uma vez, pelo menos para os dirigentes do Braga. E os jogadores.
Não consta que Rúben Micael, Hugo Viana (apesar de um bate boca com Vítor Pereira), Mossoró ou Alan tenham agredido ou acusado de racismo ou de qualquer outra falta de carácter nenhum jogador do Porto.
Mais do que isso - e mais surpreendente - é de assinalar que nem de nenhum deles se ouviu qualquer indignação pelo penalty não assinalado. Nem Douglão, que lamentou a falta de sorte, se referiu (que eu tenha ouvido) ao lance.
E do presidente já falei. António Salvador, que na semana anterior se referira ao golo anulado à sua equipa, desta vez ficou mudo e quedo. Eu imagino o que seria se isto se passasse com o Benfica. Mas não passa - não neste mundo. Em três jogos com os grandes, o Braga foi prejudicado em dois e beneficiado num. Advinhem com quem.
Assim se passam as coisas neste mundo.
Crime no Porto
Nunca é demais recordar que Rui Moreira,que abandonou um programa em directo por não aceitar "autos de fé" (a leitura de escutas do apito dourado), colocou, quando ainda estava no "Trio d' Ataque", Lisboa no seu "fundo", chamando à capital do País "Palermo".
Rui Moreira, convém também não esquecer, não é o líder dos superdragões. É alguém com altas responsabilidades que pensou até ser candidato à Presidência da Câmara (mas não teve apoios).
Convém por fim recordar que este discurso se alimenta de e legitima um outro, que é o de classificar a população portuguesa de Lisboa e do sul em geral como "mouros", que seriam assim uma espécie de sub-humanos. Este discurso, para além de divisionista e racista (e aparentemente ninguém se preocupa com isto neste País), incita à violência, pois gera a ideia de que os outros, os "mouros", são de uma sub-raça que é legítimo insultar, agredir, roubar e espancar.
Pois bem, acontece que foi no Porto que os juízes criaram um invólucro, uma espécie de bola de cristal à volta de Pinto da Costa que lhe permitiu furtar-se (a si e ao seu clube) à justiça.
Acontece que só por razões formais Pinto da Costa não foi condenado por corrupção.
Acontece que só através de um ambiente de intimidação, de impunidade (Carolina Salgado até foi agredida à porta do Tribunal do Porto) e de compadrio com juízes é que Pinto da Costa conseguiu fugir à justiça. Só num sistema de troca de favores e compadrios se aceita que uma visita de um árbitro a casa de um dirigente, durante a noite da véspera de um jogo, com uma testemunha a dizer que lhe entregou um envelope de dinheiro ao árbitro, passe incólume, descredibilizando-se a testemunha e acreditando-se na palavra dos acusados, engolindo-se a versão de que a visita serviu apenas "para falar do pai do árbitro".
Isto não aconteceu em Lisboa, aconteceu no Porto.
Como foi no Porto que houve um caso chamado "noite branca", do gang da Ribeira. Não apenas o caso, que meteu inúmeras "esperas", agressões, tiroteios e mesmo mortes foi no Porto, como teve ligações a Fernando Madureira, líder da claque do clube e convidado do presidente do clube da noite de Natal.
Em Lisboa, os jogadores do Porto passeiam no Parque Eduardo VII nas vésperas de jogos importantes. No Porto, os jogadores do Benfica são recebidos à pedrada, só por milagre não tendo há dois anos acontecido uma tragédia com Pablo Aimar.
Mas para cúmulo do azar de quem quer chamar a Lisboa, capital histórica de um Império Mundial, que ia do Brasil a Timor, de Palermo, acontece que foi agora no Porto (notícias de hoje dos jornais) que:
- Inspectora da PJ do Porto mata avó do marido com 14 tiros;
- Chefe da PSP do Porto garantia impunidade do tráfico de droga.
E estes casos juntam-se a um outro, de que não quero falar muito por respeito para com a família do falecido, porque quase nada sei e porque se diz que foi suícidio, de uma morte no Estádio do dragão.
Nada tenho contra o Porto cidade. Infelizmente há problemas e criminalidade em todas as grandes cidades. Mas não posso aceitar que se chame de Palermo à capital do meu País. Há limites para tudo, apesar de alguns julgarem que tudo vale para ganhar.
Rui Moreira, convém também não esquecer, não é o líder dos superdragões. É alguém com altas responsabilidades que pensou até ser candidato à Presidência da Câmara (mas não teve apoios).
Convém por fim recordar que este discurso se alimenta de e legitima um outro, que é o de classificar a população portuguesa de Lisboa e do sul em geral como "mouros", que seriam assim uma espécie de sub-humanos. Este discurso, para além de divisionista e racista (e aparentemente ninguém se preocupa com isto neste País), incita à violência, pois gera a ideia de que os outros, os "mouros", são de uma sub-raça que é legítimo insultar, agredir, roubar e espancar.
Pois bem, acontece que foi no Porto que os juízes criaram um invólucro, uma espécie de bola de cristal à volta de Pinto da Costa que lhe permitiu furtar-se (a si e ao seu clube) à justiça.
Acontece que só por razões formais Pinto da Costa não foi condenado por corrupção.
Acontece que só através de um ambiente de intimidação, de impunidade (Carolina Salgado até foi agredida à porta do Tribunal do Porto) e de compadrio com juízes é que Pinto da Costa conseguiu fugir à justiça. Só num sistema de troca de favores e compadrios se aceita que uma visita de um árbitro a casa de um dirigente, durante a noite da véspera de um jogo, com uma testemunha a dizer que lhe entregou um envelope de dinheiro ao árbitro, passe incólume, descredibilizando-se a testemunha e acreditando-se na palavra dos acusados, engolindo-se a versão de que a visita serviu apenas "para falar do pai do árbitro".
Isto não aconteceu em Lisboa, aconteceu no Porto.
Como foi no Porto que houve um caso chamado "noite branca", do gang da Ribeira. Não apenas o caso, que meteu inúmeras "esperas", agressões, tiroteios e mesmo mortes foi no Porto, como teve ligações a Fernando Madureira, líder da claque do clube e convidado do presidente do clube da noite de Natal.
Em Lisboa, os jogadores do Porto passeiam no Parque Eduardo VII nas vésperas de jogos importantes. No Porto, os jogadores do Benfica são recebidos à pedrada, só por milagre não tendo há dois anos acontecido uma tragédia com Pablo Aimar.
Mas para cúmulo do azar de quem quer chamar a Lisboa, capital histórica de um Império Mundial, que ia do Brasil a Timor, de Palermo, acontece que foi agora no Porto (notícias de hoje dos jornais) que:
- Inspectora da PJ do Porto mata avó do marido com 14 tiros;
- Chefe da PSP do Porto garantia impunidade do tráfico de droga.
E estes casos juntam-se a um outro, de que não quero falar muito por respeito para com a família do falecido, porque quase nada sei e porque se diz que foi suícidio, de uma morte no Estádio do dragão.
Nada tenho contra o Porto cidade. Infelizmente há problemas e criminalidade em todas as grandes cidades. Mas não posso aceitar que se chame de Palermo à capital do meu País. Há limites para tudo, apesar de alguns julgarem que tudo vale para ganhar.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Faz hoje um ano
Há exactamente um ano atrás, dia 26 de Novembro de 2011, os adeptos do Sporting provocaram um incêndio de grandes proporções no Estádio da Luz, tendo posteriormente agredido os bombeiros que o tentavam extinguir.
Faz hoje um ano.
Depois disso, Vieira foi castigado, Aimar foi castigado, Jorge Jesus foi castigado. Pereira Cristovão depositou um cheque na conta de um árbitro, demitiu-se, des-demitiu-se, voltou-se a demitir e o seu processo foi arquivado pelo Conselho de Disciplina.
Faz hoje um ano que tentaram deitar fogo ao Estádio da Luz. Até hoje nada aconteceu.
O Conselho de Disciplina ainda não agiu e os tribunais também não.
Todos os outros se podem ter esquecido desta triste data. Nós aqui não.
Faz hoje um ano.
Depois disso, Vieira foi castigado, Aimar foi castigado, Jorge Jesus foi castigado. Pereira Cristovão depositou um cheque na conta de um árbitro, demitiu-se, des-demitiu-se, voltou-se a demitir e o seu processo foi arquivado pelo Conselho de Disciplina.
Faz hoje um ano que tentaram deitar fogo ao Estádio da Luz. Até hoje nada aconteceu.
O Conselho de Disciplina ainda não agiu e os tribunais também não.
Todos os outros se podem ter esquecido desta triste data. Nós aqui não.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Sol confirma - o vídeo com tudo o que aconteceu
Dissemos aqui ontem que tínhamos obtido informações relativas à participação das claques na selvageria que assolou as portas da Assembleia da República (orgão mais representativo do sistema democrático) na passada quarta-feira.
Pois o "Sol" de hoje faz "manchete" com essa mesma notícia.
No site do jornal aparece ainda o vídeo mais completo de toda a violência com muitas imagens inéditas que detalham tudo o que se passou e que nós aqui incluimos.
A favor ou contra o Governo, a troika, a austeridade e a crise, não podemos deixar que se faça isto ao nosso País.
É a mesma violência absurda e gratuita que já vi demasiadas vezes no futebol. É a mesma raiva e ódio a que infelizmente já presenciei. Na raiz está a mesma irracionalidade e violência que preside ao insulto fácil, ao lançamento de petardos, à intimidação, à coação. Não deixem de ver e meditar.
Pois o "Sol" de hoje faz "manchete" com essa mesma notícia.
No site do jornal aparece ainda o vídeo mais completo de toda a violência com muitas imagens inéditas que detalham tudo o que se passou e que nós aqui incluimos.
A favor ou contra o Governo, a troika, a austeridade e a crise, não podemos deixar que se faça isto ao nosso País.
É a mesma violência absurda e gratuita que já vi demasiadas vezes no futebol. É a mesma raiva e ódio a que infelizmente já presenciei. Na raiz está a mesma irracionalidade e violência que preside ao insulto fácil, ao lançamento de petardos, à intimidação, à coação. Não deixem de ver e meditar.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Claques por trás dos distúrbios de ontem?
Soubemos que pessoas que estiveram ontem em São Bento suspeitam que alguns dos elementos mais violentos e marginais claques de futebol tenham estado por detrás dos distúrbios de ontem, promovendo o vandalismo e a destruição de bens que pertencem a todos nós. (Quem vai arranjar? Quem vai limpar? Quem vai pagar os estragos?).
Não apenas os petardos mas alguns cânticos e mesmo métodos de atuação poderiam ser indicativos disso mesmo. Veremos nos próximos dias se há ou não verdade nisto.
A propósito, até quando se permitirá a entrada no Estádio da Luz de petardos? Será preciso mesmo sermos castigados pela UEFA para isto parar?
Não apenas os petardos mas alguns cânticos e mesmo métodos de atuação poderiam ser indicativos disso mesmo. Veremos nos próximos dias se há ou não verdade nisto.
A propósito, até quando se permitirá a entrada no Estádio da Luz de petardos? Será preciso mesmo sermos castigados pela UEFA para isto parar?
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Injustiça Portuguesa
Folheava hoje um jornal quando me deparei com esta notícia:
Oito anos de cadeia por tentar matar a mulher.
E lembrei-me de Vale e Azevedo.
É um caloteiro? Certamente. Mentiroso compulsivo? Certamente. Prejudicou muito o Benfica? Sem dúvida.
Mas que se saiba não matou nem tentou matar ninguém. Como é então possível ter uma pena superior a homicidas? Como é possível que indivíduos violentos (outra notícia de ontem), com amplo cadastro, que ameaçam de morte pessoas pacíficas, sejam mantidos em liberdade até voltarem a matar?
E depois deste pensamento me vir à mente, li este excelente post: Cores diferentes, justiças diferentes.
Realmente há uma outra personagem corrupta da nossa vida pública que passa com toda a impunidade por processos vários, que incluem mesmo violência e agressões e relações pouco claras com associações criminosas.
Aí já nenhuma prova é válida, já nada serve para condenar.
Portugal atravessa uma grave crise, mas a sua principal raiz é moral. Sem educação, sem valores, sem justiça não há sociedade que funcione.
Oito anos de cadeia por tentar matar a mulher.
E lembrei-me de Vale e Azevedo.
É um caloteiro? Certamente. Mentiroso compulsivo? Certamente. Prejudicou muito o Benfica? Sem dúvida.
Mas que se saiba não matou nem tentou matar ninguém. Como é então possível ter uma pena superior a homicidas? Como é possível que indivíduos violentos (outra notícia de ontem), com amplo cadastro, que ameaçam de morte pessoas pacíficas, sejam mantidos em liberdade até voltarem a matar?
E depois deste pensamento me vir à mente, li este excelente post: Cores diferentes, justiças diferentes.
Realmente há uma outra personagem corrupta da nossa vida pública que passa com toda a impunidade por processos vários, que incluem mesmo violência e agressões e relações pouco claras com associações criminosas.
Aí já nenhuma prova é válida, já nada serve para condenar.
Portugal atravessa uma grave crise, mas a sua principal raiz é moral. Sem educação, sem valores, sem justiça não há sociedade que funcione.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Pode o Sporting descer de divisão?
A probabilidade é mínima, mas o simples facto de se colocar mostra quão baixo desceu este histórico rival do Benfica. Mas, mesmo sendo mínima, a possibilidade existe - é real. Inclusivamente alguns sportinguistas já a admitem.
Existem dois factores que podem levar a este cenário calamitoso para o clube de Alvalade: a situação financeira e de tesouraria pouco menos do que desesperada; o facto da maioria dos jogadores do plantel não pertencer à SAD do Sporting.
Comecemos pelo segundo aspecto. Como já era sabido e Rui Santos mostrou em pormenor no último "Tempo Extra", o passe da quase totalidade dos jogadores adquiridos nas últimas duas épocas pertence, na sua maioria, a entidades estranhas (os tais fundos e "investidores" desconhecidos) ao Sporting. O que não se sabia é que em vários casos o Sporting detem apenas 10% dos passes. Isto gera uma estranha situação em que começa a tornar-se duvidoso quem é de facto o patrão dos jogadores. E, perante a realidade da desvalorização desses mesmos jogadores face a uma campanha desportiva absolutamente desastrosa (agravada pelas declarações de Verkauten de que alguns serão pouco profissionais ou terão pouca qualidade), é de admitir que alguns desses "investidores" ou "fundos" venham a querer colocá-los (talvez já em Janeiro) noutros clubes. Ou seja, é possível por esta via que o Sporting venha a perder jogadores a curto prazo. Elias é um dos nomes mais falados.
Quanto à questão financeira e de tesouraria, dizem alguns que ela pode entrar em ruptura nos próximos meses. Até Rui Oliveira e Costa (que, é bom não esquecer, ainda na época passada e na anterior fazia ataques violentíssimos ao Benfica e a António Pedro Vasconcellos) dizia no passado Domingo que o Sporting pode entrar a curto prazo (num cenário de demissão de Godinho Lopes) em incumprimento contratual e a permitir rescisões por justa causa de vários jogadores.
Aliás, já em Julho, Carlos Barbosa, ex-vice de Godinho Lopes e o primeiro a demitir-se da actual direcção, dizia isto: “O Sporting tem de perceber que a equipa que existe hoje não pode continuar, não há dinheiro para estes ordenados. É vender metade desta equipa, despachar os Elias desta vida, que custou uma fortuna ao Sporting... O Elias é extraordinário, mas nós não temos dinheiro para ter o Elias. O Sporting tem de começar de novo, lembrar-se dos tempos do Ronaldo, do Figo, apostar nos miúdos de 16 anos, correr com metade desta equipa para realizar dinheiro e pagar dívidas e depois estar quatro ou cinco anos em quarto, quinto ou sexto lugar".
Ou seja, por estas duas vias (a questão dos fundos e a correlata questão financeira), o Sporting pode, já a partir de Dezembro/Janeiro, perder alguns jogadores de um plantel que é já em si mesmo (considero-o desde o início da época) muito fraco.
Se este pior cenário se verificar, então nessa altura o Sporting enfrenta um risco real de descer de divisão. O que implicaria obviamente o seu fim como grande do futebol português. Pelo menos para os próximos 10 a 20 anos.
Mas há mais ainda. Há casos pendentes que podem agravar ainda mais a situação e tornar ainda mais insustentável a posição da actual direcção, com tudo o que implicaria a sua queda, em termos de confiança da banca, dos credores e dos "investidores". Já nem me refiro ao caso de Pereira Cristovão, na sua faceta mais visível e em relação ao que o CD da Federação tomou a decisão que tomou. Nem ao que o Sporting terá necessariamente que pagar ao Benfica pelo incêndio provocado na Luz. Refiro-me a outras coisas que se vão dizendo à boca pequena e a que Seara aludiu ontem, sem querer concretizar. Por exemplo às verdadeiras razões pelas quais já sairam Carlos Barbosa (que ia fazer do Sporting um Barcelona ou Real Madrid) e Luis Duque. Ou mesmo a esta notícia segundo a qual Rojo pode até ser preso.
A situação é a pior possível. A resposta ao título deste post só pode ser: sim, pode.
Existem dois factores que podem levar a este cenário calamitoso para o clube de Alvalade: a situação financeira e de tesouraria pouco menos do que desesperada; o facto da maioria dos jogadores do plantel não pertencer à SAD do Sporting.
Comecemos pelo segundo aspecto. Como já era sabido e Rui Santos mostrou em pormenor no último "Tempo Extra", o passe da quase totalidade dos jogadores adquiridos nas últimas duas épocas pertence, na sua maioria, a entidades estranhas (os tais fundos e "investidores" desconhecidos) ao Sporting. O que não se sabia é que em vários casos o Sporting detem apenas 10% dos passes. Isto gera uma estranha situação em que começa a tornar-se duvidoso quem é de facto o patrão dos jogadores. E, perante a realidade da desvalorização desses mesmos jogadores face a uma campanha desportiva absolutamente desastrosa (agravada pelas declarações de Verkauten de que alguns serão pouco profissionais ou terão pouca qualidade), é de admitir que alguns desses "investidores" ou "fundos" venham a querer colocá-los (talvez já em Janeiro) noutros clubes. Ou seja, é possível por esta via que o Sporting venha a perder jogadores a curto prazo. Elias é um dos nomes mais falados.
Quanto à questão financeira e de tesouraria, dizem alguns que ela pode entrar em ruptura nos próximos meses. Até Rui Oliveira e Costa (que, é bom não esquecer, ainda na época passada e na anterior fazia ataques violentíssimos ao Benfica e a António Pedro Vasconcellos) dizia no passado Domingo que o Sporting pode entrar a curto prazo (num cenário de demissão de Godinho Lopes) em incumprimento contratual e a permitir rescisões por justa causa de vários jogadores.
Aliás, já em Julho, Carlos Barbosa, ex-vice de Godinho Lopes e o primeiro a demitir-se da actual direcção, dizia isto: “O Sporting tem de perceber que a equipa que existe hoje não pode continuar, não há dinheiro para estes ordenados. É vender metade desta equipa, despachar os Elias desta vida, que custou uma fortuna ao Sporting... O Elias é extraordinário, mas nós não temos dinheiro para ter o Elias. O Sporting tem de começar de novo, lembrar-se dos tempos do Ronaldo, do Figo, apostar nos miúdos de 16 anos, correr com metade desta equipa para realizar dinheiro e pagar dívidas e depois estar quatro ou cinco anos em quarto, quinto ou sexto lugar".
Ou seja, por estas duas vias (a questão dos fundos e a correlata questão financeira), o Sporting pode, já a partir de Dezembro/Janeiro, perder alguns jogadores de um plantel que é já em si mesmo (considero-o desde o início da época) muito fraco.
Se este pior cenário se verificar, então nessa altura o Sporting enfrenta um risco real de descer de divisão. O que implicaria obviamente o seu fim como grande do futebol português. Pelo menos para os próximos 10 a 20 anos.
Mas há mais ainda. Há casos pendentes que podem agravar ainda mais a situação e tornar ainda mais insustentável a posição da actual direcção, com tudo o que implicaria a sua queda, em termos de confiança da banca, dos credores e dos "investidores". Já nem me refiro ao caso de Pereira Cristovão, na sua faceta mais visível e em relação ao que o CD da Federação tomou a decisão que tomou. Nem ao que o Sporting terá necessariamente que pagar ao Benfica pelo incêndio provocado na Luz. Refiro-me a outras coisas que se vão dizendo à boca pequena e a que Seara aludiu ontem, sem querer concretizar. Por exemplo às verdadeiras razões pelas quais já sairam Carlos Barbosa (que ia fazer do Sporting um Barcelona ou Real Madrid) e Luis Duque. Ou mesmo a esta notícia segundo a qual Rojo pode até ser preso.
A situação é a pior possível. A resposta ao título deste post só pode ser: sim, pode.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Guilherme Aguiar - apelo à violência/vandalismo?
Nós já conhecemos os métodos do Porto.
Quando alguém não se verga ao sistema e ameaça dizer o que sabe ou tomar medidas prejudiciais à sua iníqua sobrevivência, parte-se para a violência. Aparece então o braço armado do Porto e de Pinto da Costa, a sua guarda pretoriana, que ao murro e à paulada "resolve" os assuntos.
Neste sentido penso que é preciso dar muita atenção ao que disse ontem Guilherme Aguiar.
Que no mínimo foi uma ameaça velada a uma figura que nos últimos dias se tornou conhecida - o ex-árbitro assistente (vulgo fiscal de linha) Devesa Neto.
A história conta-se em 4 linhas: aparentemente, Luis Filipe Vieira terá jantado no restaurante de que Devesa Neto é proprietário em Paços de Ferreira, aquando da deslocação do Benfica àquela cidade. Guilherme Aguiar sentiu necessidade de revelar esse facto, insinuando que algo de errado haveria nisso.
Devesa Neto não se amedrontou e disse com todas as letras "aqui não alternamos" e "se for preciso dizer mais cá estarei".
Pois bem, este senhor não se acocorou perante o Porto como é habitual neste país e Guilherme Aguiar começou com uma conversa estranha. Seria apenas isso ou outra coisa?
É que por várias vezes, Aguiar explicou e repetiu à exaustão onde era o restaurante, com indicações precisas. Na praça central de Paços de Ferreira, tem por baixo isto e ao lado aquilo, etc.
Ora, porque o fez Guilherme Aguiar? (Tenho aliás pena que ninguém o tenha logo na hora confrontado.)
Seria isso um recado para alguém? Irá o estabelecimento ser visitado por alguns superdragons?
Porquê tantas explicações tão detalhadas? Porquê dar a morada completa do restaurante? Era isso importante para os espectadores perceberem o caso?
Já vimos muita coisa e esperamos quase tudo de quem acha que tudo vale. Casas do Benfica vandalizadas e apedrejadas por esse país fora e outras coisas semelhantes que pensávamos impossíveis num Estado europeu civilizado.
O que Guilherme Aguiar ontem fez não é mais nem menos do que o Porto faz há 30 anos. Intimidar, ameaçar, coagir. Não podemos, um Estado democrático não pode continuar impávido e sereno a assistir a este tipo de comportamentos.
Já chegou a este ponto. Já se ameaça, de forma velada e com recados, em público, em directo, na TV. Este o estado do país.
Quando alguém não se verga ao sistema e ameaça dizer o que sabe ou tomar medidas prejudiciais à sua iníqua sobrevivência, parte-se para a violência. Aparece então o braço armado do Porto e de Pinto da Costa, a sua guarda pretoriana, que ao murro e à paulada "resolve" os assuntos.
Neste sentido penso que é preciso dar muita atenção ao que disse ontem Guilherme Aguiar.
Que no mínimo foi uma ameaça velada a uma figura que nos últimos dias se tornou conhecida - o ex-árbitro assistente (vulgo fiscal de linha) Devesa Neto.
A história conta-se em 4 linhas: aparentemente, Luis Filipe Vieira terá jantado no restaurante de que Devesa Neto é proprietário em Paços de Ferreira, aquando da deslocação do Benfica àquela cidade. Guilherme Aguiar sentiu necessidade de revelar esse facto, insinuando que algo de errado haveria nisso.
Devesa Neto não se amedrontou e disse com todas as letras "aqui não alternamos" e "se for preciso dizer mais cá estarei".
Pois bem, este senhor não se acocorou perante o Porto como é habitual neste país e Guilherme Aguiar começou com uma conversa estranha. Seria apenas isso ou outra coisa?
É que por várias vezes, Aguiar explicou e repetiu à exaustão onde era o restaurante, com indicações precisas. Na praça central de Paços de Ferreira, tem por baixo isto e ao lado aquilo, etc.
Ora, porque o fez Guilherme Aguiar? (Tenho aliás pena que ninguém o tenha logo na hora confrontado.)
Seria isso um recado para alguém? Irá o estabelecimento ser visitado por alguns superdragons?
Porquê tantas explicações tão detalhadas? Porquê dar a morada completa do restaurante? Era isso importante para os espectadores perceberem o caso?
Já vimos muita coisa e esperamos quase tudo de quem acha que tudo vale. Casas do Benfica vandalizadas e apedrejadas por esse país fora e outras coisas semelhantes que pensávamos impossíveis num Estado europeu civilizado.
O que Guilherme Aguiar ontem fez não é mais nem menos do que o Porto faz há 30 anos. Intimidar, ameaçar, coagir. Não podemos, um Estado democrático não pode continuar impávido e sereno a assistir a este tipo de comportamentos.
Já chegou a este ponto. Já se ameaça, de forma velada e com recados, em público, em directo, na TV. Este o estado do país.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Há 30 anos a fomentar ódio
Podia ser o lema do Porto de Pinto da Costa. Se é verdade que nenhum clube está isento de culpas em termos de episódios de violência ou de faltas de desportivismo, não o é menos que nunhum clube em Portugal tanto tem incitado ao ódio como o clube do Porto, liderado por Pinto da Costa.
Para a generalidade dos clubes, a violência e o ódio aos adversários são derivações ou degenerescências da paixão clubística. Algo que se tenta erradicar definitivamente, sabendo que sempre haverá manifestações episódicas, que cumpre reprimir e trabalhar para erradicar. Para o Porto porém é uma forma de estar na competição - embora seja precisamente o contrário da essência do desporto. Só assim conseguem fomentar em adeptos e jogadores o espírito de vitória a todo o custo que os caracteriza.
Vem isto a propósito dos comentadores do Porto, nomeadamente Guilherme Aguiar e Miguel Guedes nas suas últimas intervenções.
Aguiar, um homem poderoso no futebol que ainda por cima se move nos meandros da UEFA, tem vindo a usar do seu tempo de antena para defender uma pesa pesadíssima para Luisão. Ora, isto vem de um homem cujo clube ainda o ano passado teve um jogador (Belushi) a fazer igual ou pior, num jogo oficial, do campeonato. Que teve Kostadinov a fazer muito pior há uns anos. Que teve Baía, Pinto, Fernando Couto a fazerem 10 vezes pior do que fez Luisão! Que teve Hulk e Sapunaru a fazerem o que fizeram (Sapunaru reincidindo no ano seguinte). Que teve Deco a fazer o que fez - e Deco confessou já no Brasil que atirou a bota ao árbitro - e levou 3 jogos (depois reduzidos para dois).
Como é possível ser tão hipócrita como Guilherme Aguiar? Não ter vergonha disso e aparecer todas as semanas na televisão?
Depois há Miguel Guedes. No "I" de hoje, em resposta à pergunta sobre se o Benfica passará a fase de grupos da Champions, diz que se não passar "será uma calamidade" (o seu clube não passou no ano passado, sendo eliminado pelo Apoel), o que nem se percebe pois financeiramente o Benfica está agora desafogado, continuando por considerar que "a Administração estará confiante na rentabilidade a tempo inteiro de Aimar e Martins", como que agoirando lesões destes dois jogadores, e acabando com a torpe insinuação: (se Luisão não jogar) "o Benfica já demonstrou a sua confiança de sobra em Jardel, insistindo na sua contratação ao Olhanense entre jogos com o clube". Nem uma palavra de boa sorte ao Benfica.
É o mesmo que andou semana após semana a repetir, como o seu antecessor, sobre o qual já nem quero falar, que o Benfica era o clube do regime e continuanado a denegrir um árbitro morto e enterrado há anos.
Que baixeza, que velhacaria. Como é possível que esta gente não tenha vergonha de dizer em público, para milhões, estas coisas? A resposta é simples: para eles vale tudo. Só fomentam, entre os seus e entre os adversários, que naturalmente se indignam e revoltam com tais enormidades, raiva e ódio.
Aos comentadores do Benfica, certamente haverá também que apontar. No entanto o que não existe é um destilar constante de fel (como Guedes) ou de hipocrisia (como Aguiar). (Nesse aspecto, Serrão até é o menos criticável. Diz muitas coisas insultuosas, faz ataques às vezes quase alarves, mas não é torpe como os outros.)
Seara é claramente alguém que tenta ser imparcial (o que face ao fanatismo dos seus colegas, faz dele um mole na defesa do Benfica). Rui Gomes da Silva é provocador e truculento, não faz o meu estilo, mas ainda assim não se compara aos portistas. Gobern é tão ou tão pouco moderado que foi comentador, tendo-se apenas há poucos meses conhecido com certeza a sua preferência clubística.
Isto só para dizer que não somos todos iguais. Felizmente. Espero que possamos ser mais iguais - mas nunca por nos tornarmos como eles! Nesse dia o Benfica que eu conheço deixará de existir. Espero que sejamos mais iguais por aqueles que há 30 anos fomentam o ódio deixem de vez o futebol português, porventura pagando na justiça o muito que andaram fazendo.
Para a generalidade dos clubes, a violência e o ódio aos adversários são derivações ou degenerescências da paixão clubística. Algo que se tenta erradicar definitivamente, sabendo que sempre haverá manifestações episódicas, que cumpre reprimir e trabalhar para erradicar. Para o Porto porém é uma forma de estar na competição - embora seja precisamente o contrário da essência do desporto. Só assim conseguem fomentar em adeptos e jogadores o espírito de vitória a todo o custo que os caracteriza.
Vem isto a propósito dos comentadores do Porto, nomeadamente Guilherme Aguiar e Miguel Guedes nas suas últimas intervenções.
Aguiar, um homem poderoso no futebol que ainda por cima se move nos meandros da UEFA, tem vindo a usar do seu tempo de antena para defender uma pesa pesadíssima para Luisão. Ora, isto vem de um homem cujo clube ainda o ano passado teve um jogador (Belushi) a fazer igual ou pior, num jogo oficial, do campeonato. Que teve Kostadinov a fazer muito pior há uns anos. Que teve Baía, Pinto, Fernando Couto a fazerem 10 vezes pior do que fez Luisão! Que teve Hulk e Sapunaru a fazerem o que fizeram (Sapunaru reincidindo no ano seguinte). Que teve Deco a fazer o que fez - e Deco confessou já no Brasil que atirou a bota ao árbitro - e levou 3 jogos (depois reduzidos para dois).
Como é possível ser tão hipócrita como Guilherme Aguiar? Não ter vergonha disso e aparecer todas as semanas na televisão?
Depois há Miguel Guedes. No "I" de hoje, em resposta à pergunta sobre se o Benfica passará a fase de grupos da Champions, diz que se não passar "será uma calamidade" (o seu clube não passou no ano passado, sendo eliminado pelo Apoel), o que nem se percebe pois financeiramente o Benfica está agora desafogado, continuando por considerar que "a Administração estará confiante na rentabilidade a tempo inteiro de Aimar e Martins", como que agoirando lesões destes dois jogadores, e acabando com a torpe insinuação: (se Luisão não jogar) "o Benfica já demonstrou a sua confiança de sobra em Jardel, insistindo na sua contratação ao Olhanense entre jogos com o clube". Nem uma palavra de boa sorte ao Benfica.
É o mesmo que andou semana após semana a repetir, como o seu antecessor, sobre o qual já nem quero falar, que o Benfica era o clube do regime e continuanado a denegrir um árbitro morto e enterrado há anos.
Que baixeza, que velhacaria. Como é possível que esta gente não tenha vergonha de dizer em público, para milhões, estas coisas? A resposta é simples: para eles vale tudo. Só fomentam, entre os seus e entre os adversários, que naturalmente se indignam e revoltam com tais enormidades, raiva e ódio.
Aos comentadores do Benfica, certamente haverá também que apontar. No entanto o que não existe é um destilar constante de fel (como Guedes) ou de hipocrisia (como Aguiar). (Nesse aspecto, Serrão até é o menos criticável. Diz muitas coisas insultuosas, faz ataques às vezes quase alarves, mas não é torpe como os outros.)
Seara é claramente alguém que tenta ser imparcial (o que face ao fanatismo dos seus colegas, faz dele um mole na defesa do Benfica). Rui Gomes da Silva é provocador e truculento, não faz o meu estilo, mas ainda assim não se compara aos portistas. Gobern é tão ou tão pouco moderado que foi comentador, tendo-se apenas há poucos meses conhecido com certeza a sua preferência clubística.
Isto só para dizer que não somos todos iguais. Felizmente. Espero que possamos ser mais iguais - mas nunca por nos tornarmos como eles! Nesse dia o Benfica que eu conheço deixará de existir. Espero que sejamos mais iguais por aqueles que há 30 anos fomentam o ódio deixem de vez o futebol português, porventura pagando na justiça o muito que andaram fazendo.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Eduardo Barroso e a violência no desporto
Eduardo Barroso é uma figura importante da sociedade portuguesa. Não apenas é sobrinho de Soares; é também um dos maiores cirugiões que temos. Por isso mesmo deveria poupar-se às figuras tristes que faz nos programas e nas crónicas que escreve sobre futebol.
Vem a isto a propósito da sua última crónica onde apelida de "comportamento vergonhoso" e de "impensável provocação" os alegados gestos de Carlos Lisboa no pavilhão do "dragão", considerando que ele "devia ser demitido e severamente castigado". Em relação ao que se passou com os adeptos, Barroso tem palavras de compreensão e desculpabilização: "também não aprovo" mas... "como reagiria qualquer claque naquelas circunstâncias?"; se no Jamor tivesse havido uma situação semelhante "penso que seria difícil evitar uma invasão de campo" e Barroso nessas circunstâncias saberia "identificar o culpado": o agente provocador.
Volto a dizer, Barroso é uma pessoa com tremendos méritos e que deve ser reconhecida no seu campo da medicina. O que diz sobre o desporto (onde aliás tem um cargo dirigente) é porém absolutamente inqualificável, porventura mesmo (como o próprio aliás admite na mesma crónica) digno de um "troglodita". Porquê?
Em primeiro lugar, está por demonstrar que os gestos de Lisboa, no calor dos festejos, significassem o que lhes foi atribuido e tivessem sido dirigidos para os adeptos do Porto. Em segundo lugar está por demonstrar que, mesmo que esse fosse o caso, os adeptos tivessem visto esses gestos e que o seu comportamento subsequente tivesse sido por eles (gestos) motivados. Em terceiro lugar porque jogadores e técnicos do Porto têm habitualmente gestos e palavras insultuosos para com o Benfica na Luz sem que se tenha alguma visto Eduardo Barroso ficar com isso incomodado. Em quarto lugar, porque durante esse mesmo jogo o Benfica e os seus atletas foram continuamente insultados e provocados pelas bancadas, pelo que, seguindo uma "lógica da provocação" teria que se apurar quem começou. Em quinto lugar porque nenhuma provocação, real ou virtual, pode justificar tentativas de agressão e de invasão do campo.
Muito diferente desta posição é a de Daniel Oliveira, que é Sportinguista e escreve no Record e soube ver nestes incidentes o que eles são: um acto de mau perder por parte de quem acha que vale tudo no desporto. Notável aliás a sua leitura da atitude de Pinto da Costa no fim do jogo: "Perante isto, o que fez Pinto da Costa? Pôs-se, como faz sempre, do lado da violência. Indignado por a polícia ter impedindo que os jogadores do Benfica fossem atacados pela multidão em fúria, dirigiu às forças da ordem a sua ira de mau perdedor. Compreendo que tenha saudades do guarda Abel e da conivência das forças de segurança com a sua falta de escrúpulos. Compreendo que ameaças sobre jornalistas seja a ideia que tem do que deve ser a segurança pública. Entendo, por isso, a sua estupefação por a polícia ter defendido os jogadores em risco."
Vergonha senhor Dr. Barroso são todos os comportamento de violência de qualquer adepto ou claques de qualquer clube e isso é que devia ter liminarmente condenado. Foi pena que a sua crónica não tivesse sido sobre a dedução de acusação contra 18 adeptos, 16 do seu clube e 2 do Benfica. O que se passou foi isto: "tudo começou quando 4 elementos da Juve Leo esperaram junto do Estádio a passagem de adeptos do Benfica - a quem lançaram pedras por entre os carros que passavam, lançando o pânico no trânsito. Dois elementos do "grupo ilegal" No Name Boys reagiram com garrafas e engenhos pirotécnicos e estão também acusados por isso". Dentro do estádio, os adeptos da Juve Leo envolveram-se em confrontos com a polícia e lançaram cadeiras e "bolas incendiárias", tendo um deles "incendiado um agente da PSP", ao passo que outro "agredindo com pontapés nas costas um agente o fez cair desamparado nas bancadas tendo logo a seguir festejado este "feito" com outros elementos da claque e ainda tentou fotografar". (As citações são retiradas do "Correio da Manhã de hoje, que por sua vez se baseou na acusação do DIAP). Eu acrescento que após a retirada ou fuga da políciada multidão em fúria, grande parte do estádio de Alvalade irrompeu em aplausos e começou a gritar "Sporting, Sporting".
Tal como, para concluir, são graves e lamentáveis as imagens inqualificáveis de adeptos ucranianos a agredirem barbaramente outros adeptos (aparentemente até do seu próprio clube) apenas porque estes últimos eram asiáticos, que surgiram recentemente na TV inglesa.
Isto Dr. Eduardo Barroso é que são vergonhas. Isto é que são comportamentos graves e muito perigosos. Isto é que o devia preocupar. Mas o que faz o senhor, cujo nível de instrução está muito acima da média e é visto por milhões de pessoas? Ignora isto, desculpa isto, dizendo que o grave, grave é o que fez ou não fez Carlos Lisboa. Que até se compreende a reacção das claques. Que os culpados não são os autores da violência mas os outros, que "provocaram". Que "não se revê" (foi incapaz de condenar) nos incêndios do Estádio da Luz mas que a "jaula", de que andou falando semanas "incendiando" o ambiente, é que era algo de gravíssimo.
Tenha vergonha Dr. Barroso e deixe de actuar como um irresponsável. Dedique-se à medicina onde salva vidas e deixe o futebol onde declarações desse tipo podem contribuir para que um dia elas se percam.
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