1. A expressão "sistema", aplicada à falta de verdade desportiva no futebol português foi pela primeira vez usada por Dias da Cunha, ex-presidente do Sporting.
Para ele, o "sistema" tinha "dois rostos: Valentim Loureiro e Pinto da Costa" (entrevista à RTP, 2004). Mais tarde acrescentaria um terceiro: Joaquim Oliveira, então patrão da Olivedesportos e portanto da Sporttv.
Oliveira é hoje dono da Controlinveste, que detém participação maioritária nos seguintes orgãos de comunicação: "O Jogo", TSF, "Diário de Notícias", SPORTTV, "Jornal de Notícias" e ainda participações na Agência Noticiosa Lusa e na Agência de viagens Cosmos (agente oficial UEFA para a Península Ibérica). Nos últimos tempos Joaquim Oliveira tem cultivado as relações com o poder político e ganho uma aura de maior respeitabilidade.
Fica assim caracterizada a primeira peça do sistema.
2. As suspeitas levantadas por Dias da Cunha (na verdade o que se passava estava à vista de todos), as denúncias que o presidente do Benfica Luís Filipe Vieira fez (disse ter entregue um dossier à PJ) e as acusações de Carolina Salvado levaram ao processo Apito Dourado, que culminou com várias condenações. Estranhamente porém, o processo é "parado" na relação do Porto, conduzindo à impunidade dos condenados. Não sou eu que o digo:
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=45649
De qualquer forma, e através da coragem de Hermínio Loureiro, há um processo disciplinar autónomo (Apito Final) que, ainda que demasiado brandas, impõe condenações aos clubes corruptores, nomeadamente o Porto (e seu presidente) e o Boavista.
Pinto da Costa é castigado e o seu poder no futebol parece desagregar-se. Parece finalmente iniciar-se uma era de transparência e responsabilização no futebol português. Puro engano.
3. Trinta anos depois, o sistema assume uma nova vida. Com - é importante dizê-lo - a colaboração passiva do Benfica, que acreditou demasiado ingenuamente em histórias da "carochinha". Com efeito, o Benfica cometeu um erro colossal ao apoiar Fernando Gomes para a presidência da Liga (e agora da Federação), acreditando que a suposta "zanga" entre este e Pinto da Costa era um sinal de que Gomes defendia a transparência. A dimensão desse erro manifestou-se logo no primeiro acto oficial de Fernando Gomes como presidente da Liga - a demissão de Ricardo Costa, então presidente da Comissão Disciplinar da Liga. Com essa acção, Gomes mostrou desde logo a todos os agentes do futebol onde estava o poder e implicitamente deu razão ao Porto e às suas queixas quanto ao "túnel", às vigílias e a outros momentos lamentáveis do futebol português. Castigos ao Porto pelo ambiente de terror, bolas de golfe, apedrejamentos, galinhas em campo e outros comportamentos inqualificáveis nem vê-los.
(A este propósito, um à parte: Rui Moreira, antes de abandonar o Trio d'Ataque da RTP, defendeu que Hulk não poderia ser castigado, baseando-se na tese de que os stewards não são agentes do jogo. O que os agredidos deveriam fazer, disse Rui Moreira na altura, era apresentar queixa junto do Ministério Público. Ora, quando a imprensa noticiou que o Ministério Público decidira avançar com processos-crime contra os jogadores do Porto, Moreira escreve, na sua crónica d' "A Bola", que estamos perante uma "vergonha". Fica tudo dito sobre o carácter e a honestidade mental desta figura pública.)
4. A conclusão é que o capital conquistado pelo Benfica com a vitória no campeonato em 2010, o élan daí resultante, tudo se perde. A mensagem de Fernando Gomes tinha passado e os árbitros haviam-na compreendido. A época "perfeita" do Porto de Villas-Boas muito se ficou a dever ao conforto que desde cedo a sua equipa sentiu, como quem tem as costas quentes, com arbitragens inqualificáveis nas primeiras jornadas do campeonato que quase nos arredaram do título.
5. Mas para além dos poderes fácticos do futebol português (Pinto da Costa, Fernando Gomes e Joaquim Oliveira) continuarem a manter vivo o sistema, há um outro poder, igualmente iníquo, mais discreto e talvez ainda mais eficaz, que o perpetua e assassina a verdade desportiva no futebol português. Esse poder será objecto do próximo post.
Ver também:
O que é o sistema - Parte II.
O sistema - as transmissões televisivas.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
O despertar tardio
Antes tarde do que nunca, costuma dizer-se, mas de facto desta vez os responsáveis benfiquistas acordaram demasiado tarde para a realidade que os árbitros (certamente com cobertura dos poderes dirigentes do futebol) resolveram esta época criar. De facto, muitos benfiquistas há algum tempo que advertiam que se estava a montar um "caldinho". Assim que Jorge Jesus e a equipa facilitaram, os árbitros aproveitaram a deixa. A direcção deveria ter falado quando o Benfica estava em 1º lugar e não apenas quando o título estava praticamente perdido.
Entretanto surgiu Jesus a dizer que sem habilidades o Benfica seria campeão, António Carraça, a dizer que queremos ganhar limpo e ainda João Gabriel a afirmar que o campeonato era um tributo dos árbitros e que não necessitávamos de mudar de treinador mas sim de árbitros.
Entretanto ontem Rui Gomes da Silva afirmou que Fernando Gomes tem que se demitir, pois é o responsável máximo pelo que se passou e não está a actuar de acordo com os pressupostos que motivaram o apoio do Benfica: verdade, seriedade, transparência.
Finalmente hoje Vieira terá, de acordo com o "Correio da Manhã" cancelado a participação da equipa num torneio em Angola, em retaliação pelo jantar, que vários blogs já haviam denunciado, entre Joaquim Oliveira, Pinto da Costa, Miguel Relvas e Fernando Seara após o jogo Benfica-2 Porto-3.
É de facto um jantar estranho e algo inexplicável. Em particular a presença de Fernando Seara. É por estas e outras que Seara nunca chegou nem chegará a um lugar de decisão no Benfica.
Mas em relação ao Ministro, sportinguista e coadjuvado por um chefe de gabinete portista, a sua pasta, embora não organicamente mas na prática, acaba por tutelar o Secretário de Estado do Desporto, pelo que, apesar de não gostarmos, tem direito a jantar com Pinto da Costa. Fica portanto a dúvida sobre se Vieira cancelou a digressão apenas por este jantar ou por outros factos que neste momento não conhecemos.
Seja como for, é evidente a agitação e o desconforto no seio da estrutura benfiquista. A manifestação de indignação vem tarde, porque se tivesse sido atempadamente expressa talvez os árbitros não se atrevessem ao despudor que realizaram até à penúltima jornada do campeonato. De qualquer forma é melhor do que o silêncio, tem sido firme, clara e directa nas denúncias - e isso merece elogios.
Mas atenção, denunciar, protestar, falar não chega. Há que exigir mudanças. Fernando Gomes tem que sair, diversos árbitros têm que ser irradiados. O Benfica não pode deixar cair o caso Pereira Cristovão. Caso contrário, para o ano todos se farão de sérios, deixar-nos-ão esquecer do que se passou esta época e, quando nos apanharem distraídos, tal como este ano, atacarão de novo.
É preciso um novo começo, partir do zero, com novas caras, total transparência e sem trapaças. Um começo limpo. Caso contrário não vale a pena. Caso contrário o Benfica deveria ponderar medidas extremas. Sem verdade desportiva o futebol em Portugal já cansa.
Entretanto surgiu Jesus a dizer que sem habilidades o Benfica seria campeão, António Carraça, a dizer que queremos ganhar limpo e ainda João Gabriel a afirmar que o campeonato era um tributo dos árbitros e que não necessitávamos de mudar de treinador mas sim de árbitros.
Entretanto ontem Rui Gomes da Silva afirmou que Fernando Gomes tem que se demitir, pois é o responsável máximo pelo que se passou e não está a actuar de acordo com os pressupostos que motivaram o apoio do Benfica: verdade, seriedade, transparência.
Finalmente hoje Vieira terá, de acordo com o "Correio da Manhã" cancelado a participação da equipa num torneio em Angola, em retaliação pelo jantar, que vários blogs já haviam denunciado, entre Joaquim Oliveira, Pinto da Costa, Miguel Relvas e Fernando Seara após o jogo Benfica-2 Porto-3.
É de facto um jantar estranho e algo inexplicável. Em particular a presença de Fernando Seara. É por estas e outras que Seara nunca chegou nem chegará a um lugar de decisão no Benfica.
Mas em relação ao Ministro, sportinguista e coadjuvado por um chefe de gabinete portista, a sua pasta, embora não organicamente mas na prática, acaba por tutelar o Secretário de Estado do Desporto, pelo que, apesar de não gostarmos, tem direito a jantar com Pinto da Costa. Fica portanto a dúvida sobre se Vieira cancelou a digressão apenas por este jantar ou por outros factos que neste momento não conhecemos.
Seja como for, é evidente a agitação e o desconforto no seio da estrutura benfiquista. A manifestação de indignação vem tarde, porque se tivesse sido atempadamente expressa talvez os árbitros não se atrevessem ao despudor que realizaram até à penúltima jornada do campeonato. De qualquer forma é melhor do que o silêncio, tem sido firme, clara e directa nas denúncias - e isso merece elogios.
Mas atenção, denunciar, protestar, falar não chega. Há que exigir mudanças. Fernando Gomes tem que sair, diversos árbitros têm que ser irradiados. O Benfica não pode deixar cair o caso Pereira Cristovão. Caso contrário, para o ano todos se farão de sérios, deixar-nos-ão esquecer do que se passou esta época e, quando nos apanharem distraídos, tal como este ano, atacarão de novo.
É preciso um novo começo, partir do zero, com novas caras, total transparência e sem trapaças. Um começo limpo. Caso contrário não vale a pena. Caso contrário o Benfica deveria ponderar medidas extremas. Sem verdade desportiva o futebol em Portugal já cansa.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Proença, o benfiquista
Pedro Proença, o árbitro, é um grande benfiquista e é por isso que o Porto tanto gosta dele.
Proença é, segundo se diz por aí, um dos melhores árbitros portugueses.
Eu diria de outra forma: Proença é um dos maiores expoentes da árbitragem portuguesa.
Proença, que este ano conseguiu afastar o Benfica do título, colocar o Sporting na final da Taça de Portugal e finalmente participar na festa de consagração do Porto, tem interessantes estatísticas.
Em 23 jogos que nos apitou, o Benfica conseguiu apenas 10 vitórias, 7 empates e 6 derrotas. Em jogos grandes (e conto aqui o Boavista no Bessa na época seguinte a ser campeão, assim como os jogos com o Braga nas últimas épocas), em 8 jogos com Proença a comandar, o Benfica tem o seguinte saldo: 1 vitória (contra o Braga na Luz), 4 empates e 3 derrotas (duas com o Porto e uma com o Sporting). Nesses 8 jogos Proença expulsou 4 jogadores do Benfica e assinalou 4 penalties contra a nossa equipa, deu um vermelho aos nossos adversários e não assinalou nenhum penalty a nosso favor. Em todos os 23 jogos, Proença só viu 3 penalties a nosso favor mas 7 contra. É curioso.
Já em relação ao Porto, o saldo é outro: 26 jogos, 14 vitórias, 11 empates e 1 (uma) derrota. Proença só viu 2 penalties contra o Porto mas 5 a favor. Em termos de vermelhos, Proença mostrou-o por 8 vezes aos adversários do Porto mas apenas 1 (uma) ao clube de Pinto da Costa. Em jogos grandes, Proença nunca deu um vermelho ou assinalou um penalty contra o Porto. Mais do que curioso, é admirável.
Pedro Proença é de facto um grande árbitro, talvez mesmo o melhor de todos os tempos.
Hóquei em patins
O Benfica perdeu o campeonato de voléibol, um enorme desapontamento considerando que mostrou durante a época ser a melhor equipa e que ao longo do playoff teve oportunidades para vencer a final, tendo acabado por a perder em casa. Parece que certas falhas de mentalidade, espírito competitivo e de conquista que se notam no futebol se verificam também em certas modalidades.
Por outro lado, em futsal, o Benfica venceu este fim de semana a Taça de Portugal, o que tem a sua importância, considerando que o clube precisa de títulos como de pão para a boca e que nesta modalidade já tínhamos vencido a supertaça. Fica a faltar o campeonato.
Campeonato que está ao alcance numa outra modalidade: o hóquei em patins. De facto, o Benfica está em primeiro lugar a poucas jornadas do fim e receberá o Porto na penúltima.
No entanto, a notícia deste fim-de-semana relativa ao hóquei é a de que o Porto venceu por 7-6 o Juventude de Viana. Isto depois de ao intervalo o resultado ser de ... 6-1 para o Juventude!
Eu não vi o jogo mas a cambalhota no marcador, face aos actores do costume, dá que pensar... Já ouvi aliás rumores de que terão existido algumas anormalidades, isto é algumas arbitrariedades.
Tenho falado muito da época futebolística mas a verdade é que o mesmo que ali acontece está-se a passar noutras modalidades, com especial destaque para o hóquei. Começa a ser doentio o estado de falsidade desportiva que grassa no desporto português. Ninguém estará atento a esta realidade?
E por aqui fico, porque me começo a lembrar do árbitro Pedro Proença e não quero estragar o meu sono numa altura em que a noite já vai alta.
Por outro lado, em futsal, o Benfica venceu este fim de semana a Taça de Portugal, o que tem a sua importância, considerando que o clube precisa de títulos como de pão para a boca e que nesta modalidade já tínhamos vencido a supertaça. Fica a faltar o campeonato.
Campeonato que está ao alcance numa outra modalidade: o hóquei em patins. De facto, o Benfica está em primeiro lugar a poucas jornadas do fim e receberá o Porto na penúltima.
No entanto, a notícia deste fim-de-semana relativa ao hóquei é a de que o Porto venceu por 7-6 o Juventude de Viana. Isto depois de ao intervalo o resultado ser de ... 6-1 para o Juventude!
Eu não vi o jogo mas a cambalhota no marcador, face aos actores do costume, dá que pensar... Já ouvi aliás rumores de que terão existido algumas anormalidades, isto é algumas arbitrariedades.
Tenho falado muito da época futebolística mas a verdade é que o mesmo que ali acontece está-se a passar noutras modalidades, com especial destaque para o hóquei. Começa a ser doentio o estado de falsidade desportiva que grassa no desporto português. Ninguém estará atento a esta realidade?
E por aqui fico, porque me começo a lembrar do árbitro Pedro Proença e não quero estragar o meu sono numa altura em que a noite já vai alta.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
O sistema - as transmissões televisivas.
Já por mais do que uma vez prometi a quem segue este blog aqui escrever sobre o que é o "sistema". Não o fiz ainda porque tenho a pretensão de escrever um artigo que seja simultaneamente claro e revelador, completo e objectivo.
Para tal efeito, tenho levado a cabo uma pequena investigação. Digo pequena porque a maioria dos dados estão à disposição de quem os quiser consultar e não exigem uma particular vocação de detective. Exigem, outrossim, que uma pessoa se dê ao trabalho de os conhecer e, na sua posse, ser capaz de ligar as coisas. Face à evidência de que ano após ano o Porto é constantemente beneficiado pelas arbitragens (ao ponto de ser, em termos comparativos, de longe o clube mais dominador no futebol mundial) recuso-me a, como alguns fazem, encolher os ombros, dizer que é "estranho" e defender que o Benfica é que deveria jogar mais, porque aí não haveria prejuízo arbitral que valesse.
Não, peço desculpa mas ainda não existe uma regra no futebol que diga que, para vencer, uma equipa tenha que jogar o dobro e o triplo das outras.
Esta tem sido uma posição clara deste blog e continua-lo-á a ser.
Ora ainda não sendo este o post em que melhor caracterizarei o "sistema" na sua globalidade, queria no entanto desde já abordar um dos seus aspectos, nunca devidamente valorizado pelos comentadores da realidade futebolística portuguesa: as transmissões televisivas.
Já tenho anteriormente notado que os programas de análise e comentário televisivo são por regra desfavoráveis ao Benfica. O "aqui d' El Rei" que se levanta quando o Benfica é alegadamente beneficiado (e o prolongado silêncio a este respeito bem mostra quanto este campeonato foi tendencioso) não tem paralelo quando o Porto é beneficiado, algo que aliás acontece sistematicamente. Nesses casos assiste-se ao silêncio cúmplice da generalidade dos comentadores. Assim se cria a mentira de que o Benfica é beneficiado pelas arbitragens. A este propósito, reconheça-se aliás a coragem de Rui Santos que, goste-se ou não, tem vindo nos últimos anos a dizer várias verdades. No passado Domingo, Rui Santos teve a frontalidade de (a propósito das arbitragens e em especial da última jornada) dizer com todas as letras: "este campeonato é uma farsa".
Há porém algo que deve ser acrescentado no que toca às televisões e que é de uma importância ainda maior. É que, de acordo com o Regulamento da Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol, a Comissão de Análise (que é um dos orgãos que avaliam as arbitragens) faz a sua apreciação "com base na gravação integral dos jogos transmitidos pelos operadores legalmente autorizados (RTP, SIC, TVI ou SPORTV)".
Ou seja, as imagens que as televisões (e muito em particular a SPORTTV, que transmite a esmagadora maioria dos jogos) seleccionam são um factor importante para a avaliação e classificação dos árbitros e, em última análise, para a avaliação que a Comissão de Arbitragem certamente não deixará de fazer sobre os benefícios e prejuízos dos clubes.
Agora eu pergunto-me, quem não reparou ainda que os lances na área do Benfica são repetidos de todos os ângulos, com câmera lenta e imagens paradas, até à exaustão, ao passo que na área contrária por vezes nem uma repetição é dada, obrigando os benfiquistas a partilharem em redes sociais imagens dos lances que alguém por mero acaso conseguiu obter. E em relação ao Porto então nem vale a pena falar.
Quem acredita que isto é inocente?
Uma nota final: iniciei este blog em Março, quando o campeonato estava ainda em aberto. O que então escrevi acerca da necessidade de defesa do Benfica contra o sistema e em nome da verdade desportiva parece-me hoje quase premonitório do que vinha a caminho. Mais do que nunca, parece-me hora de os benfiquistas em conjunto, sócios, direcção e profissionais de futebol, se unirem numa batalha, leal mas sem tréguas, que só pode ser dada como terminada quando o sistema que ameaça de morte o futebol português for totalmente exposto, desmontado e derrotado.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Entrevista de Jorge Jesus
Numa entrevista hoje dada a "A Bola", Jorge Jesus diz querer continuar no Benfica, onde está de alma e coração. Admite erros, nomeadamente o de ter colocado demasiados "ovos" na Champions quando a prioridade deveria ter sido o campeonato. Refuta porém qualquer falta de motivação ou de dedicação e descarta em absoluto uma ida para o Porto.
São considerações interessantes e que confirmam muito do que temos vindo a dizer neste blog (Jesus tem muitas vezes "mais olhos do que barriga" e faz opções demasiado arriscadas, quase suicidas).
Porém talvez ainda mais importante é que JJ coloca o dedo na ferida, como também aqui temos insistentemente feito, no que respeita à arbitragem. Diz ele: "Mas por que razão os critérios para a marcação de penalties são uns para o Benfica e outros para outro clube? Há alguma razão? Porque é que uma mão na nossa área é sempre motivo para a marcação de um penalty e na área adversária nunca é?" E continua, assinalando outro aspecto que também já tinha apontado, que é o do desgaste que os contantes roubos (não se trata de outra coisa) provocam nos jogadores: "os erros de arbitragem afetam desde logo a motivação dos jogadores nos jogos seguintes e, em consequência, o rendimento daqueles. A revolta e indignação na maioria dos casos retira tranquilidade e provoca um desgaste anímico muito grande"; e, adiante: "a dado passo há um desgaste e cansaço psicológico que é difícil contrariar. Quando os jogadores interiorizam que estão a ser prejudicados e que não conseguem sair daquela situação, como é que isso se resolve?". Jesus diz ainda sobre o castigo de Aimar: "como é que se explica a um jogador que vai ficar de fora dois jogos por uma entrada dura mas leal, enquanto todos os restantes jogadores que foram expulsos durante a época apanharam apenas um jogo, que um jogador que agrediu outro a soco levou apenas um jogo. Tudo isto pesa, não tenha dúvidas".
Jesus disse quase tudo e se não disse mais foi para evitar, como inclusivamente admitiu, ser castigado pelos poderes iníquos do futebol português que, em vez de combaterem situações de grosseiras adulterações da verdade desportiva, ainda castigam que as denuncia.
Penso que os benfiquistas devem entender que enquanto o sistema vigorar no futebol português, o Benfica só será campeão quando for esmagadoramente superior aos seus adversários. Isso só acontece uma vez em cada quatro ou cinco anos, ou mesmo mais. E mesmo assim, sendo muitíssimo superior em campo, ganhará, como aconteceu há 2 anos, apenas tangencialmente, na penúltima ou última jornada. Por outro lado, quando os nossos adversários nos forem superiores, como foi o caso do ano passado, vencerão com 15 ou 20 pontos de avanço sobre nós, como sucedeu no ano passado.
As coisas têm que mudar no futebol português, mas não com estes árbitros, não com estes dirigentes. A sua credibilidade, se alguma vez existiu, está totalmente esgotada. Quer o treinador, quer os jogadores do Benfica sabem que entram em campo já em desvantagem. Olegários, Jorges Sousas, Capelas, Proenças, Miguéis e tantos outros não têm honorabilidade para arbitrar jogos. Só quando forem erradicados do futebol, juntamente com as estruturas que os condicionam e comandam, poderá haver justiça e o melhor vencerá. Esta verdade tem que ser assumida sem rodeios pelo Benfica - ontem já era tarde - e daí serem retiradas consequências. É preciso uma limpeza completa no futebol português, a começar com o Presidente da Federação, Fernando Gomes, cuja saída é uma condição sine qua non para a recredibilização do campeonato nacional. Caso contrário, volto a insistir, não vale a pena sequer competir.
Em rigor, esta é uma batalha em que não cabe ao treinador do Benfica estar na linha da frente. Aguardam-se notícias sobre o que estão o presidente e a estrutura dirigente do Benfica a fazer neste domínio.
São considerações interessantes e que confirmam muito do que temos vindo a dizer neste blog (Jesus tem muitas vezes "mais olhos do que barriga" e faz opções demasiado arriscadas, quase suicidas).
Porém talvez ainda mais importante é que JJ coloca o dedo na ferida, como também aqui temos insistentemente feito, no que respeita à arbitragem. Diz ele: "Mas por que razão os critérios para a marcação de penalties são uns para o Benfica e outros para outro clube? Há alguma razão? Porque é que uma mão na nossa área é sempre motivo para a marcação de um penalty e na área adversária nunca é?" E continua, assinalando outro aspecto que também já tinha apontado, que é o do desgaste que os contantes roubos (não se trata de outra coisa) provocam nos jogadores: "os erros de arbitragem afetam desde logo a motivação dos jogadores nos jogos seguintes e, em consequência, o rendimento daqueles. A revolta e indignação na maioria dos casos retira tranquilidade e provoca um desgaste anímico muito grande"; e, adiante: "a dado passo há um desgaste e cansaço psicológico que é difícil contrariar. Quando os jogadores interiorizam que estão a ser prejudicados e que não conseguem sair daquela situação, como é que isso se resolve?". Jesus diz ainda sobre o castigo de Aimar: "como é que se explica a um jogador que vai ficar de fora dois jogos por uma entrada dura mas leal, enquanto todos os restantes jogadores que foram expulsos durante a época apanharam apenas um jogo, que um jogador que agrediu outro a soco levou apenas um jogo. Tudo isto pesa, não tenha dúvidas".
Jesus disse quase tudo e se não disse mais foi para evitar, como inclusivamente admitiu, ser castigado pelos poderes iníquos do futebol português que, em vez de combaterem situações de grosseiras adulterações da verdade desportiva, ainda castigam que as denuncia.
Penso que os benfiquistas devem entender que enquanto o sistema vigorar no futebol português, o Benfica só será campeão quando for esmagadoramente superior aos seus adversários. Isso só acontece uma vez em cada quatro ou cinco anos, ou mesmo mais. E mesmo assim, sendo muitíssimo superior em campo, ganhará, como aconteceu há 2 anos, apenas tangencialmente, na penúltima ou última jornada. Por outro lado, quando os nossos adversários nos forem superiores, como foi o caso do ano passado, vencerão com 15 ou 20 pontos de avanço sobre nós, como sucedeu no ano passado.
As coisas têm que mudar no futebol português, mas não com estes árbitros, não com estes dirigentes. A sua credibilidade, se alguma vez existiu, está totalmente esgotada. Quer o treinador, quer os jogadores do Benfica sabem que entram em campo já em desvantagem. Olegários, Jorges Sousas, Capelas, Proenças, Miguéis e tantos outros não têm honorabilidade para arbitrar jogos. Só quando forem erradicados do futebol, juntamente com as estruturas que os condicionam e comandam, poderá haver justiça e o melhor vencerá. Esta verdade tem que ser assumida sem rodeios pelo Benfica - ontem já era tarde - e daí serem retiradas consequências. É preciso uma limpeza completa no futebol português, a começar com o Presidente da Federação, Fernando Gomes, cuja saída é uma condição sine qua non para a recredibilização do campeonato nacional. Caso contrário, volto a insistir, não vale a pena sequer competir.
Em rigor, esta é uma batalha em que não cabe ao treinador do Benfica estar na linha da frente. Aguardam-se notícias sobre o que estão o presidente e a estrutura dirigente do Benfica a fazer neste domínio.
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terça-feira, 1 de maio de 2012
É inevitável falar de arbitragem
O previsível aconteceu mas não sem que o Benfica fosse de novo, mais do que prejudicado, insultado. Não vale sequer a pena recordar o que se passou e enunciar os lances. Mais uma vez eu pergunto a todos os que dizem não acreditar que os árbitros errem deliberadamente: é possível não ver aqueles lances? E como não é e as imagens das televisões inclusivamente mostram que o árbitro os viu perfeitamente, eu pergunto de seguida: é possível ter duas interpretações sobre aqueles lances? Lamento mas não é e aqui acaba (como aliás já tinha sido patente em Alvalade e em inúmeros jogos do Porto) qualquer dúvida sobre a intencionalidade dos árbitros em beneficiar o Porto e prejudicar o Benfica.
Sinceramente (eu sei que corro o risco de me tornar repetitivo mas tenho que o dizer) não me lembro, nem em Portugal nem noutro país de ver arbitragens tão escandalosa e continuadamente tendenciosas. A desvergonha é completa. Este campeonato é a maior farsa do futebol português. Ele demonstra que os árbitros não apenas podem fazer mas de facto fazem um campeão.
No Porto todos se riam. Eles próprios sabem que nada disto é sério e que a sua vitória tem pouco mérito. Mas o seu ódio ao Benfica é de tal ordem que na sua mentalidade tudo fica justificado. Mais do que uma vitória no campeonato, os portistas festejam o Benfica tê-lo perdido.
Com culpas próprias? Certamente - já o disse e farei em breve o meu balanço final da época, apontando o que considero terem sido falhas imperdoáveis que tornaram possível esta situação.
É indiscutível que se o Benfica tivesse entrado em Guimarães como devia e vencido esse jogo seria já muito difícil tirarem-nos o campeonato. Mas não o é menos que a partir daí, assim que sentiram a mínima fraqueza da nossa parte, os árbitros nos caíram em cima de uma forma que eu julgava possível apenas em países do terceiro mundo, onde a opinião é controlada e não há suficiente massa crítica para desmascarar situações de flagrante manipulação, como foi o caso deste ano.
Este campeonato é uma vergonha. O futebol português, vidé também o caso do União de Leiria, está a bater no fundo.
Sinceramente (eu sei que corro o risco de me tornar repetitivo mas tenho que o dizer) não me lembro, nem em Portugal nem noutro país de ver arbitragens tão escandalosa e continuadamente tendenciosas. A desvergonha é completa. Este campeonato é a maior farsa do futebol português. Ele demonstra que os árbitros não apenas podem fazer mas de facto fazem um campeão.
No Porto todos se riam. Eles próprios sabem que nada disto é sério e que a sua vitória tem pouco mérito. Mas o seu ódio ao Benfica é de tal ordem que na sua mentalidade tudo fica justificado. Mais do que uma vitória no campeonato, os portistas festejam o Benfica tê-lo perdido.
Com culpas próprias? Certamente - já o disse e farei em breve o meu balanço final da época, apontando o que considero terem sido falhas imperdoáveis que tornaram possível esta situação.
É indiscutível que se o Benfica tivesse entrado em Guimarães como devia e vencido esse jogo seria já muito difícil tirarem-nos o campeonato. Mas não o é menos que a partir daí, assim que sentiram a mínima fraqueza da nossa parte, os árbitros nos caíram em cima de uma forma que eu julgava possível apenas em países do terceiro mundo, onde a opinião é controlada e não há suficiente massa crítica para desmascarar situações de flagrante manipulação, como foi o caso deste ano.
Este campeonato é uma vergonha. O futebol português, vidé também o caso do União de Leiria, está a bater no fundo.
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