A saga continua. Desde que Manuel José foi treinador do Benfica e começou a época sem lateral direito (Calado, lembram-se?, ou um central adaptado ocupavam a posição), com resultados desastrosos, que esta situação se repete.
Na verdade desde que a dupla Álvaro/Veloso se desfez que, com fugazes excepções, o Benfica começou a ter todos os anos problemas nas laterais.
É aliás estranho que os jogadores que melhor desempenharam os lugares nos últimos anos tenham saído rapidamente do clube, por pouco ou nenhum dinheiro, deixando-nos de novo em maus lençóis. Lembro-me por exemplo de Nélson e de Léo.
No ano passado assinalei como Emerson se estava a tornar um problema que ameaçava fazer ruir a época. Infelizmente penso que acabou por ser o caso. Não está em causa a pessoa do jogador, que certamente tentava dar o seu melhor. Está em causa uma má gestão por parte de Jorge Jesus. Com as limitações que tinha, Capdevila teria sido uma solução melhor, pelo menos em alguns jogos. Isso, em larga medida, faz parte do passado, embora não deixe de ser estranho que um jogador titular durante toda a época (Emerson) seja depois dispensado na seguinte (sem sequer uma palavra por parte do treinador que tantas vezes o lançou "às feras") e que um jogador que veio para o Benfica com um enorme curriculo e a custo zero e que foi completamente marginalizado durante a mesma época esteja agora a ver o Benfica a colocar entraves à sua saída. Isto é agravado pelo facto de Capdevila ter perdido no Benfica qualquer hipótese que ainda tivesse de representar a Espanha e estar no fim da sua carreira. Penso que este comportamento em nada nos dignifica.
Mas voltando à época que se avizinha e às opções para as laterais, há que perceber que sem defesa não se ganham campeonatos. E que sem laterais não há solidez na defesa.
Maxi é um jogador extraordinário mas não pode jogar sempre. Tem que existir uma alternativa para os jogos em que não pode dar o seu contributo bem como para aqueles em que é conveniente poupá-lo. Uma alternativa credível. Por outro lado, há que ter dois laterais de raíz para a esquerda. Neste momento não existe nenhum. Não percebo que se dispensem os dois que tínhamos sem ter nenhum contratado. Esta situação tem que ser resolvida sem demora sob pena de mais uma época a marcar passo.
terça-feira, 24 de julho de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Hoje é 1 de Abril e não nos tinham avisado
Só pode mesmo ser isso que justifica a notícia do "Record" de acordo com a qual Nolito irá ser emprestado ao Bétis.
http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Benfica/interior.aspx?content_id=768195
http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Benfica/interior.aspx?content_id=768195
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Glasgow Rangers desaparece do futebol profissional
| Imagem retirada do blog ebsoccer.com |
Uma notícia que passou relativamente despercebida - o histórico Glasgow Rangers foi banido do futebol profissional escocês. É uma notícia chocante: o Glasgow, juntamente com o Celtic foram desde sempre os clubes hegemónicos do futebol escocês. Ora vencia um, ora vencia o outro, com vantagem para o primeiro no cômputo geral de campeonatos. A rivalidade entre estes dois clubes é aliás das maiores do futebol mundial: o Glasgow é o clube dos protestantes escoceses, que estão igualmente mais próximos da Inglaterra em termos políticos e sociais, e o Celtic o dos católicos, muito ligados à Irlanda.
A notícia da descida do Glasgow à quarta divisão, por não ter capacidade de saldar as suas dívidas, só pode assim ser vista como um sinal de que o futebol (não apenas o escocês) atravessa uma gravíssima crise.
Basta ver como o mercado está parado para o perceber. Há muitas declarações de interesses de clubes em determinados jogadores (fala-se de Hulk, Moutinho, Modric, Cardozo, Gaitan) mas nada ainda se concretizou. A razão é óbvia: não há dinheiro.
Em Portugal os sinais de que a situação é de enorme gravidade são muitos. Já aqui falei do Sporting e da situação quase desesperada em que podem estar as suas finanças. Isso mesmo vem aliás dizer Carlos Barbosa. O Porto vai aparentemente fechar a sua secção de basquetebol e teve salários em atraso no hóquei em patins. Há inúmeros clubes da 1ª Liga que não têm as suas situações regularizadas e poderão fechar portas ainda este ano (como aconteceu já com o Leiria no fim da época passada). Os clubes da Madeira estão na situação em que estão, tendo sobrevivido no curto prazo apenas graças à contribuição do Governo Regional.
Em relação ao Benfica, a situação não será muito diferente dos principais rivais, embora eu acredite que seja melhor, sobretudo no sentido de gerar receitas, que é algo que os credores e as instituições de crédito valorizam. Creio que precisa no entanto de vender jogadores para gerar receitas extraordinárias para fazer face ao orçamento deste ano.
Insisto porém que a situação do Sporting será a mais aguda entre os grandes, precisamente pela manifesta incapacidade de gerar receitas ao nível do Porto e muito menos ainda do Benfica. A venda de João Pereira (com todos os seus defeitos e limitações não deixa de ser um internacional português), se calhar mais do que um atestado de incompetência, é consequência de uma necessidade inadiável de gerar receitas de tesouraria para fazer face a encargos inadiáveis.
A agravar este estado de coisas, aparentemente os canais generalistas não vão comprar os direitos das transmissões do campeonato 2012-2013.
Prevejo o pior para esta época futebolística.
terça-feira, 10 de julho de 2012
(Ainda) Proença
Pedro Proença, o árbitro, continua a dar que falar, agora pelo que disse em relação ao Benfica.
Em primeiro lugar, não posso deixar de manifestar estranheza por um mesmo árbitro ser, no mesmo, ano, o escolhido pela UEFA para apitar a final da Liga dos Campeões e a final do Europeu. Seria sempre estranho, qualquer que fosse o nome escolhido. Sendo Proença a coisa assume outras proporções.
Dito isto, nada me move contra Proença. É um facto que ele vem prejudicando o Benfica de forma constante e com consequências desportivas gravosas. Mas não é por isso que lhe desejo mal. Desejo apenas que não volte a apitar o Benfica, porque de facto não tem condições para tal. Além disso, não é o meu tipo de árbitro: todo ele é estilo e pouca substância, não raro falhando nas principais decisões por - creio - se ter em tão alta conta.
Ao regressar do Europeu, Proença falou de alto. O que é estranho.
Proença teve sorte pois o resultado final de 4-0 da final fez com que a sua decisão de não marcar penalty na mão clara de um jogador italiano na sua área não tivesse sido criticada pelos espanhóis. Ora considerando que Proença marcou um penalty sobre Emerson num lance muitíssimo menos aparatoso, em que (ao contrário do jogo da final do Euro) o jogador do Benfica tinha o braço junto ao corpo, não esboçou qualquer movimento do mesmo e a bola não ia para a baliza, tendo-se tratado de um cruzamento sem qualquer perigo, Proença deveria ter humildade e sobretudo não aludir de forma nenhuma ao Benfica. Tendo-o feito, ainda por cima a despropósito, para se vangloriar e fazendo reparos absolutamente inaceitáveis num árbitro, em relação à gestão e resultados do Benfica (nos quais tem a sua dose de responsabilidade por decisões que sistematicamente nos prejudicam), Proença demonstrou, se quaisquer dúvidas existissem, que não tem condições para arbitrar o nosso clube. Mostrou, para além disso, quão vaidoso e egocêntrico é, ao colocar-se em bicos de pés, permitindo-se criticar Governo, Benfica e todos aqueles que não se lançaram aos seus pés à chegada ao aeroporto, como se tivesse feito algo de extraordinário, de suprahumano.
Proença teve o seu momento e ainda bem para ele e de alguma forma para a arbitragem nacional. Talvez esse pudesse ter representado um novo começo para a arbitragem nacional: os seus agentes verificarem que são capazes de ser honestos e imparciais e que isso é bonito e é apreciado por todos os intervenientes no jogo. Ou Proença tem dúvidas de que se tivesse feito arbitragens como em Portugal marcando penalties à "Lisandro", à "Emerson" ou expulsando jogadores arbitrariamente como aqui faz, teria sido criticado por todo o mundo do futebol? Qual então o seu espanto pelos seus "erros" (quando se "erra" sempre para o mesmo lado ou se é zarolho ou não se é sério) serem criticados em Portugal? Em vez de fazer um auto-exame, Proença optou por usar o seu "crédito" para atacar o Benfica. A sua parcialidade ficou patente.
Uma nota final para os seus assistentes. Ao contrário de Proença não acertaram apenas nas decisões fáceis. Pelo contrário tomaram decisões difíceis e corajosas - e em todas elas estiveram certos. Para eles os meus parabéns.
Em primeiro lugar, não posso deixar de manifestar estranheza por um mesmo árbitro ser, no mesmo, ano, o escolhido pela UEFA para apitar a final da Liga dos Campeões e a final do Europeu. Seria sempre estranho, qualquer que fosse o nome escolhido. Sendo Proença a coisa assume outras proporções.
Dito isto, nada me move contra Proença. É um facto que ele vem prejudicando o Benfica de forma constante e com consequências desportivas gravosas. Mas não é por isso que lhe desejo mal. Desejo apenas que não volte a apitar o Benfica, porque de facto não tem condições para tal. Além disso, não é o meu tipo de árbitro: todo ele é estilo e pouca substância, não raro falhando nas principais decisões por - creio - se ter em tão alta conta.
Ao regressar do Europeu, Proença falou de alto. O que é estranho.
Proença teve sorte pois o resultado final de 4-0 da final fez com que a sua decisão de não marcar penalty na mão clara de um jogador italiano na sua área não tivesse sido criticada pelos espanhóis. Ora considerando que Proença marcou um penalty sobre Emerson num lance muitíssimo menos aparatoso, em que (ao contrário do jogo da final do Euro) o jogador do Benfica tinha o braço junto ao corpo, não esboçou qualquer movimento do mesmo e a bola não ia para a baliza, tendo-se tratado de um cruzamento sem qualquer perigo, Proença deveria ter humildade e sobretudo não aludir de forma nenhuma ao Benfica. Tendo-o feito, ainda por cima a despropósito, para se vangloriar e fazendo reparos absolutamente inaceitáveis num árbitro, em relação à gestão e resultados do Benfica (nos quais tem a sua dose de responsabilidade por decisões que sistematicamente nos prejudicam), Proença demonstrou, se quaisquer dúvidas existissem, que não tem condições para arbitrar o nosso clube. Mostrou, para além disso, quão vaidoso e egocêntrico é, ao colocar-se em bicos de pés, permitindo-se criticar Governo, Benfica e todos aqueles que não se lançaram aos seus pés à chegada ao aeroporto, como se tivesse feito algo de extraordinário, de suprahumano.
Proença teve o seu momento e ainda bem para ele e de alguma forma para a arbitragem nacional. Talvez esse pudesse ter representado um novo começo para a arbitragem nacional: os seus agentes verificarem que são capazes de ser honestos e imparciais e que isso é bonito e é apreciado por todos os intervenientes no jogo. Ou Proença tem dúvidas de que se tivesse feito arbitragens como em Portugal marcando penalties à "Lisandro", à "Emerson" ou expulsando jogadores arbitrariamente como aqui faz, teria sido criticado por todo o mundo do futebol? Qual então o seu espanto pelos seus "erros" (quando se "erra" sempre para o mesmo lado ou se é zarolho ou não se é sério) serem criticados em Portugal? Em vez de fazer um auto-exame, Proença optou por usar o seu "crédito" para atacar o Benfica. A sua parcialidade ficou patente.
Uma nota final para os seus assistentes. Ao contrário de Proença não acertaram apenas nas decisões fáceis. Pelo contrário tomaram decisões difíceis e corajosas - e em todas elas estiveram certos. Para eles os meus parabéns.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Os melhores de Portugal e a necessidade dos grandes terem mais portugueses
Cristiano Ronaldo esteve finalmente em grande e carregou Portugal, com a sua força, qualidade e determinação até ao momento em que saímos do torneio. Depois de um jogo infeliz contra a Dinamarca, compensou em absoluto com grandes exibições contra a Holanda e a República Checa, tendo faltado apenas o golo no minuto 89 contra a Espanha para alcançar a glória e, quem sabe, nos levar ao primeiro título europeu da nossa história.
Pepe e Bruno Alves foram enormes. Bruno Alves, no seu estilo concentrado e agressivo foi imperial nas alturas e Pepe foi um monstro a defender tudo e ainda a conseguir marcar nas balizas adversárias. De Pepe saliento ainda o tremendo espírito. Além de se ter formado como jogador em Portugal, para onde veio muito jovem, a sua mulher é portuguesa, tal como os seus filhos e tal como ele. A forma como sempre canta o hino e sente a camisola da selecção é um exemplo para todos.
Moutinho também esteve muito bem. Incansável a trabalhar, a correr, a roubar bolas, sempre com grande rotatividade e espírito competitivo. Merecia estar nos 23 que a UEFA escolheu. Miguel Veloso esteve também ao melhor nível que alguma vez o vi, dando um enorme equilíbrio ao meio campo português e ainda com qualidade técnica e de passe. Meireles foi igual a si próprio mas denotou muita fatiga e esteve abaixo dos outros centro campistas.
Nani foi intermitente, tendo alternado o excelente com períodos em que pareceu algo desligado do jogo. A sua qualidade é porém tremenda e esteve no melhor da selecção.
Coentrão foi também dos melhores. Incansável, batalhador, a dar dinamica e profundidade ao corredor esquerdo, que por vezes ocupou quase na totalidade. Notável e exemplar.
João Pereira não comprometeu e ainda fez um passe de morte para o primeiro de Ronaldo contra a Holanda. Deu o que tinha e disfarçou quase sempre bem as carências que tem no seu jogo, com excepção de um ou outro lance em que complicou mas felizmente sem consequências de maior.
Patrício esteve em grande nível. Está-se a fazer um grande guarda-redes.
Postiga deu o que tinha e conseguiu um golo decisivo contra a Dinamarca. É esforçado, tem técnica e não pode render mais do que fez, o que ainda assim é insuficiente para uma selecção que ambiciona vencer competições. Quanto a Hugo Almeida, também se esforça e dá o que sabe, infelizmente isso não chega. As limitações de Hugo Almeida foram óbvias e as suas qualidades pouco visíveis. Por fim, Nélson Oliveira apesar de algumas indicações positivas no primeiro jogo, contra a Alemanha, nunca conseguiu "carburar", demonstrando estar ainda muito verde.
Varela foi uma agradável aposta de Paulo Bento, sobretudo com o golo salvador contra a Dinamarca. Tem velocidade e é incisivo e é nesta fase claramente um suplente à altura da selecção. Custódio entrou para dar segurança defensiva ao meio campo e pouco mais. Contra a Espanha infelizmente isso não serviu de nada.
Tive pena de não ter visto Quaresma jogar, mas tenho que aceitar a decisão de Paulo Bento pois a sua intermitência exibicional, causada por uma certa indolência e falta de espírito competitivo, não dão garantias. É pena, porque o talento está todo lá. Espero que ainda vá a tempo de ser útil à selecção pois tenho a convicção que poucos têm a sua qualidade.
Quanto ao treinador, penso que Paulo Bento foi excepcional e é meredor de sinceros parabéns. Praticamente só com 11 jogadores chegou a uma meia final de um Europeu e podia com sorte tê-lo vencido. A atitude sóbria, o rigor e o espírito obreiro que promoveu na selecção permitiram-nos chegar longe e sonhar ainda com mais. Erros que possa eventualmente ter cometido, não ofuscam sequer o mérito excepcional do seu trabalho.
Por fim, creio que é imperativo que as equipas nacionais, a começar pelo Benfica, apostem muito mais em jogadores nacionais. Já tenho insistido muito nesta questão, a propósito da necessidade do Benfica ter uma cultura benfiquista, assente em jogadores nacionais que entendam o que é a mística. A aposta em talentos sul-americanos tem que ser equilibrada com a promoção de espaço para a evolução dos jogadores portugueses.
Se isto não acontecer e Sporting, Braga e Porto seguirem o mesmo caminho, começará a prazo a tornar-se impossível ter jogadores suficientes para formar uma selecção. Há que agir urgentemente!
Quais os jovens portugueses, para além de Nélson Oliveira que vemos na calha para a selecção?
Pepe e Bruno Alves foram enormes. Bruno Alves, no seu estilo concentrado e agressivo foi imperial nas alturas e Pepe foi um monstro a defender tudo e ainda a conseguir marcar nas balizas adversárias. De Pepe saliento ainda o tremendo espírito. Além de se ter formado como jogador em Portugal, para onde veio muito jovem, a sua mulher é portuguesa, tal como os seus filhos e tal como ele. A forma como sempre canta o hino e sente a camisola da selecção é um exemplo para todos.
Moutinho também esteve muito bem. Incansável a trabalhar, a correr, a roubar bolas, sempre com grande rotatividade e espírito competitivo. Merecia estar nos 23 que a UEFA escolheu. Miguel Veloso esteve também ao melhor nível que alguma vez o vi, dando um enorme equilíbrio ao meio campo português e ainda com qualidade técnica e de passe. Meireles foi igual a si próprio mas denotou muita fatiga e esteve abaixo dos outros centro campistas.
Nani foi intermitente, tendo alternado o excelente com períodos em que pareceu algo desligado do jogo. A sua qualidade é porém tremenda e esteve no melhor da selecção.
Coentrão foi também dos melhores. Incansável, batalhador, a dar dinamica e profundidade ao corredor esquerdo, que por vezes ocupou quase na totalidade. Notável e exemplar.
João Pereira não comprometeu e ainda fez um passe de morte para o primeiro de Ronaldo contra a Holanda. Deu o que tinha e disfarçou quase sempre bem as carências que tem no seu jogo, com excepção de um ou outro lance em que complicou mas felizmente sem consequências de maior.
Patrício esteve em grande nível. Está-se a fazer um grande guarda-redes.
Postiga deu o que tinha e conseguiu um golo decisivo contra a Dinamarca. É esforçado, tem técnica e não pode render mais do que fez, o que ainda assim é insuficiente para uma selecção que ambiciona vencer competições. Quanto a Hugo Almeida, também se esforça e dá o que sabe, infelizmente isso não chega. As limitações de Hugo Almeida foram óbvias e as suas qualidades pouco visíveis. Por fim, Nélson Oliveira apesar de algumas indicações positivas no primeiro jogo, contra a Alemanha, nunca conseguiu "carburar", demonstrando estar ainda muito verde.
Varela foi uma agradável aposta de Paulo Bento, sobretudo com o golo salvador contra a Dinamarca. Tem velocidade e é incisivo e é nesta fase claramente um suplente à altura da selecção. Custódio entrou para dar segurança defensiva ao meio campo e pouco mais. Contra a Espanha infelizmente isso não serviu de nada.
Tive pena de não ter visto Quaresma jogar, mas tenho que aceitar a decisão de Paulo Bento pois a sua intermitência exibicional, causada por uma certa indolência e falta de espírito competitivo, não dão garantias. É pena, porque o talento está todo lá. Espero que ainda vá a tempo de ser útil à selecção pois tenho a convicção que poucos têm a sua qualidade.
Quanto ao treinador, penso que Paulo Bento foi excepcional e é meredor de sinceros parabéns. Praticamente só com 11 jogadores chegou a uma meia final de um Europeu e podia com sorte tê-lo vencido. A atitude sóbria, o rigor e o espírito obreiro que promoveu na selecção permitiram-nos chegar longe e sonhar ainda com mais. Erros que possa eventualmente ter cometido, não ofuscam sequer o mérito excepcional do seu trabalho.
Por fim, creio que é imperativo que as equipas nacionais, a começar pelo Benfica, apostem muito mais em jogadores nacionais. Já tenho insistido muito nesta questão, a propósito da necessidade do Benfica ter uma cultura benfiquista, assente em jogadores nacionais que entendam o que é a mística. A aposta em talentos sul-americanos tem que ser equilibrada com a promoção de espaço para a evolução dos jogadores portugueses.
Se isto não acontecer e Sporting, Braga e Porto seguirem o mesmo caminho, começará a prazo a tornar-se impossível ter jogadores suficientes para formar uma selecção. Há que agir urgentemente!
Quais os jovens portugueses, para além de Nélson Oliveira que vemos na calha para a selecção?
terça-feira, 3 de julho de 2012
Euro 2012 - enorme Portugal superou todas as expectativas
Portugal superou em muito as expectativas para este Euro (que não eram muito elevadas), tendo feito um torneio praticamente irrepreensível.
Quando, 4 dias antes do Euro começar, disse que "numa competição como um Europeu na qual se jogam no máximo 6 jogos o factor sorte joga um papel muito importante" estava a antever o que de facto se passou.
No canal norte-americano ESPN, que transmitiu todos os jogos do Euro, foi dito que Portugal era indubitavelmente a melhor nação futebolística a nunca ter ganho um título. Isto apesar de um registo de presenças nos grandes torneios ao nível dos melhores: desde 1996 só não nos qualificámos para o Mundial de 98, graças a uma decisão escandalosa de um árbitro que expulsou Rui Costa no último jogo do apuramento, quando vencíamos a Alemanha por 1-0, resultado que nos qualificava.
Portugal é realmente a maior selecção a não ter ganho nada: Grécia e Dinamarca, selecções medíocres, conseguiram ser campeãs europeias. República Checa, representante de um futebol atrativo e técnico semelhante ao nosso mas inferior, também (em 1976, como Checoslováquia). A Holanda venceu em 1988, a Rússia em 1960. A Inglaterra nunca venceu um Europeu mas venceu o Mundial de 1966 (que provavelmente nós merecíamos ter vencido). Até o próprio Uruguai (em 1930 e 1950) conseguiu o título de campeão mundial.
Portugal deveria ter ganho o Euro 2004 mas poderia ter ganho também o Euro 2012, eliminando a melhor selecção da história do futebol. O que faltou? Sorte.
Dizer e escrever, como fazem vários, que passamos a vida a choramingar e a queixar-nos da sorte, quando o que somos é mandriões e pouco ambiciosos é uma atitude tola e ignorante. Quem já saiu de Portugal ou pelo menos se dá ao trabalho de saber o que os outros pensam sobre nós verifica que essa percepção não existe. Pelo contrário, há um enorme respeito pela nossa selecção e a convicção de que só a infelicidade nos mantém afastados dos títulos. Que os merecíamos já, pelo extraordinário futebol que praticámos em vários torneios, desde 1966 a 2012, passando por 2000 e 2004. Que o título que merecíamos só nos fugiu por manifesta infelicidade ou "desajudas" dos árbitros. Veja-se como somos eliminados do Euro 2000 e do Mundial 2006 pela França com dois penalties, nenhum dos quais seria marcado se fosse ao contrário. Como perdemos em 1984 contra a mesma França no prolongamento, depois de darmos a volta ao marcador e de uma sensacional exibição de Chalana. Como perdemos em 66. Sempre de forma dramática, sempre a saber a injustiça.
Desta vez fomos melhores do que os melhores nos 90 minutos do jogo. Não o fomos no prolongamento, não sei se por desgaste mental se pela falta de banco, que foi uma realidade indesmentível. Mas sei que nos penalties a sorte nos abandonou. Nos abandonou logo no sorteio de moeda ao ar, primeiro ao dar à Espanha a escolha de baliza (junto a onde estavam concentrados os adeptos espanhóis) e depois ao dar de novo aos espanhóis a escolher quem batia primeiro, o que normalmente é também uma vantagem. Depois, com o facto de a vantagem mental que obtivemos com o falhanço de Alonso se ter logo esfumado no primeiro penalty, com a grande intervenção de Casillhas e o infortúnio de Moutinho. E por fim, para cúmulo, com o penalty de Bruno Alves a embater na parte interior da trave e a bola a "escolher" bater no chão à frente da linha de golo, ao passo que o último penalty de Espanha, depois de bater no poste "escolheu" entrar na baliza. Infelicidade.
Estivemos perto de bater a Espanha, antes disso, durante os 90 minutos. Além de termos sido melhores durante largos períodos do jogo e termos equilibrado a quase totalidade do resto, poderíamos no minuto 89 ter resolvido o jogo. Ronaldo disparou para as nuvens numa posição em que não costuma falhar.
Fomos a única equipa que não sofreu golos da Espanha, que mais a fez desencontrar-se do seu estilo de jogo. A felicidade que é preciso para vencer torneios, a felicidade que a Espanha teve neste jogo e a Grécia há 8 anos, nada quis conosco - mais uma vez.
Deixámos porém de novo uma grande imagem. Merecíamos (merecemos) mais. Será que alguma vez o conseguiremos?
Quando, 4 dias antes do Euro começar, disse que "numa competição como um Europeu na qual se jogam no máximo 6 jogos o factor sorte joga um papel muito importante" estava a antever o que de facto se passou.
No canal norte-americano ESPN, que transmitiu todos os jogos do Euro, foi dito que Portugal era indubitavelmente a melhor nação futebolística a nunca ter ganho um título. Isto apesar de um registo de presenças nos grandes torneios ao nível dos melhores: desde 1996 só não nos qualificámos para o Mundial de 98, graças a uma decisão escandalosa de um árbitro que expulsou Rui Costa no último jogo do apuramento, quando vencíamos a Alemanha por 1-0, resultado que nos qualificava.
Portugal é realmente a maior selecção a não ter ganho nada: Grécia e Dinamarca, selecções medíocres, conseguiram ser campeãs europeias. República Checa, representante de um futebol atrativo e técnico semelhante ao nosso mas inferior, também (em 1976, como Checoslováquia). A Holanda venceu em 1988, a Rússia em 1960. A Inglaterra nunca venceu um Europeu mas venceu o Mundial de 1966 (que provavelmente nós merecíamos ter vencido). Até o próprio Uruguai (em 1930 e 1950) conseguiu o título de campeão mundial.
Portugal deveria ter ganho o Euro 2004 mas poderia ter ganho também o Euro 2012, eliminando a melhor selecção da história do futebol. O que faltou? Sorte.
Dizer e escrever, como fazem vários, que passamos a vida a choramingar e a queixar-nos da sorte, quando o que somos é mandriões e pouco ambiciosos é uma atitude tola e ignorante. Quem já saiu de Portugal ou pelo menos se dá ao trabalho de saber o que os outros pensam sobre nós verifica que essa percepção não existe. Pelo contrário, há um enorme respeito pela nossa selecção e a convicção de que só a infelicidade nos mantém afastados dos títulos. Que os merecíamos já, pelo extraordinário futebol que praticámos em vários torneios, desde 1966 a 2012, passando por 2000 e 2004. Que o título que merecíamos só nos fugiu por manifesta infelicidade ou "desajudas" dos árbitros. Veja-se como somos eliminados do Euro 2000 e do Mundial 2006 pela França com dois penalties, nenhum dos quais seria marcado se fosse ao contrário. Como perdemos em 1984 contra a mesma França no prolongamento, depois de darmos a volta ao marcador e de uma sensacional exibição de Chalana. Como perdemos em 66. Sempre de forma dramática, sempre a saber a injustiça.
Desta vez fomos melhores do que os melhores nos 90 minutos do jogo. Não o fomos no prolongamento, não sei se por desgaste mental se pela falta de banco, que foi uma realidade indesmentível. Mas sei que nos penalties a sorte nos abandonou. Nos abandonou logo no sorteio de moeda ao ar, primeiro ao dar à Espanha a escolha de baliza (junto a onde estavam concentrados os adeptos espanhóis) e depois ao dar de novo aos espanhóis a escolher quem batia primeiro, o que normalmente é também uma vantagem. Depois, com o facto de a vantagem mental que obtivemos com o falhanço de Alonso se ter logo esfumado no primeiro penalty, com a grande intervenção de Casillhas e o infortúnio de Moutinho. E por fim, para cúmulo, com o penalty de Bruno Alves a embater na parte interior da trave e a bola a "escolher" bater no chão à frente da linha de golo, ao passo que o último penalty de Espanha, depois de bater no poste "escolheu" entrar na baliza. Infelicidade.
Estivemos perto de bater a Espanha, antes disso, durante os 90 minutos. Além de termos sido melhores durante largos períodos do jogo e termos equilibrado a quase totalidade do resto, poderíamos no minuto 89 ter resolvido o jogo. Ronaldo disparou para as nuvens numa posição em que não costuma falhar.
Fomos a única equipa que não sofreu golos da Espanha, que mais a fez desencontrar-se do seu estilo de jogo. A felicidade que é preciso para vencer torneios, a felicidade que a Espanha teve neste jogo e a Grécia há 8 anos, nada quis conosco - mais uma vez.
Deixámos porém de novo uma grande imagem. Merecíamos (merecemos) mais. Será que alguma vez o conseguiremos?
Fim do Euro - as previsões e a realidade
Terminou no Domingo o Euro, com um vencedor previsível e um resultado inimaginável.
Mais uma vez dou-me ao trabalho de confrontar as previsões com a realidade. É um exercício que à partida parece absolutamente inútil, mas que me dá algum gozo intelectual.
Em primeiro lugar, na sondagem que promovi, perguntando qual o principal favorito à vitória, seleccionei 7 equipas. Seis delas estiveram nos quartos de final. Não podiam estar as 7 pois a Holanda (eliminada na fase de grupos), Portugal e Alemanha faziam todas parte do Grupo B. Estiveram, além das outras 6 que escolhi, a República Checa e a Grécia.
A Holanda foi a principal desilusão do campeonato, creio que por 3 razões: o vedetismo dos seus jogadores e o mau ambiente entre eles; a boa prestação de Portugal e da Alemanha; a derrota no primeiro jogo com a Dinamarca, que abanou muito a equipa e a deixou numa situação quase desesperada. Aliás, depois deste resultado, considerei que a Holanda tinha perdido o seu estatuto de favorita.
A segunda grande desilusão foi a Rússia, sobretudo pelas expectativas criadas após o primeiro jogo. A Rússia vence a República Checa por 4-1 e esta última acaba por estar nos quartos de final, em detrimento daquela.
Quanto à França e à Inglaterra, confirmaram que neste momento não têm futebol para mais. Os quartos de final que alcançaram correspondem ao que podiam ambicionar e como tal ao expectável.
Dos resultados da referida sondagem verifica-se que a Espanha foi dada como favorita pela maioria dos visitantes deste blog, seguida de Portugal e da Alemanha. Ou seja, três dos semi-finalistas foram apontados como os principais favoritos, com o vencedor a ocupar a primeira posição (note-se que a sondagem foi fechada antes do início do Euro).
No que os participantes na sondagem não acertaram foi no grau de favoritismo atribuído à Itália. Apesar da qualidade dos jogadores estar muitos furos abaixo da última squadra vencedora (Mundial de 2006), que contava com Del Piero, Totti, Toni, Inzagui, Gattuso, Nesta, Canavarro, Zambrotta, a verdade é que a Itália é sempre uma selecção muito competitiva, que se transcende nestes campeonatos em que se jogam poucos jogos e a atitude mental é decisiva. A Itália costuma ir em crescendo e assim aconteceu em grande medida. Com um Pirlo em alto nível e uma equipa sofredora mas também positiva na abordagem aos jogos, qualificou-se com dificuldade, com uma vitória suada frente a uma Irlanda combativa, venceu a Inglaterra nos quartos como era previsível (embora com a sorte dos penalties, resultado de uma atitude ultradefensiva da Inglaterra que não se pode criticar, pois era a que melhor lhe servia), e desmantelou defensivamente a Alemanha nas meias.
No fim da primeira jornada, no link acima citado, considerei:
"Face a estes dados e aos resultados, creio que não andarei muito longe da verdade se disser que do lote Espanha, Alemanha, Itália sairá pelo menos um finalista. Que a França e a Inglaterra, sobretudo esta última, praticamente não mostraram nada e muito dificilmente irão longe na competição".
Para além da Espanha, que fica para último, e de Portugal, que merece artigo separado, falta-me falar da Alemanha. O que aconteceu à Alemanha?
Na minha opinião, aconteceu Joachim Low. É verdade que Low conseguiu levar a Alemanha à final do Euro 2008, depois de derrotar Portugal por 3-2 nos quartos e a Turquia pelo mesmo resultado nas meias. Conseguiu colocar a Alemanha a jogar um futebol atacante e atrativo, espectacular mesmo, como aconteceu em 2010 nas vitórias de 4-1 sobre a Inglaterra e de 4-0 sobre a Argentina. Mas em ambas as competições perdeu com a Espanha por 1-0, na final do Euro 2008 e nas meias do Mundial de 2010. Neste último torneio conquistaria o 3º lugar após derrotar o Uruguai (em 2006, com Klinsmann, a Alemanha tinha igualmente sido 3ª, nessa altura vencendo Portugal por 3-1).
Desta vez, a Alemanha tinha uma oportunidade de ouro para chegar à final, pois jogou contra a Itália mais fraca dos últimos anos. No entanto, Low cometeu a meu ver erros catastróficos para a sua equipa: depois de rodar excessivamente a equipa contra a Grécia, voltou inexplicavelmente a deixar Muller no banco contra a Itália e substituiu os dois pontas de lança ao intervalo. Tirar do jogo um dos melhores pontas de lança do mundo (Gomez) quando se está a perder por 2-0 deu no que deu. Por isso, sem tirar mérito à Itália pela passagem à final, há que atribuir um enorme demérito ao treinador alemão que voltou a deixar escapar uma grande oportunidade de levar a Alemanha de volta aos títulos.
Por fim, em relação à Espanha, há que reconhecer a qualidade dos seus treinadores e jogadores. Não é certamente por acaso, nem por mera sorte, que se vencem 3 torneios seguidos. E no entanto, não deixa de ser verdade que a Espanha é feliz ao bater Portugal nos penalties, tal como o tinha sido em 2008 ao bater a Itália, também por 4-2. Para vencer há que ter a sorte que, infelizmente, nós parecemos não ter, mas a esse assunto voltarei depois. Quanto à Espanha para além dessa ponta de sorte há um mérito muito grande, alicerçado numa qualidade de posse de bola e uma precisão no passe que custam a crer. Iniesta, Xavi e Xabi Alonso fazem um meio campo quase indestrutível. Depois, quando perde a bola, a Espanha tem uma capacidade de pressão que não tem paralelo, em nenhuma outra equipa de futebol do mundo. A sua ocupação dos espaços é simplesmente imaculada. E tudo com jogadores "levezinhos".
É "oficial": por muito que nos custe (e a mim custa-me bastante) a Espanha é a melhor selecção de todos os tempos.
Mais uma vez dou-me ao trabalho de confrontar as previsões com a realidade. É um exercício que à partida parece absolutamente inútil, mas que me dá algum gozo intelectual.
Em primeiro lugar, na sondagem que promovi, perguntando qual o principal favorito à vitória, seleccionei 7 equipas. Seis delas estiveram nos quartos de final. Não podiam estar as 7 pois a Holanda (eliminada na fase de grupos), Portugal e Alemanha faziam todas parte do Grupo B. Estiveram, além das outras 6 que escolhi, a República Checa e a Grécia.
A Holanda foi a principal desilusão do campeonato, creio que por 3 razões: o vedetismo dos seus jogadores e o mau ambiente entre eles; a boa prestação de Portugal e da Alemanha; a derrota no primeiro jogo com a Dinamarca, que abanou muito a equipa e a deixou numa situação quase desesperada. Aliás, depois deste resultado, considerei que a Holanda tinha perdido o seu estatuto de favorita.
A segunda grande desilusão foi a Rússia, sobretudo pelas expectativas criadas após o primeiro jogo. A Rússia vence a República Checa por 4-1 e esta última acaba por estar nos quartos de final, em detrimento daquela.
Quanto à França e à Inglaterra, confirmaram que neste momento não têm futebol para mais. Os quartos de final que alcançaram correspondem ao que podiam ambicionar e como tal ao expectável.
Dos resultados da referida sondagem verifica-se que a Espanha foi dada como favorita pela maioria dos visitantes deste blog, seguida de Portugal e da Alemanha. Ou seja, três dos semi-finalistas foram apontados como os principais favoritos, com o vencedor a ocupar a primeira posição (note-se que a sondagem foi fechada antes do início do Euro).
No que os participantes na sondagem não acertaram foi no grau de favoritismo atribuído à Itália. Apesar da qualidade dos jogadores estar muitos furos abaixo da última squadra vencedora (Mundial de 2006), que contava com Del Piero, Totti, Toni, Inzagui, Gattuso, Nesta, Canavarro, Zambrotta, a verdade é que a Itália é sempre uma selecção muito competitiva, que se transcende nestes campeonatos em que se jogam poucos jogos e a atitude mental é decisiva. A Itália costuma ir em crescendo e assim aconteceu em grande medida. Com um Pirlo em alto nível e uma equipa sofredora mas também positiva na abordagem aos jogos, qualificou-se com dificuldade, com uma vitória suada frente a uma Irlanda combativa, venceu a Inglaterra nos quartos como era previsível (embora com a sorte dos penalties, resultado de uma atitude ultradefensiva da Inglaterra que não se pode criticar, pois era a que melhor lhe servia), e desmantelou defensivamente a Alemanha nas meias.
No fim da primeira jornada, no link acima citado, considerei:
"Face a estes dados e aos resultados, creio que não andarei muito longe da verdade se disser que do lote Espanha, Alemanha, Itália sairá pelo menos um finalista. Que a França e a Inglaterra, sobretudo esta última, praticamente não mostraram nada e muito dificilmente irão longe na competição".
Para além da Espanha, que fica para último, e de Portugal, que merece artigo separado, falta-me falar da Alemanha. O que aconteceu à Alemanha?
Na minha opinião, aconteceu Joachim Low. É verdade que Low conseguiu levar a Alemanha à final do Euro 2008, depois de derrotar Portugal por 3-2 nos quartos e a Turquia pelo mesmo resultado nas meias. Conseguiu colocar a Alemanha a jogar um futebol atacante e atrativo, espectacular mesmo, como aconteceu em 2010 nas vitórias de 4-1 sobre a Inglaterra e de 4-0 sobre a Argentina. Mas em ambas as competições perdeu com a Espanha por 1-0, na final do Euro 2008 e nas meias do Mundial de 2010. Neste último torneio conquistaria o 3º lugar após derrotar o Uruguai (em 2006, com Klinsmann, a Alemanha tinha igualmente sido 3ª, nessa altura vencendo Portugal por 3-1).
Desta vez, a Alemanha tinha uma oportunidade de ouro para chegar à final, pois jogou contra a Itália mais fraca dos últimos anos. No entanto, Low cometeu a meu ver erros catastróficos para a sua equipa: depois de rodar excessivamente a equipa contra a Grécia, voltou inexplicavelmente a deixar Muller no banco contra a Itália e substituiu os dois pontas de lança ao intervalo. Tirar do jogo um dos melhores pontas de lança do mundo (Gomez) quando se está a perder por 2-0 deu no que deu. Por isso, sem tirar mérito à Itália pela passagem à final, há que atribuir um enorme demérito ao treinador alemão que voltou a deixar escapar uma grande oportunidade de levar a Alemanha de volta aos títulos.
Por fim, em relação à Espanha, há que reconhecer a qualidade dos seus treinadores e jogadores. Não é certamente por acaso, nem por mera sorte, que se vencem 3 torneios seguidos. E no entanto, não deixa de ser verdade que a Espanha é feliz ao bater Portugal nos penalties, tal como o tinha sido em 2008 ao bater a Itália, também por 4-2. Para vencer há que ter a sorte que, infelizmente, nós parecemos não ter, mas a esse assunto voltarei depois. Quanto à Espanha para além dessa ponta de sorte há um mérito muito grande, alicerçado numa qualidade de posse de bola e uma precisão no passe que custam a crer. Iniesta, Xavi e Xabi Alonso fazem um meio campo quase indestrutível. Depois, quando perde a bola, a Espanha tem uma capacidade de pressão que não tem paralelo, em nenhuma outra equipa de futebol do mundo. A sua ocupação dos espaços é simplesmente imaculada. E tudo com jogadores "levezinhos".
É "oficial": por muito que nos custe (e a mim custa-me bastante) a Espanha é a melhor selecção de todos os tempos.
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