quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Benfica fez a sua parte - Cardozo em grande

Como se lhe impunha, o Benfica venceu o Spartak, tendo-o ademais feito de forma convincente e inquestionável. Aliás, apesar de duas oportunidades claras do Spartak, a verdade é que o Benfica podia ter ontem goleado o seu adversário. Para além do penalty falhado por Cardozo, dois outros ficaram por marcar, em especial logo no início uma falta flagrante sobre Garay.
Na primeira parte JJ surpreendeu ao deixar Cardozo no banco e ao lançar Rodrigo. José Nunes, da Antena 1, disse perceber a intenção (ter dois jogadores móveis na frente de ataque que pudessem, sobretudo Rodrigo, recuar para equilibrar o meio-campo e tentar fazer logo oposição à construção de jogo do Spartak) mas não concordar. Acrescento que talvez Jesus desejasse e acreditasse que este jogo poderia marcar a recuperação de Rodrigo, que desde o jogo do ano passado com o Zénite que não é o mesmo. É uma opção questionável, como muitas outras. Não é certo que entrando de início Cardozo tivesse feito o que fez na segunda parte.
E o que dizer dessa segunda parte? Três golos (um deles mal anulado), um cabeceamento à barra e mais duas oportunidades claras (incluindo o penalty) que soube criar não conseguiu concretizar. Ou seja, Cardozo marcou dois mas podia ter marcado... 6. Incrível jogo deste nosso ponta de lança, a mostrar mais uma vez quão importante tem sido para o Benfica nos últimos anos. Só não gosto de o ver marcar penalties, pois percebe-se que há sempre um risco grande de os falhar por a bola bater na barra ou ir por cima. Ontem o penalty até deveria ter sido repetido pois o guarda-redes adiantou-se muito antes da bola partir. Penso porém que se Cardozo é o marcador de serviço deveria treinar mais os penalties.
Duas notas finais negativas: a arbitragem e os russos. A arbitragem teve demasiados erros para este nível de competição, quase sempre em desfavor do Benfica. Dois penalties, um que deveria ter sido repetido e um golo mal anulado são casos a mais para um só jogo. Afinal os alemães não são tão rigorosos quanto nos querem fazer crer. Houve ademais permissividade em relação à dureza excessiva dos russos.
Quanto aos russos, voltaram, depois dos adeptos do Zénite terem feito graves distúrbios aquando da sua passagem por Lisboa, a envolver-se em cenas de violência. Recorde-se ainda o gravíssimo do que se passou durante o Europeu também com adeptos russos. É uma selvageria inaceitável que tem que ter uma resposta muito firme por parte das autoridades.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

As declarações de Rui Vitória

Foi dado destaque numa televisão (a RTP com os seus famosos estúdios do Porto) às declarações de Rui Vitória nas quais considera não lhe parecer haver penalty contra a sua equipa, tendo esse sido um momento importante do jogo.
Ora, como muito bem assinalado no blog "O Indefectível", essas declarações só foram feitas depois de insistências dos jornalistas (já agora, seria interessante começar a perceber quem são os jornalistas que fazem perguntas claramente encomendadas). No essencial, Vitória disse que o desfecho do jogo não merecia contestação e que o Benfica era um vencedor justo. Aliás considera tão importante o segundo golo como o primeiro, criticando antes de mais a sua equipa por nesses momentos decisivos não ter sido capaz de controlar o jogo.
Porquê então ignorar o sentido geral da leitura que Vitória fez do jogo e dar destaque apenas a algo que, nas palavras do próprio treinador do Guimarães, não beliscava o mérito do Benfica?
Nós sabemos bem porquê, mas não deixa de ser estranho que isto seja considerado serviço público.

Benfica: vencer, vencer

Não há outro caminho. Amanhã contra o Spartak só mesmo a vitória serve.
É uma situação de pressão, é uma situação em que não há margem para erro, mas há que perceber que vencendo tudo se mantém em aberto. Vencendo os dois jogos em casa, este e contra o Celtic, o Benfica pode dar a volta à situação e apurar-se.
Naturalmente que não é uma situação confortável e que seria preferível estarmos noutra. O jogo em Moscovo foi demasiado mau, com múltiplos erros, que imputo sobretudo a JJ. No entanto tanto o treinador como os próprios jogadores terão aprendido com eles, ao passo que desde então se notou na equipa uma consolidação de processos e uma maturação do jogo colectivo.
Nesse sentido, o jogo de amanhã será completamente diferente de Moscovo. Nem as equipas russas são as mesmas dentro ou fora de casa nem o Benfica é o que foi há duas semanas.
Impõe-se porém para além de uma grande seriedade dos jogadores na abordagem ao adversário, confiança nas nossas capacidades, também por parte das bancadas. O Benfica não tem nenhuma obrigação para além de ganhar. Em jogos como estes não se pode pedir espetáculo, floreados ou notas artísticas. Impõe-se isso sim um grande profissionalismo, entrega e determinação para vencer. É isso que fazem as grandes equipas nos momentos da verdade. E espera-se que das bancadas venha um enorme apoio, que dê confiança aos nossos jogadores e intranquilize os adversários.
Creio que isto acontecerá. Creio que temos todas as possibilidades de vencer.

Pode o Sporting descer de divisão?

A probabilidade é mínima, mas o simples facto de se colocar mostra quão baixo desceu este histórico rival do Benfica. Mas, mesmo sendo mínima, a possibilidade existe - é real. Inclusivamente alguns sportinguistas já a admitem.

Existem dois factores que podem levar a este cenário calamitoso para o clube de Alvalade: a situação financeira e de tesouraria pouco menos do que desesperada; o facto da maioria dos jogadores do plantel não pertencer à SAD do Sporting.

Comecemos pelo segundo aspecto. Como já era sabido e Rui Santos mostrou em pormenor no último "Tempo Extra", o passe da quase totalidade dos jogadores adquiridos nas últimas duas épocas pertence, na sua maioria, a entidades estranhas (os tais fundos e "investidores" desconhecidos) ao Sporting. O que não se sabia é que em vários casos o Sporting detem apenas 10% dos passes. Isto gera uma estranha situação em que começa a tornar-se duvidoso quem é de facto o patrão dos jogadores. E, perante a realidade da desvalorização desses mesmos jogadores face a uma campanha desportiva absolutamente desastrosa (agravada pelas declarações de Verkauten de que alguns serão pouco profissionais ou terão pouca qualidade), é de admitir que alguns desses "investidores" ou "fundos" venham a querer colocá-los (talvez já em Janeiro) noutros clubes. Ou seja, é possível por esta via que o Sporting venha a perder jogadores a curto prazo. Elias é um dos nomes mais falados.

Quanto à questão financeira e de tesouraria, dizem alguns que ela pode entrar em ruptura nos próximos meses. Até Rui Oliveira e Costa (que, é bom não esquecer, ainda na época passada e na anterior fazia ataques violentíssimos ao Benfica e a António Pedro Vasconcellos) dizia no passado Domingo que o Sporting pode entrar a curto prazo (num cenário de demissão de Godinho Lopes) em incumprimento contratual e a permitir rescisões por justa causa de vários jogadores.

Aliás, já em Julho, Carlos Barbosa, ex-vice de Godinho Lopes e o primeiro a demitir-se da actual direcção, dizia isto: “O Sporting tem de perceber que a equipa que existe hoje não pode continuar, não há dinheiro para estes ordenados. É vender metade desta equipa, despachar os Elias desta vida, que custou uma fortuna ao Sporting... O Elias é extraordinário, mas nós não temos dinheiro para ter o Elias. O Sporting tem de começar de novo, lembrar-se dos tempos do Ronaldo, do Figo, apostar nos miúdos de 16 anos, correr com metade desta equipa para realizar dinheiro e pagar dívidas e depois estar quatro ou cinco anos em quarto, quinto ou sexto lugar".

Ou seja, por estas duas vias (a questão dos fundos e a correlata questão financeira), o Sporting pode, já a partir de Dezembro/Janeiro, perder alguns jogadores de um plantel que é já em si mesmo (considero-o desde o início da época) muito fraco.

Se este pior cenário se verificar, então nessa altura o Sporting enfrenta um risco real de descer de divisão. O que implicaria obviamente o seu fim como grande do futebol português. Pelo menos para os próximos 10 a 20 anos.

Mas há mais ainda. Há casos pendentes que podem agravar ainda mais a situação e tornar ainda mais insustentável a posição da actual direcção, com tudo o que implicaria a sua queda, em termos de confiança da banca, dos credores e dos "investidores". Já nem me refiro ao caso de Pereira Cristovão, na sua faceta mais visível e em relação ao que o CD da Federação tomou a decisão que tomou. Nem ao que o Sporting terá necessariamente que pagar ao Benfica pelo incêndio provocado na Luz. Refiro-me a outras coisas que se vão dizendo à boca pequena e a que Seara aludiu ontem, sem querer concretizar. Por exemplo às verdadeiras razões pelas quais já sairam Carlos Barbosa (que ia fazer do Sporting um Barcelona ou Real Madrid) e Luis Duque. Ou mesmo a esta notícia segundo a qual Rojo pode até ser preso.

A situação é a pior possível. A resposta ao título deste post só pode ser: sim, pode.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

As modalidades - um feito único

O Benfica venceu ontem a Supertaça de Basquetebol (depois de ter vencido já o Troféu António Pratas, o primeiro da temporada).
Com esta vitória, as modalidades de pavilhão do Benfica conseguiram um feito único na história do desporto em Portugal: venceram as 5 Supertaças! Estamos a falar de andebol, voleibol, basquetebol, hóquei em patins e futsal. É uma conquista impressionante das nossas modalidades, cujo trabalho extraordinário deve ser ainda mais reconhecido e exaltado.
No fim da partida, Carlos Lisboa aludiu a este feito.
Há agora que dar continuidade a este caminho, não deixando fugir os títulos de campeão sobretudo no hóquei em patins, onde importa que a quebra da hegemonia do Porto se mantenha e se passe efetivamente a um novo ciclo de vitórias do Benfica. É uma modalidade pela qual os portugueses têm historicamente um grande carinho e onde infelizmente só temos visto visto "espanhóis" a ganhar. Falo evidentemente também das selecções, onde este fim de semana houve a boa notícia da vitória dos sub 20 portugueses no Campeonato da Europa, precisamente sobre a Espanha. Esperemos que a um novo ciclo de vitórias benfiquistas corresponda também um regresso às vitórias da nossa seleção A.
Também no andebol era muito bom que pudessemos voltar a ser campeões, depois de um jejum prolongado.
No futsal o Sporting será o adversário do costume, ao passo que no Basquete e no Voléi a superioridade benfiquista que existe de facto tem ser expressa dentro do campo para obtermos as vitórias esperadas.
Estamos no bom caminho!

8ª Jornada - comentário

Nada de novo na frente, com Benfica, Porto (e, um pouco atrás, Braga), com diferentes graus de brilhantismo e competência a resolverem os seus problemas e manterem-se na frente.

O Braga não terá feito grande exibição mas conseguiu os 3 pontos. Absolutamente lamentável (e contrário ao que deve ser o desporto) foi o comportamento de Hugo Viana, uma "pseudo-vedeta" como bem lhe chamou César Peixoto.

Não vi o Porto mas penso que 5-0 não pode deixar de indicar uma superioridade muito grande sobre o seu adversário, que até era o Marítimo, por regra uma equipa equilibrada, embora seja evidente o decréscimo de qualidade do ano passado para este. Martinez continua também imparável, com golo atrás de golo. Como já tinha assinalado, só um Benfica extremamente competente e regular poderá ficar à frente deste Porto.

E felizmente foi isso que se viu no sábado: uma equipa muito segura, que não foi sôfrega e desenfreada na busca dos golos, que não deu veleidades ao adversário (excepto uma oportunidade de Toscano numa desatenção de Luisinho) e que soube construir o resultado. Sem a expulsão de André Gomes o Benfica poderia ter chegado ao 4º golo, embora tenha sido evidente o decréscimo de produção da equipa a partir do moemnto em que começaram as substituições, sobretudo desde que Bruno César entrou.

Quanto a destaques, Matic esteve neste jogo a grande nível. É um jogador diferente de Javi Garcia mas começa a permitir que a equipa domine os adversários como conseguia pela acção pressionante de Javi logo que perdíamos a bola. No jogo contra o Guimarães, Matic esteve sempre "em cima" do adversário, fez bons passes e conseguiu ainda umas idas ao ataque interessantes. Terá sido dos seus jogos mais conseguidos pelo Benfica.

Maxi esteve muito dinâmico no apoio ao ataque (o Guimarães quase não colocava problemas à nossa defesa), Ola John foi muito mexido e sempre perigoso, apesar de o seu lugar natural ser do outro lado do ataque, Martins esteve bem e foi uma pena ter-se lesionado, ao passo que em termos defensivos Jardel e Garay chegaram para as encomendas. Luisinho esteve bem no apoio ao ataque até ter cometido o primeiro erro (uma perda de bola com a equipa balanceada para o ataque), o que o levou a uma sucessão de 3 erros que felizmente não resultaram num golo do Guimarães. Voltou a melhorar na segunda parte. Sálvio esteve a um nível alto, como é habitual, mas exagerou (e muito) nos toques, nos passes e nos bonitos. Pede-se mais simplicidade e objectividade. Foram muitas as vezes em que chegou à linha e voltou para trás.

Finalmente Cardozo voltou a resolver e Lima também marcou. É uma felicidade contar com dois excelentes pontas de lança como são estes dois. Que agora começam a mostrar poder jogar juntos. Podem vir a ser um caso sério. E temos ainda Rodrigo, que nem do banco saiu desta vez mas que em forma está também ao nível dos melhores.

Em suma, o Benfica tem carências que foram expostas pelas saídas de Javi e Witsel e o castigo de Luisão mas das quais surgiram respostas que começam a ser soluções e mais valias em si mesmas. Matic, André Gomes, o próprio André Almeida e Enzo Perez têm tido um papel na equipa que possivelmente não teriam se Witsel e Javi não tivessem saído. E têm tido oportunidade de mostrar a sua qualidade. Como equipa poderemos ter evoluído ao sobreviver (incólumes a nível nacional, no limite ao nível da Champions) ao castigo de Luisão e às saídas daqueles jogadores.

O Benfica demonstrou equilibrio e controlo do jogo no sábado, sem perder agressividade e acutilância no ataque. Há que continuar assim, sempre a evoluir. Que quarta-feira seja mais um passo nesse sentido.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Importante marcar presença



O Benfica recebe no sábado o Vitória de Guimarães e na quarta seguinte o Spartak de Moscovo. São dois jogos importantes (no campeonato evidentemente todos o são) que estamos "obrigados" a ganhar para manter as nossas ambições nas duas provas: no caso do campeonato vencê-lo, no caso da Champions passar a fase de grupos. Como assinalei num post anterior, jogaremos 4 jogos em casa durante o mês de Novembro.
É um momento da época em que os adeptos podem contribuir com o seu apoio para dar à equipa um élan importante. Todos nos recordaremos quão importante foi esse apoio em 2009 - e como ele se começou a criar logo nos primeiros meses do campeonato. Naturalmente que as épocas não se repetem, que as circunstâncias eram diferentes e que o caminho será diferente. No entanto o apoio pode e deve ser semelhante. Tenho defendido que, caso se façam alguns ajustes no plantel, JJ saiba tirar o melhor proveito dos jogadores que tem e perceber o que pedem os jogos e se não formos tão penalizados pelos árbitros, o Benfica pode ser campeão nesta época.
Para que tal se concretize, os adeptos precisam também de acreditar na equipa e fazer-lhe sentir que estão com ela. Sem união não se cria uma dinâmica vencedora, essencial para conquistar títulos. Estive no Benfica-Porto do ano passado e senti no Estádio, desde o início do jogo, um certo temor, uma certa desconfiança, um certo sentimento de que inevitavelmente as coisas iriam correr mal. Foi sem espanto que vi o Porto marcar primeiro, com alegria que vi o Benfica dar a volta ao resultado, com irritação que vi o Porto empatar e com desalento que o vi marcar o 2-3 em fora de jogo. Durante quase todo o jogo, perpassou das bancadas para o campo um sentimento de pouca crença, que não é admissível no Benfica.
Temos que, como adeptos, perder o constante receio de que as coisas podem correr mal.
Nesse sentido, é importante os adeptos marcarem presença em grandes números nos próximos jogos em casa. Há que começar a criar uma "base" em que alicerçar a vitória neste campeonato. Também na Liga dos Campeões é importante vencer os próximos dois jogos, como certamente temos todas as condições para conseguir e poder avançar na prova. Seria um estímulo muito importante e representaria um encaixe financeiro que nos daria outro conforto para a época.