Já se sabe que cada cabeça sua sentença: todos viram coisas diferentes no jogo desta noite e todos têm a sua opinião sobre o que viram.
A realidade é esta: o Benfica teve (muito) mais remates, cantos e oportunidades flagrantes de golo para marcar mas por inépcia, nervosismo e azar não concretizou nenhuma. O Barcelona também teve algumas, mas o gigante Artur evitou o pior. Seria demasiado injusto não apenas não ganharmos mas ainda virmos a perder este jogo.
O Barcelona jogou com segundas linhas?
Certamente, mas essas segundas linhas fazem parte do plantel. O "extra-terrestre" até entrou e a dupla de centrais que acabou o jogo por parte do Barcelona é aquela que venceu Ligas dos Campeões, Taças e Campeonatos em barda.
Realmente só faltava mesmo esta: depois de termos "obrigação" de vencer o Celtic em Glasgow e de vencer o Spartak, dizer-se agora que tínhamos "obrigação" de vencer o Barcelona em Nou Camp...
Um pouco de realismo por favor...
Poderíamos ter realmente vencido (mereciamo-lo até) mas isso (ter estado perto da vitória) é mérito do treinador e dos jogadores. Inverter o que conseguimos para conseguir ver qualquer outra coisa nesta partida e fazer leituras negativas, certamente é possível - mas não contem comigo para tal.
A única coisa que aponto é realmente a nossa falta de eficácia, que já vem sendo habitual. Cantos e oportunidades constrúidas em jogadas de bola corrida não são devidamente aproveitadas pela nossa equipa. Mas só os Ronaldos e os Messis é que raramente falham (e mesmo assim falham) e portanto há que saber aceitar as realidades, sendo certo que tem que se trabalhar mais estes aspectos específicos.
A minha leitura é só uma: de há uns anos para cá este Benfica vem sendo cada vez mais competitivo, cada vez mais capaz de se bater com grandes da Europa que têm orçamentos muito diferentes do nosso. E isso é mérito de quem lá está.
Perdida a Champions é agora hora de nos concentrarmos nas competições internas e sobretudo no Campeonato. Vem aí um jogo de enorme importância em que não podemos falhar. É de vitórias como a que podemos alcançar em Alvalade na segunda-feira que se fazem os títulos. O Sporting está claramente fragilizado a um ponto quase inacreditável e aí sim, temos obrigação de não deixar fugir as oportunidades que surgirem e concretizar a superioridade teórica em prática vencendo o jogo e enviando uma mensagem forte à concorrência. Concentração total, ignorar habilidades e provocações arbitrais (e do adversário) e jogar com toda a garra e alma benfiquista.
Vitória na segunda é o que pedimos aos nossos. Não para salvar épocas nenhumas nem para "esquecer" esta derrota... perdoem-me, empate, mas sim para estarmos um passo mais próximos do nosso grande objectivo que é sermos campeões nacionais.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Jogo entre gigantes.
O Barcelona é de facto uma super-equipa. Disso não pode haver dúvidas. É muito provavelmente a melhor equipa do mundo, constituindo a base, quer em termos de jogadores, quer de sistema táctico, de uma selecção que é "só" bi-campeã da Europa e campeã do Mundo.
O Benfica não é uma super-equipa mas é uma equipa forte. O ano passado foi eliminado da Champions pelo seu vencedor (o Chelsea), numa eliminatória em que não foi em nada inferior ao seu adversário. Não sendo uma super-equipa como o Barcelona, o Benfica é também um gigante do futebol mundial, quer em termos de palmarés, quer em termos de adeptos e grandeza institucional.
Será assim um grande jogo, um clássico até, do futebol europeu, com o favoritismo a pender quase em absoluto para a equipa da casa, mas com o Benfica a ter uma palavra a dizer, até porque algumas peças essenciais do Barcelona (Xabi e Iniesta) não jogarão.
Não é porém um Barcelona mais fragilizado o que entrará em campo. É um engano - que seria fatal se a equipa nele embarcasse - pensar assim. É um Barcelona talvez menos "automático" nos seus processos ofensivos e defensivos, mas ainda assim poderosíssimo, capaz de vencer qualquer equipa de topo e igual na sua matriz de jogo. Veja-se aliás como Guardiola saiu e Tito Vilanova manteve o estilo e a identidade inalteráveis - assim como os resultados. Um Barcelona diferente seria apenas um Barcelona sem Messi - mas este vai mesmo jogar amanhã.
Tarefa portanto muito difícil, mas ainda assim não impossível.
Se o Celtic, uma equipa esforçada e aguerrida, perigosa nas bolas paradas mas limitada tecnicamente, foi capaz de vencer o Barcelona, isso prova que não há imbatíveis.
Só um Benfica ao seu melhor nível e que tenha a sorte do jogo poderá sair amanhã vitorioso.
Mas - atenção: mesmo que isso não aconteça, o Benfica pode-se amanhã qualificar para os oitavos de final da Champions.
A vitória do Celtic sobre o Spartak está longe de ser um dado adquirido. Os russos têm alguma qualidade e tal como perderam surpreendentemente em casa com os escoceses poderão empatar ou vencer amanhã em Glasgow.
Convém ter isso em mente, até como forma de psicologicamente nos motivarmos. Um empate em Nou Camp pode também ser o resultado de que precisamos para progredir na competição. Seria muito positivo e, para mim, seria justo, pelo menos face ao que aconteceu até agora. A partir das 19.45h veremos.
O Benfica não é uma super-equipa mas é uma equipa forte. O ano passado foi eliminado da Champions pelo seu vencedor (o Chelsea), numa eliminatória em que não foi em nada inferior ao seu adversário. Não sendo uma super-equipa como o Barcelona, o Benfica é também um gigante do futebol mundial, quer em termos de palmarés, quer em termos de adeptos e grandeza institucional.
Será assim um grande jogo, um clássico até, do futebol europeu, com o favoritismo a pender quase em absoluto para a equipa da casa, mas com o Benfica a ter uma palavra a dizer, até porque algumas peças essenciais do Barcelona (Xabi e Iniesta) não jogarão.
Não é porém um Barcelona mais fragilizado o que entrará em campo. É um engano - que seria fatal se a equipa nele embarcasse - pensar assim. É um Barcelona talvez menos "automático" nos seus processos ofensivos e defensivos, mas ainda assim poderosíssimo, capaz de vencer qualquer equipa de topo e igual na sua matriz de jogo. Veja-se aliás como Guardiola saiu e Tito Vilanova manteve o estilo e a identidade inalteráveis - assim como os resultados. Um Barcelona diferente seria apenas um Barcelona sem Messi - mas este vai mesmo jogar amanhã.
Tarefa portanto muito difícil, mas ainda assim não impossível.
Se o Celtic, uma equipa esforçada e aguerrida, perigosa nas bolas paradas mas limitada tecnicamente, foi capaz de vencer o Barcelona, isso prova que não há imbatíveis.
Só um Benfica ao seu melhor nível e que tenha a sorte do jogo poderá sair amanhã vitorioso.
Mas - atenção: mesmo que isso não aconteça, o Benfica pode-se amanhã qualificar para os oitavos de final da Champions.
A vitória do Celtic sobre o Spartak está longe de ser um dado adquirido. Os russos têm alguma qualidade e tal como perderam surpreendentemente em casa com os escoceses poderão empatar ou vencer amanhã em Glasgow.
Convém ter isso em mente, até como forma de psicologicamente nos motivarmos. Um empate em Nou Camp pode também ser o resultado de que precisamos para progredir na competição. Seria muito positivo e, para mim, seria justo, pelo menos face ao que aconteceu até agora. A partir das 19.45h veremos.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Alerta CD - Rui Gomes da Silva suspenso um ano
O Conselho de Disciplina voltou a fazer das suas!
Rui Gomes da Silva foi suspenso por 10 meses por ter posto em causa a arbitragem de Xistra em Coimbra e mais 1 por não ter comparecido ao inquérito. Quase um ano de suspensão portanto (Pinto da Costa recebeu dois pelo Apito Final...).
Carlos Xistra por seu turno teve uma alta nota nesse jogo (3,9).
O tempo da decisão também é curioso - na véspera de um compromisso decisivo do Benfica em Nou Camp. Ah, é verdade - e o incêndio lançado na Luz por adeptos do Sporting, mais de um ano depois, continua sem castigo.
Assim se vai nesta choldra...
Rui Gomes da Silva foi suspenso por 10 meses por ter posto em causa a arbitragem de Xistra em Coimbra e mais 1 por não ter comparecido ao inquérito. Quase um ano de suspensão portanto (Pinto da Costa recebeu dois pelo Apito Final...).
Carlos Xistra por seu turno teve uma alta nota nesse jogo (3,9).
O tempo da decisão também é curioso - na véspera de um compromisso decisivo do Benfica em Nou Camp. Ah, é verdade - e o incêndio lançado na Luz por adeptos do Sporting, mais de um ano depois, continua sem castigo.
Assim se vai nesta choldra...
Lucho Gonzalez e os árbitros
Lucho Gonzales, no fim da época passada:
«Nunca falei de árbitros e não vou falar. São pessoas como nós. Hoje em dia é mais fácil,para não assumir as culpas, atirá-las para os árbitros. O futebol é um desporto muito lindo, um espetáculo, mas acaba-se sempre a falar de árbitros. Eles cometem erros como nós. Seria bom que se deixasse de falar tanto de árbitros.»
Lucho Gonzales após o jogo de Braga:
«Deu a sensação que nos empurraram para a nossa baliza, mas não por força do nosso rival. São coisas que se passam no futebol. Cometemos dois erros e pagámos caro.»
Entrevistador: O Porto foi prejudicado pela arbitragem? «Logicamente que sim. A cada falta apitada contra nós era amarelo, e daí resulta a expulsão. Não é habitual.»
E isto depois de um jogo em que o árbitro não assinalou um penalty evidente contra a sua equipa...
Ainda assim conseguem-se sentir prejudicados. Eles estão habituados a um tal nível de proteccionismo que perdoar só um penalty não basta.
«Nunca falei de árbitros e não vou falar. São pessoas como nós. Hoje em dia é mais fácil,para não assumir as culpas, atirá-las para os árbitros. O futebol é um desporto muito lindo, um espetáculo, mas acaba-se sempre a falar de árbitros. Eles cometem erros como nós. Seria bom que se deixasse de falar tanto de árbitros.»
Lucho Gonzales após o jogo de Braga:
«Deu a sensação que nos empurraram para a nossa baliza, mas não por força do nosso rival. São coisas que se passam no futebol. Cometemos dois erros e pagámos caro.»
Entrevistador: O Porto foi prejudicado pela arbitragem? «Logicamente que sim. A cada falta apitada contra nós era amarelo, e daí resulta a expulsão. Não é habitual.»
E isto depois de um jogo em que o árbitro não assinalou um penalty evidente contra a sua equipa...
Ainda assim conseguem-se sentir prejudicados. Eles estão habituados a um tal nível de proteccionismo que perdoar só um penalty não basta.
Importante actualização sobre atropelamento mortal
O futebol (?) português continua a ser manchado pela violência impune e criminosa.
E há um dado novo (pelo menos para mim e que não vi destacado na imprensa) sobre o atropelamento do adepto do Braga.
Há informações de testemunhas segundo as quais o "acidente" aconteceu após a paragem do autocarro da claque portista na via rápida:
"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
Desmentindo ter feito qualquer emboscada, a claque Red Boys (à qual pertencia João Mico), através do líder, Carlos Cerqueira, diz ter sido informada de que o veículo que transportava adeptos do FC Porto terá chegado a Braga “sem qualquer escolta policial”. “Queremos saber também por que parou na via rápida”, declarou."
Perante isto, como classificar a intervenção de um dirigente do Braga, sentado ao lado de Peseiro na conferência de imprensa, ao garantir que o atropelamento fatal de um adepto bracarense "nada tinha a ver com claques ou com o FCP"??
E já agora, onde pára a polícia? Onde pára a Justiça?
Até já há mortes - mas continua a não se passar nada
O jogo de sexta em Braga ficou marcado pela tragédia.
O que se passou não terá sido muito diferente do que a claque do Porto fez em muitos outros locais do país. Nem sequer isso é segredo, não se coibindo o líder daquela claque de publicar em livro tais façanhas.
Desta vez porém as consequências foram fatais. Um adeptos que fugia da claque em fúria foi atropelado e morreu.
Não sabemos o que se passou antes. Existem relatos que falam de apedrejamentos ao autocarro do Porto. De acordo com alguns a vítima poderia ter participado neles, de acordo com outros nada teve que ver e ia sozinho em direcção ao estádio quando começou a ser perseguido pelo bando de marginais.
A noite foi, de acordo com inúmeros relatos, de violência e terror: apedrejamentos, combates de bandos, um atropelamento fatal, dezenas de disparos de shotgun por parte da polícia e um verdadeiro caos vivido em várias zonas da cidade de Braga.
O que dizer sobre isto? Pelos vistos, para além de Rui Santos, de uma ou outra notícia muito a medo na imprensa, sobretudo n' "A Bola" e dos próprios habitantes do bairro das Andorinhas (palco principal dos confrontos) que viveram uma noite de terror, ninguém parece muito preocupado com o assunto.
E porque haveria de estar? Não vem isto acontecendo há anos (há décadas!) sem que ninguém tome medidas?
Não foi mesmo permitido, como atrás se refere, ao líder do mais activo bando de delinquentes do País, vangloriar-se de tais despautérios?
Como já tenho referido, a violência das claques é um problema que afecta todos os clubes e em relação à qual são necessárias medidas enérgicas. Ninguém está inocente nesta matéria. Infelizmente porém a impunidade é a regra neste País, sobretudo para o que se passa no Porto, onde para além disso existe uma grande promiscuidade entre clube e claques.
Impunidade que começa pela situação de um presidente que deveria, ao invés de se passear com meninas que têm idade para ser suas netas, estar atras das grades na companhia de Vale e Azevedo. Para além dos crimes de corrupção e promoção da prostituição, Pinto da Costa inúmeras vezes incitou ao ódio e violência. Outras tantas se utilizou das claques e de outros grupelhos criminosos para intimidar ou agredir quem se atrevia a fazer-lhe frente.
Sexta-feira já houve uma morte. Temo porém que ainda não tenha chegado para que alguns percebam o que se vem passando. Estou certo de que nada mudará - a não ser para a vítima e para a sua família. Esses ficaram com a vida estragada. Mas Pinto da Costa e os seus sequazes continuam a dormir descansados.
Adenda: testemunhas dizem que o "acidente" aconteceu após a paragem do autocarro da claque portista na via rápida.
"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
O que se passou não terá sido muito diferente do que a claque do Porto fez em muitos outros locais do país. Nem sequer isso é segredo, não se coibindo o líder daquela claque de publicar em livro tais façanhas.
Desta vez porém as consequências foram fatais. Um adeptos que fugia da claque em fúria foi atropelado e morreu.
Não sabemos o que se passou antes. Existem relatos que falam de apedrejamentos ao autocarro do Porto. De acordo com alguns a vítima poderia ter participado neles, de acordo com outros nada teve que ver e ia sozinho em direcção ao estádio quando começou a ser perseguido pelo bando de marginais.
A noite foi, de acordo com inúmeros relatos, de violência e terror: apedrejamentos, combates de bandos, um atropelamento fatal, dezenas de disparos de shotgun por parte da polícia e um verdadeiro caos vivido em várias zonas da cidade de Braga.
O que dizer sobre isto? Pelos vistos, para além de Rui Santos, de uma ou outra notícia muito a medo na imprensa, sobretudo n' "A Bola" e dos próprios habitantes do bairro das Andorinhas (palco principal dos confrontos) que viveram uma noite de terror, ninguém parece muito preocupado com o assunto.
E porque haveria de estar? Não vem isto acontecendo há anos (há décadas!) sem que ninguém tome medidas?
Não foi mesmo permitido, como atrás se refere, ao líder do mais activo bando de delinquentes do País, vangloriar-se de tais despautérios?
Como já tenho referido, a violência das claques é um problema que afecta todos os clubes e em relação à qual são necessárias medidas enérgicas. Ninguém está inocente nesta matéria. Infelizmente porém a impunidade é a regra neste País, sobretudo para o que se passa no Porto, onde para além disso existe uma grande promiscuidade entre clube e claques.
Impunidade que começa pela situação de um presidente que deveria, ao invés de se passear com meninas que têm idade para ser suas netas, estar atras das grades na companhia de Vale e Azevedo. Para além dos crimes de corrupção e promoção da prostituição, Pinto da Costa inúmeras vezes incitou ao ódio e violência. Outras tantas se utilizou das claques e de outros grupelhos criminosos para intimidar ou agredir quem se atrevia a fazer-lhe frente.
Sexta-feira já houve uma morte. Temo porém que ainda não tenha chegado para que alguns percebam o que se vem passando. Estou certo de que nada mudará - a não ser para a vítima e para a sua família. Esses ficaram com a vida estragada. Mas Pinto da Costa e os seus sequazes continuam a dormir descansados.
Adenda: testemunhas dizem que o "acidente" aconteceu após a paragem do autocarro da claque portista na via rápida.
"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
Desmentindo ter feito qualquer emboscada, a claque Red Boys (à qual pertencia João Mico), através do líder, Carlos Cerqueira, diz ter sido informada de que o veículo que transportava adeptos do FC Porto terá chegado a Braga “sem qualquer escolta policial”. “Queremos saber também por que parou na via rápida”, declarou."
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Razões para ganhar em Nou Camp
Aparentemente, uma crónica deslocada e até despropositada de Sílvio Cervan deu aos catalães razões para querer "humilhar" o Benfica.
Não que precisassem de muitas. De facto o Barcelona, um dos clubes com mais troféus europeus e que nos últimos anos tem tido quase a hegemonia do futebol europeu continua a chorar e a considerar injusta a derrota que sofreu numa final há 50 anos, numa das duas únicas vezes em que conseguimos conquistar a antiga Taça dos Campeões Europeus. "A final dos postes" é assim que no museu do clube catalão é classificado esse jogo, naturalmente histórico para o Benfica que, apesar da sua dimensão, tem um rol de títulos internacionais muito mais modesto do que o Barcelona. Mas mesmo esses poucos que tem, para os barcelonistas são demais. Esquecem, pelos vistos, ou consideram muito justas, a forma como obtiveram algumas das suas vitórias, nomeadamente ultrapassando numa meia final o Chelsea num jogo em que o árbitro não quis marcar pelo menos dois penalties flagrantes contra o Barcelona e que este acabaria por ganhar com um golo no último minuto de Iniesta. Suponho que no museu do Barcelona essa não esteja catalogada como a "saga dos penalties não marcados".
Mas voltemos a Sílvio Cervan. Numa crónica no jornal "A Bola", Cervan considerou que "o Barcelona não foi sério" no jogo contra o Celtic, que perdeu por 2-1. Não me parece (nem a mim nem a ninguém) que Cervan tenha razão. O Barcelona dominou amplamente esse jogo e teve pouca sorte, com o Celtic a marcar praticamente nos dois ataques que teve (um deles num canto). Mas ir pegar nessa crónica para encontrar aí razões para "dar ao Benfica uma grande lição" já me parece um pouco exagerado. Por várias razões, em que se inclui a simples modéstia - o Benfica não é assim tão incapaz quanto isso que o Barcelona tenha o jogo à partida ganho, tratando-se apenas de saber se acelera mais ou menos para dar essa tal "lição".
Da Catalunha haverá também algo mais a dizer. Em primeiro lugar, há ali uma certa antipatia anti-portuguesa que dificilmente se justifica, tanto mais que em Portugal existiu e ainda existe muita simpatia pelo Barcelona. Existe ali um ódio tremendo a Mourinho (por razões explicáveis mas também por exageros e sensibilidades desmesuradas, fazendo uso de dois pesos e duas medidas e não aplicando a eles próprios a mesma bitola que aplicam a Mourinho - a quem nada perdoam). Existe um ódio a Figo, que é verdade que sempre foi muito materialista na sua carreira e nem sempre se pautou por princípios éticos. Ainda assim Figo fez o que muitos outros fizeram e o ódio que lhe devotaram excedeu qualquer outra manifestação de desagrado por uma mudança para o rival. Novamente poderá haver aqui algum anti-portuguesismo à mistura.
A Catalunha não conseguiu ser independente de Castela (Madrid) e talvez isso explique alguma coisa. Não temos porém culpa disso nem sequer somos parte dessa equação. Mais natural seria até que a Catalunha olhasse para nós com respeito por termos alcançado e mantido a nossa soberania, apesar da desproporção de forças com Castela, mas pelos vistos não é o caso.
Nalguma imprensa catalã, para além das razões citadas, chega-se a dizer que o Barcelona "deve" ao Celtic, aparentemente um clube que lhes é muito mais querido, vencer o Benfica. No mínimo isso é estranho, pois se as contas estão como estão é precisamente porque o Barcelona perdeu um jogo que era "suposto" ganhar, "dando" ao Celtic 3 pontos inesperados. Não se percebe como é que vencer o Benfica é assim algo que se "deva" ao Celtic. A não ser que eliminar o Benfica fosse um objectivo do Barcelona, perante o que - aí sim - Cervan teria alguma razão.
Diz-se ainda ("Mundo desportivo") que o Benfica nos "últimos minutos" do jogo da Luz usou de uma dureza desnecessária, pelo que se impõe agora a tal "sova". Ora, se houve coisa que o Benfica foi nesse jogo foi macio. Mais só mesmo se estendesse uma passadeira vermelha aos barcelonistas (e alguns benfiquistas dizem até que foi isso que aconteceu). Foi pouco duro e fez pouquíssimas faltas - a dada altura até o Barcelona tinha mais faltas feitas!
Por fim, o tal desportivo da Catalunha fala ainda (!) de vingança (pela nossa vitória de há 50 anos...).
Cá em Portugal eu conheço já esta mentalidade. Pelos vistos temos um clube que em Espanha (sim, ainda são Espanha!) partilha o mesmo discurso e mentalidade. A seu favor tudo é legítimo e normal, contra si tudo é um atentado insuportável.
Para o Benfica, estão em jogo duas coisas quarta-feira em Nou Camp.
A sua continuidade na Champions e a sua dignidade. Uma vitória do Benfica garantiria automaticamente a qualificação. Essas são as nossas verdadeiras razões para ganhar esse jogo. Não precisamos de encontrar justificações ou explicações para ganhar e "humilhar" o adversário. Não partimos com a arrogância de quem acha que já ganhou à partida, que os outros são meros figurantes no jogo, que merecem ser "punidos" por se atreverem a dizer seja o que for.
O jogo começa 0 a 0. E o Benfica não entrará derrotado.
Não é impossível vencer em Barcelona.
Não que precisassem de muitas. De facto o Barcelona, um dos clubes com mais troféus europeus e que nos últimos anos tem tido quase a hegemonia do futebol europeu continua a chorar e a considerar injusta a derrota que sofreu numa final há 50 anos, numa das duas únicas vezes em que conseguimos conquistar a antiga Taça dos Campeões Europeus. "A final dos postes" é assim que no museu do clube catalão é classificado esse jogo, naturalmente histórico para o Benfica que, apesar da sua dimensão, tem um rol de títulos internacionais muito mais modesto do que o Barcelona. Mas mesmo esses poucos que tem, para os barcelonistas são demais. Esquecem, pelos vistos, ou consideram muito justas, a forma como obtiveram algumas das suas vitórias, nomeadamente ultrapassando numa meia final o Chelsea num jogo em que o árbitro não quis marcar pelo menos dois penalties flagrantes contra o Barcelona e que este acabaria por ganhar com um golo no último minuto de Iniesta. Suponho que no museu do Barcelona essa não esteja catalogada como a "saga dos penalties não marcados".
Mas voltemos a Sílvio Cervan. Numa crónica no jornal "A Bola", Cervan considerou que "o Barcelona não foi sério" no jogo contra o Celtic, que perdeu por 2-1. Não me parece (nem a mim nem a ninguém) que Cervan tenha razão. O Barcelona dominou amplamente esse jogo e teve pouca sorte, com o Celtic a marcar praticamente nos dois ataques que teve (um deles num canto). Mas ir pegar nessa crónica para encontrar aí razões para "dar ao Benfica uma grande lição" já me parece um pouco exagerado. Por várias razões, em que se inclui a simples modéstia - o Benfica não é assim tão incapaz quanto isso que o Barcelona tenha o jogo à partida ganho, tratando-se apenas de saber se acelera mais ou menos para dar essa tal "lição".
Da Catalunha haverá também algo mais a dizer. Em primeiro lugar, há ali uma certa antipatia anti-portuguesa que dificilmente se justifica, tanto mais que em Portugal existiu e ainda existe muita simpatia pelo Barcelona. Existe ali um ódio tremendo a Mourinho (por razões explicáveis mas também por exageros e sensibilidades desmesuradas, fazendo uso de dois pesos e duas medidas e não aplicando a eles próprios a mesma bitola que aplicam a Mourinho - a quem nada perdoam). Existe um ódio a Figo, que é verdade que sempre foi muito materialista na sua carreira e nem sempre se pautou por princípios éticos. Ainda assim Figo fez o que muitos outros fizeram e o ódio que lhe devotaram excedeu qualquer outra manifestação de desagrado por uma mudança para o rival. Novamente poderá haver aqui algum anti-portuguesismo à mistura.
A Catalunha não conseguiu ser independente de Castela (Madrid) e talvez isso explique alguma coisa. Não temos porém culpa disso nem sequer somos parte dessa equação. Mais natural seria até que a Catalunha olhasse para nós com respeito por termos alcançado e mantido a nossa soberania, apesar da desproporção de forças com Castela, mas pelos vistos não é o caso.
Nalguma imprensa catalã, para além das razões citadas, chega-se a dizer que o Barcelona "deve" ao Celtic, aparentemente um clube que lhes é muito mais querido, vencer o Benfica. No mínimo isso é estranho, pois se as contas estão como estão é precisamente porque o Barcelona perdeu um jogo que era "suposto" ganhar, "dando" ao Celtic 3 pontos inesperados. Não se percebe como é que vencer o Benfica é assim algo que se "deva" ao Celtic. A não ser que eliminar o Benfica fosse um objectivo do Barcelona, perante o que - aí sim - Cervan teria alguma razão.
Diz-se ainda ("Mundo desportivo") que o Benfica nos "últimos minutos" do jogo da Luz usou de uma dureza desnecessária, pelo que se impõe agora a tal "sova". Ora, se houve coisa que o Benfica foi nesse jogo foi macio. Mais só mesmo se estendesse uma passadeira vermelha aos barcelonistas (e alguns benfiquistas dizem até que foi isso que aconteceu). Foi pouco duro e fez pouquíssimas faltas - a dada altura até o Barcelona tinha mais faltas feitas!
Por fim, o tal desportivo da Catalunha fala ainda (!) de vingança (pela nossa vitória de há 50 anos...).
Cá em Portugal eu conheço já esta mentalidade. Pelos vistos temos um clube que em Espanha (sim, ainda são Espanha!) partilha o mesmo discurso e mentalidade. A seu favor tudo é legítimo e normal, contra si tudo é um atentado insuportável.
Para o Benfica, estão em jogo duas coisas quarta-feira em Nou Camp.
A sua continuidade na Champions e a sua dignidade. Uma vitória do Benfica garantiria automaticamente a qualificação. Essas são as nossas verdadeiras razões para ganhar esse jogo. Não precisamos de encontrar justificações ou explicações para ganhar e "humilhar" o adversário. Não partimos com a arrogância de quem acha que já ganhou à partida, que os outros são meros figurantes no jogo, que merecem ser "punidos" por se atreverem a dizer seja o que for.
O jogo começa 0 a 0. E o Benfica não entrará derrotado.
Não é impossível vencer em Barcelona.
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