terça-feira, 6 de agosto de 2013

Cardozo - a novela continua

Tal como referi ontem, as palavras de Rui Gomes da Silva no "Dia Seguinte" já davam a entender que se preparava um golpe de teatro, uma volta de 180º: Cardozo afinal pode ser reintegrado.

É uma novela vergonhosa que está a enquinar completamente o ambiente à volta da equipa.

Como tenho dito, sobretudo nas últimas semanas, há um tremendo défice de liderança - e de competência - neste momento no futebol do Benfica. JJ não pode liderar pois a grande maioria dos adeptos só a custo o toleram, a estrutura foi esvaziada precisamente para dar plenos poderes a JJ que neste momento não tem credibilidade e o Presidente desapareceu há muito tempo. Só fala de questões estruturais.

Face a este vazio, os media e comentadores vão fazendo todo o ruído, toda a especulação e o caso vai corroendo ainda mais a moral já baixa dos benfiquistas.

Sempre gostei do jogador e acho que nos faz uma falta tremenda. Não será fácil de substituir. No entanto, neste momento não existem de forma nenhuma condições para continuar. O ambiente é impossível e o próprio jogador quer sair. 

Perante isto ainda há benfiquistas que justificam esta inação da direção, como se este fosse um caso quase impossível de resolver. Mas querem que eu faça um desenho? É muito simples: a partir do momento que se decidia que o jogador ia mesmo sair, vendia-se à melhor proposta. Era abaixo do seu valor? Paciência!  

Se não era para sair, rapidamente se silenciava o ruído, se dizia que o caso estava a ser tratado internamente, se determinava uma sanção disciplinar, seguida de um pedido de desculpas do jogador e andava-se para a frente.

Isto é que não é nada!

O jogador está desvalorizado, está a ser maltratado e a ferida causada cada vez se torna mais funda, com o caso a servir como instrumento de pressão adicional sobre JJ.

Porque, lembro, JJ continua a ser o nosso treinador. E nessa medida, independentemente do que se diga e critique nos blogs, inclusivé este, ele tem que ser protegido pela estrutura e pela direção. Caso contrário está-se a lançar JJ às feras.

Como se não bastasse, o Benfica, ao mesmo tempo que começa a "plantar" nos jornais (e nas TV's) a ideia de que Cardozo pode afinal vir a ser reintegrado, faz críticas veladas ou explícitas ao jogador, numa política de sacudir as culpas do capote de quem decide. Ou seja, fala-se em reintegração mas ataca-se o jogador:


Por outro lado, segundo a mesma fonte, Tacuara «não se incompatibilizou apenas com o treinador», mas com o plantel, havendo «muitos jogadores que não perdoaram o facto de Cardozo ter apontado o dedo a companheiros», nomeadamente a André Almeida, que foi o lateral-esquerdo com o V. Guimarães, em detrimento de Melgarejo. 
Para os encarnados, Cardozo «está obcecado» com a oferta milionária do Fenerbahçe (admite-se que os turcos paguem mais de €3 milhões limpos, triplicando o salário de Tacuara), mas nada mudará a posição das águias: «Se não houver proposta que corresponda ao que o Benfica pensa que ele vale, não vai sair e será reintegrado.»

(A Bola).


Tudo isto é mau demais para ser verdade.


Rui G. Silva - "se não for vendido, Cardozo é reintegrado"

Eu sinceramente já nem sei o que dizer. A incompetência é tamanha que parece mentira.

E a época quase a começar...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Ou alguém põe ordem no Benfica ou o descalabro é certo

Uma das coisas que sempre me fez confusão em Luis Filipe Vieira foi o seu "desaparecimento" em alguns momentos críticos da vida do clube, em que se impunha o exercício de uma verdadeira liderança.

Muito em particular houve dois momentos para mim marcantes: a humilhação por 5-0 no estádio do Porto e, nessa mesma época, a cena lamentável da rega e das luzes apagadas quando a nossa equipa não foi capaz de evitar que o seu adversário fosse campeão em sua casa. 

Nessas alturas LFV desapareceu completamente. Nunca houve uma explicação, uma palavra aos sócios, já nem digo um pedido de desculpas, mas pelo menos alguma assunção de responsabilidades por uma humilhação vergonhosa, por um lado, e por um acto indigno da grandeza do Benfica, uma cena patética e mesquinha que só deu aos adversários ainda mais motivos de chacota.

Sempre estranhei que LFV não tivesse aparecido nessas alturas e mostrado que um líder não se esconde nos momentos difíceis. Tudo continuou igual e no ano seguinte voltámos a perder tudo, tal como na época passada. A única diferença foram as críticas de LFV à arbitragem de Pedro Proença no 2-3 na Luz com o golo de Maicon em fora de jogo. Mas mesmo essa intervenção foi um pouco estranha porque surgiu num vazio: os problemas de arbitragem já vinham muito de trás (e continuaram depois) tendo Vieira apenas falado naquela ocasião - e inconsequentemente.

Tudo isto para dizer que a liderança de Vieira me começou a parecer logo aí falha. Nunca embarquei porém na retórica dos "85 % isto e aquilo", como se a culpa fosse dos sócios. Os sócios são livres de eleger quem entendem, só há que respeitar os resultados. Aliás, as questões colocam-se sempre em termos de alternativa: quem faria melhor do que Vieira? Bruno de Carvalho? Rangel? Tenham paciência...

O Benfica é uma instituição gigantesca que com uma liderança incapaz pode afundar qual titanic. Veja-se o Sporting: o que se seguiu à gestão de Soares Franco, que se criticava por conseguir apenas 2ºs lugares? O descalabro! Pensar que o Benfica está a salvo de algo semelhante é ser inconsciente, não conhecer a história das instituições e do Benfica em particular, que esteve há pouco mais de uma década à beira do abismo.

Tal não quer dizer que estejamos destinados a ser 2ºs (ou pior) e a reeleger Vieira até ao fim dos tempos. Quer dizer outra coisa muito mais séria: é preciso desde já perfilar-se uma alternativa CREDÍVEL.

LFV começa a dar sinais de desnorte, tal como JJ aliás. Com a pressão e o descontentamento dos adeptos a crescerem, o desnorte tenderá a aumentar na mesma proporção do nervosismo.

A tolerância para com JJ não diminuiu apenas devido ao final da época passada. A decisão de dar a JJ plenos poderes no futebol do Benfica contribui para aumentar a pressão e para o responsabilizar ainda mais por tudo o que corra menos bem. A aposta de Vieira nesta solução (contra a grande maioria da SAD) também o coloca a ele na linha de fogo.

O desnorte evidencia-se em várias (in)decisões que contribuem imenso para que o mal-estar aumente: 


  • a situação de Cardozo
  • a questão de Garay
  • a indefinição no plantel (sendo especialmente preocupante a possível saída de Matic)
  • as dispensas de Miguel Rosa e Miguel Victor, por um lado, e de Roderick, por outro (por razões diferentes, quase opostas)
  • as contratações de LOLO (e outros sem provas dadas, por contraposição àquelas dispensas)
  • a questão da lateral esquerda, que abrange a situação de Melgarejo (serve-deixa-de-servir, sai-não-sai) e de Cortez (dúvidas sobre se será mais um Melgemerson)
  • as cada vez mais atabalhoadas intervenções públicas de JJ
  • o saber-se de dispensas através de outros clubes e não do SLB
  • a questão Roberto.

Uma grande tempestade se forma no horizonte e ou LFV tira algum coelho da cartola (o que nesta altura já parece muito difícil) ou o fim do seu ciclo poderá estar para breve. Lembrem-se das cenas absolutamente lamentáveis da subida de JJ e da equipa das escadarias do Jamor e perceberão do que falo.

Neste momento, parece-me urgente que LFV tenha consciência do que se passa, designadamente que os benfiquistas começam a estar cansados de tanto desmando, e que ponha um mínimo de ordem na casa. Um MÍNIMO, para que as coisas não descambem completamente. No entretanto os benfiquistas que dispõem de alguma credibilidade, como por exemplo Bagão Felix, devem começar a encetar contactos para assegurar uma alternativa minimamente sólida. O poder não pode cair na rua. Caso contrário o desastre pode ser total.

Caso Roberto - credibilidade da direção ferida de morte

Por muitas voltas que se queiram dar ao assunto, por muita areia que se atire para os olhos das pessoas, por muito contorcionismo que alguns façam para explicar o inexplicável, a evidência impõem-se: a venda de Roberto foi fictícia ou falseada.

Roberto não foi vendido coisa nenhuma, foi uma manobra para enganar as pessoas. Aliás os sinais já eram bastante evidentes à data: logo o Saragoça, clube falido e gerido por uma comissão de gestão, perante a polémica face aos valores referidos, veio dizer que tinha contratado o jogador por apenas 86.000 euros.

Confirmado agora que não houve venda, confirma-se também que Luis Filipe Vieira tentou enganar os sócios e accionistas da SAD. Perante os valores envolvidos e perante outras trapalhadas ainda associadas ao negócio (a compra de 50% do passe de Pizzi para emprestar ao espanhol), considero que a credibilidade do LFV e, por arrasto, da direção está ferida de morte. Não mais poderá falar de transparência e mesmo de verdade desportiva sem ser completamente ridicularizado. Quando o principal inimigo do Benfica nos últimos anos fala de "milhões da treta", numa altura em que o negócio ainda não tinha sido desmascarado, e nos vemos obrigados a reconhecer que tinha razão, estamos mal.

LFV teve tudo para ter sucesso no Benfica: estabilidade directiva, falta de oposição credível, apoio esmagador por parte dos sócios. Em 2009 as coisas pareciam finalmente ir entrar nos eixos, com o Benfica a acabar novamente a época como campeão, a jogar bem e a levar os seus adeptos de volta à Luz, com grandes enchentes.

O ano seguinte era o ano decisivo: vencer de novo significaria quebrar finalmente o domínio do Porto, iniciar um novo ciclo no futebol português. LFV mostrou então falta de visão: deixou cair Hermínio Loureiro, deixou cair Ricardo Costa, apoiou Fernando Gomes, convencido de que este estava a mal com Pinto da Costa e iria ser um actor imparcial no futebol português e os resultados são os que estão à vista. As arbitragens chegaram, nalguns casos, a superar o que de pior se passou aquando dos anos do apito dourado. Desde esse fatídico apoio, o Porto perdeu um jogo para o campeonato, tendo o árbitro que apitou esse jogo sido saneado. Penalties ou expulsões contra o Porto tornaram-se uma impossibilidade física, ao passo que a favor basta o mais ligeiro pretexto.
 
Por estas razões e pela decisão de renovar com JJ, decisão que neste momento parece já ter sido um erro tremendo, LFV está numa posição muito frágil da qual já dificilmente recuperará.

domingo, 4 de agosto de 2013

Modelo esgotado

Infelizmente é a minha convicção. Ao fim de 4 anos continuam os mesmo problemas e as virtudes estão cada vez mais pálidas.

São toques e mais toques e ninguém se decide a rematar à baliza. São muitos jogadores parecidos, virtuosos e tecnicamente evoluídos mas pouco objectivos. São bolas paradas inofensivas. É um domínio de jogo quase total e um volume de ataque imenso para poucos (neste caso nenhuns) frutos. O aproveitamento ataques/golos do Benfica deve ser dos mais baixos da Europa. O jogador mais perigoso e com mais sentido de baliza está proibido de se treinar (e pelos vistos sem sequer ter clubes interessados).

Na defesa nada melhorou. Qualquer equipa mediana nos marca golos, nem precisando de ir muitas vezes lá à frente. As bolas paradas defensivas continuam a ser um pesadelo, livres laterais então são meio golo. Na lateral esquerda o problema persiste pelo terceiro ano consecutivo.

A questão da baliza também não me parece resolvida.

30.000 (terão sido assim "tantos"?) é bem demonstrativo da pouca confiança com que os benfiquistas encaram a presente época.

Para terminar, o discurso de Jorge Jesus também me parece esgotado, pouco convicto, pouco credível. As suas explicações soam a desculpas sendo evidente que as mossas da época passada deixaram marcas.
 
Temo que se avizinhem tempos de muita contestação e instabilidade. Os cânticos por Cardozo mostram que existe uma insatisfação latente que espera apenas por um pretexto mais forte do que uma derrota na Eusébio Cup para se manifestar.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Quem sairá até ao fim do mês?

A menos de um mês do encerramento do mercado, o Benfica já conseguiu resolver alguns casos "bicudos" (Sidney, Kardec e alguns outros) através de empréstimos (nalguns casos com contrapartidas financeiras interessantes) mas ainda não vendeu nenhum jogador.

Entretanto já entraram 11 jogadores (um deles por empréstimo).

Não há porém ainda nenhuma venda, o que para um clube que - diz-se - terá que realizar 50 milhões começa a ser preocupante.

O caso Cardozo arrasta-se  mas aparentemente estará encaminhado (aparentemente o Benfica irá vender o jogador por 12+3 milhões). Para um jogador que fez tantos golos pelo Benfica é uma verba muito pequena. Aliás o Benfica pedia inicialmente 17 milhões, verba um pouco mais consentânea com o valor do jogador.

Garay já estava "vendido" ao Manchester United desde o ano passado (era o que constava) mas por alguma razão continua a não integrar o respetivo plantel.

Depois temos o caso de Gaitan que todos os anos vai sair, pois os dois clubes de Manchester estão loucos por ele, cada um oferecendo mais do que o outro, mas que acaba sempre (felizmente) por ficar.

Agora temos o caso Sálvio. De acordo com alguma imprensa, o internacional argentino tem vários interessados, desde o Arsenal até mais recentemente ao PSG, passando pelo Manchester City e o Tottenham. Existiria, diz-se uma proposta em cima da mesa de 32 milhões de euros do PSG depois do Arsenal ter oferecido 30. 

A mim custa-me a crer (sem por em causa a grande qualidade do jogador acho valores muito elevados) mas veremos. 

Na realidade a questão do "valor" nem sequer se coloca. Um jogador "vale" o que o mercado quiser pagar. 

Veja-se o absurdo da transferência de Gareth Bale, um jogador que ainda nem querer deu provas como já tinham dado Ronaldo, Figo ou Zidane aquando das suas transferências milionárias.


A serem verdade as notícias, com a venda de Sálvio por 30 milhões, números redondos, a de Cardozo por 15 e a de Garay por 10 (por metade do passe), entrariam 55 milhões de euros na tesouraria, mais 5 do que se diz ser necessário.

Nesta medida, não seria "necessário" vender Matic.

Como diz o seu empresário, interessados existem... pudera. Trata-se de um enorme jogador. Quem não gostaria de ter Matic (e tantos outros jogadores do Benfica)? Quase nenhum clube europeu desperdiçaria a oportunidade de ter os mais talentosos jogadores do Benfica no seu plantel. É tudo uma questão de dinheiro. Nesta medida, em relação a Matic a direcção do Benfica deve ter uma e apenas uma postura: o jogador só sai pela cláusula de rescisão.

Cardozo poderá ser substituível (o tempo o dirá), Garay é um grande jogador mas creio que o Benfica ultrapassará bem a sua falta, Sálvio é um extremo de enorme qualidade, um jogador de topo mas, pelo menos para consumo interno, o Benfica conseguirá substituí-lo com os jogadores que tem no plantel. Já Matic é um jogador que não tem substituto. A sua saída obrigaria à contratação de dois jogadores. É a meu ver o único inegociável do Benfica.

PS1 - já depois de publicado este post vejo que o Porto ofereceu 1,2 milhões a Jackson Martinez para este renovar por aquele clube, aumentando a cláusula de rescisão de 40 para 60 milhões. O Porto percebe que o jogador é insubstituível e pretende não apenas colocar-se a salvo da saída do jogador por 40 milhões (que acham pouco para a sua valia) como simultaneamente dar um prémio ao jogador para que este não fique tão frustrado por não poder sair e melhorar as suas condições financeiras. Considero esta gestão do caso correcta.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A esperança para a próxima época

Já tenho neste espaço dito que a coisa mais engraçada das previsões é que muitas das vezes elas saem completamente furadas.

Olhando para as pré-épocas do Benfica e do Porto até à passada semana, poderíamos apontar para um passeio do Porto no campeonato. O Benfica, fragilizado pelo final de época passada, pela contestação a Jorge Jesus (e a Vieira), pelas muitas dúvidas referentes à forma como estão a ser geridas as contratações e vendas, a instabilidade do plantel (possíveis saídas de Sálvio e Matic, peças centrais da nossa dinâmica de jogo), o não mostrar muito nos jogos de preparação, antes pelo contrário; todos estes factores geraram alguma insegurança e descrença de muitos benfiquistas em relação à próxima época.

Já o Porto parecia uma máquina imparável, ao vencer com facilidade os jogos na América do Sul e mostrar a habitual solidez, com as contratações e regressos a parecem apostas seguras e mantendo (apesar da saída de Moutinho) bastante consistência.

Claro que a pré-época não conta para a pontuação no campeonato ou o percurso ao longo da época nas outras competições mas os sinais evidenciados eram no sentido que acabei de referir.

No entanto os últimos jogos deixaram a meu ver alguns sinais positivos para as aspirações do nosso clube.

No tocante ao nosso principal adversário, aquilo que o jogo com o Celta de Vigo mostrou é que as alterações tácticas pretendidas por Paulo Fonseca estão longe de garantir que o Porto venha a ser mais (ou sequer tão) forte do que o ano passado.

É preciso ver que Vitor Pereira, que muitos benfiquistas não se cansam de dizer que é uma nulidade, soube, goste-se ou não, manter uma grande consistência na equipa e sobreviver às perdas de Falcão e Hulk. Com certeza que com muitos favores arbitrais, isso não está em causa. Mas ainda assim, a realidade é que em dois jogos com o Benfica na época passada, sem casos de arbitragem dignos de registo, não perdeu nenhum. Como aliás não perdeu nenhum na época anterior (para o campeonato), tendo vencido um deles com um golo em claro fora de jogo. Sem esse golo é porém de admitir que o resultado fosse um empate, o que ainda assim lhe permitiria manter a invencibilidade nestes duelos tão importantes para a decisão do campeonato.

Para mim Vitor Pereira não é portanto o incompetente que tantas vezes se retrata. Pelo contrário, na minha perspectiva, foi um treinador realista que conseguiu obter um rendimento muito aceitável de uma equipa que em dois anos consecutivos perdeu a sua "principal referência atacante" como agora se gosta de dizer.

Pereira manteve um modelo que já se encontra bastante enraizado no Porto e que é talvez o modelo mais consistente (embora também mais "conservador", menos ousado e de alguma forma previsível) do futebol. O meio campo de 3 com Fernando Moutinho e Lucho entendeu-se sempre muito bem e fez jogar o resto da equipa. Com poucas soluções alternativas, chegou para a concorrência.

Ora é neste modelo tão implementado no Porto que Paulo Fonseca vem mexer. Sabe-se que o actual treinador do Porto é um admirador de Jorge Jesus e que gosta de dar uma dinâmica ofensiva às suas equipas.

No jogo contra o Celta viu-se (esta é a minha análise), um Porto a tentar conciliar o inconciliável: um modelo conservador de 4-3-3 com um modelo ousado e atacante que implica dois avançados. O resultado disto é o desmontar do triângulo (os 3) do meio campo, pois Lucho acaba por jogar no apoio ao ponta de lança demasiado longe dos outros dois jogadores. Para o compensar (e manter a consistência defensiva que é a marca do Porto desde há muitos anos), Fonseca coloca os dois médios que sobram no meio numa posição muito recuada; dois trincos para simplificar. Estes dois jogam lado a lado, o que nem sequer me parece o mais adequado às características de Fernando.

Em suma, Fonseca, ao querer implementar as suas ideias de jogo poderá contribuir para fragilizar o que por regra é o grande trunfo portistas: a sua solidez defensiva, alicerçada num meio campo que é muito dominador. Poderemos ter no Porto (oxalá assim seja) o pior de dois mundos - fragilidades defensivas resultantes da aplicação de um modelo sem escola no Porto e a habitual pouca produção ofensiva da equipa.

A saída de Jackson seria neste contexto pouco menos do que catastrófica para o Porto. Se Moutinho e James ainda poderão ser substituíveis (veremos, o futuro o dirá) já a saída de Jackson, o homem que resolveu quase todos os jogos do Porto, teria como consequência inevitável uma queda da qualidade ofensiva da equipa. Disso não tenho dúvidas.

Já quanto ao Benfica, as coisas mantêm-se, grosso modo, como no ano passado. Há mais soluções, há mais banco e existem novas opções que a versatilidade de Markovic, Djuricic e Sulejmani permitem. Há também - e esta é a grande esperança que nasce com o jogo de ontem - um novo espaço para Rodrigo se afirmar e voltar a mostrar as qualidades que evidenciou antes da sua lesão. Na esquerda mantêm-se as dúvidas (Cortez continua a ser uma incógnita), ao passo que a permanência de Matic cada vez mais me parece uma condição necessária para termos esperança numa época de sucesso. Pelo que vi ontem, talvez a saída de Cardozo possa ser colmatada com as novas nuances tácticas que os sérvios permitem - TALVEZ - mas para que a consistência continue a existir, Matic, o cimento desta equipa tem que ficar. Caso contrário voltaremos quase à estaca zero e mesmo as eventuais fragilidades que o Porto possa exibir não serão aproveitadas.